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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Visita do candidato da extrema-direita a Mister DJT: minhas respostas a questões colocadas por um órgão da imprensa - Paulo Roberto de Almeida

Visita do candidato da extrema-direita a Mister DJT: minhas respostas a questões colocadas por um órgão da imprensa
Paulo Roberto de Almeida

Introdução:
Um órgão da imprensa brasileira mais próximo da direita do que do centro (jamais da esquerda) interrogou-me sobre a visita do candidato da extrema-direita bolsonarista ao ocupante esquizofrênico da Casa Branca, quem eu considero um rei Midas ao contrário, ou seja, tudo o que ele toca vira pó, ou outra coisa; isto é: geralmente os candidatos apoiados por ele acabam perdendo as eleições vergonhosamente. Neste caso, nem sabemos ainda se o candidato, abatido antes de lançar voo por um míssel do banqueiro mais corrupto da história econômico-financeira do Brasil, talvez nem seja candidato, não por culpa do megalomaníaco presidente, mas por sua própria sede de $$$.
Em todo caso, como desconfio que esse órgão da imprensa não vai publicar minha opinião, eu já a posto neste espaço, à disposição de todos os meus amigos e inimigos (pelo teor das respostas, evidentemente). Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22/05/2026

Visita do candidato Flavio Bolsonaro a Donald Trump:
questões de órgão da imprensa brasileira
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Respostas PRA:

1. Qual o peso político de uma reunião entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump neste momento de crise para o pré-candidato do PL?
PRA: Nenhum peso político, ou se houver algum, ele será totalmente negativo. O candidato acaba de ser desmentido duas vezes por matérias do Intercept justamente por ter mentido a respeito de suas relações promíscuas com um ex-banqueiro corrupto, a quem foi pedir dinheiro que deveria já ter desconfiado, antes de o fazer pelas informações que já circulavam a respeito da situação pré-falimentar de Vorcaro, em decorrência de suas falcatruas no mercado financeiro. Ele o faz em tom de súplica, não exatamente para financiar um filme que ele sabia que já estava quase pronto, e amplamente financiado por outras fontes altamente suspeitas, mas provavelmente para alimentar sua campanha extra-oficialmente (ou seja, à margem dos financiamentos partidários e eleitorais autorizados legalmente) ou então para sustentar a vida de seu irmão “refugiado” nos EUA (para escapar da Justiça brasileira).
A visita a Trump se apresenta até como prejudicial, na medida em que se trata do presidente – ao qual o pai prestou uma submissão abjeta anteriormente – que mais prejudicou o Brasil no terreno comercial e nos ataques indevidos ao sistema de Justiça do Brasil, ou seja, ademais da própria ilegalidade do tarifaço político, em julho de 2025, outra medida ilegal, ao aplicar a Lei Magnitsky num caso absolutamente alheio ao escopo da lei americana, que visa sancionar criminosos políticos, dirigentes corruptos ou criminosos comuns, e não agentes oficiais de uma instutuição de Estado do Brasil.
O fato é que a família Bolsonaro, numa extraordinária iniciativa de traíção à pátria, e em detrimento de milhões de agentes econômicos do Brasil, se esforçou politicamente para sabotar os interesses nacionais e a própria economia nacional unicamente visando objetivos familiares, mediante a mobilização das mais altas autoridades de um país com o qual o Brasil mantinha relações normais por dois séculos, sendo aliás o mais importante parceiro econômico do país, com a único finalidade de causar prejuízos a milhões de brasileiros, em sua sanha egoísta de vingança contra o governo em vigor. Trata-se de algo inaceitável sob qualquer critério, e a imagem de Trump no Brasil é a mais negativa possível, com exceção, possivelmente, de bolsonatistas fanáticos, mal informados, ou traidores como a família em questão. Uma visita que ocorre no bojo de outras graves denúncias contra o candidato tem toda a chance de ser ainda mais prejudicial do que o imaginado, pois confirma a submissão política de um pretenso candidato ao mais alto cargo na nação a um dirigente estrangeiro, um dirigente que perturbou todo o comércio internacional e desmantelou o multilateralismo político e as alianças consagradas.

2. Até que ponto a imagem de Trump ainda mobiliza o eleitorado conservador brasileiro?
PRA: Apenas pessoas desinformadas, muito ingênuas, ou totalmente fanatizadas pela família Bolsonaro podem ter qualquer respeito por um dirigente desequilibrado, que ameaça continuamente outros países de tarifaços ilegais do ponto de vista do sistema multilateral de comércio, ou que pretende tutelar outros países – como já ameçou fazer com toda uma série de nações: Panamá, Canadá, Dinamarca, México, Colômbia, concretamente no caso da Venezuela, Irã, agora em relação a Cuba – para torná-los submissos ao alegado poder de um império declinante que pretende ainda ser respeitado por outros Estados soberanos. Acredito que a imagem de Trump é a mais desgastada de toda a história dos presidentes americanos, e os brasileiros bem informados, não dependentes dessa afeição de uma família de políticos medíocres por um dirigente sem escrúpulos, não podem apreciar o megalomaníaco político.

3. O fato de Trump ter recebido recentemente Lula reduz ou aumenta a necessidade política de Flávio demonstrar proximidade com o republicano?
PRA: Ele espera obter essa proximidade ilusória, esquecendo porém que Trump tem unicamente como foco seus interesses pessoais, os familiares e os dos EUA, nessa ordem, não tendo qualquer consideração por personagens políticos de outros países, a menos que eles lhe emprestem submissão, façam bajulação indevida e prometam ganhos financeiros. Trump não se importa minimamente com ideologia ou com o que pensem dirigentes estrangeiros, tanto que busca boas relações pessoais com aqueles que permitam aos EUA, e a ele e a sua familia mais especialmente, obter ganhos materiais concretos. O que pode ganhar Flavio Bolsonaro com um dirigente desprezado no Brasil? Aparentemente muito pouco. O possível efeito de propaganda em campanha – para demonstrar prestigio junto a um dirigente de uma grande potência – já fica diminuído pelo fato de que o presidente Lula já obteve esse contato em três oportunidades anteriores, recebebendo inclusive elogios do megalomaníaco.

4. Qual o efeito interno dentro da direita brasileira de uma eventual sinalização pública de apoio ou simpatia de Trump a Flávio Bolsonaro?
PRA: Não acrescentará praticamente nada fora da bolha já conquistada de aderentes fanáticos ao bolsonarismo e ao estilo truculento (e ridículo) do desequilibrado dirigente. Apenas pessoas totalmente desligadas dos interesses concretos da economia e da sociedade brasileira podem encontrar qualquer efeito simpatia ou de apoio a um candidato que já sofre um enorme desgaste por ser mentiroso e aliado a um banqueiro corrupto.

5. Como o senhor avalia o timing da viagem em meio às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”?
PRA: Estimo o pior efeito possível num momento de incertezas, de falta total de informação fiável sobre essas relações espúrias, envolvendo dinheiro roubado de clientes brasileiros de um banqueiro corrupto. Pelo trailer já divulgado do filme em questão, verifico tratar-se de uma produção de baixíssima qualidade visual e de roteiro, com cenas que fariam rir qualquer conhecedor da realidade política brasileira na campanha de 2018 e depois durante o mandato do pior presidente que já tivemos na história do Brasil, responsável pelo volume excedentário de mortos durante a pandemia, pelo negacionismo vacinal, pela oposição a medidas profiláticas, pela altíssima corrupção envolvida nas operações em torno da aquisição de equipamentos e medicamentos para contrarrestar os efeitos da pandemia. Bolsonaro pessoalmente, e seu criminoso ministro da saúde, um general de baixíssima qualidade intelectual, podem ser creditados pela morte de muitas pessoas, a maioria bolsonarista, pois que seguiram as recomendações uso de medicamentos inadequados, como a cloroquina. O filme poderá reduzir ainda mais o número de aderentes à candidatura.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5324, 21 maio 2026, 3 p.

 

Papers preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida

Papers preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 21 maio 2026, 1 p.
Relação de textos preparados para o webinar em 21/05/2026.

5290. “Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil”, Brasília, 24 abril 2026, 2 p. Notas para exposição em webinar do Imagine Brasil, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga. Postado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/uma-politica-externa-que-denega-os.html). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416632/5290_Uma_pol%C3%ADtica_externa_que_denega_os_fundamentos_doutrinais_da_diplomacia_do_Brasil_2026).

5311. “O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”?, Brasília, 15 maio 2026, 2 p. Nota sobre algumas evidências e outras incertezas. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-que-eu-teria-dizer-sobre-tensoes.html).

5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (20/05/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-e-diplomacia_0349459191.html).

5315. “Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral”, Brasília, 17 maio 2026, 5 p. Notas para debater as questões colocada pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. Enviado, com o trabalho 5313, para conhecimento prévio, assim como a Victor do Prado. Disponível no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/temas-para-debate-no-webinar-imagine.html).

5320. “Textos preparados para o webinar ‘Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira’”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Relação de textos preparados para o webinar ocorrido em 21/05/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/textos-preparados-para-o-webinar.html). Complementado em 21/05, com o trabalho 5325.

5322. “Tensões geopolíticas: então e agora”, Brasília, 21 maio 2026, 3 p. Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas. Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).

5323. “Nova Ordem Global Multipolar?”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Uma fraude completa: quatro argumentos contrários. Divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html).

5325. “Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?”, Brasília, 21 maio 2026, 1 p. Listagem cronológica dos “embates” entre grandes potências. Divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/quais-foram-as-grandes-tensoes.html).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5320: 21/05/2026, 2 p.

Disponível no blog Diplomatizzando (link:  Papers preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado? Paulo Roberto de Almeida

 Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

 

Com vistas a responder possíveis questões num debate acadêmico, apresento abaixo uma simples listagem cronológica dos “embates geopolíticos” entre as grandes potências desde um século aproximadamente.


1914: Erros de cálculo em decorrência de tratados de aliança e defesa mútua redundaram numa guerra, de “breve duração”, que resultou em quatro anos de muita destruição e numa mudança seminal para o resto do século XX; fim de impérios, bolchevismo;

1919: um tratado impositivo contra a República de Weimar, em Versailles, redundou e novas tensões, impasses financeiros e a encomenda de uma nova guerra em 20 anos;

1931: invasão da Manchúria pelo Japão não suscitou maiores preocupações por parte das grandes potências da Liga das Nações (ainda o isolacionismo americano);

1935-37: novas usurpações territoriais e guerras coloniais pelas autocracias revisionistas da Itália (contra a Etiópia) e do Japão (contra a China) permaneceram sem reações na SDN;

1938: imposição territorial da Alemanha nazista contra a Áustria (“Anchluss”) e contra a República Tcheca (Sudetos), foram coonestadas pelo Reino Unido e França;

1939: Pacto de Não Agressão germano-soviético coloca as bases da agressão nazista contra a Polônia e depois contra as democracias ocidentais: a guerra europeia se torna mundial;

1941: Operação Barbarossa contra a URSS (junho) e ataque a Pearl Harbor (dezembro) ampliam o conflito em escala global: Pacto Atlântico e Nações Aliadas;

1945: ONU sucede a SDN e organiza um novo sistema de segurança coletiva, mas incerto;

1947: cerco de Berlim dá início à Guerra Fria, que se prolonga até 1991;

1956: invasão soviética da Hungria;

1957: Sputnik soviético dá início à disputa espacial, como efeitos na tecnologia de mísseis;

1961: Muro de Berlim revigora as tensões entre os dois blocos, com Cuba socialista, depois da invasão da CIA; avião espião de base americana na Turquia derrubado na URSS;

1962: crise dos mísseis soviéticos em Cuba e uma semana de ameaça de guerra nuclear;

Anos 1960-80: tratados estratégicos sobre misseis e sistemas de defesa;

1968: invasão soviética da Tchecoslováquia;

1989: derrubada do muro de Berlim reaviva as tensões Ocidente-Leste Europeu

1991: fim da URSS e mudança histórica;

1992: “nova ordem mundial”, Bush-Ieltsin

2000: ascensão de Putin ao poder na Rússia;

2005-2007: declarações preparatórias;

2008: Georgia; 2010: Transnístria; 

2014: invasão e anexação da Crimeia pela Rússia, que é expulsa do G8

2022: “Aliança Sem Limites” entre China e Rússia, seguida da invasão da Ucrânia por Putin: sanções de países ocidentais contra a Rússia; indiferença de muitos países do Sul Global;

2026: Ucrânia passa a deter as iniciativas contra as forças russas de invasão e contra a Rússia.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5325, 21 maio 2026, 1 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/quais-foram-as-grandes-tensoes.html)

Tensões geopolíticas: então e agora - Paulo Roberto de Almeida

Tensões geopolíticas: então e agora 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas 

Quando se fala em “tensões geopolíticas”, a tendência de analistas acadêmicos, ou até dos jornalistas, parece ser a de colocar as atuais tensões, supostamente existentes entre as três grandes potências da atualidade – ou seja, EUA, China e Rússia –, no mesmo quadro histórico-mental das antigas ou tradicionais “tensões geopolíticas” do planeta, seja a do antigo “equilíbrio de potências”, entre 1870 e 1914, seja a das ameaças das potências revisionistas dos anos 1930 (Itália fascista, Alemanha nazista e Japão militarista), todas elas expansionistas, seja ainda aquelas existentes na Guerra Fria dos anos 1947-1991, agora chamada de Primeira Guerra Fria, na suposição de que já entramos numa Segunda Guerra Fria, entre EUA e China, agora a segunda maior do mundo, depois dos EUA, ao que parece em declínio irreversível (sobretudo sob o desequilibrado presidente Trump).

Não tenho certeza de que o mesmo modelo se aplica, e que existam, realmente, “tensões geopolíticas” entre as três. No mundo do jornalismo, tradicional ou opinativo (isto é, de análise das matérias, topicamente ou colunistas), todos mencionam as “tensões” existentes entre as três grandes potências, sendo todas as demais – União Europeia, Índia, Brazil, Indonésia etc. – meros coadjuvantes, em aliança ou coordenação com algumas dentre as três grandes. Se aplicarmos o “padrão Trump” – na verdade, não existe nenhum padrão, apenas um estilo confuso – de análise, as “tensões” só existiriam entre os EUA e a China, como aliás já revelado em inúmeros “alertas” saídos do Pentágono, revelando sua paranoia tradicional contra o contendor do momento, ou colocado no centro do possível futuro conflito entre essas duas, tal como exemplificado pelo livro do professor Graham Allison, de Harvard, sobre a “armadilha de Tucídides” no eventual conflito direto entre as atuais Atenas estabelecida (Washington) e a Esparta ascendente (China).

Se eu interpreto bem o que pensa (se ele pensa) e o que agita o desequilibrado presidente americano, o que ele pretende, realmente, não é exatamente um confronto com as outras duas potências – sobretudo não com a Rússia, da qual ele é um aliado, senão um serviçal –, mas sim uma espécie de Yalta 2, ou seja, uma reunião fotografada entre os três grandes líderes mundiais, devotados a uma nova “divisão do mundo” em suas respectivas “zonas de influência”. Trump parece que veria com extrema satisfação uma nova foto histórica na mesma posição de 1945 – Roosevelt, Stalin, Churchill – apenas que com ele ao lado de Putin e Xi Jinping, “resolvendo” os problemas do mundo.

Se for realmente isso, o que Trump ainda não conseguiu, não haveria, então, nenhuma “tensão geopolítica” de qualquer tipo entre os novos três grandes, mas apenas uma convivência aceitável entre elas, de maneira a dividir os “espólios” do resto da humanidade. Não imagino, tampouco, que Xi Jinping se seduziria por uma reunião e uma foto desse tipo, pois isso o colocaria como uma espécie de simples coadjuvante num cenário desenhado e animado por Trump, que é o megalomaníaco do momento. Putin aceitaria sem hesitação uma tal possibilidade, pois dos três ele é o único em decadência real, em dificuldades de sobrevivência, ao ter decidido erradamente, cinco anos atrás, conquistar um trânsfuga do antigo império soviético, aliás o mais desenvolvido industrialmente.

Em conclusão, não creio que as atuais “tensões geopolíticas”, se de fato existem, o que ainda precisa ser discutido, tenha qualquer coisa a ver com as tensões do passado, que levaram a duas conflagrações globais e a um impasse de quatro décadas entre um Atenas triunfante e uma Esparta que transpirou, se exibiu, como dominante e ameaçadora durante os setenta anos de existência do “comunismo”, e depois estrebuchou, deu dois suspiros e simplesmente morreu de inanição própria, jamais vencida pelo capitalismo ou pelo imperialismo americano. Algumas analogias permanecem entre a primeira Guerra Fria e a supostamente atual, como por exemplo no “keynesianismo militar” do presidente Reagan e sua “guerra nas estrelas”, e o atual projeto de Trump de protagonizar um novo “domo de ouro”, já denunciado por Putin e Xi como desestabilizador dos “equilíbrios geopolíticos” atualmente existentes. Não creio que esse projeto megalomaníaco seja factível, tendo em vista o grande buraco nas contas públicas dos EUA, mas ele oferece matéria para jornalistas e acadêmicos.

Enquanto isso, la nave va, isto é, o mundo caminha mais pela arrogância dos poderosos do que pela racionalidade dos estadistas (se é que existem atualmente), e assim permanecerá pelas próximas décadas, até que um novo Hegemon se afirme (a China, previsivelmente), outro pretendente afunde de vez – a Rússia é uma séria candidata a ser o Reino Unido do século XXI – e os EUA, sob um presidente normal consiga restabelecer as bases de sua preeminência econômica, tecnológica e militar. Por enquanto vamos continuar nesse “balé geopolítico” entre os três grandes, o que afeta o resto do mundo, mas não ao ponto de prejudicar suas possibilidades de desenvolvimento autônomo (desde que possuam projetos nacionais compatíveis com suas possibilidades reais, o que não parece ser o caso do Brasil atual). Quanto aos atores “juniores”, como o próprio Brasil, isto é, as potências médias, eles fariam melhor de se aliar entre si, para cuidar de seus assuntos afins, o que compreende se proteger contra as maldades dos grandes, em lugar de procurar qualquer alinhamento ou parceria estratégica com algum deles, sabendo que eles não são confiáveis.

Finalmente, essa coisa de uma “nova ordem global multipolar” é, em minha opinião, uma fraude completa, como já argumentei, mediante quatro argumentos contrários, em meu artigo “Nova Ordem Global Multipolar?” (Brasília, 20 maio 2026, 2 p.; divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html). Vamos continuar a debater.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5322, 21 maio 2026, 3 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).

 

 

Postagens PRA blog Diplomatizzando, 1 a 18 de maio de 2026 - Paulo Roberto de Almeida

Postagens PRA blog Diplomatizzando 2026

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Listagem apenas serial das postagens efetuadas entre 1/05 e 18/05/2026

 

A postagem, retroativa, parte deste balanço de minhas “relações” com Madame IA (ou seja, Gemini IA), tal como efetuado por Airton Dirceu Lemmertz, em 18/05/2026, e segue até o início do mês, apenas, com uma postagem sobre os “penduricalhos” da aristocracia da magistratura, assaltando os recursos públicos, nesta postagem:

5296. “Likes and dislikes”, Brasília, 1 maio 2026, 1 p. Nota sobre o que mais gosto e o que mais desgosto. Divulgado no blog Diplomatizzando (1/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/likes-and-dislikes-paulo-roberto-de.html).

 

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82) Likes and dislikes - Paulo Roberto de Almeida

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5321, 20 maio 2026, 3 p.

Disponível no blog Diplomatizzando (link: ).

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida

Nova Ordem Global Multipolar?

Paulo Roberto de Almeida 

A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude completa, apenas capaz de seduzir ingênuos, ignorantes e/ou desinformados. Ela é uma fraude dupla, no plano conceitual e no plano operacional, ou tripla, no plano das aspirações também.

Primeiro, porque o mundo sempre foi multipolar; nunca houve uma ordem universal, com ONU, ou com qualquer pretendente a Hegemon mundial. 

Segundo, porque “novas ordens” não surgem por decreto ou pela vontade de pretensos novos, falsos, candidatos a Hegemons substitutos. Elas surgem ao cabo de enfrentamentos de fato globais, como na Grande Guerra de 1914-1918 e na IIGM (1939-1945), que na verdade começou antes, com a agressão à China por parte do Japão militarista-fascista.

Terceiro, porque nem China, nem Rússia— hoje um estado vassalo da primeira — têm algo superior a oferecer ao mundo, que corresponda às aspirações da maior parte da humanidade: liberdades, democracia, direitos humanos, justiça independente, todas essas virtudes emanadas do iluminismo fundado sobre os direitos individuais, não baseadas no poder despótico de um Estado opressor.

Quarto, porque proclamações unilaterais e puramente frutos da vontade de ditadores não criam uma nova realidade condizente com as aspirações dos povos.

Quinto e último, porque não existe força humana, estatal, militar ou política, capaz de criar uma nova ordem out of the blue, na existência de uma ordem — que pode ser parcial, limitada ou mesmo imperfeita — ainda existente, real e defendida por grande parte da humanidade, compatível com as aspirações sociais de liberdades individuais e objetivos politicos de regimes democráticos, baseados rm eleições livres e alternância de poder.

Surpreende-me, assim, que certos dirigentes — talvez por motivos inconfessáveis — se apressem em dar apoio a tais propostas. Não me surpreende que acadêmicos o façam, os sonhadores, ou já comprometidos com regimes opressores e inimigos das liberdades democráticas (que são, sim, virtudes ocidentais, mas que foram universalizadas progressivamente pela ampliação dos espaços de liberdades e de bem-estar trazidos por regimes de liberdades econômicas, inclusive no coração do modo “alternativo” de produção, que depois de muitos fracassos acabou acolhendo Adam Smith).

Finalizando: vamos reconhecer as poucas virtudes da ordem imperfeita criada ao final da mais terrível guerra global, e tentar reconstrui-la, depois da triste passagem da intrusão agressiva de liberticidas autocráticos, alguns até mafiosos cleptocratas.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20/05/2026

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