sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A economia a servico da politica no Brasil

Duas matérias na imprensa me chamaram a atenção, nesse capítulo da "mistura" (por falta de uma palavra melhor) da política com a economia, mas apenas depois de refletidas por uma agência estrangeira:

1) Brazil's Caixa to Fund 1 Billion Euros in Beef Exports to Iran, Valor Says
By Joshua Goodman
Bloomberg, Aug 13, 2010

Brazil’s state-controlled Caixa Economica Federal will finance up to 1 billion euros ($1.3 billion) in beef shipments to Iran after private banks refused to extend credit to exporters, fearing retaliation from the U.S. and European Union, Valor Economico said.
The financing will be backed by Brazil’s Treasury, which will be responsible for collecting payment from the Iranian government, the Sao Paulo-based newspaper said.
Sanctions imposed by the United Nations in June over Iran’s nuclear program, and followed up with tighter restrictions by the U.S. and EU, has led Brazilian banks to reject credit guarantees issued by Iranian banks, the newspaper said.
President Luiz Inacio Lula da Silva, in a visit to Tehran in May, signed an agreement to finance food exports to Iran, as well as boost investment and expand air connections between the two countries. Annual trade with Iran has more than doubled to $1.2 billion since Lula took office in 2003.

2) Brazil State Development Bank Loans May Be Questioned at WTO, Estado Says
By Andre Soliani
Bloomberg, Aug 13, 2010

Brazil’s national development bank’s loans to companies may be questioned by other countries at the World Trade Organization, O Estado de S.Paulo reported, citing unidentified Brazilian government officials.
The Geneva-based WTO will review the Brazilian state bank loans to meet a global trade requirement, the newspaper said. The Brazilian state bank loans aren’t a subsidy because the lender provides long-term lending that private banks fail to offer, Carlos Marcio Bicalho Cozedey, director of the Foreign Affair’s Economic Department, told Estado.
The Brazilian government estimates the subsidies granted through the state bank range from 18 billion reais ($10.2 billion) to 29.3 billion reais, Estado said, quoting officials it didn’t name.

Por que a America Latina continua andando para tras?


Alertado pelo meu amigo blogueiro Orlando Tambosi, venho aqui registrar a publicação no Brasil de um livro organizado pelo cientista social nipo-americano (ou simplesmente americano) Francis Fukuyama, que eu já sabia que andava circulando pelos EUA, mas que não sabia (inclusive por estar fora do Brasil) que já tinha sido traduzido e publicado entre nós.
Não é difícil para os cientistas sociais americanos apontar as deficiências de desenvolvimento da América Latina, embora eles tenham essa nefasta tendência a amalgamar todos os problemas num modelo único (mais ou menos parecido com aquelas caricaturas de um mexicano de sombrero enorme dormindo ao pé de um cacto), e chamar tudo isso de Latin America, confirmando assim que somos atrasados porque somos Latin Americans, o que é quase um truismo.
Mas, sempre existem trabalhos mais sérios, como deve ser este aqui. Permito-me, inclusive, indicar outro livro sério, que não sei se já foi traduzido e publicado, embora muitos dos trabalhos ali incluídos já devem ser conhecidos pelos bons economistas e historiadores latino-americanos, justamente:

Stephen Harber (editor):
How Latin America Fell Behind: Essays on the Economic Histories of Brazil and Mexico, 1800-1914
(Stanford: Stanford University Press, 1997)

Não vou agora discutir novamente as causas de nosso atraso, embora tenda a concordar com Harber (e seus vários colaboradores) e, preventivamente, com a interpretação de Fukuyama (de quem conheço vários outros trabalhos, incluindo um pequeno livro sobre a "desconstrução" de Estados, que não tem obviamente nada a ver com esses inúteis filósofos franceses do desconstrucionismo), mas que me exigiria uma longa exposição sobre vias comparadas de desenvolvimento econômico. Fiquemos com o relativo simplismo das instituições erradas, das elites predatórias e da má qualidade (se é que existe) da educação na região. Continuamos insistindo no erro, como provam todas essas teses goradas mas que continuam a ter "sucesso" no continente.
Se dirigismo estatal fosse sinônimo de progresso, a AL seria, facilmente, o continente mais desenvolvido do mundo...
Por que é que os acadêmicos não se dão conta de coisas tão simples?
Paulo Roberto de Almeida

Ficando para trás. Ou: vendo o mundo pelo retrovisor...
Blog do Orlando Tambosi (Iconoclástico, anti-ideológico e politicamente incorreto)
Quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Por que existe uma lacuna tão grande entre o desenvolvimento da América Latina e o dos Estados Unidos? Um interessante livro lançado recentemente tenta desvendar quais os problemas que cavaram este buraco. Trata-se de Ficando para trás (Explicando a crescente distância entre América Latina e Estados Unidos), organizado por Francis Fukuyama e editado pela Rocco, do Rio de Janeiro.

Apontam-se várias causas para esta lacuna. Alguns autores se concentram na geografia dos países (abundância de recursos naturais e condições materiais) e outros na cultura em sentido amplo, mas a verdadeira razão para o fraco desempenho latino-americano é, segundo os escritos organizados por Fukuyama (com a contribuição de vários historiadores e economistas latino-americanos), a precariedade das instituições.

"As instituições são críticas para formular, implantar e apoiar boas políticas. Entre essas instituições estão os direitos de propriedade e o domínio da lei, sistemas eleitorais, ramos executivos com poderes apropriados, legislativos representativos e eficientes, partidos políticos que incluem agentes sociais importantes da sociedade, sistemas judiciários independentes da autoridade política e eficazes na implantação da lei e uma distribuição adequada de poderes aos diferentes níveis de governo - nacional, estadual e municipal."

Convém lembrar que o Brasil faz parte da América Latina e que, sob o lulismo, derrapa cada vez mais em relação às instituições.

Boa leitura.
Orlando Tambosi

Pausa para propaganda politica obrigatoria; ops, errei, para o Enem...

Estas pérolas, dizem, vêm do Espírito Santo, mas desconfio que não; só pode ser fabricação de professores cariocas desocupados, que ficam inventando coisas estapafúrdias e bizarras, apenas para humilhar os vizinhos capixabas...

ENEM - ESPÍRITO SANTO

- O Brasil não teve mulheres presidentes mas várias primeiras-damas foram do sexo feminino.
(denúncia gravíssima: isto significa que vários ex-presidentes casaram-se com travestis).

- O número de famigerados do MST almenta a cada ano seletivo.
(e a burrice não diminói!)

- Os anaufabetos nunca tiveram chance de voltar outra vez para a escola.
(nem de ir!)

- Vasilhas de luz refratória podem ser levadas ao forno de microondas sem queimar.
(sem comentários)

- O bem star dos abtantes da nossa cidade muito endepende do governo federal capixaba.
(vende-se uma máquina de escrever faltando algumas letras!!!)

- Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos.
(algumas antas realmente comem mulheres carnívoras, né?)

- Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência urbana.
(Esta é 10! Sarneamento deve ser a aplicação das teorias do Zé Sarney. Eu axo, sem me pré-ocupar muito!)

- Fidel Castro liderou a revolução industrial de 1917, que criou o comunismo na Russia.
(Deve ter sido o avô dele ).

- O Convento da Penha foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do morro.
(deve ter demorado o céculo inteiro para fazer a mudança)

- A História se divide em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje.
(esqueceu da História em Quadrinhos)

- Os índios sacrificavam os filhos que nasciam mortos matando todos assim que nasciam.
(pena que a mãe dessa anta não era índia!)

- Bigamia era uma espécie de carroça dos gladiadores, puchada por dois cavalos.
(Ou era uma biga macho que tinha duas bigas fêmeas, puxada por uma anta)

- No começo Vila Velha era muito atrazada mas com o tempo foi se sifilizando.
(Deve ter sido no tempo em que chegaram as primeiras prostitutas lá )

- Os pagãos não gostavam quando Deus pregava suas dotrinas e tiveram a idéia de eliminá-lo da face do céu.
(Como será que eles tencionavam fazer isto?)

- A capital da Argentina é Buenos Dias.
(E de noite, muda o nome para Buenas Noches )

- A prinssipal função da raiz é se enterrar no chão.
(E a prinssipal função do gozador é morrer de rir com uma deças)

- As aves tem na boca um dente chamado bico.
(Cruz credo!)

- A Previdência Social assegura o direito a enfermidade coletiva.
(Quando há uma epidemia, não deixa de ser verdade)

- Respiração anaeróbica é a respiração sem ar, que não deve passar de 3 minutos.
(Senão, a anta morre)

- Ateísmo é uma religião anônima praticada escondido. Na época de Nero, os romanos ateus reuniam-se para rezar nas catatumbas cristãs.
(hein?)

- Os egipícios dezenvolveram a arte das múmias para os mortos poderem viver mais.
(o sérebro desse imbessil não se dezenvolveu!)

- O nervo ótico transmite idéias luminosas para o cérebro.
(Essa anta não deve ter nervo ótico, senão seu cérebro não seria tão obscuro)

- A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos.
(esse deve ser gay)

- O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes.
(é verdade, de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações)

- Os Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de ferro asfaltadas.
(Nova técnica americana, para substituir o trem-bala )

- As estrelas servem para esclarecer a noite e não existem estrelas de dia porque o calor do sol queimaria elas.
(A noite deve ter ficado muito esclarecida com essa idéia luminosa)

- Republica do Minicana e Aiti são países da ilha América Central.
(Procura-se urgente um Atlas Geográfico que venha com um Aurélio junto)

- As autoridades estão preocupadas com a ploleferação da pornofonografia na Internet.
(Um CD dos Raimundos, por exemplo, é pornofonografia )

- A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly
.
(e deve ter inventado também a Operação Furacão, que colocou alguns juízes no olho do clone!)

- O Papa veio instalar o Vaticano em Vitória mas a Marinha não deixou para construir a Capitania dos Portos no mesmo lugar.
(tadinho do Papa)

- A devassa da Inconfidência Mineira foi Marília de Dirceu, a amante de Tiradentes.
(é o samba do crioulo doido!)

- Hormônios são células sexuais dos homens masculinos.
(Nos homens femininos, essas células chamam-se frescuromônios)

- Os primeiros emegrantes no ES construiram suas casas de talba.
(ao mesmo tempo em que praticavam tiro ao álvaro)

- Onde nasce o sol é o nacente , onde desce é o decente.
(E a anta que escreveu isto, é indecente!)

- A terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados no mundo. Os outros planetas menos demográficos são: Mercurio, Venus, Marte,Lua e outros 4 que eu sabia mas como esqueci agora e está na hora de entregar a prova, a senhora não vai esperar eu lembrar, vai? Mas tomara que não baixe minha nota por causa disso porque esquecer a memória em casa todo mundo esquece um dia, não esquece?
(Quase chorei com essa!)

- O principal matrimônio de um país é a educassão.
(matrimônio deve ser a mulher do patrimônio, e educassão deve ser o deputado Edu participando de CPI na Câmara, para cassar algum companheiro!)

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PS.: Sinto-me um miserável ao transcrever essas coisas neste blog. Nada, nada para rir, nem chorar...
Sem comentários, por favor...

Contas Nacionais: de volta a uma pequena equacao enganosa

Uma pequena aula de Economics 101...

As importações e o PIB: o que se vê e o que não se vê [*]
João Luiz Mauad
Ordem Livre, 12 de Agosto de 2010

Foi anunciada, há duas semanas, a primeira estimativa do PIB norte-americano para o segundo trimestre do ano em curso, indicando uma alta de 2,4% (anualizada) em relação ao período imediatamente anterior. O número veio mais ou menos dentro do esperado pelo mercado, e o que chamou atenção mesmo foram algumas análises e comentários dele decorrentes, vindos, inclusive, de gente bem pensante e informada.

A jornalista de economia de O Globo, Mirian Leitão, por exemplo, estampou em seu blog o seguinte comentário:

Setor externo puxa desaceleração da economia americana
A economia americana desacelerou no segundo trimestre. A redução do ritmo foi impulsionada pelo setor externo, em decorrência da forte aceleração das importações. Entre abril e junho, o PIB (Produto Interno Bruto) teve alta de 2,4% em relação aos primeiros três meses do ano, quando a economia havia crescido 3,7%. O número ainda pode ser revisado, mas veio abaixo das expectativas (2,6%).


Na mesma linha, o jornal Folha de São Paulo publicou a notícia, em sua página na internet, nos seguintes termos:

Importação tem maior alta em 26 anos e desacelera expansão dos EUA no 2º tri
O crescimento no trimestre passado foi contido por um aumento de 2,8% nas importações, que ofuscou a elevação de 10,3% nas exportações. Isso gerou um déficit comercial que tirou 2,78 pontos percentuais do PIB, a maior subtração desde o terceiro trimestre de 1982.


Já o site de economia do UOL publicou a seguinte matéria, quase nos mesmos termos:

Importações desaceleram expansão dos EUA no 2o tri
A expansão do segundo trimestre foi contida por um salto de 28,8 por cento das importações, que ofuscou o avanço de 10,3 por cento das exportações. Isso gerou um déficit comercial que tirou 2,78 pontos percentuais do PIB, a maior subtração desde o terceiro trimestre de 1982.


Outros veículos seguiram a mesma linha.

Qualquer pessoa menos informada, que se depare com tais notícias, sairá com a impressão de que, quanto mais um país importa, menor será o seu PIB. Importar, portanto, seria algo análogo a destruir riqueza. Se acreditarmos no que dizem os analistas, sairemos certos de que, ao comprarmos um produto importado, estaremos contribuindo para a ruína de nosso país.

O fulcro desta falácia econômica, disseminada, muitas vezes até involuntariamente, está na famigerada identidade contábil abaixo, utilizada, mundo afora, para o cálculo do PIB:

PIB = C + I + G + X – M

O problema não está na fórmula em si. Como método de aferição do Produto Interno Bruto, ela é largamente aceita. O volume do PIB é equivalente ao somatório do consumo das famílias e empresas (C), dos investimentos (I), dos gastos do governo (G) e do saldo de comércio com o estrangeiro (X-M).

A confusão é provocada exatamente pelo sinal de subtração antes das importações (M), o que induz a pensar que elas diminuem o valor do PIB. Aquele sinal (-), no entanto, está ali justamente para fazer com que as importações tenham peso neutro no cálculo do Produto INTERNO Bruto, afinal elas já estão inseridas (com sinal positivo) tanto em C (consumo), quanto em I (investimento) ou X (exportações), e até mesmo em G (gastos públicos).

Suponha que eu resolva utilizar minhas economias e adquira R$ 100.000,00 em bicicletas, com objetivo de revenda no mercado interno. No final do negócio, vendi todas as bicicletas por R$ 120.000,00, obtendo um lucro de 20% sobre o investimento. No cálculo do PIB, estes R$ 120.000,00 farão parte de “C” – Consumo das famílias –, embora os produtos consumidos não tenham sido fabricados dentro do país. Para corrigir esta distorção, já que o PIB deve espelhar somente a riqueza gerada domesticamente, o volume de importações aparece com sinal negativo na fórmula de cálculo.

Fica claro, portanto, que as importações não reduzem o valor do PIB. Pelo contrário, ao gerar lucro, criam riqueza – no exemplo em tela, estamos falando de R$ 20.000,00. Mas alguém poderia indagar que, se eu não houvesse importado as bicicletas, elas teriam sido produzidas internamente, aumentando o valor do PIB em R$ 200.000,00. Certo? Errado!

Se eu produzo uma mercadoria a um custo X e vendo pelo mesmo valor X, o incremento do PIB é nulo. O que gera novas riquezas e aumenta o PIB é o valor adicionado. Para adquirir as bicicletas, seja no exterior ou no mercado interno, eu (comerciante) precisarei mover recursos de algum lugar. Se eu compro (ou produzo) e vendo as mercadorias pelo mesmo valor, apenas transfiro recursos de uma variável para outra, sem que haja incremento algum. Assim, eu posso “destruir” riqueza fabricando bicicletas no mercado interno a R$ 130.000,00 e vendendo-as a R$ 120.000,00, bem como, de modo inverso, criar riqueza comprando bicicletas a R$ 100.000,00 no exterior e vendendo-as a R$ 120.000,00 no mercado interno.

A coisa fica ainda mais perigosa quando alguns "espertinhos", geralmente keynesianos, cismam de utilizar a mesma fórmula como ferramenta teórica para demonstrar supostos benefícios econômicos do aumento dos gastos públicos. Não é raro, por exemplo, encontrar economistas defendendo o aumento dos empregos públicos ou das transferências de renda como formas eficientes de fomentar (eles adoram esta palavra) o crescimento do país.

A falha dessa “teoria” está no fato de que quaisquer aumentos em G decorrem necessariamente de reduções equivalentes nas demais variáveis, principalmente C e I – de onde provêm, inevitavelmente, os recursos dos impostos e dos empréstimos que o governo toma da sociedade. Portanto, os gastos dos governos são recursos que deixaram de ser utilizados pelos consumidores, investidores e produtores. Há apenas uma redistribuição forçada desses recursos, cujo resultado é a alocação ineficiente dos mesmos.

Os keynesianos, de forma geral, acham que seus modelos matemáticos e gráficos possuem vida própria, independente das ações e vicissitudes dos agentes econômicos (seres humanos), os quais, no fim das contas, são a força motriz que dá direção e intensidade às variáveis econômicas. Também se recusam a admitir o princípio da escassez e o conseqüente custo de oportunidade de qualquer ação econômica. É lamentável que esse pensamento encontre-se tão disseminado entre nós.

[*] Apud Bastiat.

Petrobras: amarrada por um troglodita economico

Inacreditavel que um burocrata com noções mais que primárias de economia consiga paralisar atividades econômicas de uma empresa pública, com ações no mercado. O Brasil é um país entregue a inteligências (se o termo se aplica) toscas e rudimentares...
Eles são capazes de afundar alegremente, pensando que estão fazendo o bem...
Paulo Roberto de Almeida

Cerco à Petrobrás
Editorial - O Estado de S.Paulo
11 de agosto de 2010

O desafio mais urgente para a Petrobrás é conseguir dinheiro barato e suficiente para os investimentos no pré-sal, estimados em US$ 224 bilhões até 2014. É hoje o mais ambicioso projeto da indústria petrolífera mundial. A melhor solução é a capitalização, no menor prazo possível, por meio da venda de ações. Mas, para tomar esse rumo, a estatal precisa vencer uma disputa absurda com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O diretor-geral da agência, Haroldo Lima, elegeu como prioridade o aumento da participação do Estado no capital da Petrobrás, além de insistir na preferência a fornecedores nacionais de equipamentos, embora incapazes de atender às necessidades da empresa.

Essa incapacidade é reconhecida pelo diretor-geral da ANP, mas ele só admite uma redução temporária da participação nacional no fornecimento. A Petrobrás defende uma redução de 65% para 35%, segundo fontes do setor. O diretor Haroldo Lima tem resistido. Segundo ele, "na média da participação nacional não se mexe". Assim, se houver diminuição do conteúdo nacional na fase exploratória, será preciso haver uma compensação na etapa de desenvolvimento. Em outras palavras, será necessário garantir a preferência mesmo se isso tornar mais cara e menos eficiente, em termos técnicos, a produção de petróleo e gás no pré-sal.

Isso é uma evidente irracionalidade, que, aliás, não foi inventada agora. Desde o começo de seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou a Petrobrás para dar preferência a fornecedores nacionais, ainda que em prejuízo próprio.

Depois, a legislação sobre a exploração do pré-sal converteu a Petrobrás, formalmente, num instrumento de política industrial. Seus dirigentes engoliram e defenderam essa tolice. Alegaram a necessidade de fortalecer a indústria brasileira para se evitar a "doença holandesa" - a desindustrialização, no caso de o Brasil se tornar uma grande potência petrolífera.

Agora, a disposição da empresa de favorecer os fornecedores nacionais parece ter-se esgotado, diante do despreparo da indústria brasileira para preencher os 65% de participação. Os fornecedores poderão melhorar e para isso precisarão investir. O BNDES talvez possa ajudá-los, se sobrar dinheiro depois dos grandes financiamentos concedidos a grupos poderosos.

O problema da capitalização é o mais grave, a curto prazo, porque de sua solução dependerá a realização dos ambiciosos projetos da Petrobrás. A primeira dificuldade é a fixação de preço para os cerca de 5 bilhões de barris cedidos pelo governo como contribuição para o aumento de capital. Analistas do mercado indicam um valor em torno de US$ 6 por barril. Dirigentes da Petrobrás preferem um preço menor, na altura de US$ 5. Nesse caso, o aporte do governo equivalerá a US$ 25 bilhões. O diretor-geral da ANP insiste em US$ 8 por barril. Esse preço elevará a contribuição estatal para US$ 40 bilhões. Segundo Haroldo Lima, esse valor protegerá os interesses do povo brasileiro e até permitirá elevar a participação estatal na empresa de 32% para cerca de 40% do capital total. Mas essa é apenas uma bandeira ideológica, que em nada contribuirá para converter o pré-sal numa fonte de riqueza efetiva.

Se prevalecer a pretensão do diretor-geral da ANP, os acionistas minoritários terão dificuldade para acompanhar o governo na capitalização. Se o petróleo continuar na faixa de US$ 80 por barril, a Petrobrás terá de conseguir uns US$ 60 bilhões para realizar os investimentos projetados para os próximos anos. Isso é dinheiro de verdade, enquanto a participação do governo consiste em 5 bilhões de barris escondidos a milhares de metros abaixo da superfície do mar.

Enquanto os impasses permanecem, a capitalização atrasa e o valor de mercado da Petrobrás encolhe. A alternativa seria buscar empréstimos, mas isso aumentaria perigosamente o endividamento da empresa. No momento, sua dívida equivale a cerca de 31% do patrimônio líquido. Se passar de 35%, a estatal poderá perder a classificação de grau de investimento e terá mais dificuldades para se capitalizar. Não se sabe se alguém tentou explicar detalhes práticos como esse ao diretor-geral da ANP e a quem o pôs no cargo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Venezuela: Hugo Chavez fora de controle

Venezuela: Hugo Chávez fuera de control
John R. Thomson & Norman Pino de Lion
Hacer, August 3, 2010

El siguiente artículo es el primero de una serie de cuatro sobre la Venezuela bajo el régimen del presidente Hugo Chávez. Investigado y escrito durante las últimas semanas por el veterano periodista y ex diplomático John R. Thomson y el diplomático de carrera venezolano retirado Norman Pino De Lión, cada artículo explora un tema distinto:

1. la profundamente atribulada economía de la nación;
2. los derechos humanos bajo una creciente amenaza;
3. la participación e influencia de Cuba en sectores clave del país;
4. las actividades de Irán, Rusia y los narcoterroristas de las FARC.

Los editores están de acuerdo con la premisa básica de los autores, en el sentido de que el régimen de Chávez y sus relaciones con los principales infractores tanto del hemisferio como de otras áreas representan una amenaza real y considerable para los pueblos amantes de la libertad de todo el mundo. Esta serie expone el alcance de esa amenaza.

Se hace difícil exagerar al hablar de la magnitud del declive y el derrumbe de Venezuela. El país más rico per cápita en América Latina se está hundiendo más y más en lo que puede conducir inevitablemente a la quiebra, ya que todos los indicadores fiscales van mal. El resultado será igualmente nocivo para Hugo Chávez, elegido como presidente en 1999 y convertido ya en autócrata de pleno derecho en 2010.

Es imposible encontrar un sólo sector que esté prosperando. Por el contrario, la agricultura, el comercio y la industria -todos- se encuentran en una situación desesperada. La industria dominante del país, el petróleo, sufre en todos sus niveles de una mala gestión, el ordeño financiero del gobierno y la corrupción. El gasto caprichoso y derrochador del Sr. Chávez, en el país y en el extranjero, ha dejado las finanzas del país en grave estado crítico y paralizado el financiamiento real del sector privado.

Los signos del deterioro están en todas partes:

• El Producto Interno Bruto cayó, según cifras del gobierno, en un 3,3 por ciento en 2009 y se contrajo en 5,8 por ciento durante los tres primeros meses de 2010, mientras que todas las otras economías regionales estaban creciendo. El Fondo Monetario Internacional proyecta un declive de 2,6 por ciento para todo el año 2010, poniendo al país con las mayores reservas petroleras fuera del Medio Oriente en una situación económica peor que la de Grecia.

• La inflación en abril ascendió a 5,2 por ciento, según ha informado el gobierno, y se dirige hacia un 50 por ciento o más sobre una base anualizada. [Algunos economistas sospechan que tanto las cifras de inflación como las del PIB están siendo subestimadas y el chiste del momento entre ellos es que hay tres tipos de información estadística en Venezuela: blanca, gris y gubernamental.]

• El tipo de cambio flotante, uno de los tres tipos de cambio [al cual pronto se ha unido un cuarto], cayó más del 20 por ciento durante abril y mayo. En vez de reconocer su masiva mala gestión, el gobierno culpó a las empresas financieras de llevar a cabo una especulación salvaje, proporcionando así una excusa para intervenir a más de 30 de ellas en las últimas semanas.

• La inversión, nacional y extranjera, es prácticamente inexistente, mientras que la desinversión es generalizada. En la última década, más de cuatro mil empresas han cerrado sus puertas, mientras que varias fábricas se han mudado a localidades más amistosas, como la costera ciudad colombiana de Barranquilla entre otras.

• La confiscación gubernamental de empresas privadas sobrepasa ya las 120 compañías establecidas en cada sector de la economía, con más de 75 en el alicaído sector petrolero. Ello, a pesar de que las encuestas muestran que el 61 por ciento de los venezolanos prefiere el sector privado la gestión de activos de petróleo, el 71 por ciento prefiere a los productores privados de alimentos y medicinas, el 74 por ciento se opone a la eliminación del sector privado, de acuerdo a Keller & Asociados, una de las principales empresas encuestadoras. En la actualidad, el Sr. Chávez parece decidido a absorber Polar, el mayor productor de alimentos y bebidas del país, habiendo hasta ahora confiscado un gran almacén de alimentos procesados y amenazado públicamente a sus dueños, la familia Mendoza.

• El desempleo se sitúa oficialmente en un 8,2 por ciento. Sin embargo, las encuestas del gobierno cuentan a cualquiera que trabaje unas horas al mes o más, así como a los vendedores ocasionales de la calle como “empleados”. Además, el despido está prohibido. Sólo un economista se arriesgó a hacer una estimación de lo que es seguramente una cifra considerable, al fijar su estimación de desempleo en al menos un 30 por ciento.

• El crimen violento es incontrolable, tanto que los caraqueños se resignan a describir su ciudad como la capital mundial del asesinato.

• El suministro de alimentos es cada vez más escaso, debido al incesante desaliento a la agricultura y la generalizada expropiación y confiscación gubernamental de procesadores, distribuidores y minoristas. Una reciente visita al supermercado Luvebras de la selecta Urbanización Altamira de Caracas reveló un estimado de un 25 por ciento del espacio de sus estanterías vacías, con muchos productos de primera necesidad -café, arroz, frijoles-, en muy limitada o casi nula oferta. Cuando la cadena franco-colombiana Éxito fue confiscada en enero, algunos vándalos saquearon varias tiendas, dejándolas temporalmente inservibles.

• La fuga de cerebros en todas las profesiones es elevada. Numerosos médicos venezolanos estudian y practican ahora en Colombia, a pesar de estar mejor remunerados en Venezuela. Los estimados aproximados señalan que alrededor de cinco mil médicos y enfermeras han huido del país y viven y trabajan ahora en Colombia, Panamá, España y Estados Unidos. Esto no incluye los profesionales cubanos de la salud que trabajan en Venezuela a cambio del salvavidas de 100 mil barriles diarios de petróleo que La Habana recibe de Hugo Chávez. Se calcula que más de 1.500 profesionales de la medicina cubana han huido también a Colombia, la mayoría de los cuales ha pasado a otros países.

• El desarrollo de la infraestructura, potencialmente una excelente fuente de empleo, es prácticamente casi inexistente. Las carreteras están en mal estado y casi ninguna nueva construcción está en marcha, mientras que se ve una modesta actividad en la construcción de edificios residenciales y comerciales. Las caídas de tensión de la electricidad son frecuentes en ciudades y pueblos, y el agua escasea.

Además de todo esto tenemos la resistencia que genera la corrupción en todos los segmentos de la economía. Basta con observar el Fondo Nacional de Desarrollo del gobierno: creado en 2005, el FONDEN ha recibido más de $ 57 mil millones en sus primeros cuatro años y medio y ha financiado supuestamente más de 600 proyectos, de acuerdo con el ministro de Finanzas, Alí Rodríguez. Sin embargo, no se han especificado los proyectos y el Fondo no ha publicado ningún informe financiero. Hugo Chávez podría muy bien haber influido en gran parte de ese gasto despilfarrador, prodigando recursos a países y líderes que trata de incorporar a su red socialista bolivariana [un ejemplo basta: la decisión del señor Chávez de invertir $ 5.000 millones de dólares en bonos argentinos de dudoso valor].

Por otra parte, el extravagante estilo de vida personal de Chávez va desde el fetiche por los relojes costosos hasta viajes al extranjero con comitivas de gran tamaño. Los viajes al extranjero han ocupado más de 10 por ciento de sus 11 años como Presidente, y han dado cuenta de una cantidad sustancial de recursos no contabilizados del FONDEN. De hecho, un chiste usual en Caracas mantiene que los únicos indicadores crecientes que se observan son el peso y la cintura cada vez mayores de Hugo Chávez [algunos observadores estiman su aumento de peso durante los últimos ocho años en unos 15-20 kilos.]

Resulta evidente que lo que un comentarista señala como la caja negra de FONDEN, no es más que la fuente de financiamiento de una incalculable corrupción personal e institucional, cuyo monto exacto es imposible estimar de forma confiable.

En un antiguo depósito privado, ahora confiscado y controlado por el grupo estatal PDVAL se descubrieron recientemente 32 mil toneladas de productos alimenticios obsoletos, o podridos. El director de PDVAL, subsidiaria del monopolio petrolero estatal, PDVSA, ha sido irónicamente arrestado por cargos de corrupción.

En las últimas semanas, las inspecciones realizadas a instalaciones gubernamentales de PDVAL, Mercal y CEALCO han confirmado la existencia de más de 100 mil toneladas [200 millones libras] de alimentos básicos descompuestos, de acuerdo con VenEconomía, uno de los principales centros de análisis económico y financiero y de asesoramiento de servicios de Venezuela. Que tal situación pudiese producirse, dada la escasez crítica de alimentos básicos, pone de relieve la profundidad del problema.

Todo esto ha traído a la economía y la sociedad de Venezuela al borde del colapso. El resultado neto para Chávez es que sus índices de aprobación han caído a un rango de 35-42 por ciento, de acuerdo con encuestas reconocidas. El presidente de Hinterlaces, Oscar Schemel, sitúa actualmente la base de Chávez en un 39 por ciento, y la confianza en su liderazgo aún más baja, en sólo un 35 por ciento.

Keller & Asociados informa que el 70 por ciento desea un cambio de liderazgo y señala que un 51 por ciento de los que tienen intención de votar están resueltos a hacerlo por alguien que no sea Hugo Chávez.

Las consecuencias sociales y políticas han sido enormes. La última encuesta de Keller encontró que un abrumador 83 por ciento de los venezolanos no quiere que el país se convierta en un país comunista similar a Cuba, mientras que un 58 por ciento se opone a una Venezuela socialista. De hecho, el 80 por ciento rechaza la conseja de que ”ser rico es malo”, lema que repite con frecuencia Hugo Chávez, quien no lleva una vida de indigente.

Hinterlaces ha encontrado que sólo un 35 por ciento de los venezolanos considera que el país lleva un rumbo positivo, mientras que un 65 por ciento cree que Hugo Chávez debe hacerse a un lado en favor de otro líder.

Las cifras anteriores muestran claramente que los prodigiosos esfuerzos de propaganda del Presidente no han tenido éxito. También muestran un importante giro respecto del liderazgo y las políticas de Hugo Chávez.

Carlos Ocariz, uno de los tres alcaldes de oposición de las siete municipalidades de Caracas, cree que la marea ha cambiado fuertemente en contra del Presidente. ”Mi municipio, Sucre, incluye Petare, el primer o segundo barrio más grande de América Latina. Hemos ganado las elecciones en 2008 compitiendo contra Hugo Chávez y sus candidatos escogidos a dedo”, nos dijo, ”y podemos ganar a nivel nacional porque el pueblo está con nosotros”.

Ocariz sabe de lo qué habla. Ha logrado un grado de aprobación del 82 por ciento después de sólo 18 meses en el cargo, mediante el mejoramiento de las facilidades educativas y de salud, caminando por las calles con regularidad y -sobre todo- ejecutando una administración transparente y honesta.

”La oposición puede ganar”, afirma. ”Tenemos que centrarnos en aquellos que están realmente sufriendo, la gente que vive en los barrios y en las zonas rurales. Si lo hacemos, podemos ganar porque saben que Hugo Chávez ha fracasado. El pueblo quiere un cambio. No podemos ganar centrándose en el pequeño porcentaje de clase media alta y los ricos que viven en los mejores barrios de Caracas y Maracaibo”.

A primera vista, el Alcalde Ocariz debería estar en la lista corta de cualquiera como posible líder de la oposición. Varios meses de esfuerzo han dado lugar a la confección de una lista única de candidatos de la oposición para las elecciones de septiembre para la Asamblea Nacional por parte de la Mesa de la Unidad Democrática, que debería dar a la oposición de 40 a 55 de los 163 escaños de la cámara legislativa de Venezuela.

Sin embargo, la oposición sigue estando alarmantemente desorganizada y fraccionada, en particular debido a la existencia de demasiados políticos de vieja guardia luchando por sus restos individuales de poder y reconocimiento. Cuando los líderes de la oposición trataron de establecer una plataforma unificada, tardaron más de dos meses y un inmanejable documento de 100 puntos que todos los candidatos pudiesen acompañar, al menos nominalmente.

La insatisfacción con el presidente Chávez y su régimen es tan grande que algunos observadores creen que la oposición podría lograr la mayoría. Aunque es un tiro muy largo y dadas las probabilidades de fraude electoral, dos obstáculos más permanecen: quién será el líder de la oposición y si el resto de los opositores estaría dispuesto a seguirlo.

Hasta ahora, nadie se ha puesto a la cabeza de la oposición anti-Chávez, e incluso si surgiese un líder en las próximas semanas, resulta debatible que un grupo formado por la más amplia gama de ideologías imaginables y no más bien unos pocos reciclados pero corruptos miembros de los viejos partidos sea quien logre concretar algo que se acerque a la unidad.

Por último, no es exagerado pensar en los extremos hasta los que Hugo Chávez puede llegar para verse como ganador. Un escenario completamente plausible es que se cancelen las elecciones del 26 de septiembre por “supuestas” razones de seguridad nacional. Alternativamente, podría simplemente anular los resultados electorales, en caso de que se lleven a cabo y al señor Chávez no le gusten los resultados.

En cualquier caso, el autócrata en jefe de Venezuela podría llevar a cabo lo que ha amenazado: decretar que el país se guíe por los Consejos Comunales, nombrados y tutelados por…. Hugo Chávez.

Esto, por supuesto, no quiere decir que los venezolanos deben dejar de competir en las elecciones de septiembre. Nada dañaría más a Hugo Chávez, internamente y en el extranjero, que una estrepitosa derrota, una derrota que lo empujaría más cerca de la puerta de salida.

En definitiva, la situación de la nación venezolana es muy triste y las perspectivas son menos prometedoras. Por supuesto, esto no es una buena noticia para sus 27 millones de ciudadanos y para una región que sigue luchando por construir instituciones democráticas confiables. La razón principal: un autócrata fuera de control que ha sido calificado como demente por uno de sus ministros más antiguos.

En el caso de que Washington tomase un interés sensible en la amenaza que Hugo Chávez presenta para su propio pueblo y para la seguridad regional, mucho podría hacerse para aislarlo y finalmente poner fin a su influencia negativa y su alocada carrera. Un frente común anti-Chávez, de apoyo mutuo y con la participación de una sólida mayoría de los gobiernos del hemisferio occidental es concebible y alcanzable.

Eso no se puede realizar haciendo a un lado el problema o simplemente deseando que el caudillo de Caracas desaparezca. Al menos se debería intentar por el bien de todos los interesados.
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* John R. Thomson es un veterano periodista y ex diplomático de la administración Reagan, que se centra en la política y geopolítica de los mercados emergentes. Visitante frecuente de Venezuela, permaneció recientemente en el país durante dos semanas. Norman Pino De Lion es un ex diplomático de carrera del Servicio Exterior de Venezuela, quien se desempeñó como embajador en Arabia Saudita y los Países Bajos. Sus comentarios aparecen en el diario El Universal, así como en el sitio Web Analitica.com.

Venezuela: uma ditadura já construida...

Venezuela: The Human Wrongs of Hugo Chavez
John R. Thomson & Norman Pino De Lion
HACER Latin American News, August 10, 2010

Desperate to silence opposition, Chavez harasses key sector leaders to intimidate by example.

Hugo Chavez’s regime has come under increasing scrutiny because of blatant violations of basic human rights and an almost total absence of the rule of law, fundamental principles of any democratic society.

A comprehensive 300-page March report by the Inter-American Human Rights Commission (IACHR) enraged President Chavez, who dismissed the accusations as a plot to undermine the Bolivarian revolution, termed the report “pure excrement” and accused the commission of being at the “empire’s service”. The report cited persistent threats and violations of human rights — political participation, freedom of thought and expression, right to life, personal security, and personal integrity and liberty.

A key section of the report states “one of the principles that define the rule of law is the separation of public powers, and the independence of the branches of government as an essential element in democracy”. The report also notes “the exercise of rights and freedoms in a democratic system requires a legal and institutional order in which laws prevail over the will of rulers, in which there is judicial review of constitutionality and legality of acts of state, that is, presupposes respect for the rule of law”.

Far from improving after such serious warnings from the IACHR and the on-going protest of numerous local human rights activists and organizations, the situation continues to deteriorate rapidly. Even a slight criticism of the regime can lead to farcical accusations, with harassment, loss of job, arrest and indictment. Depending on the President’s mercurial mood, the unjustly charged offender may hear his prison term ‘’suggested’’ during Mr. Chavez’s weekly “Aló Presidente” television program.

Retired senior military officer and former Defense Minister Raul Baduel expressed concern about the government’s behavior, was harassed, indicted and finally condemned to seven years and 11 months in prison, to discourage his fellows taking the same path. It didn’t matter that he led the operation to reinstate Hugo Chavez after his brief separation from power in April 2002.

Disappointed pro-Chavez National Assembly member Wilmer Azuaje spoke out about repeated corruption allegations against Chavez family members and was swiftly stripped of his duties without minimal legal procedures established in the Constitution. He was later falsely accused of attacking a police officer, convicted and subsequently placed under house arrest.

Such actions are intended to discourage dissidents in different sectors of society from actively resisting the government’s autocratic onslaught. In short, the regime has adopted an “intimidation by example” approach to try to quell dissent, selecting well-known individuals from the country’s major institutions as examples.

Oswaldo Álvarez Paz, former presidential candidate, ex-governor of Zulia state and a longtime member of the former National Congress, was jailed in March for almost two months, accused of conspiracy — a baseless charge later dismissed — and other specious crimes including spreading false information and creating social unrest. He had given a television interview concerning a Spanish judge’s indictment of several Spanish ETA terrorists living in Venezuela, and their alleged ties to the Venezuelan government and the FARC Colombian narco-terrorist group.

Released following a well-coordinated effort to gain the support of foreign governments and human rights organizations, Mr. Alvarez Paz cannot leave the country without judicial authorization. While awaiting a trial that could last for months, he was again attacked by Mr. Chavez, who said he should be jailed again because of his ‘’defiant attitude’’. In fact, his first words following his recent release were to call attention to the plight of political prisoners.

Guillermo Zuloaga, president of the only television channel not yet controlled or suppressed by the regime and a frequent critic of the government, was prevented in March by Immigration authorities from leaving the country on a short holiday to the nearby Caribbean island of Bonaire. He was arrested by the deputy head of army intelligence and accused of absurd crimes, including insulting the President, a charge that can legally be made only by the President himself.

Mr. Zuloaga told us ‘’the problem is they can keep the investigation open for six months or more, ultimately deciding: a) I am innocent or not guilty; b) there are enough facts to support the accusation and go to trial; or c) my case should be kept open – and I should remain in limbo. I did not build Globovision to fight Hugo Chavez, but he unfortunately declared as far back as 2001 that when media criticize the government, they are enemies of the state. They decided to harass me, forcefully entering and seizing the contents of my Caracas home not once but twice.” Two weeks ago, after Mr. Chavez complained on television that Mr. Zuloaga remained free despite having accused him of deaths committed in April 2002, a judge quickly ordered his detention for hoarding automobiles [although Mr. Zuloaga has several automobile agencies], which forced the accused to flee to the United States and seek justice from the Inter-American Human Rights Commission.

Diego Arria is a former UN Ambassador and chairman of the Security Council and ex-governor of Caracas. His rural estate was confiscated and burglarized by government hooligans, in retaliation for his criticizing regime policies. When he protested the seizure of his property, President Chavez ordered the National Assembly to open an investigation into his activities, publicly taunted Mr. Arria and effectively admitted the issue was a personal vendetta, saying, “If you want it back, you will have to knock me down”.

Mr. Arria brought his case to several international organizations and embarked on a tour to Brussels, Geneva, Madrid, Paris and The Hague to meet government leaders and senior officials of the International Labor Organization, the UN Human Rights Council and the Council of Europe’s Parliament.

Judge Maria de Lourdes Afiuni was sentenced to prison for paroling banker Eligio Cedeño, who had been jailed for nearly three years without a trial. Her decision infuriated President Chavez, who suggested on ‘’Aló Presidente’’ she should be sentenced to 30 years prison. Despite the IACHR issuing a protection order in favor of the judge,the highest Venezuelan court upheld the prison orders and dismissed defense allegations that her life was at risk at the prison facility where she is being held.

Ignoring the IACHR seems to be part of a “tradition,” according to Judge Afiuni’s attorney, adding, “the case is historic because this is the first time a judge is imprisoned for complying with a legal mandate.” Hugo Chavez rebuffed the IACHR’s decision saying, “the commission is an instrument of imperialism and our sacred sovereignty must be respected”.

Nine Caracas police officers have been condemned to exceptional prison sentences in a case stretching back eight years, when on April 11, 2002 one million Venezuelans marched peacefully to express their displeasure with the regime and to seek the President’s resignation. After the demonstration, three police commissioners and six officers were arrested and tried as scapegoats for the death of three of 19 victims. After years of delay, the Criminal Appeals Chamber of the Supreme Court abruptly ratified all sentences of up to 30 years in prison.

According to Jose Luis Tamayo, an attorney representing the policemen, it is “impossible” the court could have read, analyzed and weighed all the issues presented by the defense in 15 days, a presentation consisting of more than eight thousand pages. The decision automatically bars the convicted men from seeking election to the National Assembly in polls scheduled for September 26, which clearly is why the ruling was suddenly and precipitously announced.

Rocío San Miguel heads Control Ciudadano, a domestic NGO. An attorney, she follows military affairs closely and recently exposed the registration of several high-ranking military officers in the ruling United Socialist Party of Venezuela [PSUV], which is explicitly prohibited by the Constitution. The government’s response has been to denigrate her publicly, and remove from the National Electoral Council website the PSUV records she used to prove her allegations.

While the government’s intimidation by example plan continues; basic human decency is regularly violated throughout society. Two examples underscore the sad state of human rights in Venezuela.

According to the Observatorio Venezolano de Prisiones, an NGO dedicated to just treatment for prison inmates, some 38,000 prisoners are held in facilities designed to hold 12,500. Even worse, almost 68 percent are awaiting sentencing or simply to be told whether or not they are guilty. Inmates are crowded in cells several times their capacity, with some forced to sleep on stairs and in aisles. Feeling forgotten and as a last resort to gain government attention, 15,000 prisoners launched a hunger strike on May 17. Unable to further punish the already ill-treated prisoners, the authorities simply ignored the strike, but reacted violently against relatives protesting outside prisons across the country.

The hunger strike ended in late May, when officials made hollow promises to better prison conditions. The prisoner plight is one of the most serious violations of basic human rights in Venezuela. It is a flagrant injustice that mocks the country’s Constitution under the close guidance of Hugo Chavez and which he has consistently flouted in recent years. [Created in 1999, the so-called ‘’Bolivarian Constitution’’ is the 26th in 200 years, numbers 350 articles and follows the 1961 Constitution which served the then relatively peaceful Venezuela longer than any in its history.]

The Military Hospital in Caracas is the scene of one of the most tragic examples of the Chavez regime’s disregard for human dignity. Practically alone, farmer and biologist Franklin Brito launched a hunger strike last year to protest the government’s 2005 invasion and plundering of his property in Bolivar state, which was later expropriated without a just compensatory payment. Beginning his fast in mid-2009 in front of the Caracas office of the Organization of American States in protest at the seizure of his land, Mr. Brito suspended his hunger strike on December 4 when advised the expropriation had been annulled.

When authorities failed to return clear title to his property, Franklin Brito resumed his strike, only to be taken forcefully to the Military Hospital, where attempts were made to declare him insane. Since being hospitalized in December, Mr. Brito has defied efforts to force-feed him and fought to resume his hunger strike. The government finally allowed the Red Cross to visit him and he has since resumed drinking water. His condition remains grave.

These are a few cases representative of what thousands endure in today’s Venezuela. The manifold human rights violations are condoned by a government that cares about nothing more than maintaining itself in power. The human wrongs perpetrated by Hugo Chavez’s regime are the cruelest aspect of his despotic presidency.

The next article in this series will explore the many faceted Cuba-Venezuela relationship, including the Castro regime’s role in suppressing human rights.

* John R. Thomson is a longtime journalist and former diplomat in the Reagan administration who focuses on politics and geopolitics in emerging markets. A frequent visitor to Venezuela, he recently visited the country for two weeks. Norman Pino De Lion is a former career Foreign Service officer, who served as Venezuela’s ambassador to Saudi Arabia and the Netherlands. His commentaries appear in El Universal newspaper, as well as on Analitica.com website.

The Spanish version of this article is available here [2].

Source: HACER [3]

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Article printed from HACER Latin American News: http://www.hacer.org/latam

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