Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 4 de abril de 2026
Desculpem o simplismo redutor, mas existem os bons e os maus - Paulo Roberto de Almeida
O moderno príncipe: Uma releitura maquiaveliana do poder contemporâneo - Paulo Roberto de Almeida (Revista Temas & Matizes)
De vez em quando, ou muito de quando em vez, eu encontro um trabalho antigo, publicado em alguma revista acadêmica, cujo link AINDA FUNCIONA, o que é uma surpresa absoluta, como esta aqui:
Paulo Roberto de Almeida
Doutor em ciências sociais, mestre em planejamento econômico.
Revista Temas & Matizes (Cascavel/PR, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste, a III, n. 5, ISSN: 1519-7972; p. 1-15; link: http://e-revista.unioeste.br/index.php/temasematizes/article/download/548/459
Relação de Trabalhos Originais n. 1324. Relação de Publicados n. 572.
Introdução
Este ensaio consiste numa releitura linear do – e tanto quanto possível vinculada conceitualmente ao – clássico de Maquiavel, O Príncipe. Trata-se de uma tentativa de aplicar as categorias analíticas e a metodologia utilizada pelo pensador florentino às mesmas realidades por ele tratadas: as diversas formas de conquistar e de manter o poder especificamente político e as técnicas empregadas para tal finalidade, com a diferença essencial de que estaremos falando das formações políticas da contemporaneidade, não das cidades-Estado do Renascimento.
O objeto em si não é diferente daquele analisado no mais famoso tratado de política, mas os instrumentos e os contextos econômicos, sociais e culturais nos quais se movimentam os “modernos príncipes” são obviamente diferentes – não, talvez, moralmente superiores –, mas operacionalmente distintos daquele universo de traições na ponta da espada no qual se movia o diplomata e conselheiro Niccolò. Para assegurar uma comparabilidade e uma ponte conceitual com o pensador florentino, estilo e estrutura dos primeiros capítulos de sua obra mais conhecida foram mantidos o mais próximo possível do original (lida em várias edições, sobretudo italianas e francesas). Os temas e inclusive os títulos desses primeiros capítulos são idênticos aos do conhecido texto maquiaveliano, mas o discurso e a lógica argumentativa aqui seguidos diferem, obviamente, do original de quase cinco séculos atrás.
(...)
Íntegra no link acima.
Meu primeiro computador: um MacIntoshPlus, em 1987, o primeiro de uma série quase completa - Paulo Roberto de Almeida
Meu primeiro computador: um MacIntoshPlus, em 1987, o primeiro de uma série quase completa
Paulo Roberto de Almeida
Com meu paupérrimo salário de simples primeiro secretário da carreira diplomática, servindo em Brasília (era mais ou menos o equivalente a quem servia café no Senado Federal), eu não conseguia comprar qualquer computador no Brasil nos tempos da Lei de Informática, um dos últimos legados do protecionismo nacionalista da industrialização "redentora" de nosso atraso tecnológica. Tínhamos de trabalhar, na Secretaria de Estado, com os computadores do Doutor Olavo, ou seja, os Itautecs, simples cópias caríssimas dos primeiros computadores pessoais da Microsoft, os INMs PC do início dos anos 1980. Creio que uma daquelas caixas desengonçadas, adquirida no Brasil, custava o equivalente a 4 mil dólares, muito acima, portanto de meu magro contracheque.
Apenas quando sai de Brasília, para o meu terceiro posto, a Delegação em Genebra, foi que consegui adquirir meu primeiro computador, ainda assim de segunda mão, ou seja, usado, um MacIntosh Plus, um dos primeiros dessa linha, depois do Apple II. A principal característica do computador é que ele não tinha nada dentro, ou pelo menos nada de importante: era uma caixa de plástico, com fios e circuitos por dentro, que conseguiam, pelo menos, escapar daquelas horríveis telas dos PCs da era do sitema DOS, letras e caracteres especiais, em branco, numa tela completamente preta, funcionando à base de comandos estranhos, teclados tão somente.
A caixinha do MacIntoshPlus pelo menos apresentava uma telinha simpática, com um mouse acoplado, o que permitia desenhar num estilo próximo ao de Picasso, ou talvez de Andy Warhol. Não tinha nada dentro, e tudo tinha de caber num simples diskette de 720kbs e só (pelo menos não eram aqueles discos pretos quase do tamanho de um longplay. Na diskette havia o sistema operacional (um dos primeiros OS, mas não me lembro se tinha esse acrônimo ou algum número) e nada mais: precisávamos carregar um soft de trabalho (acho que o meu era o MacWrite, ou algum outro processador de texto), e nossos arquivos precisavam caber no mesmo diskete, pois o MacIntoshPlus não tinha hard drive interno. Era uma agonia, enviar tudo dentro dos 720kbs.
Assim era o meu primeiro computador:
Minha primeira aquisição adicional foi um Hard Drive externo: total surpresa quando li atrás que ele era Made in Ireland. Sequer eu desconfiava que aquele país atrasado que ainda era a Irlanda era capaz de exportar acessórios de computador (a partir daí comecei a seguir as informações econômicas daquela ilha, que no passado exportava ingleses pobres para os EUA, que tinha ingressado na CEE como um dos membros mais pobres, senão o mais pobre (depois dos seis originais, entrou em 1972, com o Reino Unido e a Dinamarca). Nos anos 1980 já tinha começado a sua revolução econômica, mas isso eu não sabia.
Minha segunda aquisição, um ano e meio depois, foi trocar esse primeiro Mac por um MacIntoshHD, ou seja, com Hard Drive integrado. Creio que o comprei em New York, em meados de 1989, depois de uma conferência internacional da OMPI sobre circuitos integrados em Washington (que não parece ter resultado em tratado).
A partir dos anos 1990, comecei a comprar TODOS os computadores da linha Apple, absolutamente todos, desk tops e laptops (os primeiros, não muito eficientes). Se eu tivesse guardado cada um deles, na transição para um novo, eu teria hoje um museu praticamente ccompleto de toda a linha Apple, inclusive um híbrido, ou seja, que permitia trabalhar tanto no Mac OS e no sistema Windows (ou Rwuindos, como eu costumava chamar a cópia mal feita do sistema Apple).
Bem, não pretendo oferecer minha biografia informática, mas resolvi aproveitar uma imagem do simpático MacIntoshPlus para recordar, com saudades, do meu primeiríssimo computador. Sempre fui fiel à Apple, mesmo ela cobrando mais caro, relativamente aos demais computadores da linha PC (DOS, Windows e tudo o mais), e isso cobriu toda a série: micro, iPods, tablets e todo o resto no meio, até chegar aos da linha MacBook Air (de vários tamanhos) que estão comigo neste momento.
Algum dia escrevo mais sobre esse lado da minha produtividade na escrita, saindo dos cadernos e cadernetas de anotações, máquinas de escrever (cheguei a ter uma IBM elétrica, de esfera, para escrever minha tese de doutorado, que me custou uma fortuna na Suíça) e outras geringonças para escrever e me comunicar (meu primeiro celular, comprado em Paris, tinha o tamanho de um pequeno tijolo).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4 abril 2026.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
De novo a submissão ao Império? - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?)
De novo a submissão ao Império?
revista Será?, abr 3, 2026
https://revistasera.info/2026/04/de-novo-a-submissao-ao-imperio/

Submissão
A história do Brasil tem poucos, pouquíssimos exemplos de nacionais que se colocaram voluntariamente a serviço de um Estado estrangeiro. Na era colonial, submetidos que estavam os brazilienses, na expressão de Hipólito da Costa – isto é, os súditos da coroa portuguesa nascidos e criados em solo do Brasil, a principal e a mais importante colônia do vasto império ultramarino lusitano – se podia até compreender aqueles mais servis ao poder da monarquia metropolitana que se dispunham voluntariamente – ou por algum benefício pessoal – a continuarem fiéis aos mandatários da corte e aos seus representantes locais, colaborando com o poder estrangeiro. Foram raros esses casos, mas existiram, e seus nomes estão devidamente registrados nos anais do opróbio nacional.
Na era contemporânea, isto é, republicana, não existem casos devidamente notificados de uma tal submissão a um poder estrangeiro, pelo menos de maneira escandalosa. Houve, sim, um exemplo constrangedor de um senador da República, no imediato seguimento da Segunda Guerra Mundial, que simulou beijar a mão do homem mais poderoso da Terra, naquele momento, ou seja, o próprio presidente dos Estados Unidos, em visita ao Brasil. O caso não passou despercebido, mas ficou no folclore político, como um episódio fortuito, de agradecimento ao dirigente do país que “salvou o mundo” da opressão do nazismo, na mais horrenda das guerras havidas até então.
Vamos corrigir o parágrafo precedente, naquela parte que pretende que “não existem casos notificados de submissão” de um nacional a um Estado estrangeiro: não existiam, até 2018 e nos anos imediatamente seguintes. Está devidamente documentada a frase altamente constrangedora para o orgulho nacional do presidente Bolsonaro, por ocasião de seu primeiro (e, também, altamente constrangedor) comparecimento à abertura dos debates na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2019, composta de apenas quatro palavrinhas, ditas num tom de submissão enternecedora: “I love you Trump!”. Foi tudo muito rápido, na saída de um e na entrada de outro à tribuna da ONU, mas essa frase resumiu, com sintética precisão, toda a submissão abjeta que um chefe de Estado da República Federativa do Brasil pudesse demonstrar por um chefe de Estado estrangeiro que não tinha feito absolutamente nada, até aquele momento, para salvar o Brasil de algum “perigo iminente” ou qualquer outro desastre de proporções tão estupendas que pudessem justificar tal demonstração (mas que já tinha começado, na verdade, a prejudicar os interesses comerciais brasileiros desde 2017).
O que se viu, na campanha eleitoral presidencial de 2018, desde o dia da posse, em 1º de janeiro de 2019, e nos dois anos seguintes (enquanto perdurou o mandato do ser amado da Florida e de Washington) foram cenas inesquecíveis de prostração política e pessoal ao personagem e a seu país – ainda então o mais imponente império da modernidade –, o que demonstra que os registros históricos precisam renovar os casos de “traição à pátria”, como se dizia antigamente (sobretudo entre militares) e de vassalagem e de sujeição, em suas mais diversas formas e modalidades de servidão voluntária. No próprio dia da posse, no Palácio do Planalto, o patético diplomata designado para ser o chanceler acidental de um governo que já nasceu com complexo de subordinação, concordou imediatamente com a sugestão feita pelo Secretário de Estado no sentido do Brasil cooperar com os EUA numa operação de “mudança de regime” na Venezuela chavista, assim como na proposta de aceitar a instalação de uma base americana no Brasil (no que foi imediatamente desmentido pelos militares de alto escalão ainda servindo na primeira fase daquele governo alinhado).
Foram muitos, em número excessivo, os casos nos quais o Executivo federal, sua diplomacia subordinada e outros serviçais do governo não se pejaram de confirmar o total enquadramento da política externa nacional aos desejos e interesses do império americano, aliás desde a primeira incursão do inacreditável mandatário brasileiro, nas terras do magnata de Mar-a-Lago, sua residência pessoal na Florida, transformada em sucursal da Casa Branca. O patético chanceler acidental chegou inclusive a viajar apressadamente para as fronteiras da Venezuela na Colômbia e em Roraima, na primeira infeliz tentativa de provocar a “mudança de regime” na Venezuela, apoiando uma inexistente fratura nas forças militares chavistas. Dispenso-me aqui de listar as inúmeras demonstrações de alinhamento da subserviente, dócil diplomacia bolsolavista aos desígnios do império hemisférico, o que fiz, no momento devido, em algumas de minhas obras nas quais tratei dessas passagens sombrias da política externa: Miséria da Diplomacia(2019), O Itamaraty num Labirinto de Sombras (2020) e O Itamaraty Sequestrado(2021), entre outros livros e artigos publicados a esse respeito.
Façamos agora uma visita rápida aos tempos que correm, quando acabo de ler palavras do candidato bolsonarista a presidente do Brasil, tal como feitas na reunião anual da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, no acrônimo inglês), na qual esse rebento de um golpista condenado “pediu para que haja pressão internacional para que as eleições de 2026 no Brasil ocorram sob o que ele chamou de ‘valores de origem americana’. Dirigindo-se ao público americano, o parlamentar pediu que os EUA e o ‘mundo livre’ acompanhem o processo eleitoral brasileiro, com atenção à liberdade de expressão nas redes sociais, e atuem institucionalmente para garantir eleições ‘livres e justas’”. (G1)
Não estou inventando nada: sua alocução está devidamente registrada para a história no documentário feito em 29/03/2026 (“Flávio Bolsonaro na CPAC: O renascimento do Brasil começa agora”; https://www.youtube.com/watch?v=lKZTZhlmXGk). Na audiência, o ex-deputado Alexandre Ramagem, um dos fugitivos do processo no STF que levou boa parte dos golpistas do 8/01/2023 à cadeia no Brasil. Não cabe reproduzir aqui as mentiras e exageros pronunciadas pelo candidato, apenas confirmar o pedido expresso de interferência nos assuntos internos do Brasil, não apenas nas eleições, mas num eventual retorno ao poder.
Como diplomata, servi na Secretaria de Estado, na fase final de minha carreira, como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) nos dois anos e meio imediatamente anteriores às eleições presidenciais de 2018. Pela minha postura ativa no debate nacional sobre temas de política externa e de diplomacia brasileira, notadamente por meio de meu blog pessoal Diplomatizzando, eu tinha total certeza de que seria expurgado de minhas funções assim que o novo governo tomasse posse. Não demorou muito: no próprio dia da posse do chanceler acidental, em 2 de janeiro de 2019, recebi telefonema de um dos seus novos assessores (que havia servido comigo quando eu era ministro-conselheiro na embaixada em Washington, sob o embaixador Rubens Barbosa, entre 1999 e 2003) para, repito aqui palavras relembradas, “colaborar na reorganização do Instituto Rio Branco”, nossa academia diplomática, no sentido de “adaptar as disciplinas e o ensino” aos novos tempos. Recusei imediatamente, dizendo que eu já não era professor do IRBr (como tinha sido o caso durante a formação do dito assessor) e que eu não tinha nada a dizer sobre essa “reorganização”, sugerindo apenas que consultassem os alunos, os professores e os próprios responsáveis do Instituto (nessa ordem), para realizar as mudanças que desejassem.
A retaliação não demorou: fui exonerado de meu cargo e colocado na Divisão dos Arquivos, no segundo subsolo do “Bolo de Noiva” (o anexo II do Itamaraty), submetido a um primeiro secretário ao qual eu teria de pedir permissão para qualquer medida administrativa. Antes de me aposentar, voltei à Biblioteca (onde já havia encontrado refúgio numa época anterior de ostracismo funcional) e passei a redigir alguns dos livros já citados. Outras retaliações tiveram curso nos três anos seguintes, o que não vem ao caso relembrar. Grande parte de meu rigoroso registro dos numerosos casos de sujeição vergonhosa da diplomacia bolsolavista aos ditames do império e do seu imperador em primeiro mandato (até janeiro de 2021) encontra-se fartamente disponível nas postagens que fiz, nesse período específico, no Diplomatizzando. Dois meses depois, o patético chanceler acidental era expurgado do Itamaraty, não por decisão do próprio presidente pré-golpista, mas por choques repetidos com uma senadora do agronegócio, agastada com seus ataques à “China comunista”.
Minhas desavenças com a diplomacia submissa do governo bolsonarista ao império já tinham começado numa etapa ainda precoce dessa bizarra aventura nos anais da ignomínia, bem antes que eu pensasse em publicar qualquer livro a respeito. Numa postagem feita no domingo de Carnaval de 2019, eu propunha, numa postagem do Diplomatizzando, submeter a política externa a um debate entre três personagens representativos da história recente: FHC (autor de um artigo naquele domingo sobre a adesão da chancelaria à intervenção americana na Venezuela), o embaixador Rubens Ricupero (que havia feito pouco antes uma palestra sobre o alinhamento da nossa diplomacia à “franja lunática” da extrema-direita americana) e um artigo do próprio chanceler acidental criticando ambos numa postagem em seu blog pessoal “Metapolítica 17: contra o globalismo” (ver minha proposta nesta postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/03/ricupero-fhc-e-ernesto-araujo-em-debate.html). Foi o que bastou para o chanceler acidental iniciar um processo administrativo contra mim, pretendendo eliminar-me da carreira (desliguei-me antes, por aposentadoria, mas não sem ter sofrido dois cortes brutais em meus vencimentos de trabalho).
Independentemente de meus entreveros pessoais com o governo aloprado dos golpistas, assusta-me a perspectiva de não só ver um candidato à cadeira presidencial pedir abertamente “uma intervenção institucional estrangeira” em nosso processo eleitoral deste ano, mas, se o pedido vingar, assistir a eventuais incursões indevidas em nossa soberania e, sobretudo, ter de me confrontar novamente com uma nova “miséria da diplomacia”, feita de sujeição total aos ditames do imperador em seu segundo mandato (teoricamente até o final de 2028), quando recém estaríamos no segundo ano do presidente eleito em outubro do corrente ano. Estou certo de retomar o teclado para opor-me frontalmente a tal possibilidade de um retorno às cenas vergonhosas de sujeição abjeta de um presidente ao atual “dono do mundo”. Muito do que eu já escrevi a respeito daquela primeira diplomacia talvez possa ser aplicado de forma quase automática em uma nova oportunidade.
Em agosto de 2020, eu publicava no jornal Zero Hora do RS, um artigo sobre os “Sete pecados capitais da diplomacia bolsolavista”: ignorância, irrealismo, arrogância, servilismo, miopia, grosseria e inconstitucionalidade. Todos esses pecados se revelaram na recusa do multilateralismo, na negligência de normas consagradas do Direito Internacional, no abandono da formulação autônoma da política externa brasileira e na relativização da noção de interesse nacional (ver no link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/sete-pecados-capitais-da-diplomacia.html). Assistiremos a esse triste espetáculo novamente?
Brasília, 5262, 31 março 2026, 4 p.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Celso Lafer: um dos pais fundadores dos estudos de relações internacionais do Brasil – Paulo Roberto de Almeida
Celso Lafer: um dos pais fundadores dos estudos de relações internacionais do Brasil – Paulo Roberto de Almeida
Plataforma Academia.edu:https://www.academia.edu/165472386/Resenha_dos_livros_de_textos_de_Celso_Lafer_Funag_2018_
Resenha – Celso Lafer: o pai fundador das relações internacionais no Brasil
Obra constitui um aporte fundamental para os estudiosos de diplomacia e de relações internacionais do Brasil, uma vez que reúne os relevantes escritos do mais importante intelectual desse campo, praticamente o fundador da disciplina no Brasil
Obra constitui um aporte fundamental para os estudiosos de diplomacia e de relações internacionais do Brasil, uma vez que reúne os relevantes escritos do mais importante intelectual desse campo, praticamente o fundador da disciplina no Brasil
Celso Lafer: Relações internacionais, política externa e diplomacia brasileira: pensamento e ação - Brasília: Funag, 2018, 2 vols., 1437 p.; lo. vol., ISBN: 978-85-7631-787-6; 762 p.; 2o. vol., ISBN: 978-85-7631-788-3, 675 p.; disponíveis na Biblioteca Digital da Funag; 1o volume ; 2o volume ).
Por Paulo Roberto de Almeida*
A obra em dois volumes reproduz meio século de ideias, reflexões, pesquisas, andanças e um exercício direto de responsabilidades à frente da diplomacia brasileira (em duas ocasiões, 1992 e 2000-2002) e, através dela, de algumas funções relevantes na diplomacia mundial, como a presidência do Conselho da OMC, assim como em outras instâncias da política global. Celso Lafer, professor emérito da USP, articulista consagrado, mestre de várias gerações de estudiosos de relações internacionais e de direito, esteve à frente de decisões relevantes em alguns foros decisivos para as relações exteriores do Brasil, na integração regional, no comércio mundial, nos novos temas do multilateralismo contemporâneo. A obra constitui um aporte fundamental para os estudiosos de diplomacia e de relações internacionais do Brasil, uma vez que reúne os relevantes escritos do mais importante intelectual desse campo, praticamente o fundador da disciplina no Brasil, com a vantagem de o autor ter sido o condutor da diplomacia brasileira em momentos significativos da história recente.
(...)
Desocidentalização, democratização e desconexão: minhas observações a um artigo importante de Dawisson Belém Lopes - Paulo Roberto de Almeida
Desocidentalização, democratização e desconexão: minhas observações a um artigo importante de Dawisson Belém Lopes - Paulo Roberto de Almeida
Meus comentários a um artigo importante de Dawisson Lopes, de 2020, mas ainda relevantes (e só o faço agora, pois que Academia.edu me enviou novamente o link). O artigo é este:
"De-westernization, democratization, disconnection: the emergence of Brazil's post-diplomatic foreign policy
By Dawisson Belém Lopes
2020, Global Affairs
Link: https://doi.org/10.1080/23340460.2020.1769494
Abstract: For some time, foreign policy as an expression was perfectly interchangeable with diplomacy, given the degree of leverage enjoyed by diplomatic corps in Brazil's political system. However, there has arguably been some degree of discontinuity in this trajectory, which is noticeable from a couple of trends: Brazil's strategy toward Western powers vis-à-vis the rise of Asia,on the one hand, and democratization of foreign policymaking and the resulting tumultuous relationship between the foreign ministry and the presidency of the country, on the other. I posit that, from Fernando Henrique Cardoso to Jair Bolsonaro, this combination of factors prompted an epochal shift in Brazil's external relations, whose bottom line might be Itamaraty's demise as chief formulator while other governmental bureaucracies, political parties and individuals take over as the gravity centre, turning the contents of Brazil's foreign policy more responsive to social inputs, however less predictable and coherent over time."
PRA: Concordo com o fato dessas tendências observadas pelo professor tornarem a nossa política externa e nossa diplomacia menos PREDIZÍVEIS ou menos COERENTES no tempo, mas essa evolução ou características sempre me foram muito evidentes, pois como acadêmico, antes de ingressar no Itamaraty, e depois como diplomata, por mais de 40 anos SEMPRE OBSERVEI essas diferenças, disjunções, divergências entre a POLÍTICA EXTERNA oficial, isto é, conduzida pelo regime presidencialista que semopre foi o nosso na República, e a DIPLOMACIA, como corporação e instituição. Mas vamos observar todos os conceitos do artigo.
1) De-westernization: nenhuma novidade no plano mundial. Até o século XVI, a região mais avançada do mundo era a Ásia, para onde se dirigiam os europeus, ainda "pobres" ou "subdesenvolvidos", para buscar as inovacões, a riqueza. Os quatro séculos seguintes foram ocupados pelos europeus emergentes e dominadores. No século XX, os EUA acabaram assumindo a hegemonia. mas a Ásia reemergiu, e é naatural que ocorra agora esse desocidentalização do mundo.
2) Democratization: conceito que se aplica a vários países que sairam de antigas ditaduras ou regimes autoritários. Grécia, Espanha e Portugal o fizeram nos anos 1970-80 ou pouco depois, e ingressaram na CEE-UE pouco depois. Brazil e Argentina o fizeram nos anos 1980, mas construiram democracias de baixa qualidade, sem salvaguardas para certos retrocessos, econômicos ou políticos. Isso teve efeito sobre suas diplomacias, a nossa mais estável e predizível do que a argentina, pois nunca fomos de ir do terceiro-mundismo não alinhado como a Argentina, para as relações carnais e subordinadas aos EUA como eles fizeram, e isso se deve à diplomacia profissional.
3) Desconexão: Isto é, entre política externa e diplomacia. Sublinhei isso divesas vezes em meus aartigos e livros, e sobretudo na prática, tendo mantido uma postura de CETICISMO SADIO em face de certas decisões da Política Externa, ACEITAS pelo Itamaraty. Posso dizer que fui o único diplomata punido, censurado e controlado por quatro regimes diferentes: fui classificado como "diplomata subversivo" pela ditadura militar, depois punido, em diferentes formas, pelo tucanato, pelo lulopeetismo e depois pelo bolsonarismo. Continuo a apontar as incoerências da política externa e a lamentar a SUBMISSÃO dos meus colegas diplomatas a qualquer iniciativa que vem do Planalto, que nem sempre corresponde ao que diplomatas sensaatos recomendariam.
Vou fazer uma listagem de todas as minhas posturas DISSIDENTES em todos esses "regimes".
Academia.edu usada por buscadores de IA para acessar textos proprietários - Paulo Roberto de Almeida
Exemplos de acessos não identificados em minha página em Academia.edu
Some examples of unidentified accesses to my page in Academia.edu
Quanto tempo mais Academia.edu vai tolerar esse tipo de abuso?
How long Academia.edu will tolerate this kind of abuse?
(Bem, pelo menos talvez Madame IA passe a errar menos doravante)
(Well, perhaps there will be less errors from Dame AI)
(Uma outra vantagem é recordar-me de textos já esquecidos)
(Some positive feedbacks: remembering my own forgotten texts)
zofpd jtbclgy : 4610) Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (2024)
uzys ctdc : 4826) 80 Anos do Brasil na ONU: a história da diplomacia e de uma vida (2025)
ywyqkpqewb vzbzio : 2533) Prata da Casa: os livros dos diplomatas (2013)
jjoce ayukplfd : Livros sobre temas da diplomacia brasileira - Paulo Roberto de Almeida
csawmvwvu fwiyrngzc : 164) Retorno ao Futuro: A Ordem Internacional no Horizonte 2000 (1988)
qhn ekqnz : Classicos revisitados: uma serie em plena continuidade (2025)
icegtkp evdagtih : 4869) Relacoes Estados Unidos-China: consideracoes historico-geopoliticas (2025)
cupt dlytww : A Parceria: A História Secreta da Guerra na Ucrânia - Adam Entous (NYT)
mbmhddnxzm gvwjs : 4883) Quem determina, de fato, a Politica Externa Brasileira (2025)
kqpqwmdgs osc : 4319) O processo de reconhecimento da independência do Brasil (203)
zdetrtp zmxxgupy : 214) O Estado do Progresso e o Progresso do Estado: projeto (1991)
oheijvik nfhbxlxre : 4920) Politica Externa e Diplomacia do Brasil: visao historica por um ativo estudioso e um modesto praticante (2025)
eshaxcl wfetzrtekl : Can Ukraine win? by David Axe (EuroMaidanPress)
fsbevsjht vdeskabugn : 4939) A politica externa brasileira em face das ameacas ao multilateralismo e ao equilibrio diplomatico (2025)
iqepmzk zplo : Can studying Mao Zedong help explain Donald Trump? Trump Mao Comparison - China Talk
ifdhyj beegvev : 4920) Política Externa e Diplomacia do Brasil: visao historica por um ativo estudioso e um modesto praticante
at ejhtrqdcv : Appeal by the International Academic Community in Support of Serbian Students & Professors (2025)
pygexmbkms giocglh : Book Review: James J. Sheehan. Making a Modern Political Order: The Problem of the Nation State (H-Diplo)
qimulf opwnkpe : Relatorio secreto da visita do Vice-Pres João Goulart à China (agosto 1961)
cidza kgksyeou : 559) O Mercosul e os processos de integracao nas Americas (1996)
jetiaxkuue aksdwlwlls : 4889) O Brasil no contexto de um novo cenario internacional: incertezas e opcoes (2025)
vz zwfu : 2434) O Barão do Rio Branco: então e agora (2012)
rxnfiyaimt hbmdrgni : 4134) O itinerario do multilateralismo e o Brasil: da Liga das Nacoes a ONU (2022)
pzimxoljz oweoho : 1842) Uma pesquisa sobre o Mercosul: sua possível evolução até 2011 e 2021 (2007)
fyssyew pyeomf : 014) A inserção econômica internacional do Brasil em perspectiva histórica (2000)
rijoiwdv dtw : 1342) Do afastamento à integração: as relações do Brasil com a América Latina, do século XIX ao século XXI (2004)
wyxyjp jhusfclml : 011) Problemas da Integração no Mercosul: Obstáculos Estruturais e Conflitos Negociais (1999)
qxjdarqmb tvcxixna : 101) Pensamento diplomático brasileiro: introdução metodológica às ideias e ações de alguns dos seus representantes (2013)
vk mlx : 4889) Apresentacao a Economia e Ideologia, livro de Andre Nunes (2012)
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e o desenvolvimento: vantagens e desvantagens de um processo indomável (2004)
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