terça-feira, 29 de julho de 2014

Eleicoes 2014: retratos de uma realidade ordinária, pelo partido totalitário

De todos os lados, a atualidade me assalta, em todos os boletins que recebo, em todas as manchetes que percorre na imprensa, a realidade é uma só: o acirramento da campanha eleitoral.
Mas esse acirramento não é um embate entre candidatos, longe disso.
Trata-se de um confronto entre o partido totalitário e a realidade, entre os fatos e a raiva dos fatos, entre a liberdade de emissão de opiniões e a vontade totalitária de censurar, de proibir, de controlar, de punir, inclusive pelas vozes mais autorizadas desta republiqueta dos companheiros.
Inacreditável como em apenas 10 cms de chamadas de impressa, numa única coluna do jornalista Políbio Braga (que costuma resumir o que vai pelos outros grandes órgãos da imprensa e alguns blogs influentes), se pode encontrar as notícias mais escabrosas, os fatos mais escandalosos, as intenções mais macabras dos totalitários contra a simples realidade que se estampa nessa "mídia".
Todo mundo é golpista, segundo os totalitários, e acho que eles começam a se desesperar, o que significa que virá mais lama pela frente...
Paulo Roberto de Almeida

Da coluna diária do jornalista Políbio Braga, 28/07/2014
Posted: 27 Jul 2014 04:03 PM PDT
CLIQUE AQUI  para ler "Santander: Verdades  que não cabem num extrato". Doze anos depois da ‘carta’, um extrato assusta o PT. O jornal espanhol “El País” repercutiu neste sábado o mal-estar gerado entre o banco Santander e o governo brasileiro com carta enviada pela instituição a correntistas, junto ao extrato do mês de julho, sugerindo que o crescimento da presidente Dilma Rousseff (PT) nas
Posted: 27 Jul 2014 03:59 PM PDT
CLIQUE AQUI para  ler análise de Dora Kramer sobre o caso. Eles não viram nada e parecem adornos decorativos de um Conselho de Administração irresponsável por seus atos, segundo o TCU e na inversa mão do que diz a boa prática da moderna Governança Corporativa, coisa que o dr. Jorge Gerdau, na foto à extrema esquerda, conhece mais do que ninguém, porque o tema é dever de casa no Grupo Gerdau, 
Posted: 27 Jul 2014 06:03 PM PDT
Os repórters Artur Rodrigues e Leandro Machado acompanharam servidores da prefeitura de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad, PT, atuando nos Partidos da base aliada durante o horeário do expediente. Gente que recebe mensalmente até R$ 13 mil. Leia tudo: A movimentação durante a semana é frenética no sobrado amarelo da Bela Vista (região central) onde fica a sede do PP (Partido 
Posted: 27 Jul 2014 07:11 AM PDT
Neste artigo (O PT e o mercado no Brasil) assinado ontem pelo jornalista Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo, há uma clara proposta para que o governo do PT censure a publicação dos resultados dos estudos econômicos sobre o desempenho da economia brasileira sob administração da presidente Dilma Roussef. .  Basta ler o que escreveu o jornalista: - Numa democracia, um banco tem o direito
Posted: 27 Jul 2014 05:00 AM PDT
A análise econômica que vai abaixo, intitulada  "O fim do Brasil", é uma das mais intessantes sobre a real situação econômica do Brasil e o porque de devemos nos preocupar com um Plano B, que deve incluir, inclusive, um outro País para se viver, diante da caótica situação brasileira em que ele mostra neste trabalho. . Leia tudo: Olá. Meu nome é Felipe Miranda. Há quase cinco anos, 
Posted: 27 Jul 2014 04:44 AM PDT
A trapalhada da semana foi sem a menor dúvida a nota que o Banco Santander expediu aos seus clientes, mas não a todos, recomendando que os eleitores devem ficar longe de Dilma Roussef nas eleições de outubro, já que devem evitar o risco que representa o atual governo do PT para a economia, mergulhada em repiques inflacionários e paralisia econômica, cenário que será pior daqui para a frente. .
Posted: 27 Jul 2014 06:04 PM PDT
O esquema ao lado é desenho da Folha.  Os jornalistas Andréia Sadi e Ranier Bragon revelam na edição deste domingo da Folha de São paulo que a egociação envolvendo o repasse oficial de recursos financeiros do PT para o PMDB abriu uma crise entre os dois partidos, os maiores da coligação pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. . Leia tudo: . Sem aval do comando peemedebista, o

Mais crônicas do nanismo diplomatico - Andres Oppenheimer (MH)

“O Brasil passou dos limites em relação a Israel”
Por Andres Oppenheimer
The Miami Herald, 28/07/2014

Enquanto a maioria dos países condenou a violência em Gaza, na maior parte dos casos culpando ambos os lados e dirigindo críticas em variados níveis a um e a outro, o Brasil passou dos limites ao simplesmente endossar a versão do grupo terrorista Hamas para o conflito — indo além até mesmo de países como o Egito e a Jordânia em suas ações contrárias a Israel.
Em nota emitida em 23 de julho, o governo da presidente brasileira Dilma Rousseff declarou: “Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis”.
E acrescentou que seu embaixador em Israel foi chamado ao Brasil para consultas — algo que nem mesmo países árabes como o Egito ou a Jordânia fizeram até este momento em que escrevo.
Tal comunicado alinha o Brasil com Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e outros países que automaticamente tomam o partido de ditaduras militares e violadores dos direitos humanos em todo o mundo. Agora, há rumores de que o Brasil pretende se manifestar contra Israel na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em 29 de julho.
Muitos outros países condenaram o “uso desproporcional da força” por Israel, contudo a maioria deles — inclusive a Argentina, que normalmente acompanha os posicionamentos do Brasil — condenou simultaneamente o Hamas pelos ataques sistemáticos de foguetes contra alvos civis israelenses, que segundo Israel deflagraram o atual ciclo de violência.
Ademais, os Estados Unidos e os 28 membros da União Europeia, que consideram o Hamas um grupo terrorista, condenaram-no especificamente pelo uso de civis como escudos humanos.
Em 17 de julho, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, conhecida pela sigla UNRWA, anunciou ter encontrado 20 foguetes do Hamas escondidos numa escola da ONU em Gaza. Poucos dias depois, a UNRWA anunciou outra descoberta idêntica em outra escola da ONU.
Após a crítica do Brasil, dirigida unicamente a Israel, o ministro das Relações Exteriores israelense emitiu uma declaração, afirmando que a atitude do Brasil “demonstra a razão pela qual o gigante econômico e cultural continua sendo politicamente irrelevante” no cenário internacional. Representantes de Israel esclareceram que a reação incomumente enérgica foi provocada pela decisão do Brasil de convocar seu embaixador para consultas.
Em contraste, os Estados Unidos e os 28 integrantes da União Europeia iniciaram suas declarações sobre o conflito em Gaza destacando o direito de Israel a se defender.
O Conselho da União Europeia, que inclui a França, a Bélgica e vários outros países com populações muçulmanas numerosas, manifestou-se no dia 22 de julho no sentido de que “a União Europeia condena firmemente o disparo indiscriminado de foguetes pelo Hamas contra Israel”.
E completou: “A União Europeia condena veementemente a convocação (do Hamas) da população civil de Gaza para atuar como escudos humanos. Embora reconheça o legítimo direito de Israel a se defender contra quaisquer ataques, a UE enfatiza que a operação militar israelense deve ser proporcional e em consonância com a legislação humanitária internacional”.
O Brasil pode ter chamado seu embaixador por razões políticas internas, bem como pelo desejo de agradar aos estados radicais árabes e africanos, em sua busca pela obtenção de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
José Miguel Vivanco, responsável pela divisão das Américas da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, ressalta que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — mentor político de Rousseff — posicionou-se consistentemente em favor dos piores violadores dos direitos humanos do mundo nos anos em que ocupou a presidência.
Mais recentemente, com Dilma Rousseff, o Brasil melhorou significativamente sua participação nas votações sobre o tema no Conselho de Direitos Humanos da ONU, porém o mesmo não ocorreu em outros fóruns diplomáticos. Na América Latina, por exemplo, o Brasil permaneceu em silêncio em relação às inúmeras violações aos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança da Venezuela, relata Vivanco.
“O Brasil está fazendo a coisa certa ao protestar com veemência contra Israel pelo uso desproporcional da força, que resultou num grande número de mortes de civis, mas ao mesmo tempo não podia deixar de condenar os ataques indiscriminados e constantes de foguetes do Hamas contra a população civil israelense”, disse-me Vivanco.
Minha opinião: Israel pode ser acusado de falhar ao evitar a morte de civis em casos específicos durante o conflito de Gaza, e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pode ser culpado por não fazer o bastante para acelerar a tão necessária criação de um Estado palestino, porém Israel não pode ser condenado por se defender.
Não se pode esperar de nenhum país no mundo que fique inerte enquanto um grupo terrorista dispara milhares de foguetes contra suas maiores cidades e, depois, usa civis como escudos humanos. E menos ainda quando, diferentemente do Al Fatah e outros grupos palestinos mais moderados, o Hamas conclama à aniquilação de Israel e ensina às crianças palestinas que matar judeus é uma prestação de serviço a Alá.
Se o Brasil quer ser levado a sério como uma democracia moderna e um ator internacional responsável, deveria agir como tal.

Eleicoes 2014: a politica externa de Aecio Neves - Oliver Stuenkel

Brazil Post (Huffington Post), 
AECIO


A próxima campanha presidencial no Brasil deverá incluir uma discussão sobre como cada candidato pretende defender os interesses do Brasil no exterior. A atuação internacional do Brasil é muito maior hoje do que em qualquer momento de sua história, tornando o tema um elemento-chave da estratégia global de qualquer governo. As tropas brasileiras estão no Haiti, o Banco Nacional de Desenvolvimento do Brasil (BNDES) empresta dinheiro a nível internacional, o Brasil aumentou o número de suas embaixadas na África e participou da criação dos grupos BRICS e UNASUL.
Esta forte presença internacional levanta questões importantes. Por exemplo, o que o foco direcionado do Brasil na África tem realmente alcançado na última década? Fazer parte do grupo BRICS pode aumentar a influência global do Brasil? Como podemos convencer os nossos vizinhos de que a ascensão do Brasil é boa para eles também? Qual é a visão a longo prazo do Brasil para a região? Qual é a função da ajuda brasileira ao desenvolvimento, da UNASUL e do Mercosul nesta visão regional? Como o Brasil pode melhor promover a estabilidade política e econômica na América Latina? Como o Brasil deveria lidar com a instabilidade na Venezuela e as violações de direitos humanos em Cuba?
Diante disso, todos os candidatos devem ser capazes de criticar a política externa do Brasil durante a presidência de Dilma Rousseff. Em comparação com FHC e Lula, que deixaram suas marcas no compromisso internacional do Brasil, a política externa da presidente tem sido uma política sem brilho. Diplomatas estrangeiros lamentam privadamente que ela não parece se importar muito com questões internacionais. Enquanto os Ministros das Relações Exteriores de FHC e Lula prosperavam, o Itamaraty foi rebaixado por Rousseff, e foi dado pouco espaço para o Ministro Patriota tomar iniciativa. O atual Ministro das Relações Exteriores, Figueiredo, parece ter maior acesso à Presidente, mas ele dificilmente é um de seus principais assessores. Os discursos de Dilma na Assembleia Geral da ONU, grandes oportunidades de articular a visão do Brasil, não foram inspiradores.
O que Aécio Neves, candidato do Partido da Social Democracia do Brasil (PSDB) faria se ele fosse eleito presidente? De todos os candidatos, é o ex-governador de Minas Gerais que articulou a crítica mais forte à atual política externa dos últimos governos. Sob as presidências tanto de Lula quanto Rousseff, Aécio argumenta que o Brasil tem mantido laços excessivamente cordiais com regimes autoritários como Cuba e Irã e tem feito muito pouco para promover os direitos humanos e a democracia. Da mesma forma, ele argumenta que convidar Chávez da Venezuela para participar do Mercosul foi um erro. Finalmente, segundo Aécio, o Brasil errou ao aceitar expropriações de refinarias da Petrobras na Bolívia - dando a entender que a resposta do Brasil foi, em grande parte, determinada por simpatias ideológicas do governo com o esquerdista Evo Morales da Bolívia.
Em questões internacionais, ele parece acreditar que a ênfase do Brasil em fortalecer os laços com outras potências emergentes e África foi mal concebida, com tendências ideológicas e não necessariamente a serviço do interesse nacional brasileiro.
Aécio Neves, portanto, não apenas critica a política externa do governo, mas também oferece alternativas relativamente claras: o Brasil deve deixar de cultivar laços estreitos com Cuba, Venezuela e outros governos de esquerda na região e adotar um tom mais crítico a esses países. Deve também condenar abertamente as violações de direitos humanos em Cuba e pedir a libertação de todos os presos políticos do governo Castro. O Brasil pode ainda gastar menos tempo estreitando os laços com o Sul Global e buscar consolidar sua relação com os Estados Unidos.
No entanto, mesmo sendo de alguma maneira construtiva, sua crítica é baseada no pressuposto maior que toda a política externa do Brasil baseia-se em fundamentos ideológicos puramente de esquerda - uma reivindicação questionável considerando que a política externa mudou relativamente pouco quando o presidente Lula assumiu, em 2002, em comparação com o governo anterior. Nem o presidente Itamar Franco, nem Fernando Henrique Cardoso criticaram Fidel Castro abertamente (mesmo que Luiz Felipe Lampreia tenha uma vez insistido em conhecer uma figura da oposição durante uma viagem a Cuba). Na mesma linha, o primeiro presidente a propor a participação da Venezuela no Mercosul foi FHC. As estreitas relações do Brasil com a Venezuela durante a última década podem ser explicadas por interesses econômicos do Brasil, não por uma forte ligação ideológica. Dilma Rousseff desprezou o estilo abrasivo de Hugo Chávez e critica a gestão econômica do presidente Maduro.
Por fim, diversificar parcerias e construir uma presença diplomática mais forte no mundo em desenvolvimento - que gerou muitos benefícios para o Brasil - também foi uma iniciativa de Fernando Henrique Cardoso. Lula, de maneira muito habilidosa, continuou e intensificou a estratégia. A participação brasileira no grupo do BRICS é uma estratégia pragmática e, contrário ao que argumentam alguns comentaristas conservadores, não motivada por questões ideológicas ("Os benefícios do grupo BRICS para o Brasil"). A política externa atual do Brasil pode ser menos ideológica do que algumas das críticas de Aécio Neves sugerem. A decisão de Lula de negociar com o Irã em 2010 foi muito mais uma tentativa (correta, ao meu ver) de fortalecer a projeção global do Brasil do que uma prova de alinhamento com Mahmoud Ahmadinejad - embora os radiantes sorrisos de Lula com o presidente do Irã, fazendo manchetes em todo o mundo, podem, de fato, ter enviado uma mensagem errada para o público global.
Tudo isso não significa que toda a crítica de Aécio seja equivocada. Por exemplo, ele tem razão em apontar que os laços com os Estados Unidos chegaram a um ponto baixo no final do segundo mandato de Lula, mesmo que o Ministro Patriota, no governo Dilma tenha conseguido normalizar boa parte das relações antes do escândalo de espionagem desfazer a sua obra. Aécio Neves criticou a decisão de Dilma de cancelar a visita de Estado, dizendo que não ter ido à Casa Branca pode ter feridos interesses comerciais. Diante do contexto político do escândalo de espionagem, porém, a decisão da Presidente cancelar sua viagem foi razoável, e parece pouco provável que interesses comerciais sofreram como consequência.
Quanto à abordagem regional da Aécio, duas questões se destacam. Primeiro de tudo, uma postura mais assertiva pró-direitos humanos e pró-democracia poderia conduzir Estados menores a ver o Brasil como um hegemon regional? Como Aécio teria certeza de que criticar o governo venezuelano não afetaria os interesses comerciais sólidos do Brasil lá? Afinal, mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) apoiou a entrada da Venezuela no Mercosul, e os laços estreitos de Lula com Chávez protegeram os investimentos brasileiros contra a interferência política na Venezuela até o momento. Por outro lado, isso parece impedir que o Brasil desempenhe um papel construtivo como mediador-chave, uma vez que a Venezuela enfrenta um conflito interno profundo. Mais importante ainda, ele não só criticaria abusos de direitos humanos cometidos por governos de esquerda (como Venezuela e Cuba), mas também por governos conservadores, como do ex-presidente Uribe?
Em segundo lugar, como exatamente ele pretenderia influenciar a política de Cuba? Considerando que um embargo dos EUA não desestabilizou o regime cubano, nem o tornou mais liberal, isolar Cuba é a estratégia correta para o Brasil? Como defenderia os interesses econômicos brasileiros na ilha? Isso remete a uma das questões mais complexas nas relações internacionais: Como os países democráticos liberais devem lidar com os países não democráticos? Devemos procurar mudá-los através envolvimento com eles (como as diferentes vertentes de pensamento liberal sugerem) ou do isolamento? Ou devemos nos abster de influenciar assuntos internos de outros países (o que reflete uma abordagem mais realista)?
Ainda assim, não é claro em que medida Aécio prevê uma "política externa pragmática" (termo que ele usa frequentemente) baseada em interesses estratégicos e econômicos do Brasil ou uma política externa mais orientada por valores que promovem a democracia e os direitos humanos (mesmo que arrisque ferir interesses empresariais brasileiros). Se for o último, o termo "pragmático" parece estar fora do lugar. Nesse caso, ele teria que explicar como ele lidaria com crescentes laços econômicos do Brasil com cleptocracias como Angola ou a Guiné Equatorial, ou com ditaduras como a China.
Como a atuação internacional do Brasil aumentará na próxima década, e como o bem-estar dos cidadãos brasileiros será cada vez mais afetado pela estratégia de política externa do Brasil, discutir profundamente estas questões é fundamental - independentemente do apoio ou não à linha de argumentação de Aécio Neves, é preciso fortalecer o debate sobre a política externa e obrigar cada candidato a defender a sua estratégia.
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sanatorio Bolivariano do Caribe: agravando a loucura geral...

Quando eu vejo uma chamada desse tipo, eu penso imediatamente tratar-se de uma brincadeira, de uma gozação de jornalistas, dessas mentiras que se prestam a sorrisos.
Sou obrigado a me beliscar, quero dizer, a clicar na notícia para ler, e perder um pouco do meu preciso tempo de leitura ou escrevinharão, para me certificar que, sim, não estou num mundo de loucos, e sim no mundo real dos bolivianos, o que dá mais ou menos na mesma coisa...
Eu me pergunto como vivem as pessoas normais, na Venezuela e alhures, quando ouvem essas coisas: apenas sorriem e deixam passar ou se desesperam ao constatar, mais uma vez, que estão, sim, entregues a um bando de loucos. O pior é que esses malucos são também assassinos e criminosos, enfim um bando de mafiosos, como temos vários por aí, alguns até bem perto...
Paulo Roberto de Almeida

Venezuela sin Chávez

Maduro dice que el “pajarito” se le rapareció y le dijo: Chávez está feliz


Infolatam/Efe
Caracas, 29 de julio de 2014
Las claves
  • Maduro habló así durante una fiesta organizada en Barinas, el estado natal de Chávez, al cumplirse este lunes 60 años del nacimiento del presidente fallecido el 5 de marzo de 2013.
  • Maduro, que desde el fin de semana pasado también tiene el cargo de presidente del gobernante Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), aseguró que siente "presente" a Chávez, a quien definió como un "gran profeta".
El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, dijo que “otra vez” se le apareció un “pajarito” y que en esta ocasión le dijo que Hugo Chávez “está feliz y lleno de amor de la lealtad de su pueblo”.

Maduro habló así durante una fiesta organizada en Barinas, el estado natal de Chávez, al cumplirse este lunes 60 años del nacimiento del presidente fallecido el 5 de marzo de 2013.

“Les voy a confesar que por ahí se me acercó un pajarito, otra vez se me acercó y me dijo (…) que el comandante (Chávez) estaba feliz y lleno de amor de la lealtad de su pueblo (…) debe de estar orgulloso”, dijo Maduro.
En el acto se cortó una inmensa torta que reproducía una imagen del paisaje del Llano venezolano, donde Chávez creció, y además fue desvelada una estatua del presidente fallecido financiada por la petrolera rusa Rosfnet.
Maduro, que desde el fin de semana pasado también tiene el cargo de presidente del gobernante Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), aseguró que siente “presente” a Chávez, a quien definió como un “gran profeta”.
El presidente celebró además la presencia de un conjunto musical ruso que dedicó varias canciones al gobernante fallecido, y aseguró que al otro lado del mundo “ha llegado la llamarada del calor del amor que el mundo siente por Chávez”.
“De Siberia a Sabaneta (ciudad de nacimiento de Chávez) corre el amor por todo el mundo”, afirmó.
En abril de 2013, Maduro aseguró que Chávez se le apareció en una pequeña capilla católica, también en Barinas, en forma de “pajarito chiquitico” y lo bendijo antes de arrancar la campaña para las elecciones de ese mismo mes, y se granjeó toda clase de críticas y burlas.
Maduro se defendió diciendo que estaba feliz por haber compartido su “espiritualidad” con el pueblo.

Eleicoes 2014: cada candidato com a sua mania...

Caro eleitor: você votaria num candidato que lhe dissesse, assim na bucha, na frente da televisão, que não apenas guarda 150 mil em casa -- certamente estão melhor protegidos os 150 mil, sobretudo com aquele batalhão de soldados enfileirados -- mas que também, tchan, tchan, tchan,...

no período da ditadura, durante sete anos, ''dormia de sapatos'', enquanto fugia da repressão. 
(pontos triplos de interrogação, e de exclamação...)

Bem, considerando que a maior parte desses grupelhos da guerrilha não se aguentavam mais de um ano e meio em face da repressão, e que o auge da guerrilha se deu entre 1968 e 1971, esses sete anos estão um pouco, assim, como direi?, dilatados.
Digamos então que foi um hábito adquirido: depois de dormir um pouco de sapatos, aquela mania foi ficando, ficando, até que ficou.

Mas também tem gente que diria:

" -- Sete anos dormindo de sapatos???!!! Huummmm... Então está tudo explicado..., o humor..."

Bem, pessoalmente, acho que deve atrapalhar o casamento, e outras coisas...
Mas vamos falar só de programas eleitorais, OK?
Paulo Roberto de Almeida

Eleicoes 2014: uma do gênero "acredite se quiser..."

A presidente Dilma Rousseff explica por que guarda ''em casa'' R$ 152 mil em espécie, valor que consta na sua declaração de bens como candidata à reeleição. Ela lembra ainda o período da ditadura, em que durante sete anos ''dormia de sapatos'', enquanto fugia da repressão. A candidata à reeleição presidencial participou nesta quarta-feira (28) de sabatina promovida pelo UOL, pela "Folha de S.Paulo", pelo SBT e pela rádio Jovem Pan. Leia mais sobre a sabatina.

Prata da Casa: as instituições de Bretton Woods - Carlos Marcio B. Cozendey

Como é meu habito, sempre leio e resenho os livros dos diplomatas, de qualidades notoriamente desiguais, em função dos diferentes formatos dos textos originais. Muito frequentemente se trata de teses internas ao Itamaraty, e são portanto cercados por todos aqueles cuidados que o diplomata, em face de uma banca que pretende esquartejá-lo, deve tomar para justamente evitar esse massacre. Outros são livros escritos para um público externo, o que pode aumentar ou diminuir outras qualidades, mas enfim, a maior parte do que tenho lido supera justamente a maior parte do que vejo publicado no mundo acadêmico.
É o caso deste pequeno livrinho, da coleção Em Poucas Palavras, que reúne todas as qualidades para ter sido publicado por uma grande editora comercial, e conhecer assim divulgação mais ampla.
Eu acabei de fazer uma resenha, mas aí me dei conta que já tinha feito a resenha para um número anterior do Boletim da ADB, a associação dos diplomatas.
Bem, junto as duas aqui para novamente expressar meu reconhecimento por essa obra.
Paulo Roberto de Almeida 

Carlos Márcio B. Cozendey:
Instituições de Bretton Woods: desenvolvimento e implicações para o Brasil
(Brasília: Funag, 2013, 181 p.; ISBN 978-85-7631-488-2; Coleção Em Poucas Palavras)

As 160 páginas do corpo de texto não perfazem exatamente um livro “em poucas palavras”, mas cada linha da obra está impregnada de um triplo conhecimento: histórico, teórico e prático, sobre as origens, o desenvolvimento, nas décadas seguintes, e sobre o funcionamento atual dos dois irmãos de Bretton Woods, o Banco e o Fundo, que foram criados em 1944 na pequena cidade do New Hampshire para presidir à ordem econômica do pós-guerra. O autor é o secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, e como tal segue, no G20 e em outras instâncias, as negociações para a reforma do sistema monetário, que já passou por fases melhores do que a atual. Depois das paridades cambiais estáveis, o regime de flutuação não ajuda a manter a estabilidade mundial, mas o maior perigo advém dos desequilíbrios fiscais nacionais, um tema que todavia foge do escopo deste livro. 
           
O autor conhece a bibliografia e domina a teoria do comércio e das finanças internacionais. Mais importante: ele é o negociador brasileiro nas duas irmãs de Bretton Woods e no G-20 financeiro, o que lhe dá um conhecimento direto das diferenças entre o ancien régime e o novo, que não é bem um regime, e sim arranjos parciais e limitados entre os principais protagonistas, para evitar as “guerras cambiais” do passado. O dólar continua tão hegemônico quanto foi na origem, embora o Banco Mundial já não seja tão importante como no imediato pós-Segunda Guerra. O G-20, contudo, tem menos da metade dos participantes da conferência de 1944, e a distribuição de poder econômico é mais equilibrada; ou seja, a oligarquia financeira continua firme no comando do timão, embora as divergências sobre o que fazer continuem tão agudas quanto antigamente.

  

A politica externa companheira: uma diplomacia anomala - Alberto Pfeifer

O texto abaixo foi escrito logo no início das aventuras diplomáticas do companheiro-maior, justamente o inventor da diplomacia do nunca antes, e não apenas da diplomacia, mas de todo o resto que jamais existiu sobre as terras, sob as águas e nos ares deste nosso querido Brasil, situado a centro-leste deste maravilhoso continente num planetinha redondo chamado Terra (que o guia genial dos povos percorreu várias vezes, com milhagens adquiridas para viajar de graça pelo resto da...).
Acho que ele ele combina com texto em meu último (ops, mais recente) livro, Nunca Antes na Diplomacia..., que se chama, justamente: Uma diplomacia exótica (também bizarra...).
Enfim, eu e o Alberto Pfeifer devemos estar profundamente errados, pois essa mesma diplomacia, anômala, exótica, ou seja lá o que for, é admirada e exaltada por 90%, ou mais, dos membros da nossa academia, sem falar de outras esferas, onde a aceitação deve beirar 120%.
Enfim, já nao estou mais sozinho...
Paulo Roberto de Almeida

“Rodada de Avaliação sobre a Política Externa do Governo Lula: Estratégias, Resultados e Perspectivas”.
GACINT/Universidade de São Paulo (USP), JUNHO 2005
Alberto Pfeifer
Notas para exposição e discussão

Apontamentos preparados em junho de 2005 para intervenção do autor em mesa-redonda no Gacint/USP.   Publicação autorizada em 28 de julho de 2014 para registro histórico no blog “Diplomatizzando” de Paulo Roberto de Almeida.

A política externa do governo Lula é uma política externa anômala.  É anômala porque se afasta da política externa brasileira usual.  É anômala porque constitui-se de um conjunto de anomalias, atos percebidos como disparatados vis-à-vis os movimentos tradicionais da atuação externa brasileira.

Qualificá-la de anômala não significa uma pecha, ou exercer sobre a política externa um juízo de valor positivo ou negativo.  O balanço dos resultados ainda estará por ser realizado, assim como a sua própria característica: a anomalia permanecerá como tal, como fuga do useiro e vezeiro, ou representará uma mudança tecnológica na política externa brasileira? Ou governos futuros retornarão ao trilho da normalidade, e a anomalia será percebida como uma efeméride passageira?

O caráter anômalo da nova política externa deriva de atributos próprios do novo governo que tomou posse em janeiro de 2003 e de mudanças no ambiente externo.  A política externa é anômala no nascedouro porque sua genética revela um hibridismo que talvez explique o vigor de sua manifestação: pela primeira vez na história independente, o Brasil tem uma política externa em que o alelismo homozigótico da política externa itamaratiana é mesclada a um DNA partidário explícito, o do Partido dos Trabalhadores. O vigor do híbrido explicaria o ativismo exacerbado.

A anomalia é reativa[1] a outra anomalia externa, de ordem maior: a política externa dos EUA engendrada após o 11 de setembro de 2001. Se é fato que havia um potencial e uma aspiração a romper com alguns cânones da ação externa norte-americana na equipe de Bush, tais gênios foram liberados da garrafa com o estopim do 911. Decorre toda uma nova política de segurança nacional e internacional que passa de roldão por sobre as instituições e até mesmo valores da governabilidade global, ensejando a demonstração explícita, ostensiva e antecipada (por meio da doutrina da ação preventiva) dos atributos hegemônicos.
Daí se possa explicar o porquê da política externa de Lula buscar interferir na construção da multipolaridade alternativa à unipolaridade.

A análise da política externa revela-a anômala em abordagem da série temporal  porque é um ponto fora da curva da evolução da política externa brasileira desde 1822: nunca terá havido uma política externa tão espetacular e variada em ações; em artífices e implementadores; nunca tamanha abundância de prioridades e parcerias preferenciais, que resultam numa falta de foco e difícil compreensão dos resultados efetivos. Também em uma abordagem cross section, por duas razões: difere do pragmatismo dos propalados parceiros Sul-Sul (Índia, China, etc.), que seguem fazendo da orientação econômica aos países desenvolvidos a referência básica e ainda, principalmente, seus os atos de política exterior não correspondem aos fatos internacionais e nacionais, mas mais ao discurso doméstico.

A política externa é anômala porque a seus propalados objetivos não corresponde uma estratégia, mas sim um conjunto difuso e confuso de ações e discursos.  Aferir seus resultados é uma tarefa trabalhosa, porque a estratégia que esta política externa desvela a posteriori é organizada por indução, e não por dedução – contradiz o preceito da racionalidade explicitado na posse de Samuel Pinheiro Guimarães – e a ela não se interligam táticas concatenadas e calibradas. 

Daí decorrem as anomalias pontuais; os movimentos a esmo, embora propalados como partes de um todo; os gestuais exagerados; a retórica altaneira e farta. São anomalias: a visita a Cuba, a confraternização com Fidel; o giro ao Oriente Médio e a visita de gala a ditadores, ignorando Israel; o deslumbramento com a China e o pouco caso com um leal e tradicional parceiro, o Japão; a excêntrica Cúpula América do Sul/Países Árabes; o sem-número de implicâncias e pequenas querelas e queixumes com os EUA – cúmulo da proposta da eliminação mútua de vistos em Monterrey (janeiro de 2004); afagos a Chávez e o alheamento a Uribe;  CSAN/CASA e desleixo c/ Mercosul; Haiti; canto gregoriano do assento no Conselho de Segurança da ONU; abstenção contumaz na comissão de Direitos Humanos da ONU quanto a Cuba; taxa internacional da fome; tours à África; trancamento e inanição da ALCA; sem-número dos fronts de negociação comercial (Marrocos, Egito, SACU, Índia, CAN, Canadá); Seixas Correa na direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC); multiplicidade de operadores da política (Lula, Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, José Dirceu, Luiz Fernando Furlan, Roberto Rodrigues etc.)


A Teses do Novo espaço econômico brasileiro – nova geografia comercial

Mercosul só não foi uma sucessão de anomalias porque não escaparam muito ao passado recente, ao ponto de hoje se falar em esforço do Brasil para evitar a institucionalização do retrocesso, evitando salvaguardas e outros impedimentos ao livre comércio e à permanente exceção à Tarifa Externa Comum (TEC).

A avaliação das estratégias e dos resultados de uma política externa pressupõe que haja metas definidas e um plano de ação estabelecido.  Estratégias serão desenhadas a partir desse plano de ação.  Quais, então, os objetivos da política externa do governo Lula? Alguns analistas (Guilhon Albuquerque) identificam que tais objetivos, incongruentes por natureza, explicam a falta de foco e a ação desordenada: crescimento com estabilidade + projeção internacional de Lula + delineamento de uma nova ordem global, calcada no aumento do poder relativo de alianças Sul-Sul. 

Amado Cervo menciona, dentre os objetivos da política externa, os seguintes: (a) reduzir a vulnerabilidade externa (contabilizada no déficit de transações correntes) -- comercial, econômica, tecnológica, financeira; (b) universalismo da ação, derivado da visão da construção do mundo multipolar – daí a busca do assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a construção do Sul-Sul, a aproximação com África e Oriente Médio; (c) a América do Sul como “espaço natural de afirmação dos interesses brasileiros”, expandido até a África Atlântica: plataforma econômica e política movida pelo motor do Mercosul, com autonomia política decisória e organização autônoma da segurança – América do Sul centrada no Brasil – e daí ainda prioridade explícita na integração sul-americana, a organização pró-ativa da América do Sul centrada na visão brasileira para o continente.

O Brasil de Lula molda sua política exterior pelo paradigma do Estado logístico.

Cita-se também um atributo, ou valor norteador, tido como objetivo no que enceta de ações, e que se coaduna com a figura presidencial, sua trajetória e sua proposta basilar: o Programa “Fome Zero”, nacional e em escala global. Trata-se da dimensão humanista da política exterior: a ação externa calcada no sentimento da solidariedade, da caridade, a exaltação da cordialidade sergiobuarquiana e da bonomia brasileira à até a campanha pelo Papa brasileiro passa a fazer sentido!

Para a implementação da política externa – para a definição de sua estratégia – é preciso contabilizar os recursos de poder disponíveis.  A um país que se postula a membro permanente do CS da ONU e artífice da construção da nova ordem mundial, o exame dos recursos de poder do Brasil não resulta muito alentador: militarmente restritos e ultrapassados; economicamente modestos; politicamente contidos. O “novo espaço econômico brasileiro”, ou a “nova geografia comercial”, constituiria a tentativa de alargamento do poder relativo econômico.

Quem não tem cão, caça com gato; quem não tem gato, vai de matraca, ensinaram os constitucionalistas de 32  – daí a  metralhadora verbal atirando a todo lado, dentro e fora, para o bem e para o mal, não só de Lula, como dos altos escalões (Celso Amorim X Argentina)

Economia da política externa: questão de microeconomia – maximização dos benefícios dada a escassez de recursos – tratada como macroeconomia – a política externa como variável dependente do crescimento com estabilidade.

Por fim, está por ser escrita a verdadeira história da quase consensual grande obra da política exterior de Lula até junho de 2005: a formação e liderança do G20 agrícola na ministerial de Cancún da OMC em 2003.  Tida como êxito mor do Itamaraty, lembremo-nos que surgiu mais por reação a um texto acordado entre União Europeia e Estados Unidos, referendado pelo presidente do Conselho Geral, o uruguaio Carlos Pérez de Castillo e pelo ministro do Comércio mexicano Luís Ernesto Derbez, e que não expressava compromissos assumidos no campo agrícola, previamente acertados, decorrentes da Rodada Uruguai.  Além disso, apontava a temas sensíveis a outros Países em Desenvolvimento que não haviam sido combinados, em investimentos e proteção à propriedade intelectual.

Tem-se exaltado o G20 como proeza do MRE. É questionável.  Muito se deveu à orquestração das equipes de duas outras pastas, Ministério da Agricultura (MAPA) e do Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), muito em função de seus respectivos titulares.


Avaliação do ponto-de-vista empresarial: para o empresariado brasileiro, agrada a agressividade governamental – solidarizam-se com o atributo típico do empresário – mas surpreende a falta de coordenação interna e externa e os parcos resultados da política externa econômica.  Aliás, o grande resultado percebido é muito negativo: reconhecimento da China como economia de mercado e a reticência a contrapor-se aos interesses chineses.  Sabe-se lá por quais razões, há uma predileção política pela China, que talvez tenha a ver com a postulação ao assento permanente no CS/ONU e à conquista dos elementos tecnológico-estratégicos necessários para validar de modo insofismável tal pleito.

Já de parte dos empresários latino-americanos, percebe-se profundo ceticismo quanto à eficácia real da política exterior lulista.  

Em suma:  para utilizar metáforas caras ao presidente, o objetivo do nosso time é ganhar o campeonato, vamos jogar no ataque sempre e portanto marcar muitos gols e ganhar todos os jogos por goleada.   Faltou contudo, como diria Manoel dos Santos, combinar com os russos, os argentinos, os americanos, os chineses, os indianos, os mexicanos etc. etc. etc.

A política externa só não é anômala consigo mesma: seguirá a ser, conforme anunciado na posse do governo, seqüência de atos altivos e altaneiros, audaciosos e até arriscados.  Manter-se-á errática, perambulante, às vezes beirando a petulância – que mais se afastaria do legado do Barão, que mais anômalo?


São Paulo, junho de 2005; revisão de formato e vernáculo em julho de 2014.



[1] “Diante das ameaças à soberania nacional, ... a sociedade brasileira escolheu mudar e me elegeu” Presidente da República Lula discurso  posse 2003

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