| Lógica perversa |
| João Luiz Mauad |
| O Globo, 23/09/2011
Ainda
no início de agosto, quando do lançamento do Plano Brasil Maior, já era
possível imaginar as reais intenções do governo e apaniguados em termos
de “política industrial”. Embora o objetivo oficial do plano fosse
“aumentar a competitividade da indústria nacional, a partir do incentivo
à inovação tecnológica e à agregação de valor”, tudo mais fazia crer
que iríamos mesmo descambar para velhas políticas protecionistas, que,
na prática, são exatamente o oposto do que normalmente chamamos de
competitividade.
Dentre os vários sinais embutidos
no escopo do plano, um era clamoroso: a nomeação de 14 representantes
da dita sociedade civil para compor o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI), que será o “nível superior de
aconselhamento institucional do Plano”. Entre os empossados, estavam
empresários, sindicalistas e presidentes de entidades de classe, porém,
sugestivamente, não havia um representante sequer do grupo mais
interessado: os consumidores (porque pagam a conta).
Pois
bem, foram necessários apenas 45 dias para que o governo cedesse ao
forte lobby e resolvesse aumentar as alíquotas do IPI para veículos
importados, decisão que o jornal inglês “Financial Times” avaliou como
possível início de uma guerra comercial. Pensando bem, esta talvez seja
mesmo a definição mais adequada para uma decisão que foge completamente à
lógica econômica mais elementar. Resta saber quem serão os vencedores e
os perdedores.
Durante as guerras — não as
metafóricas, mas as reais —, a primeira coisa que os exércitos procuram
fazer é inutilizar as linhas de suprimento do inimigo. É absurdo,
portanto, que em tempos de paz os nossos próprios governos façam
exatamente aquilo que um eventual inimigo faria em tempo de guerra:
obstruir a livre circulação de mercadorias.
A
prosperidade de uma nação se mede não pelo dinheiro em circulação, mas
pela quantidade de produtos e de serviços disponíveis para consumo, a
preços acessíveis. Quanto mais abundante for o mercado, não importa a
proveniência dos bens, maior será o conforto dos cidadãos. O comércio em
geral é uma consequência lógica dos processos de especialização e
divisão do trabalho. Quanto mais amplo for este processo, melhor para
todo mundo. O fim de toda a atividade econômica é o consumo. O trabalho,
portanto, é apenas o meio utilizado para alcançarmos aquele fim.
O
foco da política econômica no trabalho e na produção, e não no consumo,
está na raiz da maioria dos problemas econômicos criados pela
intervenção dos governos na economia. É a oferta que deve estar voltada
para as necessidades e anseios do consumidor, e não o inverso. Fazer do
consumidor um mero instrumento para beneficiar empresas é estupidez.
A
malfadada política nacionalista, apelidada de "substituição de
importações", executada no passado através de reservas de mercado, cotas
e tarifas de importação, controles de câmbio e desvalorizações
periódicas da moeda, foi a principal responsável pelo retardamento
técnico da nossa indústria. Progresso tecnológico exige investimentos
maciços em pesquisa e desenvolvimento, fato que só ocorre em ambientes
competitivos, onde as empresas brigam incessantemente pelas menores
fatias do mercado, vale dizer, para satisfazer o consumidor. A lei de
reserva de mercado para a informática ainda é o melhor exemplo de como
esse tipo de política é contraproducente.
Ademais,
a própria premissa de que se estaria preservando empregos domésticos
através do aumento de tarifas alfandegárias é falsa, pois o dinheiro
gasto a mais por um automóvel, para benefício de algumas poucas
empresas, deixará de irrigar tanto a poupança (geradora de novos
investimentos) quanto o consumo de outros bens e serviços - cuja
produção gera empregos para outras categorias de trabalhadores.
Em
resumo, a ação do governo acarretará os seguintes resultados:
transferência forçada de renda dos consumidores para meia dúzia de
empresários; proteção de uma indústria ineficiente; manutenção de alguns
empregos num determinado setor, em detrimento de outros tantos em
outros setores; redução de novos investimentos.
Será
que a boa política econômica deve incentivar a escassez e a carestia,
no lugar de facilitar a abundância e os preços baixos? Qual é a
racionalidade dessas leis, que operam dentro de uma lógica perversa
segundo a qual todos nós (consumidores) devemos ser forçados a sustentar
empresas nacionais cujo maior “mérito” é dispor de um lobby agressivo e
muito bem articulado?
JOÃO LUIZ MAUAD é administrador de empresas.
|
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Brasil: para trás, a toda velocidade (num carro nacional...)
O Fim do Capitalismo: apertem os cintos, escrevam testamentos...
Trechos da crônica de uma colunista catastrofista (e anticapitalista), que prevê, a partir das profecias de uma economista conhecida, o fim do capitalismo, as we know it...
Vou me preparar: não só vou fazer meu testamento, doando todos os meus livros para o Asilo dos Velhinhos Socialistas, como vou antes tirar a poeira do meu Marx, para reler previsões ainda mais apocalípticas sobre o futuro do capitalismo (que só tem passado, a julgar pelas duas declinistas).
Nem vale a pena citar nome e endereço da colunista em questão. Más ideias não precisam ter copyright...
Paulo Roberto de Almeida
O colapso neoliberal
por "X", em "Y", 22/09/2011
(...)
...o fato é que nenhuma economia sobrevive eternamente apenas com os truques da financeirização, com papéis girando no vazio, sem lastro nem produção material que a sustente.
Crise que, aliás, já está começando. Porque é isso que o mundo está fazendo há alguns meses: financeiramente despencando.
Como previu a economista Maria da Conceição Tavares, a extrema
direita republicana pautou Obama; asfixiou a política fiscal da maior
economia do planeta. O anúncio de cortes de gastos públicos da ordem de
US$ 2,4 trilhões de dólares sobre um metabolismo econômico já terminal,
equivale a uma espécie de suicídio. Só a convicção autista (e o
oportunismo) do Tea Party no laissez-faire – cujo
equivalente nativo é a mídia e seus luminares – poderia inspirar-se em
lorotas para pautar os destinos da economia e da sociedade. Porque a
maioria das pessoas continua acreditando nisso, eis a realidade.
Contudo, os mercados sabem que a coisa não funciona assim.
Investidores e especuladores há muito farejaram o desastre e se
anteciparam fugindo em massa de ações e títulos, candidatos a perder o
valor de face na recessão em curso. Algumas fontes têm reforçado que os
atuais arrochos, ajustes e cortes públicos são uma espécie de canto de
sereia, de liquidação final antes da Queda irreversível, prevista para a
segunda metade de 2000.
Segundo Conceição, não é um quadro como o de 1929: “ Aquele teve um
ápice, com recidivas, mas ensejou um desdobramento político que
inauguraria um outro ciclo, com Roosevelt e o New Deal. O que passamos
agora é diferente de tudo isso.Este é um colapso enrustido, arrastado,
latejante. Sim, você tem a comprovação empírica do fracasso neoliberal,
mas e daí? São eles que estão no comando, ou será o quê esse arrocho
fiscal nos EUA enfiado pelo Tea Party na goela do Obama?
Vivemos um colapso do neoliberalismo sob o tacão dos ultra-neoliberais:
isso é a treva! Não é um fascismo explícito, como se viu na Europa, em
30. Até porque o nazismo, por exemplo – e isso não abona em nada aquela
catástrofe genocida – postulava o crescimento com forte indução
estatal. O que se tem hoje é o horror de um vazio político de onde
emergem as criaturas do Tea Party e coisas assemelhadas na Europa. Não há ruptura na crise, mas sim, permanência e aprofundamento.”
Em entrevista recente à Carta Maior, ela comenta que em 2008
tivemos um efeito oposto: “Capitais em fuga migraram de várias partes
do mundo, de filiais de bancos e multinacionais, para socorrer a quebra
das matrizes na Europa e nos EUA. Então, o que houve foi uma
desvalorização cambial; o Real ficou mais fraco. Isso facilitou as
coisas pelo lado das exportações e da contenção de importações, ainda
que quase tenham levado à breca aqueles que especulavam contra a moeda
brasileira, fazendo hedge fictício para ganhar na desvalorização. Mas do ponto de vista macroeconômico, foi um quadro mais favorável. Hoje é o inverso.”
“Há uma conjunção de colapso do neoliberalismo com a desagregação
política que realimenta e reproduz o processo. Mas o poder que conta
está em outras mãos, as dos responsáveis pela crise. Vivemos um colapso
neoliberal sob o tacão dos ultra-neoliberais. Não estamos falando de
gente normal, é preciso entender isso. Não são neoliberais comuns. Isso é
a treva! E ela se espalha desagregando, corroendo. Será uma crise longa
por conta dessa dimensão autofágica que não enseja um desdobramento
político à altura, que inaugure um novo ciclo, como foi com Roosevelt e o
New Deal em 29.”
“Aliás, as bases sociais do New Deal não existem mais nos
EUA. Obama é o reflexo disso. É uma liderança intrinsecamente frouxa.
Não tem a impulsão trabalhista e progressista que sustentou o New Deal.
É frouxo. Seu eleitorado é difuso. Ele se comunica com os eleitores
pelo twitter e daí? É uma força difusa, desorganizada, estruturalmente à
margem do poder. Está fora do poder efetivo no Congresso, que é da
direita, dos ricos, dos grandes bancos e grandes corporações, como vimos
agora no desenho do pacote fiscal. Está fora da indústria também que
foi para a China. Esse limbo estrutural é o Obama. Ele pode até ser
reeleito e tomara que seja. Porque a alternativa a Obama é
amedrontadora.”
Para Conceição, é o declínio de um império, como foi o declínio do
poder da Inglaterra no final século XIX. O poder inglês foi sendo
confrontado por nações com industrialização mais moderna. Um arranjo com
estrutura de integração superior entre indústria e capital financeiro e
que, aos poucos, ultrapassaria a hegemonia inglesa. Foi uma quebra, uma
inflexão entre o capitalismo concorrencial e o capitalismo monopolista.
A Inglaterra, berço da Revolução Industrial, perdeu o posto para os
norte-americanos e alemães. Algo que se arrastou durante décadas. Foi
uma Depressão – a primeira que tivemos no capitalismo, que durou de 1873
a 1918. Levou à Primeira Guerra, que resultou na Segunda.
E o novo hegemon? Conceição é categórica: “As forças que se articularam na sociedade norte-americana – basicamente forças conservadoras, de um reacionarismo profundo – não têm condições de produzir uma nova hegemonia propositiva. Claro, eles têm as armas de guerra. E vão se impor através delas por mais algum tempo. Mas daí não sai um novo hegemon. Vamos caminhar para um poder multilateral, negociado, sujeito a contrapesos que nos livrarão de coisas desse tipo, como a ascendência do Tea Party nos EUA. Uma minoria que irradia a treva para o mundo.”
E o novo hegemon? Conceição é categórica: “As forças que se articularam na sociedade norte-americana – basicamente forças conservadoras, de um reacionarismo profundo – não têm condições de produzir uma nova hegemonia propositiva. Claro, eles têm as armas de guerra. E vão se impor através delas por mais algum tempo. Mas daí não sai um novo hegemon. Vamos caminhar para um poder multilateral, negociado, sujeito a contrapesos que nos livrarão de coisas desse tipo, como a ascendência do Tea Party nos EUA. Uma minoria que irradia a treva para o mundo.”
Mas tocando na questão do próprio capitalismo, é preciso considerar
também a tensão intrínseca entre o capitalismo e seu próprio excesso.
Segundo as teorias de Zizek, ao longo do século XX, percebeu-se um
padrão: para esmagar o inimigo, o capitalismo começou a brincar com fogo
e mobilizou seu “excesso obsceno” disfarçado de fascismo, mas esse
excesso ganhou vida própria e tornou-se tão forte, que o capitalismo
“liberal” foi obrigado a unir forças com seu verdadeiro inimigo – o
comunismo – para derrotá-lo.
Significativamente, a guerra entre o capitalismo e o comunismo foi
uma guerra fria, ao passo que a grande guerra quente foi lutada contra o
fascismo. O caso do Talibã não é semelhante? Depois que criar um
monstro para combater o comunismo, eles o transformaram em seu principal
inimigo. Consequentemente, mesmo que o terrorismo mate todo mundo, a
guerra americana contra o terrorismo não é nossa, mas uma luta interna
dentro do universo capitalista.
Assim, o primeiro dever dum intelectual progressista (categoria na
qual me incluo) é apresentar os fatos, não lutar as lutas do seu
inimigo. Certo?
(Fim da transcrição)
PRA: Pois é: o mundo vai ficar terrível com todas essas catástrofes anunciadas. Melhor abolir o capitalismo, certo? Façam seus testamentos...
Arapongas unidos, jamais serao vencidos...
Pois é: o caçador de marajás, o homem macho que acabou com o SNI e desmantelou o pouco de inteligência que restava no governo federal, hoje está unido aos antigos "secretas" para impedir o acesso à informação...
Nada como um dia depois do outro...
Paulo Roberto de Almeida
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou na tarde de hoje (22) que assim que abrir uma janela no trancamento da pauta do Plenário da Casa, o que pode acontecer já na semana que vem, o projeto de lei 41/2010 que regulamenta o acesso a informação pública deverá ser finalmente votado. De acordo com o senador, o projeto é uma das prioridades do governo no Congresso e já foi concedido tempo suficiente para que fosse discutido nas comissões. O projeto chegou ao Senado em abril do ano passado.
De acordo com o senador, os integrantes da base aliada que forem contrários ao texto enviado pela Câmara poderão apresentar voto em separado, caso do senador Fernando Collor (PTB-AL), relator do projeto na Comissão de Relações Exteriores.
No entanto, ficou decidido na reunião ordinária da CRE, hoje pela manhã (22), que será votado na próxima semana um requerimento do senador Francisco Dornelles (PP-FJ) para realizar audiência pública com o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general José Elito Carvalho Siqueira, para debater o projeto sobre acesso a informação.
Presidente da comissão, Collor aproveitou para criticar a resposta que o GSI enviou sobre o pedido de informação feito na semana passada pelo senador. Das oito perguntas, apenas quatro foram respondidas, e as respostas foram classificadas como “genéricas” por Collor. A senadora Ana Amélia (PP-RS) sugeriu que um novo requerimento seja enviado ao GSI. Porém, o senador Aníbal Diniz (PT-AC) informou que pediria verificação de votação, caso o requerimento fosse votado. Por isso, Collor desistiu de votar, uma vez que não haveria quórum suficiente. Manifestaram-se a favor do novo requerimento os senadores Sérgio Souza (PMDB-PR) e Luís Henrique (PMDB-SC).
De acordo com o GSI, existem apenas dois documentos classificados como ultrassecretos no governo federal. O general José Elito informou ainda que existem documentos classificados como secretos (4.116); confidencial (56.644) e reservados (8.344). De acordo com a resposta, o GSI produz por ano cerca de 2.850 documentos sigilosos e 1.860 “documentos ostensivos”.
Collor disse estranhar que existam apenas dois documentos ultrassecretos, enquanto a “esmagadora maioria” seria de documentos confidenciais.
Acrescentou ainda que, de acordo com a resposta obtida do governo, o ministro confirma não só haver subscrito o PLC 41/10 como também haver participado das discussões sobre o texto original do projeto. Segundo o senador, o documento enviado pelo GSI não esclarece se o número mencionado de documentos classificados inclui os referentes à Agência Brasileira de Informação (Abin). – O GSI informa que acompanha tramitação e aguarda a eventual aprovação do projeto, para posterior adaptação do órgão às novas regras. Coloca-se em posição passiva diante da matéria, apesar de ser talvez o maior interessado na nova lei – disse Collor, ao comentar a resposta obtida.
Collor ainda relatou diversas conversas sobre o tema mantidas com integrantes do governo, incluindo o ex-ministro chefe da Casa Civil Antônio Palocci e a presidenta Dilma Rousseff. Ainda que o pedido de urgência do governo pela aprovação do projeto tenha sido enviada há mais de três meses, o senador disse ter sido pego de surpresa e reiterou a necessidade de maior debate sobre a matéria na comissão.
O senador também disse que “os acordos internacionais hoje existentes sobre a matéria viabilizam a troca de informações sigilosas, bem como o credenciamento de pessoas envolvidas em negociações de caráter sigiloso. Até o momento, o Brasil celebrou tratados sobre a matéria com seis países: Portugal, Espanha, França, Rússia, Israel e Itália”.
Nada como um dia depois do outro...
Paulo Roberto de Almeida
Senado pretende votar Lei de Acesso a Informação na semana que vem
De acordo com senador Romero Jucá (PMDB-RR) o Senado deverá votar o projeto de lei que regulamenta o acesso a informação assim que a pauta do Plenário estiver liberada|
por Mariana Haubert
Congresso em Foco, 22/09/2011 |
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou na tarde de hoje (22) que assim que abrir uma janela no trancamento da pauta do Plenário da Casa, o que pode acontecer já na semana que vem, o projeto de lei 41/2010 que regulamenta o acesso a informação pública deverá ser finalmente votado. De acordo com o senador, o projeto é uma das prioridades do governo no Congresso e já foi concedido tempo suficiente para que fosse discutido nas comissões. O projeto chegou ao Senado em abril do ano passado.
De acordo com o senador, os integrantes da base aliada que forem contrários ao texto enviado pela Câmara poderão apresentar voto em separado, caso do senador Fernando Collor (PTB-AL), relator do projeto na Comissão de Relações Exteriores.
No entanto, ficou decidido na reunião ordinária da CRE, hoje pela manhã (22), que será votado na próxima semana um requerimento do senador Francisco Dornelles (PP-FJ) para realizar audiência pública com o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general José Elito Carvalho Siqueira, para debater o projeto sobre acesso a informação.
Presidente da comissão, Collor aproveitou para criticar a resposta que o GSI enviou sobre o pedido de informação feito na semana passada pelo senador. Das oito perguntas, apenas quatro foram respondidas, e as respostas foram classificadas como “genéricas” por Collor. A senadora Ana Amélia (PP-RS) sugeriu que um novo requerimento seja enviado ao GSI. Porém, o senador Aníbal Diniz (PT-AC) informou que pediria verificação de votação, caso o requerimento fosse votado. Por isso, Collor desistiu de votar, uma vez que não haveria quórum suficiente. Manifestaram-se a favor do novo requerimento os senadores Sérgio Souza (PMDB-PR) e Luís Henrique (PMDB-SC).
De acordo com o GSI, existem apenas dois documentos classificados como ultrassecretos no governo federal. O general José Elito informou ainda que existem documentos classificados como secretos (4.116); confidencial (56.644) e reservados (8.344). De acordo com a resposta, o GSI produz por ano cerca de 2.850 documentos sigilosos e 1.860 “documentos ostensivos”.
Collor disse estranhar que existam apenas dois documentos ultrassecretos, enquanto a “esmagadora maioria” seria de documentos confidenciais.
Acrescentou ainda que, de acordo com a resposta obtida do governo, o ministro confirma não só haver subscrito o PLC 41/10 como também haver participado das discussões sobre o texto original do projeto. Segundo o senador, o documento enviado pelo GSI não esclarece se o número mencionado de documentos classificados inclui os referentes à Agência Brasileira de Informação (Abin). – O GSI informa que acompanha tramitação e aguarda a eventual aprovação do projeto, para posterior adaptação do órgão às novas regras. Coloca-se em posição passiva diante da matéria, apesar de ser talvez o maior interessado na nova lei – disse Collor, ao comentar a resposta obtida.
Collor ainda relatou diversas conversas sobre o tema mantidas com integrantes do governo, incluindo o ex-ministro chefe da Casa Civil Antônio Palocci e a presidenta Dilma Rousseff. Ainda que o pedido de urgência do governo pela aprovação do projeto tenha sido enviada há mais de três meses, o senador disse ter sido pego de surpresa e reiterou a necessidade de maior debate sobre a matéria na comissão.
O senador também disse que “os acordos internacionais hoje existentes sobre a matéria viabilizam a troca de informações sigilosas, bem como o credenciamento de pessoas envolvidas em negociações de caráter sigiloso. Até o momento, o Brasil celebrou tratados sobre a matéria com seis países: Portugal, Espanha, França, Rússia, Israel e Itália”.
Eu troco a sua nota de dolar por 50 centavos: que tal?
É o que está dizendo a Grécia aos seus queridos credores, europeus e outros: você me dá o seu dólar -- claro, tem de ter dinheiro novo nessa jogada, do contrário qual a graça? -- e eu lhe dou duas moedinhas de 25 centávos de dólares, que tal?
Eu acho que a Grécia poderia ir inclusive um pouco mais longe e fazer como a Argentina, que deu apenas 30 centavos de dólares para cada dólar detido por seus credores.
Me parece uma troca mais justa e apropriada ao momento.
Never mind que depois a Argentina ficou por dez anos fora dos mercados financeiros, só tendo o consolo de ver seu amigo Hugo Chávez comprar cinco ou dez bilhões de dólares de seus novos títulos da dívida (mas tendo de pagar 14% de juros por isso).
Não é problema. O essencial é dar uma de macho e aplicar um calote merecido nesses credores ingênuos que pensaram que iriam lucrar muito com os nossos global bonds e que agora vão ter de acordar para a realidade.
Nada como um calote depois do outro...
Paulo Roberto de Almeida
Eu acho que a Grécia poderia ir inclusive um pouco mais longe e fazer como a Argentina, que deu apenas 30 centavos de dólares para cada dólar detido por seus credores.
Me parece uma troca mais justa e apropriada ao momento.
Never mind que depois a Argentina ficou por dez anos fora dos mercados financeiros, só tendo o consolo de ver seu amigo Hugo Chávez comprar cinco ou dez bilhões de dólares de seus novos títulos da dívida (mas tendo de pagar 14% de juros por isso).
Não é problema. O essencial é dar uma de macho e aplicar um calote merecido nesses credores ingênuos que pensaram que iriam lucrar muito com os nossos global bonds e que agora vão ter de acordar para a realidade.
Nada como um calote depois do outro...
Paulo Roberto de Almeida
Grécia admite calote e sugere desconto de 50% na dívida
De acordo com o jornal local, ministro de Finanças apresentou aos parlamentares do Partido Socialista três cenários possíveis para a Grécia
23 de setembro de 2011 | 5h 03
Gustavo Nicoletta e Hélio Barboza, da Agência Estado
ATENAS - O ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, disse a parlamentares do seu partido que o país enfrenta o risco de um default desordenado, segundo a edição desta sexta-feira de um jornal grego. A publicação acrescenta que o ministro sugeriu um possível desconto de 50% na dívida do país. De acordo com o jornal Ta Nea, Venizelos apresentou aos parlamentares do Partido Socialista três cenários possíveis para a Grécia.
No primeiro cenário, a Europa seguiria adiante com os compromissos assumidos em uma reunião de cúpula de 21 de julho, estendendo um novo pacote de ajuda aos gregos, no valor de € 109 bilhões, mas incluindo o oferecimento aos credores do país de um programa voluntário de troca da dívida.
No segundo cenário, a Grécia não conseguiria chegar a um acordo com seus credores internacionais nos próximos dias, o que levaria o governo grego a ficar sem dinheiro no meio de outubro e o obrigaria a um default desordenado.
Sem citar fontes, o Ta Nea relata que Venizelos também indicou uma terceira opção para o país, que incluiria uma reestruturação ordenada da dívida grega, mas com os credores enfrentando uma perda de 50%. Tal cenário seria acordado com os credores e permitiria a permanência da Grécia na zona do euro, diz o jornal. O Ta Nea acrescenta que esse cenário parece estar ganhando terreno no restante da Europa.
BCE em alerta
O calote da Grécia não pode ser descartado enquanto o país mediterrâneo lutar para escorar suas finanças, disse Klaas Knot, novo representante da Holanda no conselho da presidência do Banco Central Europeu (BCE), em uma entrevista ao jornal Financieele Dagblad. Knot, que também é presidente do Banco Central Holandês, disse que o default "é um dos cenários".
"Eu não estou dizendo que a Grécia vai entrar em default", afirmou. "Eu já havia sido convencido há muito tempo que um default não era necessário, mas as notícias que chegam de Atenas não são encorajadoras", declarou. "Todos os esforços são destinados a impedir isso, mas eu agora tenho menos certeza do que tinha há alguns meses para descartar um default", disse Knot, em sua primeira entrevista desde que tomou posse no Banco Central Holandês, em julho.
Knot é uma das primeiras autoridades do BCE a admitir publicamente um possível calote da Grécia. O banco sempre insistiu que o default seria evitado a todo custo porque poderia desestabilizar a zona do euro. Mas os mercados estão cada vez mais se antecipando a este cenário, enquanto a Grécia luta para reunir condições que lhe assegurem ajuda financeira. Sem essa ajuda, o país ficará sem dinheiro em meados de outubro.
Na entrevista, Knot questionou "se os gregos percebem a seriedade da situação" e disse que "há dúvidas quanto à qualidade do governo grego e se os políticos têm um controle firme do país".
Nas próximas semanas, inspetores internacionais do BCE, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Europeia - a chamada "troica" - vão revisar os esforços do país para amparar suas finanças. "Será tenso", declarou Knor ao jornal. "(A troica) terá de chegar à conclusão positiva de que a Grécia está fazendo o que prometeu."
Um eventual calote da Grécia poderia deflagrar o contágio para outros países da zona do euro, como Itália e Espanha. Repetindo o que havia afirmado seu predecessor Nout Wellink, Knot disse que tal cenário pode ser impedido pela ampliação substancial do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.
Reunião
A agenda de eventos dos EUA desta sexta-feira traz como destaque o início da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Paralelamente a esse evento, também acontecerá o encontro dos ministros de Finanças e representantes de bancos centrais do G-20. O grupo deve conceder uma entrevista coletiva por volta das 21h30 (de Brasília). As informações são do site do FMI.
As informações são da Dow Jones.
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calote,
dívida externa
Do mercado regional ao federal, do Brasil para o mundo...
Alguém tem alguma dúvida de que o mesmo não aconteceria no Parlamento nacional?
Ou seja, já está acontecendo há muito tempo...
Parlamentares, de qualquer nível, escola econômica, partido político, cor, religião e faixa de renda, estão alugando os mandatos para promover interesses de quem paga mais. Como eles podem abocanhar uma parte dos orçamentos federal, estaduais, municpais e outros, se porventura houver, eles vendem essa tramitação para quem pagar mais.
Trata-se, obviamente, de um mercado, e como tal digno de ser explorado como qualquer outro mercado.
Quem sabe o Brasil não oferece essa tecnologia para o mundo?
Que tal o Parlamento Europeu vendendo emendas para gregos e troianos, ou turcos, no caso?
Pois é, o Brasil sempre está à frente do que se menos imagina...
Paulo Roberto de Almeida
Deputado afirma que 30% dos colegas da Assembleia de SP vendem emendas
Ministério Público vai investigar denúncia feita em vídeo por Roque Barbiere (PTB), integrante da base governista
Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo, 22 de setembro de 2011
Denúncia do deputado Roque Barbiere (PTB) sobre maracutaia na Assembleia Legislativa de São Paulo é alvo de investigação do Ministério Público Estadual. Segundo Barbiere, "tem bastante" parlamentar ganhando dinheiro por meio da venda de emendas e fazendo lobby de empreiteiras junto a administrações municipais. "Não é a maioria, mas tem um belo de um grupo que vive e sobrevive e enriquece fazendo isso", afirma.
Ele estima que entre 25% e 30% dos deputados adotam essa rotina. A Assembleia paulista abriga 94 parlamentares. É o maior Legislativo estadual do País. Pelas contas de Barbiere, cerca de 30 pares seus se enquadram no esquema de tráfico de emendas.
O petebista, pelos amigos e eleitores chamado Roquinho, não cita nomes. Sua explicação. "Poderia (citar), mas não vou ser dedo-duro e não vou citar." Dá uma pista. "Mas existe, existe do meu lado, existe vizinho, vejo acontecer. Falo para eles inclusive para parar."
O Estado procurou Barbieri e seus assessores nos últimos dias. Foram deixados recados no gabinete, no escritório político e no celular do deputado. Ninguém respondeu.
Revela-se um conselheiro daqueles que trilham o caminho do desvio. "Aviso que se um dia vier a cassação do mandato deles para não vir me pedir o voto que eu vou votar para cassá-los. Mas não vou dedurar."
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
El Profesor Al Reves se pone religioso (por telefono)
Venezuela: Chávez interviene en una misa en Nueva York
Infolatam
Nueva York, 21 septiembre 2011
Nueva York, 21 septiembre 2011
Las claves
- La misa por chávez se celebró en la iglesia River Side de Nueva York, a la que acudieron el canciller venezolano, Nicolás Maduro, y el presidente boliviano, Evo Morales, ambos en los EEUU para asistir a la Asamblea General de la ONU.
Hugo Chávez se comunicó desde Cuba, donde se recupera de su cuarta sesión de quimioterapia para combatir el cáncer que padece desde mediados de año. Durante la jornada del último miércoles 21 de septiembre y de este jueves 22, se sucedieron varias misas para pedir por la salud del bolivariano.
En la que se desarrolló en la iglesia River Side de Nueva York, a la que acudieron el canciller venezolano, Nicolás Maduro, y el presidente boliviano, Evo Morales -ambos en los EEUU para asistir a la Asamblea General de la ONU-, la llamada telefónica sorprendió a todos.
“Aló, are you hearing me? (hola, ¿me oyen?, en inglés)”… Quienes acudieron a la misa reconocieron inmediatamente la voz de quien se escuchaba por los altoparlantes de la iglesia. Hugo Chávez aseguró que terminó “muy bien” su cuarto ciclo de quimioterapia, que espera que “sea el último”.
Quería saludarlos y prometerles que pronto estaré en el Bronx de nuevo y en Nueva York y ahí en River Side estaremos rezando”, dijo el mandatario durante la misa, retransmitida en directo por la estatal Venezolana de Televisión.
“Estoy terminando ahora mismo aquí en La Habana el último día del cuarto ciclo de quimioterapia y esperamos que sea el último, que sea suficiente para cerrar definitivamente esta página dura que me ha tocado vivir en estos últimos tres, casi cuatro, meses, de algo inesperado”, aseguró Chávez. Y agregó: “Tú sabes que la quimioterapia es dura, hay que asimilarla, la he asimilado muy bien, gracias a Dios”.
Chávez prometió no hablar “tanto como Evo (Morales)” hizo durante su intervención en la Asamblea General de la ONU, a la que el venezolano no pudo asistir debido a su convalecencia. Además, aprovechó la oportunidad y volvió a defender al dictador Muammar Khadafi. E insistió con que se detenga la “locura mundial” que se desarrolla en Libia.
Minutos más tarde, Chávez escribió en su cuenta @chavezcandanga de la red social Twitter: “Gracias, mil gracias a todos y a todas allá en la Iglesia Riverside de Nueva York! Me uno a sus oraciones por la VIDA! Arpa,cuatro y maracas!”.
El líder bolivariano fue operado de un tumor maligno a mediados de junio pasado, y desde esa fecha comenzó el tratamiento en la isla y en Caracas, alternadamente. Sin embargo, como Chávez es el único vocero de su enfermedad, aún se desconoce qué tipo de cáncer padece y en qué estado se encuentra la enfermedad.
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caudilho,
Hugo Chávez
Governo entreguista?: parece que sim...
Se fossem tucanos que estivessem no governo, aposto como os lulo-petistas (segundo a fórmula já consagrada que deve deixar furiosos os próprios) iriam acusá-los de entreguistas, de vendidos ao imperialismo, de estarem exportando empregos, etc., etc., etc...
Como se de um governo supostamente soberanista, nacionalista, introvertido e protecionista, deve ser um deslize da Apex, talvez traidores tucanos infiltrados, querendo causar constrangimentos ao poder lulo-petista...
Paulo Roberto de Almeida
Calçadistas gaúchos protestam contra evento desnacionalizante agendado para o dia 29 pela Apex
Jornalista Políbio Braga, 22/09/2011
A
poderosa Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, que só
perde em importância para a própria Fiergs e o Centro da Indústria e
Comércio de Caxias do Sul, reptou nesta quinta-feira a Apex para que
cancele o Seminário de Internacionalização para o Setor de Calçados e
Componentes, destinado a convencer os industriais gaúchos a levar suas
fábricas para a República Dominicana. O evento foi agendado para o dia
29, justamente para a Fenac, em Novo Hamburgo.
. A presidente da ACI, Fátima Daudt, não usou meias palavras para mostrar sua oposição ao evento da Apex:
- Exportar empresas e empregos, construir um espaço oficial de oferta para a transferência das mesmas para República Dominicana dentro do solo brasileiro numa Feira setorial e trazer técnicos dominicanos no intuito de atrair investidores para aquele País parece-nos um equívoco grave.
. A Fiergs nada disse até agora, mantendo-se na posição de nova grande muda do meio empresarial do Estado.
. A reação ao seminário da Apex, já resultou em protestos semelhantes nos Vales do Sinos e Paranhana, onde concentram-se 90% das fábricas de calçados e componentes do Estado.
. A Apex prometeu trazer técnicos do governo da República Dominicana ao RS, para demonstrar as vantagens fiscais, cambiais e logísticas do País, uma república localizada na ilha que divide com o Haiti, próxima aos Estados Unidos.
. Além dos representantes do governo federal brasileiro e técnicos dominicanos, a Apex também incluiu um case do próprio Vale do Sinos, no caso a Paquetá, que fechou suas fábricas de Sapiranga e resolveu levar produção, empregos e renda para Santo Domingo.
. A ACI não se opõe a implementação de plataformas industriais no exterior, mas não admite que fábricas sejam fechadas no RS e levadas para outros Países - e principalmente com o estímulo e o apoio do governo federal, no caso a Apex. Sobre isto, disse a presidente, Fátima Daudt:
- Isto nos causa indignação e surpresa.
CLIQUE AQUI para ampliar e ler a carta enviada hoje para o presidente da Apex.
. A presidente da ACI, Fátima Daudt, não usou meias palavras para mostrar sua oposição ao evento da Apex:
- Exportar empresas e empregos, construir um espaço oficial de oferta para a transferência das mesmas para República Dominicana dentro do solo brasileiro numa Feira setorial e trazer técnicos dominicanos no intuito de atrair investidores para aquele País parece-nos um equívoco grave.
. A Fiergs nada disse até agora, mantendo-se na posição de nova grande muda do meio empresarial do Estado.
. A reação ao seminário da Apex, já resultou em protestos semelhantes nos Vales do Sinos e Paranhana, onde concentram-se 90% das fábricas de calçados e componentes do Estado.
. A Apex prometeu trazer técnicos do governo da República Dominicana ao RS, para demonstrar as vantagens fiscais, cambiais e logísticas do País, uma república localizada na ilha que divide com o Haiti, próxima aos Estados Unidos.
. Além dos representantes do governo federal brasileiro e técnicos dominicanos, a Apex também incluiu um case do próprio Vale do Sinos, no caso a Paquetá, que fechou suas fábricas de Sapiranga e resolveu levar produção, empregos e renda para Santo Domingo.
. A ACI não se opõe a implementação de plataformas industriais no exterior, mas não admite que fábricas sejam fechadas no RS e levadas para outros Países - e principalmente com o estímulo e o apoio do governo federal, no caso a Apex. Sobre isto, disse a presidente, Fátima Daudt:
- Isto nos causa indignação e surpresa.
CLIQUE AQUI para ampliar e ler a carta enviada hoje para o presidente da Apex.
A conspiração mundial contra o Brasil - CQD
CQD quer dizer "Como Queríamos Demonstrar".
Enfim, eu já demonstrei várias vezes, como somos vítimas de uma conspiração mundial contra a nossa economia, todos fazendo concorrência predatória, comércio desleal, dumping de produtos baratos e de má qualidade. Como vamos suportar isso.
Ainda bem que o governo está atento.
Como demonstra também este professor...
Paulo Roberto de Almeida
Enfim, eu já demonstrei várias vezes, como somos vítimas de uma conspiração mundial contra a nossa economia, todos fazendo concorrência predatória, comércio desleal, dumping de produtos baratos e de má qualidade. Como vamos suportar isso.
Ainda bem que o governo está atento.
Como demonstra também este professor...
Paulo Roberto de Almeida
| Carroças: o retorno | ||
| Samir Keedi | ||
|
DCI, 22/09/2011
Recentemente
publicamos um artigo sobre os problemas do Brasil com a competitividade
da China. Em que não conseguimos fazer o que eles fazem. E, deixamos
claro que a culpa não é deles, mas nossa. Fazemos tudo errado e culpamos
os outros. Acabamos de ver no noticiário de jornal de 16/09 mais um
absurdo. O Ministério dos Transportes, depois de todos os problemas
havidos, 27 afastamentos, inclusive do Ministro, se autoconcedeu 100% na
avaliação de desempenho institucional.
Claro está que, se os princípios são errados, se as aplicações são inadequadas, o resultado só pode ser catastrófico. Em avaliações idem. Acreditamos que ninguém ainda aprendeu a plantar laranjas e colher camarões. Só se colhe o que se planta. No Brasil é fácil fazer errado. Avaliar errado. A política é tudo. Os interesses individuais idem. O governo se arvorar em dono do brasileiro, e não seu representante, é hábito antigo. Só não é milenar por ainda estarmos na metade desse tempo de existência. Aqui, o que mais gostamos de fazer é criticar os demais países pela sua competência. Se não podemos elogiar a nossa, criticamos a alheia. Se não podemos ou queremos seguir, desancamos os demais. É o caso da China, em que preferimos criticá-los ao invés de melhorarmos nossos procedimentos. Suponhamos ser mais adequado do que baixarmos as taxas de juros a níveis decentes. Mundiais. Também é melhor do que reduzirmos a carga tributária a níveis suportáveis. Para a média mundial. Em especial considerando nosso patamar de desenvolvimento. E agora, também nos jornais de 16/09/11, tivemos o desprazer de ler o nosso epitáfio. Sim, nossa inscrição tumular, elogio fúnebre. A nossa sentença de morte econômica. Como se sabe, os carros estrangeiros vêm ganhando mercado no Brasil. As importações estão crescendo. Claro que não é difícil saber por que. O carro aqui é o mais caro do mundo. Compra-se o mesmo carro nos EUA por menos da metade do preço daqui. E lá a renda per capita é 5-6 vezes a nossa. E não é só lá. No Chile também. E outros países. A carga tributária sobre o automóvel aqui é insana. Tanto no estrangeiro quanto o nacional. O carro estrangeiro tem a mais alta alíquota de imposto de importação dentre todas as mercadorias. De 35%. Afora os demais impostos incidentes como o IPI, ICMS, PIS, Cofins. O automóvel brasileiro tem metade do seu preço realizado em impostos. Não somos competitivos de modo algum. Mesmo com redução de impostos ainda ficaríamos mais caros. Sem nenhum imposto em nosso carro, ainda assim ele seria mais caro que nos EUA. Parece que nossas colocações estão fora de contexto. Parecem mais uma piada de mau gosto do que realidade. Mas, é isso mesmo. O nosso país é que é surreal. Parece estar fora do mundo. É autista. E agora a situação acaba de piorar. O governo, monopolista em fazer bobagens e cometer suicídio, acaba de anunciar uma medida desastrosa. A elevação em 30 pontos percentuais do IPI - Imposto sobre produtos industrializados para automóveis e caminhões importados, que venham de fora do Mercosul ou do México. A menos que os veículos tenham 65% de conteúdo nacional ou regional. Os carros com até mil cilindradas terão o IPI majorado de 7% para 37%. Os de mil a duas mil cilindradas de 11-13% para 41-43%. A entrar em vigor em 60 dias. Vigorando até 31/12/2012. Por ora. Como é um país de provisórios permanentes, aqui podemos, facilmente, prever o futuro, como Nostradamus. E agora, o melhor de tudo sobre a notícia. Isso é para melhorar a competitividade do automóvel brasileiro e estimular a produção no país (sic). E assim caminha a humanidade no Brasil. Vamos aumentar, segundo o governo, em 25-30% os preços dos carros estrangeiros, para tornar os nossos mais competitivos. Medida para defesa do emprego dos brasileiros. Em primeiro lugar, num flagrante desrespeito à OMC - Organização Mundial do Comércio. Que proíbe a discriminação entre produtos locais e importados e não permite exigência de conteúdo nacional. Portanto, podendo ser contestado na OMC. Em segundo lugar, pasme, o carro importado representa hoje apenas 6% dos veículos vendidos no país. Um tiro de canhão para matar uma mosca. Vide bem caro leitor. Para matar um carrapato, mata-se o animal. É bem Brasil. Ao invés de redução de impostos. De redução da carga tributária. De aumento nos investimentos. De redução dos encargos sobre a mão de obra. Ao invés de medidas econômicas lógicas para tornar o produto nacional competitivo, aumentamos os impostos sobre os estrangeiros. E, claro, já sabemos que este é o melhor caminho para voltarmos a ter carroças. Aquelas mencionadas pelo presidente da república ao abrir a economia há duas décadas. Ao invés de exigirmos competência, damos proteção, e elas não precisam se aprimorar. É a volta da reserva de mercado. Obviamente que a maioria dos brasileiros, como bem sabemos, fará esta leitura. Mas não nós. É claro que à parte de, no país, não sabermos muita coisa sobre economia e política econômica. À parte de termos uma carência de bons economistas. À parte de qualquer coisa, sabemos que isso tem, sem sombra de dúvida, o claro objetivo de aumento de impostos e da carga tributária. Não se fala em outra coisa há meses, em especial nas últimas semanas. Haja saúde. Assim, nossos gênios econômicos acabam de tirar da cartola mais um aumento de impostos. E, claro, aplaudidíssimos pela incompetente indústria nacional de veículos. Que, claro, pode ser transposta a qualquer outra.
Samir Keedi é bacharel em Economia, professor universitário.
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Parece que hoje era um dia sem carro, parece...
Mas aqui em Brasília não têm ônibus: se jã não fossem insuficientes, várias linhas estavam de greve, hoje.
Bem, sempre se pode pensar em ter uma bicicleta.
Mas parece que o governo não ajuda.
Pois é... sempre é a tal de "concorrência desleal".
O Brasil deve er o país que mais sofre no mundo com essa concorrência "predatória".
Deve ser uma conspiração mundial contra o nosso país, coitadinho...
Paulo Roberto de Almeida
Os pneus de borracha utilizados em bicicletas também tiveram a alíquota elevada de 16% para 35%.
No próprio site do ministério há uma nota da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) comemorando a decisão. “É uma vitória de grande impacto para o Polo Industrial de Manaus.”
“As bicicletas vêm apresentando neste ano incremento acentuado na produção, mas, de igual forma, vinham sofrendo com a concorrência desleal dos similares importados. Nesse caso, tanto o bem final quanto um dos seus principais componentes – os pneumáticos para bicicletas, cuja produção em Manaus é a única do país – devem ter ganho de competitividade, fortalecendo a cadeia produtiva regional”, diz a superintendente da SUFRAMA, Flávia Grosso.
Mas aqui em Brasília não têm ônibus: se jã não fossem insuficientes, várias linhas estavam de greve, hoje.
Bem, sempre se pode pensar em ter uma bicicleta.
Mas parece que o governo não ajuda.
Pois é... sempre é a tal de "concorrência desleal".
O Brasil deve er o país que mais sofre no mundo com essa concorrência "predatória".
Deve ser uma conspiração mundial contra o nosso país, coitadinho...
Paulo Roberto de Almeida
Governo aumenta imposto de importação de bicicletas e já estuda elevar IPI
Lobby foi feito pelos fabricantes que estão na Zona Franca de Manaus
São Paulo – Com todas as atenções voltadas ao aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados, uma decisão do governo passou despercebida. As bicicletas trazidas do exterior tiveram o imposto de importação elevado e já há estudos no Ministério da Fazenda para subir o IPI a exemplo do que aconteceu com os veículos.
A Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento aprovou, há duas semanas, a elevação da alíquota de 20% para 35%, que é a máxima permitida pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A justificativa para a mudança foi que “o aumento das importações está reduzindo a competitividade da indústria nacional”.Os pneus de borracha utilizados em bicicletas também tiveram a alíquota elevada de 16% para 35%.
No próprio site do ministério há uma nota da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) comemorando a decisão. “É uma vitória de grande impacto para o Polo Industrial de Manaus.”
“As bicicletas vêm apresentando neste ano incremento acentuado na produção, mas, de igual forma, vinham sofrendo com a concorrência desleal dos similares importados. Nesse caso, tanto o bem final quanto um dos seus principais componentes – os pneumáticos para bicicletas, cuja produção em Manaus é a única do país – devem ter ganho de competitividade, fortalecendo a cadeia produtiva regional”, diz a superintendente da SUFRAMA, Flávia Grosso.
A deterioracao da politica economica no Brasil
Dilma faz o que Lula queria
Lula presidente não perdia a oportunidade de apresentar seu governo como o introdutor de tudo de bom que acontecia no país. Mas, enquanto atacava a herança maldita de FHC, mantinha intacto o tripé da política econômica herdada, o regime de metas de inflação com Banco Central independente, câmbio flutuante e superávit primário nas contas públicas.
A presidente Dilma está fazendo o contrário. Elogiou FHC pela estabilização do Real, diz que as bases macroeconômicas estão mantidas, mas na prática vai lentamente desmontando o tripé (ou flexibilizando, se quiserem).
Em comum, a mesma atitude: falar uma coisa e fazer outra. Só que com os sinais trocados. Alguns analistas entendem isso como uma manifestação de independência que Dilma estaria tomando em relação à herança lulista.
Errado.
Dilma está fazendo na política econômica o que Lula gostaria de ter feito há muito tempo. E que começou a fazer nos dois últimos anos de seu governo. Com o (bom) pretexto de combater a crise internacional de 2008/09, Lula colocou de lado a contenção do gasto público e aumentou as despesas de várias maneiras, mantendo-as em expansão mesmo quando as coisas se acalmaram. Mais do que isso, recuperou o discurso de que gastar é sempre bom e que sempre é possível aumentar os impostos.
No ano passado, eleitoral, Lula finalmente conseguiu dobrar o Banco Central de Henrique Meirelles, levando a instituição a suspender a alta de juros para não atrapalhar a campanha de Dilma. Lembrem-se: para fazer aquilo o BC construiu um cenário de queda de inflação que gerou muita desconfiança na ocasião e que não se materializou.
Veio, então, o BC de Dilma, com Alexandre Tombini na presidência, que começou subindo juros, diante da evidência de uma inflação em alta. Mas logo deu um cavalo de pau e começou a reduzir a taxa, surpreendendo mesmo os analistas mais afinados com os argumentos oficiais. Foi uma virada semelhante à de 2010 e com o mesmo conteúdo político de enquadrar-se na linha explicitada pelo governo.
O câmbio flutuante foi flexibilizado de diversas maneiras. E o superávit primário tem sido obtido até aqui graças a uma arrecadação excepcionalmente elevada. Os gastos governamentais continuam em alta e se programa mais elevação no ano que vem.
A volta do protecionismo explícito - como, por exemplo, a elevação abrupta do imposto sobre carros importados - é mais um dado a indicar que a presidente Dilma move sua política econômica na direção do chamado "desenvolvimentismo", com forte intervenção do governo, gastos públicos subindo, subsídios e proteção para determinados setores, os amigos da casa, e tolerância com a inflação.
O economista Mario Cimoli, diretor da Cepal, desenvolvimentista, disse uma vez que a melhor política econômica para a América Latina seria uma combinação brasileiro-argentina. Do Brasil, a política industrial com seu braço principal, o BNDES. Da Argentina, a política monetária e cambial, com juro baixo, moeda desvalorizada, não importando a inflação elevada.
Pode até não ser exatamente assim, mas que parece, parece.
E sabem qual a ironia dessa história? É a política econômica que José Serra adoraria fazer.
Eis por que a presidente Dilma dificilmente enfrentará oposição nessa sua guinada. Tucanos estão ou iludidos com os elogios formais feitos pela presidente ou gostando dessa política econômica ou interessados em embarcar em algumas canoas do governo (como faz o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin).
Os democratas podem fazer algum sucesso no combate ao aumento de impostos, mas não é muito.
Tudo considerado, não haverá uma guinada radical, mesmo porque muitas das normas de política econômica estão definidas em lei, como é o caso da responsabilidade fiscal. É a nossa sorte. Ninguém espera uma explosão da inflação, mas algo perto de 7% ao ano por um bom tempo (que é alta). O governo estará sempre tratando de arrecadar cada vez mais para gastar mais. E, sem reformas, ficaremos com uma economia irregular, com o custo Brasil muito elevado para todos e sendo aliviado para alguns setores, com muito consumo (inclusive do governo) e pouco investimento. Cresce aqui e ali, dependendo do mundo, mas não deslancha de modo consistente.
Continuamos precisando de algo como um novo Plano Real, para derrubar juros e impostos de forma duradoura.
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 22/09/11
Lula presidente não perdia a oportunidade de apresentar seu governo como o introdutor de tudo de bom que acontecia no país. Mas, enquanto atacava a herança maldita de FHC, mantinha intacto o tripé da política econômica herdada, o regime de metas de inflação com Banco Central independente, câmbio flutuante e superávit primário nas contas públicas.
A presidente Dilma está fazendo o contrário. Elogiou FHC pela estabilização do Real, diz que as bases macroeconômicas estão mantidas, mas na prática vai lentamente desmontando o tripé (ou flexibilizando, se quiserem).
Em comum, a mesma atitude: falar uma coisa e fazer outra. Só que com os sinais trocados. Alguns analistas entendem isso como uma manifestação de independência que Dilma estaria tomando em relação à herança lulista.
Errado.
Dilma está fazendo na política econômica o que Lula gostaria de ter feito há muito tempo. E que começou a fazer nos dois últimos anos de seu governo. Com o (bom) pretexto de combater a crise internacional de 2008/09, Lula colocou de lado a contenção do gasto público e aumentou as despesas de várias maneiras, mantendo-as em expansão mesmo quando as coisas se acalmaram. Mais do que isso, recuperou o discurso de que gastar é sempre bom e que sempre é possível aumentar os impostos.
No ano passado, eleitoral, Lula finalmente conseguiu dobrar o Banco Central de Henrique Meirelles, levando a instituição a suspender a alta de juros para não atrapalhar a campanha de Dilma. Lembrem-se: para fazer aquilo o BC construiu um cenário de queda de inflação que gerou muita desconfiança na ocasião e que não se materializou.
Veio, então, o BC de Dilma, com Alexandre Tombini na presidência, que começou subindo juros, diante da evidência de uma inflação em alta. Mas logo deu um cavalo de pau e começou a reduzir a taxa, surpreendendo mesmo os analistas mais afinados com os argumentos oficiais. Foi uma virada semelhante à de 2010 e com o mesmo conteúdo político de enquadrar-se na linha explicitada pelo governo.
O câmbio flutuante foi flexibilizado de diversas maneiras. E o superávit primário tem sido obtido até aqui graças a uma arrecadação excepcionalmente elevada. Os gastos governamentais continuam em alta e se programa mais elevação no ano que vem.
A volta do protecionismo explícito - como, por exemplo, a elevação abrupta do imposto sobre carros importados - é mais um dado a indicar que a presidente Dilma move sua política econômica na direção do chamado "desenvolvimentismo", com forte intervenção do governo, gastos públicos subindo, subsídios e proteção para determinados setores, os amigos da casa, e tolerância com a inflação.
O economista Mario Cimoli, diretor da Cepal, desenvolvimentista, disse uma vez que a melhor política econômica para a América Latina seria uma combinação brasileiro-argentina. Do Brasil, a política industrial com seu braço principal, o BNDES. Da Argentina, a política monetária e cambial, com juro baixo, moeda desvalorizada, não importando a inflação elevada.
Pode até não ser exatamente assim, mas que parece, parece.
E sabem qual a ironia dessa história? É a política econômica que José Serra adoraria fazer.
Eis por que a presidente Dilma dificilmente enfrentará oposição nessa sua guinada. Tucanos estão ou iludidos com os elogios formais feitos pela presidente ou gostando dessa política econômica ou interessados em embarcar em algumas canoas do governo (como faz o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin).
Os democratas podem fazer algum sucesso no combate ao aumento de impostos, mas não é muito.
Tudo considerado, não haverá uma guinada radical, mesmo porque muitas das normas de política econômica estão definidas em lei, como é o caso da responsabilidade fiscal. É a nossa sorte. Ninguém espera uma explosão da inflação, mas algo perto de 7% ao ano por um bom tempo (que é alta). O governo estará sempre tratando de arrecadar cada vez mais para gastar mais. E, sem reformas, ficaremos com uma economia irregular, com o custo Brasil muito elevado para todos e sendo aliviado para alguns setores, com muito consumo (inclusive do governo) e pouco investimento. Cresce aqui e ali, dependendo do mundo, mas não deslancha de modo consistente.
Continuamos precisando de algo como um novo Plano Real, para derrubar juros e impostos de forma duradoura.
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