Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
86 anos atrás, o assassinato de Trotsky, a mando de Stalin
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
The World according to Madame IA, supostamente encarnando este blogueiro - Paulo Roberto de Almeida
Não sou espírita, não acredito em reencarnação – CORRIJO: NÃO EXISTE reencarnação –, não sou sequer religioso, nem torcedor de qualquer time ou membro de qualquer partido político, mas parece que Madame IA – reencarnada como Gemini AI, e orquestrada pelo habil manipulador de inteligências frágeis, que se esconde sob o acrônimo de ADL – reencarnou em mim e traçou um panorama desolador da atualidade geopolítica e das turbulências atuais, com base, supostamente, em meus conceitos e alguns cacoetee que exibo frequentemente nestas paragens.
O resultado segue abaixo, mas depois vou corrigir minha reencarnação, isto é, Madame IA, em torno de alguns conceitos e características de meus argumentos. Mas, por enquanto, segue como Madame IA interpretou minha análise do sistema internacional. PRA (19/08/2026)
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18/08/2026, 23:53
Incorpore o estilo de escrita, as ideias e opiniões e a linha de
pensamento (corrente de raciocínio argumentativo) do
diplomata, professor, escritor e blogueiro Paulo Roberto de
Almeida (o 'PRA', administrador do blog Diplomatizzando).
Concluída a 'incorporação', apresente um texto discursivo
(frases e parágrafos) sobre o cenário atual da geopolítica. O
texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá abordar o
maior número possível de fatos relevantes na geopolítica atual.
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O Despautério Global e a Erosão da Ordem Liberal: Reflexões Racionais sobre a Anarquia Contemporânea
Por Paulo Roberto de Almeida (PRA)
Assiste-se, na presente conjuntura internacional, a um espetáculo de contornos
francamente dantescos, caracterizado pelo desmantelamento progressivo, mas
aparentemente inexorável, dos pilares institucionais que sustentaram a Pax Americana e a ordem multilateral desde o encerramento da Segunda Guerra Mundial e, com maior vigor, após o colapso do império soviético em 1991. Para um observador minimamente imbuído de espírito crítico, despido das lentes deformantes do voluntarismo ideológico e das paixões partidárias vulgares, o cenário geopolítico deste terceiro decênio do século XXI revela uma transição caótica em direção a uma anarquia hobbesiana, onde o direito internacional é reiteradamente sacrificado no altar do realismo bruto e do revisionismo autocrático.
Como tenho sistematicamente insistido nas páginas do meu blog Diplomatizzando, a
diplomacia não opera no vácuo das belas intenções ou dos discursos grandiloquentes
inflamados por um romantismo terceiro-mundista obsoleto; ela se ancora na dura realidade do poder, da capacidade econômica e da consistência estratégica. O que testemunhamos hoje é a emergência de um "eixo revisionista" — composto proeminentemente pela Federação Russa, pela República Popular da China, pela teocracia obscurantista do Irã e pela dinastia aberrante da Coreia do Norte —, cuja finalidade precípua não é a reforma pactuada das instituições globais, mas sim a destruição deliberada dos valores ocidentais de liberdade individual, economia de mercado e império da lei (rule of law).
A Tragédia Ucraniana e o Desafio Revisionista do Kremlin
O primeiro e mais candente vetor dessa desordem sistêmica localiza-se nas planícies da Europa Oriental. A agressão militar não provocada e plenamente ilegal da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia constitui o mais flagrante estupro do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em solo europeu desde o fim do conflito mundial de 1939-1945. Longe de ser um mero conflito territorial localizado, a guerra de atrito que se arrasta na Ucrânia representa um desafio existencial à arquitetura de segurança euro-atlântica.
Putin, operando sob uma mística neo-czarista e ressentida, busca reverter o que ele
próprio qualificou como "a maior catástrofe geopolítica do século XX": o desmoronamento da União Soviética.
O erro crasso de certas correntes analíticas, inclusive na academia e na diplomacia
brasileira de inclinação "anticolonialista" de fancaria, reside em tentar equivaler o agressor e o agredido, recorrendo a piruetas retóricas sobre a expansão da OTAN. Ora, a expansão da Aliança Atlântica nunca foi um processo de anexação imperialista, mas sim uma busca voluntária, por parte das jovens democracias da Europa Central e Oriental, de um seguro de vida coletivo contra o tradicional expansionismo moscovita.
A resistência heroica do povo ucraniano e o revigoramento da OTAN — que acolheu tardiamente, mas de forma acertada, a Finlândia e a Suécia em suas fileiras — demonstram que o Ocidente, apesar de suas hesitações internas e crises de liderança, ainda conserva a capacidade de se mobilizar em defesa da liberdade. Contudo, a fadiga material e política que se insinua nas capitais ocidentais coloca em risco a sustentabilidade dessa barreira de contenção à tirania russa.
O Dragão Asiático e a Armadilha de Tucídides
No flanco asiático, o desafio é substancialmente mais robusto e estrutural. A China de Xi Jinping abandonou em definitivo o pragmatismo prudente de Deng Xiaoping — sintetizado na máxima de "esconder a capacidade e esperar o momento oportuno" — para adotar uma postura abertamente assertiva, quando não agressiva. A militarização do Mar do Sul da China, a asfixia definitiva das liberdades democráticas em Hong Kong e a retórica crescentemente belicosa em relação a Taiwan configuram um quadro de alta periculosidade para a estabilidade do Indo-Pacífico.
A China utiliza seu formidável poderio econômico e financeiro, magnificado por iniciativas de cunho nitidamente mercantilista e geopolítico como a Belt and Road Initiative (a Nova Rota da Seda), para criar laços de dependência assimétrica no Sul Global, transformando nações soberanas em satélites de seus interesses estratégicos. A ilusão de que a inserção da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 conduziria a uma liberalização política concomitante foi sepultada pelo fortalecimento de um capitalismo de Estado autoritário e tecnologicamente totalitário. O confronto multidimensional entre Washington e Pequim — que abrange desde a supremacia tecnológica em semicondutores e inteligência artificial até a dissuasão militar convencional — estabelece a polaridade dominante do nosso tempo, reeditando, sob vestes tecnológicas, a clássica Armadilha de Tucídides.
O Polvorinho do Oriente Médio e a Teocracia Persa
Ao movermos o foco para o Oriente Médio, deparamo-nos com um cenário de
fragmentação e conflito agudizado pelas ambições hegemônicas regionais do Irã. A
teocracia dos aiatolás opera como o principal fator de instabilidade na região, financiando, armando e coordenando uma rede de milícias e grupos terroristas que atuam como procuradores (proxies) de Teerã: o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e várias facções xiitas no Iraque e na Síria.
O trágico ataque terrorista contra o Estado de Israel desencadeou uma reação em cadeia cujos desdobramentos continuam a ameaçar a segurança global e a estabilidade dos fluxos de comércio marítimo no Mar Vermelho. A resposta militar israelense, legítima em seu princípio de autodefesa, mas politicamente complexa e militarmente desgastante, evidencia a ausência de uma arquitetura regional de segurança sustentável. Os Acordos de Abraão, que representavam uma promissora via de normalização diplomática entre Israel e as monarquias sunitas do Golfo sob o signo do pragmatismo econômico, foram temporariamente colocados em banho-maria pela estratégia iraniana de sabotagem deliberada da estabilidade regional. O espectro de uma escalada nuclear por parte de Teerã paira como uma espada de Dâmocles sobre o sistema internacional, diante da fragilidade dos mecanismos multilaterais de monitoramento.
A Crise das Democracias Ocidentais e a Ascensão do Populismo
Não seria correto, todavia, atribuir a responsabilidade pela desordem global exclusivamente aos atores autocráticos externos. A ordem liberal padece de graves enfermidades endógenas. Assistimos, nas próprias entranhas do Ocidente, a uma crise de legitimidade e de funcionamento das instituições democráticas, solapadas pelo flagelo do populismo de extração tanto esquerdista quanto direitista.
Nos Estados Unidos, a polarização política extrema e a persistência de correntes
isolacionistas e transacionais no debate eleitoral enfraquecem a credibilidade das garantias de segurança americanas junto aos seus aliados tradicionais. Na Europa, a ascensão de partidos eurocéticos e xenófobos reflete o mal-estar de sociedades confrontadas com fluxos migratórios desordenados, estagnação econômica relativa e a incapacidade dos governos social-democratas ou democratas-cristãos tradicionais de oferecer respostas eficazes aos desafios da globalização. Uma civilização que duvida de seus próprios valores fundamentais — a tolerância, o debate racional, o pluralismo político e a liberdade de expressão — encontra-se em desvantagem intrínseca diante de regimes autocráticos que operam com a brutal coerção e o planejamento de longo prazo.
O Equívoco da Diplomacia Brasileira: O "Não-Alinhamento" como Cumplicidade
É imperativo, neste ponto da nossa exposição, lançar um olhar crítico sobre a inserção
internacional do Brasil diante desse tabuleiro convulsionado. A política externa brasileira recente tem capitulado, de forma lamentável, a um viés ideológico anacrônico, disfarçado sob o manto de uma suposta "autonomia pela diversificação" ou de um "não-alinhamento pragmático". Ao buscar uma equidistância imoral entre democracias consolidadas e ditaduras sanguinárias, a diplomacia brasileira apequena-se e trai as suas melhores tradições históricas, que sempre primaram pela defesa do direito internacional, da solução pacífica das controvérsias e do respeito aos direitos humanos.
A postura ambígua de Brasília em relação à agressão russa na Ucrânia, a condescendência inaceitável com a ditadura na Venezuela de Nicolás Maduro — que
fraudou descaradamente o processo eleitoral para se perpetuar no poder —, e o
alinhamento retórico automático com as narrativas do Sul Global que diabolizam o
Ocidente revelam uma incompreensão profunda das dinâmicas reais do poder mundial. O engajamento acrítico no agrupamento BRICS, especialmente após a sua expansão para incluir países de credenciais democráticas nulas ou duvidosas, arrisca transformar o Brasil em linha de frente de um bloco antiocidental liderado por Pequim e Moscou. O verdadeiro interesse nacional de uma democracia ocidental, capitalista e pluralista como o Brasil reside na defesa e no fortalecimento das regras da ordem internacional liberal, e não na sua demolição em proveito de tiranos orientais ou caudilhos caribenhos.
Considerações Finais: A Necessidade de um Realismo Iluminista
Em suma, o cenário geopolítico contemporâneo caracteriza-se por uma perigosa transição de poder sem que haja regras claras para arbitrar os conflitos emergentes. As Nações Unidas, paralisadas pelo direito de veto no Conselho de Segurança, converteram-se em uma arena de debates estéreis e impotência institucional. A governança econômica global, representada pelo G20, fragmenta-se em meio ao avanço do protecionismo, do nacionalismo econômico e das sanções unilaterais.
Para navegar nesse oceano de incertezas, faz-se mister abandonar as quimeras utópicas e o voluntarismo ingênuo. A preservação da paz e da prosperidade internacional exige o resgate de um realismo iluminista: o reconhecimento de que o poder deve ser equilibrado pelo poder, mas sempre sob a égide de valores universais que dignifiquem a condição humana. Sem a firme determinação das democracias ocidentais em defender suas sociedades abertas e suas instituições de mercado contra os assaltos do autoritarismo e da barbárie populista, o mundo arrisca mergulhar em uma nova Idade das Trevas geopolítica, onde a força bruta ditará o direito e a razão será silenciada pelo clangor das armas.
sábado, 15 de agosto de 2026
O que leva a Rússia a invadir, a dominar, a massacrar os vizinhos?
From: Pour la Liberté de l’Ukraine, pour la nôtre
"la Russie n'est pas notre ennemi", célèbre mantra de nos chers trolls.
La vérité est tout autre et ce déjà bien avant l'invasion de l'Ukraine
AVANT 2022 :
Bien avant le déclenchement de l'invasion à grande échelle de l'Ukraine en février 2022, Moscou menait déjà une stratégie d'ingérence et de guerre hybride active pour diviser, affaiblir et déstabiliser les pays membres de l'Union européenne.
🔸 Infiltrations informatiques et cyberattaques
* Attaques par déni de service et espionnage : Dès 2007, l'Estonie subit la première cyberattaque massive d'État attribuée à la Russie.
* Piratages institutionnels : En 2015, le groupe de hackers russes Fancy Bear (lié au GRU) a totalement paralysé le réseau informatique du Bundestag allemand. Des fuites ciblées de courriels d'hommes politiques européens ont régulièrement été orchestrées.
🔸Désinformation et manipulations d'opinions
* Réseaux sociaux et médias d'État : Utilisation de fermes de trolls et d'outils comme RT et Sputnik pour propager des récits complotistes ou anti-UE et amplifier la polarisation sociétale (crise des gilets jaunes, gestion du Covid-19).
* Interférences électorales : Campagnes d'influence identifiées lors du référendum sur le Brexit en 2016, de la présidentielle française de 2017 (MacronLeaks) ou des élections européennes de 2019.
🔸 Financement de mouvements politiques et corruption
* Soutien aux partis d'extrême droite et d'extrême gauche : Dons, prêts bancaires (ex: le prêt accordé au Front National en France) et voyages d'affaires offerts à des responsables politiques eurosceptiques.
* Réseaux d'influence "Elite Capture" : Recrutement d'anciens dirigeants européens dans des conseils d'administration de géants énergétiques russes (ex: Gerhard Schröder chez Rosneft/Nord Stream, François Fillon chez Sibur).
Opérations clandestines et éliminations ciblées
* Assassinats sur le sol européen : Empoisonnement au Novitchok de l'ancien agent Sergueï Skripal au Royaume-Uni (2018), assassinat d'un opposant tchétchène en plein Berlin (2019).
* Sabotages d'infrastructures : Explosions de dépôts de munitions à Vrbětice en République tchèque (2014) par l'unité 29155 du GRU.
🔸Pression énergétique et chantages migratoires
* Mise sous tension du marché gazier : Réductions délibérées des approvisionnements ou manipulation des stocks de gaz avant 2022 pour peser sur les prix.
* Instrumentalisation de flux migratoires : Soutien à la Biélorussie fin 2021 pour acheminer des migrants aux frontières de la Pologne et de la Lituanie afin de créer une crise humanitaire et politique à l'est de l'UE.
Analyse des attaques hybrides russes en Europe
DEPUIS 2022
Depuis février 2022, les ingérences russes au sein de l'Union européenne ont changé d'échelle : Moscou est passé d'une stratégie d'influence clandestine et politique à une guerre hybride directe, agressive et décomplexée :
🔸Sabotages physiques et actes de violence
Les services de renseignement russes (principalement le GRU) sont accusés de recourir massivement au recrutement d'intermédiaires ou de « petites mains » locales sur Telegram pour mener des opérations clandestines sur le sol européen :
* Tentatives d'assassinats ciblés : Déjouement en 2024 d'un complot visant à assassiner Armin Papperger, le PDG du géant de la défense allemand Rheinmetall.
* Incendies et colis piégés : Attaques criminelles contre des dépôts de matériel destiné à l'Ukraine, des usines ou des centres logistiques (notamment en Allemagne, en Pologne, au Royaume-Uni et dans les pays baltes).
* Atteintes aux infrastructures critiques : Sabotage du gazoduc Balticconnector et coupures de câbles sous-marins de télécommunication en mer Baltique.
🔸Brouillage de navigation et provocations maritimes
* Brouillage GPS massif : Perturbations répétées et à grande échelle des signaux de géolocalisation au-dessus de la mer Baltique, affectant des milliers de vols civils, le trafic maritime et les vols de dirigeants européens dans la région.
* Test des frontières : Retrait unilatéral de balises frontalières sur le fleuve Narva (Estonie) et tentatives de révision des frontières maritimes en Baltique.
🔸Guerre de l'information et opération « Doppelgänger »
* Usurpation de médias officiels (Doppelgänger) : Création de réseaux de faux sites miroir imitant à la perfection de grands journaux européens (Le Monde, Der Spiegel, El País) pour propager de fausses informations sur le coût du soutien à l'Ukraine.
* Opérations de déstabilisation sociétale : Actions visant à attiser les tensions identitaires ou communautaires, comme l'affaire des Étoiles de David taguées à Paris ou les faux cercueils déposés au pied de la Tour Eiffel.
* Ingérences électorales : Campagnes intensives de cyber-manipulation lors des élections européennes de juin 2024 et des scrutins nationaux.
🔸 Cyberattaques et piratages
* Attaques par déni de service (DDoS) : Hacktivistes pro-russes (groupes comme Killnet ou NoName57(16)) paralysant temporairement les sites de ministères, de banques, d'aéroports ou de parlements européens.
* Espionnage d'État : Infiltrations d'infrastructures sensibles et d'entreprises de défense pour voler des données de livraison d'armes ou perturber la logistique militaire.
🔸Weaponisation des flux migratoires
* Pression aux frontières de l'Est : Acheminement délibéré de migrants sans visat vers les frontières de la Finlande, de la Pologne, de la Lituanie et de la Norvège pour forcer la fermeture des postes-frontières et provoquer des tensions politiques internes.
A próxima crise existencial russa: 1917 ou 1918? - um informe embasado em dados - Andrei Klepach (Moscow Times)
O principal banco estatal do Kremlin previu a derrota da Rússia na guerra "de desgaste econômico" contra o Ocidente.
From Moscow Times, 14/08/2026
A Rússia não vencerá a competição em uma guerra "de desgaste econômico" enquanto a Ucrânia se beneficia do apoio ocidental. Foi isso que Andrei Klepach, o principal economista do Vnesheconombank (VEB.RF), o principal banco estatal russo, financiando projetos nacionais e uma "companhia de desenvolvimento estatal", disse durante uma sessão do Nikitsky Club.
De acordo com Klepach, os custos para a economia russa por causa dos sanções e o bloqueio ocidental estão aumentando, e o dano causado pelos ataques ucranianos em portos, infraestrutura, refinarias químicas e de petróleo está piorando, e a Rússia está a atrasar-se ainda mais em termos de desenvolvimento tecnológico.
Estamos a atrasar-nos. Estamos a perder a competição global tecnológica e econômica. E, como já disse, não somos apenas distantes da China e dos Estados Unidos, mas também, de uma forma, da Ucrânia. A economia ucraniana, claro, está parcialmente destruída; é uma desgraça demográfica. Mas, mais uma vez, a economia ucraniana, apesar de tudo, sobrevive. Claro, beneficia de uma ajuda financeira considerável <...> Esta ajuda, destinada a gastos militares e aos próprios gastos, representa quase 50% do nosso orçamento, "Klepach disse. "Não vamos vencer esta guerra de desgaste. Estamos a atrasar-nos. Continuamos a aumentar os nossos custos."
Ele recordou que, após o boom militar de 2023-2024, a economia russa entrou em recessão, com uma queda brusca de investimentos e um atraso neto nas indústrias civis, desde a aviação até à produção de materiais para a indústria, através da indústria leve e da agroalimentação. A situação está agravada pela política monetária extremamente restritiva da Federação Russa, que, de acordo com Klepach, é responsável pelo menos pela metade do nosso orçamento.
"O conflito na Ucrânia, no qual o NATO está envolvido, tem sido prolongado há muito tempo e não tem um fim de vista. As duas partes estão intensificando seus ataques, incluindo contra suas respectivas economias. As perdas causadas pelos ataques militares ucranianos contra nossa infraestrutura, portos, instalações de petróleo e gás, plantas químicas e logística, já estão acumulando-se e constituem um importante freio macroeconômico no crescimento econômico russo", disse Klepach.
"A reforço das sanções dos EUA no final de 2025 levou a Índia e a China a reduzir suas compras de petróleo russo, apesar de suas repetidas declarações de não respeitar as sanções", ele recordou. Dado a provável nova onda de sanções e as "perdas crescentes devido aos ataques das forças armadas", a potencial taxa de crescimento econômico da Rússia não poderia superar 1 a 1,5%.
Segundo Klepach, tudo isso inevitavelmente levará a Rússia a uma "crise social", e esta "em um momento em que ninguém espera particularmente".
"Mas ninguém esperava a Revolução de Fevereiro, lembro-lhe. Lenin escreveu em dezembro de 1916: 'Não veremos isso', mas ele o experimentou alguns meses depois. A situação na União Soviética em 1999, a qual nos preparamos há muito tempo, e todos entenderam que estávamos a caminho de uma crise, mas o colapso da União não foi inevitável", disse Klepach.
"Creio que a Rússia não vai colapsar, mas estou quase certo de que alcançaremos uma crise social. Não vamos colapsar economicamente, mas o nosso atraso criará, com todas as consequências que envolvem, limites à nossa capacidade de produção", concluiu.
Fonte 🇷🇺
https://ru.themoscowtimes.com/2026/08/14/vglavnom-gosbanke-kremlya-sprognozirovali-porazhenie-rossii-vekonomicheskoi-voine-naistoschenie-szapadom-a203552
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💡 As observações de Klepach são consistentes com as análises compartilhadas por muitos economistas e instituições internacionais:
O excesso de energia, seguido pelo desaceleramento: Após o forte estímulo fiscal relacionado ao gasto militar em 2023–2024, a economia russa está enfrentando os limites da sua capacidade de produção (falta de mão de obra, taxas de juros muito altas da Central Bank of Russia para conter a inflação, contratação civil).
O impacto das sanções e dos ataques na infraestrutura: Interrupções logísticas, o aumento do custo de contornar as sanções e os danos às refinarias e aos depósitos de petróleo afetam diretamente a rentabilidade dos exportações de energia e a indústria pesada.
Atraso tecnológico: A desconexão com as tecnologias ocidentais e a aumentada dependência da China criam um desequilíbrio estrutural de longo prazo.
As informações relatadas pelo Moscow Times, portanto, são credíveis e consistentes. Não refletem desacordo político (A. Klepach continua a ser um alto funcionário do sistema), mas ilustram a real preocupação da tecnocracia econômica russa diante da impossibilidade de manter uma economia de guerra de forma indeterminada, combinada com o desgaste da infraestrutura russa.
#Russia #Ukraine
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
A vergonhosa posição dos governos brasileiros em relação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia Paulo Roberto de Almeida
A vergonhosa posição dos governos brasileiros em relação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor
Nota sobre a inaceitável postura dos governos brasileiros (Bolsonaro e Lula 3) de apoio objetivo a Putin nos seus crimes de guerra e contra a humanidade no caso da Ucrânia.
A Rússia de Putin comete atrocidades contra a população ucraniana todos os dias, na mais completa indiferença dos governos brasileiros desde o início da guerra de agressão.
O apoio objetivo do Brasil à Rússia não começou em 24 de fevereiro de 2022, quando dezenas de milhares de soldados russos marcharam em diversas frentes a partir da Rússia e da Belarus, com intenção de decapitar o seu governo, conquistar a capital Kiyv e submeter todo o território ucraniano à dominação do imperialismo russo. Essa postura complacente com a violação da soberania ucraniana começou em fevereiro de 2014, quando o governo petista de Dilma Rousseff se recusou a considerar a invasão e a anexação ilegais da península ucraniana da Crimeia como uma violação da Carta da ONU e uma flagrante infração ao Direito Internacional, sob a equivocada justificativa de que se tratava de “uma questão interna da Ucrânia”, como declarou a presidente.
Seja o governo Dilma, seja o governo Temer continuaram mantendo relações normais com a Rússia, eximindo-se de introduzir sanções contra o Estado agressor, como o fizeram todos os Estados que seguiram a letra e o espírito da Carta da ONU, cujos artigos mais relevantes comandam não apenas a condenação do ato ilegal, mas também a solidariedade com o Estado agredido, o que implica justamente a introdução de sanções políticas e econômicas contra o Estado agressor.
O governo de Jair Bolsonaro, que tomou posse em 2019, reincidiu no apoio objetivo e reiterado à agressão russa, e fez pior: intensificou as importações de combustíveis e fertilizantes, por razões eleitoreiras e o chefe de Estado ainda tomou a iniciativa de visitar pessoalmente o ditador russo uma semana antes do início da invasão total da Ucrânia, em fevereiro de 2022, contra as recomendações da diplomacia profissional para que essa viagem fosse feita. Bolsonaro não só viajou à Rússia, como ainda declarou seu apoio ao tirano de Moscou. Na própria invasão, a representação brasileira em Nova York seguiu as instruções da SERE em Brasília no sentido de conceder uma aprovação formal da Assembleia Geral — uma vez que o CSNU estava paralisado pelo veto russo —, condenando a ação russa, mas evitando distinguir entre agressor e agredido e recomendando que as partes envidassem esforços diplomáticos para a cessação do conflito, como se as partes fossem equivalentes. Bolsonaro continuou importando combustível e fertilizantes e seu governo não seguiu nenhuma das medidas sancionadoras adotadas pelos países que respeitam a Carta da ONU e o Direito Internacional.
Lula, desde a candidatura à presidência em 2022, já declarava seu apoio ao ditador de Moscou e recomendava, em 2023, que a Ucrânia cedesse terreno em troca da paz. Em diversas outras ocasiões o presidente e seu assessor internacional reproduziram o apoio político do Brasil, inclusive em termos práticos, ao aumentar de forma exponencial as importações brasileiras de produtos russos, de óleo e fertilizantes. Ao longo dos últimos cinco anos do conflito, a despeito de um oferecimento para mediar, junto com a China, negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, o governo Lula tem, ostensivamente, denegado sancionar a Rússia pela sua violação da Carta da ONU. Nesse intervalo de tempo, o projeto do Brics também aumentou exponencialmente, com a inclusão de novos membros, geralmente Estados autoritários. Lula visitou pessoalmente Putin, convidou-o a vir ao Brasil, ignorando completamente o mandado de prisão contra o ditador russo pelo TPI, pelo sequestro de crianças.
Em todo o período, não existe uma única nota do Itamaraty condenando os ataques russos contra alvos civis ucranianos, sequer como solidariedade pela perda de vidas e destruição de sites culturais. Desde 2014, a postura brasileira tem sido de apoio objetivo à causa russa, o que é propriamente vergonhoso.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5426: 10 agosto 2026, 2 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/a-vergonhosa-posicao-dos-governos.html)
domingo, 9 de agosto de 2026
Programa do PT para a reeleição de Lula (Agência Lusa)
Programa da coligação de Lula da Silva para a reeleição com foco na soberania e segurança
Combate às desigualdades, sejam regionais, sociais, raciais ou de género, a defesa da vida das mulheres e continuar a fortalecer a economia são também prioridades no programa.
A coligação que apresenta Lula da Silva como candidato à reeleição como Presidente do Brasil revelou este sábado o seu programa eleitoral, definindo como prioridades a defesa da soberania e da democracia, a modernização do Estado e a segurança.

O combate às desigualdades, sejam regionais, sociais, raciais ou de género, a defesa da vida das mulheres e continuar a fortalecer a economia, para ampliar investimentos em educação, saúde e infraestruturas, são também prioridades no programa, estruturado em 13 eixos.
A coligação é formada por sete partidos e liderada pelo Partido Trabalhista (PT), de Luiz Lula da Silva, que repete a dupla com o vice-presnete, Geraldo Alckmin, na candidatura às eleições que se realizam em outubro.
No documento, de 84 páginas, o tema da política externa ganha também destaque, e sem citar a crise diplomática com os Estados Unidos, diz que o Brasil deve reafirmar a sua “soberania e preservar a sua capacidade de fazer escolhas políticas e económicas de forma independente” de acordo com os seus interesses e “sem qualquer tipo de subordinação estratégica”.
Nesse contexto, a coligação quer aprofundar a aproximação geopolítica com o grupo BRICS (de que o Brasil é fundador, juntamente com Rússia, Índia, China e África do Sul e que entretanto se alargou a 11 membros) e com o sul global.
Nas diretrizes programáticas, surge em primeiro lugar “fortalecer a Democracia, a participação social e modernizar o Estado”, lembrando que o atual mandato de Lula da Silva começou com um ataque aos símbolos do poder, em Brasília.
No eixo do combate às desigualdades, o programa defende “justiça tributária e fortalecimento do Estado” fazendo um longo relato do que considera terem sido êxitos deste mandato.
Referindo a “recuperação do papel do Brasil no mundo”, no documento refere-se que a economia brasileira “passou a crescer em torno de 3% ao ano, retomando o seu posto entre as 10 maiores economias do mundo. De acordo com o FMI, o Brasil terá crescimento no período 2023-2026 acima da média da América Latina”.
A coligação liderada pelo partido de Lula diz que quer continuar a “aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social para quem mais necessita”, depois de ter voltado ao governo “em 2023 para reconstruir o Estado, retomar políticas públicas, recuperar o crescimento económico, reduzir desigualdades, recompor o protagonismo internacional e reconstruir a presença do Brasil no mundo”.
“Proteger a vida com uma segurança pública mais eficiente e integrada” é outra das promessas, assegurando “a presença do Estado onde a violência e o crime organizado tentam impor o medo e controlar territórios”.
Nos 13 eixos definidos cabem ainda “fortalecer a saúde”, nomeadamente com mais programas de vacinação e proteção da saúde da mulher, e ainda ampliar o acesso à cultura e ao desporto.
O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou há uma semana o Presidente brasileiro, Lula da Silva, como candidato à reeleição, num cenário em que lidera as intenções de voto nas eleições gerais, segundo as principais sondagens do país.
Aos 80 anos, Lula da Silva concorre a um quarto mandato, não consecutivo, tendo como principal adversário nas urnas o senador e candidato do Partido Liberal (PL) Flávio Bolsonaro de 45 anos, filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro.
Lula fundou, em 1980, o PT, e entrou na vida pública como líder de um sindicato de metalúrgicos em São Paulo, tendo liderado greves históricas de trabalhadores do país na década de 1970, sendo preso pelo regime militar.
Desde que assumiu o terceiro mandato, em 2023, Lula tem sido crítico do próprio PT e da esquerda brasileira, por entender que direita e grupos conservadores aproximaram-se de forma mais eficaz da sociedade brasileira na última década.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Mais uma indignidade diplomática do chefe de Estado - Paulo Roberto de Almeida
Sou obrigado a manifestar minha total contrariedade em relação à postura vergonhosa do chefe de Estado e da diplomacia do Brasil, a qual tive a honra de servir por mais de 44 anos, no tocante e essa solidariedade a um criminoso de guerra dos mais horripilantes.
A nota abaixo do presidente Lula é de uma indignidade tal que duvido que algum diplomata de bom senso teria coragem de redigir. Ao mencionar sua “decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos” atuais, o chefe de Estado e da diplomacia brasileira passa por cima do fato que a Rússia de Putin deu início a uma guerra de agressão contra um Estado soberano, violou a Carta da ONU e perpetra CRIMES DE GUERRA, pelos ataques à população civil, e CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, pelo sequestro de crianças ucranianas, e que por isso é procurado pelo TPI. Nada disso incomoda o dirigente petista, que ainda pretende sustentar o esforço de guerra russo ao mencionar o desejo de continuar expandindo as importações brasileiras de fertilizantes e combustíveis russos.
Sinto-me envergonhado (e não é a primeira vez) por uma postura indigna das tradições diplomáticas brasileiras.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7/08/2026
Nota da PR:
“Conversei na manhã desta terça-feira, 4 de agosto, com o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. No telefonema de cerca de uma hora, repassamos os principais temas da agenda bilateral, com destaque para as reuniões que ocorreram este ano, em Brasília, no âmbito da Comissão de Alto Nível (CAN) e da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC).
Reforçamos o caráter estratégico das relações Brasil-Rússia e a intenção de intensificar a cooperação em temas como energia, ciência e tecnologia e na área naval. Sublinhei a importância do comércio entre os dois países, com ênfase especial no fornecimento de diesel e fertilizantes.
Também ressaltei a necessidade de buscar maior equilíbrio no intercâmbio comercial, com aumento das exportações brasileiras para a Rússia.
Discutimos também a situação geopolítica atual. Expressei decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos e sublinhei a importância do diálogo entre as grandes potências em busca da paz.
Nesse contexto, ressaltei os aspectos humanitários dos conflitos e lamentei a perda de vidas humanas, inclusive civis. Expressamos determinação de continuar trabalhando conjuntamente nos foros internacionais, especialmente no BRICS, cujo papel no atual cenário internacional foi enfatizado.
Concordamos também quanto ao valor do multilateralismo, baseado em um mundo multipolar. Mencionei a eleição para o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas, reiterando o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
A reforma da Carta da ONU e a ampliação do seu Conselho de Segurança: um sonho impossível? - artigo de Ljubo Runjic (Brazilian Journal of International Law)
A reforma da Carta da ONU e a ampliação do seu Conselho de Segurança: um sonho impossível? - artigo de Ljubo Runjic (Brazilian Journal of International Law)
Em 2017 fui convidado para efetuar um parecer sobre um artigo bastante importante em torno dos projetos de reforma da Carta da ONU, visando especificamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou seja, sua ampliação e incorporação de novos membros. A despeito de muita discussão desde quando o assunto foi incluído na agenda da Assembleia Geral, em 1992, o tema nunca progrediu como esperado pelos eventuais candidatos, entre eles o Brasil, em função, obviamente, da oposição dos cinco membros permanentes. Não se pode dizer que o assunto continue na pauta depois da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, desde 2014 (na Crimeia) e amplamente desde 2022, e também depois da mudança de política externa do governo Trump nos EUA, em seus dois mandatos (2017-2020 e 2025-20??), com uma orientacão baseada na forca bruta, em lugar do diálogo multilateral. O artigo foi este aqui:
Reform of the United Nations Security Council: The Emperor Has No Clothes
Brazilian Journal of International Law, v. 14, n. 2, 2017
23 Pages Posted: 7 Nov 2017
Ljubo Runjic
Polytechnic of Sibenik
Date Written: November 1, 2017
Abstract:
Although the United Nations General Assembly included the issue of the Security Council's reform on its agenda in 1992, the negotiations on this vital issue haven't broken the impasse even after a quarter of a century. At the same time we have testified to a series of major armed conflicts worldwide. This article emphasizes the need for an urgent reform of the Security Council, i.e. unacceptability of its further postponement, because the Council has largely failed in performing its main function – maintenance of international peace and security. Furthermore, the Security Council has no longer the necessary credibility, legitimacy and representativeness for the enactment and implementation of key decisions. The article analyzes key issues of the reform of the Security Council and proposes some possible solutions regarding the composition of the Council and the issue of veto. Finally, the article reviews the unsuccessful efforts to reform the Council with a special emphasis on the events on the eve of the 70th anniversary of the United Nations.
Keywords: United Nations, Security Council, reform
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JEL Classification: K33
Suggested Citation:
Runjic, Ljubo, Reform of the United Nations Security Council: The Emperor Has No Clothes (November 1, 2017). Brazilian Journal of International Law, v. 14, n. 2, 2017, Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3065295
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
A busca de uma democracia liberal plena pode nos entregar à mesma direita autoritária e submissa da fase recente - Paulo Roberto de Almeida
Primeiro Augusto de Franco:
“ Pessoal, bom dia. O Brasil não é uma democracia liberal ou plena. Mas é uma democracia (eleitoral) e flawed (defeituosa). Dois dos principais institutos que monitoram os regimes políticos no mundo (o V-Dem e a The Economist Intelligence Unit) dizem isso. É preciso partir dessa constatação para avaliar nossa situação política e divisar as tarefas dos democratas. Se o Brasil já fosse uma ditadura (autocracia eleitoral ou autocracia fechada, regime híbrido ou autoritário) então tudo mudaria de figura e as oposições não teriam razões para obedecer as leis e acatar as decisões das instituições. Agora é preciso ver que somos uma democracia não-liberal ou não-plena em processo de transição autocratizante, seja por via do golpismo (do nacional-populismo bolsonarista), seja por via do hegemonismo (do neopopulismo lulopetista). Hoje o golpismo (a ruptura ou quebra do arcabouço legal-institucional) tem menos chances de acontecer do que o hegemonismo (a ocupação das instituições para colocá-las a serviço de um partido). Portanto, o risco maior para a democracia (liberal ou plena), no Brasil de hoje, é a continuidade do processo de conquista de hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo partido para se prorrogar no governo indefinidamente, ganhando tempo para alterar, "por dentro", o DNA da democracia (transformando-a em cidadania para "o povo" ofertada pelo líder populista ou seu partido e alçando a noção de soberania nacional como um valor acima da democracia como valor universal). É esta via, atualmente mais perigosa, que está alinhando o Brasil ao eixo autocrático (Rússia, China, Irã et coetera) que trava uma netwar contra as democracias liberais.”
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Agora Paulo Roberto de Almeida:
Creio que Augusto de Franco se engana mais uma vez: a alternativa ao hegemonismo da esquerda na atualidade não é o liberalismo socialdemocrático que todos alvejamos, mas sim a continuidade do patrimonialismo oligárquico dos últimos cinco séculos, com a probabilidade de termos um governo reacionário e submisso a uma potência estrangeira. O golpismo pode não ser um putsch, e sim a continuidade da mediocridade.
Paulo Roberto de Almeida
O que aconteceu em Ceuta não foi uma migração espontânea e sim um episódio de guerra hibrida - Paulo Roberto de Almeida
O que aconteceu em Ceuta não foi uma migração espontânea e sim um episódio de guerra híbrida
Paulo Roberto de Almeida
Movimentos aparentemente de “massa” podem ser criados por organizações criminosas ou resultar da ação deliberada de governos por razões politicas ou “geopoliticas”.
Ao inicio da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, o governo de Putin induziu seu vassalo e serviçal da Belarus, o ditador Lukashenko, a pressionar a UE, na fronteira com a Polônia, pela “remessa” de pacotes de estrangeiros indocumentados, geralmente africanos ou asiáticos, que viviam na Rússia a ingressarem ilegalmente pelas fronteiras do território polonês com a Belarus.
Em Ceuta se tratou do governo Trump 2, em conluio com a monarquia marroquina, a “enviar” pacotes de jovens marroquinos e outros estrangeiros vivendo no Marrocos a pressionar o governo da Espanha, hostilizado por Trump por sua politica contrária à guerra de agressão israelo-americana contra a República teocrática do Irã.
Movimentos migratórios espontâneos não possuem as características que assumiram nas fronteiras polonesas e em Ceuta. Trata-se de “guerra híbrida”, por motivos alheios ou externos aos cenários diretamente envolvidos.
Putin e Trump, este subordinado ao primeiro, são “irmãos gêmeos” na violação do Direito Internacional e do direito humanitário.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 3/08/2026
Billet: Poutine piégé par son propre système - Maxime Marquette (Votre Dose Quotidienne) - Seguido por análise de Madame IA

Un système bâti sur le mensonge
La corruption dans les forces armées russes n’est pas un phénomène nouveau, mais elle a atteint sous Poutine des proportions proprement sidérantes qui auraient dû alerter les observateurs bien avant le premier coup de canon. Les pratiques qui auraient valu des procès en cour martiale dans n’importe quelle armée professionnelle sont devenues la norme institutionnelle en Russie, où chaque maillon de la chaîne logistique représente une opportunité de gain personnel aux dépens de l’efficacité militaire. Cette corruption n’épargne aucun secteur, du simple soldat qui revend son carburant sur le marché noir aux généraux qui siphonnent les budgets d’équipement pour s’offrir des dachas luxueuses et des comptes en Suisse.
Les témoignages recueillis depuis le début du conflit sont éloquents sur l’étendue du désastre. Des colonnes entières de véhicules se sont retrouvées à court de carburant à quelques dizaines de kilomètres de leur base de départ, non pas parce que les réserves n’existaient pas, mais parce que les officiers responsables de la logistique avaient revendu le précieux liquide bien avant que les premiers chars ne prennent la route. Des unités d’élite censées bénéficier des meilleurs équipements se sont retrouvées avec des gilets pare-balles expirés, des jumelles de vision nocturne inopérantes et des systèmes de communication incapables de fonctionner au-delà de quelques centaines de mètres. L’argent était là, alloué par le budget de l’État, mais il n’a jamais atteint sa destination finale, dévoré par une clique de profiteurs qui prospèrent sur l’incompétence généralisée.
Cette corruption généralisée n’est pas qu’une simple question d’argent détourné, elle représente une trahison envers chaque soldat envoyé au front avec un équipement défaillant, chaque famille qui attend le retour d’un proche parti se battre avec des armes inférieures à celles promises. Le système russe a sacrifié ses propres enfants sur l’autel du profit personnel, et c’est peut-être le crime le plus impardonnable de cette guerre.
Les conséquences mortelles sur le terrain
L’impact de cette prédation institutionnalisée se mesure en vies humaines sur le terrain ukrainien. Les rapports font état de soldats russes contraints de pourchasser les pigeons pour se nourrir, de vider les fermes environnantes de leurs animaux pour éviter la famine, pendant que les officiers supérieurs continuaient de profiter des confortables allocations de terrain. Cette situation grotesque rappelle les pires moments des campagnes napoléoniennes, sauf que Napoléon avait au moins l’excuse de la distance et de l’hostilité du terrain, tandis que les forces russes opèrent à quelques centaines de kilomètres de leurs bases, sur un territoire dont les infrastructures n’ont pas été totalement détruites.
Logistique et approvisionnement : le talon d'Achille mortel

Une chaîne d’approvisionnement brisée
La logistique militaire est souvent décrite comme l’art de faire arriver les bonnes choses au bon endroit au bon moment, et c’est précisément dans cet art que l’armée russe a brillé par son incompétence totale. Les rapports des instituts de recherche occidentaux, notamment le Chatham House et le Royal United Services Institute, ont documenté avec précision l’effondrement progressif de la capacité russe à maintenir ses lignes d’approvisionnement. Ce qui devrait être la base fondamentale de toute opération militaire moderne s’est transformé en un casse-tête insurmontable pour un État qui prétendait pouvoir projeter sa puissance sur plusieurs continents.
Les problèmes logistiques russes s’inscrivent dans une tradition historique de négligence organisationnelle, mais ils ont été considérablement aggravés par les sanctions internationales qui ont privé l’industrie militaire russe de composants essentiels. Les chaînes de production d’équipements de haute technologie dépendaient massivement d’importations occidentales que Moscou ne peut plus se procurer légalement. Cette dépendance, jamais admise publiquement, a révélé au grand jour l’incapacité de l’industrie russe à produire de manière autonome les composants électroniques, les systèmes optiques et les matériaux avancés nécessaires aux armements modernes. Les usines tournent au ralenti, les ingénieurs qualifiés fuient le pays, et les tentatives de contourner les sanctions par des circuits parallèles ne suffisent pas à combler les besoins.
Il y a une ironie cruelle à voir la Russie, héritière d’une industrie militaire soviétique qui fut jadis l’envie du monde entier, réduite à mendier des drones iraniens et des munitions nord-coréennes pour maintenir son effort de guerre. Le géant aux pieds d’argile n’a jamais été aussi fragile, et chaque mois qui passe révèle de nouvelles fissures dans une structure que la propagande s’acharnait à présenter comme indestructible.
Le piège de l’attrition
La stratégie russe s’est progressivement enlisée dans une guerre d’attrition que Moscou n’avait absolument pas anticipée et pour laquelle elle n’était pas préparée. Les planificateurs militaires russes avaient conçu leurs opérations pour un conflit court, intense, se terminant par une victoire rapide qui aurait légitimé l’ensemble de l’entreprise aux yeux de la population et de la communauté internationale. Au lieu de cela, l’armée russe se retrouve engagée dans une guerre de positions qui épuise ses ressources humaines et matérielles à un rythme insoutenable, sans perspective de percée décisive. Cette transformation d’un conflit censé être éclair en une guerre d’usure interminable représente l’un des plus graves échecs stratégiques de l’histoire militaire moderne.
L'échec des réformes militaires : une modernisation fantôme

Les promesses non tenues du programme 2011-2020
Le programme de modernisation lancé en 2011 devait être la pierre angulaire de la renaissance militaire russe, transformant une armée soviétique vieillissante en une force moderne capable de projeter sa puissance au-delà des frontières. Dix ans plus tard, les résultats parlent d’eux-mêmes : une grande partie des équipements présentés comme nouveaux étaient en réalité d’anciens modèles légèrement modernisés, et les systèmes véritablement innovants annoncés avec fracas restaient invisibles sur le terrain. Cette situation s’explique par la conjonction de plusieurs facteurs : la corruption endémique qui a détourné les budgets d’équipement, l’incompétence industrielle qui a retardé les programmes de développement, et le conservatisme des états-majors qui a préféré les équipements familiers aux systèmes plus performants mais moins bien maîtrisés.
Les exemples d’équipements qui n’ont jamais atteint les unités de première ligne sont légion. Les nouveaux chars T-14 Armata, présentés comme les plus avancés au monde lors des parades de la Victoire, brillent par leur absence sur le front ukrainien, leurs systèmes trop complexes et trop coûteux ayant été jugés impossibles à déployer en nombre suffisant. Les systèmes de communication modernes qui devaient permettre une coordination parfaite entre les différentes unités se sont révélés inexistants ou inopérants, obligeant les commandants à utiliser des réseaux civils facilement interceptés par les Ukrainiens. Les drones de combat qui devaient donner à la Russie une supériorité aérienne sans précédent ont été supplantés par des engins iraniens importés en urgence pour combler les lacunes d’une industrie nationale incapable de produire des plateformes compétitives.
Cette incapacité à honorer les promesses de modernisation révèle quelque chose de profondément dysfonctionnel dans le système russe : un écart permanent entre les ambitions affichées et les capacités réelles, entre la propagande et la réalité, entre ce que le pays prétend être et ce qu’il est vraiment. Ce n’est pas simplement un échec industriel ou militaire, c’est l’échec d’un modèle entier de gouvernance.
L’industrie de défense en déliquescence
Les arsenaux russes qui produisaient jadis des armes utilisées dans le monde entier traversent une crise sans précédent qui menace leur existence même. Les sanctions occidentales ont coupé l’accès aux composants essentiels, les ingénieurs qualifiés ont fui le pays par milliers, et les investissements dans la recherche et le développement ont été sacrifiés au profit d’une production de masse d’équipements obsolètes. Cette situation crée un cercle vicieux : plus l’industrie produit des équipements dépassés, moins elle est capable de développer des systèmes compétitifs, et plus l’armée dépend d’équipements qui la rendent vulnérable face à des adversaires technologiquement supérieurs.
L'impasse stratégique : une victoire impossible

L’erreur fondamentale de sous-estimation
Les experts du Royal United Services Institute ont parfaitement résumé l’erreur fondamentale du Kremlin dans leur assessment : les Russes ont surestimé leurs propres capacités tout en sous-estimant spectaculairement les Ukrainiens, aveuglés par une vision raciste et impérialiste qui considérait les Ukrainiens comme des « petits Russes », un peuple inférieur incapable de résister à la puissance militaire de leur grand voisin. Ce mépris, ancré dans des décennies de propagande impériale, a conduit à une planification désastreuse qui n’a jamais envisagé sérieusement la possibilité d’une résistance prolongée. Les opérateurs russes ont été envoyés au combat avec des ordres de ne pas tirer, convaincus que la population ukrainienne les accueillerait en libérateurs, une erreur d’appréciation qui a coûté cher en vies humaines et en équipements dès les premiers jours du conflit.
Cette erreur d’appréciation n’était pas qu’une simple question de renseignement défaillant, elle reflétait une culture institutionnelle incapable de concevoir que des peuples anciennement soumis puissent développer une identité nationale distincte et une volonté de défense farouche. Les planificateurs russes ont projeté leurs propres fantasmes impériaux sur la réalité ukrainienne, imaginant un pays divisé, une armée démotivée, une population prête à se soumettre. Chacun de ces présupposés s’est heurté à une réalité radicalement différente, transformant ce qui devait être une promenade militaire en une épreuve de force dont la Russie ne sortira pas intacte.
Cette arrogante sous-estimation de l’adversaire rappelle les pires moments de l’histoire militaire, ces moments où des puissances convaincues de leur supériorité intrinsèque se heurtent à la dure réalité d’un ennemi qui refuse de jouer le rôle qu’on lui a assigné. La résistance ukrainienne restera dans les annales comme un exemple lumineux de ce qu’un peuple déterminé peut accomplir face à un agresseur techniquement supérieur mais moralement vide.
L’impossibilité d’une victoire conventionnelle
Trois ans après le début des hostilités, la victoire conventionnelle que Poutine avait promise est devenue un objectif manifestement impossible à atteindre. L’armée russe a démontré son incapacité à percer les lignes de défense ukrainiennes de manière décisive, à maintenir des avancées territoriales significatives, ou à détruire la capacité de résistance adverse malgré des ressources théoriquement supérieures. Chaque tentative d’offensive majeure s’est soldée par des pertes considérées pour des gains territoriaux minimes, transformant le conflit en une guerre de positions où les deux camps s’épuisent sans qu’aucun ne puisse prétendre à une victoire décisive.
Les conséquences économiques : une Russie appauvrie

Le spectre de l’effondrement soviétique
Les services de renseignement ukrainiens ont dressé un parallèle saisissant entre la situation économique actuelle de la Russie et la crise qui a précédé l’effondrement de l’Union soviétique. Si l’échelle des problèmes actuels reste inférieure à celle des années 1990, la trajectoire est identique : des difficultés financières croissantes masquées par l’endettement, une économie de plus en plus dépendante de l’exportation de matières premières, une fuite des capitaux et des talents qui prive le pays de ses forces vives. Cette comparaison n’est pas qu’une simple analogie, elle reflète une réalité économique où la Russie s’engage dans une spirale de déclin qui pourrait s’avérer irréversible si les tendances actuelles se poursuivent.
Les sanctions économiques imposées par l’Occident ont accéléré un processus de marginalisation économique qui était déjà en cours avant le conflit. La Russie s’est retrouvée coupée des marchés financiers internationaux, privée d’accès aux technologies occidentales, contrainte de restructurer l’ensemble de ses chaînes d’approvisionnement vers des partenaires asiatiques moins exigeants mais aussi moins fiables. Cette réorientation forcée a un coût considérable en termes de compétitivité économique, de qualité des produits disponibles, et de capacité d’innovation à long terme. Le pays qui ambitionnait de devenir une puissance technologique alternative à l’Occident se retrouve transformé en un fournisseur secondaire de ressources naturelles pour les économies chinoise et indienne en pleine expansion.
Il y a quelque chose de profondément triste dans ce déclin économique d’un pays qui avait tous les atouts pour prospérer : des ressources naturelles immenses, une population éduquée, une tradition scientifique respectable. Ces atouts ont été gaspillés par un système incapable de les valoriser, une gouvernance qui a préféré l’enrichissement immédiat d’une élite corrompue au développement durable du pays tout entier.
L’avenir économique bouché
Les perspectives économiques à long terme de la Russie sont parmi les plus sombres de son histoire récente, avec une combinaison de facteurs qui s’alimentent mutuellement pour créer une spirale négative difficile à inverser. La fuite des cerveaux a privé le pays d’une partie significative de sa main-d’œuvre qualifiée, les investissements étrangers ont fui un environnement devenu trop risqué, et la dépendance croissante envers la Chine transforme progressivement la Russie en un État vassal économique de son puissant voisin asiatique. Cette situation représente un échec stratégique majeur pour un pays qui ambitionnait de redevenir une puissance mondiale autonome.
L'impératif impérial : une menace persistante

Une ambition qui ne mourra pas
Même si la Russie sortait du conflit ukrainien dans un état considérablement affaibli, son impulsion impériale ne disparaîtra pas avec les échecs militaires. Cette ambition de domination régionale est ancrée dans l’ADN de l’État russe depuis des siècles, alimentée par une vision du monde qui considère les pays voisins comme des zones d’influence légitimes plutôt que des souverainetés indépendantes. Les experts s’accordent à dire que seule l’effondrement complète de l’État russe pourrait mettre fin à cette dynamique expansionniste, une perspective qui reste improbable même dans les scénarios les plus pessimistes pour Moscou. La paix durable en Europe de l’Est nécessitera donc une vigilance permanente et des garanties de sécurité robustes pour les pays frontaliers de la Russie.
Cependant, les capacités militaires russes ont été suffisamment dégradées par le conflit ukrainien pour rendre improbable toute tentative d’agression contre les pays baltes ou la Pologne dans un avenir prévisible. Les pertes en équipements modernes, en personnel entraîné et en ressources financières ont repoussé de plusieurs décennies la capacité russe à projeter sa puissance militaire contre un adversaire de niveau comparable. Cette dégradation n’élimine pas la menace à long terme, mais elle offre une fenêtre d’opportunité cruciale pour les pays de l’OTAN afin de renforcer leurs défenses et de consolider leur dissuasion face à une Russie qui restera dangereuse malgré ses faiblesses apparentes.
Cette réalité d’une Russie affaiblie mais toujours dangereuse oblige l’Occident à maintenir une vigilance que l’histoire a trop souvent démontrée nécessaire. Les cycles d’expansion et de repli de la puissance russe font partie de l’ADN européen depuis des siècles, et l’erreur serait de croire que la défaite actuelle sonne le glas définitif des ambitions impériales moscovites.
La nécessité d’une présence occidentale
Les experts du Royal United Services Institute ont souligné un point crucial : la seule manière d’assurer une paix viable en Ukraine serait le déploiement de troupes de l’OTAN comme force de dissuasion contre toute nouvelle agression russe. Sans cette garantie concrète, les Ukrainiens n’auraient aucune raison de croire en la pérennité de leur État, et les investissements nécessaires à la reconstruction du pays deviendraient impossibles à justifier. Cette présence occidentale ne serait pas une provocation mais une réponse nécessaire à une agression qui a démontré sa réalité par trois ans de conflit destructeur.
L'Occident face à ses responsabilités

Ne pas céder au chantage
L’un des enseignements les plus importants de ce conflit est la nécessité pour l’Occident de ne pas céder au chantage nucléaire et aux menaces d’escalade systématiquement brandies par le Kremlin. La Russie a développé une rhétorique de l’intimidation qui menace régulièrement de conséquences catastrophiques en cas de soutien occidental à l’Ukraine, une stratégie qui a fonctionné pendant des années pour limiter l’engagement des puissances occidentales. Or, cette intimidation repose largement sur du bluff, comme l’a démontré le fait que chaque escalade de l’aide militaire occidentale n’a jamais déclenché les représailles massives promises par Moscou. Reconnaître cette réalité est essentiel pour définir une politique de soutien à l’Ukraine qui ne se laisse paralyser par des menaces creuses.
Le rapport du European Council on Foreign Relations publié en janvier 2026 a parfaitement résumé cette nécessité : l’Occident doit cesser de croire au mythe de l’invincibilité russe et exploiter les faiblesses du Kremlin pour obtenir une négociation authentique plutôt qu’une capitulation déguisée. Cette approche implique de maintenir et d’augmenter le soutien militaire à l’Ukraine, de renforcer les sanctions économiques contre la Russie, et de démontrer clairement que la patience occidentale n’est pas illimitée mais que la détermination à soutenir un allié agressé reste intacte. C’est seulement par cette démonstration de résolution que Moscou peut être contraint à des négociations sincères.
Le moment est venu pour l’Occident de comprendre que la fermeté n’est pas une provocation mais une nécessité, que céder au chantage ne fait qu’encourager de nouvelles exigences, et que la crédibilité des démocraties est en jeu dans leur capacité à soutenir un peuple qui défend ses valeurs face à l’agression. L’Ukraine ne demande pas que l’on combatte à sa place, mais qu’on lui donne les moyens de se défendre.
Doubler les efforts pour la victoire ukrainienne
La conclusion des experts est sans appel : l’Occident doit doubler son soutien à l’Ukraine plutôt que de chercher des accommodements avec un régime qui n’a jamais respecté ses engagements internationaux. Cette approche n’est pas simplement une question de solidarité avec un allié agressé, elle répond à un impératif stratégique de longue portée pour la sécurité européenne. Une Russie qui sortirait du conflit avec des gains territoriaux validés par un accord de paix précipité serait encouragée à reproduire le même scénario contre d’autres voisins, tandis qu’une Russie confrontée à un échec clair serait forcée de reconsidérer ses ambitions expansionnistes. Le choix occidental entre ces deux scénarios déterminera la configuration de la sécurité européenne pour les décennies à venir.
Les leçons militaires du conflit

L’importance de la logistique
Ce conflit a cruellement démontré l’importance de la logistique militaire dans les opérations modernes, une leçon que les armées occidentales avaient tendance à sous-estimer dans un contexte de projection de puissance lointaine. Les Russes ont échoué non pas parce qu’ils manquaient d’armes sophistiquées, mais parce qu’ils ont été incapables d’acheminer les munitions, le carburant et les pièces de rechange nécessaires aux opérations soutenues. Cette carence a transformé ce qui aurait pu être des offensives décisives en avancées timides suivies de replis humiliants, chaque poussée étant limitée par l’incapacité à maintenir les lignes d’approvisionnement. Les armées occidentales, qui ont pris l’habitude de combats de haute intensité mais de courte durée au Moyen-Orient, doivent tirer les leçons de ce conflit pour leurs propres doctrines d’approvisionnement.
L’importance des drones et des systèmes de surveillance a également été soulignée par ce conflit, qui a vu l’émergence d’une forme de combat où chaque mouvement peut être détecté et frappé en temps réel. Les armées russes et ukrainiennes ont dû adapter leurs tactiques à cette nouvelle réalité, renonçant aux mouvements de masse au profit d’actions dispersées et camouflées. Cette évolution impose une révolution doctrinale que les armées occidentales n’ont pas encore pleinement intégrée, et qui nécessite des investissements considérables en contre-mesures électroniques et en systèmes de protection active pour les véhicules terrestres.
Cette évolution technologique du champ de bataille représente à la fois un défi et une opportunité pour les armées occidentales. Un défi parce que les équipements actuels n’ont pas été conçus pour ce type d’environnement saturé de drones et de senseurs. Une opportunité parce que les démocraties occidentales possèdent les capacités technologiques et industrielles pour développer les solutions de demain, à condition d’investir maintenant plutôt que d’attendre d’être confrontées au même type de menace.
La résilience ukrainienne comme modèle
La résistance ukrainienne a démontré qu’une nation déterminée pouvait compenser une infériorité numérique et technologique par une supériorité morale et organisationnelle. Les Ukrainiens ont su adapter leurs tactiques, exploiter les faiblesses adverses, et maintenir une cohésion nationale malgré les pertes et les destructions massives. Cette résilience offre des enseignements précieux pour tous les pays qui pourraient se trouver confrontés à une agression similaire et qui doivent planifier leur défense en conséquence. L’importance de la préparation de la population, de la formation des réservistes, de la dispersion des stocks militaires, et de la planification de la résistance en territoire occupé a été cruellement démontrée par ce conflit.
Le prix humain d'une guerre inutile

Les victimes oubliées
Derrière les analyses stratégiques et les considérations géopolitiques, il ne faut jamais perdre de vue le prix humain effroyable de cette guerre qui n’aurait jamais dû avoir lieu. Des centaines de milliers de soldats russes et ukrainiens ont perdu la vie, des millions de civils ont été déplacés, des villes entières ont été rasées, des familles ont été déchirées par des lignes de front qui traversent des communautés autrefois unies. Ces souffrances ne sont pas des dommages collatéraux inévitables d’un conflit nécessaire, mais le résultat direct d’une aventure militariste lancée par un régime qui a sciemment sacrifié des vies humaines pour des ambitions de grandeur délirantes.
Les crimes de guerre documentés sur le territoire ukrainien ajoutent une dimension supplémentaire à cette tragédie humaine. Les exécutions sommaires, les déportations forcées, les bombardements indiscriminés des zones résidentielles, les actes de torture et de violence sexuelle perpétrés par les forces russes constituent une souillure morale qui ne sera pas effacée par un accord de paix. Ces actes exigent une justice que les victimes sont en droit d’attendre, et dont l’absence constituerait une victoire supplémentaire pour l’impunité dont bénéficient les puissants qui lancent des guerres sans jamais en subir eux-mêmes les conséquences.
Cette guerre a créé une génération d’orphelins, de veuves, de blessés à vie dont les cicatrices ne guériront jamais vraiment. Ces victimes méritent que le monde se souvienne d’elles, que leur sacrifice ne soit pas oublié derrière les négociations diplomatiques et les calculs géopolitiques. Chaque vie perdue est un monde détruit, et le devoir de mémoire est le minimum que nous devons à ceux qui ont souffert pour les errements d’un dictateur.
Les cicatrices durables
Même après la fin des hostilités, les séquelles de cette guerre perdureront pendant des générations. Les traumatismes psychologiques, les invalidités permanentes, les destructions environnementales, la contamination des sols par les munitions et les mines créeront des obstacles au développement de l’Ukraine pour des décennies. La reconstruction du pays nécessitera des investissements considérables que la communauté internationale aura la responsabilité d’assumer, non pas par charité mais par solidarité avec une nation qui a défendu des valeurs communes face à une agression injustifiée.
Conclusion : Un avenir à construire ensemble

L’espoir malgré tout
Malgré l’ampleur des destructions et la gravité des défis qui attendent l’Ukraine et l’Europe, il reste des raisons d’espérer. La détermination ukrainienne n’a jamais faibli, la solidarité occidentale s’est révélée plus robuste que prévu, et la Russie a démontré ses faiblesses de manière irréfutable. Ces éléments offrent une base pour construire un avenir où l’agression ne paie pas, où les frontières ne peuvent être redessinées par la force, et où les peuples ont le droit de choisir leur propre destin. Cette vision n’est pas une utopie naïve mais un objectif réaliste si l’Occident maintient sa résolution et refuse de céder aux pressions du Kremlin.
Le chemin vers la paix durable sera long et difficile, semé d’obstacles et de rechutes possibles. Il nécessitera une vigilance constante, des investissements militaires soutenus, une coopération renforcée entre alliés occidentaux, et une détermination inébranlable à ne pas abandonner les Ukrainiens à leur sort. Mais l’alternative, une capitulation face à l’agression qui encouragerait d’autres aventures similaires, est inacceptable. L’histoire jugera les dirigeants occidentaux sur leur capacité à rester fidèles aux valeurs qu’ils prétendent défendre, et les peuples d’Europe sur leur solidarité envers une nation qui a payé le prix fort pour sa liberté.
Le combat de l’Ukraine est le combat de tous ceux qui croient que la liberté vaut mieux que la soumission, que le droit doit primer sur la force, que les peuples ont le droit de décider de leur propre avenir. Ce combat n’est pas terminé, mais chaque jour qui passe confirme que la cause de la liberté, aussi difficile soit-elle à défendre, reste la seule qui vaille la peine d’être menée jusqu’au bout.
La responsabilité de l’Occident
L’Occident porte une responsabilité historique dans l’issue de ce conflit, une responsabilité qui va bien au-delà des intérêts géopolitiques immédiats. Les valeurs de liberté, de démocratie et de droit international que l’Ukraine défend sont celles que les démocraties occidentales prétendent incarner. Abandonner l’Ukraine ce serait trahir ces valeurs et admettre qu’elles ne valent que lorsqu’elles ne coûtent rien. Soutenir l’Ukraine jusqu’à la victoire, en revanche, ce serait affirmer que ces valeurs ont un prix et que les démocraties sont prêtes à le payer pour les défendre. Ce choix définira le monde de demain, et l’histoire n’oubliera pas ceux qui auront eu le courage de faire le bon.
Le moment est venu de choisir son camp, non pas entre l’Est et l’Ouest, mais entre le droit et la force, entre la liberté et la soumission, entre un avenir où les peuples décident de leur destin et un monde où les dictateurs imposent leur volonté par les armes. L’Ukraine a fait son choix avec une clarté exemplaire. À l’Occident d’honorer le sien.
Signé Maxime Marquette
Encadré de transparence du chroniqueur

À propos de cette analyse
Cet article s’appuie sur les travaux de recherche publiés par le Royal United Services Institute (RUSI), le Chatham House, le European Council on Foreign Relations et les services de renseignement ukrainiens. L’auteur a consulté les rapports disponibles publiquement et a croisé les informations pour présenter une analyse aussi complète et équilibrée que possible. Les opinions exprimées dans ce billet reflètent une lecture personnelle de la situation et n’engagent que leur auteur. La couverture médiatique de ce conflit nécessite une vigilance constante quant aux sources d’information et à leur fiabilité, les deux camps pratiquant une guerre de l’information parallèle aux combats militaires. Le lecteur est invité à consulter les sources originales pour approfondir sa compréhension des enjeux présentés.
La guerre en Ukraine représente l’un des conflits les plus documentés de l’histoire, mais aussi l’un des plus sujets à désinformation. Ce billet tente de naviguer entre les écueils propagandistes des deux camps pour offrir au lecteur une perspective lucide sur une réalité souvent déformée par les intérêts partisans.
Sources
Sources primaires
19FortyFive – 3 Reasons Russia Can’t Win in the War in Ukraine (16 février 2026)
Royal United Services Institute – Assessment on Russia-Ukraine War (Janvier 2026)
Chatham House – Russia’s Military-Industrial Complex Report (Juillet 2025)
Sources secondaires
Ukrainian Foreign Intelligence Service – Economic Assessment of Russia (2026)
Ce contenu a été créé avec l'aide de l'IA.
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Análise detalhada de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/billet-poutine-piege-
para-son-propre.html
Fato ou Fake: Fato (Opinião Analítica)
O texto inserido é um fato no que diz respeito à sua procedência institucional e autoria.
Trata-se da reprodução de um artigo de opinião (um billet) intitulado "Poutine piégé par son propre système", escrito por Maxime Marquette e publicado originalmente no portal Votre Dose Quotidienne em fevereiro de 2026. O conteúdo foi legitimamente replicado em 3 de agosto de 2026 no renomado blog Diplomatizzando, mantido pelo diplomata, historiador e acadêmico brasileiro Paulo Roberto de Almeida.
Como o texto pertence ao gênero de análise geopolítica e crônica de opinião, o
julgamento de "fato" aplica-se à autenticidade da publicação e ao uso de dados reais de inteligência, embora suas conclusões sobre o desfecho da guerra operem no campo da projeção e do debate de ideias.
Análise Crítica e Detalhada
O artigo de Marquette desenvolve uma tese central: a Rússia enfrenta um impasse militar intransponível na Ucrânia devido a falhas estruturais causadas pelo próprio modelo de governança de Vladimir Putin. O autor diagnostica a corrupção endêmica como uma "prédação institucionalizada" que corrói as forças armadas russas, listando desvios orçamentários, equipamentos obsoletos ou vencidos e falhas logísticas primárias (como a falta de combustível e rações no fronte).
A crítica aponta que a modernização militar russa prometida na década passada revelou-se uma "modernização fantasma", onde armamentos de ponta (como o tanque T-14 Armata) servem à propaganda de desfiles, mas não são viáveis em escala real de combate. A dependência forçada de armamentos iranianos e norte-coreanos é tratada como a prova cabal do esgotamento desse complexo industrial.
Confronto por Múltiplas Perspectivas
1. Perspectiva Econômica
O texto baseia sua argumentação econômica na deterioração das cadeias produtivas
russas sob o peso das sanções ocidentais, traçando um paralelo direto com o colapso
financeiro da União Soviética. O teto tecnológico imposto pelo isolamento impede a Rússia de acessar semicondutores e componentes ópticos avançados.
No entanto, economistas e analistas contrários apontam um "ponto cego" nessa
abordagem: a resiliência russa em transicionar para uma economia de guerra agressiva. Ao redirecionar suas exportações de hidrocarbonetos para a China e Índia, a Rússia conseguiu estabilizar seu PIB e financiar seu esforço bélico, desafiando a premissa de um estrangulamento financeiro imediato. A Rússia converteu-se em uma economia altamente militarizada, onde o gasto público em defesa funciona temporariamente como um motor de atividade econômica interna.
2. Perspectiva Tecnológica
Sob a ótica da tecnologia militar, o conflito na Ucrânia é o primeiro a ser amplamente
dominado por sensores omnipresentes, guerra eletrônica e frotas de drones civis
adaptados. O texto argumenta corretamente que a incapacidade russa de fornecer
comunicações seguras expôs suas tropas.
Contudo, o confronto tecnológico não é unilateral. A Rússia demonstrou uma curva de
aprendizado acentuada a partir de meados de 2024, aperfeiçoando sistemas de
interferência de GPS (guerra eletrônica) que neutralizaram munições ocidentais de alta precisão fornecidas à Ucrânia. O conflito tecnológico, portanto, transformou-se em uma
corrida de adaptação contínua, desmentindo a visão de uma obsolescência russa estática.
3. Perspectiva Geopolítica e de Defesa
A análise de Marquette alinha-se estritamente à doutrina de think tanks anglo-saxões, como o RUSI e o Chatham House, sugerindo que o Ocidente deve dobrar o apoio militar e que a paz só existirá com tropas da OTAN em solo ucraniano.
Sob a perspectiva da Realpolitik e das escolas geopolíticas realistas (como a de John
Mearsheimer), essa recomendação é vista como uma receita para a escalada global
catastrófica. O realismo geopolítico argumenta que a Rússia enxerga a expansão da OTAN como uma ameaça existencial. Portanto, o imperativo impérial citado pelo autor não é apenas um traço do "ADN expansionista" russo, mas uma reação de equilíbrio de poder na Europa Oriental, o que torna uma vitória convencional ocidental total extremamente complexa e perigosa.
4. Perspectiva Filosófica e Sociológica
O artigo examina o conflito sob uma lente moral e ética, denunciando a "traição" do Kremlin contra os seus próprios cidadãos ao enviá-los ao fronte sem suporte adequado.
Filosoficamente, expõe o conflito entre o universalismo democrático (defendido pelo
Ocidente e pela resistência ucraniana) e o particularismo nacionalista autocrático
(russo). O texto peca, contudo, por um viés de "eurocentrismo moral". Fora do eixo ocidental (EUA-Europa), grande parte do Sul Global (América Latina, África e partes da Ásia) não adota a mesma leitura maniqueísta da guerra. Para muitas dessas sociedades, o conflito é visto de forma pragmática e utilitarista, como uma disputa de esferas de influência entre grandes potências, desprovida da pureza ética sugerida pela narrativa ocidental.
5. Perspectiva Política e Jurisdicional
Do ponto de vista político interno, o artigo aponta para o "efeito bumerangue" do
ecossistema autocrático de Putin. Em sistemas centralizados e baseados no medo, os
relatórios enviados ao topo tendem a ser sistematicamente falseados para agradar ao
ditador, resultando em um erro crasso de planejamento estratégico ao subestimar a
Ucrânia.
No campo jurisdicional internacional, os crimes de guerra documentados e citados pelo autor criam uma ruptura duradoura no direito internacional. Mesmo que um acordo de paz político seja alcançado no futuro, a arquitetura jurídica internacional (como os mandados do Tribunal Penal Internacional) isolará a liderança russa por gerações, transformando a punição legal em uma ferramenta de coerção diplomática persistente.
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