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sábado, 14 de março de 2026

O ESTREITO DE ORMUZ - Luiz Roberto Bendia (Canal Geo Discussões de Marcelo Rossi)

O ESTREITO DE ORMUZ
Luiz Roberto Bendia

Do canal Geo Discussões de Marcelo Rossi
12/03/2026

Todos pensam que o Irã pode fechar o Estreito de Ormuz. Isso está errado. O Irã não o fechou. Foi Londres. Não o governo.
As seguradoras.
A artéria petrolífera mais importante do mundo quase parou de fluir.
Deixe-me explicar.
Todos os dias, cerca de 107 navios cargueiros normalmente passam por ali.
Linhas vitais de energia para a economia global.
Na semana passada?
Apenas 19 navios cruzaram.
Um colapso de 81% no tráfego. Sem mísseis.
Apenas uma decisão: as seguradoras retiraram a cobertura.
Eis como o transporte marítimo global realmente funciona.
Cerca de 90% dos navios do mundo são segurados por 12 clubes de seguros marítimos. Esses clubes dependem dos mercados de resseguros — a maioria sediada em Londres.
Quando o risco de guerra aumenta, as resseguradoras podem retirar a cobertura.
E quando isso acontece:sem seguro!!!
→ os navios não podem navegar
→ o comércio para.
Um petroleiro de US$ 150 milhões não navegará sem seguro. Portanto, o Estreito de Ormuz não foi bloqueado pela marinha.
Foi bloqueado por uma planilha.
Agora, a verdadeira questão:
Quem está sendo realmente estrangulado?
Três atores.
1. Irã
Quase todas as exportações de petróleo iranianas passam por Ormuz. Se o transporte marítimo entrar em colapso o Irã não poderá exportar. Sua receita de guerra desaparece. Ironicamente, a arma petrolífera prejudica primeiro o próprio Irã.
2. China
A China é o país mais exposto do mundo a uma interrupção em Ormuz.
* Cerca de 40% das importações chinesas de petróleo bruto passam pelo estreito
* Cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas são destinadas à China
* Os carregamentos de GNL do Catar para a China precisam atravessar Ormuz.
Portanto, se essa rota congelar, a segurança energética da China começa a ser abalada. É por isso que Pequim rapidamente pediu a desescalada.
3. Todo o Golfo
* Arábia Saudita
* Emirados Árabes Unidos
* Catar
* Kuwait
* Iraque
Suas exportações de petróleo dependem disso.
O Estreito de Ormuz transporta cerca de 20 milhões de barris por dia. Não há rota alternativa.
E é aqui que o sistema financeiro britânico entra discretamente na história.
Durante séculos, Londres dominou o mercado de seguros marítimos. Dos mercados de Lloyd's ao resseguro global. Isso significa que quando Londres decide que o risco é muito alto, o transporte marítimo global congela. Nenhum bloqueio é necessário.
Isso ajuda a Rússia?
A curto prazo, sim. Se as exportações do Golfo diminuírem:
* Os preços do petróleo sobem
* O petróleo bruto russo se valoriza
* A Ásia pode comprar mais petróleo russo
Preços mais altos significam mais dinheiro para Moscou.
E a Índia?
A Índia importa cerca de 85% do seu petróleo. Grande parte vem do Oriente Médio. Se a instabilidade no Estreito de Ormuz persistir:
* Os custos de frete aumentam
* Os preços do petróleo disparam
* A pressão inflacionária aumenta.
A vantagem da Índia é a diversificação.
Ela compra de:
* Produtores do Golfo
* Rússia
* Outros fornecedores.
Mas se o Estreito de Ormuz permanecer instável, todos pagarão mais.
Qual a maior lição aqui?
A maioria das pessoas pensa que a geopolítica é controlada por:
* Presidentes.
* Generais.
* Mísseis.
Mas às vezes os verdadeiros guardiões são os atuários que executam modelos de risco em Londres. Eles não disparam armas. Eles precificam a probabilidade. E quando os números não fecham o comércio global simplesmente para.
Se você quer entender a geopolítica moderna, lembre-se disto: o mundo não é mais controlado apenas por governos.
Ele é controlado por sistemas.
* Sistemas de seguros.
* Sistemas de energia.
* Sistemas financeiros.
Mísseis criam manchetes. Modelos de risco decidem o que realmente se move.
*****


quarta-feira, 11 de março de 2026

Não é de hoje que os russos massacram os ucranianos - Paulo Roberto de Almeida (Diplomatizzando)

 Não é de hoje que os russos massacram os ucranianos:


- Em ordem cronológica, postagens no blog Diplomatizzando atreladas ao "Holodomor" ("A Grande Fome" ucraniana, em um período que a Ucrânia pertencia à URSS stalinista) com o respectivo link:

Holodomor (A Grande Fome) - o genocídio de milhões de ucranianos através da fome pelo regime stalinista:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/03/holodomor-grande-fome-o-genocidio-de.html

Dossiê Holodomor - o genocídio ucraniano por Stalin:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/03/dossie-holodomor-o-genocidio-ucraniano.html

Não é de hoje que a Ucrânia sofre sob ataques da Rússia. Uma Ucrânia de uma outra era - a do stalinismo ascendente:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/05/a-eterna-guerra-de-agressao-da-russia.html

Holodomor: o genocídio ucraniano por Stalin.
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/algumas-das-minhas-melhores-postagens.html#:~:text=bbc.html%0A%0A%3D%3D%3D-,Holodomor,-%3A%20o%20genoc%C3%ADdio%20ucraniano

O FORTALECIMENTO DA BASE INDUSTRIAL DE DEFESA E SEGURANÇA COMO EIXO DA SOBERANIA E DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL - Embaixador Jorio Dauster

O FORTALECIMENTO DA BASE INDUSTRIAL DE DEFESA E SEGURANÇA COMO EIXO DA SOBERANIA E DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL


O embaixador Jorio Dauster efetuou uma palestra em 10/03/2026 no Departamento de Defesa e Segurança da FIESP sobre as vulnerabilidades do Brasil e a necessidade de urgente fortalecimento da Base Industrial de Defesa. [PRA: o link para o texto mencionado logo ao início figura ao final.]



Em carta aberta à nação com o título de “Brasil, país indefeso”, publicada no número de dezembro da revista Inteligência/Insight, eu e o embaixador Rubens Barbosa afirmamos que o mundo surgido em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, favoreceu o liberalismo econômico, a livre iniciativa, a globalização e as instituições multilaterais. Mas tudo mudou com a chegada pela segunda vez de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, pois ele vem desmontando sistematicamente essa ordem mundial e utilizando de forma abusiva recursos comerciais a fim de sujeitar antigos aliados e adversários políticos.
Não bastasse isso, Trump mais recentemente passou a empregar todo o imenso poderio bélico dos Estados Unidos para sequestrar o chefe de Estado venezuelano e atacar o Irã em parceria com Israel. Por mais criticáveis que sejam esses dois alvos, não podemos aceitar tranquilamente o desrespeito ao princípio da soberania nacional e às normas da convivência entre nações. O fato inexorável é que, a partir de então, passou a imperar neste novo mundo a lei da selva e que o Brasil precisa com urgência rever sua política de defesa e suas posturas diplomáticas de modo a se adaptar a esses tempos turbulentos.
O Brasil não pode continuar a ser um país indefeso.
Numa breve porém esclarecedora perspectiva histórica, podemos ver que o mundo ocidental já conheceu três períodos em que uma nação exerceu papel hegemônico sobre as demais. A chamada Pax Romana durou do reinado de Augusto, em 27 a.C., ao reinado de Marco Aurélio, até 180 d.C. Tivemos bem depois a Pax Britannica, que durou de 1815, com o fim das guerras napoleônicas e o Congresso de Viena, até o início do século XX, período em que a poderosa marinha da Grã-Bretanha sustentou o império em que o sol nunca se punha. Finalmente tivemos a Pax Americana em que os Estados Unidos exibiram uma posição ambígua: por um lado, exerceram o chamado “soft power” ao liderar a criação de uma série de organismos internacionais que davam certa organicidade ao relacionamento entre as nações; por outro lado, aplicaram o “hard power” ao atuar como gendarme mundial, executando diversas incursões militares e travando guerras na Coreia, no Vietnã, no Golfo, no Afeganistão e no Iraque (várias delas, cumpre notar, com resultados negativos).
O que estamos vivendo hoje é uma fase perigosa em que essa hegemonia norte-americana se vê fortemente ameaçada pelo poderio nuclear da Rússia e, mais relevante, pela ascensão extraordinária da China à condição de superpotência no curtíssimo espaço histórico de um quarto de século. Esse declínio da supremacia dos Estados Unidos, que Trump tenta deter inclusive mediante a destruição do sistema multilateral, conduz ao que eu costumo chamar de Segunda Grande Guerra Fria, em que, como ocorre no encontro entre placas tectônicas, vamos conviver por um período de tempo impossível de estimar com terremotos, vulcões e tsunamis geopolíticos.
Na realidade, o país pacífico que somos já nem se recorda da única guerra que lutou contra o Paraguai, nos idos de 1865. Todos os nossos conflitos de fronteiras foram resolvidos em entendimentos bilaterais ou por arbitragem sobretudo ao longo do século XIX. Com tal pano de fundo, não admira a falta de uma cultura de defesa no Brasil equivalente àquela que existe nos Estados Unidos, na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, cujos povos verteram e ainda vertem muito sangue nos campos de batalha. Ademais, os 21 anos de autoritarismo e numerosas intervenções militares na política interna contribuíram para empanar a inquestionável importância das forças armadas na vida nacional. É compreensível, portanto, que durante o período de hegemonia norte-americana o Brasil passasse a depender quase inteiramente de material bélico comprado dos Estados Unidos e de outros países da OTAN, não se esforçando de modo efetivo para criar uma indústria nacional de defesa que lhe concedesse qualquer capacidade de proteção autônoma.
As vulnerabilidades do Brasil ficam evidentes quando se pensa na inexistência de meios adequados para assegurar a soberania nacional na defesa das fronteiras, para proteger as plataformas de petróleo no imenso mar territorial, para impedir eventuais ambições externas sobre os extraordinários recursos biológicos, minerais e hídricos na Amazônia, para defender o país de ataques cibernéticos e para preservar as comunicações privadas e governamentais (inclusive militares) dependentes de satélites operados por companhias estrangeiras.
Ademais, existe hoje uma série de novas ameaças que precisamos enfrentar, como o tráfico de armas e de drogas, o terrorismo e a guerra cibernética. E, a esses velhos e novos desafios, vem se somar agora o impacto da Inteligência Artificial, capaz de substituir os recursos humanos em numerosas funções militares e até mesmo em definições estratégicas, como estamos vendo ocorrer no Irã. Se o Brasil não dispuser de capacidade para utilizar as novas tecnologias e a IA, estará em grande desvantagem no que tange ao seu poder de dissuasão perante outras nações.
Não obstante, para um observador desavisado pareceria que nosso sistema de proteção armada é muito bem amparado pois o Ministério da Defesa recebe a quarta maior dotação da Esplanada, com fabulosos 141,9 bilhões de reais no orçamento do ano em curso que representam cerca de 6% do total. Mas, na realidade, os gastos discricionários correspondem a pouco mais de 10% desse montante porque uma grande parcela do resto é consumida com pessoal e encargos sociais, sobretudo inativos e pensionistas. Em números aproximados, as três forças têm 350 mil homens e mulheres na ativa, 170 mil como inativos remunerados e 250 mil como pensionistas (das quais 140 mil são filhas de militares falecidos que até há pouco tinham direito a pensões vitalícias caso permanecessem solteiras e não tivessem empregos públicos). Quando comparadas essas cifras com os cerca de 25% gastos nos Estados Unidos com salários e pensões no orçamento do seu Ministério da Defesa, é fácil entender porque nossas forças armadas são hoje muito mais um instrumento de amparo social do que uma máquina bélica.
Diante dessa carência de recursos para fins de investimento, recentemente foram liberados cerca de R$ 30 bilhões adicionais para as Forças Armadas ao longo de cinco anos, com recursos fora da meta fiscal e protegidos de contingenciamentos. Esses fundos deverão ser alocados em projetos prioritários que estão com seus cronogramas de implantação muito atrasados, porém tais valores são irrisórios e, infelizmente, agravam o desequilíbrio das contas públicas por não se submeterem às já pouco confiáveis metas fiscais.
Assim, fica claro que é necessário criar uma agenda positiva para o setor de defesa que envolva medidas de curto, médio e longo prazo, mas cujo primeiro e fundamental obstáculo consiste em responder à pergunta que se faz qualquer executivo no setor privado: com que recursos posso contar a fim de expandir minha parcela no mercado, desenvolver uma nova linha de produção ou construir mais uma planta para a empresa? E uma coisa é óbvia: as Forças Armadas brasileiras NÃO PODEM contar com verbas orçamentárias para responder aos múltiplos desafios acima listados pois já absorvem parcela muito substancial de um orçamento público que precisa atender aos imperiosos reclamos sociais em matéria de saúde, moradia, transporte e segurança na vida cotidiana de milhões de cidadãos.
De onde virão então os bilhões de reais por ano que se fazem necessários? A sabedoria popular há muito respondeu: do couro sai a correia. Isso significa simplesmente que as próprias Forças Armadas terão de gerar uma parte adicional dos recursos de que necessitam para investir em seu fortalecimento. E isso exigirá uma nova mentalidade no governo e no Ministério da Defesa, porém principalmente no seio do alto comando das três forças, que precisarão se mirar no exemplo do grande brigadeiro Ozires Silva cuja visão de empreendedor nos brindou com a criação desse orgulho nacional que é a EMBRAER.
Do ponto de vista instrumental, já existem hoje empresas controladas pelas três forças que podem perfeitamente servir para gerar os lucros a serem empregados por elas próprias, tais como a ENDEFORTE, no caso do Exército, e a EMGEPROM, no caso da Marinha, sem prejuízo de que outras sejam estabelecidas se e quando necessário. Ademais, é fundamental que os recursos que venham a ser obtidos por essas atividades empresariais não caiam na vala comum da Receita Federal, o que tornará necessária, mediante legislação específica, a implantação de fundos que garantam o uso desses recursos apenas para fins de investimento no setor de defesa.
Mas as Forças Armadas de nenhum país podem existir num vazio econômico ou apenas com algumas empresas estatais, uma vez que, sem o suporte de uma ampla estrutura produtiva interna, acabariam sendo meros instrumentos ancilares das potências que lhes forneçam equipamentos e insumos logísticos. Tendo em vista o necessário propósito de obter o máximo de autonomia possível, como ocorreu na Turquia no curto período de dez anos, as Forças Armadas devem associar-se a empresas privadas nacionais que já compõem e venham a fortalecer nossa Base Industrial de Defesa, podendo igualmente fazer o mesmo com empresas estrangeiras que transfiram tecnologia para o Brasil e/ou garantam mercados no exterior. Além disso, o Governo deveria estimular, como faz o da Índia, a criação de “joint ventures” entre empresas brasileiras, que entrem com o capital, e estrangeiras, que tragam tecnologia, a fim de aqui produzir materiais de defesa. Esse foi o modelo pelo qual a Taurus, levando apenas seu “know-how” e ficando com 49% do capital de uma empresa destinada a produzir de pistolas a fuzis, se associou a um dos maiores conglomerados de aço da Índia para criar uma fábrica já em operação naquele país.
Mas o que temos hoje efetivamente como Base Industrial de Defesa? Seu conceito foi estabelecido pela primeira vez na Política Nacional de Defesa (PND) de 2005, que a definiu como “o conjunto das empresas estatais e privadas, bem como organizações civis e militares, que participem de uma ou mais das etapas de pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e manutenção de produtos estratégicos de defesa”. Outros textos oficiais, como a Estratégia Nacional de Defesa (END), atualizada com frequência, vinculam a BID não só ao planejamento da defesa nacional, mas também ao desenvolvimento econômico e ao avanço tecnológico do setor produtivo pois os investimentos no setor resultam em crescimento econômico, maiores exportações e geração de empregos qualificados graças ao alto valor agregado e componente tecnológico dos produtos de defesa, gerando spillovers de inovação para toda a indústria nacional. Entre os pontos de destaque para desenvolver a BID, a END coloca o domínio de tecnologias duais e a importância da tríplice hélice – governo, setor privado e academia. A END também identificou três setores estratégicos: espacial, cibernético e nuclear, ainda muito carentes de avanços significativos.
A Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil é composta por cerca de 80 empresas exportadoras e algumas outras, tanto públicas quanto privadas, especializadas em pesquisa, desenvolvimento e manutenção de equipamentos estratégicos, contribuindo com cerca de 3,5% do PIB. Exemplos notáveis incluem a Embraer, Taurus, Helibras, CBC e Ares. O setor gera aproximadamente 3 milhões de empregos diretos e indiretos, com efeito multiplicador sobre outros segmentos industriais. Apesar dessas cifras positivas, o número de empresas ativas no setor é ainda muito pequeno e suas áreas de atuação demasiado restritas diante do que seria necessário para superar as múltiplas vulnerabilidades apontadas anteriormente.
Nessas condições, como medida preliminar e imediata, é essencial que o programa de compras de equipamento militar no exterior seja totalmente repensado de modo a beneficiar os produtores nacionais que aqui geram renda e emprego. Não faz sentido que as três forças continuem eternamente a manter em Washington e Londres comissões de compra de equipamentos com a presença de dezenas de oficiais e praças, gastando milhões de dólares anuais para manter caras estruturas quando sem dúvida uma parcela crescente dessas aquisições necessita ser substituída por produtos nacionais.
Como eventuais medidas restritivas nesse novo mundo poderão ser aplicadas a diversas tecnologias inseridas em produtos que adquirimos no exterior, é igualmente imprescindível que as Forças Armadas, valendo-se de nossas universidades e centros de pesquisa, concentrem sua atenção em produtos de uso dual como equipamentos de telecomunicação e de tecnologia da informação, produtos eletrônicos, chips, sensores e lasers. O Governo, juntamente com o setor privado, precisa desenvolver uma infraestrutura própria de armazenamento de dados e de comunicação para eliminar a dependência de empresas estrangeiras, uma vez que o país não está preparado para responder à ameaça cibernética no tocante à segurança e proteção de dados sensíveis. O Centro de Defesa Cibernética, no âmbito do Exército, deveria interagir com o Banco Central, ministérios e empresas privadas, desde bancos até cadeias de bens de consumo, para melhorar a capacidade de defesa contra os ataques de hackers que, como se viu em outros países, podem afetar a infraestrutura de energia, de transporte das cidades e mesmo a segurança nacional. Neste setor em que as ações do governo têm sido historicamente muito insatisfatórias, vale destacar o importante papel que vem sendo desempenhado pela FINEP no apoio ao desenvolvimento tecnológico da indústria de defesa com crédito barato e até mesmo recursos não reembolsáveis.
Na definição das novas estratégias que devem comandar a cooperação entre as Forças Armadas e a Base Industrial de Defesa, é necessário também que o Governo dê solução definitiva aos conhecidos problemas de tributação do setor, eliminando as vantagens de que gozam atualmente os produtos importados nas licitações de armamentos mesmo que isso implique modificações na Constituição. Cumpre igualmente aperfeiçoar os mecanismos de financiamento pelo BNDES das exportações das empresas que compõem a Base Industrial de Defesa, hoje fortemente concentradas nas vendas externas de produtos da EMBRAER tais como o KC-390 e os Super Tucanos. Nesse sentido, como pude observar nos 11 anos em que ocupei a presidência do Conselho de Administração da Taurus, muitos governos estrangeiros preferem adquirir armas no Brasil por saberem que elas não estarão sujeitas a eventuais (e prováveis) condicionamentos arbitrários quando seus fornecedores são potências com mutáveis interesses geopolíticos.
Por fim, e com o objetivo de mostrar que não estamos tratando de metas ilusórias, relaciono a seguir, a título de mero exemplo, algumas atividades que no curto prazo poderiam gerar substanciais recursos de investimento. Para as Forças Armadas como um todo, a monetização das imensas áreas por elas ocupadas em todo o território nacional e que já não têm utilidade estratégica, matéria de que trato no meu projeto intitulado MODERFAR (disponível para quem tiver interesse no assunto). No caso do Exército, a venda de créditos de carbono das vastas florestas atualmente sob sua jurisdição. No caso da Marinha, a exploração de minerais no fundo do oceano em diversas áreas já identificadas no nosso mar territorial. No caso da Aeronáutica, o lançamento oneroso de satélites na Base de Alcântara.
Em conclusão – e voltando ao artigo que mencionei no início da palestra –, reitero que um país com mais de 210 milhões de habitantes e de dimensões continentais não pode e não deve se dar ao luxo de ignorar as vulnerabilidades em áreas estratégicas que podem afetar seus interesses concretos e prejudicar seu desenvolvimento. Urge uma discussão franca entre o setor privado e o Governo para a definição de estratégias a fim de que o Brasil ganhe autonomia em áreas essenciais e reduza ou elimine a dependência externa em segmentos críticos para resguardar a segurança do país. A Base Industrial de Defesa precisa ser vista como uma prioridade pelo Governo e principalmente pelas próprias Forças Armadas. Num mundo em rápida mutação, a grande maioria dos países está colocando seus interesses nacionais acima de alinhamentos automáticos com base na ideologia ou na geopolítica. Esse é o caminho mais seguro para o Brasil nos próximos meses e anos.


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Segue o link para acessar o número da revista Insight/Inteligência em que consta, como artigo de capa, a Carta Aberta à Nação redigida pelos embaixadores Jorio Dauster e Rubens Barbosa com o título “Brasil, país indefeso”:
https://insightinteligencia.com.br/pdfs/111.pdf

Os novos eixos politicos em escala regional e mundial e como se alinha o Brasil do lulopetismo - Revista ID

A queda

A derrocada do populismo de esquerda na AL

Multidão caindo no abismo — Foto © sellingpixsellingpix #31417133


A derrocada do populismo de esquerda e das ditaduras socialistas na América Latina 

Lula e o PT já contaram, na condição de aliados na América Latina, com muitos neopopulistas de esquerda que parasitavam regimes eleitorais não-liberais e alguns ditadores ditos socialistas. Agora não contam mais. Vejamos.

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Antes

NEOPOPULISTAS

1 - Correa e Moreno (no Equador), 

2 - Lugo (no Paraguai), 

3 - Funes e Cerén (em El Salvador), 

4 - Cristina e Fernández (na Argentina), 

5 - Obrador (no México), 

6 - Manoel Zelaya e Xiomara (em Honduras), 

7 - Evo e Arce (na Bolívia), 

8 - Chávez (na Venezuela)

9 - Lula e Dilma (no Brasil)

DITADORES

10 - Os irmãos Castro (em Cuba), 

11 - Ortega (na Nicarágua),

12 - Maduro (na Venezuela). 

Agora

NEOPOPULISTAS

1 - Claudia (no México), 

2 - Lula (no Brasil)

3 - Petro (na Colômbia) - Mas seu candidato pode perder a próxima eleição. 

DITADORES

4 - Ortega e Murillo (na Nicarágua),

5 - Díaz-Canel (em Cuba) - Não se sabe por quanto tempo.

6 - Delcy Rodriguez (na Venezuela) - Não se pode contar mais com ela (pois virou refém de Trump).

Balanço na América Latina

De 12 que já foram (ainda que nem sempre simultaneamente) podem restar apenas 2 ou 3 (simultaneamente). Ou menos, se Lula perder a eleição de 2026. Eis a queda. Talvez a maior derrocada que já se viu na história em uma mesma região do mundo em tão pouco tempo.


No mundo

No plano mundial o lulopetismo está alinhado aos autocratas de esquerda (e socialistas) que estão em governos, como Xi Jinping (na China), Pham Minh Chinh (no Vietnã), Sonexay Siphadone (no Laos), Kim Jong-un (na Coreia do Norte), Lourenço (em Angola). Além disso, está alinhado aos neopopulistas de esquerda que parasitam regimes eleitorais não-liberais, como Subianto (na Indonésia) e Ramaphosa (na África do Sul). Por último, o lulopetismo é defensor de Putin (na Rússia) e de Lukashenko (na Bielorrússia) e seus demais satélites centro-asiáticos (como Cazaquistão, Uzbequistão etc.), de Khamenei pai e agora filho (no Irã) e não condena o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC) e seus braços terroristas (como Hamas, Jihad Islâmica, Hezbollah, Houthis etc.). 

O que há de comum a todos eles? São, todos, inimigos das democracias liberais ou plenas.

Conclusão

Dizer que Lula e o PT defendem a democracia ou é mentira pura e simples ou revela um profundo desconhecimento do que é democracia.

Bastaria perguntar por que os lulopetistas não se alinham, preferencialmente, aos regimes (democracias liberais ou plenas) vigentes nos seguintes países (não por acaso os mais desenvolvidos do mundo): Alemanha, Áustria, Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal, Suécia, Reino Unido, Noruega, Suíça, Islândia, Canadá, Barbados, Costa Rica, Suriname, Chile, Uruguai, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia.

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terça-feira, 10 de março de 2026

Minhas colaborações à revista Crusoé, 2019 a 2024 - Paulo Roberto de Almeida

Minhas colaborações à revista Crusoé, 2019 a 2024

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Relação linear, cronológica, de minhas colaborações com a revista Crusoé
Destino: Blog Diplomatizzando

A relação que segue, puramente recapitulativa, recolhe, a partir da minha lista geral de trabalhos, todos os textos, entrevistas ou interações com os editores e redatores da revista Crusoé, com a qual colaborei, regularmente, durante um par de anos. Segue apenas a linha cronológica natural, do mais antigo ao mais recente, sendo que o último é uma coletânea dos artigos (escritos, publicados) oferecidos à revista, editada em formato de livro digital.
Acho que tem coisas ainda válidas nesse ajuntamento de textos de circunstância.
Vou pensar em retomar essas colaborações voluntariamente, apenas como diversão, o que sempre faço segundo a recomendação de Montaigne e de José Mindlin: Je ne fais rien sans gaieté.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 10 de março de 2026.

3424. “‘Ernesto Araújo enganou o presidente’, diz embaixador demitido”, Brasília, 5 março 2019, 6 p. Entrevista ao jornalista Caio Junqueira da revista Crusoé (link: https://crusoe.com.br/diario/ernesto-araujo-enganou-o-presidente-diz-embaixador-demitido/); Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/03/ernesto-araujo-enganou-o-presidente-diz.html).

3442. “Sobre as intervenções de militares na política brasileira”, Brasília, 31 março 2019, 5+6 p. Introdução histórica Academia.edu comentários de Mario Sabino (Crusoé, n. 48, 31/03/2019) ao texto da Ordem do Dia das FFAA a propósito do dia 31 de marçAcademia.edu no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/03/para-ler-os-militares-em-1964-e-em-2019.htmAcademia.eduado no Facebook (link: https://www.facebook.com/paulobooks/posts/2387247414672028). Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/f60c55b452/sobre-as-intervencoes-de-militares-na-politica-brasileira). Transcrita de forma parcial no Blog Diplomatizzando (18/04/2019; link; https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/04/as-forcas-armadas-e-sociedade-cel.html).

3930. “Sobre a política externa e a diplomacia brasileira: uma entrevista”, Brasília, 16 junho 2021, 14 p. Respostas a questões do jornalista Duda Teixeira, em formato de entrevista para a revista Crusoé sobre temas de diplomacia e de política externa, seguida de entrevista oral, combinando os dois formatos em matéria publicada na seção “Entrevista da Semana” da Revista Crusoé (edição 164, 18/06/2021; link: https://crusoe.com.br/edicoes/164/mudanca-a-forca/0). Sobre a política externa e a diplomacia brasileira, disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/49299957/MudancaaforçaentrevistadePauloRobertodeAlmeidaparaRevistaCrusoe). Parte relativa aos militares, divulgada de forma independente, sob o título de “Existe algum risco de golpe miliar no Brasil? Não, embora o capitão gostaria que ocorresse”, no blog Diplomatizzando (18/06/2021; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/06/existe-algum-risco-de-golpe-militar-no.html). Relação de Publicados n. 1406.

4188. “O Brics e o Brasil: quem comanda?”, Brasília, 28 junho 2022, 3 p. Artigo para a revista Crusoé. Enviado a Duda Teixeira, via WA. Editado pelo jornalista, sob o título de “A ampliação do Brics e o interesse nacional”, com pequenas edições em pontos específicos; salvo como “4188aBricsInterNacional”. Publicado na revista Crusoé (1/07/2022; link: https://crusoe.uol.com.br/secao/reportagem/a-ampliacao-do-brics-e-o-interesse-nacional/); transcrito no blog Diplomatizzando (1/07/2022; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2022/07/a-ampliacao-do-brics-e-o-interesse.html). Relação de publicados n. 1461.

4275. “Programa Latitude: entrevista sobre política externa de Lula III”, Brasília, 19 novembro 2022, 9 páginas. Notas sobre questões colocadas pelo jornalista Duda Teixeira, da revista Crusoé, para entrevista oral no dia 21/11/2022. Versão reduzida, sob o título de “A diplomacia de Lula, 2023-2026: mais do mesmo?”, postada na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/91326453/4275_A_diplomacia_de_Lula_2023_2026_mais_do_mesmo_2022_) e no blog Diplomatizzando (21/11/2022; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2022/11/a-diplomacia-de-lula-2023-2026-mais-do.html). Emissão divulgahttps://www.youtube.com/watch?v=O7tzEZV3P9Q; erros diplomáticoshttps://www.youtube.com/watch?v=O7tzEZV3P9Q&t=1433s;e.com/watch?v=O7tzEZV3P9Q; outro link geral: https://www.youtube.com/watch?v=O7tzEZV3P9Q&t=1433s; lihttps://www.youtube.com/watch?v=pZ6I78fplEI;r o líder da América Latina”, 1,8 mil visualizações: https://www.youtube.cohttps://www.youtube.com/watch?v=21jP70kzLVU;rge com grandes catástrofes”, 5,3 mil visualizações: https://www.https://www.youtube.com/watch?v=cssPH_lTXJYrios da Oxfam são hipócritas”, 1,1 mil visualizações: https://www.youtube.com/watch?v=cssPH_lTXJY ). Relação de Publicados n. 1479.

4290. “Haverá paz no mundo em 2023?”, Brasília, 16 dezembro 2022, 5 p. Artigo para a revista digital Crusoé, a pedido do jornalista Duda Teixeira. Revisto e publicado, sob o título “Paz impossível, guerra improvável”, na revista Crusoé (n. 244, sexta-feira, 30/12/2022, link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/244/paz-impossivel-guerra-improvavel/); divulgado no blog Diplomatizzando (12/03/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/havera-paz-no-mundo-em-2023-artigos-na.html). Relação de Publicados n. 1487.

4292. “Fórum de Davos: o piquenique invernal do capitalismo bem-comportado”, Brasília, 20 dezembro 2022, 4 p. Artigo sobre o Fórum Econômico Mundial de 2023, para a revista Crusoé. Publicado sob o título de “O capitalismo bem-comportado de Davos”, revista Crusoé (13/01/2023; https://crusoe.uol.com.br/secao/reportagem/o-capitalismo-bem-comportado-de-davos/); divulgado no blog Diplomatizzando (12/03/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/forum-de-davos-o-piquenique-invernal-do.html). Relação de Publicados n. 1491.

4300. “De repente, o mundo descobre um brasileiro pouco cordial”, Brasília, 9 janeiro 2023, 4 p. Nota sobre o vandalismo produzido pelos terroristas bolsonaristas na Praça dos Três Poderes, no domingo 8/01/2023. Publicado na revista Crusoé (9/01/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/diario/de-repente-o-mundo-descobre-um-brasileiro-pouco-cordial/); reproduzido no blog Diplomatizzando (9/01/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/01/de-repente-o-mundo-descobre-um.html). Relação de Publicados n. 1490.

4304. “O Brasil e o seu vizinho mais importante, a Argentina, talvez distante”, Brasília, 16 janeiro 2023, 4 p. Artigo sobre as relações Brasil-Argentina, no contexto da primeira viagem de Lula, para a revista Crusoé. Publicado, sob o título “O bloco do Cambalacho”, na revista Crusoé (n. 247, 20/01/2023, link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/247/o-bloco-do-cambalacho/); versão original, sob o título “O Brasil e o seu vizinho mais importante, a Argentina, talvez distante”, publicada no blog Diplomatizzando (14/02/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/02/o-brasil-e-o-seu-vizinho-mais.html). Relação de Publicados n. 1492.

4314. “O que o Brasil deixou de aprender com a Alemanha?”, Brasília, 31 janeiro 2023, 4 p. Nova colaboração com a revista Crusoé, a propósito da visita ao Brasil do chanceler Olaf Scholz, enfatizando educação de qualidade na Alemanha e trajetórias diferentes do SPD e do PT. Publicado em 3/02/2023 (link: https://oantagonista.uol.com.br/brasil/crusoe-o-que-o-brasil-deixou-de-aprender-com-a-alemanha/); divulgado no blog Diplomatizzando (12/03/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/o-que-o-brasil-deixou-de-aprender-com.html). Relação de Publicados n. 1493.

4320. “Diplomacia de Lula 3: la nave va..., mas para onde?”, Brasília, 14 fevereiro 2023, 5 p. Artigo sobre as repetições da diplomacia ativa e altiva. Publicado, sob o título de “A mesma coisa, tudo de novo”, na revista Crusoé (17/02/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/251/a-mesma-coisa-tudo-de-novo/); divulgado no blog Diplomatizzando (12/03/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/diplomacia-de-lula-3-la-nave-va-mas.html). Relação de Publicados n. 1494.

4326. “O Brasil e a China: até onde vai a relação estratégica?”, Brasília, 20 fevereiro 2023, 5 p. Publicado na revista Crusoé (3/03/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/253/o-encanto-de-lula-pelo-duvidoso-modelo-chines/); divulgado no blog Diplomatizzando (12/03/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/o-brasil-e-china-ate-onde-vai-relacao.html). Relação de Publicados n. 1496.

4335. “Os intelectuais do Itamaraty e o caso único de José Guilherme Merquior”, Brasília, 8 março 2023, 7 p. Colaboração à revista Crusoé; publicada em 17/03/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/255/os-intelectuais-do-itamaraty-e-o-caso-unico-de-jose-guilherme-merquior/ ). Relação de Publicados n. 1497.

4342. “O Brasil como um imenso Portugal?”, Brasília, 23 março 2023, 4 p. Artigo para a revista Crusoé, a propósito da visita do presidente Lula a Portugal. Publicado em 27/04/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/secao/colunistas/o-brasil-como-um-imenso-portugal/). Divulgado no blog Diplomatizzando (21/04/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/04/o-brasil-como-um-imenso-portugal-2023.html). Relação de Publicados n. 1506.

4344. “O que Putin quer de Lula? O que ele vai conseguir?”, Brasília, 25 março 2023, 6 p. Artigo para a revista Crusoé, sobre a próxima visita do chanceler Lavrov ao Brasil, tratando do Brics e da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Publicado na Crusoé (31/03/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/257/o-que-putin-quer-de-lula-o-que-ele-vai-conseguir/?fbclid=IwAR0HUZLik-L-mAziepagvbW2FtPFh-mtymnqIQHUhNSGKuu2dxVGndG0dKk?utm_source=crs-site&utm_medium=crs-login&utm_campaign=redir); divulgado no blog Diplomatizzando (18/04/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/o-que-putin-quer-de-lula-o-que-ele-vai.html). Relação de Publicados n. 1499.

4354. “‘A Guerra Perpétua’, segundo Putin, ou o projeto de uma ‘nova ordem mundial’, como vontade e como representação”, Brasília, 7 abril 2023, 3 p. Publicado na revista Crusoé (14/04/2023; link: https://oantagonista.uol.com.br/mundo/paulo-roberto-de-almeida-na-crusoe-guerra-perpetua-de-putin/); divulgado no blog Diplomatizzando (23/04/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/a-guerra-perpetua-segundo-putin-ou-o.html). Relação de Publicados n. 1504.

4358. “O retorno da diplomacia presidencial nos cem dias de Lula”, entrevista com o jornalista Duda Teixeira da revista Crusoé (emissão em 9/04/2023, 14:29; link: https://crusoe.uol.com.br/diario/o-retorno-da-diplomacia-presidencial-nos-100-dias-de-lula/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/o-retorno-da-diplomacia-presidencial.html). Relação de Publicados n. 1503.

4365. “Potências revisionistas e rupturas da ordem global”, Brasília, 17 abril 2023, 4 p. Ensaio sobre os momentos de rupturas históricas em ordens políticas estabelecidas. Para aula no curso de mestrado em Relações Internacionais da UFABC, a convite do prof. Mohammed Nadir, via online, em 18/04/2023. Primeira parte aproveitada para um pequeno texto sobre a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia; postado, sob o título de “Lula tem certeza de que seria uma boa ideia colocar o Brasil do lado da Rússia e da China na construção de uma nova ordem mundial?”, no blog Diplomatizzando (26/04/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/deve-o-brasil-aderir-ideia-de-uma-nova.html); segunda e terceira partes, aproveitadas para novo artigo para a revista Crusoé, sob o título “Por que a tal de 'nova ordem mundial' é uma má ideia?”, sob o número 4374. Aproveitado para aula no curso CACD, sob número 4596/2024.

4368. “A reunificação da Alemanha e a construção de Brasília”, Brasília, 21 abril 2023, 3 p. Quanto custou a reunificação da Alemanha, quanto custou a construção de Brasília, e quanto custa Brasilia ainda hoje. Artigo para a revista Crusoé. Enviado a Duda Teixeira sob a forma pró-bono. Publicado revista Crusoé (22/04/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/diario/a-reunificacao-da-alemanha-e-a-construcao-de-brasilia/); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/a-reunificacao-da-alemanha-e-construcao.html). Relação de Publicados n. 1505.

4374. “Por que a tal de ‘nova ordem mundial’ é uma má ideia?”, Brasília, 26 abril 2023, 4 p. Artigo publicado na revista Crusoé (9/06/2023; link: https://oantagonista.uol.com.br/mundo/crusoe-por-que-a-tal-de-nova-ordem-mundial-e-uma-ma-ideia-2/); divulgado no blog Diplomatizzando (14/06/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/por-que-tal-de-nova-ordem-mundial-e-uma_14.html); divulgado novamente no blog Diplomatizzando (8/07/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/07/por-que-tal-de-nova-ordem-mundial-e-uma.html). Relação de Publicados n. 1511.
4375. “Se eu quiser falar com o tal de Sul Global, telefono para quem?”, Brasília, 27 abril 2023, 3 p. Publicado na revista Crusoé (edição 265, 25/05/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/secao/paulo-roberto-de-almeida/se-eu-quiser-falar-com-o-sul-global-telefono-para-quem/); divulgado no blog Diplomatizzando (25/10/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/10/e-como-anda-o-tal-de-sul-global-muito.html). Relação de Publicados n. 1509.
4376. “Lula no G7: falta discutir a relação?”, Brasília, 27 abril 2023, 3 p. Publicado na revista Crusoé (12/05/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/263/lula-no-g7-falta-discutir-a-relacao/); divulgado no blog Diplomatizzando (25/10/2023;.link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/10/lula-no-g7-falta-discutir-relacao-paulo.html). Relação de Publicados n. 1508.

4412. “Ah, esse ambicionado Prêmio Nobel da Paz...”, Brasília, 11 junho 2023, 3 p. Artigo sobre os prêmios Nobel e a pretensão de Lula de conquistar um da Paz para si. Publicado na revista Crusoé (23/06/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/secao/paulo-roberto-de-almeida/ah-esse-ambicionado-nobel-da-paz/?utm_source=crs-site&utm_medium=crs-login&utm_campaign=redir); divulgado no blog Diplomatizzando (23/06/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/ah-esse-ambicionado-premio-nobel-da-paz.html). Relação de Publicados n. 1513.

4414. “Grandezas e misérias da diplomacia presidencial: o caso do Brasil”, Brasília, 11 junho 2023, 4 p. Artigo para a revista Crusoé. Publicado em 7/07/2023 (link: https://oantagonista.uol.com.br/opiniao/crusoe-grandezas-e-miserias-da-diplomacia-presidencial/); divulgado no blog Diplomatizzando (7/07/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/07/grandezas-e-miserias-da-diplomacia.html). Relação de Publicados n. 1515.

4415. “O Brasil aos olhos do mundo: como era antes, como ficou agora?”, Brasília, 13 junho 2023, 3 p. Artigo sobre a diminuição da credibilidade diplomática do Brasil de Lula 3, para a revista Crusoé. (4/08/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/275/o-brasil-aos-olhos-do-mundo-como-era-antes-como-ficou-agora/). Relação de Publicados n. 1518.

4430. “Política externa e diplomacia brasileira: uma visão de três décadas”, São Paulo, 7 julho 2023, 4 p. Resumo de uma evolução com altos e baixos. Publicado na revista Crusoé (29/09/2023, link: https://crusoe.com.br/edicoes/283/politica-externa-e-diplomacia-brasileira-uma-visao-de-tres-decadas/); divulgado no blog Diplomatizzando (30/09/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/09/politica-externa-e-diplomacia.html). Relação de Publicados n. 1525.

4434. “O Brasil, a América Latina e a União Europeia: alguma novidade?”, Brasília, 14 julho 2023, 3 p. Artigo sobre a cúpula Celac-UE para a revista Crusoé. Publicado sob o título de “O irmão menor da União Europeia” (21/07/2023, link: https://crusoe.uol.com.br/edicoes/273/o-brasil-a-america-latina-e-a-uniao-europeia-alguma-novidade/). Relação de Publicados n. 1516.

4459. “A cúpula do Brics e o projeto mirabolante de uma moeda comum”, Brasília, 17 agosto 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé, com base nos trabalhos 4343 (“Questões sobre Brics e Mercosul”, Brasília, 25 março 2023, 3 p.) e 4309 (“Sobre o “projeto mágico” da moeda comum do Mercosul”, Brasília, 22 janeiro 2023, 2 p.) Enviado a Ricardo Ortega. Publicado na revista Crusoé (edição 270, 18/08/2023; link: https://crusoe.com.br/edicoes/277/a-cupula-do-brics-e-o-projeto-mirabolante-de-uma-moeda-comum/). Relação de Publicados n. 1520.

4465. “O Brasil de Lula 3 no G20 da Índia”, São Paulo, 31 agosto 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé sobre o G20 e o Brasil. Publicado em 1/09/2023 (link: https://oantagonista.com.br/mundo/crusoe-o-brasil-de-lula-3-no-g20-da-india/); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (1/09/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/09/the-dawn-of-bric-world-order.html). Relação de Publicados n. 1521.

4472. “Parlamento e política externa: a experiência do Brasil”, Brasília 8 setembro 2023, 4 p. Artigo para a revista Crusoé sobre a participação do Poder Legislativo na diplomacia. Publicado na revista Crusoé (edição 281; 15/09/2023; link: https://oantagonista.com.br/brasil/paulo-r-de-almeida-na-crusoe-parlamento-e-politica-externa-a-experiencia-do-brasil/ e https://crusoe.com.br/edicoes/281/parlamento-e-politica-externa-a-experiencia-do-brasil/) Relação de Publicados n. 1523.

4489. “O mau terrorismo e o terrorismo tolerável pelas esquerdas”, Brasília, 10 outubro 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé, publicado sob o título “O terrorismo que as esquerdas toleram, (13/10/2023, link: https://crusoe.com.br/edicoes/285/o-terrorismo-que-as-esquerdas-toleram/); divulgado integralmente no blog Diplomatizzando (23/12/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/12/o-terrorismo-que-as-esquerdas-toleram.html). Relação de Publicados n. 1529.

4491. “O Sul Global não existe”, Brasília, 12 outubro 2023, 3 p. Artigo sobre uma realidade criada por ideólogos que não apresenta consistência suficiente para ser chamado de grupo político. Artigo para a revista Crusoé, publicado sob o mesmo título (n. 287, 27/10/2023, link: https://crusoe.uol.com.br/Colunistas/o-sul-global-nao-existe); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (30/10/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/10/o-sul-global-nao-existe-paulo-roberto.html). Relação de Publicados n. 1530.

4505. “Desafios da diplomacia brasileira na atualidade”, Brasília, 4 novembro 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé que pode servir para subsidiar palestra a convite do Prof. Matheus Atalanio, do curso de Direito da UNIT-Fortaleza, em 7/11/2023. Revisão em 7/11, para submissão à Crusoé. Publicado na revista Crusoé (10/11/2023; link: https://crusoe.com.br/edicoes/289/desafios-da-diplomacia-brasileira-na-atualidade/); divulgado integralmente no blog Diplomatizzando (23/12/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/12/desafios-da-diplomacia-brasileira-na.html). Relação de Publicados n. 1531.

4509. “Por que o Brasil ainda não é um país desenvolvido? (1)”, Brasília, 13 novembro 2023, 3 p. Primeiro de uma série de trabalhos sobre as razões do atraso brasileiro, com base em fatores estruturais e históricos. revista Crusoé (n. 301, 9/02/2024, link: https://crusoe.com.br/edicoes/301/por-que-o-brasil-ainda-nao-e-um-pais-desenvolvido/); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (9/02/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/02/por-que-o-brasil-ainda-nao-e-um-pais.html). Relação de Publicados n. 1546.

4510. “Por que o Brasil ainda não é um país desenvolvido? (2)”, Brasília, 13 novembro 2023, 3 p. Segundo de uma série de trabalhos sobre as razões do atraso brasileiro, com base em fatores estruturais e históricos. revista Crusoé (n. 303, 23/02/2024, link: https://crusoe.com.br/cronica/por-que-o-brasil-ainda-nao-e-um-pais-desenvolvido-segunda-parte/); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (23/02/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/02/por-que-o-brasil-ainda-nao-e-um-pais_23.html). Relação de Publicados n. 1547.

4511. “Diferenças entre a ‘velha’ e a ‘nova’ diplomacia de Lula”, Brasília, 16 novembro 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé; publicado em 24/11/2023 (link: https://crusoe.com.br/edicoes/291/diferencas-entre-a-velha-e-a-nova-diplomacia-de-lula/); divulgado integralmente no blog Diplomatizzando (23/12/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/12/diferencas-entre-velha-e-nova.html). Relação de Publicados n. 1533.

4513. “Imigrantes na construção do Brasil e na política”, Brasília, 16 novembro 2023, 3 p. Artigo para a revista Crusoé. Publicado no n. 293, sob o título de “O ponto de fusão” (8/12/2023; link: https://crusoe.com.br/edicoes/293/o-ponto-de-fusao/); divulgado integralmente no blog Diplomatizzando (23/12/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/12/o-ponto-de-fusao-imigrantes-na.html). Relação de Publicados n. 1535.

4523. “O Brasil em 2023: avanços e retrocessos”, Brasília, 5 dezembro 2023, 3 p. Artigo de síntese conjuntural, para o Livres e a revista Crusoé. Revisto em 17/12/2023. Encaminhado a Duda Teixeira. Publicado em 22/12/2023 (link: https://crusoe.com.br/edicoes/295/o-brasil-em-2023-avancos-e-retrocessos/). Relação de Publicados n. 1537.

4530. “O que falta para o Brasil ser um país desenvolvido?”, Brasília, 25 dezembro 2023, 5 p. Artigo para a revista Crusoé. [Não publicado]

4531. “O que aguarda o Brasil em 2024?”, Brasília, 26 dezembro 2023, 3 p. Possível artigo para a revista Crusoé, mas capítulo final do livro reunindo todos os artigos escritos para a revista ao longo do último ano. [Não publicado]

4532. “Apresentação ao livro O Brasil no contexto regional e mundial: artigos sobre nossa dimensão internacional, Brasília, 27 dezembro 2023, 2 p. Incorporado ao livro reunindo uma seleta de artigos previamente publicados na revista Crusoé (n. 4533).

4533. O Brasil no contexto regional e mundial: artigos sobre nossa dimensão internacional (Brasília: Diplomatizzando, 2023, 167 p.; ISBN: 978-65-00-89870-5; ASIN: B0CR1Z682R). Livro organizado a partir de artigos preparados para e publicados na revista Crusoé. Disponível na Amazon.com.br (link: https://www.amazon.com.br/dp/B0CR1Z682R/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=2525JS64IRCBA&keywords=O+Brasil+no+contexto+regional+e+mundial&qid=1703782535&s=books&sprefix=o+brasil+no+contexto+regional+e+mundial%2Cstripbooks%2C228&sr=1-1); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/12/novo-livro-publicado-paulo-roberto-de.html). Relação de Publicados n. 1538.

4543. “Um Brasil ambientalista se torna associado à OPEP”, Brasília, 4 janeiro 2024, 3 p. Artigo para a revista Crusoé sobre a nova postura pouco ambientalista do governo Lula. Publicado, sob o título de “Governo Lula entra para o cartel dos chantagistas do petróleo” na Crusoé (n. 299, 26/01/2024, link: https://crusoe.com.br/edicoes/299/governo-lula-entra-para-o-cartel-dos-chantagistas-do-petroleo/). Divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/01/um-brasil-ambientalista-se-torna.html). Relação de Publicados n. 1545.

4594. “O que falta para o Brasil ser um país desenvolvido? (1)”, Brasília, 7 março 2024, 4 p. Continuidade da série sobre o desenvolvimento brasileiro, a partir do trabalho n. 4530, focando nos elementos estruturais e institucionais. Revista Crusoé (n. 305, 8/03/2024; link: https://crusoe.com.br/o-caminho-do-dinheiro/o-que-falta-ao-brasil-para-ser-um-pais-desenvolvido-terceira-parte/); transcrito parcialmente no blog Diplomatizzando (9/03/2024; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/03/o-que-falta-para-o-brasil-ser-um-pais.html). Relação de Publicados n. 1551.

4595. “O que falta para o Brasil ser um país desenvolvido? (2)”, Brasília, 7 março 2024, 3 p. Continuidade da série sobre o desenvolvimento brasileiro, a partir do trabalho n. 4530, focando nos elementos de políticas macroeconômicas e setoriais para um processo de desenvolvimento sustentado. Revista Crusoé (n. ?, 2?/03/2024; link: ?). Relação de Publicados n. ?


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5237, 10 março 2026, 8 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (10/03/2026; link:

segunda-feira, 9 de março de 2026

Após boa virada de ano, é hora da diplomacia - Rolf Kuntz (O Estado de S. Paulo)

 Opinião

Após boa virada de ano, é hora da diplomacia
Depois das notícias positivas na economia que marcaram a passagem de 2025 para 2026, é essencial cuidar da incerteza externa
Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo, 08/03/2026
https://www.estadao.com.br/opiniao/rolf-kuntz/apos-boa-virada-de-ano-e-hora-da-diplomacia/

Emprego e renda bateram recordes na virada do ano, segundo balanço divulgado na quinta-feira, mas o principal destaque, nos grandes órgãos de comunicação, foi o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Acusado de golpes financeiros, ele foi trancado numa cadeia no interior de São Paulo. Grandes títulos foram dedicados também à tentativa de suicídio, em Belo Horizonte, de seu cúmplice Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário.
O destaque a figurões do crime é tão justificável quanto útil, mas o prosaico noticiário econômico também pode merecer alguma atenção, especialmente num país ainda em busca do desenvolvimento.
Notícias positivas marcaram a passagem de 2025 para 2026. O rendimento real dos trabalhadores cresceu, o desemprego diminuiu e a ocupação aumentou, num cenário prejudicado por uma inflação distante do centro da meta, fixado em 3% para períodos de 12 meses.
A massa de rendimento habitual dos trabalhadores, de R$ 370,3 bilhões, foi recorde da série histórica. A população ocupada – 102,7 milhões de pessoas – foi recorde. Além disso, os 5,9 milhões de pessoas desocupadas no trimestre encerrado em janeiro formaram o menor contingente da mesma série. Esse grupo correspondeu a 5,4% da população economicamente ativa.
Os dados de emprego e de rendimento valorizam o crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Essa taxa pode ser – ou parecer – modesta para uma grande economia ainda classificada como emergente. Mas indica, juntamente com o avanço do emprego, certa melhora das condições experimentadas por dezenas de milhões de pessoas. Essas condições permanecem modestas, num país onde a formação da mão de obra é deficiente e a renda continua muito concentrada.
Mas há sinais de progresso, como a expansão do consumo nos últimos anos, a formação melhor e mais ampla da mão de obra e sensível diminuição da pobreza extrema. Entre 2021 e 2024, a parcela das famílias com renda domiciliar inferior a US$ 6,85 por pessoa diminuiu de 36,8% para 23,1%. Aquelas com renda pessoal menor que US$ 2,15 passaram de 9% para 3,5% nesse período. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A melhora na virada do ano de nenhum modo garante um avanço duradouro ao longo de 12 meses. Esse avanço depende tanto da expansão econômica e da evolução do emprego quanto da variação dos preços, isto é, do quadro de inflação. Por enquanto, algumas projeções apontam perspectivas favoráveis. Segundo as estimativas coletadas para o boletim Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central, a inflação deve recuar para 3,91% em 2026. Será um ganho para os consumidores e para a ordenação da economia, mas esse resultado ainda ficará bem acima da meta oficial.
Além da inflação em queda, o boletim aponta um dólar cotado a R$ 5,40 no fim do ano. Qualquer projeção referente ao câmbio é muito arriscada, num período de muita instabilidade na política internacional. Mas a expectativa de um dólar mais contido combina bem com um quadro de inflação declinante. Esse quadro comporta alguma redução dos juros. A taxa básica deve cair, segundo a mediana projetada no boletim, para 12%. Se essa estimativa estiver correta, o crédito ainda será muito caro, mas, ainda assim, a redução poderá produzir resultados apreciáveis.
A melhora nos juros, no crédito e na disposição dos empresários dependerá em grande parte da condução da política econômica pelo governo. Os dirigentes do Banco Central (BC) têm mostrado boa vontade e disposição de cooperar com o Executivo, mas também têm reafirmado o compromisso de manter prudência nas decisões sobre sua política. Parece muito improvável, neste momento, um afrouxamento monetário significativo sem uma clara demonstração de prudência pelo presidente da República. E Luiz Inácio Lula da Silva continua devendo essa demonstração, embora tenha apresentado, em algumas ocasiões, um discurso promissor.
Do lado externo, as contas do Brasil continuam satisfatórias. Mas o quadro internacional é marcado por graves conflitos e por muita insegurança. A guerra no Oriente Médio já evidenciou perigos para o comércio global e para o fluxo de matérias-primas importantes, por exemplo, para a agricultura brasileira. A diplomacia de Brasília tem preservado a tradição de equilíbrio e de conciliação, mas desafios significativos podem surgir a qualquer momento.
O governo do presidente Lula tem mantido bom entendimento com as autoridades americanas e de outras áreas importantes, como a Europa Ocidental, a Rússia e a China. Mantido o cenário global, o trabalho diplomático de Brasília será tão relevante, no curto e no médio prazos, quanto o dos ministérios econômicos. Embora permaneça a boa relação com os Estados Unidos e, de modo especial, entre os chefes de governo dos dois países, um surto belicoso do presidente Donald Trump poderá complicar todo o cenário. O ataque americano ao Irã, nos últimos dias, mostra a importância de levar em conta essa hipótese.
Opinião por Rolf Kuntz

sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos - Thomas Friedman (NYT, Estadão)

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos

Ofensiva contra Teerã é chance de derrubar teocracia, mas carrega risco de colapso e fragmentação do país
Impacto econômico pode ditar ritmo, mas guerra não deve obscurecer pressões sobre democracia nos EUA e em Israel
Thomas Friedman
The New York Times, 3.mar.2026 às 15h34
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/thomas-l-friedman/2026/03/guerra-no-ira-e-o-momento-mais-imprevisivel-no-oriente-medio-em-50-anos.shtml

Para pensar com clareza sobre as guerras no Oriente Médio é preciso manter múltiplos pensamentos na cabeça ao mesmo tempo. É uma região complicada e caleidoscópica, onde religião, petróleo e política das grandes potências se entrelaçam em cada grande história. Se você está procurando uma narrativa preto no branco, talvez seja melhor jogar damas. Então, aqui estão meus quatro pensamentos sobre o Irã—pelo menos por hoje.
Primeiro: espero que esse esforço para derrubar o regime clerical em Teerã tenha sucesso. É um regime que assassina seu povo, desestabiliza seus vizinhos e destruiu uma grande civilização. Não há evento único que faria mais para colocar todo o Oriente Médio em uma trajetória mais decente e inclusiva do que a substituição do regime islâmico de Teerã por uma liderança focada exclusivamente em permitir que o povo iraniano realize seu pleno potencial com uma voz real em seu próprio futuro.
Segundo: isso não será fácil, porque esse regime está profundamente enraizado e dificilmente será derrubado apenas pelo ar. Israel não conseguiu eliminar o Hamas na Faixa de Gaza após mais de dois anos de uma guerra aérea e terrestre implacável
—e o Hamas está logo ali ao lado.
Dito isso, mesmo que esse ataque israelo-americano ao Irã não leve à revolta do povo iraniano que o presidente Donald Trump pediu, poderia ter outros efeitos benéficos não previstos, como produzir uma República Islâmica 2.0 muito menos ameaçadora para seu povo e vizinhos. Mas também poderia resultar em perigos não previstos, como a desintegração do Irã como uma única entidade geográfica.
Terceiro: devemos lembrar que o momento do fim desta guerra será determinado tanto pelos mercados de petróleo e pelos mercados financeiros quanto pela situação militar dentro do Irã.
O Irã está à beira do colapso econômico, com uma moeda que vale pouco mais que papel de parede. A Europa tornou-se muito mais dependente do gás natural liquefeito do golfo Pérsico para mover suas economias, desde que eliminou gradualmente as compras de gás natural da Rússia.
Uma explosão sustentada de inflação causada por preços mais altos de energia irritaria a base de Trump, muitos dos quais já não gostam de ser arrastados para outra guerra no Oriente Médio. Há muitas pessoas que vão querer que esta guerra seja curta, e isso impactará como e quando Trump e Teerã negociarão.
Quarto: não devemos deixar que esta guerra para trazer democracia e Estado de Direito ao Irã nos distraia das ameaças à democracia e ao Estado de Direito representadas por Trump nos EUA e pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu em Israel.
Trump quer promover esses ideais em Teerã, mesmo enquanto seus agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) operaram por dois meses com pouca consideração por restrições legais no meu estado natal de Minnesota e enquanto ele lança ideias sobre restringir quem pode votar em nossa próxima eleição.
Se a guerra no Irã permitir que Netanyahu vença as eleições israelenses planejadas para este ano, será um grande propulsor para seus esforços de anexar a Cisjordânia, enfraquecer a Suprema Corte israelense e transformar Israel em um estado de apartheid, o que seria um grande golpe aos interesses americanos na região além do Irã.
A vida como colunista de opinião seria fácil se toda guerra sobre a qual você tivesse que se posicionar fosse a Guerra Civil Americana e se todo líder fosse Abraham Lincoln. Mas não são, então vamos nos aprofundar um pouco mais nesses quatro pensamentos sobre o Irã.
Embora você nunca saberia disso se ouvisse a esquerda universitária nos últimos anos, a República Islâmica do Irã tem sido a maior potência imperialista na região desde 1979, cultivando representantes para controlar quatro Estados árabes —Síria, Líbano, Iraque e Iêmen— e minando reformistas liberais em todos os quatro ao promover divisões sectárias.
Apenas o enfraquecimento do regime de Teerã, graças aos golpes de martelo israelenses e americanos nos últimos dois anos, levou à queda do regime de Assad apoiado pelo Irã na Síria e permitiu que o Líbano escapasse do aperto da milícia Hezbollah apoiada pelo Irã, o que por sua vez deu espaço para o governo mais decente do Líbano em décadas —liderado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam e pelo presidente Joseph Aoun. É por isso que a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, está sendo celebrada silenciosa ou ruidosamente em toda a região.
Além disso, o povo iraniano está entre os mais naturalmente pró-Ocidente da região. Se esse impulso puder emergir e se espalhar, e substituir o veneno islamista radical e divisivo propagado pelo regime iraniano, temos a possibilidade de um Oriente Médio muito mais inclusivo.
Como o estrategista libanês-emiradense Nadim Koteich me disse: Não é por acaso que um dos gritos mais populares dos manifestantes antirregime no Irã tem sido: "Nem Gaza, nem Líbano. Minha vida pelo Irã".
Muitos iranianos ficaram enojados ao ver seus recursos desperdiçados em milícias lutando contra Israel. Também não é por acaso, observou Koteich, que o Irã acabou de lançar foguetes contra aeroportos, hotéis e portos dos Estados árabes do Golfo em modernização.
"Eles estão atacando a infraestrutura de abertura e integração e os Acordos de Abraão —foi o velho Oriente Médio atacando o novo Oriente Médio", acrescentou Koteich. A morte de Khamenei, esperançosamente, "é a morte da ideia de Khamenei de que o Oriente Médio deveria ser definido pela resistência e não pela inclusão e integração".
Esperançosamente, isso também acabará com o jogo duplo praticado por Khamenei e seus predecessores como Mahmoud Ahmadinejad —que serviu como presidente do Irã de 2005 até 2013 e também foi morto em um ataque aéreo israelo-americano— de que o Irã tem o direito de gritar abertamente "Morte à América" e "Morte a Israel" e depois alegar que também tem o direito de ser tratado como
a Dinamarca ou de enriquecer urânio para propósitos "pacíficos".
Trump e Netanyahu finalmente denunciaram esse jogo.
Quanto à ideia de que o povo iraniano agora se unirá e derrubará o regime, é difícil ver isso acontecendo tão cedo sem um líder claro e uma agenda comum.
Os analistas iranianos com quem converso dizem que o resultado mais provável é uma espécie de República Islâmica 2.0, onde reformistas proeminentes do regime—como Hassan Rouhani, que foi o sétimo presidente do Irã, de 2013 a 2021, e tem sido um crítico cada vez mais vocal da linha dura de Khamenei, ou o ex-ministro das Relações Exteriores e negociador nuclear Javad Zarif— pressionem a liderança sobrevivente a negociar um acordo com Trump.
Esse acordo poderia ser um que abandone o programa nuclear do Irã e aceite limites em suas guerras por procuração e mísseis balísticos —em outras palavras, o que Trump quiser— em troca do fim das sanções econômicas e da sobrevivência do regime.
Tal regime de República Islâmica 2.0 poderia então ser capaz de supervisionar uma transição para uma verdadeira democracia iraniana novamente. Mas Trump também poderia enfrentar acusações de jogar um salva-vidas para um regime moribundo que recentemente matou pelo menos 6.800 manifestantes, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos sediada nos EUA, e provavelmente muitos mais. Em outras palavras, começar esta guerra foi relativamente fácil. Terminá-la não será.
Tal acordo pode ser tentador para Trump, porém, para evitar uma guerra prolongada, uma recessão desencadeada por preços de petróleo disparados ou a desintegração do Irã. É por isso que não fiquei surpreso ao ouvir Trump dizer à The Atlantic: "Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então estarei conversando com eles".
No Oriente Médio o oposto da autocracia não é necessariamente a democracia. Frequentemente é a desordem. Porque quando ditaduras do Oriente Médio são decapitadas, uma de duas coisas acontece. Ou elas implodem, como a Líbia fez, ou explodem, como a Síria fez. Os persas são apenas cerca de 60% da população do Irã. Os outros 40% são um mosaico de minorias, principalmente azeris, curdos, lurs, árabes e balúchis. Cada um tem ligações com terras fora do Irã, especialmente azeris com o Azerbaijão e curdos com o Curdistão. O caos prolongado em Teerã poderia levar qualquer um deles a se separar e o Irã, na prática, explodir.
O Irã testemunhou o colapso de governos ou a queda de governantes ao longo de sua história. Em todas as vezes, "o Irã permaneceu intacto", disse Koteich.
"Pela primeira vez não tenho certeza de que permanecerá intacto."
Se você quiser ver petróleo a US$ 150 o barril, esse tipo de desintegração iraniana o levaria até lá. As exportações de petróleo do Irã de 1,6 milhão de barris por dia, que vão principalmente para a China, seriam completamente retiradas do mercado global de petróleo. Cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo passa pelo Estreito de Hormuz, que o Irã pode fechar. As taxas de seguro para transportadores de petróleo já estão disparando, e cerca de 150 navios-tanque no Golfo estão supostamente paralisados.
Espero que até quarta-feira haja pelo menos mais três pontos competindo na minha cabeça para fazer sentido de tudo isso, porque este é o momento mais plástico e imprevisível no Oriente Médio desde a Revolução Islâmica em 1979. Tudo —e seu oposto— é possível.

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