Uma vasta rede de corrupção, roubo de dinheiro público, crimes financeiros, só falta um crime de homicídio, ou algum suicídio político (mas isso pode aparecer também).
Isso destrói a história de um grande mentiroso, que costuma dizer que o mensalão não existiu e que tudo foi invenção da imprensa e da oposição.
Mentirosos contumazes não costumam se redimir.
Mas se a polícia e a justiça fossem um pouco mais rápidos no Brasil, a carreira desse tipo de mentiroso já estaria encerrada, por descrédito público.
Muita gente pode desmentir mentirosos, mas nesse tipo de máfia poucos o fazem. Quando o fazem, podem se arriscar a encerrar a carreira, de uma forma dramática, digamos assim.
Já aconteceu antes, pode acontecer novamente.
Esperemos...
Paulo Roberto de Almeida
Relatório da PF confirma mensalão no governo Lula
Agência Estado, 2/04/2011
Relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de seis anos de investigação, a PF concluiu que o Fundo Visanet, com participação do Banco do Brasil, foi uma das principais fontes de financiamento do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. Com 332 páginas, o documento da PF, divulgado pela revista “Época”, joga por terra a pretensão do ex-presidente Lula de provar que o mensalão nunca existiu e que seria uma farsa montada pela oposição.
O relatório da PF demonstra que, dos cerca de R$ 350 milhões recebidos do governo Lula pelas empresas de Valério, os recursos que mais se destinaram aos pagamentos políticos tinham como origem o fundo Visanet. As investigações da PF confirmaram que o segurança Freud Godoy, que trabalhou com Lula nas campanhas presidenciais de 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do esquema do valerioduto, conforme revelou o Estado, em setembro de 2006. A novidade é que Freud contou à PF que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência - estabelecendo uma ligação próxima de Lula com o mensalão. No depoimento, Freud narrou que o dinheiro serviu para cobrir parte dos R$ 115 mil que lhe eram devidos pelo PT.
O relatório da PF apontou o envolvimento no esquema do mensalão, direta ou indiretamente, de políticos como o hoje ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, do PT. Rastreando as contas do valerioduto, os investigadores comprovaram que Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, recebeu um cheque de R$ 247 mil de uma das contas da SMP&B no Banco Rural. As investigações confirmaram também a participação de mais sete deputados federais, entre eles Jaqueline Roriz (PMN-DF), Lincoln Portela (PR- MG) e Benedita da Silva (PT-RJ), dois ex-senadores e o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga.
Segundo a revista “Época”, a PF também confirmou que o banqueiro Daniel Dantas tentou mesmo garantir o apoio do governo petista por intermédio de dinheiro enviado às empresas de Marcos Valério. Dantas teria recebido um pedido de ajuda financeira no valor de US$ 50 milhões depois de se reunir com o então ministro da Casa Civil José Dirceu. Pouco antes de o mensalão vir a público, uma das empresas controladas por Dantas fechou contratos com Valério, apenas para que houvesse um modo legal de depositar o dinheiro. De acordo com o relatório da PF, houve tempo suficiente para que R$ 3,6 milhões fossem repassados ao publicitário.
As investigações comprovaram ainda que foram fajutos os empréstimos que, segundo a defesa de Marcos Valério, explicariam a origem do dinheiro do mensalão. Esses papéis serviram somente para dar cobertura jurídica a uma intrincada operação de lavagem de dinheiro. De acordo com o relatório da PF, houve duas fontes de recursos para bancar o mensalão e as demais atividades criminosas de Marcos Valério. A principal, qualificada de “fonte primária”, consistia em dinheiro público, proveniente dos contratos do publicitário com ministérios e estatais. O principal canal de desvio estava no Banco do Brasil, num fundo de publicidade chamado Visanet, destinado a ações de marketing do cartão da bandeira Visa. As agências de Marcos Valério produziam algumas ações publicitárias, mas a vasta maioria dos valores repassados pelo governo servira tão somente para abastecer o mensalão.
A segunda fonte de financiamento, chamada de “secundária”, estipulava que Marcos Valério seria ressarcido pelos pagamentos aos políticos por meio de contratos de lobby com empresas dispostas a se aproximar da Presidência da República. Foi o caso do Banco Rural, que tentava obter favores do Banco Central e do banqueiro Daniel Dantas, que precisava do apoio dos fundos de pensão das estatais.
============
Complemento:
Relatório da PF não traz novidade, mas é relevante; informação mais importante tinha sido antecipada por Diogo Mainardi em maio de 2006
Reinaldo Azevedo, 02/04/11
O que há de propriamente novo no relatório da PF sobre o mensalão? De essencial, nada! Então é irrelevante? Ao contrário! É relevantíssimo! Ele comprova fatos a que a imprensa já havia chegado, muito especialmente a VEJA. Vamos ver:
1 - Já se sabia que Daniel Dantas havia abastecido o esquema do mensalão. Quem revelou foi Diogo Mainardi;
2 - Já se sabia que dinheiro da Visanet — parte dele, público — havia abastecido o mensalão;
3 - Já se sabia que Freud Godoy havia sido pago com dinheiro do esquema Marcos Valério;
4 - Já se sabia que os “empréstimos” alegados por Marcos Valério eram fajutos.
O que o relatório traz de novidade é o envolvimento de alguns outros políticos com o esquema. O mais graúdo é o atual ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel (PT-MG).
Reitero: isso não quer dizer que o relatório seja irrelevante. Ele confirma, em suma, tudo o que já se sabia, trazendo consigo o peso de uma investigação oficial. É um elemento a mais a desmoralizar a afirmação de Lula e de sua turma, segundo a qual o mensalão nunca existiu.
Abaixo, reproduzo uma coluna de Diogo Mainardi de 17 de maio de 2006. Ele entrevista Daniel Dantas, que fala sobre o “pedido” de dinheiro. Dantas nega que tenha pago. Diogo encerra a coluna informando: pagou! Agora, o relatório da Polícia Federal confirma tudo. E pensar que a canalha petralha, numa tentativa fabulosa de inverter os fatos, acusava Diogo, vejam que espetáculo!, de ligação com Dantas! Como se vê, ainda que tarde, a investigação da própria PF comprova o que ele informou.
Segue a coluna:
Daniel Dantas não fala. Para quem não fala, até que ele falou muito. O suficiente para mandar um monte de gente para a forca. Em primeiro lugar, Lula e seus ministros.
Passei quatro horas no escritório de Daniel Dantas, no Rio. No fim, arranquei dele meia hora de entrevista. Vale sobretudo como registro histórico. Lendo com cuidado, dá para ver o instante exato em que o Brasil acabou.
O PT PEDIU PROPINA AO OPPORTUNITY?
O que houve foi uma sugestão de que, se déssemos uma quantia expressiva ao partido, eles poderiam nos ajudar a resolver as dificuldades que estávamos tendo com o governo.
ENTÃO FOI PIOR DO QUE PROPINA: FOI EXTORSÃO. QUEM PEDIU O DINHEIRO?
Delúbio Soares.
QUAL A QUANTIA?
Entre 40 e 50 milhões de dólares. Era a necessidade de recursos que eles tinham. E Delúbio queria saber se poderíamos ajudá-los.
A QUEM FOI FEITO O PEDIDO?
A Carlos Rodenburg, que na época (julho de 2003) trabalhava conosco.
MARCOS VALÉRIO PARTICIPOU DO ENCONTRO?
Foi ele que marcou. Mas não estava presente quando foi feito o pedido.
VOCÊ PAGOU OS 50 MILHÕES DE DÓLARES?
Perguntei ao meu advogado, Nélio Machado, se o pagamento seria ilegal ou não. Ele respondeu que isso é tipificado no artigo 316 do Código Penal, e que não estaríamos incorrendo em crime algum.
PORQUE ERA UMA EXTORSÃO?
Não é exatamente esse o termo.
O QUE ACONTECEU DEPOIS?
Eu marquei uma reunião com o Citibank em Nova York e expliquei à diretora Mary Lynn que, se contribuíssemos com uma quantia muito grande para o PT, talvez nossas dificuldades cessassem, mas acrescentei que não era essa a minha expectativa. Ela me autorizou a dizer, em nome do Citi, que não seria possível pagar, porque isso contrariaria a lei americana.
ESSE FOI O PRIMEIRO PEDIDO DE DINHEIRO DO PT AO OPPORTUNITY?
Durante a campanha presidencial de 2002, Ivan Guimarães foi ao nosso escritório e entregou um kit do partido ao Carlos Rodenburg, com o objetivo de conseguir algum apoio financeiro. Rodenburg mandou devolver o kit, porque não sabia quem era Ivan Guimarães. Isso foi interpretado pelo PT como um ato hostil, mas nós éramos politicamente neutros e não tínhamos nada contra o partido.
POR QUE O GOVERNO QUERIA TIRAR O OPPORTUNITY DO COMANDO DA BRASIL TELECOM?
Porque havia um acordo entre o PT e a Telemar para tomar os ativos da telecomunicação, em troca de dinheiro de campanha.
A TELEMAR ACABOU COMPRANDO A EMPRESA DO LULINHA. POR QUE VOCÊS TAMBÉM NEGOCIARAM COM ELE? ERA UM AGRADO AO PRESIDENTE LULA?
Nós procuramos de todas as maneiras diminuir a hostilidade do governo.
O EX-PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL CÁSSIO CASSEB DISSE AO CITIBANK QUE LULA ODEIA VOCÊ.
Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria passar por cima.
LULA SE REUNIU COM A DIRETORIA DO CITIBANK. ELE PRESSIONOU OS AMERICANOS A TRAIR O OPPORTUNITY E FECHAR UM ACORDO COM OS FUNDOS DE PENSÃO?
Não posso comentar nenhuma notícia que eu tenha obtido através dos documentos que constam do processo em Nova York.
VOCÊ CONFIRMA QUE A BRASIL TELECOM SÓ CONSEGUIU TER ACESSO AO DINHEIRO DO BNDES DEPOIS DE CONTRATAR O ADVOGADO KAKAY, AMIGO DE JOSÉ DIRCEU?
Houve uma sincronia entre os fatos.
Agora releia a entrevista. Mas sabendo o seguinte: Daniel Dantas cedeu aos achacadores petistas. Ele e muitos outros.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 3 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Futurologia cientifica: resultados garantidos
A precisão, acurácia, metodologia comprovada do grande futurólogo Macaco Simão só poderia ter essa alta taxa de eficácia nos acertos, por se tratar de um país chamado Brasil.
Aliás, eu posso garantir, por experiência própria e uma atenta observação das coisas brasileiras nos últimos 150 anos (não, não vivi ainda tudo isso, embora espere fazê-lo; estou apenas me referindo ao conhecimento de nossa história), que a taxa de acertos deve alcançar mais de 100%, uma vez que, juntando Lei de Murphy e outros princípios consagrados da metodologia de previsões, aqui costuma acontecer até o que não se previu, de forma dobrada e da pior maneira possível.
Fiquem, portanto, com estas previsões já realizadas em grande medida...
Paulo Roberto de Almeida
Previsões de Pai José Simão (Colunista Folha de São Paulo),para as Olímpíadas no Rio - 2016.
De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira.
3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lamê dourado representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitoria”.
4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.
5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva.
Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência para um carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê "GALVÃO FILMA NÓIS", "100% FAVELA DO RATO MOLHADO".
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca e, ao final, vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.
6. O Hino Nacional Brasileiro será entoado a capella por uma arrependida Vanuza, que jura que "não bota uma gota de álcool na boca desde a última copa". A platéia vai errar a letra, em homenagem a ela, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira dos jogos pintada na cara. Ela posará para a Playboy sem o top e sem o shortinho e com a bandeira pintada na bunda.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. Setenta e quatro passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk, o sequestro-relâmpago e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vão continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará para a capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.
Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.
2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.
3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 64.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação. A Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posarem mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.
5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passará fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para a seleção de Sumatra.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 57º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em 'slow motion' e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.
Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos e por não obter patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e outras besteiras.
3. No início do ano seguinte, vários bebês de olhos azuis virão ao mundo e as filas para embarque nos voos para a Itália, Portugal e Alemanha serão intermináveis, com mães "ofendidas", segurando seus rebentos...
Aliás, eu posso garantir, por experiência própria e uma atenta observação das coisas brasileiras nos últimos 150 anos (não, não vivi ainda tudo isso, embora espere fazê-lo; estou apenas me referindo ao conhecimento de nossa história), que a taxa de acertos deve alcançar mais de 100%, uma vez que, juntando Lei de Murphy e outros princípios consagrados da metodologia de previsões, aqui costuma acontecer até o que não se previu, de forma dobrada e da pior maneira possível.
Fiquem, portanto, com estas previsões já realizadas em grande medida...
Paulo Roberto de Almeida
Previsões de Pai José Simão (Colunista Folha de São Paulo),para as Olímpíadas no Rio - 2016.
De 2010 a 2015
1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.
2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira.
3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lamê dourado representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitoria”.
4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.
5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva.
Abertura dos jogos
1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência para um carnavalesco da Beija flor.
2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.
3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê "GALVÃO FILMA NÓIS", "100% FAVELA DO RATO MOLHADO".
4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca e, ao final, vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.
5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.
6. O Hino Nacional Brasileiro será entoado a capella por uma arrependida Vanuza, que jura que "não bota uma gota de álcool na boca desde a última copa". A platéia vai errar a letra, em homenagem a ela, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.
7. Uma brasileira vai ser filmada varias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira dos jogos pintada na cara. Ela posará para a Playboy sem o top e sem o shortinho e com a bandeira pintada na bunda.
8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.
9. Setenta e quatro passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao mundo: a bala perdida, o trafico, o funk, o sequestro-relâmpago e a favela.
10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silencio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vão continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.
11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.
12. Adriane Galisteu posará para a capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB.
13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do maracanã por “dois real”.
Durante os jogos
1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.
2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.
3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 64.
4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação. A Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posarem mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.
5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldo Fenômeno vai chegar como favorita. Passará fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para a seleção de Sumatra.
6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.
7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.
8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 57º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA.
9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em 'slow motion' e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.
Após os jogos
1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos e por não obter patrocínio.
2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e outras besteiras.
3. No início do ano seguinte, vários bebês de olhos azuis virão ao mundo e as filas para embarque nos voos para a Itália, Portugal e Alemanha serão intermináveis, com mães "ofendidas", segurando seus rebentos...
Minitratado dos desencontros - Paulo Roberto de Almeida
Minitratado dos desencontros
Paulo Roberto de Almeida
O que é um desencontro? Dito simplesmente, é uma defasagem, no tempo ou no espaço, entre dois corpos, cada um seguindo vias próprias e diferenciadas, sem qualquer possibilidade de cruzamento. Para fins deste minitratado, no entanto, o desencontro é um descompasso entre dois sentimentos, um pretendendo resposta e reação, o outro permanecendo desatento ou distraído, o que pressupõe alguma instância de reciprocidade ou linha de cruzamento, mesmo virtual.
Na melhor das hipóteses, o desencontro é passageiro, e a correspondência esperada se faz em algum momento, em algum lugar. Na pior, as expectativas de uma parte não logram sensibilizar ou dobrar a vontade da outra parte, e o desencontro se converte em motivo de sofrimento. Todo desencontro, ou toda indiferença é um sofrimento, pelo menos para uma das partes. Todos nós sabemos disso.
Por que existem desencontros? Eu poderia ser economicista e dizer que a reta (sempre crescente) da procura não encontra a “sua” curva da oferta, o que pode ocorrer em face de qualquer falha de mercado ou externalidade negativa. Sendo menos sarcástico, e mecanicista, pode-se dizer que, no terreno dos sentimentos humanos, não existe qualquer equivalência mecânica, como aquela identificada com a “lei de Say”, que pretende que a oferta cria sua própria demanda.
Mas tampouco funciona neste caso a chamada “inversão keynesiana”, que espera que a demanda artificialmente criada pelo poder de emissão de alguma autoridade desperte os “espíritos animais” dos agentes de mercado, que decidem, a partir daí, manter a oferta agregada. Os economistas, assim como os contabilistas, não gostam de desencontros: eles sempre pretendem fechar a equação de equilíbrio, buscando a resposta para déficits ou superávits mesmo por meios artificiais.
No caso das amizades ainda se pode esperar alguma reciprocidade, ou seja, um equilíbrio e correspondência de vontades e prestações mútuas; nas amizades existe, sobretudo, confiança entre as partes. Tudo isso é muito difícil de ser estabelecido no caso de paixões mais “incisivas”, como o amor, que não exige retorno direto; ele pode ser unilateral, unidirecional, não correspondido e assimétrico, como nas relações de dependência ou de assistência entre países avançados e economias miseráveis, que vivem da cooperação ao desenvolvimento (outro nome para a assistência pública).
Como nas relações econômicas, porém, o desencontro é uma expectativa não realizada, por insuficiência de fatores ou de insumos, que atendam aos requisitos dos “consumidores”. Não se trata apenas de uma assimetria de informação, mas de um desequilíbrio sistêmico, que impregna toda a equação de mercado, afetando aquela transação que se esperava realizar. O desencontro, portanto, está muito longe daquela situação que os economistas chamariam de “ótimo paretiano”. Numa figuração de química doméstica, ele seria como a superposição entre a água e o azeite.
Nem todas as culturas, porém, cultivam essa oposição de sentimentos, o confronto de posições, essas cenas dramáticas, típicas de novelas mexicanas. Na tradição oriental, a aparente oposição do yin e do yang acaba conhecendo alguma síntese reconciliadora, assim como na sua gastronomia encontramos o agridoce, que nos enche de prazer, mesmo momentâneo. Mas o desencontro constitui justamente o retorno do azedo sobre o sentimento temporário de doçura e de conforto espiritual.
Existem soluções para os desencontros? Talvez, mas certamente não “a” solução, a fórmula mágica que permitiria eliminar toda frustração e todo sentimento de impotência em face da indiferença alheia. Algumas situações podem ser apenas contornadas, pelo uso dos “estímulos corretos”, geralmente de natureza material. Muitos “compram” o amor, é verdade, ou atuam para criar uma relação de dependência, o que teoricamente pode fazer com que retas paralelas se encontrem em algum ponto do espaço. Mas esse tipo de “equilíbrio” é muito frágil, já que espíritos independentes não suportam a subordinação de sua vontade, justamente.
Qual seria, então, um possível remédio a um desencontro específico? Sem nenhuma garantia de sucesso, como em qualquer empreendimento humano, fazer-se admirar, provocar o reconhecimento da outra parte pelas ações beneméritas, generosas e “desprendidas” que se decide oferecer unilateralmente. Em uma palavra: ser bom, o que implica ser atencioso, prestativo, sempre pronto a confortar a outra parte, aquela com a qual se busca o encontro, justamente. Sinceridade é fundamental, mas confessar a ação calculada poderia parecer oportunismo, interesse egoísta, até maquiavelismo, no sentido vulgar deste conceito.
Sempre se espera que o desencontro seja passageiro, mas o descompasso pode, na verdade, durar anos, ou décadas. Paciência e constância nos sentimentos constituem, neste caso, duas virtudes fundamentais. Feliz final do seu desencontro...
Curitiba-Brasília, 2 de abril de 2011
Paulo Roberto de Almeida
O que é um desencontro? Dito simplesmente, é uma defasagem, no tempo ou no espaço, entre dois corpos, cada um seguindo vias próprias e diferenciadas, sem qualquer possibilidade de cruzamento. Para fins deste minitratado, no entanto, o desencontro é um descompasso entre dois sentimentos, um pretendendo resposta e reação, o outro permanecendo desatento ou distraído, o que pressupõe alguma instância de reciprocidade ou linha de cruzamento, mesmo virtual.
Na melhor das hipóteses, o desencontro é passageiro, e a correspondência esperada se faz em algum momento, em algum lugar. Na pior, as expectativas de uma parte não logram sensibilizar ou dobrar a vontade da outra parte, e o desencontro se converte em motivo de sofrimento. Todo desencontro, ou toda indiferença é um sofrimento, pelo menos para uma das partes. Todos nós sabemos disso.
Por que existem desencontros? Eu poderia ser economicista e dizer que a reta (sempre crescente) da procura não encontra a “sua” curva da oferta, o que pode ocorrer em face de qualquer falha de mercado ou externalidade negativa. Sendo menos sarcástico, e mecanicista, pode-se dizer que, no terreno dos sentimentos humanos, não existe qualquer equivalência mecânica, como aquela identificada com a “lei de Say”, que pretende que a oferta cria sua própria demanda.
Mas tampouco funciona neste caso a chamada “inversão keynesiana”, que espera que a demanda artificialmente criada pelo poder de emissão de alguma autoridade desperte os “espíritos animais” dos agentes de mercado, que decidem, a partir daí, manter a oferta agregada. Os economistas, assim como os contabilistas, não gostam de desencontros: eles sempre pretendem fechar a equação de equilíbrio, buscando a resposta para déficits ou superávits mesmo por meios artificiais.
No caso das amizades ainda se pode esperar alguma reciprocidade, ou seja, um equilíbrio e correspondência de vontades e prestações mútuas; nas amizades existe, sobretudo, confiança entre as partes. Tudo isso é muito difícil de ser estabelecido no caso de paixões mais “incisivas”, como o amor, que não exige retorno direto; ele pode ser unilateral, unidirecional, não correspondido e assimétrico, como nas relações de dependência ou de assistência entre países avançados e economias miseráveis, que vivem da cooperação ao desenvolvimento (outro nome para a assistência pública).
Como nas relações econômicas, porém, o desencontro é uma expectativa não realizada, por insuficiência de fatores ou de insumos, que atendam aos requisitos dos “consumidores”. Não se trata apenas de uma assimetria de informação, mas de um desequilíbrio sistêmico, que impregna toda a equação de mercado, afetando aquela transação que se esperava realizar. O desencontro, portanto, está muito longe daquela situação que os economistas chamariam de “ótimo paretiano”. Numa figuração de química doméstica, ele seria como a superposição entre a água e o azeite.
Nem todas as culturas, porém, cultivam essa oposição de sentimentos, o confronto de posições, essas cenas dramáticas, típicas de novelas mexicanas. Na tradição oriental, a aparente oposição do yin e do yang acaba conhecendo alguma síntese reconciliadora, assim como na sua gastronomia encontramos o agridoce, que nos enche de prazer, mesmo momentâneo. Mas o desencontro constitui justamente o retorno do azedo sobre o sentimento temporário de doçura e de conforto espiritual.
Existem soluções para os desencontros? Talvez, mas certamente não “a” solução, a fórmula mágica que permitiria eliminar toda frustração e todo sentimento de impotência em face da indiferença alheia. Algumas situações podem ser apenas contornadas, pelo uso dos “estímulos corretos”, geralmente de natureza material. Muitos “compram” o amor, é verdade, ou atuam para criar uma relação de dependência, o que teoricamente pode fazer com que retas paralelas se encontrem em algum ponto do espaço. Mas esse tipo de “equilíbrio” é muito frágil, já que espíritos independentes não suportam a subordinação de sua vontade, justamente.
Qual seria, então, um possível remédio a um desencontro específico? Sem nenhuma garantia de sucesso, como em qualquer empreendimento humano, fazer-se admirar, provocar o reconhecimento da outra parte pelas ações beneméritas, generosas e “desprendidas” que se decide oferecer unilateralmente. Em uma palavra: ser bom, o que implica ser atencioso, prestativo, sempre pronto a confortar a outra parte, aquela com a qual se busca o encontro, justamente. Sinceridade é fundamental, mas confessar a ação calculada poderia parecer oportunismo, interesse egoísta, até maquiavelismo, no sentido vulgar deste conceito.
Sempre se espera que o desencontro seja passageiro, mas o descompasso pode, na verdade, durar anos, ou décadas. Paciência e constância nos sentimentos constituem, neste caso, duas virtudes fundamentais. Feliz final do seu desencontro...
Curitiba-Brasília, 2 de abril de 2011
Walter Russell Mead e Josef Joffe - Diálogos Estratégicos Brasil-EUA
Para não perder:
Diálogos Estratégicos Brasil-EUA
Walter Russell Mead e Josef Joffe
6 de Abril, 18hs, Brasília
A CAPES-MEC , a Comissão Fulbright e a Embaixada dos EUA convidam para o lançamento da série “Diálogos Estratégicos Brasil-EUA” com palestras de Walter Russell Mead e Josef Joffe sobre o tema: "A Doutrina Obama e o Sonho Americano". O evento será realizado às 18h do dia 6 de abril de 2011, no Auditório da CAPES, SBN Quadra 02 Bloco L Lote 6, 1º Subsolo.
Haverá tradução simultânea
Diálogos Estratégicos Brasil-EUA
Walter Russell Mead e Josef Joffe
6 de Abril, 18hs, Brasília
A CAPES-MEC , a Comissão Fulbright e a Embaixada dos EUA convidam para o lançamento da série “Diálogos Estratégicos Brasil-EUA” com palestras de Walter Russell Mead e Josef Joffe sobre o tema: "A Doutrina Obama e o Sonho Americano". O evento será realizado às 18h do dia 6 de abril de 2011, no Auditório da CAPES, SBN Quadra 02 Bloco L Lote 6, 1º Subsolo.
Haverá tradução simultânea
Bernard Lewis on Arab revolts - The Wall Street Journal
THE WEEKEND INTERVIEW: Bernard Lewis
'The Tyrannies Are Doomed'
By BARI WEISS
The Wall Street Journal, APRIL 2, 2011
My own feeling is that the greatest defect of Islam and the main reason they fell behind the West is the treatment of women.
The West's leading scholar of the Middle East, , sees cause for optimism in the limited-government traditions of Arab and Muslim culture. But he says the U.S. should not push for quick, Western-style elections.
Princeton, N.J. - 'What Went Wrong?" That was the explosive title of a December 2001 book by historian Bernard Lewis about the decline of the Muslim world. Already at the printer when 9/11 struck, the book rocketed the professor to widespread public attention, and its central question gripped Americans for a decade.
Now, all of a sudden, there's a new question on American minds: What Might Go Right?
To find out, I made a pilgrimage to the professor's bungalow in Princeton, N.J., where he's lived since 1974 when he joined Princeton's faculty from London's School of Oriental and African Studies.
Two months shy of his 95th birthday, Mr. Lewis has been writing history books since before World War II. By 1950, he was already a leading scholar of the Arab world, and after 9/11, the vice president and the Pentagon's top brass summoned him to Washington for his wisdom.
"I think that the tyrannies are doomed," Mr. Lewis says as we sit by the windows in his library, teeming with thousands of books in the dozen or so languages he's mastered. "The real question is what will come instead."
For Americans who have watched protesters in Tunisia, Egypt, Iran, Libya, Bahrain and now Syria stand up against their regimes, it has been difficult not to be intoxicated by this revolutionary moment. Mr. Lewis is "delighted" by the popular movements and believes that the U.S. should do all it can to bolster them. But he cautions strongly against insisting on Western-style elections in Muslim lands.
"We have a much better chance of establishing—I hesitate to use the word democracy—but some sort of open, tolerant society, if it's done within their systems, according to their traditions. Why should we expect them to adopt a Western system? And why should we expect it to work?" he asks.
Mr. Lewis brings up Germany circa 1918. "After World War I, the victorious Allies tried to impose the parliamentary system on Germany, where they had a rather different political tradition. And the result was that Hitler came to power. Hitler came to power by the manipulation of free and fair elections," recounts Mr. Lewis, who fought the Nazis in the British Army. For a more recent example, consider the 2006 electorial triumph of Hamas in Gaza.
Elections, he argues, should be the culmination—not the beginning—of a gradual political process. Thus "to lay the stress all the time on elections, parliamentary Western-style elections, is a dangerous delusion."
Not because Muslims' cultural DNA is predisposed against it—quite the contrary. "The whole Islamic tradition is very clearly against autocratic and irresponsible rule," says Mr. Lewis. "There is a very strong tradition—both historical and legal, both practical and theoretical—of limited, controlled government."
But Western-style elections have had mixed success even in the West. "Even in France, where they claim to have invented freedom, they're on their fifth republic and who knows how many more there will be before they get settled down," Mr. Lewis laughs. "I don't think we can assume that the Anglo-American system of democracy is a sort of world rule, a world ideal," he says. Instead, Muslims should be "allowed—and indeed helped and encouraged—to develop their own ways of doing things."
In other words: To figure out how to build freer, better societies, Muslims need not look across the ocean. They need only look back into their own history.
Mr. Lewis points me to a letter written by France's ambassador in Istanbul shortly before the French revolution. The French government was frustrated by how long the ambassador was taking to move ahead with some negotiations. So he pushed back: "Here, it is not like it is in France, where the king is sole master and does as he pleases. Here, the sultan has to consult."
In Middle Eastern history "consultation is the magic word. It occurs again and again in classical Islamic texts. It goes back to the time of the Prophet himself," says Mr. Lewis.
What it meant practically was that political leaders had to cut deals with various others—the leaders of the merchant guild, the craft guild, the scribes, the land owners and the like. Each guild chose its own leaders from within. "The rulers," says Mr. Lewis, "even the great Ottoman sultans, had to consult with these different groups in order to get things done."
It's not that Ottoman-era societies were models of Madisonian political wisdom. But power was shared such that rulers at the top were checked, so the Arab and Muslim communities of the vast Ottoman Empire came to include certain practices and expectations of limited government.
Americans often think of limited government in terms of "freedom," but Mr. Lewis says that word doesn't have a precise equivalent in Arabic. "Liberty, freedom, it means not being a slave. . . . Freedom was a legal term and a social term—it was not a political term. And it was not used as a metaphor for political status," he says. The closest Arabic word to our concept of liberty is "justice," or 'adl. "In the Muslim tradition, justice is the standard" of good government. (Yet judging from the crowds gathered at Syria's central Umayyad mosque last week chanting "Freedom, freedom!," the word, if not our precise meaning, has certainly caught on.)
The traditional consultation process was a main casualty of modernization, which helps explain modernization's dubious reputation in parts of the Arab and Muslim world. "Modernization . . . enormously increased the power of the state," Mr. Lewis says. "And it tended to undermine, or even destroy, those various intermediate powers which had previously limited the power of the state." This was enabled by the cunning of the Mubaraks and the Assads, paired with "modern communication, modern weapons and the modern apparatus of surveillance and repression." The result: These autocrats amassed "greater power than even the mightiest of the sultans ever had."
So can today's Middle East recover this tradition and adapt it appropriately? He reminds me that he is a historian: Predictions are not his forte. But the reluctant sage offers some thoughts.
First, Tunisia has real potential for democracy, largely because of the role of women there. "Tunisia, as far as I know, is the only Muslim country that has compulsory education for girls from the beginning right through. And in which women are to be found in all the professions," says Mr. Lewis.
"My own feeling is that the greatest defect of Islam and the main reason they fell behind the West is the treatment of women," he says. He makes the powerful point that repressive homes pave the way for repressive governments. "Think of a child that grows up in a Muslim household where the mother has no rights, where she is downtrodden and subservient. That's preparation for a life of despotism and subservience. It prepares the way for an authoritarian society," he says.
Egypt is a more complicated case, Mr. Lewis says. Already the young, liberal protesters who led the revolution in Tahrir Square are being pushed aside by the military-Muslim Brotherhood complex. Hasty elections, which could come as soon as September, might sweep the Muslim Brotherhood into power. That would be "a very dangerous situation," he warns. "We should have no illusions about the Muslim Brotherhood, who they are and what they want."
And yet Western commentators seem determined to harbor such illusions. Take their treatment of Sheikh Yusuf Qaradawi. The highly popular, charismatic cleric has said that Hitler "managed to put [the Jews] in their place" and that the Holocaust "was divine punishment for them."
Yet following a sermon Sheikh Qaradawi delivered to more than a million in Cairo following Mubarak's ouster, New York Times reporter David D. Kirkpatrick wrote that the cleric "struck themes of democracy and pluralism, long hallmarks of his writing and preaching." Mr. Kirkpatrick added: "Scholars who have studied his work say Sheik Qaradawi has long argued that Islamic law supports the idea of a pluralistic, multiparty, civil democracy."
Professor Lewis has been here before. As the Iranian revolution was beginning in the late 1970s, the name of Ayatollah Ruhollah Khomeini was starting to appear in the Western press. "I was at Princeton and I must confess I never heard of Khomeini. Who had? So I did what one normally does in this world of mine: I went to the university library and looked up Khomeini and, sure enough, it was there."
'It" was a short book called "Islamic Government"—now known as Khomeini's Mein Kampf—available in Persian and Arabic. Mr. Lewis checked out both copies and began reading. "It became perfectly clear who he was and what his aims were. And that all of this talk at the time about [him] being a step forward and a move toward greater freedom was absolute nonsense," recalls Mr. Lewis.
"I tried to bring this to the attention of people here. The New York Times wouldn't touch it. They said 'We don't think this would interest our readers.' But we got the Washington Post to publish an article quoting this. And they were immediately summoned by the CIA," he says. "Eventually the message got through—thanks to Khomeini."
Now, thanks to Tehran's enduring Khomeinism, the regime is unpopular and under threat. "There is strong opposition to the regime—two oppositions—the opposition within the regime and the opposition against the regime. And I think that sooner or later the regime in Iran will be overthrown and something more open, more democratic, will emerge," Mr. Lewis says. "Most Iranian patriots are against the regime. They feel it is defaming and dishonoring their country. And they're right of course."
Iranians' disdain for the ruling mullahs is the reason Mr. Lewis thinks the U.S. shouldn't take military action there. "It would give the regime a gift that they don't at present enjoy—namely Iranian patriotism," he warns.
By his lights, the correct policy is to elevate the democratic Green movement, and to distinguish the regime from the people. "When President Obama assumed office, he sent a message of greeting to the regime. That is polite and courteous," Mr. Lewis deadpans, "but it would have been much better to send a message to the people of Iran."
Let's hope the Green movement is effective. Because—and this may be hard to square with his policy prescription—Mr. Lewis doesn't think that Iran can be contained if it does go nuclear.
"During the Cold War, both the Soviet Union and the United States had nuclear weapons but both knew that the other was very unlikely to use them. Because of what was known at the time as MAD—mutually assured destruction. MAD meant that each side knew that if it used a nuclear weapon the other would retaliate and both sides would be devastated. And that's why the whole time during the Cold War, even at the worst times, there was not much danger of anyone using a nuclear weapon," says Mr. Lewis.
But the mullahs "are religious fanatics with an apocalyptic mindset. In Islam, as in Christianity and Judaism, there is an end-of-times scenario—and they think it's beginning or has already begun." So "mutually assured destruction is not a deterrent—it's an inducement."
Another key variable in the regional dynamic is Turkey, Mr. Lewis's particular expertise. He was the first Westerner granted access to the Ottoman archives in Istanbul in 1950. Recent developments there alarm him. "In Turkey, the movement is getting more and more toward re-Islamization. The government has that as its intention—and it has been taking over, very skillfully, one part after another of Turkish society. The economy, the business community, the academic community, the media. And now they're taking over the judiciary, which in the past has been the stronghold of the republican regime." Ten years from now, Mr. Lewis thinks, Turkey and Iran could switch places.
So even as he watches young Middle Eastern activists rise up against the tyrannies that have oppressed them, he keeps a wary eye on the spread of Islamic fundamentalism. It is particularly challenging because it has "no political center, no ethnic identity. . . . It's both Arab and Persian and Turkish and everything else. It is religiously defined. And it can command support among people of every nationality once they are convinced. That marks the important difference," he says.
"I think the struggle will continue until they either obtain their objective or renounce it," Mr. Lewis says. "At the moment, both seem equally improbable."
Ms. Weiss is an assistant editorial features editor at the Journal.
Printed in The Wall Street Journal, page A1
'The Tyrannies Are Doomed'
By BARI WEISS
The Wall Street Journal, APRIL 2, 2011
My own feeling is that the greatest defect of Islam and the main reason they fell behind the West is the treatment of women.
The West's leading scholar of the Middle East, , sees cause for optimism in the limited-government traditions of Arab and Muslim culture. But he says the U.S. should not push for quick, Western-style elections.
Princeton, N.J. - 'What Went Wrong?" That was the explosive title of a December 2001 book by historian Bernard Lewis about the decline of the Muslim world. Already at the printer when 9/11 struck, the book rocketed the professor to widespread public attention, and its central question gripped Americans for a decade.
Now, all of a sudden, there's a new question on American minds: What Might Go Right?
To find out, I made a pilgrimage to the professor's bungalow in Princeton, N.J., where he's lived since 1974 when he joined Princeton's faculty from London's School of Oriental and African Studies.
Two months shy of his 95th birthday, Mr. Lewis has been writing history books since before World War II. By 1950, he was already a leading scholar of the Arab world, and after 9/11, the vice president and the Pentagon's top brass summoned him to Washington for his wisdom.
"I think that the tyrannies are doomed," Mr. Lewis says as we sit by the windows in his library, teeming with thousands of books in the dozen or so languages he's mastered. "The real question is what will come instead."
For Americans who have watched protesters in Tunisia, Egypt, Iran, Libya, Bahrain and now Syria stand up against their regimes, it has been difficult not to be intoxicated by this revolutionary moment. Mr. Lewis is "delighted" by the popular movements and believes that the U.S. should do all it can to bolster them. But he cautions strongly against insisting on Western-style elections in Muslim lands.
"We have a much better chance of establishing—I hesitate to use the word democracy—but some sort of open, tolerant society, if it's done within their systems, according to their traditions. Why should we expect them to adopt a Western system? And why should we expect it to work?" he asks.
Mr. Lewis brings up Germany circa 1918. "After World War I, the victorious Allies tried to impose the parliamentary system on Germany, where they had a rather different political tradition. And the result was that Hitler came to power. Hitler came to power by the manipulation of free and fair elections," recounts Mr. Lewis, who fought the Nazis in the British Army. For a more recent example, consider the 2006 electorial triumph of Hamas in Gaza.
Elections, he argues, should be the culmination—not the beginning—of a gradual political process. Thus "to lay the stress all the time on elections, parliamentary Western-style elections, is a dangerous delusion."
Not because Muslims' cultural DNA is predisposed against it—quite the contrary. "The whole Islamic tradition is very clearly against autocratic and irresponsible rule," says Mr. Lewis. "There is a very strong tradition—both historical and legal, both practical and theoretical—of limited, controlled government."
But Western-style elections have had mixed success even in the West. "Even in France, where they claim to have invented freedom, they're on their fifth republic and who knows how many more there will be before they get settled down," Mr. Lewis laughs. "I don't think we can assume that the Anglo-American system of democracy is a sort of world rule, a world ideal," he says. Instead, Muslims should be "allowed—and indeed helped and encouraged—to develop their own ways of doing things."
In other words: To figure out how to build freer, better societies, Muslims need not look across the ocean. They need only look back into their own history.
Mr. Lewis points me to a letter written by France's ambassador in Istanbul shortly before the French revolution. The French government was frustrated by how long the ambassador was taking to move ahead with some negotiations. So he pushed back: "Here, it is not like it is in France, where the king is sole master and does as he pleases. Here, the sultan has to consult."
In Middle Eastern history "consultation is the magic word. It occurs again and again in classical Islamic texts. It goes back to the time of the Prophet himself," says Mr. Lewis.
What it meant practically was that political leaders had to cut deals with various others—the leaders of the merchant guild, the craft guild, the scribes, the land owners and the like. Each guild chose its own leaders from within. "The rulers," says Mr. Lewis, "even the great Ottoman sultans, had to consult with these different groups in order to get things done."
It's not that Ottoman-era societies were models of Madisonian political wisdom. But power was shared such that rulers at the top were checked, so the Arab and Muslim communities of the vast Ottoman Empire came to include certain practices and expectations of limited government.
Americans often think of limited government in terms of "freedom," but Mr. Lewis says that word doesn't have a precise equivalent in Arabic. "Liberty, freedom, it means not being a slave. . . . Freedom was a legal term and a social term—it was not a political term. And it was not used as a metaphor for political status," he says. The closest Arabic word to our concept of liberty is "justice," or 'adl. "In the Muslim tradition, justice is the standard" of good government. (Yet judging from the crowds gathered at Syria's central Umayyad mosque last week chanting "Freedom, freedom!," the word, if not our precise meaning, has certainly caught on.)
The traditional consultation process was a main casualty of modernization, which helps explain modernization's dubious reputation in parts of the Arab and Muslim world. "Modernization . . . enormously increased the power of the state," Mr. Lewis says. "And it tended to undermine, or even destroy, those various intermediate powers which had previously limited the power of the state." This was enabled by the cunning of the Mubaraks and the Assads, paired with "modern communication, modern weapons and the modern apparatus of surveillance and repression." The result: These autocrats amassed "greater power than even the mightiest of the sultans ever had."
So can today's Middle East recover this tradition and adapt it appropriately? He reminds me that he is a historian: Predictions are not his forte. But the reluctant sage offers some thoughts.
First, Tunisia has real potential for democracy, largely because of the role of women there. "Tunisia, as far as I know, is the only Muslim country that has compulsory education for girls from the beginning right through. And in which women are to be found in all the professions," says Mr. Lewis.
"My own feeling is that the greatest defect of Islam and the main reason they fell behind the West is the treatment of women," he says. He makes the powerful point that repressive homes pave the way for repressive governments. "Think of a child that grows up in a Muslim household where the mother has no rights, where she is downtrodden and subservient. That's preparation for a life of despotism and subservience. It prepares the way for an authoritarian society," he says.
Egypt is a more complicated case, Mr. Lewis says. Already the young, liberal protesters who led the revolution in Tahrir Square are being pushed aside by the military-Muslim Brotherhood complex. Hasty elections, which could come as soon as September, might sweep the Muslim Brotherhood into power. That would be "a very dangerous situation," he warns. "We should have no illusions about the Muslim Brotherhood, who they are and what they want."
And yet Western commentators seem determined to harbor such illusions. Take their treatment of Sheikh Yusuf Qaradawi. The highly popular, charismatic cleric has said that Hitler "managed to put [the Jews] in their place" and that the Holocaust "was divine punishment for them."
Yet following a sermon Sheikh Qaradawi delivered to more than a million in Cairo following Mubarak's ouster, New York Times reporter David D. Kirkpatrick wrote that the cleric "struck themes of democracy and pluralism, long hallmarks of his writing and preaching." Mr. Kirkpatrick added: "Scholars who have studied his work say Sheik Qaradawi has long argued that Islamic law supports the idea of a pluralistic, multiparty, civil democracy."
Professor Lewis has been here before. As the Iranian revolution was beginning in the late 1970s, the name of Ayatollah Ruhollah Khomeini was starting to appear in the Western press. "I was at Princeton and I must confess I never heard of Khomeini. Who had? So I did what one normally does in this world of mine: I went to the university library and looked up Khomeini and, sure enough, it was there."
'It" was a short book called "Islamic Government"—now known as Khomeini's Mein Kampf—available in Persian and Arabic. Mr. Lewis checked out both copies and began reading. "It became perfectly clear who he was and what his aims were. And that all of this talk at the time about [him] being a step forward and a move toward greater freedom was absolute nonsense," recalls Mr. Lewis.
"I tried to bring this to the attention of people here. The New York Times wouldn't touch it. They said 'We don't think this would interest our readers.' But we got the Washington Post to publish an article quoting this. And they were immediately summoned by the CIA," he says. "Eventually the message got through—thanks to Khomeini."
Now, thanks to Tehran's enduring Khomeinism, the regime is unpopular and under threat. "There is strong opposition to the regime—two oppositions—the opposition within the regime and the opposition against the regime. And I think that sooner or later the regime in Iran will be overthrown and something more open, more democratic, will emerge," Mr. Lewis says. "Most Iranian patriots are against the regime. They feel it is defaming and dishonoring their country. And they're right of course."
Iranians' disdain for the ruling mullahs is the reason Mr. Lewis thinks the U.S. shouldn't take military action there. "It would give the regime a gift that they don't at present enjoy—namely Iranian patriotism," he warns.
By his lights, the correct policy is to elevate the democratic Green movement, and to distinguish the regime from the people. "When President Obama assumed office, he sent a message of greeting to the regime. That is polite and courteous," Mr. Lewis deadpans, "but it would have been much better to send a message to the people of Iran."
Let's hope the Green movement is effective. Because—and this may be hard to square with his policy prescription—Mr. Lewis doesn't think that Iran can be contained if it does go nuclear.
"During the Cold War, both the Soviet Union and the United States had nuclear weapons but both knew that the other was very unlikely to use them. Because of what was known at the time as MAD—mutually assured destruction. MAD meant that each side knew that if it used a nuclear weapon the other would retaliate and both sides would be devastated. And that's why the whole time during the Cold War, even at the worst times, there was not much danger of anyone using a nuclear weapon," says Mr. Lewis.
But the mullahs "are religious fanatics with an apocalyptic mindset. In Islam, as in Christianity and Judaism, there is an end-of-times scenario—and they think it's beginning or has already begun." So "mutually assured destruction is not a deterrent—it's an inducement."
Another key variable in the regional dynamic is Turkey, Mr. Lewis's particular expertise. He was the first Westerner granted access to the Ottoman archives in Istanbul in 1950. Recent developments there alarm him. "In Turkey, the movement is getting more and more toward re-Islamization. The government has that as its intention—and it has been taking over, very skillfully, one part after another of Turkish society. The economy, the business community, the academic community, the media. And now they're taking over the judiciary, which in the past has been the stronghold of the republican regime." Ten years from now, Mr. Lewis thinks, Turkey and Iran could switch places.
So even as he watches young Middle Eastern activists rise up against the tyrannies that have oppressed them, he keeps a wary eye on the spread of Islamic fundamentalism. It is particularly challenging because it has "no political center, no ethnic identity. . . . It's both Arab and Persian and Turkish and everything else. It is religiously defined. And it can command support among people of every nationality once they are convinced. That marks the important difference," he says.
"I think the struggle will continue until they either obtain their objective or renounce it," Mr. Lewis says. "At the moment, both seem equally improbable."
Ms. Weiss is an assistant editorial features editor at the Journal.
Printed in The Wall Street Journal, page A1
Natalie Cole and Ray Charles - Fever
Puro deleite, mesmo sem aspirina, ou anti-termico:
http://www.youtube.com/watch?v=P-XJH9WFQpI&feature=player_embedded#at=20
One of the best voice combination, best played, best sound, best singing from both artists. My big admiration and respect for the artists.
http://www.youtube.com/watch?v=P-XJH9WFQpI&feature=player_embedded#at=20
One of the best voice combination, best played, best sound, best singing from both artists. My big admiration and respect for the artists.
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Ray Charles
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Livros sobre o Primeiro Reinado - biblioteca excepcional
8,3 mil obras de história e afeto
Roberta Pennafort
O Estado de S.Paulo, 01 de abril de 2011 – pág. D10
RIO - Eles eram intelectuais, amigos dos mais importantes autores brasileiros de seu tempo, e juntavam livros não como fetichistas que admiram o crescimento da coleção, mas na condição de apaixonados pelo conhecimento.
Em 1959, morto num acidente aéreo, o casal de escritores Octavio Tarquinio de Sousa e Lucia Miguel Pereira deixou, no apartamento em que viviam, em Laranjeiras, no Rio, uma biblioteca de cerca de 8,3 mil exemplares, iniciada no início do século 20.
Este acervo protegido pelo neto que criavam como filho - Antonio Gabriel, hoje com 73 anos - estará aberto à visitação pública nos próximos meses, na biblioteca que será instalada no novo prédio da Procuradoria-Geral do Estado, no centro.
Enquanto as obras no edifício não são concluídas, o conteúdo das estantes de cedro maciço pode ser conhecido no site www.octavioelucia.com. Para os pesquisadores, em especial os que se debruçam sobre o período imperial, é uma fonte e tanto. Sousa é autor dos dez volumes de História dos Fundadores do Império do Brasil, lançados nos anos 50 e referência até hoje.
Para os curiosos, estão disponíveis dedicatórias amorosas de escritores como Carlos Drummond de Andrade, que os trata como "gente do melhor coração" numa poesia na folha de rosto de Claro Enigma (1951). Em 1947, Graciliano Ramos escrevera, na de Caetés: "Caro Tarquínio e caríssima Lucia: façam-me o favor de não ler esta miséria".
Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Jorge Amado, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Vinicius de Moraes... Pense num grande nome das nossas letras, e haverá uma assinatura sua num livro dessa coleção.
O valor do conjunto é incalculável. Antonio Gabriel resistiu durante esses 52 anos a investidas de sebos e até de universidades norte-americanas. "Esta é a biblioteca mais importante do Brasil em termos de primeiro reinado. Sempre tive consciência de que deveria ficar no Brasil. É um tesouro nosso, ainda que os governos estejam se lixando para isso. Mais de 30% dos livros têm dedicatórias. Estou prestando uma homenagem àquelas duas pessoas que eu amava. A biblioteca ficará una, com o nome deles e acessível", orgulha-se.
Roberta Pennafort
O Estado de S.Paulo, 01 de abril de 2011 – pág. D10
RIO - Eles eram intelectuais, amigos dos mais importantes autores brasileiros de seu tempo, e juntavam livros não como fetichistas que admiram o crescimento da coleção, mas na condição de apaixonados pelo conhecimento.
Em 1959, morto num acidente aéreo, o casal de escritores Octavio Tarquinio de Sousa e Lucia Miguel Pereira deixou, no apartamento em que viviam, em Laranjeiras, no Rio, uma biblioteca de cerca de 8,3 mil exemplares, iniciada no início do século 20.
Este acervo protegido pelo neto que criavam como filho - Antonio Gabriel, hoje com 73 anos - estará aberto à visitação pública nos próximos meses, na biblioteca que será instalada no novo prédio da Procuradoria-Geral do Estado, no centro.
Enquanto as obras no edifício não são concluídas, o conteúdo das estantes de cedro maciço pode ser conhecido no site www.octavioelucia.com. Para os pesquisadores, em especial os que se debruçam sobre o período imperial, é uma fonte e tanto. Sousa é autor dos dez volumes de História dos Fundadores do Império do Brasil, lançados nos anos 50 e referência até hoje.
Para os curiosos, estão disponíveis dedicatórias amorosas de escritores como Carlos Drummond de Andrade, que os trata como "gente do melhor coração" numa poesia na folha de rosto de Claro Enigma (1951). Em 1947, Graciliano Ramos escrevera, na de Caetés: "Caro Tarquínio e caríssima Lucia: façam-me o favor de não ler esta miséria".
Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Jorge Amado, Gilberto Freyre, Monteiro Lobato, Vinicius de Moraes... Pense num grande nome das nossas letras, e haverá uma assinatura sua num livro dessa coleção.
O valor do conjunto é incalculável. Antonio Gabriel resistiu durante esses 52 anos a investidas de sebos e até de universidades norte-americanas. "Esta é a biblioteca mais importante do Brasil em termos de primeiro reinado. Sempre tive consciência de que deveria ficar no Brasil. É um tesouro nosso, ainda que os governos estejam se lixando para isso. Mais de 30% dos livros têm dedicatórias. Estou prestando uma homenagem àquelas duas pessoas que eu amava. A biblioteca ficará una, com o nome deles e acessível", orgulha-se.
EXTRA: Denuncia do Tratado de Assuncao pelo Governo brasileiro
De: AIG - Imprensa
Enviado: sexta-feira, 1 de abril de 2011 12:22
Assunto: INFO 140 – Denúncia pelo Brasil do Tratado de Assunção
Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete
Nota à Imprensa nº 140
1 de abril de 2011
Denúncia pelo Brasil do Tratado de Assunção
O Governo da República Federativa do Brasil, no uso das faculdades que lhe autorizam os artigos 21 e 22 do Tratado de Assunção, tendo considerado todas as implicações da decisão a que foi levado por imperiosos motivos de ordem pública e por razões mais amplamente expostas abaixo, anuncia que, por notas encaminhadas aos demais Estados Partes do referido tratado, em especial por meio de documento de denúncia depositado junto ao Ministério das Relações Exteriores da República do Paraguai, depositário oficial dos instrumentos oficiais do Mercado Comum do Sul, decidiu denunciar sua ratificação original, cessando, portanto, suas obrigações ao abrigo do mesmo instrumento em 1 de abril de 2013, de conformidade com as disposições inscritas em seu artigo 22.
Os motivos que levam o Governo do Brasil a adotar tão grave medida, no quadro de um processo considerado relevante e prioritário em suas relações econômicas externas, podem ser expostos como segue. Não obstante a retomada do crescimento do comércio dentro do bloco, como observado no período recente, essa expansão não apresenta, para a economia brasileira, os mesmos benefícios que aqueles registrados no período anterior a 1999, quando os mercados dos países membros representavam quase um quinto dos intercâmbios externos do Brasil. Na fase atual, o Mercosul destacou-se por seu baixo dinamismo, passando a representar menos de um décimo do comércio exterior do Brasil, muito embora esse mercado seja caracterizado por vendas de produtos de maior valor agregado.
O Governo do Brasil, no entanto, pretende evidenciar, por este gesto de suma gravidade no quadro das relações econômicas externas do País, sua total desconformidade com as medidas ilegais, abusivas e arbitrárias de que vêm sendo vítimas suas indústrias mais dinâmicas, ao verem cerceadas, de maneira inequivocamente contrária ao espírito e à letra do Tratado de Assunção, as possibilidades de exportação de uma ampla gama de produtos manufaturados. A indústria brasileira tinha realizado vultosos investimentos em capacidade produtiva na crença, injustificada como se revela agora, de que esses produtos teriam acesso livre e desimpedido aos mercados dos sócios, como estipulado no artigo primeiro do Tratado de Assunção.
A imposição reiterada de barreiras injustificadas, bem como de toda sorte de impedimentos à livre circulação desses bens fazem dos compromissos assumidos ao abrigo desse tratado letra morta, num quadro de inadimplências generalizadas em relação a obrigações juridicamente perfeitas, não devidamente sancionadas pelos mecanismos disponíveis de solução de controvérsias. Mais de uma vez, o Governo brasileiro viu frustradas suas esperanças de que tais medidas abusivas e ilegais poderiam ser coibidas pelos instrumentos em vigor de resolução de litígios, tendo sido obrigado, em mais de uma oportunidade, a buscar apoio no sistema de solução de controvérsia da Organização Mundial do Comércio, o que revela falhas estruturais inadmissíveis num processo de integração que deveria ser caracterizado, antes de mais nada, pela sua coesão interna, pelo respeito à sua arquitetura jurídica e pela mais perfeita adesão a normas pactuadas consensualmente.
O governo brasileiro também constata o crescente desvio dos objetivos originais inscritos no Tratado de Assunção e no Protocolo de Ouro Preto, assim como em incontáveis decisões do Conselho do Mercado Comum e em resoluções do Grupo Mercado Comum, todos tendentes a assegurar a liberalização comercial plena e a abertura comercial crescente dos Estados Partes entre si e nas suas relações com terceiros países. Ocorreu, sem que o governo brasileiro pretenda excluir suas próprias responsabilidades nessa evolução pouco positiva, a extensão indesejada e o recurso indevido a mecanismos estatais de financiamento, em detrimento e em substituição a modalidades correntes de mercado, de maiores externalidades positivas, com o objetivo de corrigir supostas distorções e alegadas assimetrias estruturais, na verdade simples reflexo de dotações diferenciadas de fatores entre os países membros, interferindo no funcionamento regular dos mercados e do que seria uma área de livre comércio, e onerando gravemente os orçamentos nacionais, de forma totalmente desequilibrada.
Por fim, o Governo brasileiro registrou também que, tendo sido adotado, numa visão otimista da adesão de novos membros, um protocolo que consagra o acesso da República Bolivariana da Venezuela como “membro pleno em processo de adesão”, uma figura esdrúxula no ordenamento do Mercosul, e em descompasso com os dispositivos pertinente do Tratado de Assunção, sem que aquele país tenha de fato incorporado todos os requisitos necessários à sua plena integração aos esquemas de livre comércio e de união aduaneira do bloco, esse quadro promete desestruturar ainda mais o perfil comercialista e de mercado do Mercosul, o que representaria uma diminuição adicional de sua credibilidade internacional, mesmo sem considerar outros elementos de natureza política que deveriam ser considerados nesse processo de adesão.
Ao confirmar sua decisão pela denúncia do Tratado de Assunção e aos esquemas em vigor atualmente no que deveria ser um mercado comum do Sul, o Governo brasileiro declara entretanto sua total disposição para novamente reunir-se com os demais membros e países associados numa conferência diplomática, para discutir uma reforma institucional que proponha um Mercosul mais conforme as realidades e necessidades dos atuais Estados Partes.
Brasília, 1 de Abril de 2011.
MRE-140
Enviado: sexta-feira, 1 de abril de 2011 12:22
Assunto: INFO 140 – Denúncia pelo Brasil do Tratado de Assunção
Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete
Nota à Imprensa nº 140
1 de abril de 2011
Denúncia pelo Brasil do Tratado de Assunção
O Governo da República Federativa do Brasil, no uso das faculdades que lhe autorizam os artigos 21 e 22 do Tratado de Assunção, tendo considerado todas as implicações da decisão a que foi levado por imperiosos motivos de ordem pública e por razões mais amplamente expostas abaixo, anuncia que, por notas encaminhadas aos demais Estados Partes do referido tratado, em especial por meio de documento de denúncia depositado junto ao Ministério das Relações Exteriores da República do Paraguai, depositário oficial dos instrumentos oficiais do Mercado Comum do Sul, decidiu denunciar sua ratificação original, cessando, portanto, suas obrigações ao abrigo do mesmo instrumento em 1 de abril de 2013, de conformidade com as disposições inscritas em seu artigo 22.
Os motivos que levam o Governo do Brasil a adotar tão grave medida, no quadro de um processo considerado relevante e prioritário em suas relações econômicas externas, podem ser expostos como segue. Não obstante a retomada do crescimento do comércio dentro do bloco, como observado no período recente, essa expansão não apresenta, para a economia brasileira, os mesmos benefícios que aqueles registrados no período anterior a 1999, quando os mercados dos países membros representavam quase um quinto dos intercâmbios externos do Brasil. Na fase atual, o Mercosul destacou-se por seu baixo dinamismo, passando a representar menos de um décimo do comércio exterior do Brasil, muito embora esse mercado seja caracterizado por vendas de produtos de maior valor agregado.
O Governo do Brasil, no entanto, pretende evidenciar, por este gesto de suma gravidade no quadro das relações econômicas externas do País, sua total desconformidade com as medidas ilegais, abusivas e arbitrárias de que vêm sendo vítimas suas indústrias mais dinâmicas, ao verem cerceadas, de maneira inequivocamente contrária ao espírito e à letra do Tratado de Assunção, as possibilidades de exportação de uma ampla gama de produtos manufaturados. A indústria brasileira tinha realizado vultosos investimentos em capacidade produtiva na crença, injustificada como se revela agora, de que esses produtos teriam acesso livre e desimpedido aos mercados dos sócios, como estipulado no artigo primeiro do Tratado de Assunção.
A imposição reiterada de barreiras injustificadas, bem como de toda sorte de impedimentos à livre circulação desses bens fazem dos compromissos assumidos ao abrigo desse tratado letra morta, num quadro de inadimplências generalizadas em relação a obrigações juridicamente perfeitas, não devidamente sancionadas pelos mecanismos disponíveis de solução de controvérsias. Mais de uma vez, o Governo brasileiro viu frustradas suas esperanças de que tais medidas abusivas e ilegais poderiam ser coibidas pelos instrumentos em vigor de resolução de litígios, tendo sido obrigado, em mais de uma oportunidade, a buscar apoio no sistema de solução de controvérsia da Organização Mundial do Comércio, o que revela falhas estruturais inadmissíveis num processo de integração que deveria ser caracterizado, antes de mais nada, pela sua coesão interna, pelo respeito à sua arquitetura jurídica e pela mais perfeita adesão a normas pactuadas consensualmente.
O governo brasileiro também constata o crescente desvio dos objetivos originais inscritos no Tratado de Assunção e no Protocolo de Ouro Preto, assim como em incontáveis decisões do Conselho do Mercado Comum e em resoluções do Grupo Mercado Comum, todos tendentes a assegurar a liberalização comercial plena e a abertura comercial crescente dos Estados Partes entre si e nas suas relações com terceiros países. Ocorreu, sem que o governo brasileiro pretenda excluir suas próprias responsabilidades nessa evolução pouco positiva, a extensão indesejada e o recurso indevido a mecanismos estatais de financiamento, em detrimento e em substituição a modalidades correntes de mercado, de maiores externalidades positivas, com o objetivo de corrigir supostas distorções e alegadas assimetrias estruturais, na verdade simples reflexo de dotações diferenciadas de fatores entre os países membros, interferindo no funcionamento regular dos mercados e do que seria uma área de livre comércio, e onerando gravemente os orçamentos nacionais, de forma totalmente desequilibrada.
Por fim, o Governo brasileiro registrou também que, tendo sido adotado, numa visão otimista da adesão de novos membros, um protocolo que consagra o acesso da República Bolivariana da Venezuela como “membro pleno em processo de adesão”, uma figura esdrúxula no ordenamento do Mercosul, e em descompasso com os dispositivos pertinente do Tratado de Assunção, sem que aquele país tenha de fato incorporado todos os requisitos necessários à sua plena integração aos esquemas de livre comércio e de união aduaneira do bloco, esse quadro promete desestruturar ainda mais o perfil comercialista e de mercado do Mercosul, o que representaria uma diminuição adicional de sua credibilidade internacional, mesmo sem considerar outros elementos de natureza política que deveriam ser considerados nesse processo de adesão.
Ao confirmar sua decisão pela denúncia do Tratado de Assunção e aos esquemas em vigor atualmente no que deveria ser um mercado comum do Sul, o Governo brasileiro declara entretanto sua total disposição para novamente reunir-se com os demais membros e países associados numa conferência diplomática, para discutir uma reforma institucional que proponha um Mercosul mais conforme as realidades e necessidades dos atuais Estados Partes.
Brasília, 1 de Abril de 2011.
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Continuidade e mudanca na politica externa brasileira - Paulo Roberto de Almeida
Continuidade e Mudança na Política Externa Brasileira
Paulo Roberto de Almeida
Toda política externa, ou toda política governamental, em geral, é feita de mudanças e continuidades. Talvez a política externa tenha bem mais continuidades do que mudanças, pela própria natureza do “negócio”: não se muda o sistema de relações internacionais, a política regional, as relações bilaterais e menos ainda a agenda de trabalho de grandes organismos internacionais da mesma forma ou com as mesmas “facilidades” com que se pode imprimir mudanças de direção, algumas até repentinas, no plano das políticas domésticas.
Partindo, portanto, do pressuposto de que as continuidades são mais frequentes do que as mudanças, podemos, talvez até mais facilmente, detectar mudanças de ritmo, de estilo e até de orientação na política externa de um estado emergente como o Brasil. Vendo o mundo como uma ordem em transição, o Brasil está interessado, justamente, na mudança de padrões nas relações internacionais, que sejam suscetíveis de acomodar suas novas pretensões ou seus pleitos quanto ao estabelecimento de uma nova agenda mundial e quanto ao funcionamento desse sistema, ou seja, no quadro de medidas operacionais.
As primeiras mudanças que podemos detectar, entre a diplomacia de Lula e a de Dilma se situam, obviamente, no plano do estilo, já que ninguém saberia, nem poderia, imitar, ou mimetizar, o estilo inigualável do ex-presidente, qualquer que seja o julgamento que se faça sobre as suas qualidades de chefe de Estado, de governo e de condutor da diplomacia brasileira. Fosse outro o governo, ou fosse outro o chefe de Estado, muitos dossiês internacionais poderiam estar sendo conduzidos pelo chefe da chancelaria ou pela burocracia normal do Ministério das Relações Exteriores.
O ex-presidente se envolvia pessoalmente na condução, e até na definição de posições negociadoras, em vários dos mais importantes assuntos da diplomacia oficial, a começar pela política regional, as questões da integração, a presença do Brasil em diversos foros, ou fóruns internacionais – a diplomacia dos Gs: G3, G4, Brics, o G20 financeiro e vários outros – sem esquecer as muitas visitas bilaterais e encontros regionais (como os com dirigentes sul-americanos e destes com os africanos e árabes). É previsível que a presidente Dilma conduza os assuntos externos bem mais através da própria chancelaria, o que já constitui uma mudança substantiva. Essa mesma conformação permitirá restaurar a unidade da formulação e implementação da política externa, anteriormente fragmentada numa espécie de tríade constituída pelo assessor especial da presidência em assuntos internacionais, pelo secretário-geral das relações exteriores e pelo próprio chanceler. Já se trata, portanto, de uma grande mudança.
No plano da forma, mas isto também tem a ver com a substância, outras são as prioridades e outro é o estilo da presidente Dilma Rousseff, a começar pelas suas preocupações naturais com a política interna e com a economia doméstica, inclusive porque a herança de problemas deixada pelo ex-presidente é pesada, sobretudo em termos de gastos públicos e a consequente deterioração orçamentária, a aceleração inflacionária em função da expansão exagerada do crédito (privado e público), a diminuição do superávit primário e as inúmeras maquiagens contábeis feitas em 2010 para mistificar o crescimento da dívida pública, entre outros legados negativos da presidência Lula.
Mas, formada a base parlamentar do governo, para assegurar boas condições de governança interna, e anunciados os cortes orçamentários e outras medidas de ajuste para combater a inflação, o governo Dilma pode então dedicar uma parte dos seus esforços a questões de política externa. Ela o fez, aliás, ainda antes de tomar posse, pois sua primeira entrevista à imprensa foi concedida ao jornal Washington Post, em novembro de 2010, quando ela justamente se distancia da política de direitos humanos do governo Lula ao declarar sua total contrariedade com o apoio que o Brasil concedia, então, ao Irã, país considerado um violador contumaz dos direitos humanos de seus cidadãos. Dilma, na verdade, se pronunciou especificamente a respeito do possível, até provável naquela ocasião, apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, possibilidade que a presidente eleita considerou, com razão, um ato bárbaro, contrário a qualquer sentido de humanidade e de padrões civilizacionais. No fundo, ela estava condenando, sem o dizer, a proximidade e até o apoio da diplomacia lulista em relação a algumas das piores ditaduras remanescentes no mundo contemporâneo.
Esse é, pode-se dizer, a principal diferença, ou inovação diplomática, do governo Dilma em relação ao governo Lula, postura confirmada recentemente quando o governo brasileiro votou a favor do envio de um consultor em matéria de direitos humanos para investigar violações no Irã, objeto de decisão específica, para imenso desprazer dos iranianos, no Conselho dos Direitos Humanos da ONU em Genebra. O desprazer iraniano já tinha sido criado com o convite formulado anteriormente à Prêmio Nobel iraniana, advogada de direitos humanos, Shirin Ebadi, para almoçar na Residência da delegação do Brasil para assuntos de direitos humanos, inaugurando, portanto, um diálogo oficial do governo brasileiro com a oposição política ao atual governo do Irã, em total contraposição às posições favoráveis exibidas pelo governo precedente, ou pelo menos pelo presidente Lula e pelo seu chanceler.
A outra inovação é, obviamente, observada no relacionamento com os EUA e em temas da agenda multilateral que possuem uma grande interface com a política dos EUA, como nos recentes episódios envolvendo a guerra civil na Líbia e questões de natureza econômica envolvendo comércio, moedas e a China. Existe uma evidente boa vontade e até iniciativas concretas para melhorar o diálogo e o relacionamento com os EUA, em outro claro sinal de distinção vis-à-vis a política externa do trio Garcia-Guimarães-Amorim sob a orientação geral do Supremo Guia. A intenção, manifestada explicitamente pela presidente e seu chanceler, era a de criar novos espaços de cooperação entre o Brasil e os EUA, podendo incluir até a revisão do processo de compra de novos caças para a FAB e outros áreas de interesse mútuo no comércio, investimentos, energia, G20, etc. Depois da visita do presidente Obama – considerada um sucesso mesmo sem grandes resultados aparentes, pelo simples fato de se ter realizado antes de passados três meses da posse da presidente Dilma, segundo o chanceler – a presidente Dilma teria veiculado – a crer em matéria da Folha de S. Paulo do dia 28 de março de 2011, a partir de fontes autorizadas do Palácio do Planalto – seu descontentamento com o excesso de simbolismo e a pouca substância como resultado desse encontro. A presidente gostaria, ao que parece, de uma “diplomacia de resultados”, uma expressão que esteve identificada, pela primeira vez, com um chanceler que era um empresário: Olavo Setubal, chanceler escolhido pelo presidente não-empossado Tancredo Neves, e que ficou dois anos sob o vice-presidente empossado presidente José Sarney, em 1986 e 1986.
O outro sinal de distanciamento, ainda a ser confirmado, seria na relação com a China, potência com a qual o governo anterior entreteve diversas ilusões de aliança estratégica, declarando-se a favor do reconhecimento desse país como economia de mercado e esperando receber dela apoio para suas pretensões exageradas a um grande papel internacional, a começar pela reforma da Carta da ONU e a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A presidente Dilma estaria descontente, ao que parece, mas aqui pressionada pelos industriais brasileiros, com o papel reservado pela China ao Brasil, de simples provedor de matérias primas e de grande mercado para suas manufaturas baratas, que estão competindo fortemente com equivalentes brasileiros não apenas no plano doméstico mas também em terceiros mercados, especialmente na América Latina. Mas ainda temos de aguardar a visita a ser feita pela presidente à China, ainda agora em abril, inclusive para reunião dos Brics, que passou a incluir a África do Sul, com o total apoio da China e para desconforto do Brasil, que pretendia manter separadas as agendas do Ibas e dos Brics.
Também ainda resta esperar pelos testes da nova política externa no contexto regional, campo por excelência do que tinha sido designado, na gestão anterior, de exercício de liderança brasileira, para grande desconforto dos profissionais do Itamaraty. Este talvez seja o elemento crucial a fornecer elementos mais concretos para se avaliar se a diplomacia de Dilma se distingue, ou não, da diplomacia de Lula. No contexto regional, todo o empenho dos auxiliares diplomáticos de Lula se exerceu no sentido de afastar os sul-americanos do império e afastar o império dos assuntos latino-americanos. O esforço começou pela implosão da Alca, bem sucedido, aliás, e em torno da qual seus autores se orgulharam pelo mérito da obra.
O processo continuou pela constituição de agrupamentos políticos claramente autônomos em relação aos vetores de influência imperiais na região, quando não em oposição à presença americana no continente sul-americano. Esse foi o sentido da constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações, criada por iniciativa do Brasil numa reunião de cúpula ocorrida em Cuzco, no Peru, em dezembro de 2004, à qual, por sinal, não compareceu nenhum dos demais dirigentes do Mercosul. O Brasil ofereceu o Rio de Janeiro para sediar o que seria um secretariado da Casa, no que não foi seguido pelos demais países da região, que se empenharam em encontrar substitutivos ao projeto brasileiro. A Casa foi substituída em 2008 pela Unasul, com sede em Quito, como proposto pelo presidente Chávez. Pode-se dizer que a Unasul constitui uma continuidade apenas parcial do primeiro projeto de integração sul-americana proposto pelo Brasil, mas que hoje escapa largamente ao seu controle. Em todo caso, diferentemente da IIRSA, que constituía um projeto de integração física do continente, proposto pelo Brasil na primeira reunião de chefes de Estado e de governo da América do Sul, em 2000 – que por ter sido iniciado por Fernando Henrique Cardoso foi descontinuado parcialmente – a Unasul ainda não conseguiu dar continuidade à carteira de projetos desenhados pelo BID nos mais diversos campos da infraestrutura: energia, comunicações, transportes, etc.
Onde também ocorreu descontinuidade na agenda da política externa herdada pelo governo Lula de FHC foi na área reputada estratégica e prioritária por ambos governos: o processo de integração sob a égide do Mercosul. Sua vertente econômica e comercial, que constitui o cerne mesmo do processo, ficou praticamente intocada, ou talvez tenha até retrocedido, a partir das inúmeras salvaguardas abusivas e ilegais introduzidas pelo governo argentino contra produtos manufaturados brasileiros, em total contradição com o espírito e a letra do Tratado de Assunção, e com a complacência leniente demonstrada pelo governo brasileiro. Em seu lugar, foram impulsionadas as vertentes políticas e sociais da integração, que podem até ser interessantes em seu mérito próprio, mas não constituem propriamente uma base sólida sobre a qual ancorar a integração.
Pois bem: ainda não se sabe, aqui, se haverá continuidade na mesma política de “compreensão generosa” com as violações argentinas dos seus compromissos sob o Tratado de Assunção ou se o governo Dilma seguirá uma política de defesa da legalidade e de conformidade com os engajamentos assumidos no quadro dos diversos protocolos de integração assinados pelos quatro países membros. O ingresso da Venezuela poderá constituir um teste, já que o país andino liderado pelo coronel socialista ainda não atendeu aos requisitos básicos do processo de integração, que são a internalização da Tarifa Externa Comum do Mercosul e a aceitação das demais regras de política comercial.
Por outro lado, ainda é cedo para dizer como se desenvolverão as relações com a Bolívia e o Paraguai, dois países que pretendem extrair mais vantagens econômicas e financeiras de suas relações com o Brasil, ambas no terreno energético. Tampouco se pode avançar agora o grau de continuidade que será exercido em torno de uma das principais insistências do governo Lula no plano multilateral: a conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. O bom senso recomendaria uma mudança de ênfase nesse capítulo, já que se imagina que, se e quando houver reforma da Carta da ONU, o Brasil desponta, desde já, como candidato natural ao cargo, independentemente de qualquer ação mais militante.
Aliás, muitas das mudanças registradas recentemente na política externa obedecem a simples regras de bom senso: determinadas posições anteriores, como o apoio a ditadores e suas violações de direitos humanos, se chocavam tão frontalmente com as tradições diplomáticas nessa área, e até com a Constituição brasileira, que bastava aplicar o bom senso para restabelecer a dignidade perdida. Ocorreu aqui, portanto, uma mudança para restabelecer a continuidade com a situação anterior à politização e partidarização da diplomacia brasileira: certas rupturas são bem vindas, mesmo quando se pretende retornar ao passado de profissionalismo pelo qual sempre foi conhecido o Itamaraty.
Finalmente, o que deve ser visto também como uma mudança para assegurar a continuidade é o restabelecimento da unidade conceitual e operacional da política externa, antes fragmentada e dividida entre diversos atores, formuladores e executores, agora aparentemente retomando seu leito natural, de unidade de comando, uniformidade de propósitos, homogeneidade na execução. Previsibilidade, credibilidade, estabilidade e legitimidade são condições e elementos importantes para a qualidade de qualquer diplomacia, desde sua fase de concepção e planejamento, até o momento de sua execução e implementação. Certas mudanças são a melhor garantia de continuidade, ou vice-versa.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 31 de março de 2011.
Paulo Roberto de Almeida
Toda política externa, ou toda política governamental, em geral, é feita de mudanças e continuidades. Talvez a política externa tenha bem mais continuidades do que mudanças, pela própria natureza do “negócio”: não se muda o sistema de relações internacionais, a política regional, as relações bilaterais e menos ainda a agenda de trabalho de grandes organismos internacionais da mesma forma ou com as mesmas “facilidades” com que se pode imprimir mudanças de direção, algumas até repentinas, no plano das políticas domésticas.
Partindo, portanto, do pressuposto de que as continuidades são mais frequentes do que as mudanças, podemos, talvez até mais facilmente, detectar mudanças de ritmo, de estilo e até de orientação na política externa de um estado emergente como o Brasil. Vendo o mundo como uma ordem em transição, o Brasil está interessado, justamente, na mudança de padrões nas relações internacionais, que sejam suscetíveis de acomodar suas novas pretensões ou seus pleitos quanto ao estabelecimento de uma nova agenda mundial e quanto ao funcionamento desse sistema, ou seja, no quadro de medidas operacionais.
As primeiras mudanças que podemos detectar, entre a diplomacia de Lula e a de Dilma se situam, obviamente, no plano do estilo, já que ninguém saberia, nem poderia, imitar, ou mimetizar, o estilo inigualável do ex-presidente, qualquer que seja o julgamento que se faça sobre as suas qualidades de chefe de Estado, de governo e de condutor da diplomacia brasileira. Fosse outro o governo, ou fosse outro o chefe de Estado, muitos dossiês internacionais poderiam estar sendo conduzidos pelo chefe da chancelaria ou pela burocracia normal do Ministério das Relações Exteriores.
O ex-presidente se envolvia pessoalmente na condução, e até na definição de posições negociadoras, em vários dos mais importantes assuntos da diplomacia oficial, a começar pela política regional, as questões da integração, a presença do Brasil em diversos foros, ou fóruns internacionais – a diplomacia dos Gs: G3, G4, Brics, o G20 financeiro e vários outros – sem esquecer as muitas visitas bilaterais e encontros regionais (como os com dirigentes sul-americanos e destes com os africanos e árabes). É previsível que a presidente Dilma conduza os assuntos externos bem mais através da própria chancelaria, o que já constitui uma mudança substantiva. Essa mesma conformação permitirá restaurar a unidade da formulação e implementação da política externa, anteriormente fragmentada numa espécie de tríade constituída pelo assessor especial da presidência em assuntos internacionais, pelo secretário-geral das relações exteriores e pelo próprio chanceler. Já se trata, portanto, de uma grande mudança.
No plano da forma, mas isto também tem a ver com a substância, outras são as prioridades e outro é o estilo da presidente Dilma Rousseff, a começar pelas suas preocupações naturais com a política interna e com a economia doméstica, inclusive porque a herança de problemas deixada pelo ex-presidente é pesada, sobretudo em termos de gastos públicos e a consequente deterioração orçamentária, a aceleração inflacionária em função da expansão exagerada do crédito (privado e público), a diminuição do superávit primário e as inúmeras maquiagens contábeis feitas em 2010 para mistificar o crescimento da dívida pública, entre outros legados negativos da presidência Lula.
Mas, formada a base parlamentar do governo, para assegurar boas condições de governança interna, e anunciados os cortes orçamentários e outras medidas de ajuste para combater a inflação, o governo Dilma pode então dedicar uma parte dos seus esforços a questões de política externa. Ela o fez, aliás, ainda antes de tomar posse, pois sua primeira entrevista à imprensa foi concedida ao jornal Washington Post, em novembro de 2010, quando ela justamente se distancia da política de direitos humanos do governo Lula ao declarar sua total contrariedade com o apoio que o Brasil concedia, então, ao Irã, país considerado um violador contumaz dos direitos humanos de seus cidadãos. Dilma, na verdade, se pronunciou especificamente a respeito do possível, até provável naquela ocasião, apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, possibilidade que a presidente eleita considerou, com razão, um ato bárbaro, contrário a qualquer sentido de humanidade e de padrões civilizacionais. No fundo, ela estava condenando, sem o dizer, a proximidade e até o apoio da diplomacia lulista em relação a algumas das piores ditaduras remanescentes no mundo contemporâneo.
Esse é, pode-se dizer, a principal diferença, ou inovação diplomática, do governo Dilma em relação ao governo Lula, postura confirmada recentemente quando o governo brasileiro votou a favor do envio de um consultor em matéria de direitos humanos para investigar violações no Irã, objeto de decisão específica, para imenso desprazer dos iranianos, no Conselho dos Direitos Humanos da ONU em Genebra. O desprazer iraniano já tinha sido criado com o convite formulado anteriormente à Prêmio Nobel iraniana, advogada de direitos humanos, Shirin Ebadi, para almoçar na Residência da delegação do Brasil para assuntos de direitos humanos, inaugurando, portanto, um diálogo oficial do governo brasileiro com a oposição política ao atual governo do Irã, em total contraposição às posições favoráveis exibidas pelo governo precedente, ou pelo menos pelo presidente Lula e pelo seu chanceler.
A outra inovação é, obviamente, observada no relacionamento com os EUA e em temas da agenda multilateral que possuem uma grande interface com a política dos EUA, como nos recentes episódios envolvendo a guerra civil na Líbia e questões de natureza econômica envolvendo comércio, moedas e a China. Existe uma evidente boa vontade e até iniciativas concretas para melhorar o diálogo e o relacionamento com os EUA, em outro claro sinal de distinção vis-à-vis a política externa do trio Garcia-Guimarães-Amorim sob a orientação geral do Supremo Guia. A intenção, manifestada explicitamente pela presidente e seu chanceler, era a de criar novos espaços de cooperação entre o Brasil e os EUA, podendo incluir até a revisão do processo de compra de novos caças para a FAB e outros áreas de interesse mútuo no comércio, investimentos, energia, G20, etc. Depois da visita do presidente Obama – considerada um sucesso mesmo sem grandes resultados aparentes, pelo simples fato de se ter realizado antes de passados três meses da posse da presidente Dilma, segundo o chanceler – a presidente Dilma teria veiculado – a crer em matéria da Folha de S. Paulo do dia 28 de março de 2011, a partir de fontes autorizadas do Palácio do Planalto – seu descontentamento com o excesso de simbolismo e a pouca substância como resultado desse encontro. A presidente gostaria, ao que parece, de uma “diplomacia de resultados”, uma expressão que esteve identificada, pela primeira vez, com um chanceler que era um empresário: Olavo Setubal, chanceler escolhido pelo presidente não-empossado Tancredo Neves, e que ficou dois anos sob o vice-presidente empossado presidente José Sarney, em 1986 e 1986.
O outro sinal de distanciamento, ainda a ser confirmado, seria na relação com a China, potência com a qual o governo anterior entreteve diversas ilusões de aliança estratégica, declarando-se a favor do reconhecimento desse país como economia de mercado e esperando receber dela apoio para suas pretensões exageradas a um grande papel internacional, a começar pela reforma da Carta da ONU e a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A presidente Dilma estaria descontente, ao que parece, mas aqui pressionada pelos industriais brasileiros, com o papel reservado pela China ao Brasil, de simples provedor de matérias primas e de grande mercado para suas manufaturas baratas, que estão competindo fortemente com equivalentes brasileiros não apenas no plano doméstico mas também em terceiros mercados, especialmente na América Latina. Mas ainda temos de aguardar a visita a ser feita pela presidente à China, ainda agora em abril, inclusive para reunião dos Brics, que passou a incluir a África do Sul, com o total apoio da China e para desconforto do Brasil, que pretendia manter separadas as agendas do Ibas e dos Brics.
Também ainda resta esperar pelos testes da nova política externa no contexto regional, campo por excelência do que tinha sido designado, na gestão anterior, de exercício de liderança brasileira, para grande desconforto dos profissionais do Itamaraty. Este talvez seja o elemento crucial a fornecer elementos mais concretos para se avaliar se a diplomacia de Dilma se distingue, ou não, da diplomacia de Lula. No contexto regional, todo o empenho dos auxiliares diplomáticos de Lula se exerceu no sentido de afastar os sul-americanos do império e afastar o império dos assuntos latino-americanos. O esforço começou pela implosão da Alca, bem sucedido, aliás, e em torno da qual seus autores se orgulharam pelo mérito da obra.
O processo continuou pela constituição de agrupamentos políticos claramente autônomos em relação aos vetores de influência imperiais na região, quando não em oposição à presença americana no continente sul-americano. Esse foi o sentido da constituição da Comunidade Sul-Americana de Nações, criada por iniciativa do Brasil numa reunião de cúpula ocorrida em Cuzco, no Peru, em dezembro de 2004, à qual, por sinal, não compareceu nenhum dos demais dirigentes do Mercosul. O Brasil ofereceu o Rio de Janeiro para sediar o que seria um secretariado da Casa, no que não foi seguido pelos demais países da região, que se empenharam em encontrar substitutivos ao projeto brasileiro. A Casa foi substituída em 2008 pela Unasul, com sede em Quito, como proposto pelo presidente Chávez. Pode-se dizer que a Unasul constitui uma continuidade apenas parcial do primeiro projeto de integração sul-americana proposto pelo Brasil, mas que hoje escapa largamente ao seu controle. Em todo caso, diferentemente da IIRSA, que constituía um projeto de integração física do continente, proposto pelo Brasil na primeira reunião de chefes de Estado e de governo da América do Sul, em 2000 – que por ter sido iniciado por Fernando Henrique Cardoso foi descontinuado parcialmente – a Unasul ainda não conseguiu dar continuidade à carteira de projetos desenhados pelo BID nos mais diversos campos da infraestrutura: energia, comunicações, transportes, etc.
Onde também ocorreu descontinuidade na agenda da política externa herdada pelo governo Lula de FHC foi na área reputada estratégica e prioritária por ambos governos: o processo de integração sob a égide do Mercosul. Sua vertente econômica e comercial, que constitui o cerne mesmo do processo, ficou praticamente intocada, ou talvez tenha até retrocedido, a partir das inúmeras salvaguardas abusivas e ilegais introduzidas pelo governo argentino contra produtos manufaturados brasileiros, em total contradição com o espírito e a letra do Tratado de Assunção, e com a complacência leniente demonstrada pelo governo brasileiro. Em seu lugar, foram impulsionadas as vertentes políticas e sociais da integração, que podem até ser interessantes em seu mérito próprio, mas não constituem propriamente uma base sólida sobre a qual ancorar a integração.
Pois bem: ainda não se sabe, aqui, se haverá continuidade na mesma política de “compreensão generosa” com as violações argentinas dos seus compromissos sob o Tratado de Assunção ou se o governo Dilma seguirá uma política de defesa da legalidade e de conformidade com os engajamentos assumidos no quadro dos diversos protocolos de integração assinados pelos quatro países membros. O ingresso da Venezuela poderá constituir um teste, já que o país andino liderado pelo coronel socialista ainda não atendeu aos requisitos básicos do processo de integração, que são a internalização da Tarifa Externa Comum do Mercosul e a aceitação das demais regras de política comercial.
Por outro lado, ainda é cedo para dizer como se desenvolverão as relações com a Bolívia e o Paraguai, dois países que pretendem extrair mais vantagens econômicas e financeiras de suas relações com o Brasil, ambas no terreno energético. Tampouco se pode avançar agora o grau de continuidade que será exercido em torno de uma das principais insistências do governo Lula no plano multilateral: a conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. O bom senso recomendaria uma mudança de ênfase nesse capítulo, já que se imagina que, se e quando houver reforma da Carta da ONU, o Brasil desponta, desde já, como candidato natural ao cargo, independentemente de qualquer ação mais militante.
Aliás, muitas das mudanças registradas recentemente na política externa obedecem a simples regras de bom senso: determinadas posições anteriores, como o apoio a ditadores e suas violações de direitos humanos, se chocavam tão frontalmente com as tradições diplomáticas nessa área, e até com a Constituição brasileira, que bastava aplicar o bom senso para restabelecer a dignidade perdida. Ocorreu aqui, portanto, uma mudança para restabelecer a continuidade com a situação anterior à politização e partidarização da diplomacia brasileira: certas rupturas são bem vindas, mesmo quando se pretende retornar ao passado de profissionalismo pelo qual sempre foi conhecido o Itamaraty.
Finalmente, o que deve ser visto também como uma mudança para assegurar a continuidade é o restabelecimento da unidade conceitual e operacional da política externa, antes fragmentada e dividida entre diversos atores, formuladores e executores, agora aparentemente retomando seu leito natural, de unidade de comando, uniformidade de propósitos, homogeneidade na execução. Previsibilidade, credibilidade, estabilidade e legitimidade são condições e elementos importantes para a qualidade de qualquer diplomacia, desde sua fase de concepção e planejamento, até o momento de sua execução e implementação. Certas mudanças são a melhor garantia de continuidade, ou vice-versa.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 31 de março de 2011.
Como destruir a economia de um pais pelo servico publico (o Brasil caminha para isso)
A matéria se refere aos EUA, não ao Brasil, mas a cultura é a mesma. O exemplo que vem dos EUA não poderia ser mais negativo...
Opinion
We've Become a Nation of Takers, Not Makers
By STEPHEN MOORE
The Wall Street Journal, April 1st, 2011
More Americans work for the government than in manufacturing, farming, fishing, forestry, mining and utilities combined.
If you want to understand better why so many states—from New York to Wisconsin to California—are teetering on the brink of bankruptcy, consider this depressing statistic: Today in America there are nearly twice as many people working for the government (22.5 million) than in all of manufacturing (11.5 million). This is an almost exact reversal of the situation in 1960, when there were 15 million workers in manufacturing and 8.7 million collecting a paycheck from the government.
It gets worse. More Americans work for the government than work in construction, farming, fishing, forestry, manufacturing, mining and utilities combined. We have moved decisively from a nation of makers to a nation of takers. Nearly half of the $2.2 trillion cost of state and local governments is the $1 trillion-a-year tab for pay and benefits of state and local employees. Is it any wonder that so many states and cities cannot pay their bills?
Every state in America today except for two—Indiana and Wisconsin—has more government workers on the payroll than people manufacturing industrial goods. Consider California, which has the highest budget deficit in the history of the states. The not-so Golden State now has an incredible 2.4 million government employees—twice as many as people at work in manufacturing. New Jersey has just under two-and-a-half as many government employees as manufacturers. Florida's ratio is more than 3 to 1. So is New York's.
Even Michigan, at one time the auto capital of the world, and Pennsylvania, once the steel capital, have more government bureaucrats than people making things. The leaders in government hiring are Wyoming and New Mexico, which have hired more than six government workers for every manufacturing worker.
Now it is certainly true that many states have not typically been home to traditional manufacturing operations. Iowa and Nebraska are farm states, for example. But in those states, there are at least five times more government workers than farmers. West Virginia is the mining capital of the world, yet it has at least three times more government workers than miners. New York is the financial capital of the world—at least for now. That sector employs roughly 670,000 New Yorkers. That's less than half of the state's 1.48 million government employees.
Don't expect a reversal of this trend anytime soon. Surveys of college graduates are finding that more and more of our top minds want to work for the government. Why? Because in recent years only government agencies have been hiring, and because the offer of near lifetime security is highly valued in these times of economic turbulence. When 23-year-olds aren't willing to take career risks, we have a real problem on our hands. Sadly, we could end up with a generation of Americans who want to work at the Department of Motor Vehicles.
The employment trends described here are explained in part by hugely beneficial productivity improvements in such traditional industries as farming, manufacturing, financial services and telecommunications. These produce far more output per worker than in the past. The typical farmer, for example, is today at least three times more productive than in 1950.
Where are the productivity gains in government? Consider a core function of state and local governments: schools. Over the period 1970-2005, school spending per pupil, adjusted for inflation, doubled, while standardized achievement test scores were flat. Over roughly that same time period, public-school employment doubled per student, according to a study by researchers at the University of Washington. That is what economists call negative productivity.
But education is an industry where we measure performance backwards: We gauge school performance not by outputs, but by inputs. If quality falls, we say we didn't pay teachers enough or we need smaller class sizes or newer schools. If education had undergone the same productivity revolution that manufacturing has, we would have half as many educators, smaller school budgets, and higher graduation rates and test scores.
The same is true of almost all other government services. Mass transit spends more and more every year and yet a much smaller share of Americans use trains and buses today than in past decades. One way that private companies spur productivity is by firing underperforming employees and rewarding excellence. In government employment, tenure for teachers and near lifetime employment for other civil servants shields workers from this basic system of reward and punishment. It is a system that breeds mediocrity, which is what we've gotten.
Most reasonable steps to restrain public-sector employment costs are smothered by the unions. Study after study has shown that states and cities could shave 20% to 40% off the cost of many services—fire fighting, public transportation, garbage collection, administrative functions, even prison operations—through competitive contracting to private providers. But unions have blocked many of those efforts. Public employees maintain that they are underpaid relative to equally qualified private-sector workers, yet they are deathly afraid of competitive bidding for government services.
President Obama says we have to retool our economy to "win the future." The only way to do that is to grow the economy that makes things, not the sector that takes things.
Mr. Moore is senior economics writer for The Wall Street Journal editorial page.
Opinion
We've Become a Nation of Takers, Not Makers
By STEPHEN MOORE
The Wall Street Journal, April 1st, 2011
More Americans work for the government than in manufacturing, farming, fishing, forestry, mining and utilities combined.
If you want to understand better why so many states—from New York to Wisconsin to California—are teetering on the brink of bankruptcy, consider this depressing statistic: Today in America there are nearly twice as many people working for the government (22.5 million) than in all of manufacturing (11.5 million). This is an almost exact reversal of the situation in 1960, when there were 15 million workers in manufacturing and 8.7 million collecting a paycheck from the government.
It gets worse. More Americans work for the government than work in construction, farming, fishing, forestry, manufacturing, mining and utilities combined. We have moved decisively from a nation of makers to a nation of takers. Nearly half of the $2.2 trillion cost of state and local governments is the $1 trillion-a-year tab for pay and benefits of state and local employees. Is it any wonder that so many states and cities cannot pay their bills?
Every state in America today except for two—Indiana and Wisconsin—has more government workers on the payroll than people manufacturing industrial goods. Consider California, which has the highest budget deficit in the history of the states. The not-so Golden State now has an incredible 2.4 million government employees—twice as many as people at work in manufacturing. New Jersey has just under two-and-a-half as many government employees as manufacturers. Florida's ratio is more than 3 to 1. So is New York's.
Even Michigan, at one time the auto capital of the world, and Pennsylvania, once the steel capital, have more government bureaucrats than people making things. The leaders in government hiring are Wyoming and New Mexico, which have hired more than six government workers for every manufacturing worker.
Now it is certainly true that many states have not typically been home to traditional manufacturing operations. Iowa and Nebraska are farm states, for example. But in those states, there are at least five times more government workers than farmers. West Virginia is the mining capital of the world, yet it has at least three times more government workers than miners. New York is the financial capital of the world—at least for now. That sector employs roughly 670,000 New Yorkers. That's less than half of the state's 1.48 million government employees.
Don't expect a reversal of this trend anytime soon. Surveys of college graduates are finding that more and more of our top minds want to work for the government. Why? Because in recent years only government agencies have been hiring, and because the offer of near lifetime security is highly valued in these times of economic turbulence. When 23-year-olds aren't willing to take career risks, we have a real problem on our hands. Sadly, we could end up with a generation of Americans who want to work at the Department of Motor Vehicles.
The employment trends described here are explained in part by hugely beneficial productivity improvements in such traditional industries as farming, manufacturing, financial services and telecommunications. These produce far more output per worker than in the past. The typical farmer, for example, is today at least three times more productive than in 1950.
Where are the productivity gains in government? Consider a core function of state and local governments: schools. Over the period 1970-2005, school spending per pupil, adjusted for inflation, doubled, while standardized achievement test scores were flat. Over roughly that same time period, public-school employment doubled per student, according to a study by researchers at the University of Washington. That is what economists call negative productivity.
But education is an industry where we measure performance backwards: We gauge school performance not by outputs, but by inputs. If quality falls, we say we didn't pay teachers enough or we need smaller class sizes or newer schools. If education had undergone the same productivity revolution that manufacturing has, we would have half as many educators, smaller school budgets, and higher graduation rates and test scores.
The same is true of almost all other government services. Mass transit spends more and more every year and yet a much smaller share of Americans use trains and buses today than in past decades. One way that private companies spur productivity is by firing underperforming employees and rewarding excellence. In government employment, tenure for teachers and near lifetime employment for other civil servants shields workers from this basic system of reward and punishment. It is a system that breeds mediocrity, which is what we've gotten.
Most reasonable steps to restrain public-sector employment costs are smothered by the unions. Study after study has shown that states and cities could shave 20% to 40% off the cost of many services—fire fighting, public transportation, garbage collection, administrative functions, even prison operations—through competitive contracting to private providers. But unions have blocked many of those efforts. Public employees maintain that they are underpaid relative to equally qualified private-sector workers, yet they are deathly afraid of competitive bidding for government services.
President Obama says we have to retool our economy to "win the future." The only way to do that is to grow the economy that makes things, not the sector that takes things.
Mr. Moore is senior economics writer for The Wall Street Journal editorial page.
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