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sábado, 17 de outubro de 2026

Relações Brasil-Estados Unidos: desalinhamentos desde o regime militar - Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

Introdução Paulo Roberto de Almeida 

 Trabalho excepcional de "arqueologia político-diplomática" sobre as relações entre o Brasil dos militares (e dos diplomatas) com o império americano, sobretudo no tocante aos "desalinhamentos" – um conceito não exatamente adequado para expressar posturas diferentes nas relações bilaterais e nos temas da agenda internacional – entre os dois países, numa época em que a historiografia de esquerda achava que o Brasil dos generais da ditadura, assim como os diplomatas do Itamaraty, eram convergentes com os interesses americanos, o que não foi absolutamente verdade.

Devo este documento primoroso, pela coleta do material factual ao amigo Airton  Dirceu Lemmertz, que mobilizou os serviços sempre atentos de Madame IA (Chat GPT)

Paulo Roberto de Almeida (17/10/2026)

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É notória a relação umbilical dos bolsonaristas com os trumpistas. Aliás, Flávio Bolsonaro já declarou, inúmeras vezes, que irá alinhar-se (ou seria submissão canina?) com o governo de Trump em variadas áreas. Jair Messias e outros são exaltadores do período da ditadura militar no Brasil. Porém, os governos militares brasileiros, em alguns casos, estavam desalinhados com os interesses do governo dos EUA àquela época. Então, apresente um texto discursivo sobre o assunto: "As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos EUA à época.". Texto somente com frases e parágrafos; com, no mínimo, 5500 caracteres; usando linguagem acessível e didática. Informações amparadas apenas em fontes confiáveis. Se não souber ou ficar em dúvida, não invente (não tenha 'alucinações'). [ADL]

As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos Estados Unidos à época:
 
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964 e encerrada com a transição para o governo civil em 1985, foi marcada por uma combinação de convergências políticas, interesses econômicos comuns e divergências estratégicas. Embora o regime militar brasileiro tenha chegado ao poder com o apoio do governo estadunidense e tenha compartilhado com Washington o anticomunismo característico da Guerra Fria, isso não significou que os dois países mantivessem interesses idênticos durante todo o período. Na realidade, principalmente a partir da década de 1970, os governantes brasileiros adotaram decisões que contrariavam interesses importantes dos Estados Unidos, demonstrando que a ditadura não se limitou a seguir automaticamente as orientações de seu poderoso aliado.
Essa distinção é fundamental para compreender o período histórico sem cair em simplificações. O apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964 e a convergência entre os dois governos em matéria de combate à esquerda não significavam que o Brasil tivesse renunciado a todos os seus próprios interesses nacionais. Ao mesmo tempo, a existência de divergências diplomáticas não transforma a ditadura em um regime democrático, soberano em todas as suas decisões ou comprometido necessariamente com os interesses da população brasileira. O governo militar perseguiu opositores, restringiu liberdades políticas, censurou a imprensa e praticou graves violações de direitos humanos. Sua política externa, por sua vez, procurou combinar a aproximação com as potências ocidentais com a busca de maior autonomia econômica, tecnológica e diplomática.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em seu estudo sobre as relações entre os dois países durante a ditadura, observa justamente essa combinação: o anticomunismo aproximou Washington e Brasília, mas divergências sobre direitos humanos, descolonização, energia nuclear e relações com outros países contribuíram para o desgaste das relações bilaterais, sobretudo durante os anos 1970. Para compreender esse processo, é necessário examinar decisões concretas dos governos brasileiros e explicar por que elas entravam em conflito com as prioridades dos diferentes governos estadunidenses da época.

1. A busca por autonomia na política externa e o distanciamento em relação a Washington:
Uma das principais características da política externa brasileira durante a presidência do general Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, foi a tentativa de ampliar a margem de decisão do país nas relações internacionais. O governo adotou uma orientação frequentemente descrita como pragmatismo responsável e ecumênico. Em termos simples, isso significava procurar relações comerciais e diplomáticas com países de diferentes orientações políticas, sem aceitar que o anticomunismo determinasse automaticamente todas as decisões brasileiras.
Essa orientação não representava uma ruptura completa com o Ocidente, muito menos uma adesão do Brasil ao bloco soviético. O objetivo era aumentar as possibilidades de desenvolvimento econômico e tecnológico do país, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de uma única potência. Na prática, entretanto, essa estratégia produziu conflitos com os Estados Unidos, que procuravam limitar a disseminação de tecnologias consideradas sensíveis e preservar sua influência internacional.
É importante lembrar que a política externa brasileira não foi igualmente independente durante todos os governos militares. O marechal Humberto Castelo Branco, que governou entre 1964 e 1967, promoveu uma aproximação particularmente estreita com Washington, enquanto outros governos passaram a enfatizar mais intensamente a autonomia nacional. Portanto, seria incorreto afirmar que a ditadura militar brasileira sempre enfrentou os interesses estadunidenses. O que se observa é uma mudança de prioridades ao longo do tempo, condicionada pelas necessidades econômicas brasileiras e pelas transformações da política internacional.
 
2. O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental em 1975:
Um dos exemplos mais expressivos de divergência entre Brasília e Washington foi o acordo de cooperação nuclear firmado entre o Brasil e a Alemanha Ocidental em 27 de junho de 1975, durante o governo Geisel. Naquele momento, o Brasil procurava ampliar sua capacidade de produzir energia, desenvolver tecnologia própria e diminuir sua dependência externa em um setor considerado estratégico.
A questão energética era especialmente importante porque o país dependia significativamente da importação de petróleo, cuja cotação havia aumentado fortemente após a crise internacional de 1973. A elevação dos preços do combustível pressionou as contas externas brasileiras e tornou mais urgente a procura por fontes alternativas de energia. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ocupar posição importante nos planos de desenvolvimento do governo militar.
O acordo com os alemães previa uma ampla cooperação nuclear, incluindo a transferência de tecnologia, o fornecimento de equipamentos e a construção de instalações relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. O ciclo do combustível compreende etapas como a transformação do urânio, seu enriquecimento e o tratamento do material utilizado nos reatores. O domínio dessas tecnologias poderia ampliar consideravelmente a capacidade científica e industrial brasileira.
O problema para os Estados Unidos era que determinadas etapas desse processo também poderiam facilitar, em circunstâncias específicas, a produção de materiais utilizáveis em armas nucleares. Washington defendia controles internacionais mais rigorosos sobre a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível nuclear usado. Por isso, o governo estadunidense procurou impedir ou limitar aspectos do acordo entre brasileiros e alemães.
Os documentos diplomáticos publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos registram que autoridades americanas estavam preocupadas com as implicações do acordo para a política de não proliferação nuclear. Um telegrama da embaixada estadunidense no Brasil, de junho de 1975, avaliava que a iniciativa refletia a ambição brasileira de conquistar maior projeção internacional e poderia afastar o país de Washington. Outro documento, de julho daquele ano, recomendava esclarecer às autoridades alemãs e brasileiras a oposição americana à transferência de tecnologias sensíveis. 
A divergência era relevante porque o Brasil não aceitou simplesmente abandonar seus planos diante da pressão dos Estados Unidos. O governo Geisel sustentou a validade do acordo e defendeu a possibilidade de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. A posição brasileira estava associada tanto à busca por autonomia tecnológica quanto à percepção de que as potências mais desenvolvidas procuravam preservar vantagens industriais e científicas sobre países em desenvolvimento.
É necessário fazer uma ressalva importante: o acordo de 1975 não comprova, por si só, que o governo brasileiro tenha decidido fabricar uma bomba atômica. O desenvolvimento de tecnologia nuclear, a possibilidade técnica de produzir materiais utilizáveis em armas e a decisão política de construir armamentos são questões distintas. Os documentos históricos citados permitem afirmar que existiam preocupações estadunidenses com os riscos de proliferação e que o governo brasileiro resistiu às pressões para modificar sua estratégia. Não autorizam, porém, tratar como fato comprovado que o acordo tivesse como objetivo declarado a fabricação de armas nucleares.
O episódio demonstra que o governo militar brasileiro podia entrar em confronto com um importante aliado quando considerava que estavam em jogo seus interesses estratégicos. Também evidencia que a relação entre os dois países não era uma relação de obediência automática: Washington tinha capacidade de exercer pressão, mas Brasília procurava preservar sua liberdade de decisão em determinados assuntos. 
 
3. A recusa brasileira em aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear:
A controvérsia nuclear não se limitou ao acordo com a Alemanha Ocidental. Outro ponto de divergência foi a posição brasileira diante do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, conhecido pela sigla TNP.
O tratado foi aberto para assinatura em 1968 e entrou em vigor em 1970. Seu objetivo era dificultar a disseminação de armas nucleares, estabelecer compromissos de desarmamento e promover a cooperação para usos pacíficos da energia nuclear. Entretanto, a estrutura do acordo reconhecia uma distinção entre os países considerados Estados com armas nucleares para os fins do tratado e aqueles que não possuíam esse status.
O Brasil militar questionava aspectos dessa estrutura porque a considerava desigual. Na perspectiva brasileira, o sistema internacional não deveria permitir que determinadas potências preservassem seus arsenais nucleares enquanto exigiam que outros países aceitassem restrições duradouras às próprias possibilidades tecnológicas. Assim, os governos militares procuraram manter aberta a possibilidade de desenvolver capacidades nucleares sem aderir ao tratado nas condições estabelecidas.
Essa postura contrariava uma prioridade importante dos Estados Unidos, que buscavam ampliar a adesão internacional ao regime de não proliferação. A divergência ficou particularmente evidente durante o governo Geisel, quando as autoridades brasileiras resistiram às pressões americanas tanto em relação ao TNP quanto ao acordo nuclear com os alemães.
Em conversas diplomáticas de junho de 1977, durante a presidência de Jimmy Carter, o governo brasileiro manteve sua posição contrária à adesão ao TNP e insistiu que o país não pretendia adquirir armas nucleares. O registro da conversa também mostra que a questão da soberania nacional ocupava lugar central nas justificativas brasileiras. 
Para entender a controvérsia, é importante não confundir a recusa em assinar um tratado com a comprovação de uma intenção de produzir armamentos proibidos. O governo brasileiro defendia a liberdade de desenvolver tecnologia nuclear, enquanto os Estados Unidos procuravam reduzir os riscos de que essa capacidade pudesse ser utilizada para fins militares. Havia, portanto, um conflito entre duas prioridades: de um lado, a autonomia tecnológica reivindicada pelo Brasil; de outro, a tentativa estadunidense de estabelecer limites internacionais mais rígidos à proliferação nuclear.
Essa divergência revela uma contradição interessante do período. O regime brasileiro era autoritário e reprimia a oposição política internamente, mas, na esfera internacional, reivindicava maior independência diante de uma potência ocidental. A defesa da autonomia externa, contudo, não significava que o governo militar respeitasse de maneira equivalente os direitos e as liberdades dos cidadãos brasileiros.
 
4. A denúncia do acordo de assistência militar com os Estados Unidos em 1977:
Um dos episódios mais claros de distanciamento entre os dois países ocorreu em 1977, quando o governo Geisel denunciou o acordo de assistência militar firmado entre Brasil e Estados Unidos em 15 de março de 1952. A decisão foi formalizada pelo Decreto sob número 79.376, de 11 de março de 1977, publicado no ordenamento jurídico brasileiro.
Esse acordo havia constituído um instrumento importante de cooperação militar entre os dois países. Sua denúncia representou, portanto, uma decisão política de peso, pois atingia um dos mecanismos institucionais que sustentavam a relação bilateral no campo da defesa.
A justificativa apresentada pelo governo brasileiro estava relacionada às mudanças introduzidas na legislação estadunidense sobre a prestação de assistência militar. Brasília considerou inaceitáveis as novas condições que vinculavam esse tipo de assistência à avaliação da situação interna dos países beneficiários. Em outras palavras, o governo brasileiro rejeitava que Washington condicionasse a cooperação militar a critérios que pudessem envolver o exame de suas práticas políticas e de direitos humanos.
O episódio ocorreu durante a presidência de Jimmy Carter, iniciada em janeiro de 1977. Carter procurava dar maior destaque aos direitos humanos na política externa dos Estados Unidos, inclusive nas relações com governos autoritários que anteriormente haviam recebido apoio americano. Essa orientação provocou reações negativas de diferentes regimes latino-americanos, entre eles o brasileiro.
A documentação oficial do Congresso brasileiro registra a denúncia do acordo e reproduz a justificativa diplomática apresentada pelo governo Geisel. Os documentos diplomáticos estadunidenses também registram o desconforto brasileiro com as condições associadas à assistência militar e a decisão de rejeitar determinadas formas de cooperação. 
A decisão é especialmente significativa porque demonstra que a divergência não se limitava a assuntos comerciais ou tecnológicos. Ela atingia diretamente a relação entre as forças armadas dos dois países. O governo brasileiro preferiu abrir mão de um instrumento tradicional de assistência a aceitar determinadas condições impostas por Washington.
Entretanto, não se deve interpretar essa decisão como prova de que os Estados Unidos haviam abandonado toda a relação com os militares brasileiros ou de que o Brasil havia rompido suas relações diplomáticas com o país. A medida dizia respeito a um acordo específico e se inseria em um processo mais amplo de revisão dos vínculos militares. As relações diplomáticas continuaram existindo, embora atravessassem um período de atrito.
O caso também expõe uma contradição importante do discurso oficial brasileiro. O governo Geisel invocava a soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras sobre a situação interna do país, mas mantinha um regime que restringia direitos políticos, censurava a imprensa e perseguia opositores. A defesa da não intervenção servia, nesse contexto, tanto como princípio diplomático quanto como argumento para resistir a críticas internacionais sobre o autoritarismo doméstico.
 
5. A aproximação com a China comunista em 1974:
Outra decisão importante foi o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a República Popular da China, em 15 de agosto de 1974, também durante o governo Geisel.
Desde a vitória dos comunistas na guerra civil chinesa, em 1949, existiam duas autoridades rivais que reivindicavam representar a China. A República Popular da China, liderada pelo Partido Comunista, controlava a China continental, enquanto a República da China, sediada em Taiwan, mantinha relações diplomáticas com diversos países, inclusive com os Estados Unidos durante boa parte do período.
A aproximação brasileira com Pequim ocorreu em um momento de mudanças na política internacional. Embora a China fosse governada por um partido comunista, sua relação com os Estados Unidos e com a União Soviética era complexa. As divergências entre chineses e soviéticos haviam se aprofundado, e o governo de Richard Nixon iniciara um processo de aproximação com Pequim no começo da década de 1970.
Portanto, a decisão brasileira não deve ser apresentada como uma atitude tomada contra toda a política externa estadunidense. Os próprios Estados Unidos já haviam iniciado a reaproximação com a China, inclusive por meio da visita de Nixon em 1972 e da abertura de escritórios de ligação em 1973. A diferença é que, em 1974, Washington ainda não havia estabelecido relações diplomáticas formais com Pequim, o que só ocorreria em janeiro de 1979.
O Brasil, por sua vez, reconheceu o governo da República Popular da China como o único governo legal chinês e estabeleceu relações diplomáticas em nível de embaixadas. O comunicado conjunto assinado em Brasília em 15 de agosto de 1974 registrou formalmente essa decisão. 
A iniciativa contrariava a posição diplomática tradicional de Taiwan, que perdeu mais um parceiro internacional, e ampliava as relações brasileiras com um país comunista. Para os dirigentes militares brasileiros, porém, a ideologia não deveria impedir automaticamente o estabelecimento de relações comerciais e diplomáticas consideradas úteis ao desenvolvimento nacional.
A aproximação também se enquadrava na estratégia de diversificação de parceiros. Ao buscar relações com Pequim, o Brasil ampliava suas possibilidades diplomáticas e econômicas, em vez de limitar suas relações internacionais ao grupo de países tradicionalmente alinhados com Washington.
Esse exemplo exige cuidado para evitar uma conclusão equivocada. A aproximação com a China não significou que a ditadura brasileira tivesse abandonado o anticomunismo na política interna. O regime continuou perseguindo organizações de esquerda e reprimindo opositores. O que ocorreu foi uma separação pragmática entre a repressão ao comunismo dentro do país e a conveniência de manter relações com um governo comunista no exterior.
O episódio demonstra que a política externa dos militares podia ser menos rigidamente ideológica do que sua política doméstica. Ao reconhecer a China, o governo brasileiro colocou interesses diplomáticos e econômicos acima de uma interpretação absoluta do anticomunismo, embora isso não tenha alterado a natureza autoritária do regime.
 
6. O reconhecimento da independência de Angola e a relação com os movimentos de libertação africanos:
A política brasileira para a África também oferece um exemplo importante de decisões que nem sempre coincidiam com as preferências de Washington ou com as posições dos aliados ocidentais.
Durante o século XX, vários territórios africanos conquistaram sua independência após longas lutas contra as potências coloniais europeias. Portugal, entretanto, procurou manter seu domínio sobre Angola, Moçambique e outras colônias até a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, que derrubou a ditadura portuguesa e abriu caminho para a descolonização.
O governo brasileiro precisava decidir como se posicionar diante desse processo. Portugal possuía vínculos históricos, culturais e diplomáticos com o Brasil, mas o país africano também representava uma oportunidade de ampliar as relações comerciais brasileiras com novos Estados independentes. Essa combinação de interesses levou Brasília a desenvolver uma política mais pragmática para o continente africano.
O caso de Angola foi particularmente expressivo. Quando a independência foi proclamada, em 11 de novembro de 1975, três movimentos disputavam o poder: o Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido como MPLA; a Frente Nacional de Libertação de Angola, ou FNLA; e a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA.
O MPLA tinha orientação marxista e recebia apoio da União Soviética e de Cuba. Os Estados Unidos, por sua vez, apoiaram adversários do movimento no contexto da Guerra Fria. A disputa angolana, portanto, tornou-se parte de uma competição internacional que envolvia interesses africanos, europeus, soviéticos, cubanos e estadunidenses.
Nesse cenário, o Brasil reconheceu o governo do MPLA como representante de Angola independente. Um telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, datado de 13 de novembro de 1975, registra o reconhecimento brasileiro entre as decisões tomadas por países que aceitaram o governo do movimento. 
A decisão brasileira foi significativa porque contrariou a preferência dos setores estadunidenses que se opunham ao MPLA. Também demonstrou que Brasília estava disposta a estabelecer relações com um governo de orientação marxista quando considerava que isso correspondia aos seus interesses diplomáticos.
Não se deve, contudo, afirmar que o Brasil se tornou aliado militar do MPLA ou que aderiu ao bloco soviético. O reconhecimento diplomático de um governo não equivale automaticamente à adoção de sua ideologia, à participação em suas operações militares ou à submissão a seus aliados internacionais. A política brasileira procurava, sobretudo, ampliar a presença do país na África, desenvolver relações com os Estados recém-independentes e criar oportunidades comerciais.
A escolha também estava ligada a interesses econômicos concretos. O acesso a mercados africanos, as possibilidades de exportação de produtos industrializados e a procura por fornecedores de matérias-primas e fontes de energia contribuíam para tornar a região relevante para a diplomacia brasileira. Pesquisas acadêmicas sobre o reconhecimento de Angola destacam justamente o pragmatismo do governo Geisel e a relação entre autonomia diplomática e interesses econômicos. 
Assim, o reconhecimento de Angola representa uma das demonstrações mais claras de que a política externa brasileira da década de 1970 não obedecia integralmente à divisão ideológica entre capitalismo e comunismo. Mesmo sob uma ditadura profundamente anticomunista no plano interno, o governo brasileiro reconheceu um governo revolucionário africano quando avaliou que essa decisão favoreceria sua posição internacional.
 
7. A reivindicação brasileira de soberania sobre o mar territorial de 200 milhas:
Outro episódio relevante envolveu a ampliação da área marítima reivindicada pelo Brasil. Em 1970, o governo brasileiro adotou a posição de que seu mar territorial se estendia até 200 milhas náuticas a partir da costa, buscando ampliar o controle sobre os recursos marítimos e as atividades pesqueiras nessa área.
Para compreender a importância dessa medida, é necessário lembrar que o direito do mar era objeto de intensas negociações internacionais. Muitos países costeiros procuravam ampliar sua autoridade sobre os recursos existentes nas águas próximas a seus territórios, enquanto potências marítimas defendiam regras que preservassem a liberdade de navegação e os direitos de pesca em determinadas áreas.
Os Estados Unidos estavam entre os países que rejeitavam reivindicações unilaterais de mar territorial superiores ao limite tradicional de três milhas náuticas e contestavam pretensões de jurisdição pesqueira além de doze milhas. A posição brasileira, portanto, entrava em conflito com interesses econômicos e estratégicos estadunidenses.
A documentação oficial do Departamento de Estado registra que Washington procurou persuadir o governo brasileiro a adiar a aplicação de medidas que afetariam embarcações estrangeiras de pesca em águas reivindicadas pelo Brasil. A resposta brasileira foi a de que as novas regras já constituíam uma decisão legal do governo e não poderiam ser simplesmente suspensas a pedido dos Estados Unidos. 
A controvérsia tinha consequências econômicas concretas. Embarcações estadunidenses, especialmente as envolvidas na pesca de camarão, utilizavam áreas próximas à costa brasileira. A ampliação da jurisdição pretendida por Brasília ameaçava limitar essas atividades, criando atritos entre os dois países.
Um acordo bilateral sobre a pesca de camarão, promulgado pelo Brasil em 1973, documentou expressamente a divergência: o governo brasileiro sustentava sua reivindicação de 200 milhas, enquanto os Estados Unidos mantinham sua posição contrária ao reconhecimento de reivindicações tão amplas. O texto estabeleceu uma solução provisória para a atividade pesqueira sem eliminar a discordância jurídica entre as partes. 
É importante observar que a reivindicação brasileira da época não deve ser confundida com o regime jurídico da zona econômica exclusiva atualmente previsto no direito internacional. Mar territorial e zona econômica exclusiva são conceitos diferentes, com alcances e direitos distintos. A posição brasileira de 1970 era uma reivindicação de soberania territorial marítima muito mais ampla do que o limite tradicional defendido pelos Estados Unidos.
O episódio mostra que a divergência entre os dois países não dependia exclusivamente da ideologia política. Mesmo governos que compartilhavam valores anticomunistas podiam entrar em conflito por causa de recursos naturais, direitos de exploração econômica e liberdade de navegação. O Brasil procurava aumentar seu controle sobre áreas marítimas e proteger interesses nacionais, enquanto Washington defendia uma interpretação do direito do mar mais favorável à mobilidade naval e às atividades de suas embarcações.
 
8. A reação à política de direitos humanos do governo Jimmy Carter:
A chegada de Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1977, introduziu um elemento adicional de tensão nas relações bilaterais. Carter defendia que os direitos humanos recebessem maior importância na política externa americana. Essa orientação afetava as relações com governos autoritários que, durante a Guerra Fria, haviam sido considerados parceiros estratégicos na luta contra o comunismo.
O Brasil estava entre esses países. A ditadura militar brasileira havia restringido direitos políticos, mantido a censura, perseguido adversários e utilizado a repressão estatal contra opositores. Por isso, a preocupação estadunidense com os direitos humanos passou a criar dificuldades diplomáticas para o governo Geisel.
A reação brasileira foi de resistência à possibilidade de que Washington condicionasse a assistência militar ou outros instrumentos de cooperação à avaliação da situação interna do país. O governo brasileiro interpretava essas exigências como uma forma de interferência externa em assuntos que considerava de sua competência exclusiva.
Documentos do Departamento de Estado publicados em 1977 mostram que diversos governos latino-americanos rejeitaram, total ou parcialmente, programas de assistência militar vinculados às novas exigências americanas sobre direitos humanos. O Brasil foi um dos países envolvidos nessa reação. 
Essa divergência ajuda a explicar a denúncia do acordo de assistência militar de 1952 e o posterior cancelamento de outros instrumentos de cooperação militar entre os dois países. A ruptura de determinados acordos, portanto, não pode ser entendida isoladamente, como se tivesse ocorrido apenas por uma questão técnica. Ela estava inserida em uma disputa sobre soberania, assistência externa e legitimidade internacional do regime brasileiro.
Entretanto, seria incorreto apresentar a política de direitos humanos de Carter como uma defesa perfeita ou universalmente coerente das liberdades democráticas. A política externa estadunidense continuava condicionada por interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos. Além disso, as relações entre os Estados Unidos e regimes autoritários não desapareceram simplesmente porque Carter conferiu maior destaque aos direitos humanos.
Do mesmo modo, a resistência brasileira às pressões americanas não deve ser confundida com uma defesa dos direitos humanos. O governo militar utilizava o argumento da soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras, mas isso não eliminava a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violações cometidas contra seus próprios cidadãos.
O episódio revela, portanto, uma divergência real, mas de natureza específica. Washington passou a pressionar o governo brasileiro em nome de uma política externa que atribuía maior relevância aos direitos humanos, enquanto Brasília rejeitava a vinculação entre assistência militar e avaliação internacional de sua situação política. Essa disputa contribuiu para o enfraquecimento de mecanismos tradicionais de cooperação entre os dois países.
 
9. O significado dessas divergências para a compreensão da ditadura brasileira:
Os exemplos examinados permitem compreender que a política externa da ditadura militar brasileira não pode ser resumida à ideia de submissão permanente aos Estados Unidos. Houve momentos de forte alinhamento, sobretudo nos primeiros anos após o golpe de 1964, mas também existiram decisões que contrariaram interesses importantes de Washington.
O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental demonstrou que o governo Geisel estava disposto a enfrentar pressões americanas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira. A resistência à adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear expressou a contestação brasileira a uma ordem internacional considerada desigual. A denúncia do acordo de assistência militar de 1952 evidenciou o grau de desgaste alcançado pelas relações bilaterais. O reconhecimento da China e de Angola demonstrou que a diplomacia brasileira podia privilegiar interesses econômicos e estratégicos em detrimento de critérios ideológicos rígidos. Por fim, a reivindicação de 200 milhas marítimas mostrou que disputas por recursos naturais e jurisdição também podiam colocar os dois países em lados opostos.
Essas decisões não ocorreram todas pelo mesmo motivo, nem tiveram o mesmo peso. Algumas foram motivadas pela busca de autonomia tecnológica, outras pela diversificação comercial, pela defesa de interesses marítimos ou pela reação a pressões diplomáticas. Em conjunto, contudo, revelam uma característica importante da política externa brasileira durante parte da ditadura: a tentativa de aumentar o poder de negociação do país diante das grandes potências.
Isso não significa que o Brasil tenha se tornado independente de todas as pressões externas. A economia brasileira continuava vinculada aos mercados internacionais, dependia de tecnologia estrangeira em diversos setores e enfrentava limitações financeiras e industriais. A capacidade de contrariar Washington era real, mas tinha limites. Além disso, os governos militares continuaram mantendo relações próximas com os Estados Unidos em diversos campos.
Também é essencial distinguir autonomia internacional de legitimidade política interna. Um governo pode tomar decisões independentes no cenário internacional e, ao mesmo tempo, ser autoritário dentro de suas fronteiras. A defesa dos interesses nacionais no exterior não justifica a supressão de direitos políticos, a censura, a perseguição de opositores ou a violência estatal. No caso brasileiro, a existência de divergências com Washington não apaga o caráter ditatorial do regime nem transforma suas decisões diplomáticas em prova de compromisso com a democracia.
Essa distinção é particularmente importante quando o período é lembrado em debates políticos contemporâneos. A relação entre a direita brasileira e movimentos políticos estrangeiros, assim como a aproximação entre governos de países diferentes, deve ser analisada a partir de decisões concretas, interesses materiais e contextos históricos. Não basta identificar afinidades ideológicas para concluir que dois governos necessariamente compartilham todas as suas prioridades.
A experiência da ditadura brasileira mostra justamente que a política externa pode combinar afinidade ideológica, cooperação estratégica e divergências importantes. Os militares brasileiros compartilhavam com os Estados Unidos o anticomunismo e mantiveram relações próximas com Washington, mas, quando consideraram que determinados interesses nacionais estavam em jogo, adotaram decisões contrárias às preferências americanas.
 
Em conclusão, as divergências entre o Brasil militar e os Estados Unidos demonstram que a relação bilateral foi mais complexa do que uma simples relação de obediência. O Brasil procurou, em determinados momentos, ampliar sua autonomia diplomática, tecnológica e econômica, mesmo sob um regime autoritário e fortemente anticomunista. Essa constatação histórica não deve servir para idealizar a ditadura, mas para compreendê-la de maneira rigorosa, reconhecendo simultaneamente suas contradições internas, seus vínculos internacionais e os limites de sua política de independência. A lição central é que alinhamento ideológico não equivale necessariamente a identidade de interesses, assim como autonomia diplomática não equivale a democracia ou respeito aos direitos humanos. 


**Resposta da IA foi gerada em 16/10/2026 às 13h23min. 

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Vídeos gravados em torno de palestras e debates com Paulo Roberto de Almeida, disponíveis no YouTube - Airton Dirceu Lemmertz

   Vídeos com Paulo Roberto de Almeida no YouTube

Meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz, muito mais competente do que eu nessas tecnicalidades informáticas – muito é uma expressão errada, pois eu não tenho competência nenhuma – fez, manualmente, laboriosamente, uma relação de vídeos gravados e disponíveis no YouTube, em torno de minhas aparições, algumas agendadas, outras fugazes ou inesperadas (pois em alguns casos eu nem sabia que estava sendo gravado).

 Em todo caso, tenho de agradecer o esforço do ADL, e registrar (provavelmente visualizar novamente, ou pela primeira vez) todas essas gravações, organizá-las cronologicamente e talvez tematicamente, embora muitas sejam sobre política externa do Brasil e a sua diplomacia. Obs.: a relação se refere apenas a 2025. PRA

 

ADL: Uma lista de alguns vídeos no YouTube publicados em 2025 [em ordem cronológica] com o diplomata brasileiro aposentado, professor universitário, escritor e blogueiro Paulo Roberto de Almeida. Parte dos vídeos foi gravada anteriormente [de 2025], mas todos publicados em 2025 [em relação ao respectivo canal no YT]. Em cada vídeo, há:

 a) título, 

b) link, 

c) data, 

d) resumo.

 

Para a presente lista, o levantamento desses quatro dados e a edição desse texto foram feitos "no braço" (ou seja, manualmente) por ADL (ou seja, não foi uma IA; obs.: eu não sou uma IA... até porque, se eu fosse, seria uma IA muito limitada, tendenciosa e sem muita paciência para muitos assuntos...). Faço esse favor modesto (de criar a lista) ao PRA por basicamente dois motivos: i) a visão [e defesa] liberal dele para muitos assuntos, ii) a sinceridade na manifestação para assuntos muitas vezes não tão populares no Brasil. Enfim, aproveitem. 

 

Conversas de Ateliê - Política Internacional, com Paulo Roberto de Almeida #43.
https://www.youtube.com/watch?v=wze6Rw3rPyE
27/01/2025.
A discussão aborda o cenário da política internacional recente, com ênfase na posição estratégica do Brasil entre a China e os Estados Unidos em meio a crises globais como os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O retorno de Donald Trump à presidência norte-americana e suas diretrizes iniciais impõem novos desafios de polarização e equilíbrio à diplomacia brasileira.

Entrevistado: Embaixador Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=TkswpzXCYGw
02/04/2025.
Paulo Roberto de Almeida é doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1984), mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade de Estado de Antuérpia (1976), formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1974). O embaixador exerceu vários cargos diplomáticos no exterior e é autor de uma dezena de livros individuais, organizou diversas outras obras, participou de dezenas de livros coletivos e assinou centenas de artigos em revistas especializadas (ver trabalhos em: www.pralmeida.org; blog: diplomatizzando.blogspot.com).

Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=09vLtrsA3UU
16/05/2025.
Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida no antigo programa Relações Internacionais em Pauta, do IPRI (Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais). A gravação foi realizada em 2016.

[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
https://www.youtube.com/watch?v=yMHys69hJRw
30/06/2025.
Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.

[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
https://www.youtube.com/watch?v=0hu8jefVRL8
30/06/2025.
Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.

Conversas diplomáticas ep01: A Jornada de Paulo Roberto de Almeida ao Itamaraty - ‪@paulomre‬.
https://www.youtube.com/watch?v=lonmB0ZTvr4
11/07/2025.
Estreia da série Conversas Diplomáticas Com Paulo Roberto de Almeida — ex-diplomata e intelectual com uma longa trajetória no serviço exterior brasileiro. Nesta entrevista, ele compartilha aspectos marcantes de sua vida pessoal e profissional: de uma juventude de origem humilde e influenciada por ideias socialistas às transformações em sua visão de mundo após décadas de atuação em embaixadas e consulados pelo mundo.

AO VIVO: EUA mandam navios de guerra à Venezuela e Maduro convoca novo alistamento.
https://www.youtube.com/watch?v=dH0UI7A9MfE
28/08/2025.
A partir de 31:46 no vídeo. Os Estados Unidos divulgaram um vídeo nas redes sociais de navios de guerra rumo à Venezuela. Os americanos afirmam oficialmente que a operação é para combater o narcotráfico, mas rumores dão conta de que os EUA preparam um cerco contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Os Estados Unidos aumentaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. O ditador convocou um novo alistamento militar e recorreu a ONU contra “a escalada de ações hostis”. Diego Gimenes entrevista Paulo Roberto de Almeida, diplomata e ex-embaixador do Brasil.

Capitalismo e Liberdade com Paulo Roberto de Almeida | Clube do Livro.
https://www.youtube.com/watch?v=bBtb1R4QzGA
16/10/2025.
Neste encontro, discutimos "Sobre a Liberdade", clássico de John Stuart Mill que defende os princípios da autonomia individual, da livre expressão e dos limites legítimos da ação do Estado. Paulo Roberto de Almeida, diplomata e conselheiro acadêmico do Livres, analisa as ideias centrais da obra e sua influência duradoura na consolidação das democracias liberais modernas.

#024 Diálogos com M. A. Nogueira. O mundo gira, com Trump e além de Trump – Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=pm5PlN1mZGw
21/10/2025.
O programa Diálogos recebe o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, autor de "Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil" (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025). Teremos uma conversa sobre os desafios do mundo contemporâneo, marcado por guerras, conflitos e tensões políticas. Em 2025, Donald Trump voltou a dominar o cenário global com medidas polêmicas e acordos controversos, enquanto a extrema direita avança, a China se expande e a guerra na Ucrânia persiste. No meio desse turbilhão, diplomatas seguem essenciais como construtores de consensos. Uma reflexão necessária sobre o papel do Brasil e da diplomacia em tempos de incerteza. O Programa “Diálogos com Marco Aurélio Nogueira” é uma promoção conjunta do IEPfD e do Ateliê de Humanidades.

"Lula é mais experiente que Trump", diz diplomata do 1º governo Lula.
https://www.youtube.com/watch?v=70wAjkWX-Lo
24/10/2025.
O diplomata ex Ministro-Conselheiro da Embaixada do Brasil em Washington, entre 1999 e 2003, Paulo Roberto de Almeida comenta sobre o encontro de Lula e Trump. O Acorda, Metrópoles traz as principais notícias do Brasil e do mundo logo no começo na manhã. De segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, a apresentadora Natália André recebe Fabio Serapião, Marília Ribeiro e Gabriel Buss.

[AO VIVO] HOMENAGEM AO PROFESSOR AMADO LUIZ CERVO: IN MEMORIAM (21/11/2025).
https://www.youtube.com/watch?v=JYKBcLA9DBQ
21/11/2025.
Carlos Domínguez recebe Tereza Cristina Nascimento França (UFS), Albene Miriam Menezes Klemi (UnB), Günther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina), Lídia de Oliveira Xavier (Unieuro), Delmo Arguelhes (UFF). Homenagem ao professor Amado Luiz Cervo: in memoriam.

Rumo a nova ordem global? - O Mundo é um Moinho (27/11/25).
https://www.youtube.com/watch?v=idcC0wvi0pg
27/11/2025.
O cientista político Pedro Costa Jr recebe o diplomata Paulo Roberto de Almeida e o Pesquisador no Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, Daniel Afonso da Silva, para debater a nova ordem global.

Como Ernesto Araújo virou chanceler? Diplomata conta tudo sobre o delírio diplomático bolsonarista.
https://www.youtube.com/watch?v=BAVH632x5DI
04/12/2025.
Paulo Roberto de Almeida, diplomata e intelectual brasileiro, revela os bastidores da ascensão de Ernesto Araújo no Itamaraty e explica como o pensamento antiglobalista ganhou espaço durante o governo Bolsonaro. No relato, ele narra episódios inéditos do impacto dos artigos de Araújo dentro do corpo diplomático e o momento em que percebeu o rumo ideológico da política externa brasileira.

Diplomata expõe impressões ao debater com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho.
https://www.youtube.com/watch?v=SPsazArarBo
05/12/2025.
O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou como foram seus encontros com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho. Ele relembra um debate com Guedes no início do governo Bolsonaro, dizendo que ficou “extremamente decepcionado” com sua visão sobre globalização, Mercosul e integração econômica. Sobre Olavo de Carvalho, o diplomata foi direto: o considerou “um louco completo” e narra seu choque ao participar de um debate organizado pelo grupo Brasil Paralelo, que também envolveu ataques pessoais de Olavo.

A trajetória de Paulo Roberto de Almeida: resistência à ditadura, exílio político e Itamaraty.
https://www.youtube.com/watch?v=s_9k_Q9xExg
10/12/2025.
O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou sua notável trajetória: da resistência à ditadura militar até sua consagração no Itamaraty. Ele relembra a juventude política, o exílio na Europa, o retorno ao Brasil durante a abertura e como foi rotulado como “diplomata subversivo” pelo SNI.

A importância do Brasil na construção do multilateralismo - Paulo Roberto de Almeida.
https://www.youtube.com/watch?v=K2DFrCXTxxs
11/12/2025.
O professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida explica como o Brasil teve papel essencial mas invisibilizado na criação da ONU e na fundação do sistema multilateral contemporâneo. 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Madame IA comenta o texto de Rubens Barbosa sobre as ameaças ao Itamaraty e compara com as minhas posições. PRA

 Madame IA comenta o texto de Rubens Barbosa sobre as ameaças ao Itamaraty e compara com as minhas posições. PRA


“Itamaraty: instituição ameaçada” (Rubens Barbosa): 

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/itamaraty-instituicao-ameacada/ 


O artigo “Itamaraty: instituição ameaçada”, de Rubens Barbosa, sustenta que o Ministério das Relações Exteriores corre risco de perder autonomia, prestígio e capacidade de formular política externa, independentemente do resultado eleitoral. Para o autor, tanto o lulismo quanto o bolsonarismo tenderiam a colocar ideologia e partidarismo acima do interesse nacional, esvaziando o Itamaraty dentro do governo federal.


O diagnóstico do artigo:


Rubens Barbosa afirma que, no caso do lulismo, haveria a repetição de uma influência ideológica e partidária que reduziria o espaço do ministério. Ele menciona dificuldades orçamentárias, atrasos de pagamentos no exterior, adiamento de reformas, maior influência sindical e a possibilidade de criação de um Conselho Nacional de Política Externa ligado a propostas do PT e do MST.


No lado bolsonarista, o texto também prevê “mais do mesmo”: primazia da ideologia, esvaziamento institucional, problemas financeiros e propostas de uma “faxina” interna. O autor critica ainda o possível alinhamento automático com os Estados Unidos e Israel, bem como a intolerância a visões diferentes dentro da carreira diplomática.


O mundo e o Brasil:


O artigo descreve um cenário internacional marcado por incerteza, guerra, tensões comerciais e disputas tecnológicas. Cita a rivalidade entre Estados Unidos e China, a guerra da Rússia na Ucrânia e os efeitos econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Nesse contexto, o Brasil ainda não teria definido com clareza seu lugar no mundo.


A proposta central de Rubens Barbosa é restaurar o Itamaraty como principal assessor do presidente na formulação e execução da política externa. Ele defende autonomia institucional, coordenação interna das negociações internacionais, reforço orçamentário, modernização da gestão, mais transparência e maior presença de mulheres em cargos de chefia.


Prioridades defendidas:


O texto propõe uma diplomacia de “pragmatismo responsável 2.0”, baseada em profissionalismo, moderação, sensatez e visão estratégica. Entre as prioridades estão responder aos contenciosos comerciais com os Estados Unidos, enfrentar a concorrência chinesa com políticas de defesa comercial, fortalecer o Mercosul, priorizar a América do Sul e diversificar mercados para exportações agrícolas.


A ideia é preservar a independência brasileira, sem alinhamentos automáticos a potências ou blocos ideológicos. Para o autor, o interesse nacional deve orientar as decisões externas, especialmente em um momento de enfraquecimento do multilateralismo e fortalecimento do nacionalismo.


Comparação com Paulo Roberto de Almeida:


Há pontos de convergência entre Rubens Barbosa e Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira entre 1977 e 2021, professor do Instituto Rio Branco e ex-diretor do IPRI-MRE. Ambos valorizam a diplomacia profissional, a autonomia do Itamaraty e a defesa dos interesses nacionais acima de lealdades partidárias.


Almeida critica a chamada “osmose” entre o serviço diplomático e os governos, apontando que tanto o petismo quanto o bolsonarismo teriam introduzido elementos ideológicos e personalistas na política externa. Essa crítica se aproxima do alerta de Rubens Barbosa sobre o esvaziamento do ministério e a subordinação da diplomacia a projetos políticos.


Porém, há diferenças de ênfase. Almeida caracterizou o governo Bolsonaro como uma ruptura “nefasta” com padrões tradicionais da política externa brasileira, afirmando que o país teria se tornado excessivamente dependente dos interesses do governo Trump e de setores da extrema direita americana. Rubens Barbosa, embora critique o alinhamento automático com Estados Unidos e Israel, trata os dois campos políticos de forma mais simétrica, como ameaças semelhantes à instituição.


Sobre o lulismo, Almeida sustenta que houve uma diplomacia partidária, com maior distanciamento das linhas tradicionais do Itamaraty e influência de quadros ligados ao partido no entorno presidencial. Essa leitura é próxima da tese de Rubens Barbosa, mas o artigo vai além ao apresentar propostas institucionais concretas, como novo regime jurídico para a carreira, mais recursos orçamentários e uma política de segurança econômica.


Em síntese, ambos defendem um Itamaraty forte, técnico e independente. A diferença é que Rubens Barbosa formula um alerta institucional amplo e propositivo, enquanto Paulo Roberto de Almeida enfatiza mais fortemente os riscos da ideologização e da captura partidária da política externa, com críticas especialmente dirigidas às rupturas observadas no governo Bolsonaro. 


*Fonte: Perplexity (https://www.perplexity.ai/search/a04035ed-d779-44d6-9f5f-ea863d90ede3).

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil - André Lucena InfoMoney

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil

Especialistas avaliam que resultado do primeiro turno envia sinal a Washington e pode influenciar temas de comércio, segurança e relações internacionais

O primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) aproximou o Brasil de uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos. Ainda assim, a correlação de forças na América Latina poderá influenciar a disputa eleitoral brasileira nos próximos meses.

Especialistas em relações internacionais ouvidas pelo InfoMoney afirmam que a eleição deste ano, já marcada por temas globais, tende a ser ainda mais impactada por acontecimentos fora do Brasil.

Carolina Pedroso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU), avalia que o resultado do primeiro turno já sinaliza aos países vizinhos e à Casa Branca que “não será necessária uma pressão externa muito grande para que haja mudança de governo no Brasil”. O senador terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

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Na avaliação de Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, Washington atua em duas frentes.

“Há um nível que é o do Donald Trump, que tem demonstrado estar acompanhando a eleição no Brasil, e outro que é o do Departamento de Estado, que tem atuado diretamente na relação com o país e até mesmo na disputa narrativa”, afirma.

Brasil no tabuleiro global

O interesse americano na candidatura de Flávio Bolsonaro está relacionado ao alinhamento ideológico entre a plataforma bolsonarista e a agenda política de Donald Trump.

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No entanto, há também um elemento estratégico em jogo. Para Carolina Pedroso, uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia levar o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março.

“Muito provavelmente, o Brasil se alinharia e se integraria a essa nova estrutura de cooperação em segurança, que abre espaço para operações conjuntas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e outros países sul-americanos”, afirma.

A adesão direta, porém, pode gerar efeitos na relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país desde 2009. “Como ele [Flávio Bolsonaro] vai equilibrar essa postura de alinhamento com os Estados Unidos diante das pressões que podem vir do próprio Trump para que o Brasil reduza seus laços com a economia chinesa?”, questiona Holzacker.

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O governo Bolsonaro foi marcado por momentos de tensão diplomática com Pequim, embora a solidez da relação econômica e estratégica entre os dois países tenha limitado os impactos dessas divergências.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, foi sucinto ao comentar os resultados do primeiro turno no domingo (4), afirmando que já era esperado que a disputa fosse decidida apenas no segundo turno. Uma eventual vitória, seja de Lula ou de Flávio, poderá ter efeitos sobre as tarifas atualmente impostas a produtos brasileiros.

Holzhacker não prevê uma redução automática dessas tarifas, mas acredita que as negociações poderiam ser mais fluidas em um governo liderado por Flávio. “Marco Rubio, que hoje é um grande opositor do governo Lula, teria uma relação mais fluida com o próprio Flávio”, afirma.

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Já uma reeleição de Lula manteria a relação marcada por atritos, na avaliação de Pedroso. O petista tem feito da defesa da soberania nacional um dos principais eixos de sua campanha. “Ficaria ainda mais desafiador para Lula manter essa postura e até mesmo esse discurso de defesa da soberania, porque ele teria menos margem para negociar”, diz a pesquisadora.

Diante desse cenário, tanto a campanha petista quanto o governo brasileiro, no plano institucional, têm buscado ampliar apoios internacionais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. “No caso de Lula, existem limites. Por isso, a estratégia tem sido diversificar os apoios para depender menos do governo americano”, avalia Holzacker.

Pauta internacional?

Desde o ano passado, o debate público passou a discutir se temas de política externa entrariam de forma mais decisiva na disputa presidencial de 2026.

Para Pedroso, a pauta da soberania nacional favoreceu Lula em meados de 2025, após o tarifaço, mas perdeu força até a votação. “Política externa nem sempre define voto. Aliás, quase nunca define voto”, afirma.

Holzhacker, por sua vez, avalia que o resultado deste domingo mostrou que o eleitorado brasileiro foi mobilizado principalmente por questões econômicas e domésticas.

“O eleitor olhou para outras questões, principalmente a econômica, o endividamento das famílias, o embate e a posição contra o STF. Isso pesou muito mais do que a questão da política externa”, conclui.

 

 

Como o Brasil virou centro de uma disputa global - DeutscheWelle, interpretado por Madame IA

 Leia toda a transcrição do vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=_p1xaFjHznA 

"Como o Brasil virou centro de uma disputa global") e, depois, apresente um texto discursivo (somente frases e parágrafos) com, no mínimo, 3300 caracteres; o texto deverá usar linguagem acessível e didática, e deverá relatar todo o conteúdo do vídeo de modo detalhado e crítico.

O vídeo da DW Brasil apresenta uma análise profunda e multifacetada sobre a posição estratégica do Brasil no cenário geopolítico global contemporâneo, marcado por uma disputa intensa entre potências como os Estados Unidos, a China e a União Europeia. O país é retratado não apenas como um mero espectador, mas como um ator relevante que detém recursos cruciais para a economia do futuro, incluindo minerais críticos, terras raras, biodiversidade e uma matriz energética diversificada. Esse conjunto de ativos coloca o Brasil no centro de atenções internacionais, tornando o resultado de suas eleições presidenciais um evento de impacto que transcende as fronteiras nacionais.
Um dos pontos centrais da discussão (1:15 - 2:06) é a interferência externa nas escolhas políticas brasileiras, exemplificada pela pressão vinda do governo americano sob a gestão de Donald Trump. O interesse de Washington vai além de uma convergência ideológica; trata-se de buscar um aliado estratégico no Sul Global para equilibrar a balança de poder frente à influência crescente da China, que hoje ocupa o posto de principal parceiro comercial brasileiro. Essa dinâmica cria o que especialistas chamam de "país pêndulo", uma nação que, embora tente manter sua autonomia diplomática histórica, vê-se pressionada a tomar decisões que podem alterar o curso de suas relações internacionais (3:19 - 4:48).
O debate sobre minerais críticos e terras raras ilustra bem esse dilema (2:07 - 3:04). Embora o Brasil possua reservas vastas, o domínio tecnológico do processamento desses materiais está concentrado em Pequim. A questão para o Brasil, portanto, transcende a simples extração e exportação; exige uma política industrial sofisticada que permita agregar valor e utilizar esses recursos em tecnologias avançadas. O vídeo aponta que, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto, a necessidade de definir um modelo de desenvolvimento para esses recursos será um desafio incontornável.
Outro pilar abordado é a crise do multilateralismo e o papel da diplomacia brasileira (5:02 - 5:51). Historicamente, a tradição brasileira de autonomia e negociação multilateral enfrenta um teste de estresse em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo. A liderança, como observado, não é algo que se declara, mas algo que se exerce na prática e se reconhece no fórum internacional. A União Europeia, por sua vez, vê no Brasil um parceiro estratégico para pautas fundamentais como a transição energética e a agenda climática, especialmente em um contexto onde o protagonismo americano e chinês pressiona o espaço relativo do bloco europeu (5:52 - 6:29).
Finalmente, o aspecto simbólico da democracia brasileira é destacado como um termômetro global (6:30 - 7:05). Após os eventos de janeiro de 2022 e a polarização intensa vivida no país, o Brasil tornou-se um indicador de como democracias lidam com o populismo, ataques às instituições e a desinformação. O comportamento do governo perante pressões externas, notadamente as do governo americano, contrastou em diversos momentos com a postura de outros aliados globais, reafirmando a complexidade do alinhamento externo brasileiro.
Em suma, o vídeo oferece uma visão crítica e didática sobre a interdependência entre os destinos políticos de uma grande nação em desenvolvimento e os interesses das superpotências globais. A campanha eleitoral brasileira não é apenas uma disputa interna de poder, mas o palco de uma definição estratégica que ditará o grau de soberania e o papel do Brasil na nova ordem econômica e climática mundial. É uma reflexão necessária para entender que a política externa e interna são, na verdade, duas faces da mesma moeda, onde a capacidade de manobra e a clareza institucional são os ativos mais valiosos para garantir a relevância brasileira nas próximas décadas.

*Fonte: Gemini (obs.: IA acionada na barra/guia lateral do próprio vídeo no YT).

domingo, 11 de outubro de 2026

A “volta do cipó de aroeira”, lembram-se da canção de Geral Vandré? - Estadão e PRA (+ comentário de Madame IA)

‘É a volta do cipó de aroeira...”: relembrando certas recorrências

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Nota sobre uma lembrança do ostracismo passado.

  

A famosa canção do compositor e músico Geraldo Vandré, num dos festivais de MPB logo ao início da ditadura militar, me veio à lembrança quando li esta notinha:

“Do Estadão deste domingo, 11/10/2026:

Itamaraty vive ‘temor Flávio’ e embaixadores falam em antecipar aposentadoria

A perspectiva de Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito presidente instaurou um clima de tensão entre diplomatas de uma ala do Itamaraty. Com a memória ainda recente da condução da política externa descrita como “desastrosa” durante o governo Jair Bolsonaro, integrantes do alto escalão da pasta afirmaram à Coluna que cogitam antecipar a aposentadoria para não ter que representar o Brasil em um eventual governo bolsonarista.

A apreensão aumentou depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro subiu o tom contra servidores da carreira que declararam apoio a Lula na corrida eleitoral e ameaçou fazer uma “faxina” no Ministério de Relações Exteriores. Embaixadores no topo da carreira alinhados às políticas de esquerda acreditam ser o “fim da linha” para eles.

ALVOS. O desânimo atinge sobretudo os servidores que tratam de temas que já foram rebaixados no governo de Jair Bolsonaro, como órgãos multilaterais, direitos humanos, América Latina – no contexto tratado pelos petistas de alinhamento às correntes bolivarianas –, temas de gênero e meio ambiente.

RECUO. Ao menos três secretários que do MRE que poderiam ter destaque em eventual Lula 4, agora consideram que acabou para eles. Um disse à Coluna prefere se radicar num consulado, com atividades em geral consideradas de menor prestígio a receber ordens de Flávio Bolsonaro.

CRIVO. Integrantes da campanha de Flávio admitem que a escolha para o Itamaraty será uma das tarefas mais difíceis caso ele vença, em razão dos motivos já expostos. Por isso, dizem nos bastidores que a decisão passará por consultas aos senadores Rogério Marinho e a Tereza Cristina.”

 

Retomo:

Pois bem: eu, PRA, já vivi essa situação, logo ao início da longa era lulopetista na diplomacia brasileira, em 2003, e que se estendeu praticamente até os nossos dias, por mais de duas décadas. com um breve intervalo nos anos Temer e Jair Bolsonaro.

Eu está tranquilamente trabalhando como ministro-conselheiro na embaixada em Washington, sob a gestão do embaixador Rubens Barbosa, quando recebi, do entāo diretor do Instituto Rio Branco, convite para conduzir, dirigir, de alguma forma administrar o recém iniciado Mestrado em Diplomacia do IRBr, do qual eu já era, desde 2001, quando foi inaugurado, professor orientador, como um dos poucos diplomatas com PhD na carreira. Lembro-me que, em 2002, ainda como professor orientador convidado, aproveitei curtas férias em Brasília para orientar cinco ou seis alunos do mestrado em seus projetos de dissertação. Ganhei um jantar com eles e um livro do Roberto Gianetti da Fonseca.

Seis ou sete meses depois chegou-me, portanto, esse convite para dirigir o mestrado, um trabalho de grande responsabilidade, não sei se para o próprio Itamaraty, mas pelo menos em minha concepção de excelência didática e de grande responsabilidade intelectual.

Pensei um pouco em minha opções pessoais e familiares e constatei o seguinte: eu poderia ficar mais alguns meses ou até um ano em Washington e depois negociar a embaixada de segunda linha – eu ainda era ministro de segunda-classe, já sancionado telegraficamente algumas vezes por publicar artigos sem autorização (era o jeito: eu mandava artigos e até livros para a SG, para o nihil obstat, e nunca tinha resposta) – ou simplesmente voltar à Brasília, para alguma chefia duvidosa na SERE, ganhando menos e sem perspectivas de alguma chefia com satisfação pessoal e responsabilidade funcional.

Decidi aceitar, e assim respondi ao diretor do IRBr. Para minha surpresa, recebi, alguns dias depois, mil desculpas do referido diretor, dizendo que não poderia confirmar o convite, por dificuldades não explicadas. Eu sabia bem o motivo: tanto o chanceler do primeiro lulopetismo já empossado, quanto o seu SG, se opunham à minha designação como diretor do mestrado do IRBr, por pura prevenção ideológica, pois sabiam que eu não seria um repetidor das “teses” da nova doutrina diplomática.

Assim fiquei mais alguns meses em Washington, mas depois, no meio do ano vim a Brasília, para inquirir sobre o meu futuro destino. Não fui recebido nem pelo chanceler, nem pelo SG, mas pelo chefe de gabinete deste último, um diplomata truculento que eu já conhecia de outras eras. Foi me dito que eu poderia ficar mais algum tempo em Washington e depois negociar algum posto indefinido, ou seja, o que eu já sabia.

Nessa vinda a Brasília, fui contatado, sem o procurar, por um dos membros da famosa “troika” que constituía o inner circle do presidente, que me conhecia dos tempos em que eu, como chefe da Divisão de Política Financeira. tinha de explicar aos parlamentares do PT quais eram as vantagens e os ônus dos famosos APPIS, os Acordos de Promoção e Proteção de Investimentos, bilaterais com países potencialmente investidores – com cláusulas de arbitragem internacional, e não a cargo da Justiça local, ou do OCSID em Washington, acordo ao qual o Brasil não tinha aderido, pelas conhecidas restrições nacionalistas dos parlamentares, até da direita – e que eles não aceitavam de jeito nenhum, contrários como sempre foram a quaisquer acordos de investimentos estrangeiros, assim como recusaram o acordo de 2000, de salvaguardas tecnológicas com os EUA, para a exploração – lançamento de satélites – da Base de Alcântara. Ele respeitava e entendia as minhas razões, mas dizia que o Partido (PT) já tinha decidido ser contra. Em todo caso, me convidou para trabalhar com ele, numa nova entidade que recolhia experiências do governo FHC anterior, o Núcleo de Assuntos Estratégicos, ligado à Presidência da República.

Assim foi feito, e em outubro de 2003 eu desembarcava em Brasília, para trabalhar no NAE, mas, mais importante, para assessorar esse alto mandarim do lulopetismo em diversos temas vinculados às relações exteriores do Brasil. Um dia vou publicar os vários memos que dirigi a ele, confidencialmente, à margem do trabalho no NAE, comentando e propondo posturas do Brasil, e do presidente Lula, em vários assuntos internacionais. Fiquei no NAE enquanto ele lá esteve, depois veio o Mensalão, o grão-petista ficou doente – ou farejou os problemas montantes – e acabou saindo do NAE. Quando foi designado para um “ministério de Estado” naquela área um famoso professor de Harvard, brizolista, mas convertido de forma oportunista ao lulopetismo, acabei saindo do NAE e retornando ao Itamaraty.

A despeito de várias promessas da Administração, na qual eu sempre batia à porta, nunca tive nenhum oferecimento de qualquer coisa na SERE. Refugiei-me na Biblioteca do Itamaraty, convertida em escritório de trabalho durante muitos anos, pois eu sempre fui um habitué de bibliotecas desde a infância. Cada vez que eu falava com um encarregado da Administração, ele reconhecia que minha situação era irregular – receber salário sem trabalhar, mas nunca, nenhum deles se dispôs a me oferecer um cargo na SERE ou um posto no exterior. Zero, necas de pitiribas, alguma oferta. Um desses barões da Casa chegou a me confessar que se o chanceler me tinha vetado para alguma função, ele não podia fazer nada. Eu fiquei o frequentador mais recorrente na Biblioteca, onde também aproveitei o lazer forçado para escrever muitos artigos (em alguns jornais com outros nomes, e um dia vou recolher essas peças) e alguns livros (minha lista cronológica está à disposição de todos).

Em algum momento me ofereceram uma missão transitória, por ocasião da Exposição Universal em Shanghai, em 2010, onde passamos, eu e Carmen Lícia, oito belos meses de trabalho, ela de estudos sobre a China, e ambos de várias viagens pela China e arredores. À volta, a despeito de promessas, nada ainda, durante todo o ano de 2011, que também passei na Biblioteca. Resolvi aproveitar uma oportunidade oferecida pela Sorbonne, e em 2012, durante seis meses, fiquei em Paris, num mestrado do Institut de Hautes Études de l’Amérique Latine. Retorno, e vazio. A promessa de chefiar um Consulado não se cumpriu, tampouco, mas acabei aceitando ser vice-cônsul em Hartford (CT), quando aproveitei para novamente renovar contatos acadêmicos em diversas oportunidades, e comprar muitos livros.

Voltei depois dessa última saída ao exterior, entre 2013 e 2015, e também fiquei aguardando alguma designação, que só apareceu despois do impeachment de Dona Dilma, em 2016: me convidaram não para um cargo executivo na SERE (pois, a despeito da mudança de “regime”, eu era conhecido como heterodoxo em matérias diplomáticas), mas como diretor do IPRI-Funag, onde me diverti bastante, convidando amigos e conhecidos da academia e chamando diplomatas de cada área como debatedores. Foram dois anos e meio extremamente felizes, cujo resultado pode ser conferido num relatório de gestão que publiquei ao final de meus dois anos e meio no IPRI, de 2016 ao final de 2018 (e eu já adivinhava um futuro ostracismo com a vitória do capitão). O relatório é este aqui:

3383. “Relatório de Atividades como Diretor do IPRI de 2016 a 2018”, Brasília, 24 dezembro 2018, 27 p. Organizado segundo o modelo próprio, usando dados do modelo adotado no IPRI, eliminando alguns eventos, incluindo outros. Total de eventos: 2016=38; 2017=74; 2018=102; total=214. Disponibilizado na plataforma Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/329905640_Relatorio_de_Atividades_Gestao_do_diretor_do_IPRI_Paulo_Roberto_de_Almeida) e em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/e66d6c1639/relatorio-do-ipri-diretor-paulo-roberto-de-almeida-2016-2018); anunciado no blog Diplomatizzando (25/12/2018; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/12/ipri-meu-relatorio-de-atividades-2016.html).

 

Durante todos esses anos de ostracismo no Itamaraty, não tive exatamente alguma solidariedade de meus colegas de carreira, a não ser comentários anônimos em vários de meus blogs, sobretudo no Diplomatizzando, alguns se solidarizando discretamente com o meu “exílio interno”, outros me atacando, por vezes grosseiramente, em função de minha ousadia em discordar da política externa oficial.

Quando leio agora sobre as agruras de meus colegas na hipótese de um possível retorno dos bolsonaristas ao poder, fico realmente consternado por esse tipo de perseguição puramente ideológica, algo que eu senti em diversas oportunidades de minhas quatro décadas de atividades diplomáticas: tive artigos e mesmo livros censurados ou criticados, perdi muitas oportunidades dentro e fora da carreira, recebi “punições” de tucanos, de petistas e, também, dos bolsonaristas, que me demitiram do IPRI, me colocaram numa função subalterna, na qual tinha de pedir permissão a um primeiro secretário para sair de férias ou me ausentar dos Arquivos, no segundo subsolo do “Bolo de Noiva”, e também fui retaliado financeiramente pelo chanceler acidental, o primeiro do capitão destrambelhado.

Quero expressar toda a minha solidariedade a meus colegas de carreira que venham eventualmente a ser “sancionados” pelo novo regime, se conseguir vencer em 25 de outubro, e dizer que lamento mais ainda pelo Itamaraty, que voltará a ser oprimido e deformado por uma política externa em tudo e por tudo contrária ao que sempre cultivamos como valores e princípios da atividade diplomática, tal como não apenas nós, mas todos os brasileiros conscientes, como adequada e necessária a um Brasil digno e autônomo em suas posturas internacionais. O lulopetismo representou uma distorção parcial do que deveria ser uma diplomacia condigna, digamos um quarto apenas da “pizza diplomática”, ao lado de nossas práticas habituais no multilateralismo, na diplomacia regional, nos assuntos bilaterais. O bolsonarismo diplomático – como demonstrei numa série de livro dessa época – representou o que ocorreu de pior na postura diplomática e na credibilidade internacional do Brasil.

Acredito que uma volta dos bolsonaristas não será tão horrível como foi o  mandato do capitão desvairado, mas só uma adesão ao delirante presidente americano, em seus sonhos de ser um “imperador hemisférico” com o “Escudo das Américas”, já representa uma ofensa à consciência de diplomatas e cidadãos instruídos. Lamento o fato de o Brasil, como dizia quem era conhecido como Bob Fields, o diplomata economista Roberto Campos, “não perder a oportunidade de perder oportunidades”. Será mais uma, talvez, o que não me deixará inativo, mas estarei, provavelmente, de volta ao meu espírito combativo, continuando a exercer meus poucos talentos no meu “quilombo de resistência intelectual”, o já conhecido blog Diplomatizzando, que já completou 20 aninhos de vida.

Vale!

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5488: 11 outubro 2026, 4 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/a-volta-do-cipo-de-aroeira-lembram-se.html )


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Madame IA, instigado por ADL: comentou: 

Cumprindo fielmente a diretriz de apresentar uma explicação didática, detalhada, crítica e amparada na

perspectiva holística e cética do embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA), apresento a análise integral e aprofundada do ensaio "A volta do cipó de aroeira":

Análise Crítica e Holística: O Aparelhamento do Itamaraty e as Recorrências do Ostracismo Político

O ensaio publicado por Paulo Roberto de Almeida no blog Diplomatizzando utiliza uma notícia contemporânea do jornal O Estado de S. Paulo como ponto de partida para diagnosticar uma patologia estrutural da administração pública brasileira: o aparelhamento ideológico e a descontinuidade institucional do Ministério das Relações

Exteriores (MRE).

Abaixo, os principais pontos do texto são explicados didaticamente sob a lente do realismo político, da meritocracia acadêmica e do ceticismo antiburocrático que fundamentam o pensamento de PRA:

1. O Fenômeno das Recorrências Históricas (A Metáfora do "Cipó de Aroeira")

O Fato: O texto abre mencionando o "temor" de uma ala do Itamaraty diante da possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro, acompanhada de ameaças de "faxina" e retaliações feitas por Eduardo Bolsonaro contra diplomatas que declararam apoio a opositores.

A Visão de PRA: Longe de enxergar isso como um evento isolado ou inédito, o autor resgata a música de Geraldo Vandré para demonstrar que o arbítrio e a perseguição política são forças cíclicas no Estado brasileiro. Para o embaixador, as elites burocráticas e partidárias operam sob a lógica da revanche e da purga ideológica sempre que há alternância de poder, independentemente do espectro político.

2. O Lulopetismo e o Início do "Exílio Interno" (2003)

O Fato e a Visão de PRA: Em 2003, o autor teve um convite para assumir o Mestrado em Diplomacia cancelado por veto direto da cúpula do ministério devido a "prevenção ideológica". Para o diplomata, o episódio retrata o choque entre a meritocracia e o dogmatismo partidário que pune a independência intelectual em favor da subserviência.

3. A Biblioteca como "Quilombo de Resistência" e o Desperdício de Recursos

O Fato e a Visão de PRA: Sem postos condizentes com sua qualificação, PRA refugiou-se na Biblioteca do Itamaraty escrevendo sob pseudônimos. Sob uma visão cética e econômica, tal arranjo ilustra o patrimonialismo estatal e o desperdício de capital humano qualificado em nome de divergências ideológicas.

4. A Crítica Bipartidária: O Lulopetismo e o Bolsonarismo Diplomático

O Fato e a Visão de PRA: O ensaio critica ambos os espectros: o lulopetismo por forçar alinhamentos bolivarianos e critérios ideológicos de promoção, e o bolsonarismo (classificado como o pior período para a credibilidade internacional) por retaliá-lo e submeter o país a delírios personalistas. Para PRA, os dois extremos agrediram o profissionalismo do MRE.

5. Conclusão Racionalista: O Brasil e a Tragédia das Oportunidades Perdidas

O Fato e a Visão de PRA: Cético quanto ao destino da instituição diante do desânimo de embaixadores seniores, o autor conclui com a máxima de Roberto Campos de que o Brasil não perde a oportunidade de perder oportunidades, reiterando que a diplomacia é sequestrada por paixões partidárias.

 

 

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