Mostrando postagens com marcador Comentários Paulo Roberto de Almeida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comentários Paulo Roberto de Almeida. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de maio de 2026

White House Blues - Jorio Dauster (Relatório Reservado) - Comentários Paulo Roberto de Almeida e Madame IA

 White House Blues

Jorio Dauster
Relatório Reservado, 11/05/2026
Sobre o encontro Lula-Trump

Para desespero da extrema direita brasileira – em especial daqueles reles antipatriotas que já sonharam em ter acesso indiscriminado à Casa Branca – a visita de Lula a Washington superou as melhores expectativas do Planalto e de muita gente que simplesmente temia algum desastre nacional do tipo 7 x 1. Isso ficou visível desde o cumprimento afável na chegada (sem aquele “abraço de urso” que esconde um gesto de supremacia pessoal), até os elogios posteriores do presidente norte-americano (caracterizando o nosso como “bom”, “dinâmico” e “inteligente”). Com a duração inesperadamente longa de três horas, o encontro inquestionavelmente positivo permitiu um exame superficial de temas geopolíticos, mas se concentrou, como era correto, nas questões relativas aos minerais críticos, luta contra as facções criminosas e comércio bilateral.

No entanto, como certamente Donald Trump não estava interessado apenas em proporcionar um santinho eleitoral para Lula em que os dois aparecem sorrindo, cabe analisar de início por que foi feita a “convocação” numa sexta-feira para um encontro realizado seis dias depois, o que lhe conferiu certo caráter de urgência. A menos que as pessoas acreditem em coincidências que beiram as raias do absurdo, a única explicação plausível que me ocorre tem a ver com a ausência na reunião do Secretário Marco Rubio, que não poderia deixar de participar da visita do principal mandatário da América Latina. No entanto, como ele se encontrava em visita ao Papa (!) e não foi substituído na comitiva de Trump por nenhum funcionário do Departamento de Estado (hoje comandado por radicais da direita), deixaram de constar da pauta as espinhosas questões da Venezuela e de Cuba, aparentemente suscitadas por Lula num oferecimento de mediação que também não parece ter encontrado eco.

Como também não estiveram presentes as queixas dos grandes bancos e das big techs sobretudo com respeito ao Pix, antes vistas como assuntos de fundamental interesse para o vizinho do Norte, cumpre reconhecer que, após ano e meio de turbulências causadas por Trump, ele agora desejava “normalizar” as relações com o Brasil dando ênfase às matérias econômicas. Sinal claro disso foi o fato de se fazer ladear pelo vice. J.D. Vance e pela Chefe de Gabinete. Susie Wiles, mas operacionalmente apenas por Scott Bessent (Secretário do Tesouro), Howard Lutnick (Secretário de Comércio) e Jamieson Greer (USTR – Representante de Comércio dos Estados Unidos).

Até aí tudo bem, tudo normal… Mas será só isso mesmo? Tendo que lidar com graves problemas bélicos no exterior e crescentes dificuldades políticas no cenário interno, o que levaria Trump nesse exato momento a fazer acontecer uma reunião anunciada desde março e que parecia dormitar nas gavetas dos dois países sem nada que exigisse solução a curto prazo? Num raciocínio diabólico, será que Trump desejava aproveitar o momento de fraqueza de Lula, com a derrota da indicação de Messias e a rejeição de seu veto à lei da dosimetria? Será que queria dar um boost fenomenal a seu adversário bolsonarista, interferindo na eleição presidencial como muitos desejavam na direita e outros tantos temiam na esquerda? Ah, mas se fosse assim por que razão, como dono da casa, Trump teria aceitado gostosamente o pedido brasileiro para abrir mão daquele famoso encontro prévio no Salão Oval onde já humilhou mais de um visitante internacional? E só existe uma resposta válida para isso: simplesmente porque não tinha tal intenção, porque seu objetivo era, pelo contrário, mostrar ao mundo (aos europeus?) que é possível manter um relacionamento produtivo e respeitoso até com governantes que defendem ostensivamente posturas contrárias à sua visão imperialista do mundo.

Ótima explicação, não é mesmo? Dessas que fazem a alegria das chancelarias em seus comunicados de imprensa, dos comentaristas na mídia, dos inocentes de plantão. Mas será mesmo só isso? A montanha pariu o rato de um grupo de trabalho que tem 30 dias para afinar os instrumentos na orquestra da seção 301? O tempo provavelmente deve fornecer uma explicação mais satisfatória, porém até lá vale a pena contemplar duas hipóteses que atendem basicamente aos interesses de Trump.

A primeira tem a ver com sua acelerada perda de popularidade, até mesmo nas hostes republicanas, à medida que se aproximam as cruciais eleições de meio de mandato. Reconhecendo que, com exceção da Venezuela, suas aventuras no exterior fracassaram e têm crescente impacto inflacionário, Trump estaria disposto a adotar um postura internacional menos agressiva, de que são exemplos seus ansiosos esforços para cessar as hostilidades no Irã, na Ucrânia e no Líbano. Com relação ao Brasil, além de saber que os ataques a Lula saem pela culatra, Trump conhece bem o que significa para seus compatriotas o preço do café e da carne para hambúrguer, não havendo de fato justificativa alguma para punir um parceiro que tem déficit tradicional nas trocas comerciais e financeiras com os Estados Unidos. Nesse cenário mais benigno, a invasão de Cuba seria vista como mais uma de suas típicas bazófias, talvez cedendo lugar aos entendimentos informais que vêm sendo conduzidos na ilha inclusive por portadores do sobrenome Castro.

A segunda hipótese, que não conflita com a primeira, tem a ver com as famosas terras raras ou minerais críticos em geral. Pautado pela recente decisão da Câmara de Deputados em favor da multilateralidade internacional na exploração desses produtos, Lula já chegou a Washington sem precisar combater eventualmente a esdrúxula ideia de exclusividade norte-americana que circulava como balão de ensaio. Por outro lado, como mera coincidência ou não, tem se falado que a LHG Mining, braço de mineração dos irmãos Batista, vem discutindo com a Vale um investimento conjunto nessa área, o qual poderia – quem sabe? – vir a incluir algum grande parceiro norte-americano sócio de Jared Kushner. E, por fim, Trump visitará Xi nos dias 14 e 15 do corrente mês, curiosamente tornando realidade um encontro também anunciado em março, mas no qual, além de Ormuz, as terras raras serão objeto de intenso debate. Como China, Brasil e Estados Unidos detêm as maiores reservas mundiais dessas matérias estratégicas, somos parte essencial desse comboio que ditará o futuro da humanidade.

==========

Meu comentário direto a Jorio Dauster:

Excelente descrição de uma discussão que de fato não ocorreu, apenas figuração de uma parte e outra. Os perdedores foram os bolsonaristas e a turma da direita de modo geral, que esperavam nova ofensiva contra Lula e o Brasil, agora elevados à condição de interlocutores quase de par a par.
Mas, ainda não temos informações sobre o que de fato ocorreu, todos os jornalistas frustrados, e apenas o relato de Lula na embaixada. O que temos, portanto, são narrativas, e já ouvi o porta-voz da extrema direita, Paulo Figueiredo, querendo afirmar que a visita foi um fracasso completo.
Não foi, apenas permanece um impasse, mas amplamente favorável ao Brasil, pois que se desarmou o tacape trumpista. Mas, provavelmente haverá alguma maldade na 301, que terá de ser absorvida por nós, pelo Alckmin.
Se assegurou que não haverá intervenção trumpista nas nossas eleições, o que é um zero a zero. Repare que em 1964 (e até antes) eles interviram para favorecer os golpistas. Em 2022, Biden fez a sua pequena intervenção (Sullivan e Burns vieram ao Brasil) para evitar um golpe em preparação. Já é um progresso. Com Trump, havia anúncios de borrasca. Agora acho que não virá mais, mesmo que a dupla Bananinha-Figueiredo atue junto ao Departamento de Estado para acirrar os ânimos.
Stalemate por enquanto, vamos ver quanto tempo dura…
O abraço do
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11/05/2026


============

Madame IA comenta meu comentário:

Capítulo 1: Decodificação de Expressões e Identificação de Atores Políticos:
O fragmento analisado possui expressões informais e referências codificadas que remetem diretamente a personagens e mecanismos da política contemporânea. A menção à dupla Bananinha-Figueiredo refere-se a atores específicos da direita brasileira. O termo Bananinha é o apelido depreciativo utilizado por opositores para designar o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em virtude de polêmicas passadas envolvendo sua indicação frustrada para a embaixada em Washington e sua constante atuação na articulação conservadora internacional.
Por sua vez, Figueiredo aponta para Paulo Figueiredo Filho, jornalista e influenciador digital radicado nos Estados Unidos, neto do ex-presidente João Baptista Figueiredo, que atua como uma das vozes mais ativas da mídia conservadora. A referência ao tacape trumpista funciona como uma metáfora para a política externa agressiva, de forte teor protecionista, unilateral e de retaliação imediata, associada à doutrina diplomática de Donald Trump.
A alusão à 301 indica a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974. Esse mecanismo autoriza a presidência norte-americana a aplicar sanções ou tarifas alfandegárias de forma unilateral contra nações acusadas de violar direitos de propriedade intelectual ou de praticar comércio desleal. No atual contexto de maio de 2026, a legislação tem sido empregada por Washington para pressionar o Brasil em temas sensíveis, que abrangem desde os subsídios ao etanol até queixas ligadas a regulações tecnológicas e financeiras, como as investigações envolvendo o sistema Pix. A atribuição dessa carga ao Alckmin decorre de sua posição como Vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pasta responsável por absorver o impacto das disputas comerciais externas.
Capítulo 2: Crítica da Narrativa Geopolítica e do Encontro Bilateral:
O núcleo do texto baseia-se na avaliação dos resultados práticos do encontro entre o presidente brasileiro e o mandatário norte-americano Donald Trump na Casa Branca, ocorrido no início deste mês. A tese central de que houve uma elevação do Brasil à condição de interlocutor de par a par necessita de uma abordagem analítica rigorosa, dado o descompasso estrutural de poder entre as duas nações. Embora o governo brasileiro tente projetar o evento como um triunfo de prestígio, a classificação oficial dos norte-americanos para o encontro como uma visita de trabalho evidencia uma recepção pragmática, destituída das honrarias e do peso de uma visita de Estado formal.
A argumentação de que os setores conservadores foram os perdedores e de que o resultado foi amplamente favorável ao Brasil baseia-se mais na retórica de acomodação do que em ganhos práticos reais. A estratégia do Itamaraty de transferir as declarações públicas para a embaixada brasileira, evitando a tradicional entrevista conjunta no Salão Oval da Casa Branca, sinaliza o receio crônico da diplomacia em expor o chefe de Estado brasileiro à imprevisibilidade de Donald Trump. Isolar a manifestação oficial a um ambiente controlado impediu constrangimentos imediatos, mas a ausência de anúncios conjuntos tangíveis revela que o encontro não desarmou as pressões econômicas de Washington.
O suposto impasse favorável esbarra na realidade das pressões comerciais bilaterais. O governo norte-americano manteve a aplicação de tarifas rigorosas sobre setores estratégicos da economia brasileira, como o aço e o alumínio, além de avançar na aplicação de tarifas globais temporárias que oneram as exportações do país. A comitiva ministerial que acompanhou a viagem reforça que as demandas americanas continuam centralizadas no controle de minerais críticos, na repressão ao crime organizado transnacional e na vigilância sobre o avanço chinês na América Latina. A comemoração de um empate estratégico ignora que os termos econômicos de comércio permanecem desfavoráveis ao Brasil, sob a constante ameaça de novas retaliações pela Seção 301.
Capítulo 3: Análise do Histórico de Intervenções e a Perspectiva para 2026:
O autor do texto estabelece uma linha evolutiva entre as relações bilaterais históricas e o processo político contemporâneo. A comparação com o golpe de Estado de 1964 possui sustentação documental, uma vez que a desclassificação de arquivos oficiais norte-americanos comprovou o suporte logístico e político dado pelos Estados Unidos aos militares brasileiros por meio da Operação Brother Sam. O paralelo traçado com o ano de 2022 refere-se às missões diplomáticas lideradas pelo Conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, e pelo Diretor da CIA, William Burns, que visitaram o Brasil para emitir alertas explícitos contra qualquer tentativa de ruptura institucional no processo eleitoral.
Classificar o cenário atual como um avanço devido à suposta garantia de não intervenção norte-americana nas eleições gerais que ocorrerão no fim de 2026 constitui um equívoco de perspectiva. A garantia de neutralidade formal da Casa Branca em processos eleitorais estrangeiros não representa uma concessão negociada, mas sim o cumprimento dos protocolos diplomáticos regulamentares. O comportamento político real da administração republicana tende a ignorar as amarras institucionais tradicionais.
A suposição de que a atuação de atores políticos conservadores junto ao Departamento de Estado perdeu eficácia falha em compreender o funcionamento do lobby político moderno em Washington. A articulação contínua promovida por alas da oposição brasileira em comissões do Congresso norte-americano mantém as críticas ao Judiciário e às instituições brasileiras integradas à pauta da direita global. Esse alinhamento garante que o ambiente político permaneça polarizado. O termo stalemate, usado para definir a situação como um xeque-mútuo ou impasse no xadrez, traduz com precisão o atual estado de suspensão das hostilidades, mas oculta o fato de que a trégua diplomática é frágil e condicionada aos interesses econômicos imediatos dos Estados Unidos.

Fonte (IA Gemini):

Postagem em destaque

O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”? - Paulo Roberto de Almeida

O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”? Paulo Roberto de Almeida  Sinceramente, eu não sei, ou talvez...