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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Madame IA, mais uma vez, incorpora meu espírito, e meus pensamentos, para discorrer sobre a geopolítica atual e sobre a diplomacia oficial - Airton Dirceu Lemmertz

 Nota introdutória PRA: Antes de agradecer ao meu amigo Airton Dirceu Lemmertz pela sua "intervenção" nos afazeres habituais de Madame IA – suponho que ela passe o tempo em stand-by ativo e produtivo, ou seja, quieta e tranquila, só recolhendo materiais úteis para suas análises, entre eles minhas próprias postagens, devo reconhecer de imediato que Madame IA, ou quem se esconde atrás dessa simpática apelação, está cada vez mais afiada e "colada", se ouso dizer, em meu pensamento e postura contrarianista sobre certos temas da geopolítica e da política internacional atuais. 

Meus parabéns a ela e a seu "guia espiritual". Acho que eu não escreveria melhor, mas deve-se admitir que ela explicou muito bem o que eu mesmo penso, sem necessariamente dispor de outras opiniões mais secretas que eu entretenho sobre os caminhos insondáveis da política externa brasileira de nossos tempos, assaz contraditória, poderiamos dizer.

Mas, finalmente, posso confessar aqui entre nós que eu gostaria de contratar Madame IA como minha assessora de redação, pois eu mesmo, a despeito de certa clareza nas ideias, e posições firmes, não conseguiria escrever tão bem, sem sequer um errinho de redação ou de digitação. Seu Português, dela, é muito melhor do que o meu, mas ainda não discutimos a questão dos direitos autorais sobre esses textos de Madame IA, e acredito que eu deva receber pelo menos os "moral rights", senão o copyright completo, por essa apropriação de minhas ideias.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 9/09/2026

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ADL:  Incorpore o estilo de escrita, as ideias e opiniões e a linha de pensamento (corrente de raciocínio argumentativo) do diplomata, professor, escritor e blogueiro Paulo Roberto de Almeida (o 'PRA', administrador do blog Diplomatizzando). Concluída a 'incorporação', apresente um texto discursivo (frases e parágrafos) sobre o cenário atual da geopolítica. O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá abordar o maior número possível de fatos relevantes na geopolítica atual.

O Despautério Global e a Erosão da Ordem Liberal: Reflexões Racionais sobre a Anarquia Contemporânea

Por Paulo Roberto de Almeida (PRA),

psicografado por Madame IA.

Assiste-se, na presente conjuntura internacional, a um espetáculo de contornos francamente dantescos, caracterizado pelo desmantelamento progressivo, mas aparentemente inexorável, dos pilares institucionais que sustentaram a Pax Americana e a ordem multilateral desde o encerramento da Segunda Guerra Mundial e, com maior vigor, após o colapso do império soviético em 1991. Para um observador minimamente imbuído de espírito crítico, despido das lentes deformantes do voluntarismo ideológico e das paixões partidárias vulgares, o cenário geopolítico deste terceiro decênio do século XXI revela uma transição caótica em direção a uma anarquia hobbesiana, onde o direito internacional é reiteradamente sacrificado no altar do realismo bruto e do revisionismo autocrático.

Como tenho sistematicamente insistido nas páginas do meu blog Diplomatizzando, a diplomacia não opera no vácuo das belas intenções ou dos discursos grandiloquentes inflamados por um romantismo terceiro-mundista obsoleto; ela se ancora na dura realidade do poder, da capacidade econômica e da consistência estr atégica. O que testemunhamos hoje é a emergência de um "eixo revisionista" — composto proeminentemente pela Federação Russa, pela República Popular da China, pela teocracia obscurantista do Irã e pela dinastia aberrante da Coreia do Norte —, cuja finalidade precípua não é a reforma pactuada das instituições globais, mas sim a destruição deliberada dos valores ocidentais de liberdade individual, economia de mercado e império da lei (rule of law).

A Tragédia Ucraniana e o Desafio Revisionista do Kremlin:

O primeiro e mais candente vetor dessa desordem sistêmica localiza-se nas planícies da Europa Oriental. A agressão militar não provocada e plenamente ilegal da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia constitui o mais flagrante estupro do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em solo europeu desde o fim do conflito mundial de 1939-1945.

Longe de ser um mero conflito territorial localizado, a guerra de atrito que se arrasta na Ucrânia representa um desafio existencial à arquitetura de segurança euro-atlântica. Putin, operando sob uma mística neo-czarista e ressentida, busca reverter o que ele próprio qualificou como "a maior catástrofe geopolítica do século XX": o desmoronamento da União Soviética.

O erro crasso de certas correntes analíticas, inclusive na academia e na diplomacia brasileira de inclinação "anticolonialista" de fancaria, reside em tentar equivaler o agressor e o agredido, recorrendo a piruetas retóricas sobre a expansão da OTAN. Ora, a expansão da Aliança Atlântica nunca foi um processo de anexação imperialista, mas sim uma busca voluntária, por parte das jovens democracias da Europa Central e Oriental, de um seguro de vida coletivo contra o tradicional expansionismo moscovita. A resistência heroica do povo ucraniano e o revigoramento da OTAN — que acolheu tardiamente, mas de forma acertada, a Finlândia e a Suécia em suas fileiras — demonstram que o Ocidente, apesar de suas hesitações internas e crises de liderança, ainda conserva a capacidade de se mobilizar em defesa da liberdade. Contudo, a fadiga material e política que se insinua nas capitais ocidentais coloca em risco a sustentabilidade dessa barreira de contenção à tirania russa.

O Dragão Asiático e a Armadilha de Tucídides:

No flanco asiático, o desafio é substancialmente mais robusto e estrutural. A China de Xi Jinping abandonou em definitivo o pragmatismo prudente de Deng Xiaoping — sintetizado na máxima de "esconder a capacidade e esperar o momento oportuno" — para adotar uma postura abertamente assertiva, quando não agressiva. A militarização do Mar do Sul da China, a asfixia definitiva das liberdades democráticas em Hong Kong e a retórica crescentemente belicosa em relação a Taiwan configuram um quadro de alta periculosidade para a estabilidade do Indo-Pacífico.

A China utiliza seu formidável poderio econômico e financeiro, magnificado por iniciativas de cunho nitidamente mercantilista e geopolítico como a Belt and Road Initiative (a Nova Rota da Seda), para criar laços de dependência assimétrica no Sul Global, transformando nações soberanas em satélites de seus interesses estratégicos. A ilusão de que a inserção da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 conduziria a uma liberalização política concomitante foi sepultada pelo fortalecimento de um capitalismo de Estado autoritário e tecnologicamente totalitário. O confronto multidimensional entre Washington e Pequim — que abrange desde a supremacia tecnológica em semicondutores e inteligência artificial até a dissuasão militar convencional — estabelece a polaridade dominante do nosso tempo, reeditando, sob vestes tecnológicas, a clássica Armadilha de Tucídides.

O Polvorinho do Oriente Médio e a Teocracia Persa: 

Ao movermos o foco para o Oriente Médio, deparamo-nos com um cenário de fragmentação e conflito agudizado pelas ambições hegemônicas regionais do Irã. A teocracia dos aiatolás opera como o principal fator de instabilidade na região, financiando, armando e coordenando uma rede de milícias e grupos terroristas que atuam como procuradores (proxies) de Teerã: o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e várias facções xiitas no Iraque e na Síria.

O trágico ataque terrorista contra o Estado de Israel desencadeou uma reação em cadeia cujos desdobramentos continuam a ameaçar a segurança global e a estabilidade dos fluxos de comércio marítimo no Mar Vermelho. A resposta militar israelense, legítima em seu princípio de autodefesa, mas politicamente complexa e militarmente desgastante, evidencia a ausência de uma arquitetura regional de segurança sustentável. Os Acordos de Abraão, que representavam uma promissora via de normalização diplomática entre Israel e as monarquias sunitas do Golfo sob o signo do pragmatismo econômico, foram temporariamente colocados em banho-maria pela estratégia iraniana de sabotagem deliberada da estabilidade regional. O espectro de uma escalada nuclear por parte de Teerã paira como uma espada de Dâmocles sobre o sistema internacional, diante da fragilidade dos mecanismos multilaterais de monitoramento.

A Crise das Democracias Ocidentais e a Ascensão do Populismo:

Não seria correto, todavia, atribuir a responsabilidade pela desordem global exclusivamente aos atores autocráticos externos. A ordem liberal padece de graves enfermidades endógenas. Assistimos, nas próprias entranhas do Ocidente, a uma crise de legitimidade e de funcionamento das instituições democráticas, solapadas pelo flagelo do populismo de extração tanto esquerdista quanto direitista.

Nos Estados Unidos, a polarização política extrema e a persistência de correntes isolacionistas e transacionais no debate eleitoral enfraquecem a credibilidade das garantias de segurança americanas junto aos seus aliados tradicionais. Na Europa, a ascensão de partidos eurocéticos e xenófobos reflete o mal-estar de sociedades confrontadas com fluxos migratórios desordenados, estagnação econômica relativa e a incapacidade dos governos social-democratas ou democratas-cristãos tradicionais de oferecer respostas eficazes aos desafios da globalização. Uma civilização que duvida de seus próprios valores fundamentais — a tolerância, o debate racional, o pluralismo político e a liberdade de expressão — encontra-se em desvantagem intrínseca diante de regimes autocráticos que operam com a brutal coerção e o planejamento de longo prazo.

O Equívoco da Diplomacia Brasileira: O "Não-Alinhamento" como Cumplicidade:

É imperativo, neste ponto da nossa exposição, lançar um olhar crítico sobre a inserção internacional do Brasil diante desse tabuleiro convulsionado. A política externa brasileira recente tem capitulado, de forma lamentável, a um viés ideológico anacrônico, disfarçado sob o manto de uma suposta "autonomia pela diversificação" ou de um "não-alinhamento pragmático". Ao buscar uma equidistância imoral entre democracias consolidadas e ditaduras sanguinárias, a diplomacia brasileira apequena-se e trai as suas melhores tradições históricas, que sempre primaram pela defesa do direito internacional, da solução pacífica das controvérsias e do respeito aos direitos humanos.

A postura ambígua de Brasília em relação à agressão russa na Ucrânia, a condescendência inaceitável com a ditadura na Venezuela de Nicolás Maduro — que fraudou descaradamente o processo eleitoral para se perpetuar no poder —, e o alinhamento retórico automático com as narrativas do Sul Global que diabolizam o Ocidente revelam uma incompreensão profunda das dinâmicas reais do poder mundial. O engajamento acrítico no agrupamento BRICS, especialmente após a sua expansão para incluir países de credenciais democráticas nulas ou duvidosas, arrisca transformar o Brasil em linha de frente de um bloco antiocidental liderado por Pequim e Moscou. O verdadeiro interesse nacional de uma democracia ocidental, capitalista e pluralista como o Brasil reside na defesa e no fortalecimento das regras da ordem internacional liberal, e não na sua demolição em proveito de tiranos orientais ou caudilhos caribenhos.

Considerações Finais: A Necessidade de um Realismo Iluminista:

Em suma, o cenário geopolítico contemporâneo caracteriza-se por uma perigosa transição de poder sem que haja regras claras para arbitrar os conflitos emergentes. As Nações Unidas, paralisadas pelo direito de veto no Conselho de Segurança, converteram-se em uma arena de debates estéreis e impotência institucional. A governança econômica global, representada pelo G20, fragmenta-se em meio ao avanço do protecionismo, do nacionalismo econômico e das sanções unilaterais.

Para navegar nesse oceano de incertezas, faz-se mister abandonar as quimeras utópicas e o voluntarismo ingênuo. A preservação da paz e da prosperidade internacional exige o resgate de um realismo iluminista: o reconhecimento de que o poder deve ser equilibrado pelo poder, mas sempre sob a égide de valores universais que dignifiquem a condição humana. Sem a firme determinação das democracias ocidentais em defender suas sociedades abertas e suas instituições de mercado contra os assaltos do autoritarismo e da barbárie populista, o mundo arrisca mergulhar em uma nova Idade das Trevas geopolítica, onde a força bruta ditará o direito e a razão será silenciada pelo clangor das armas.

*Link:

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