Alertado pelo blog de meu amigo iconoclasta -- um epíteto que eu também me atribuo com muita honra -- Orlando Tambosi, fui olhar alguns materiais acadêmicos relativos à difamação do (obviamente, contra o) agronegócio, e a constatação é realmente de estarrecer.
1) Primeiro a chamada no blog do Orlando Tambosi:
A demonização do agronegócio
O professor Luis Lopes Diniz Filho, da Universidade Federal do Paraná, desmonta as falsas informações divulgadas contra o agronegócio, um dos setores mais demonizados do país.
O agronegócio é o setor de atividade que vem sofrendo os piores e mais injustificados ataques por parte de amplos setores da imprensa e do sistema de ensino, sem falar nos ditos “movimentos sociais”. Já participei de duas mesas redondas sobre agricultura, em eventos dirigidos a pesquisadores e professores, e procurei refutar as visões distorcidas que vêm sendo divulgadas sobre o assunto. Os dados estatísticos e a bibliografia que utilizei para elaborar tais refutações podem ser consultados no artigo Agricultura e Mercado no Brasil. Neste texto, vou destacar apenas algumas teses da geografia escolar brasileira sobre agricultura e as evidências que demonstram os equívocos que vêm sendo transmitidos a crianças e adolescentes nas últimas três décadas.(Continua).
2) Agora a íntegra do curto artigo, referido acima, do professor Luis Lopes Diniz Filho:
Difamação contra o agronegócio vai continuar
Luis Lopes Diniz Filho
Blog Escola sem Partido, 17.08.2010
O agronegócio é o setor de atividade que vem sofrendo os piores e mais injustificados ataques por parte de amplos setores da imprensa e do sistema de ensino, sem falar nos ditos “movimentos sociais”. Já participei de duas mesas redondas sobre agricultura, em eventos dirigidos a pesquisadores e professores, e procurei refutar as visões distorcidas que vêm sendo divulgadas sobre o assunto. Os dados estatísticos e a bibliografia que utilizei para elaborar tais refutações podem ser consultados no artigo Agricultura e Mercado no Brasil. Neste texto, vou destacar apenas algumas teses da geografia escolar brasileira sobre agricultura e as evidências que demonstram os equívocos que vêm sendo transmitidos a crianças e adolescentes nas últimas três décadas.
A primeira distorção é a tese de que a produtividade agrícola só aumenta nos setores de exportação, conforme dizem o MST e muitos livros didáticos, como os de José William Vesentini. Ora, os dados do IBGE mostram que, sobretudo dos anos 80 em diante, culturas como as de tomate, cebola, batata, arroz e feijão alcançaram ganhos expressivos de rendimento físico, geralmente maiores do que aqueles verificados nas culturas de soja, laranja e cana.
Outra distorção é essa ideia de que a agropecuária brasileira se divide ainda num segmento de exportação e noutro de mercado interno. Essa tese é falsa simplesmente porque a maior parte da produção de soja, óleos vegetais em bruto e carne bovina do Brasil é consumida no mercado interno mesmo. Além disso, a expansão da indústria de alimentos vem alterando o padrão de consumo alimentar da população brasileira, de sorte que a alimentação dos mais pobres já não é mais tão dependente do arroz, feijão e mandioca como era há algumas décadas atrás.
Daí ser completamente absurda a visão de que o Brasil estaria vivendo o paradoxo da fome em meio à abundância de produtos agrícolas. A Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 - POF, do IBGE, comprova que a exposição das pessoas à desnutrição declinou de forma rápida nas últimas décadas, até quase desaparecer. No período dessa pesquisa, a desnutrição atingia apenas um pequeno percentual da população feminina das áreas rurais do Nordeste e das mulheres do estrato mais pobre da população brasileira, formado pelas famílias com rendimento mensal per capita de até um quarto de salário mínimo. De outro lado, essa mesma fonte mostra que 24% dos homens e mais de 40% das mulheres desse estrato estavam então com excesso de peso ou obesidade!
Mas é claro que, diante disso, algum leitor poderia perguntar se tais informações não são contestadas pelos indicadores de segurança alimentar, segundo os quais há no Brasil cerca de 14 milhões de pessoas que passam fome. A verdade, porém, é que os dados de segurança alimentar não desmentem os resultados da POF. Ao contrário, são as informações desta última que revelam a fragilidade e incoerência da pesquisa sobre segurança alimentar, conforme explico em detalhes no artigo já mencionado.
Mas o interessante é que, embora a reação da maioria dos ouvintes às minhas palestras tenha sido negativa, a ninguém ocorreu contestar os resultados da POF com a citação de dados sobre segurança alimentar. Ao invés disso, os pesquisadores e professores que me contestaram fizeram uso de argumentos puramente retóricos ou saídos do senso comum, como esses abaixo:
“A questão agrária é mais complexa”. Ela “envolve uma multiplicidade de fatores”. Ora, mencionar outros fatores, por si só, não invalida em nada o diagnóstico de que a desnutrição está no fim. O que se tem aí é apenas uma retórica que procura descartar uma avaliação baseada em dados sem discutir sua consistência lógica e empírica.
“Não é isso o que a gente vê na rua”. “Você já visitou a periferia de Curitiba ou o Nordeste? Já viu a soja partindo do Porto de Paranaguá?”. Esse argumento supõe que o IBGE deveria ser fechado, pois mobiliza milhares de pesquisadores e gasta milhões de Reais para fazer pesquisas cujos resultados podem ser derrubados por uma única pessoa em visita a certos lugares. Esse tipo de argumento demonstra que alguns professores não entendem que a função das estatísticas é permitir fazer generalizações com base em um número relevante de observações.
O simplismo dos argumentos demonstra que o agronegócio continuará sendo difamado diariamente por professores e autores de livros didáticos que falam sobre agricultura e fome sem nunca terem consultado a POF e as informações do IBGE sobre produtividade agrícola. A visão torta dos professores deriva da má qualidade dos livros didáticos e também da falta de leituras outras que não a desse tipo de livro. Mas a causa principal está mesmo é no alinhamento incondicional dos professores e pesquisadores aos movimentos de “luta pela terra”. É por se apegarem aos dogmas ideológicos de organizações como o MST que os professores persistem no engano mesmo quando confrontados com indicadores que nunca tinham se dado ao trabalho de consultar. Como diz o ditado: “o pior cego é aquele que não quer ver”.
3) Finalmente o principal, mas parcialmente:
Transcrevo apenas os parágrafos iniciais e finais de um trabalho de 30 páginas, que pode ser lido aqui.
Agricultura e mercado no Brasil: revendo as visões da geografia sobre os condicionantes da produção agrícola no capitalismo
Versão de 10 março de 2010.
Luis Lopes Diniz Filho
Departamento de Geografia da UFPR
“Nossos homens de ciências e de letras [...] têm de criticar, mostrar problemas, participar da vida nacional. Mas o que deve falar é sua consciência, e não a vontade de ganhar palmas. Esperamos deles a coragem dos comunistas que denunciaram o stalinismo ou dos direitistas que denunciaram o macarthismo. O primeiro dever é o da impopularidade”. CLAUDIO DE MOURA CASTRO. O dever da impopularidade. Veja, 07 nov. 2001.
Introdução
Este artigo se divide em três partes. A primeira expõe o conteúdo que serviu de base para minha fala no XIX Encontro Nacional de Geografia Agrária – Enga, e resulta de pesquisas que venho realizando sobre os pressupostos da geografia crítica e as consequências de sua hegemonia entre os geógrafos brasileiros. A segunda parte discute as polêmicas que se seguiram à apresentação, as quais demonstram que a geocrítica continua realmente a pautar a visão que a maioria dos geógrafos tem da agricultura. Daí a urgente necessidade de chamar atenção para os equívocos e anacronismos contidos nessa visão que se formou há cerca de trinta anos. A última seção retoma as conclusões das anteriores para tecer alguns questionamentos sobre as relações entre ciência e ideologia nos estudos sobre o tema da reforma agrária ou rural.
Os equívocos da dicotomia agronegócio versus campesinato
Os geógrafos críticos, por sua opção incondicional pela utopia e recusa a ver qualquer positividade no capitalismo, são incapazes de apresentar propostas de políticas públicas que sejam a um só tempo radicais e consistentes, sendo que o IX Colóquio Internacional de Geocrítica é a melhor demonstração disso. Embora Horacio Capel (2007) tenha afirmado, no discurso de abertura do evento, que não seriam aceitas comunicações que não contivessem explicitamente uma proposta para resolver o problema que estivesse sendo analisado, verifica-se que há trabalhos nos quais a proposta é radical mas imprecisa e outros que propõem soluções com algum detalhamento, mas que não conseguem ser alternativas ao capitalismo.
O artigo Soberania alimentar como alternativa ao agronegócio no Brasil, de Christiane S. S. Campos e Rosana S. Campos (2007), prima pela primeira característica, pois, das quatorze páginas que o constituem, são dedicadas cerca de duas páginas e meia para explicar a alternativa anunciada no título, enquanto todo o resto da exposição é dedicado a lançar acusações contra a agricultura patronal . Além de realçar a crise das teorias críticas e radicais no domínio prático, esse artigo é bastante útil para demonstrar os equívocos em que a geografia agrária brasileira vem incorrendo por haver incorporado tais pressupostos, já que os ataques feitos pelas autoras ao agronegócio estão sendo reproduzidos há décadas em livros didáticos e trabalhos científicos de geografia. Vejamos esta afirmação inicial:
“Sob a forma de agronegócio as atividades agropecuárias vêm sendo cada vez mais controladas por conglomerados econômicos que atuam em escala mundial determinando o que, quanto, como e onde devem ser produzidos e comercializados os produtos de origem vegetal e animal” (Campos; Campos, 2007).
Independentemente de essa afirmativa estar correta ou não, cumpre lembrar que o processo de concentração e centralização de capital em determinado setor só pode ser visto como algo negativo de per si caso se considere que os interesses das grandes empresas são antagônicos aos da maioria da população. No entanto, se for levado em conta que a natureza simultaneamente competitiva e cooperativa da economia de mercado impõe a satisfação das necessidades dos consumidores como condição necessária para a obtenção de lucros, tal raciocínio perde o sentido. É no intuito de vender produtos alimentícios com uma relação custo/benefício que os consumidores avaliem como superior à oferecida pelos concorrentes que os conglomerados do setor agroalimentar tomam decisões sobre o tipo e características dos alimentos a serem produzidos, bem como sobre a localização da produção.
(...)
Considerações finais
Conforme esclareci durante os debates realizados no XIX Enga, não ignoro a multidimensionalidade do rural e também não tenho nenhuma objeção a que se defenda a necessidade de políticas de reforma agrária com base em argumentos de ordem ambiental, social e cultural. Mas é preciso deixar claro que, dentre os argumentos que costumam ser usados para defender esse tipo de política, há alguns que já perderam sua validade há décadas. Um deles é justamente a tese de que o Brasil precisa de uma “reforma agrária ampla e massiva” para resolver o problema da fome. Não! Esse é um problema residual e controlável com programas emergenciais de distribuição de alimentos em certas localidades (como algumas aldeias indígenas) ou políticas focalizadas de renda mínima – algo muito diferente do conteúdo populista e assistencialista que o atual governo deu aos programas de transferência de renda instituídos pelo governo anterior. À medida que a renda per capita e a produtividade agropecuária crescerem, como ocorreu nas últimas décadas, mesmo o pequeno percentual de pessoas que podem estar emagrecidas por alimentação insuficiente irão melhorar seu padrão de consumo alimentar, independentemente de receberem bolsas do governo ou não. Essa é a realidade que explica porque o Partido dos Trabalhadores abandonou o objetivo de fazer uma reforma agrária maciça e limitou-se a dar continuidade à política fundiária do governo anterior, à qual havia se oposto tão fortemente .
Portanto, se há bons argumentos ambientais, sociais e culturais para defender a reforma agrária, então os pesquisadores e professores devem usar esses argumentos para defendê-la, ao invés de recorrerem a qualquer ideia que possa servir a essa causa, sem preocupações com lógica e com verificação empírica. Afinal, já existem os políticos e os militantes de partidos, ONGs e “movimentos sociais” para defenderem causas (e interesses) com o uso da retórica política. Os acadêmicos só prestam uma contribuição original aos debates públicos quando se recusam a fazer retórica para defender causas e se concentram no esforço de produzir conhecimentos tão objetivos quanto possível. Um dos grandes males trazidos pela geocrítica está exatamente na dissolução das fronteiras entre discurso científico e retórica política, a qual é fruto de uma interpretação equivocada das pertinentes críticas que já foram feitas à noção de objetividade científica (em particular, nas ciências humanas e sociais) e ao princípio positivista da neutralidade do método. O uso de métodos tidos como adequados não dá garantias absolutas de que os enunciados científicos são de fato objetivos e neutros em relação a valores e interesses, mas a objetividade e a neutralidade têm de continuar existindo como compromissos que o cientista assume quando elabora e aplica seus métodos de pesquisa.
É por se preocuparem mais em servir à causa da reforma agrária do que em manter um compromisso com a busca de objetividade que muitos trabalhos de pesquisa e livros didáticos se equivocam ao aplicar um diagnóstico que fazia certo sentido nos anos 1970 para explicar a agricultura das décadas seguintes. E se os pesquisadores e professores continuarem a pensar o tema da reforma agrária com base na dicotomia agronegócio versus campesinato, correrão o risco de cometer equívocos tão grandes ao refletir sobre os benefícios ambientais, sociais e culturais dessa reforma quanto aqueles em que incorreram ao supor que o agronegócio não tem interesse em atender às necessidades dos consumidores por se preocupar apenas com lucros.
Fim do texto do professor Luis Lopes Diniz Filho (seguido de apêndices estatísticos e bibliografia)
Leia a íntegra neste link.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Sem filigranas diplomaticas - continuidade de um caso confuso (Brasil-Iran)
Cada vez que o assunto é abordado, nos meios oficiais ou pela imprensa, tem-se a impressão que se trata de um diálogo de surdos, ou melhor, de pessoas que não querem ouvir.
De vez em quando alguém que não sabe falar também mete a sua colher no assunto.
E assim vai se aprofundando a confusão, até o desenlace fatal...
Paulo R. de Almeida
Ministro de Lula chama líder do Irã de ditador e diz que Brasil segue negociando asilo a Sakineh
De São Paulo
Folha.com, 16.08.2010

O governo brasileiro continua "pressionando diplomaticamente" o "ditador" do Irã para que enviar ao Brasil a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43, condenada por adultério e sentenciada à morte por apedrejamento, afirmou o ministro brasileiro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, nesta segunda-feira em São Bernardo do Campo (SP).
"O governo Lula está pressionando diplomaticamente o governo iraniano para que permita que ela venha para o Brasil. E se esse ditador [o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad] tiver um mínimo de bom senso, deveria permitir que ela venha morar no Brasil e seja salva", disse Vannuchi.
Para Vannuchi, o Brasil é o único país que pode negociar com o Irã, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com o governo turco, ter mediado as negociações entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica pelo programa nuclear iraniano.
Brasil e Irã trocaram várias mensagens nas últimas semanas pelo caso de Sakineh Mohamadi Ashtiani, 43 anos, mãe de dois filhos, condenada à morte por apedrejamento no Irã por adultério e também acusada de homicídio.
A sentença de apedrejamento contra Sakineh levou à condenação internacional e a grande pressão contra Teerã. O país adiou a execução da condenação, mas acrescentou ao processo uma acusação de participação no assassinato de seu marido, em 2005. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém um diálogo aberto com o Irã, ofereceu asilo a Sakineh no Brasil.
OFERTA DE ASILO
No dia 31 de julho, o presidente Lula disse que iria usar sua "amizade" com Ahmadinejad para propor que a iraniana tivesse asilo do Brasil. Três dias depois, Ramin Mehmanparast, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, disse que Lula fizera a oferta, provavelmente, com base em informações erradas.
No último dia 9, o embaixador brasileiro no Irã, Antônio Salgado, se reuniu com o governo local para apresentar aos canais oficiais, formalmente, a oferta de asilo à iraniana. A visita é um recurso conhecido diplomaticamente como gestão, quando o ministro das Relações Exteriores ou mesmo o presidente de um país manda o embaixador procurar a chancelaria da capital onde atua para estabelecer relações formais.
Dias depois, diplomatas disseram que não faz sentido Teerã aceitar a oferta brasileira, já que Sakineh é uma iraniana criminosa condenada.
ABRIGO A CRIMINOSOS
O governo do Irã questionou nesta segunda-feira as "consequências" da oferta brasileira de asilar uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, e perguntou se o "Brasil precisará ter um local para criminosos de outros países", em uma nota emitida por sua embaixada em Brasília.
"Em relação à presença ou ao exílio [da condenada] Sakineh Mohamadi no Brasil, é necessário considerar alguns pontos e questões significativas. Quais são as consequências desse tipo de tratamento aos criminosos e assassinos?", questiona o governo do Irã em seu comunicado.
"Esse ato não promoverá e não incitará criminosos a praticar crimes?", completou.
"Será que a sociedade brasileira e o Brasil precisarão ter, no futuro, um lugar para os criminosos de outros países em seu território?", questionou.
Segundo a nota divulgada nesta segunda-feira, o Irã "considera as declarações e o chamado" de Lula "um pedido de um país amigo", que atribuiu a "sentimentos puramente humanitários" do presidente brasileiro.
OFERTA RECUSADA
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que não vai enviar Sakineh ao Brasil. "Eu acho que não há necessidade de criar problema para o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] e levá-la ao Brasil", disse Ahmadinejad.
Em entrevista divulgada na televisão iraniana de língua inglesa Press TV, Ahmadinejad disse acreditar que não há necessidade de enviar Sakineh ao Brasil e afirmou esperar que o assunto "seja resolvido". Ele não deu mais detalhes.
"Há um juiz no fim do dia e os juízes são independentes. Mas eu falei com o chefe do judiciário e o judiciário também não concorda com a proposta do Brasil", disse Ahmadinejad.
De vez em quando alguém que não sabe falar também mete a sua colher no assunto.
E assim vai se aprofundando a confusão, até o desenlace fatal...
Paulo R. de Almeida
Ministro de Lula chama líder do Irã de ditador e diz que Brasil segue negociando asilo a Sakineh
De São Paulo
Folha.com, 16.08.2010

O governo brasileiro continua "pressionando diplomaticamente" o "ditador" do Irã para que enviar ao Brasil a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43, condenada por adultério e sentenciada à morte por apedrejamento, afirmou o ministro brasileiro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, nesta segunda-feira em São Bernardo do Campo (SP).
"O governo Lula está pressionando diplomaticamente o governo iraniano para que permita que ela venha para o Brasil. E se esse ditador [o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad] tiver um mínimo de bom senso, deveria permitir que ela venha morar no Brasil e seja salva", disse Vannuchi.
Para Vannuchi, o Brasil é o único país que pode negociar com o Irã, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com o governo turco, ter mediado as negociações entre o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica pelo programa nuclear iraniano.
Brasil e Irã trocaram várias mensagens nas últimas semanas pelo caso de Sakineh Mohamadi Ashtiani, 43 anos, mãe de dois filhos, condenada à morte por apedrejamento no Irã por adultério e também acusada de homicídio.
A sentença de apedrejamento contra Sakineh levou à condenação internacional e a grande pressão contra Teerã. O país adiou a execução da condenação, mas acrescentou ao processo uma acusação de participação no assassinato de seu marido, em 2005. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém um diálogo aberto com o Irã, ofereceu asilo a Sakineh no Brasil.
OFERTA DE ASILO
No dia 31 de julho, o presidente Lula disse que iria usar sua "amizade" com Ahmadinejad para propor que a iraniana tivesse asilo do Brasil. Três dias depois, Ramin Mehmanparast, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, disse que Lula fizera a oferta, provavelmente, com base em informações erradas.
No último dia 9, o embaixador brasileiro no Irã, Antônio Salgado, se reuniu com o governo local para apresentar aos canais oficiais, formalmente, a oferta de asilo à iraniana. A visita é um recurso conhecido diplomaticamente como gestão, quando o ministro das Relações Exteriores ou mesmo o presidente de um país manda o embaixador procurar a chancelaria da capital onde atua para estabelecer relações formais.
Dias depois, diplomatas disseram que não faz sentido Teerã aceitar a oferta brasileira, já que Sakineh é uma iraniana criminosa condenada.
ABRIGO A CRIMINOSOS
O governo do Irã questionou nesta segunda-feira as "consequências" da oferta brasileira de asilar uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, e perguntou se o "Brasil precisará ter um local para criminosos de outros países", em uma nota emitida por sua embaixada em Brasília.
"Em relação à presença ou ao exílio [da condenada] Sakineh Mohamadi no Brasil, é necessário considerar alguns pontos e questões significativas. Quais são as consequências desse tipo de tratamento aos criminosos e assassinos?", questiona o governo do Irã em seu comunicado.
"Esse ato não promoverá e não incitará criminosos a praticar crimes?", completou.
"Será que a sociedade brasileira e o Brasil precisarão ter, no futuro, um lugar para os criminosos de outros países em seu território?", questionou.
Segundo a nota divulgada nesta segunda-feira, o Irã "considera as declarações e o chamado" de Lula "um pedido de um país amigo", que atribuiu a "sentimentos puramente humanitários" do presidente brasileiro.
OFERTA RECUSADA
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que não vai enviar Sakineh ao Brasil. "Eu acho que não há necessidade de criar problema para o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] e levá-la ao Brasil", disse Ahmadinejad.
Em entrevista divulgada na televisão iraniana de língua inglesa Press TV, Ahmadinejad disse acreditar que não há necessidade de enviar Sakineh ao Brasil e afirmou esperar que o assunto "seja resolvido". Ele não deu mais detalhes.
"Há um juiz no fim do dia e os juízes são independentes. Mas eu falei com o chefe do judiciário e o judiciário também não concorda com a proposta do Brasil", disse Ahmadinejad.
Pequeno retrato da imoralidade reinante (com o seu dinheiro, caro leitor...)
...e com o meu também.
Não pretendo comentar extensamente o que considero ser uma indústria de indenizações e uma fábrica de imoralidades.
Basta transcrever o que segue.
Paulo R. Almeida
Presidente da comissão de anistia critica TCU por revisar indenizações
Eduardo Bresciani, do G1
São Paulo, 16.08.2010
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, criticou nesta segunda-feira (16) o Tribunal de Contas da União (TCU) por ter decidido revisar as indenizações pagas a anistiados políticos. A decisão do TCU foi tomada na semana passada, após uma reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, e atinge R$ 4 bilhões pagos ou aprovados em pouco mais de sete anos.
Para Abraão, todas as indenizações concedidas pela comissão estão dentro dos critérios determinados na constituição e na lei que regulou o pagamento. Na visão, ao defender a revisão o TCU não está levando em conta os aspectos históricos e políticos do pagamento de indenização.
“Se o Tribunal de Contas discorda dos critérios da constituição e das leis pode pedir ao Congresso que faça alterações. (…) O que não pode é um órgão de contas transformar um processo histórico e político em um processo contábil”, afirmou Abraão.
Ele destacou que qualquer cidadão pode questionar junto ao órgão as indenizações concedidas e que já houve casos de revisão. O presidente da Comissão de Anistia afirmou que seria um “retrocesso” a redução de direitos dos perseguidos pela ditadura militar. “Seria um grande retrocesso se nós voltássemos atrás numa jornada que temos empreendido nestes anos e passássemos a reduzir os direitos das vítimas”.
A presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos, Alexandrina Kristensen, destacou que só recebem o benefício as pessoas que comprovam terem sido perseguidas pelo regime militar.
“Essa indenização por anistia só é conseguida quando a pessoa comprova a perseguicao da ditadura. O regime militar massacrou as pessoas. Tirou os direitos de trabalho, torturou barbaramente, matou inclusive. (…) Tem que ficar claro a quem interessa acabar com a anistia no Brasil. As pessoas já foram perseguidas pela ditadura e agora estão sendo porque recebem indenização”, afirmou.
Abraão e Alexandrina participaram de um seminário na Câmara dos Deputados que discute anistia e direitos humanos na América Latina.
Comento [Reinaldo Azevedo]:
Presidente da Comissão de Anistia deve achar que “processos históricos” anulam a matemática…
Paulo Abraão está fazendo de conta que a comissão não está INTERPRETANDO as leis. Tanto está que ele próprio admite: já se fizeram revisões. Se elas fossem, assim, tão estritas e auto-aplicáveis, rever o quê? Um processo, por ser “histórico” e “político”, deixa de ser contábil? Acho que não. O que a fala do valente omite é o seguinte:
1 - eles decidem o “processo histórico” e “político;
2 - os brasileiros arcam com o “processo contábil”.
A concessão escandalosa de prebendas sob o pretexto de reparação está dada pelos fatos, não é uma questão de juízo de valor. Uma das coisas mais curiosas nessa história é a progressão imaginada para a carreira do “punido”: todos eles virariam “chefes”, chegariam ao topo da carreira se não tivessem sido “perseguidos”… É mesmo, é? Penso no caso de Carlos Heitor Cony, por exemplo. Ele certamente não teria chegado a ser, sei lá, o diretor de Redação do Correio da Manhã porque o jornal… fechou! E Ziraldo? E Jaguar?
O caso do “Pasquim” renderia uma tese acadêmica. A censura fazia bem ao jornal, não mal. É um fato. E isso não quer dizer que a ditadura tivesse um lado bom. Quer dizer apenas que o Pasquim não soube fazer humor na democracia. Foi “perseguido” pela falta de leitores, que não lhe faltaram enquanto combatia o regime. O período todo fez bem a Ziraldo, por exemplo. Na redemocratização, a fama de resistente e sábio lhe render o cargo de presidente da Funarte, no governo Sarney, quando pôde expor plenamente a sua visão para uma política pública na área da cultura: incentivo a bandinhas de música, valorização da cachaça como patrimônio cultural e pesquisas sobre a metafísica da broa de milho. E isso não é brincadeira. Mistificação rende indenização; mico não rende multa…
A lei que garante a reparação, com efeito, é cheia de licenciosidades? É, sim! Mas é evidente que se dá ao texto a interpretação mais larga e generosa possível, já que a Comissão fica com a generosidade do “processo histórico e político”, e os contribuintes, com o ônus do “processo contábil”. O TCU tem de zelar pelo uso responsável do dinheiro público. Se indenizar alguns notórios partidários de tiranias é, em si, um escândalo, que não se exagere ao menos. Não se recupera a moral essencial do “processo”, mas, ao menos, se aplica uma política de redução de danos aos cofres públicos.
-------------
Ainda sobre a Lei da Anistia e as generosíssimas concessões de prebendas, fico cá a pensar: já são milhares os indenizados. O espeto nos cofres públicos passa de R$ 4 bilhões. Os “anistiados” têm advogados, não? Tenho certa curiosidade de saber quantos são. E também quem são.
- Trabalham de graça, já que a causa é tão nobre?;
- cobram uma taxa de sucesso? De quanto?;
- quanto a concessão de indenizações já teria rendido a escritórios especializados?;
- a Comissão de Anistia não pode ter-se transformado num cartório de “especialistas” em anistia, tudo pago com o dinheiro dos bobalhões que não pegaram na metranca para “fazer revolução”?
[RA]
Não pretendo comentar extensamente o que considero ser uma indústria de indenizações e uma fábrica de imoralidades.
Basta transcrever o que segue.
Paulo R. Almeida
Presidente da comissão de anistia critica TCU por revisar indenizações
Eduardo Bresciani, do G1
São Paulo, 16.08.2010
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, criticou nesta segunda-feira (16) o Tribunal de Contas da União (TCU) por ter decidido revisar as indenizações pagas a anistiados políticos. A decisão do TCU foi tomada na semana passada, após uma reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo”, e atinge R$ 4 bilhões pagos ou aprovados em pouco mais de sete anos.
Para Abraão, todas as indenizações concedidas pela comissão estão dentro dos critérios determinados na constituição e na lei que regulou o pagamento. Na visão, ao defender a revisão o TCU não está levando em conta os aspectos históricos e políticos do pagamento de indenização.
“Se o Tribunal de Contas discorda dos critérios da constituição e das leis pode pedir ao Congresso que faça alterações. (…) O que não pode é um órgão de contas transformar um processo histórico e político em um processo contábil”, afirmou Abraão.
Ele destacou que qualquer cidadão pode questionar junto ao órgão as indenizações concedidas e que já houve casos de revisão. O presidente da Comissão de Anistia afirmou que seria um “retrocesso” a redução de direitos dos perseguidos pela ditadura militar. “Seria um grande retrocesso se nós voltássemos atrás numa jornada que temos empreendido nestes anos e passássemos a reduzir os direitos das vítimas”.
A presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos, Alexandrina Kristensen, destacou que só recebem o benefício as pessoas que comprovam terem sido perseguidas pelo regime militar.
“Essa indenização por anistia só é conseguida quando a pessoa comprova a perseguicao da ditadura. O regime militar massacrou as pessoas. Tirou os direitos de trabalho, torturou barbaramente, matou inclusive. (…) Tem que ficar claro a quem interessa acabar com a anistia no Brasil. As pessoas já foram perseguidas pela ditadura e agora estão sendo porque recebem indenização”, afirmou.
Abraão e Alexandrina participaram de um seminário na Câmara dos Deputados que discute anistia e direitos humanos na América Latina.
Comento [Reinaldo Azevedo]:
Presidente da Comissão de Anistia deve achar que “processos históricos” anulam a matemática…
Paulo Abraão está fazendo de conta que a comissão não está INTERPRETANDO as leis. Tanto está que ele próprio admite: já se fizeram revisões. Se elas fossem, assim, tão estritas e auto-aplicáveis, rever o quê? Um processo, por ser “histórico” e “político”, deixa de ser contábil? Acho que não. O que a fala do valente omite é o seguinte:
1 - eles decidem o “processo histórico” e “político;
2 - os brasileiros arcam com o “processo contábil”.
A concessão escandalosa de prebendas sob o pretexto de reparação está dada pelos fatos, não é uma questão de juízo de valor. Uma das coisas mais curiosas nessa história é a progressão imaginada para a carreira do “punido”: todos eles virariam “chefes”, chegariam ao topo da carreira se não tivessem sido “perseguidos”… É mesmo, é? Penso no caso de Carlos Heitor Cony, por exemplo. Ele certamente não teria chegado a ser, sei lá, o diretor de Redação do Correio da Manhã porque o jornal… fechou! E Ziraldo? E Jaguar?
O caso do “Pasquim” renderia uma tese acadêmica. A censura fazia bem ao jornal, não mal. É um fato. E isso não quer dizer que a ditadura tivesse um lado bom. Quer dizer apenas que o Pasquim não soube fazer humor na democracia. Foi “perseguido” pela falta de leitores, que não lhe faltaram enquanto combatia o regime. O período todo fez bem a Ziraldo, por exemplo. Na redemocratização, a fama de resistente e sábio lhe render o cargo de presidente da Funarte, no governo Sarney, quando pôde expor plenamente a sua visão para uma política pública na área da cultura: incentivo a bandinhas de música, valorização da cachaça como patrimônio cultural e pesquisas sobre a metafísica da broa de milho. E isso não é brincadeira. Mistificação rende indenização; mico não rende multa…
A lei que garante a reparação, com efeito, é cheia de licenciosidades? É, sim! Mas é evidente que se dá ao texto a interpretação mais larga e generosa possível, já que a Comissão fica com a generosidade do “processo histórico e político”, e os contribuintes, com o ônus do “processo contábil”. O TCU tem de zelar pelo uso responsável do dinheiro público. Se indenizar alguns notórios partidários de tiranias é, em si, um escândalo, que não se exagere ao menos. Não se recupera a moral essencial do “processo”, mas, ao menos, se aplica uma política de redução de danos aos cofres públicos.
-------------
Ainda sobre a Lei da Anistia e as generosíssimas concessões de prebendas, fico cá a pensar: já são milhares os indenizados. O espeto nos cofres públicos passa de R$ 4 bilhões. Os “anistiados” têm advogados, não? Tenho certa curiosidade de saber quantos são. E também quem são.
- Trabalham de graça, já que a causa é tão nobre?;
- cobram uma taxa de sucesso? De quanto?;
- quanto a concessão de indenizações já teria rendido a escritórios especializados?;
- a Comissão de Anistia não pode ter-se transformado num cartório de “especialistas” em anistia, tudo pago com o dinheiro dos bobalhões que não pegaram na metranca para “fazer revolução”?
[RA]
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Mexico: um Estado (quase) falido? - o problema das drogas
O Brasil tem sorte de não estar perto dos EUA, não pelas razões habitualmente invocadas, como aquela bobagem do império e sua dominação sobre o coitado do México. Mas porque os EUA são um mercado muito atrativo para as drogas e um grande fornecedor de armas pesadas para as gangues de traficantes mexicanos, que adotam táticas criminosas próximas das situações de guerra na Somália, no Iraque ou no Afeganistão.
Temos sorte, mas talvez não por muito tempo.
Melhor aprender com a experiência do pobre México, uma situação terrivel...
Paulo Roberto de Almeida
The U.S. is turning away from Mexico's failing drug war
Editorial The Washington Post
August 14, 2010
Give Mexican President Felipe Calderon credit for honesty as well as courage. Last week he presided over a three-day public conference to assess the results of nearly four years of war against Mexico's drug cartels. Most of the facts were grim:
-- According to the chief of the national intelligence service, 28,000 people have died violently since Mr. Calderon deployed the Mexican army against the drug gangs in December 2006. That number represents an increase of 3,000 over the death toll the government reported earlier this summer.
-- There have been 963 incidents involving federal forces and the gangs since the offensive began -- or just about one per day.
-- Mexican authorities have seized more than 84,000 weapons, including thousands of high-powered assault rifles, grenades and other military-caliber equipment. More than 80 percent of the guns whose provenance could be traced came from the United States.
-- The ferocity of the violence continues to escalate as drug gangs import the tactics of al-Qaeda and the Taliban. To kidnappings, beheadings and massacres of innocent civilians and even children can now be added car bombs -- two of which have been detonated in northern cities in the past few weeks.
Mr. Calderon bluntly spelled out the threat the cartels represent to Mexico. "The behavior of the criminals has changed and become a defiance to the state, an attempt to replace the state," he said. Drug lords are collecting their own taxes from businesses in some areas. According to the secretary of public security, they are spending $1.2 billion a year to buy the allegiance of 165,000 police officers.
Preventing the sort of cartel takeover that Mr. Calderon warned of is a vital interest of the United States -- which is why the Obama administration and Congress could benefit from their own truth-telling session about Mexico. Congress has appropriated $1.3 billion since 2008 to help Mexico fight drug trafficking, but because of poor implementation and bureaucratic delays, only a fraction of the money has been spent. Mexican forces are still waiting for badly needed U.S. helicopters, surveillance planes and drones as well as training programs in areas such as money laundering.
Worse, the Obama administration has shrunk from the duty of cracking down on the illegal trafficking of guns to Mexico, including improper sales by many of the 7,000 gun shops along the border. During his last visit to the United States, in May, Mr. Calderon pleaded with the White House and Congress to reinstate the ban on sales of assault weapons. As so often when it comes to the needs of this important neighbor, there has been no response.
=============
This Week at War: Is Mexico's Drug War Doomed?
Learning to live with drug cartels
BY ROBERT HADDICK
Foreign Policy, August 13, 2010
What happens if Mexico settles with the cartels?
The U.S. Department of Defense defines irregular warfare as "a violent struggle among state and non-state actors for legitimacy and influence over the relevant populations." By this definition, Mexico is fighting an irregular war. The Mexican government's campaign against the drug cartels is far more than a law enforcement problem; the two sides are engaged in a violent struggle for influence over the Mexican population.
Four years after Mexican President Felipe Calderón threw 80,000 soldiers at the cartels, their businesses remain as strong as ever. According to the Los Angeles Times, the overall drug trade continues to flourish, bringing in by one estimate $39 billion a year to the Mexican economy, equal to 4.5 percent of Mexico's economic output in 2009. The cartels, formerly just smuggling businesses operating largely out of sight, have evolved into political insurgents, and Calderón has openly wondered whether the Mexican state will survive. Neither side has the capacity to crush the other. This implies an eventual compromise settlement and with it a de facto or actual legalization of the drug trade in Mexico. When Calderón and the cartels make such a deal, the United States will have to deal with the consequences.
Calderón's war has managed to inflict pain on the cartels; government forces killed two top cartel leaders and have set the syndicate into a violent struggle with each other for smuggling routes. According to the Los Angeles Times story, the Mexican government estimates 28,000 people have been killed in the war, the vast majority of whom were cartel employees and associates who died in battles between the various gangs. Responding to the pressure, the cartels have transformed themselves into political insurgencies in an attempt to persuade the government to back off and to attract the support of local populations. Their actions are right out of an insurgency's standard playbook: attacks on the police (recently with car bombs), employees of state oil company Pemex -- the cornerstone of the government's revenue -- and the media.
In a speech to the nation last week, Calderón declared that the cartels' actions are "an attempt to replace the state." He pleaded with his countrymen to support the government and to report on local officials whom the drug gangs have co-opted. Calderón's plea comes as Mexico's main sources of foreign exchange are under pressure: The drug wars are chasing away tourism, competition from Asia threatens the manufacturing export sector in the north, the Pemex oil monopoly is in decline, and the struggling U.S. economy has hit expatriate receipts back to Mexico.
With Mexico's legitimate sources of foreign exchange wilting and with the government facing a bloody and open-ended war against the cartels, the prospect of a settlement must be increasingly attractive to Calderón. Legalization would legitimize the drug trade as another important export sector of the Mexican economy, along with oil, tourism, light manufacturing, and expatriate labor receipts. According to the New York Times, Calderon has opened up a dialogue with opposition political leaders in a search for possible alternatives, and has called for a national discussion on the possibility of drug legalization. Calderón's two predecessors, Vicente Fox and Ernesto Zedillo, now support some form of drug legalization.
Should Mexico call a truce and legalize its drug business, where would this leave the United States, the prime market for Mexico's drug exports? Many Americans would view Mexican legalization harshly and call for suspending Merida initiative aid and perhaps closing the border. But even if this were physically possible, vast legitimate commercial trade and the presence of so many family relationships on both sides of the border, the consequence of past migrations, would make a closure politically impossible. Should Calderón or his successors eventually choose this means of escape, the United States will simply have to cope with the consequences.
Robert Haddick is managing editor of Small Wars Journal.
Temos sorte, mas talvez não por muito tempo.
Melhor aprender com a experiência do pobre México, uma situação terrivel...
Paulo Roberto de Almeida
The U.S. is turning away from Mexico's failing drug war
Editorial The Washington Post
August 14, 2010
Give Mexican President Felipe Calderon credit for honesty as well as courage. Last week he presided over a three-day public conference to assess the results of nearly four years of war against Mexico's drug cartels. Most of the facts were grim:
-- According to the chief of the national intelligence service, 28,000 people have died violently since Mr. Calderon deployed the Mexican army against the drug gangs in December 2006. That number represents an increase of 3,000 over the death toll the government reported earlier this summer.
-- There have been 963 incidents involving federal forces and the gangs since the offensive began -- or just about one per day.
-- Mexican authorities have seized more than 84,000 weapons, including thousands of high-powered assault rifles, grenades and other military-caliber equipment. More than 80 percent of the guns whose provenance could be traced came from the United States.
-- The ferocity of the violence continues to escalate as drug gangs import the tactics of al-Qaeda and the Taliban. To kidnappings, beheadings and massacres of innocent civilians and even children can now be added car bombs -- two of which have been detonated in northern cities in the past few weeks.
Mr. Calderon bluntly spelled out the threat the cartels represent to Mexico. "The behavior of the criminals has changed and become a defiance to the state, an attempt to replace the state," he said. Drug lords are collecting their own taxes from businesses in some areas. According to the secretary of public security, they are spending $1.2 billion a year to buy the allegiance of 165,000 police officers.
Preventing the sort of cartel takeover that Mr. Calderon warned of is a vital interest of the United States -- which is why the Obama administration and Congress could benefit from their own truth-telling session about Mexico. Congress has appropriated $1.3 billion since 2008 to help Mexico fight drug trafficking, but because of poor implementation and bureaucratic delays, only a fraction of the money has been spent. Mexican forces are still waiting for badly needed U.S. helicopters, surveillance planes and drones as well as training programs in areas such as money laundering.
Worse, the Obama administration has shrunk from the duty of cracking down on the illegal trafficking of guns to Mexico, including improper sales by many of the 7,000 gun shops along the border. During his last visit to the United States, in May, Mr. Calderon pleaded with the White House and Congress to reinstate the ban on sales of assault weapons. As so often when it comes to the needs of this important neighbor, there has been no response.
=============
This Week at War: Is Mexico's Drug War Doomed?
Learning to live with drug cartels
BY ROBERT HADDICK
Foreign Policy, August 13, 2010
What happens if Mexico settles with the cartels?
The U.S. Department of Defense defines irregular warfare as "a violent struggle among state and non-state actors for legitimacy and influence over the relevant populations." By this definition, Mexico is fighting an irregular war. The Mexican government's campaign against the drug cartels is far more than a law enforcement problem; the two sides are engaged in a violent struggle for influence over the Mexican population.
Four years after Mexican President Felipe Calderón threw 80,000 soldiers at the cartels, their businesses remain as strong as ever. According to the Los Angeles Times, the overall drug trade continues to flourish, bringing in by one estimate $39 billion a year to the Mexican economy, equal to 4.5 percent of Mexico's economic output in 2009. The cartels, formerly just smuggling businesses operating largely out of sight, have evolved into political insurgents, and Calderón has openly wondered whether the Mexican state will survive. Neither side has the capacity to crush the other. This implies an eventual compromise settlement and with it a de facto or actual legalization of the drug trade in Mexico. When Calderón and the cartels make such a deal, the United States will have to deal with the consequences.
Calderón's war has managed to inflict pain on the cartels; government forces killed two top cartel leaders and have set the syndicate into a violent struggle with each other for smuggling routes. According to the Los Angeles Times story, the Mexican government estimates 28,000 people have been killed in the war, the vast majority of whom were cartel employees and associates who died in battles between the various gangs. Responding to the pressure, the cartels have transformed themselves into political insurgencies in an attempt to persuade the government to back off and to attract the support of local populations. Their actions are right out of an insurgency's standard playbook: attacks on the police (recently with car bombs), employees of state oil company Pemex -- the cornerstone of the government's revenue -- and the media.
In a speech to the nation last week, Calderón declared that the cartels' actions are "an attempt to replace the state." He pleaded with his countrymen to support the government and to report on local officials whom the drug gangs have co-opted. Calderón's plea comes as Mexico's main sources of foreign exchange are under pressure: The drug wars are chasing away tourism, competition from Asia threatens the manufacturing export sector in the north, the Pemex oil monopoly is in decline, and the struggling U.S. economy has hit expatriate receipts back to Mexico.
With Mexico's legitimate sources of foreign exchange wilting and with the government facing a bloody and open-ended war against the cartels, the prospect of a settlement must be increasingly attractive to Calderón. Legalization would legitimize the drug trade as another important export sector of the Mexican economy, along with oil, tourism, light manufacturing, and expatriate labor receipts. According to the New York Times, Calderon has opened up a dialogue with opposition political leaders in a search for possible alternatives, and has called for a national discussion on the possibility of drug legalization. Calderón's two predecessors, Vicente Fox and Ernesto Zedillo, now support some form of drug legalization.
Should Mexico call a truce and legalize its drug business, where would this leave the United States, the prime market for Mexico's drug exports? Many Americans would view Mexican legalization harshly and call for suspending Merida initiative aid and perhaps closing the border. But even if this were physically possible, vast legitimate commercial trade and the presence of so many family relationships on both sides of the border, the consequence of past migrations, would make a closure politically impossible. Should Calderón or his successors eventually choose this means of escape, the United States will simply have to cope with the consequences.
Robert Haddick is managing editor of Small Wars Journal.
Fim de consenso na diplomacia brasileira - Pedro da Motta Veiga
Muito tempo atrás, há pelo menos quatro anos, eu já havia detectado o desaparecimento desse suposto consenso, neste pequeno trabalho:
Fim de consenso na diplomacia?
O Estado do Paraná
(Curitiba, sexta-feira, 27/10/2006, Opinião, p. 4)
Não estando mais disponível online, transcrevo-o in fine.
Paulo Roberto de Almeida
A política externa sob Lula - o fim do consenso
Pedro da Motta Veiga
O Estado de S. Paulo, 16/08/2010
No final dos anos 90 e início da primeira década do século 21, o que chamava a atenção dos analistas da política externa brasileira era a resiliência do paradigma de política. Essa continuidade se impunha apesar das importantes mudanças por que o País passara na década de 90: liberalização comercial e do regime de investimentos, participação num número significativo de negociações comerciais ambiciosas, etc. Em relação a este quadro, a década que termina trouxe importantes alterações. Novos fatores domésticos se desenvolveram e passaram a influenciar o desenho da política externa. De um lado, registra-se o surgimento de interesses econômicos ofensivos nas negociações internacionais, em contraste com nossa tradição defensiva. De outro, emergiram objetivos propriamente políticos na agenda internacional do Brasil.
Enquanto o primeiro fator traduz transformações estruturais da economia - o surgimento do agribusiness competitivo e de empresas transnacionais brasileiras -, o segundo resulta de decisão política, mas certamente se apoia em evoluções internas e externas que tornam possível sua emergência.
A principal modificação introduzida pelo governo Lula no paradigma que dominou a estratégia externa brasileira nas últimas décadas é a valorização da dimensão propriamente política da estratégia e o condicionamento dos objetivos econômicos à "variável política". Agora, eles passam a ser perseguidos dentro de um quadro de prioridades e restrições definido por uma visão política.
Em algumas frentes, política e economia podem divergir, como atestam críticas empresariais à submissão das negociações comerciais a objetivos políticos. Em outras, porém, política e economia convergem e se alimentam reciprocamente, na lógica do que Luiz Werneck Vianna chamou "um bismarquismo tardio": campeões nacionais apoiados pelo Estado se projetam em escala transnacional e fazem o contraponto empresarial à busca estatal por protagonismo internacional. Negócios privados significativos são gerados para empresas brasileiras na esteira das amizades presidenciais na América Latina e legitimam, no setor empresarial, a entrada da Venezuela no Mercosul.
A perda de relevância relativa da lógica econômica em beneficio da política está na origem do distanciamento do País, nos últimos anos, do pragmatismo que prevaleceu nas décadas anteriores. Os que criticam a política externa de Lula por ter abandonado os princípios de uma política de Estado, substituindo-a por uma linha de ação ideológica, referem-se a duas evoluções. Primeiro, apontam para essa distância em relação ao pragmatismo e aos objetivos econômicos que a introdução da política gera na estratégia externa brasileira. Mas esse tipo de crítica à "ideologização" da política externa ainda aponta para uma divergência quanto aos valores (políticos) que estariam guiando a estratégia externa do País recentemente. Ora, um valor político central veiculado pela diplomacia do governo Lula é o explícito questionamento da distribuição do poder no cenário global. A importância dessa "grade de leitura" da ordem internacional para a estratégia externa do governo aparece na já citada esfera das negociações comerciais, mas também nas alianças preferenciais (Brics, Ibas, etc.) feitas pelo País em diferentes foros nos últimos anos.
A prioridade concedida à redistribuição de poder em escala mundial justificaria, para os defensores dessa visão, não só uma postura de resistência a regimes internacionais politicamente injustos e economicamente intrusivos, mas também a aproximação com países cuja estratégia de emergência internacional se baseia num anti-hegemonismo ostensivo.
Mas, no debate interno do Brasil atual, a passagem do questionamento da hierarquia de poder definida pela ordem global vigente - considerado legítimo por críticos da política - à aproximação com regimes de estratégia de emergência internacional anti-hegemônica tem sido cada vez mais criticada. Esse questionamento tem duas dimensões. Uma é de ordem estratégica: aproximar-se de países anti-hegemônicos é uma política adequada para promover a emergência de um mundo multipolar e nele posicionar o Brasil como interlocutor incontornável? Outra é da ordem dos valores políticos: questionar a ordem global estabelecida justifica desconsiderar preocupações com a defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas?
Na diplomacia de Lula - e sobretudo na do seu segundo governo - o questionamento da ordem global como fim (e não meio) assumiu a posição de valor político principal, sobrepondo-se a outros, como o respeito aos direitos humanos. Estes são vistos, por alguns defensores da política, como problemas essencialmente domésticos dos Estados nacionais e, por outros, como valores "ocidentais" promovidos para ocultar os interesses estratégicos dos países hegemônicos.
Uma presença maior do País na agenda mundial exige efetivamente o enfrentamento, pela política externa, da questão dos valores políticos que a devem nortear. Em vez de criticar a "ideologização" da política externa de Lula, que nada mais é do que a expressão de uma visão política do mundo e da estratégia do País, seus críticos devem explicitar e defender seus próprios valores e sua concepção de ordem internacional.
DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES)
=================
Fim de consenso na diplomacia?
Paulo Roberto de Almeida
Um levantamento efetuado com base nas matérias sobre a diplomacia do governo Lula, publicadas em revistas especializadas e na imprensa diária, revela algo inédito nos anais da política externa: pela primeira vez, ela deixou de beneficiar-se do tradicional consenso a que essa diplomacia estava habituada. Com efeito, mesmo em momentos nos quais a política externa apresentou aspectos de ruptura – como a “política externa independente” de Jânio-Jango (1961-1964) ou o “pragmatismo responsável” da dupla Geisel-Azeredo (1974-1979) –, ela recolhia, ainda assim, a aprovação da opinião pública, que julgava que as inflexões eram necessárias e mesmo bem-vindas.
Não parece ser o caso agora, quando diversos setores– empresários, jornalistas de opinião ou mesmo diplomatas aposentados – manifestam-se contra a atual diplomacia, acusando-a de ser partidária, ideológica e anacrônica. Em contraste, no seio da esquerda e entre vastos segmentos da universidade ela goza de virtual consenso, o que não ocorre, por exemplo, com a política econômica, acusada, nesses mesmos meios, de “neoliberal”. Iniciada sob promessas de mudanças na forma e no estilo, assim como em sua substância, a política externa de Lula – que guarda conexões evidentes com as posições de política internacional do PT – vem sendo calorosamente defendida por simpatizantes na academia e na imprensa, tanto quanto vem sendo atacada, com o mesmo ardor, por outros analistas.
No primeiro grupo figuram acadêmicos e jornalistas que sempre foram solidários com o PT, quando não integram seus quadros. Existem também aqueles que, sem dar apoio direto, encaram positivamente a política externa, naquilo que ela representaria de defesa dos interesses nacionais, em face, por exemplo, de pressões dos EUA para favorecer a criação da Alca ou no sentido da adoção de uma posição mais dura em relação a regimes considerados “desviantes” na América Latina.
O segundo grupo abriga os que se mantêm em postura independente ou que têm assumido uma atitude crítica em relação a essa política, ademais dos que poderiam ser classificados como “oposicionistas declarados”. Alguns analistas do meio acadêmico se opõem à política externa, não por qualquer predisposição oposicionista, mas por julgá-la em seu próprio mérito e concluir que ela rompe tradições diplomáticas. Os mais críticos julgam que a política externa atual não logra alcançar, ao contrário do que é proclamado, os objetivos pretendidos, sacrificando posições de princípio e os interesses nacionais.
Os “apoiadores benevolentes” consideram a política externa de Lula adequada e necessária ao Brasil, que deveria ser capaz de afirmar-se de forma soberana nos contextos regional e mundial, possuir um projeto nacional de desenvolvimento e buscar reduzir o arbítrio e o unilateralismo ainda presentes no cenário internacional. Trata-se de um grupo expressivo, tendo em vista a conhecida dominação da academia pelo pensamento de esquerda, pelo menos na área das humanidades.
Os opositores declarados, por sua vez, consideram essa política uma emanação tardia do terceiro-mundismo dos anos 1960-80, exacerbada pela adesão equivocada a regimes autoritários e marcada por um antiimperialismo infantil. Eles criticam a retórica “terceiro-mundista”, contrariamente a uma atitude pró-ativa em favor da globalização que seria seguida, aliás, pela China e pela Índia, os dois “parceiros estratégicos”. As iniciativas “mudancistas” representariam ilusões de mudança nas “relações de força” ou da “geografia comercial” do mundo e os fracassos nas negociações comerciais adviriam do próprio estilo de atuação, chamado por alguns de “ativismo inconseqüente”.
O governo investiu na nova postura, representada pela multiplicação de iniciativas nas mais diversas frentes de atuação, daí a caracterização de “ativa e altiva” dada pelo chanceler à nova diplomacia. A postura foi bem acolhida nas bases do governo e recolheu apoio dos aliados, ao passo que os críticos preconizam o abandono dos “velhos mitos”. À medida que reveses foram sendo registrados em algumas frentes de atuação, como nas relações com os vizinhos, a condescendência com as “novas roupas” da diplomacia foi dando lugar a críticas cada vez mais acerbas quanto a seus resultados efetivos.
Os elementos inovadores da política externa do governo Lula não deveriam, talvez, ser buscados no seu discurso e na atuação diplomática, mas sim no próprio fato de que, pela primeira vez na história da diplomacia brasileira, a palavra e a prática nesse campo já não recolhem o consenso da sociedade.
Paulo Roberto de Almeida é doutor em ciências sociais, diplomata de carreira e autor do livro O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (www.pralmeida.org).
=========
Publicado no jornal O Estado do Paraná (Curitiba, sexta-feira, 27.10.2006, Opinião, p. 4;
Fim de consenso na diplomacia?
O Estado do Paraná
(Curitiba, sexta-feira, 27/10/2006, Opinião, p. 4)
Não estando mais disponível online, transcrevo-o in fine.
Paulo Roberto de Almeida
A política externa sob Lula - o fim do consenso
Pedro da Motta Veiga
O Estado de S. Paulo, 16/08/2010
No final dos anos 90 e início da primeira década do século 21, o que chamava a atenção dos analistas da política externa brasileira era a resiliência do paradigma de política. Essa continuidade se impunha apesar das importantes mudanças por que o País passara na década de 90: liberalização comercial e do regime de investimentos, participação num número significativo de negociações comerciais ambiciosas, etc. Em relação a este quadro, a década que termina trouxe importantes alterações. Novos fatores domésticos se desenvolveram e passaram a influenciar o desenho da política externa. De um lado, registra-se o surgimento de interesses econômicos ofensivos nas negociações internacionais, em contraste com nossa tradição defensiva. De outro, emergiram objetivos propriamente políticos na agenda internacional do Brasil.
Enquanto o primeiro fator traduz transformações estruturais da economia - o surgimento do agribusiness competitivo e de empresas transnacionais brasileiras -, o segundo resulta de decisão política, mas certamente se apoia em evoluções internas e externas que tornam possível sua emergência.
A principal modificação introduzida pelo governo Lula no paradigma que dominou a estratégia externa brasileira nas últimas décadas é a valorização da dimensão propriamente política da estratégia e o condicionamento dos objetivos econômicos à "variável política". Agora, eles passam a ser perseguidos dentro de um quadro de prioridades e restrições definido por uma visão política.
Em algumas frentes, política e economia podem divergir, como atestam críticas empresariais à submissão das negociações comerciais a objetivos políticos. Em outras, porém, política e economia convergem e se alimentam reciprocamente, na lógica do que Luiz Werneck Vianna chamou "um bismarquismo tardio": campeões nacionais apoiados pelo Estado se projetam em escala transnacional e fazem o contraponto empresarial à busca estatal por protagonismo internacional. Negócios privados significativos são gerados para empresas brasileiras na esteira das amizades presidenciais na América Latina e legitimam, no setor empresarial, a entrada da Venezuela no Mercosul.
A perda de relevância relativa da lógica econômica em beneficio da política está na origem do distanciamento do País, nos últimos anos, do pragmatismo que prevaleceu nas décadas anteriores. Os que criticam a política externa de Lula por ter abandonado os princípios de uma política de Estado, substituindo-a por uma linha de ação ideológica, referem-se a duas evoluções. Primeiro, apontam para essa distância em relação ao pragmatismo e aos objetivos econômicos que a introdução da política gera na estratégia externa brasileira. Mas esse tipo de crítica à "ideologização" da política externa ainda aponta para uma divergência quanto aos valores (políticos) que estariam guiando a estratégia externa do País recentemente. Ora, um valor político central veiculado pela diplomacia do governo Lula é o explícito questionamento da distribuição do poder no cenário global. A importância dessa "grade de leitura" da ordem internacional para a estratégia externa do governo aparece na já citada esfera das negociações comerciais, mas também nas alianças preferenciais (Brics, Ibas, etc.) feitas pelo País em diferentes foros nos últimos anos.
A prioridade concedida à redistribuição de poder em escala mundial justificaria, para os defensores dessa visão, não só uma postura de resistência a regimes internacionais politicamente injustos e economicamente intrusivos, mas também a aproximação com países cuja estratégia de emergência internacional se baseia num anti-hegemonismo ostensivo.
Mas, no debate interno do Brasil atual, a passagem do questionamento da hierarquia de poder definida pela ordem global vigente - considerado legítimo por críticos da política - à aproximação com regimes de estratégia de emergência internacional anti-hegemônica tem sido cada vez mais criticada. Esse questionamento tem duas dimensões. Uma é de ordem estratégica: aproximar-se de países anti-hegemônicos é uma política adequada para promover a emergência de um mundo multipolar e nele posicionar o Brasil como interlocutor incontornável? Outra é da ordem dos valores políticos: questionar a ordem global estabelecida justifica desconsiderar preocupações com a defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas?
Na diplomacia de Lula - e sobretudo na do seu segundo governo - o questionamento da ordem global como fim (e não meio) assumiu a posição de valor político principal, sobrepondo-se a outros, como o respeito aos direitos humanos. Estes são vistos, por alguns defensores da política, como problemas essencialmente domésticos dos Estados nacionais e, por outros, como valores "ocidentais" promovidos para ocultar os interesses estratégicos dos países hegemônicos.
Uma presença maior do País na agenda mundial exige efetivamente o enfrentamento, pela política externa, da questão dos valores políticos que a devem nortear. Em vez de criticar a "ideologização" da política externa de Lula, que nada mais é do que a expressão de uma visão política do mundo e da estratégia do País, seus críticos devem explicitar e defender seus próprios valores e sua concepção de ordem internacional.
DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS DE INTEGRAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (CINDES)
=================
Fim de consenso na diplomacia?
Paulo Roberto de Almeida
Um levantamento efetuado com base nas matérias sobre a diplomacia do governo Lula, publicadas em revistas especializadas e na imprensa diária, revela algo inédito nos anais da política externa: pela primeira vez, ela deixou de beneficiar-se do tradicional consenso a que essa diplomacia estava habituada. Com efeito, mesmo em momentos nos quais a política externa apresentou aspectos de ruptura – como a “política externa independente” de Jânio-Jango (1961-1964) ou o “pragmatismo responsável” da dupla Geisel-Azeredo (1974-1979) –, ela recolhia, ainda assim, a aprovação da opinião pública, que julgava que as inflexões eram necessárias e mesmo bem-vindas.
Não parece ser o caso agora, quando diversos setores– empresários, jornalistas de opinião ou mesmo diplomatas aposentados – manifestam-se contra a atual diplomacia, acusando-a de ser partidária, ideológica e anacrônica. Em contraste, no seio da esquerda e entre vastos segmentos da universidade ela goza de virtual consenso, o que não ocorre, por exemplo, com a política econômica, acusada, nesses mesmos meios, de “neoliberal”. Iniciada sob promessas de mudanças na forma e no estilo, assim como em sua substância, a política externa de Lula – que guarda conexões evidentes com as posições de política internacional do PT – vem sendo calorosamente defendida por simpatizantes na academia e na imprensa, tanto quanto vem sendo atacada, com o mesmo ardor, por outros analistas.
No primeiro grupo figuram acadêmicos e jornalistas que sempre foram solidários com o PT, quando não integram seus quadros. Existem também aqueles que, sem dar apoio direto, encaram positivamente a política externa, naquilo que ela representaria de defesa dos interesses nacionais, em face, por exemplo, de pressões dos EUA para favorecer a criação da Alca ou no sentido da adoção de uma posição mais dura em relação a regimes considerados “desviantes” na América Latina.
O segundo grupo abriga os que se mantêm em postura independente ou que têm assumido uma atitude crítica em relação a essa política, ademais dos que poderiam ser classificados como “oposicionistas declarados”. Alguns analistas do meio acadêmico se opõem à política externa, não por qualquer predisposição oposicionista, mas por julgá-la em seu próprio mérito e concluir que ela rompe tradições diplomáticas. Os mais críticos julgam que a política externa atual não logra alcançar, ao contrário do que é proclamado, os objetivos pretendidos, sacrificando posições de princípio e os interesses nacionais.
Os “apoiadores benevolentes” consideram a política externa de Lula adequada e necessária ao Brasil, que deveria ser capaz de afirmar-se de forma soberana nos contextos regional e mundial, possuir um projeto nacional de desenvolvimento e buscar reduzir o arbítrio e o unilateralismo ainda presentes no cenário internacional. Trata-se de um grupo expressivo, tendo em vista a conhecida dominação da academia pelo pensamento de esquerda, pelo menos na área das humanidades.
Os opositores declarados, por sua vez, consideram essa política uma emanação tardia do terceiro-mundismo dos anos 1960-80, exacerbada pela adesão equivocada a regimes autoritários e marcada por um antiimperialismo infantil. Eles criticam a retórica “terceiro-mundista”, contrariamente a uma atitude pró-ativa em favor da globalização que seria seguida, aliás, pela China e pela Índia, os dois “parceiros estratégicos”. As iniciativas “mudancistas” representariam ilusões de mudança nas “relações de força” ou da “geografia comercial” do mundo e os fracassos nas negociações comerciais adviriam do próprio estilo de atuação, chamado por alguns de “ativismo inconseqüente”.
O governo investiu na nova postura, representada pela multiplicação de iniciativas nas mais diversas frentes de atuação, daí a caracterização de “ativa e altiva” dada pelo chanceler à nova diplomacia. A postura foi bem acolhida nas bases do governo e recolheu apoio dos aliados, ao passo que os críticos preconizam o abandono dos “velhos mitos”. À medida que reveses foram sendo registrados em algumas frentes de atuação, como nas relações com os vizinhos, a condescendência com as “novas roupas” da diplomacia foi dando lugar a críticas cada vez mais acerbas quanto a seus resultados efetivos.
Os elementos inovadores da política externa do governo Lula não deveriam, talvez, ser buscados no seu discurso e na atuação diplomática, mas sim no próprio fato de que, pela primeira vez na história da diplomacia brasileira, a palavra e a prática nesse campo já não recolhem o consenso da sociedade.
Paulo Roberto de Almeida é doutor em ciências sociais, diplomata de carreira e autor do livro O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (www.pralmeida.org).
=========
Publicado no jornal O Estado do Paraná (Curitiba, sexta-feira, 27.10.2006, Opinião, p. 4;
King's College, Londres: Wanted, a Lecturer on Brazil
LECTURESHIP AT THE KING’S BRAZIL INSTITUTE, KING’S
COLLEGE LONDON
*********************
The details of our lectureship are now in the job vacancies list
on the King’s website at
http://www.kcl.ac.uk/depsta/pertra/vacancy/external/pers_detail.php?jobindex=9214
The King's Brazil Institute was created in 2008 to encourage the development of stronger Brazil-related teaching and research capabilities within King's College London, as well as paving the way for firmer links with Brazilian organizations in education, the cultural and creative sectors, business and government. The Institute now wishes to appoint a Lecturer. The field for the appointment is open, but themes of particular interest for the Institute are Brazil and global politics; creative and cultural industries; environmental policy; the political economy of energy; law, justice, and human rights; public health and social policy; and Brazilian history. Full details of the vacancy are available on the King’s website.
For an informal discussion of the post please contact Professor
Anthony Pereira, Director of the King's Brazil Institute, at
e-mail or on +44 (0)20 7848 2146.
www.kcl.ac.uk/brazilinstitute
COLLEGE LONDON
*********************
The details of our lectureship are now in the job vacancies list
on the King’s website at
http://www.kcl.ac.uk/depsta/pertra/vacancy/external/pers_detail.php?jobindex=9214
The King's Brazil Institute was created in 2008 to encourage the development of stronger Brazil-related teaching and research capabilities within King's College London, as well as paving the way for firmer links with Brazilian organizations in education, the cultural and creative sectors, business and government. The Institute now wishes to appoint a Lecturer. The field for the appointment is open, but themes of particular interest for the Institute are Brazil and global politics; creative and cultural industries; environmental policy; the political economy of energy; law, justice, and human rights; public health and social policy; and Brazilian history. Full details of the vacancy are available on the King’s website.
For an informal discussion of the post please contact Professor
Anthony Pereira, Director of the King's Brazil Institute, at
e-mail or on +44 (0)20 7848 2146.
www.kcl.ac.uk/brazilinstitute
Brasil, o tamanho do Estado - secao especial da revista Veja
Adeptos do Estado, mercantilistas e estatizantes em geral (muita gente o é, mesmo sem saber), socialistas em especial, keynesianos radicais talvez não gostem, mas essa é a realidade: o Brasil é um país "raptado" pelo Estado (não estou exagerando), mas no qual os cidadãos gostam do Estado, amam o Estado, e querem mais Estado.
Talvez eles não fossem assim, se se informassem melhor sobre esse personagem...
Vejam o caderno especial da Veja sobre o papel e o tamanho do Estado no Brasil, neste link: http://veja.abril.com.br/tema/desafios-brasileiros-o-tamanho-do-estado
Questões abordadas:
O tamanho do estado
O estado brasileiro gasta muito - e gasta mal. Um exemplo: de cada 100 reais despendidos pelo governo federal, apenas 8 viram investimentos em infra-estrutura, educação, saúde... Os demais 92 reais são tragados pelas engrenagens estatais. Fazer esta máquina mais eficiente é um desafio do próximo presidente
Um gigante gastador
De cada 100 reais, 25 vão para o pagamento de pessoal e 67 para o custeio da máquina. Sobram 8
Em 2009, o governo recebeu das estatais 26,683 bilhões de reais em dividendos
R$ 68 bilhões para as estatais
Balanço aponta gastos com empresas públicas de 2003 a 2007. Quase a metade foi para a Petrobras
A melhor saída é diminuir o tamanho do Estado e investir principalmente em educação" (Mônika)
Fórum: qual deve ser o tamanho do estado brasileiro?
Analista de contas públicas defende reformulação do papel do estado
Para Felipe Salto, governo tem de ser mais enxuto e eficiente - e atuar como um regulador implacável
Os analistas apostam num descontentamento crescente com a incompetência do estado
Enquete
Qual deve ser o papel do estado?
Leitores pedem governo enxuto e eficiente
O presidente Lula, pouco antes de participar de evento de campanha de Dilma Rousseff
Herança
Lula vai deixar conta de R$ 90 bilhões
Valor supera os R$ 72 bi pendurados em 2009
Concessões de estradas e aeroportos são uma saída lógica para complementar investimento do estado
Contas públicas
Peso do estado reduz a competitividade
Máquina responde por 92% dos gastos
Menos de 10% do orçamento é composto de despesas sobre as quais o governo tem liberdade para administrar
Orçamento
Despesa obrigatória dificulta reformas
Governo define como gastar apenas 10%
Os candidatos José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT)
Eleições 2010
O estado brasileiro na visão dos candidatos
Conheça as propostas dos presidenciáveis
Elevação de perspectiva de rating Brasil
Investimento
Brasil só perde do Turcomenistão
País só investe 2% do PIB há mais de 10 anos
Carga tributária
Analistas criticam elogio do imposto
Lula se equivoca ao justificar tributação
Maílson da Nóbrega
Lula adora falar em 'estado forte'
Para ele, crise justificaria dirigismo estatal
A inauguração do Palácio do Planalto, em 21 de abril de 1960, simboliza a transferência da Capital Federal para o interior do país.
Em VEJA de 17/02/2010
Sessenta servidores novos por dia
É o ritmo de contratação no governo Lula
Infográfico Eles já são um milhão
Infográfico
Servidores já são mais de 1 milhão
Em sete anos, o efetivo foi inchado em 153 000
Talvez eles não fossem assim, se se informassem melhor sobre esse personagem...
Vejam o caderno especial da Veja sobre o papel e o tamanho do Estado no Brasil, neste link: http://veja.abril.com.br/tema/desafios-brasileiros-o-tamanho-do-estado
Questões abordadas:
O tamanho do estado
O estado brasileiro gasta muito - e gasta mal. Um exemplo: de cada 100 reais despendidos pelo governo federal, apenas 8 viram investimentos em infra-estrutura, educação, saúde... Os demais 92 reais são tragados pelas engrenagens estatais. Fazer esta máquina mais eficiente é um desafio do próximo presidente
Um gigante gastador
De cada 100 reais, 25 vão para o pagamento de pessoal e 67 para o custeio da máquina. Sobram 8
Em 2009, o governo recebeu das estatais 26,683 bilhões de reais em dividendos
R$ 68 bilhões para as estatais
Balanço aponta gastos com empresas públicas de 2003 a 2007. Quase a metade foi para a Petrobras
A melhor saída é diminuir o tamanho do Estado e investir principalmente em educação" (Mônika)
Fórum: qual deve ser o tamanho do estado brasileiro?
Analista de contas públicas defende reformulação do papel do estado
Para Felipe Salto, governo tem de ser mais enxuto e eficiente - e atuar como um regulador implacável
Os analistas apostam num descontentamento crescente com a incompetência do estado
Enquete
Qual deve ser o papel do estado?
Leitores pedem governo enxuto e eficiente
O presidente Lula, pouco antes de participar de evento de campanha de Dilma Rousseff
Herança
Lula vai deixar conta de R$ 90 bilhões
Valor supera os R$ 72 bi pendurados em 2009
Concessões de estradas e aeroportos são uma saída lógica para complementar investimento do estado
Contas públicas
Peso do estado reduz a competitividade
Máquina responde por 92% dos gastos
Menos de 10% do orçamento é composto de despesas sobre as quais o governo tem liberdade para administrar
Orçamento
Despesa obrigatória dificulta reformas
Governo define como gastar apenas 10%
Os candidatos José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT)
Eleições 2010
O estado brasileiro na visão dos candidatos
Conheça as propostas dos presidenciáveis
Elevação de perspectiva de rating Brasil
Investimento
Brasil só perde do Turcomenistão
País só investe 2% do PIB há mais de 10 anos
Carga tributária
Analistas criticam elogio do imposto
Lula se equivoca ao justificar tributação
Maílson da Nóbrega
Lula adora falar em 'estado forte'
Para ele, crise justificaria dirigismo estatal
A inauguração do Palácio do Planalto, em 21 de abril de 1960, simboliza a transferência da Capital Federal para o interior do país.
Em VEJA de 17/02/2010
Sessenta servidores novos por dia
É o ritmo de contratação no governo Lula
Infográfico Eles já são um milhão
Infográfico
Servidores já são mais de 1 milhão
Em sete anos, o efetivo foi inchado em 153 000
Assinar:
Comentários (Atom)
Postagem em destaque
Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida
Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
An online publication: The Cold War: by Paulo Roberto de Almeida in: Routledge Resources Online Edited By: Ruud van Dijk Published Online3...
-
Personagens Bíblicos / História do Profeta Samuel: Quem foi Samuel na Bíblia? https://estiloadoracao.com/historia-do-profeta-samuel/ Histó...
-
De um colega de carreira: O que é ser diplomata Por Secretário César Bonamigo O Curso Rio Branco, que freqüentei em sua primeira edição, em...
-
Bibliografia para o concurso do Rio Branco Resumo de uma lista de leituras por: Paulo Roberto de Almeida (Brasília, fevereiro de 2010) ...
-
Canadian Prime Minister Mark Carney blindsides Trump by forming a super alliance of 40 powerful countries to defeat his disastrous MAGA agen...
-
O fim da polarização por Marcos Nobre Revista Piaui, agosto de 2014 Nada de PT ou PSDB: a verdadeira força hegemônica da p...