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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Opinião: Brasil país indefeso - Rubens Barbosa (Estadão)

 Opinião:

Brasil país indefeso

Com recursos insuficientes, ficam evidentes as vulnerabilidades na segurança do País quanto a meios adequados para assegurar a soberania nacional
Foto do autor Rubens Barbosa
Por Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo, 27/01/2026

A revista Inteligência Insight publicou, no número de dezembro, o artigo Brasil país indefeso, apresentado como um manifesto à nação. O artigo trata das vulnerabilidades na área da segurança, com graves danos à soberania e à defesa do interesse nacional. Levando em conta a nova estratégia nacional e o recém-publicado documento com a doutrina de Defesa dos EUA, é importante ressaltar algumas análises feitas a partir do artigo.
País pacífico, cuja Constituição advoga a solução negociada dos conflitos, a única guerra com vizinhos em que o Brasil se viu envolvido foi contra o Paraguai em 1865. Todos os conflitos de fronteiras foram resolvidos em entendimentos bilaterais ou por arbitragem. Por outro lado, 14 intervenções militares na política nacional desde 1889 até 1964, com os 21 anos de autoritarismo, contribuíram para que se evitasse estimular o ressurgimento do poder militar no País. Com esse pano de fundo, não é difícil explicar a falta de uma forte cultura de Defesa, como nos EUA, na Rússia e na Europa.
Embora o Ministério da Defesa receba a quinta maior dotação da Esplanada, com o valor previsto de R$ 133 bilhões durante o ano de 2025, os gastos livres correspondem a menos de 10% desse montante, pois o resto é gasto com pessoal e encargos sociais, sobretudo inativos e pensionistas. Nos dias que correm, o Ministério da Defesa teve recursos cortados, não somente no reequipamento das Forças Armadas (FFAA), chamadas a desempenhar funções na área de segurança pública, mas também em programas essenciais para a defesa nacional, como, entre outros, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, que, sem recursos, só estará finalizado em 2040, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, o Programa Espacial Brasileiro e o programa da construção do submarino de propulsão nuclear. Segundo dados do Ministério da Defesa, a falta de recursos deixa parte da frota da Marinha parada, sem navios de escolta necessários, por exemplo, para dar proteção às plataformas do pré-sal. No exército, os frequentes contingenciamentos exigiram a redução drástica da linha de produção do carro blindado Guarani, que poderá levar a empresa construtora do equipamento a suspender a produção. Na Aeronáutica, quase metade da frota aérea está parada. A construção do avião cargueiro KC-390 só foi possível porque a Embraer, mesmo sem receber mais de R$ 1,5 bilhão devido pelo governo federal, bancou o projeto sozinha, ao custo de um atraso de vários anos.
A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA coloca, pela primeira vez, as Américas (Western Hemisphere) como a principal prioridade de Washington. A América do Sul não pode continuar a ser vista pelo Brasil como uma área periférica e sem ameaças à soberania nacional. Com recursos insuficientes, ficam evidentes as vulnerabilidades na segurança do País quando se pensa na inexistência de meios adequados para assegurar a soberania nacional na defesa das fronteiras, para proteger as plataformas de petróleo no pré-sal do mar territorial, para derrotar eventuais ambições externas sobre os grandes recursos biológicos e de água na Amazônia, para defender o País de ataques cibernéticos e para preservar as comunicações privadas e governamentais – inclusive militares – dependentes de satélites operados por companhias estrangeiras.
Devem ser levadas em conta também uma série de novas ameaças, como o tráfico de armas e de drogas, o terrorismo e a guerra cibernética. Se o Brasil não dispuser de capacidade para utilizar as novas tecnologias e a inteligência artificial, capaz de substituir os recursos humanos em numerosas funções militares, estará em grande desvantagem em seu poder de dissuasão perante as outras nações. Numa nova era geopolítica em que os princípios inscritos na Carta da ONU passaram a ser desrespeitados, o Brasil é um país indefeso, desarmado, incapaz de se proteger efetivamente da cobiça internacional com respeito a suas imensas riquezas biológicas, energéticas, hídricas, minerais e humanas. É urgente uma agenda positiva para a Defesa de curto, médio e longo prazo.
A agenda de curto prazo deveria contemplar, entre outros aspectos, o fortalecimento da Base Industrial da Defesa por meio de sua crescente nacionalização mediante a atuação do BNDES e do Banco do Brasil com vistas à criação de novas empresas e fortalecimento das já existentes. A médio prazo, deveriam ser ampliados os meios à disposição do Ministério da Defesa, via previsibilidade orçamentária e manutenção dos investimentos para a conclusão dos atuais projetos especiais da FFAA, como o submarino nuclear, a defesa cibernética e o programa espacial. Não se pode mais adiar a revisão da assimetria quanto à imunidade tributária das importações de Defesa, apoio a projetos das FFAA com forte conteúdo científico e tecnológico, treinamento, pesquisa e cooperação técnica e a criação de órgão para cuidar da logística (demanda e oferta) da Defesa. No longo prazo, impõem-se uma política de reaparelhamento das Forças, a redução do custo com pessoal (da ativa e da reserva) e políticas para reduzir a dependência e as vulnerabilidades em tecnologias críticas para o desenvolvimento dos produtos de Defesa considerados estratégicos.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/brasil-pais-indefeso/

Os EUA estão em declínio, já são decadentes, ou o quê? Um debate entre amigos

Um exchange entre amigos sobre questões de atualidade

Na semana passada, expressei, num exchange entre amigos, opiniões muito fortes contra o atual mandatário desequilibrado do Norte do hemisfério, e recebi comentários muito judiciosos de um desses amigos queridos.

Como eu tenho uma massa gigantesca de e-mails e outros materiais que me chegsm todos os dias, a qualquer hora, e isso vai submerginfo o estoque já presente para ler e responder (o que ainda não consigo fazer) resolvi postar esses argumentos recebidos nesta minha “biblioteca”, para ler e depois responder, o que vou fazer em algum momento. Só não identifico o amigo pois não pedi sua autorização para postar seus questionamentos e argumentos, mas a razão é que não quero ver esse texto soterrado nas dezenas de mensagens diárias. PRA

Minha mensagem se referia a uma pesquisa americana revelando bastante apoio a Trump e a suas políticas, mas isso foi, obviamente, antes da mortes, assassinatos, em Minneapolis. Vou postar primeiro meus argumentos, depois os comentários de meu amigo, que pretendo retomar.

Primeiro, meu texto: 

"Nota preliminar PRA a esta matéria:

Assunto: Aprovação americana do Trump segundo IA americano da Microsoft.
Benjamin Ernani Diaz

Recebo o texto abaixo em segunda mão de uma lista previamente circulada de forma restrita, mas repassada por um amigo, por considerá-la útil do ponto de vista da população americana que apoia as políticas de Trump de maneira geral, embora muitos discordem da forma como estão sendo aplicada ou sejam contrárias ao personagem.
Tenho, por mim e para mim, uma imagem bastante negativa, atualmente, do pensamento médio dos eleitores americanos, considerando-os excessivamente ingênuos, desinformados, ou mesmo ignorantes no sentido mais rústico da palavra.
Os EUA foram grandes, de fato, durante sua fase ascensional, após a guerra civil, quando atraíram milhões de imigrantes europeus, muitos dotados de uma cultura superior à média então prevalecente nos EUA ainda pouco "civilizado" (refiro-me à fase da "conquista do Oeste"). Muitos dos europeus eram imigrantes pobres, de cultura rural, mas grande parte também eram cidadãos urbanos, educados e dotados de títulos universitários. Continuaram a vir, em massa, desde o final do século XIX, até os anos 1920-30, quando restrições nacionalistas começaram a ser aplicadas. Ainda assim, as guerras europeias, o nazifascismo sobretudo, produziu um afluxo de pessoas altamente educadas, tangidas da Europa por perseguição política ou racial. Foi o momento de maior preeminência econômica americana – com a Europa e parte da Ásia destruídas – e de dominação absoluta na produção científica e tecnológica, justamente com a integração dessas massas e cidadãos educados e com a penetração americana no resto do mundo.
Esse impulso esgotou-se no final do século XX, o momento de maior dominação (mas apenas aparente) americana, com o fim da alternativa socialista e a intensificação da globalização.
Mas, os fatores de declínio e mesmo de mediocrização já estavam presentes, e continuaram a produzir efeitos nas primeiras duas décadas do século XXI.
A política americana tornou-se nacionalista, a cultura tacanha, os preconceitos se avolumaram (sobretudo com o crescimento do evangelismo ignorante, anticientífico), a qualidade da educação de massa declinou, e uma massa ignorante de eleitores da "caipirolândia" e dos trabalhadores industriais deslocados com o esgotamento da indústria criada na segunda revolução industrial (1870-1930) e sua disseminação pelo mundo, o que aumentou a concorrência com oferta mais barata, geralmente da Ásia Pacífico.
Em síntese, o nacionalismo ignorante dos caipiras do interior e dos novos pobres urbanos produziu políticos medíocres, que fizeram todas as más escolhas internas e externas, até chegar na irrupção de um personagem medíocre – provavelmente por influência direta do neoczar expansionista, plenamente soviético em toda a sua expressão –, que acelerou o declínio, a ignorância e a arrogância desvairada. Os brilhantes acadêmicos da costa Leste e da Califórnia foram desprezados pelos frustrados do declínio, que agora dominam o país do alto da sua estupidez.
Esta é a razão principal que vejo para a aprovação das políticas trumpistas que vão continuar acelerando a decadência americana.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5198, 24/01/2026


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Agora, os comentários de meu amigo:

 1-Querido Paulo, tua visão sobre a decadência dos EEUU e da sociedade americana é muito preocupantes e sombria, principalmente quando, além disso, olhamos para os candidatos à sucessão dos EEUU como potência ou potências hegemônicas, no tabuleiro internacional.


2-Não que isto justifique uma visão mais branda ou benevolente sobre o que ocorre nos EEUU nos dias de hoje. Mas tomo a liberdade de ser um pouco mais otimista que você no tange ao futuro dos EEUU, no combate aos males que você bem aponta.

3-A sociedade americana sempre foi majoritariamente conservadora e o recente afloramento e o protagonismo político de determinados segmentos conservadores, como os evangélicos e,em última análise do próprio Trump, se devem muito mais, segundo entendo, ao fracasso das forças progressistas em oferecer soluções inclusivas a esses segmentos. Cada vez me convenço mais  de que esse fracasso, que não é monopólio só dos progressistas americanos, tem um peso enorme nesse fenômeno que você classifica como decadência.

4-Vejo decadência sim, no front interno, em segmentos importantes do Partido Democrata, que se deixou levar por um ativismo doméstico,incompatível com sua tradição histórica na defesa da maioria do povo americano e não sòmente de LGBTs ou de segmentos do movimento dos negros nìtidamente anti-democráticos e pior, no engajamento em uma militância antissemita que afronta, entre outros, todoa a história de participação ativa dos judeus na luta pelos direitos civis, simbolizada pela imagem histórica do braço dado de Joshua Haeschel com Martim Luther King, na primeira fileira, na Marcha sobre Washington.

5- A máscara do antissionismo que tenta acobertar o antissemitismo é mais grave ainda pois sequer assume sua posição verdadeira. Não quero aqui me estender na questão antissionismo x antissemitismo, até porque o uso do termo antissionista denota, além de parco conhecimento histórico, uma posição antissemita e deslegitimizadora da existência de Israel como Nação.

6-O movimento Sionista, terminou historicamente, no momento em que Israel foi reconhecido como nação pela ONU e pelos países, à exceção dos países árabes. Diga-se de passagem, que hoje, após os Acordos de Abraão, a grande maioria dos países árabes já o reconhecem.

7-Sionismo foi um movimento social entre os judeus que defendia a tese de que a única forma eficaz de combater o antissemitismo seria a criação de um Estado Judeu. A discussão hoje é sobre o futuro de Israel e não do Sionismo, que cumpriu sua visão em 1948. Israel foi criado e a missão sionista terminou.

8-Mas o Sionismo continua  sendo instrumentalizado, entre outros, para defender teses absurdas como a de que o ressurgimento do antissemitismo se deve à ação do Sionista  Bibi. 
Combater o Bibi, para pessoas como eu e a maioria dos judeus no mundo, é fundamental para derrotar o pior governo de |Israel desde a sua criação. Daí a atribuir a ele esse poder monumental é, no mínimo, menosprezar as verdadeiras causas dessa doença milenar da Humanidade que se chama Antissemitismo e que, na realidade, visa simplismente deslegitimar Israel ao invés de atacar suas caisas estruturais. Atacar o governo de Israel é legítimo e fundamental numa democracia. 

9-Vejo decadência sim no front internacional, fruto principalmente de sucessivos governos democratas pós Clinton, que não souberam oferecer soluções eficazes para uma plêiade de problemas internacionais, como o da tensão comercial com a China,  da guerra Russia-Ucrânia, o do armamento nuclear iraniano, o da poderosa rede internacional de terror associada ao narcotráfico estruturada pelo Irã tanto no Oriente Médio( Hamas, Hezbollah e tantos outros), o da Venezuela, o do regime sírio do Assad, o gravíssimo problema da total inoperância da ONU que se transformou num mero instrumento de países ditadoriais e notadamento como um foro anti-Israel, entre outros.

10-De novo, vejo o fortalecimento do Trumpismo, principalmente, como consequência direta do fracasso dos movimentos progressistas e que, de certa forma, viabilizaram as iniciativas truculentas do Trump, a saber: os Acordos de Abraão, a aproximação de Israel com a A.Saudita,  a destruição das instalações nucleares do Irã, o apoio militar à destruição do poderio militar do Hamas e do Hezbollah,  a derrubada do Maduro, o Plano de Paz para Gaza e outros.  Fundamental observar que tudo isso denota o fracasso total da ONU como organização mundial com eficácia para atuar e enfrentar esses problemas. A viabilidade do protagonismo do Trump se deve basicamente a esse fracasso da ONU.

11-Uma palavra sobre como se antepor  ao Trumpismo diante do fracasso das forças que chamo de pseudo esquerdistas que nada tem a haver com a esquerda democrática/social-democrata onde militei e que representava a vanguarda da luta contra a injustiça social, contra as ditaduras e contra a discriminação racial que incluia o antissemitismo.
Penso que, se forças social-democratas não tiverem capacidade de mobilização política para oferecer alternativas viáveis para se contrapor ao Trumpismo, essa nova pax americana será vitoriosa. Digo social-democratas por que, infelizmente, as ações dessa pseudo esquerda, meramente verborrágicas, só fortalecerão o Trumpismo 

12-Vejam o exemplo do Conselho de Paz para Gaza criado Pelo Trump. Esse é o tipo de ação que deveria ser prerrogativa da ONU e não o é por pura incompetência e falta de vontade política de endereçar a questão de forma equilibrada, entre as partes. Como se pode admitir uma ONU militante a favor de um dos lados? Uma tragédia.

13-Qual é a situação objetiva da Venezuela, do Irã, de Gaza, antes e depois das ações do Trump e quais as perspectivas de melhoria para a população desse países antes e depois dessas ações. São questões que independem de gostar ou não do Trump  devem ser analisadas sem paixão.

14-A realidade é que o Trump é um protagonista ativo e transformador  do cenário mundial cujas ações merecem reflexões e que devem ser analisadas friamente sem os emocionalismos que preponderam entre seus opositores.É preciso transcender o emocionalismo que tomou conta da grande maioria dos analistas políticos.

15-Finalmente o rebatimento de tudo isso sobre o Brasil e sobre a Europa. Não vou entrar nessa questão mas, simplificadamente, vejo muitas semelhanças entre o PT, e o atual Partido Democrata americano.A Europa fica para outra vez mas o seu protagonismo efetivo para se contrapor a pax americana trumpista está muito aquém do desejado, como sempre.

16-Restou também uma reflexão sobre os candidatos a sucessão do EEUU em termos de hegemonia mundial. Também simplificando uma questão tão complexa, ainda acho que estamos diante de uma ainda longa hegemonia americana, função da vitalidade estrutural da sua economia e da manutenção ou até mesmo ampliação do gap de desenvolvimento científico e tecnológico, inclusive em Inteligência Artificial e poderio militar, em relação a China, à Rússia e Europa.

17-Para concluir, vejo ainda muita vitalidade na sociedade americana para reverter esse quadro. Vejo também muita vitalidade da sociedade israelense para derrubar o Bibi, que também é um produto, em grande parte, do terror de diversas facções palestinas que nada aprenderam com os sionistas quando, em 1947, decidiram renunciar ao terror na luta contra os colonialistas britânicos, o que se mostrou acertado.

18-Só sou pessimista em não ver vitalidade no mundo para efetivamente combater o Antissemitismo, com medidas que combatam o seu componente estrutural.

Desculpe a forma errática da sequência de pensamentos.

Receba um forte abraço do amigo e admirador.”

A Rússia de Putin já perdeu a guerra: o cachorrinho da casa ao lado era mais bravo do que. parecia...

What Ukraine Did to Russia at SIVERSK Will Echo for 100 Years. 
Ukraine executed a calculated tactical withdrawal in SIVERSK—and turned Russia’s claimed victory into a deadly trap. As Russian forces pushed in, Ukrainian drones, artillery, and precision strikes transformed the city into one of the most lethal kill zones of the war. This video breaks down how Ukraine outmaneuvered Russia in SIVERSK, why Putin’s forces are suffering massive losses, and how this strategy could echo for 100 years across the conflict.

https://youtu.be/bvLli-LWtsQ?si=kEsFNO3_aCU664Y9 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil - DefesaNet

 A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil

Editor DefesaNet, 22 de janeiro de 2026

A ilusão das regras nos artigos de Lula e Celso Amorim e o risco estratégico para o Brasil

Nota DefesaNet
https://www.defesanet.com.br/gh/a-ilusao-das-regras-e-o-risco-estrategico-para-o-brasil/

O Presidente Lula publicou um artigo no jornal The New York Times , edição de18 de janeiro de 2026. O texto original em inglês e tradução em português.

Tanto o artigo de Lula, no dia 18JAN2026, no The New York Times como o de Celso Amorim na revita The Economist seguem uma linha que merece ser analisada,

Claramente texto saidos da pena de Celso Amorim que ao longo de 25 anos, tantop no comando da Diplomacia, Defessa ou eminência parda sempre obteve resultados ou confrontos contestáveis.

1 – The New York Times – 18 Janeiro 2026, edição web, e 20 Janeiro edição impressa

Lula: Este Hemisfério Pertence a Todos Nós
Lula: This Hemisphere Belongs to All of Us

2 – The Economist – 19 Janeiro 2026 edição online
Celso Amorim – Como podemos viver em um mundo sem regras?
Celso Amorim – How can we live in a world without rules?

A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil

Observador DefesaNet

O artigo “How can we live in a world without rules”, assinado por Celso Amorim, não é apenas um exercício acadêmico ou diplomático. Ele expressa uma visão de mundo que, aplicada como política de Estado, representa risco concreto à segurança nacional brasileira. Ao insistir em uma leitura normativista das relações internacionais, o texto ignora a realidade do poder e empurra o Brasil para uma posição de ambiguidade estratégica perigosa, especialmente diante dos Estados Unidos sob Donald Trump.

O problema não é defender regras. O problema é acreditar que regras sobrevivem sem poder — e, pior, moldar a política externa brasileira como se o mundo ainda operasse sob consensos que já não existem.

Regras não protegem países fracos — poder protege.

A tese central de Amorim parte de uma premissa falsa: a de que a crise internacional decorre do abandono de normas multilaterais. Não decorre. A crise decorre da ruptura do equilíbrio de poder que sustentava essas normas.

China e Rússia e – agora os Estados Unidos – não desafiam a ordem internacional porque ela é “imperfeita”, mas porque não lhes interessa. E não há nenhum indício de que aceitarão regras que limitem seus objetivos estratégicos. Defender regras universais nesse contexto não é idealismo — é desarmamento intelectual.

Ao adotar essa visão, o Brasil:

• substitui estratégia por retórica;
• confunde desejo com realidade;
• e abdica da lógica do poder em um ambiente internacional brutalmente competitivo.

Neutralidade moral é sinônimo de irrelevância estratégica

A diplomacia defendida por Amorim insiste na ideia de que o Brasil pode ocupar o papel de mediador moral, equidistante entre grandes potências. Esse espaço não existe mais.

No mundo atual:

• quem não se alinha claramente é visto como não confiável;
• quem evita nomear ameaças é tratado como ambíguo;
• quem prega equilíbrio sem poder vira arena, não ator.

A neutralidade defendida no artigo não preserva autonomia. Ela a corrói, pois retira do Brasil capacidade de barganha, previsibilidade estratégica e credibilidade como parceiro de segurança.

Conflito direto com os EUA sob Donald Trump

A visão de Amorim colide frontalmente com a lógica estratégica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Washington opera de forma simples e dura: interesses primeiro, alinhamentos claros, reciprocidade concreta.

Nesse contexto, o discurso do “multilateralismo como fim em si mesmo” é interpretado como:

• resistência aos interesses americanos;
• relativização das ameaças centrais (China e Rússia);
• falta de compromisso estratégico.

Para Trump, ambiguidade equivale a oposição potencial. Um Brasil que insiste nessa postura se coloca, voluntariamente, sob suspeita.

Os custos não são teóricos — são práticos

A adoção dessa visão como política de Estado tem consequências diretas:

• restrições ao acesso a tecnologias sensíveis, sobretudo em defesa, aeroespacial, cibernética e inteligência;
• redução da cooperação militar e industrial, com impactos diretos na Base Industrial de Defesa;
• pressões econômicas indiretas, travestidas de exigências regulatórias ou comerciais;
• perda de credibilidade como parceiro estratégico no hemisfério ocidental.

Nenhuma grande potência confia sua segurança a um país que se recusa a definir prioridades estratégicas.

O erro conceitual fatal: confundir ordem com justiça

Amorim confunde ordem internacional com justiça normativa. Ordem não nasce de consenso moral; nasce da capacidade de impor custos a quem a viola. Regras vêm depois — e apenas quando sustentadas por poder.

Ao insistir nessa inversão, o Brasil:

• defende uma ordem que já colapsou;
• antagoniza parceiros estratégicos reais;
• e se aproxima retoricamente de potências revisionistas que não oferecem garantias de segurança, tecnologia ou desenvolvimento autônomo.

Isso não é política externa independente. É exposição estratégica

Conclusão: diplomacia sem poder é risco à soberania

O artigo de Celso Amorim pode soar elegante, coerente e moralmente confortável. Mas, no mundo real, é estrategicamente inadequado e potencialmente danoso.

Persistir nessa linha:

• enfraquece a posição do Brasil diante dos Estados Unidos;
• aumenta desconfiança em Washington, especialmente sob Trump;
• reduz margem de negociação dura;
• e transforma o país em variável passiva da disputa entre grandes potências.

No século XXI, quem não escolhe claramente seus interesses tem seus interesses escolhidos por outros.

Diplomacia sem poder não protege soberania.

E soberania não se sustenta com retórica.

DefesaNet

domingo, 25 de janeiro de 2026

Madame IA exame as mentiras de Putin (via Airton Dirceu Lemmertz)

Madame IA exame as mentiras de Putin (via Airton Dirceu Lemmertz):


Quais as principais mentiras (desinformações, 'fake news') ditas ou replicadas pela Rússia, principalmente por Putin, em relação à Ucrânia? Cite pelo menos 20 exemplos de mentiras. Em cada mentira, diga o porquê dela ser mentira (diga a informação correta correspondente). Cite-as preferencialmente em ordem cronológica de início de propagação nas mídias [da respectiva mentira].

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/01/roman-sheremeta-explain-how-putin-lies.html#:~:text=Let%E2%80%99s%20unpack%20why%20this%20is%20false%20on%20multiple%20levels

Desde o início da invasão em larga escala em 2022 e nos anos que a antecederam, o governo de Vladimir Putin tem utilizado uma vasta rede de desinformação para justificar a agressão contra a Ucrânia.
Abaixo, estão 20 das principais mentiras propagadas pelo Kremlin, organizadas em ordem cronológica de disseminação:
"A Ucrânia não é um país real" (2021-2022): Putin afirmou que a Ucrânia é uma invenção de Lênin. Fato: A Ucrânia tem uma história milenar, raízes na Rus de Kiev e declarou independência formal em 1991 com aprovação de 90% da população.
"Genocídio em Donbas" (2021-2022): Alegação de que a Ucrânia estava exterminando falantes de russo no leste. Fato: Observadores da ONU e da OSCE nunca encontraram evidências de genocídio na região.
"Desnazificação" (Fevereiro 2022): Justificativa de que o governo ucraniano é neonazista. Fato: O presidente Volodymyr Zelensky é judeu e perdeu familiares no Holocausto; partidos de extrema-direita têm menos de 2% de apoio eleitoral na Ucrânia.
"Operação Militar Especial" (Fevereiro 2022): Termo usado para evitar a palavra "guerra". Fato: Trata-se de uma invasão em larga escala, com mobilização total e bombardeios a cidades civis, caracterizando uma guerra de agressão.
"A Rússia não ataca alvos civis" (Fevereiro 2022 - Presente): Afirmação constante do Ministério da Defesa russo. Fato: Relatórios da Human Rights Watch documentam milhares de ataques a hospitais, escolas e prédios residenciais.
"Laboratórios de armas biológicas dos EUA na Ucrânia" (Março 2022): Alegação de que aves migratórias seriam usadas para espalhar patógenos. Fato: A Ucrânia possui laboratórios de saúde pública legítimos para prevenção de doenças, sem qualquer evidência de armas biológicas.
"Encenação em Bucha" (Abril 2022): Afirmação de que as imagens de corpos nas ruas eram atores ou montagem. Fato: Imagens de satélite da Maxar e investigações do The New York Times provaram que os corpos estavam lá enquanto as tropas russas ocupavam a cidade.
"Bombardeio do Teatro de Mariupol pela própria Ucrânia" (Março 2022): Alegação de que o Batalhão Azov explodiu o teatro. Fato: Uma investigação da Anistia Internacional concluiu que foi um ataque aéreo russo deliberado contra civis.
"A Ucrânia planeja usar uma 'Bomba Suja'" (Outubro 2022): Alegação de que Kiev preparava um ataque radiológico. Fato: A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) inspecionou as instalações ucranianas a pedido de Kiev e não encontrou nenhum sinal de tais armas.
"Sanções ocidentais causaram a crise alimentar global" (2022): Putin culpou o Ocidente pela fome na África. Fato: A crise foi causada pelo bloqueio russo aos portos ucranianos e pelo roubo de grãos, já que as sanções não incidem sobre alimentos.
"Milhares de mercenários poloneses e da OTAN lutando" (2023): Tentativa de pintar a guerra como um conflito direto com a OTAN. Fato: Existem voluntários estrangeiros na Legião Internacional, mas não há tropas regulares da OTAN combatendo em solo ucraniano.
"Ucrânia explodiu a Barragem de Kakhovka" (Junho 2023): Alegação de sabotagem ucraniana. Fato: Provas de sismologia e engenharia indicam que a barragem, sob controle russo, foi explodida de dentro para fora por cargas russas.
"A contraofensiva ucraniana falhou totalmente" (Setembro 2023): Putin afirmou que a Ucrânia não teve ganhos. Fato: Embora lenta, a Ucrânia retomou mais de 50% do território ocupado inicialmente e destruiu grande parte da Frota do Mar Negro.
"Zelensky cancelou eleições para ser ditador" (Maio 2024): Crítica ao adiamento das eleições. Fato: A Constituição da Ucrânia e a lei marcial proíbem explicitamente eleições durante uma guerra por questões de segurança e justiça eleitoral.
"Otan prometeu não se expandir nem um centímetro" (Recorrente): Alegação de que o Ocidente quebrou uma promessa. Fato: Nunca houve um tratado formal com tal promessa; o próprio Mikhail Gorbachev confirmou que o tema não foi discutido na época da unificação alemã.
"Ucrânia está vendendo armas ocidentais no mercado negro" (2023-2024): Alegação de que armas da OTAN foram para o Hamas ou cartéis. Fato: O Pentágono e a Europol afirmaram que não há evidências de desvio sistemático de armas pesadas da Ucrânia.
"Envolvimento da Ucrânia no ataque ao Crocus City Hall" (Março 2024): Tentativa de culpar Kiev pelo atentado terrorista em Moscou. Fato: O Estado Islâmico (ISIS-K) assumiu a responsabilidade e publicou vídeos do ataque; os EUA haviam alertado a Rússia sobre o plano do ISIS.
"A Rússia está protegendo a soberania da Ucrânia" (Junho 2024): Putin afirmou que a invasão visa "libertar" o povo. Fato: A Rússia anexou ilegalmente quatro regiões ucranianas (Crimeia, Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia), violando a soberania que diz proteger.
"O Ocidente forçou a Rússia a invadir" (Recorrente): Alegação de "cerco" da OTAN. Fato: A Rússia possui a maior fronteira terrestre do mundo e apenas uma pequena fração dela faz fronteira com países da OTAN; a invasão foi uma escolha soberana de Moscou.
"Rússia nunca recusou negociações" (2024-2025): Putin diz querer a paz. Fato: As condições impostas pela Rússia exigem que a Ucrânia entregue territórios que a Rússia nem sequer ocupa totalmente, o que equivale a uma rendição, não a uma negociação.

Fonte: IA Gemini (Google).

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Antigamente, o surgimento de ditaduras ocorria normalmente com uma ruptura abrupta de regime. Atualmente, a maioria das ditaduras nasce 'aos poucos', ou seja, há uma erosão das instituições constituídas de modo paulatino (lento, mas constante). Dúvida: Os EUA do governo Trump 2.0 estariam seguindo o caminho desse segundo modo, ou seja, uma erosão lenta, mas constante, das instituições democráticas?

Em 2026, análises de institutos de direitos humanos e ciência política indicam que o segundo governo de Donald Trump apresenta características de erosão democrática gradual, consolidando o que especialistas chamam de autoritarismo do século XXI. Diferente de golpes de Estado clássicos, esse processo ocorre através da utilização das próprias ferramentas democráticas para enfraquecer o sistema por dentro.
- Os principais pontos observados no governo Trump 2.0 que corroboram essa percepção incluem:
Enfraquecimento da Burocracia Estatal: O governo implementou ações para remover proteções de funcionários de carreira, transformando milhares de cargos técnicos em posições de livre nomeação ("at-will"), o que facilita a substituição de servidores experientes por aliados políticos.
Controle e Ataque a Instituições Independentes: Relatos apontam o esvaziamento de órgãos federais através de demissões em massa e cortes de financiamento, além de ataques recorrentes ao Judiciário e à imprensa quando suas decisões ou coberturas são contrárias ao governo.
Governança por Decretos: Trump tem feito uso extensivo de ordens executivas para contornar o escrutínio legislativo, reestruturando agências e alterando marcos regulatórios sem passar pelo Congresso.
Retirada do Cenário Internacional: Em janeiro de 2026, os EUA já haviam se retirado de mais de 60 organizações internacionais, incluindo a OMS e agências da ONU, sinalizando um isolamento que enfraquece normas globais de direitos humanos e governança democrática.
Militarização e Direitos Civis: Houve denúncias sobre o desdobramento de unidades militarizadas em centros urbanos e a erosão de direitos fundamentais, especialmente contra imigrantes e opositores políticos, o que gera um clima de medo e vigilância.
* Embora em 2026 as eleições ainda sejam consideradas livres e as instituições mantenham certa capacidade de resistência, centros de pesquisa como a Universidade de Gotemburgo alertam que, se o ritmo de desmonte de direitos e normas persistir, os Estados Unidos correm o risco de deixar de ser classificados como uma democracia liberal plena.

Fonte: IA Gemini (Google).

- Os links dos materiais que embasaram a resposta [acima] da IA:

https://tcf.org/content/report/centurys-new-democracy-meter-shows-america-took-an-authoritarian-turn-in-2025/

https://globalaffairs.org/commentary/analysis/trump-20-enters-2026-full-force

https://www.correiodamanhacanada.com/um-ano-apos-regresso-de-trump-a-casa-branca-ha-erosao-de-direitos-e-escalada-autoritaria-amnistia-internacional/

https://www.facebook.com/TheHinduBusinessLine/posts/five-takeaways-from-davos-2026-as-trump-dominates-the-agenda/1372071948292852/

https://theafrican.co.za/tvbox/2026-01-20-trump-20-a-year-of-chaos-and-institutional-sabotage/

https://www.youtube.com/watch?v=fTIg8w8Fns0

https://www.youtube.com/watch?v=w22HVD8asbU

https://www.youtube.com/watch?v=ohZ7tztqVVY

https://www.youtube.com/watch?v=RSPmjhNM3Uk&t=49

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial

Por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será? (ano xiv, n. 693)
jan 23, 2026 | Artigos

Comentando o primeiro aniversário do mandato de um dos destruidores da ordem global.

Um ano transcorrido no segundo mandato; jornalistas e comentaristas estão fazendo balanços e análises sobre as “realizações” dos primeiros (talvez os últimos também) doze meses da mais bizarra presidência jamais vista, conhecida e registrada nos 250 anos de vida da primeira república do hemisfério ocidental. Vou me deter unicamente nos aspectos de política internacional que interessam mais especialmente ao Brasil e à América Latina.

Ainda em novembro de 2025, passados apenas 10 meses de uma administração imprevisível, tive a oportunidade de participar de um seminário, a convite do prof. Antônio Carlos Lessa, do Centro de Estudos Globais da UnB, organizado em duas etapas: o primeiro sobre o tema “O Mundo Segundo Trump e o ocaso da Ordem Liberal Internacional: Nacionalismo, Transacionalismo e o Futuro do Multilateralismo”, cabendo-me, no segundo, discorrer sobre a “Geopolítica da Desordem: A Rivalidade com a China e o Abandono da Segurança Coletiva”. Como sempre faço quando sou convidado a eventos de certa densidade intelectual, elaborei minhas ideias sobre ambas as vertentes do seminário, colocando meu texto previamente à disposição dos interessados (no meu blog Diplomatizzando, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/a-desordem-mundial-gerada-por-dois.html).

Na verdade, retifiquei ligeiramente a caracterização de “Geopolítica da Desordem”, optando pelo mais impactante julgamento de “Opção pelo Caos”, porque foi exatamente isso que o presidente americano introduziu no mundo, e em seu próprio país, desde janeiro de 2025. A Desordem já tinha sido iniciada bem antes, quando seu íntimo amigo russo passou a invadir países vizinhos, começando pela Georgia, em 2008. Não contente, deslocou soldados russos para uma franja setentrional da República da Moldávia, a Transnístria, por acaso na fronteira com a Ucrânia, conservando esse contingente nessa “região autônoma” desde 2010, supostamente para proteger certo número de russos que lá habitam. Imediatamente após deu a partida a seu plano mais ambicioso, o de incorporar a Ucrânia de volta na Federação Russa, por meio de agitação nas regiões russófonas do Donbas, Donetsk e Luhansk. Em 2014, aproveitou mais uma das várias revoluções políticas na Ucrânia, para invadir e anexar, ilegalmente, a península da Crimeia, primeira etapa da guerra de agressão ao país inteiro a partir de fevereiro de 2022. A anexação da Crimeia e a invasão da Ucrânia valeram à Rússia sanções adotadas por diversos países aderentes aos dispositivos pertinentes da Carta da ONU, entre os quais nunca esteve o Brasil (a pretexto de não serem “sanções multilaterais”, et pour cause: pelo uso abusivo do direito de veto pelo agressor, membro permanente do CSNU).

Mas voltemos ao primeiro “aniversário” do transgressor americano, personagem que já foi diagnosticado, por psiquiatras, como sendo um “narcisista maligno” – caracterização feita pela primeira vez com respeito a Hitler por Erich Fromm, refugiado do nazismo –, um “psicopata”, além de “paranoico” e “sádico”. Como não sou especialista na matéria, dedico-me a analisar suas ações no plano das relações exteriores dos Estados Unidos. Já tivemos o registro de suas ações no primeiro mandato (2017-2020), a maior parte concentrada na “política comercial”, se o termo se aplica ao desmantelamento por completo da cláusula de nação mais favorecida, o núcleo central do sistema multilateral de comércio (embora bem mais do que isso, pois é um princípio de séculos, vindo da Lex Mercatoria).

Ele começou anulando o Nafta, o acordo de livre comércio da América do Norte (Canadá-EUA-México, 1994), continuando pela aplicação de sobretaxas unilaterais sobre importações de aço e alumínio de qualquer procedência. Suas medidas abusivas tiveram de ser “negociadas” – na base da imposição – com cada um dos fornecedores habituais. O Brasil foi fortemente atingido e aceitou cotas para o aço e uma sobretaxa no alumínio. Deslanchou uma guerra comercial contra a China – vista como inimiga preferencial – e exigiu que o país asiático importasse toneladas adicionais de soja americana, atingindo mais uma vez o Brasil. Ele também passou a atacar e perseguir os imigrantes, retirou os EUA do acordo de Paris (de 2015) e já anunciava pretender fazer o país retornar à era do carvão e reforçar o petróleo. Na área da segurança, já ameaçava deixar a Otan se os membros europeus não pagassem mais.

Se a Desordem foi a tônica do primeiro mandato, no segundo a Opção pelo Caos foi não apenas uma preferência pessoal, mas o método usado para implodir a ordem existente. Tudo o que ele não havia implementado no primeiro mandato, passou sistematicamente a praticar a partir de 20 de janeiro de 2025, começando pelo ímpeto selvagem imprimido às milícias de caça aos imigrantes, praticamente similares aos Einsatzgruppen, os esquadrões móveis da SS nazista, perseguindo judeus, ciganos e outros inimigos do regime extremista. No plano externo, como a comprovar a sua profunda ignorância econômica, apresentou, em abril, suposto “Dia da Libertação”, um tarifaço comercial sem qualquer base racional, pelo qual déficits bilaterais no intercâmbio registrado eram convertidos em alíquotas totalmente desproporcionais ao comércio efetivamente realizado, penalizando pequenos países.

O Brasil foi inicialmente “premiado” com uma sobretaxa modesta, a baseline de 10%, mas logo em seguida punido politicamente com uma cacetada de 40% adicionais sobre a quase totalidade da nomenclatura aduaneira, num ato de interferência direta na Justiça brasileira, a pedido da família golpista, visando a liberação do capo da tramoia que imitava o assalto ao Capitólio de janeiro de 2021, em favor do autor da carta acusatória. Ao mesmo tempo vieram sanções diretamente pessoais – Lei Magnitsky, cancelamento de vistos e outras ameaças – contra a soberania brasileira. O impacto do tarifaço em produtos de significativo consumo popular redundou mais adiante na redução ao baseline, mas não em toda a gama afetada pelas medidas unilaterais, claramente contra as regras da OMC. Mas esse tipo de retaliação passou a ser adotado praticamente contra todos os parceiros comerciais dos EUA, aliados ou adversários (salvo um, protegido da ira jupiteriana por segredos de inteligência).

Um dos atos mais exemplares da nova fúria imperial, extraordinariamente expandida desde o primeiro mandato, encontrou expressão documental na nova versão da Estratégia de Segurança nacional, divulgada em novembro de 2025, sintetizando a “visão do mundo” – se ela existe – de toda uma equipe voltada contra a Europa liberal, supostamente decadente, e indisfarçavelmente promotora de uma tripartição imperial da governança global. Nesse esquema, o destruidor primário da ordem onusiana, o tirano de Moscou, recebeu todas as deferências do imperador hemisférico, inclusive com uma recepção de verdadeira visita de Estado, em sua incursão à terra gelada que já tinha pertencido ao império czarista até meados do século XIX. Ao mesmo tempo, o impulso colonialista na parte do mundo considerada chasse gardée do renascido império hemisférico começou com ameaças ao Panamá, foi concretizado numa incursão direta para a captura do ditador da pátria chavista, cuja ditadura foi preservada, mas sob regime de tutela, até se estender à Groenlândia, considerada parte vital na arquitetura de segurança nacional, mas contra uma ameaça inexistente.

O lado mais obscuro e brutal das ações do narcisista maligno se revelou nas duas guerras terrivelmente mortíferas, mantidas em Gaza, pelo aliado israelense, e nas terras da Ucrânia, objeto de uma complacência cúmplice em relação ao morticínio especialmente cruel conduzido pelo seu amigo (e possível controlador) russo. Na Faixa de Gaza, a intenção inicial era a de expulsar toda a população palestina para fazer dela uma grande Riviera de luxo, na qual o especulador imobiliário provavelmente exploraria resorts para turistas milionários. A reação negativa das monarquias do Golfo operou uma mudança tática, até chegar numa mais do que duvidosa proposta de um “Conselho da Paz”, integrado por chefes de Estado e de governo, mas no qual o novo imperador possuiria poder absoluto.

Em relação à Ucrânia, a desfaçatez do personagem com respeito às propostas de cessar-fogo ou de armistício, todas elas favoráveis ao, quando não propostas diretamente pelo criminoso de guerra agressor, não tinha sequer uma aparência de equanimidade nas condições impostas ao lado agredido e em relação às amplas e inaceitáveis benesses e vantagens que eram concedidas gratuitamente ao criminoso de guerra iniciador do conflito. Nos dois casos, o desprezo total e integral ao Direito Internacional, o abandono completo de considerações humanitárias e o descarte evidente das instâncias multilaterais onusianas, assim como dos “parceiros” europeus, ficou evidente ao longo de todos os episódios lamentáveis registrados neste primeiro ano de arbítrio personalista em todos os azimutes visados pelo imperador.

No caso do Brasil, e do seu líder, situado nas antípodas ideológicas de concepções políticas e sociais, depois das manifestações de hostilidade ao início, uma suposta “química favorável” não esconde a hipocrisia de uma simpatia construída para evitar novos problemas com o maior país da América do Sul, num contexto de ameaças à Colômbia e mesmo ao México, os países mais diretamente envolvidos com o negócio da cocaína, dois infelizes fornecedores de uma demanda incessante e inesgotável a partir do próprio império. A nova doutrina formulada com base em duvidosa similaridade histórica não chega sequer a ser uma proposta de relacionamento diplomático, mas apenas um convite à submissão colonial, algo praticamente impossível no caso brasileiro, a menos de um improvável retorno eleitoral da mesma tropa de devotos adoradores do imperador hemisférico, que simplesmente conduziu o Itamaraty a um quadriênio inédito de subserviência e de docilidade jamais vistos na história já bissecular de nossa diplomacia profissional.

Impossível prever, dado o caráter errático do narcisista maligno, o que advirá nos dez meses precedendo as eleições intermediárias numa democracia já seriamente abalada e destroçada em seus fundamentos institucionais e, sobretudo, no tocante ao relacionamento do império visivelmente declinante com as demais potências grandes e médias que atuam nos cenáculos ainda abertos a um incerto e titubeante “diálogo”. Dentre os observadores mais atilados – presentes no Financial Times, na Economist, na Foreign Affairs, ou nos principais think tanks vinculados às relações internacionais – não surgiu alguma pitonisa de Delfos que seja capaz de visualizar o que pode ocorrer em 2026 e mais além. O fato é que o mundo já se encontra radicalmente transformado, primeiro pelas ações expansionistas do neoczar, agora pelas turbulências continuamente criadas pelo “psicopata paranoico e sádico” referido pelos psiquiatras. O Brasil e a América Latina estão singularmente expostos à sua bílis deletéria; pena que o cenário regional seja marcado por uma fragmentação também inédita na história.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5195, 21 janeiro 2026, 4 p.

O mundo "sem regras" de Celso Amorim - Thiago Padovan (Revista ID)

 

O mundo "sem regras" de Celso Amorim

Um manifesto da hipocrisia diplomática

Não vejo como aceitar", diz Celso Amorim sobre convite do "Conselho da Paz"  de Trump

Em seu recente artigo para a The Economist, intitulado “How can we live in a world without rules?”, o Assessor Especial da Presidência, Celso Amorim, pergunta retoricamente como podemos sobreviver em um cenário geopolítico onde as normas internacionais parecem ter colapsado.

O texto, escrito na esteira de uma intervenção em Caracas em janeiro de 2026, é uma peça de retórica refinada, mas intelectualmente desonesta.

Ao analisarmos o texto, o cinismo de Amorim salta aos olhos em quatro incoerências fundamentais.

1. A soberania como escudo para tiranos

Amorim inicia seu lamento comparando a “abdução forçada” do presidente venezuelano à captura de Saddam Hussein, classificando o ato como “tragicamente surreal”.

Aqui, é preciso deixar claro que a ação unilateral ordenada por Trump é, de fato, condenável. Trata-se de mais uma uma operação de “cowboy diplomacy” executada sem qualquer planejamento para o “day after”, sem consulta aos organismos multilaterais e, claramente, sem o bem-estar do povo venezuelano como prioridade criando mais um precedente perigosíssimo de que a lei do mais forte substitui a diplomacia.

No entanto, a crítica de Amorim não nasce dessa preocupação legítima com a ordem global ou com a vida dos venezuelanos. Se nascesse, ele teria condenado com a mesma veemência a invasão russa à Ucrânia.

O cinismo de Amorim reside no uso seletivo da indignação:

  • Para Amorim, a “tragédia” não é a fome, a tortura sistemática ou o êxodo de 8 milhões de venezuelanos sob o regime que ele protege; para ele, a “tragédia” é o momento em que um aliado ideológico perde o poder, mesmo que pelas mãos de outro agente irresponsável.

  • Quando tanques russos violam a fronteira de uma democracia soberana (Ucrânia), matando civis e anexando território, Amorim e o governo Lula pedem “paz”, “diálogo” e evitam condenar o agressor, relativizando a soberania ucraniana em nome de “preocupações de segurança” da Rússia.

  • Mas quando uma intervenção — ainda que ilegal e temerária — remove um ditador sul-americano, Amorim subitamente se torna um purista da Carta da ONU.

A “soberania” defendida por Amorim, portanto, não é a do Estado ou a do povo, e muito menos a soberania das regras; é o habeas corpus do governante amigo. Em seu mundo, a soberania serve para blindar o ditador de interferências externas, enquanto o povo permanece refém tanto da tirania interna quanto dos jogos de poder externos.

Devemos rejeitar tanto a irresponsabilidade de Trump quanto a cumplicidade autocrática de Amorim.

2. O mito do “Continente de Paz”

Amorim afirma, com uma audácia que beira o delírio, que algo foi estilhaçado: “a certeza de que a América do Sul é, e continuará sendo, um continente de paz”.

Que paz é essa, Embaixador?

A “paz” das prisões políticas em Caracas? A “paz” da perseguição religiosa na Nicarágua? A “paz” das ameaças de anexação de Essequibo (Guiana) feitas pelo próprio regime que o senhor protegeu diplomaticamente por décadas?

Amorim ignora a tortura interna porque, para ele, a violência só conta se vier do Ocidente.

Sua definição de ‘paz’ é a estabilidade do cárcere.

3. A hipocrisia da “Incerteza de Heisenberg”

Amorim invoca o “Princípio da Incerteza” de Heisenberg para descrever o novo cenário global, onde “qualquer coisa pode acontecer”.

O cinismo aqui reside no fato de que o governo brasileiro, sob sua tutela intelectual, trabalhou ativamente para criar essa incerteza.

  • Quem ajudou a corroer as regras internacionais ao se aliar ao Irã, patrocinador global do terrorismo?

  • Quem enfraqueceu o sistema de direitos humanos da ONU ao se abster de condenar violações na Nicarágua e na China?

  • Quem trabalha para expandir o BRICS, transformando-o em um sindicato de autocracias que buscam reescrever as regras globais para favorecer as ditaduras?

Amorim reclama de um mundo sem regras, mas a política externa que ele desenhou dedicou-se a sabotar a “Ordem Baseada em Regras” (Rules-Based Order) liderada pelas democracias liberais, em favor de uma “multipolaridade” caótica onde a Rússia e a China ditam as normas.

4. O cinismo da “solução” via BRICS

Como remédio, Amorim sugere “diversificação de parcerias”, citando explicitamente o BRICS. É o ápice da contradição. Ele sugere que, para restaurar a ordem e o respeito ao direito internacional, devemos nos abraçar mais forte com a Rússia (que rasgou a Carta da ONU), a China (que ameaça Taiwan) e o Irã (que financia o caos no Oriente Médio).

Conclusão: o medo da accountability

A pergunta do título do artigo de Amorim — “Como podemos viver em um mundo sem regras?” — deve ser traduzida para o que ele realmente sente: “’Como nossos parceiros vão sobreviver num mundo onde os EUA decidiram ignorar a lei internacional com a mesma frieza que a Rússia?”

O lamento de Amorim na The Economist é o obituário de uma doutrina de política externa que escolheu, consistentemente, o lado errado da história.

O Brasil merece uma diplomacia que defenda valores, não ditadores.

Uma publicação convidada por
Thiago Padovan
Projeto Villa Global Village

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Trancando a porta do aviário de Trump - Jorio Dauster (Relatório Reservado)

 O que precisa ser dito

Trancando a porta do aviário de Trump

  • Relatório Reservado, 22/01/2026

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Na manhã de hoje foi formalizada a criação do Conselho da Paz proposto por Donald Trump numa cerimônia realizada em Davos em que estiveram presentes, além do atual ocupante da Casa Branca, chefes de Estado de numerosos países, incluindo Argentina, Catar, Hungria, Indonésia, Paquistão e Paraguai, além de altos representantes da Arábia Saudita, Emirados, Jordânia e Turquia. Segundo autoridades norte-americanas, dos cerca de 60 países convidados mais da metade já teria concordado em participar, embora muitos países ainda estudem o convite (incluindo China e Rússia) e seis já o tenham recusado (Dinamarca, Eslovênia, França, Itália, Noruega e Suécia).

Com essa formalização, deixa de ser a válida a sugestão que fiz em artigo anterior, intitulado “O aviário de Trump” (https://relatorioreservado.com.br/noticias/o-aviario-de-donald-trump/), no sentido de que o Brasil poderia condicionar sua presença no órgão a determinadas modificações (certamente inaceitáveis) no projeto de estatuto que havia acompanhado o convite de Trump a Lula. Isso porque, segundo o próprio estatuto, não são admitidas reservas ao texto depois que a entidade entrasse em vigor como acaba de ocorrer.

Nessas circunstâncias, só resta agora ao Brasil negar sua participação devido à série de graves defeitos que apontei em outro artigo neste espaço, intitulado “Uma pomba sobrevoa o Palácio do Planalto”  (https://relatorioreservado.com.br/noticias/uma-pomba-sobrevoa-o-palacio-do-planalto/). Entre os mais obviamente impossíveis de serem aceitos pelo Brasil constavam a possibilidade de atuação do Conselho da Paz fora da Faixa de Gaza (que foi exclusivamente contemplada na Resolução 2083 do Conselho de Segurança das Nações Unidas) e o fato de que Donald Trump deterá a presidência vitalícia da nova entidade, devendo designar seu sucessor de maneira a gerar naquele território um feudo dinástico.

No entanto, como não há o menor interesse de que o Brasil hostilize o proponente do Conselho e os numerosos membros já confirmados, é recomendável que nossa recusa seja justificada por razões constitucionais. Com efeito, o artigo 4 da Carta Magna lista os princípios que regem as relações internacionais do país e, entre eles, como item quinto, se afirma a igualdade entre os Estados. Ora, o estatuto do Conselho da Paz viola esse princípio ao estabelecer diferenças frontais entre a) Estados convidados e não convidados por Trump, e b) Estados com mandato inicial de três anos sujeito a renovação por decisão monocrática de Trump e Estados com assento permanente caso paguem US$ 1 bilhão pela cadeira cativa.

Valendo-se desse argumento perfeitamente válido e correto, a ser explicitado em carta sóbria do presidente Lula ao presidente Trump, ficam nossas autoridades eximidas de declarar quaisquer outros motivos para sua decisão. Nessa comunicação, aliás, é fundamental enfatizar nosso desejo de que se estabeleça a paz duradoura na Faixa de Gaza, de que os palestinos gozem de padrões de vida condizentes com sua condição de cidadãos de pleno direito daquele território e de que as novas condições a serem ali criadas conduzam à formação definitiva do Estado palestino e à solução dos dois Estados.

Nada impedirá que possamos contribuir com o Conselho da Paz na realização de tais objetivos e até mesmo formar, com outros países que se neguem a dele participar, um grupo permanente de acompanhamento de suas atividades.

Cabe, porém uma última palavra dirigida àqueles que têm ótimas razões para crer que esse Conselho, tal como constituído, possa se transformar numa gigantesca fonte adicional de riqueza para o genro de Trump, Jared Kushner, outros membros de sua família e os multibilionários que o cercam. Os dirigentes de Egito, Catar e Turquia (conegociadores do cessar-fogo com os Estados Unidos em novembro de 2024), bem como os da Jordânia, Emirados e Arábia Saudita – em suma, todos os países árabes da região direta ou indiretamente envolvidos no conflito -, têm pleno conhecimento do que está em jogo. Se aceitam participar do Conselho é devido à convicção de que o mesmo ocorreria caso Israel anexasse a Faixa de Gaza e os palestinos que ali moram se transformassem eternamente em cidadãos de segunda classe sem qualquer respeito por suas vidas, bem-estar ou o direito de um dia criarem um Estado próprio.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Presença deste modesto blogueiro nas bem traçadas linhas de Airton Dirceu Lemmertz, e no escrutínio de Madame IA

 Je suis comblé, como diriam os franceses. Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz me fait plaisir, chaque jour. Talvez ele vise algum presente de aniversário, ainda a ver nas minhas emendas orçamentárias. PRA

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- Em ordem cronológica, as "participações" da Gemini (a IA do Google) no blogDiplomatizzando:

As frases mais polêmicas ditas por nossos líderes políticos: Lula, Bolsonaro, FHC, Dilma, Ciro Gomes - Airton Dirceu Lemmertz:

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, na semana de 12 a 18 de outubro de 2025, em resumo feito por Airton Dirceu Lemmertz:

50 livros mais importantes na literatura mundial (IA, via Airton Dirceu Lemmertz):

Dúvidas provocadoras respondidas pela Inteligência Artificial - Paulo Roberto de Almeida, IA, Airton Dirceu Lemmertz:

Relatório da ONU sobre torturas perpetradas pela Rússia contra prisioneiros ucranianos - Informação da IA (via Airton Dirceu Lemmertz):

Economias abertas e fechadas: Prof. Celso Grisi, PRA e Airton Dirceu Lemmertz:

Putin está perdendo a guerra de agressão contra a Ucrânia- a IA tente poderar os argumentos de minha postagem:

A internacional dos poderes totalitários no mundo: declaração do presidente do Comitê do Noble da Paz (título PRA) - Transcrição e consulta à IA por Airton Dirceu Lemmertz:

Vergonha diplomática: governo Lula se recusa a condenar o sequestro de crianças ucranianas pelo amigo Putin:

O pequeno manual prática da decadência, examinado e reconsiderado pela Inteligência Artificial, por meio de Airton Dirceu Lemmertz:

Madame Inteligência Artificial me corrige mais uma vez, na minha postagem sobre a sorte do chanceler acidental - Airton Dirceu Lemmertz, Paulo Roberto de Almeida:

Quero ver Madame IA criticar a minha postagem, dos tempos do ser asqueroso que ocupava a presidência:

Madame IA ataca outra vez: ela comenta uma defesa que fiz da dignidade dos diplomatas, atingidos por um presidente indigno do cargo - Airton Dirceu Lemmertz, Paulo Roberto de Almeida:

24 pecados da vida política brasileira examinados por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida e Airton Dirceu Lemmertz:

O Brasil entre a segurança internacional e a sua própria segurança cidadã: resposta da IAGemini, via Airton Dirceu Lemmertz:

Madame IA tenta defender a politica pró-russa do lulopetismo diplomático: ela está errada - Paulo Roberto de Almeida:

Madame IA se ocupa do pirata DJT no seu assalto a Caracas, via Airton Dirceu Lemmertz:

Madame IA se posiciona contra minhas observações sobre as relações do governo atual do Brasil (não o Brasil) e a democracia (via Airton Dirceu Lemmertz):

Como fica a dívida da Venezuela para com o Brasil a partir de uma postagem de Vitelio Brustolin analisada por Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz:

Madame IA se empenha, mais uma vez, em contestar minhas provocações, via Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida:

Crítica às ideias de Christian Lynch sobre as ideologias políticas do brasileiro - Madame IA se ocupa de fazê-la, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz:

DJT anda em busca de um Prêmio Nobel da Paz, exige um, imediatamente, do Reino da Noruega - Oliver Stuenkel comenta, Madame IA se intromete:

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- Em ordem cronológica, alguns vídeos do YouTube com links disponíveis no blog Diplomatizzando:

Paulo Roberto de Almeida: videoentrevistas constantes do YouTube (via Airton Diceu Lemmertz):
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/06/paulo-roberto-de-almeida.html

A Nação israelense: itinerário histórico - Airton Dirceu Lemmertz:

Israel: entre a tradição e as contradições do momento presente - via Airton Dirceu Lemmertz (Não É Imprensa):

Airton Dirceu Lemmertz:um mestre na transmissão de conhecimento.

Oleksandra Matviichuk, advogada ucraniana, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2022 - Roda Viva (TV Cultura, SP):

Paulo Roberto de Almeida no YouTube, coletado por Airton Diceu Lemmertz:

Um debate relevante sobre soberania e truculência imperial - Professor HOC, videos YouTube, via Airton Dirceu Lemmertz:

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- PRA (Paulo Roberto de Almeida) ou o blog (Diplomatizzando) nas mídias digitais (redes sociais, blogs, sites, etc), em ordem cronológica:

Paulo Roberto de Almeida: videoentrevistas constantes do YouTube (via Airton Diceu Lemmertz):

Uma coleção de postagens deste meu blog selecionadas por Airton Dirceu Lemmertz:

Airton Dirceu Lemmertz: um atento seguidor deste blog Diplomatizzando:

Algumas das minhas melhores postagens no Diplomatizzando, por Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida:

Paulo Roberto de Almeida: presença física, virtual, digital nos instrumentos de busca, por Airton Dirceu. Lemmertz:

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...