segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Francês: uma lista de 2014

 Não sei bem como surgiu, mas apareceu em minha tela uma antiga postagem, de 2014, transcrevendo uma lista de meus trabalhos em Francês (tem outra em inglês, estou certo disso), mas desde então produzi muitos outros mais, inclusive um que aguardo a publicação neste mês de outubro, que listo a seguir: 

4156. “Relations internationales du Brésil, de 2019 à 2022”, Brasília, 19 maio 2022, 12 p. Collaboration a numéro spécial de la revue Problèmes d’Amérique Latine, sous la direction de Daniel Dory (Université de La Rochelle) et Hervé Théry (USP).

Complemento ao final, os trabalhos posteriores a 2014: 


Documents dans Academia.edu par Paulo Roberto de Almeida
Titres en Français; 7 Février 2014
Paulo Roberto de Almeida

2546) Géoéconomie du Brésil : un géant empêtré? (2014)
088) La diplomatie de Lula (2003-2010): une analyse des résultats (2010)
026) Une histoire du Brésil: pour comprendre le Brésil contemporain (2002)
039) Problèmes Actuels du Commerce Extérieur Brésilien: une évaluation de la période 1968-1975 (1975)
02) Brésil: cinq siècles d'histoire (1995)
2555) Le Brésil dans l’économie mondiale (2014)
2390) La politique extérieure du Brésil: du passé lointain au futur proche
2381) La grande marche en arrière de l’Amérique Latine (2012)
2371) Une prospective du Brésil: vers 2022 (2012)
2368) Le Brésil et le scénario économique mondial actuel: un émergent en mal (et en retard) de réformes (2012)
2365) La politique étrangère du Brésil de Lula: un bilan (2012)
2160) Balance Énergétique du Brésil : interview à France Culture (2010)
2043) Entretien sur le président Lula
2020) Le Brésil à deux moments de la globalisation capitaliste et à un siècle de distance (1909-2009)
1950) Les Brics et l’économie brésilienne (2008)
1553) La dimension sociale de l’intégration en Amérique du Sud: politiques stratégiques et options sociales (2006)
104) L’historiographie économique brésilienne, de la fin du XIXème siècle au début du XXIème: une synthèse bibliographique (2013)
085) L’intégration de l’Amérique du Sud: une perspective historique et un bilan (2009)
042) La politique internationale du Parti des Travailleurs: de la fondation du parti à la diplomatie du gouvernement Lula (2004)
084) Classes Sociales et Pouvoir Politique au Brésil: une étude sur les fondements méthodologiques et empiriques de la Révolution Bourgeoise (1984)
032) Idéologie et Politique dans le Développement Brésilien, 1945-1964 (1976)
1194) La politique internationale du Parti des Travailleurs: de la fondation du parti à la diplomatie du gouvernement Lula (2004)
10) Une histoire du Brésil: pour comprendre le Brésil contemporain (2002)
07) Le Mercosud: un marché commun pour l’Amérique du Sud (2000)

Preparé par Paulo Roberto de Almeida (7 Février 2014)


De 2014 em diante:

2555. “Le Brésil dans l’économie mondiale”, Hartford, 15 Janeiro 2014, 5 p. Notes pour un interview à la radio France Culture, 15 Janvier 2014, avec le Journaliste Thierry Garcin Émission le 20 Janvier 2014: “Brésil. Les priorités économiques, après six ans de crise internationale” 06 :45hs de Paris (link: http://www.franceculture.fr/emission-les-enjeux-internationaux-bresil-les-priorites-economiques-apres-six-ans-de-crise-internati). Já divulgado no blog Diplomatizzando (15/01/2014, link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/01/le-bresil-dans-leconomie-mondiale.html). Relação de Publicados n. 1121.


2862. “Capitalisme et démocratie au Brésil, à trente ans de distance”, Hartford, 30 agosto 2015, 22 p. Avant-propos à Classes Sociales et Pouvoir Politique au Brésil, en publication par les Éditions Universitaires Européennes; sur la base du travail 49, Bruxelles, 05/06/1984. DOI: 10.13140/RG.2.1.2842.5448; Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/281420270_Capitalisme_et_democratie_au_Bresil_30_ans_apres); Academia.edu (link: https://www.academia.edu/15350240/2862_Capitalisme_et_democratie_au_Bresil_a_trente_ans_de_distance); Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/10/avant-propos-revolutions-bourgeoises-et.html). Integrado ao trabalho n. 2863, para publicação em formato de livro. Integrado ao livro. Publicado (p. 15-41) in: Paulo Roberto de Almeida, Révolutions bourgeoises et modernisation capitaliste : Démocratie et autoritarisme au Brésil (Sarrebruck: Éditions Universitaires Européennes, 2015, 456 p.; ISBN: 978-3-8416-7391-6). Novamente postado: Academia.edu (2/09/2016; link: http://www.academia.edu/28203904/30_Revolution_Bourgeoise_Trente_Ans_Apres_Avant_Propos) e também nesta postagem do meu Diplomatizzando (2/09/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/09/a-revolucao-burguesa-no-brasil-trinta.html). Relação de Publicados n. 1193.


2863. Révolutions bourgeoises et modernisation capitaliste : Démocratie et autoritarisme au Brésil, Hartford, 30 agosto 2015, 390 p. Version révisée de la thèse présenté en 1984 à la Faculté des Sciences Sociales, Politiques et Économiques de l’Université Libre de Bruxelles: Classes Sociales et Pouvoir Politique au Brésil: une étude sur les fondements méthodologiques et empiriques de la Révolution Bourgeoise ; ajoutée du travail 2862. Publication par les Éditions Universitaires Européennes;  Composition et mise-en-page finale au site des Éditions Universitaires Européennes 13/09/2015 (link: (https://www.editions-ue.com//registration/registerwithtoken/3598a0afe1903e8c0ba59df1fb04e156). Dados editoriais: Sarrebruck: Éditions Universitaires Européennes, 2015, 454 p.; ISBN: 978-3-8416-7391-6; cover: https://www.editions-ue.com//system/covergenerator/build/19517). Relação de Publicados n. 1193.


2883. “Brésil, d’un siècle à l’autre: Histoire, développement économique, relations internationales », Hartford, 2 outubro 2015, 2 p. Projet de livre en Français ; à composer. Avant-Propos : Le Brésil, d’un siècle à l’autre. 


3257. “Introduction à l’histoire des relations internationales du Brésil”, Brasília, 27 março 2018, 47 p. Retomada dos trabalhos 210 (1991), 409 e 419 (1994), para fins de seminário de trabalho com diplomata francês.


3348. “La mondialisation de la compagnie brésilienne Vale, 2002-2010 », Em voo, Paris-Rio de Janeiro, 18 outubro 2018, 2 p. Rapport préliminaire pour acceptation de la thèse de doctorat de Hildete de Moraes Vodopives à la Sorbonne, sous la direction de M. Dominique Barjot. 


3411. “Diplomates brésiliens dans les lettres et les humanités”, Brasília, 19 fevereiro 2019, 8 p. Ensaio sobre os diplomatas escritores no Brasil, para colóquio com professora francesa da Sorbonne, Laurence Badel (badel@univ-paris1.fr). Postado no blog Diplomatizzando (21/02/2019; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2019/02/diplomates-bresiliens-dans-les-lettres.html); em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/d1a565519e/diplomates-bresiliens-dans-les-lettres-et-les-humanites-2019).


3583. “Agences publiques et infrastructure: deux grandes questions au Brésil », Brasília, 14 fevereiro 2020, 4 p. Respostas a questões colocadas por Luiz Carlo Delorme Prado, Professor, IE-UFRJ) e Hildete de Moraes Vodopives (Docteur, Sorbonne) para número especial da revista Entreprises et Histoire (dirigida pelo Prof. Dominique Barjot). Postado no blog Diplomatizzando (23/02/202; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/02/agences-publiques-et-infrastructure.html). Publicado, sob o título Débat : « Entreprises d’infrastructure et pouvoirs publics au Brésil », na revista Entreprises et Histoire (n. 99, juin 2020, p. 137-144 ;  ISSN : 2100-9864 ; link: entrepriseshistoire.ehess.fr) ; postado novamente no blog Diplomatizzando (14/08/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/08/entreprises-et-histoire-contribution.html). Relação de Publicados n. 1356.

3796. « Rapports du Brésil avec les États-Unis et les voisins sud-américains », Brasília, 20 novembro 2020, 13 p. Versão em francês, modificada, do trabalho n. 3783 ; collaboration Revue Hérodote ; enviada a Hervé Théry.


 







Ingresso na OCDE: etapas iniciais do Brasil - Lu Aiko Otta (Valor)

 Países ricos reavaliam relação com Brasil, afirma Guedes

Na visão de ministro, país nunca foi tão respeitado no exterior

Por Lu Aiko Otta — De Brasília
Valor Econômico, 07/10/2022

Os países mais avançados estão reavaliando as relações com o Brasil, que em breve poderá ser o único a integrar o G20, o Brics e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), disse ontem ministro da Economia, Paulo Guedes.

A afirmação foi feita durante solenidade no Palácio do Planalto em que foi anunciada a entrega do “memorando inicial”, um relatório de mais de mil páginas que informa o quanto o Brasil está de acordo com as práticas adotadas pelos países-membros da OCDE. Isso é parte do processo de ingresso no organismo.

“Já é quase outro portal de entrada de acesso, quem sabe, ao Conselho de Segurança da ONU”, disse o ministro. A conquista de uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU foi um dos pilares da política externa dos governos do PT. Já o ingresso na OCDE não era prioridade. No de Michel Temer e no de Jair Bolsonaro, a acessão à OCDE tem funcionado como espécie de guia para as principais reformas econômicas.

Encaminhado ontem, o “memorando inicial” informa que, dos 230 instrumentos definidores para o ingresso do Brasil na OCDE, o país já aderiu a 108. Outros 45 estão em avaliação pela organização. Faltam, portanto, 77. “O Mathias Cormann insinua que o Brasil está bem à frente dos demais candidatos”, disse Guedes, referindo-se ao secretário-geral da OCDE.

A partir da entrega do memorando inicial, começa uma interação entre o Brasil e a organização. É um processo que normalmente levaria de dois a cinco anos, afirmou o ministro. “Temos confiança de que será substancialmente encurtado.”

Segundo o ministro da Economia, o Brasil nunca esteve tão respeitado no exterior. Ele disse que o desempenho do país tem sido reavaliado, pelo fato de haver vacinado uma elevada parcela de sua população e atravessado as ondas da covid e da recessão pós-pandemia.

“Estamos crescendo”, disse. “Tirando o Japão, teremos inflação menor do que os países do G7.” O Brasil criou mais empregos do que EUA, Alemanha e o Reino Unido juntos, frisou. O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse que a acessão à OCDE é um antigo sonho do Itamaraty, que deu os primeiros passos nessa direção em 1991.

O país terá acesso às melhores práticas no mundo em áreas que não são só a econômica, mas também no meio ambiente, nuclear e outras, comentou. Com isso, segundo França, governo e iniciativa privada estarão equipados para fazer as reformas internas necessárias.

A entrada do Brasil na OCDE é importante também para a organização, disse o chanceler. Ele afirmou que o país tem muito a contribuir com sua política ambiental, seu peso econômico e comercial. O desmatamento tem sido um ponto de resistência ao Brasil entre os demais membros da OCDE.

O governo deverá editar “nas próximas semanas” uma medida provisória tratando das regras de preços de transferência, disse o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys. Ele afirmou que esse é um ponto “importantíssimo” e “dos mais difíceis de superar”. Por isso tem sido tratado com prioridade por toda a equipe do Ministério da Economia, inclusive a Receita.


domingo, 9 de outubro de 2022

Roberto Campos, o Constituinte Profeta - Arnaldo Godoy (Conjur)

EMBARGOS CULTURAIS

Roberto Campos, o Constituinte Profeta

Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy


Sob a orientação do ministro Gilmar Mendes e de Ives Gandra publicamos um estudo a respeito de Roberto Campos (1917-2001), o Constituinte Profeta. A publicação é da Almedina/IDP. Além de minha intervenção há textos de Bernardo Cabral, Lenio Streck, Ney Padro, Paulo Roberto de Almeida, Gastão de Toledo e do próprio Ives Gandra. 

Na sequência dos textos há uma recolha dos principais artigos de Roberto Campos, especialmente, entre outros, Na contramão da história. O diplomata Paulo Roberto de Almeida, que participa dessa edição, também reuniu e publicou os textos de Roberto Campos sobre a Constituinte e a Constituição de 1988, em primorosa edição da LVM, com um estudo introdutório avassalador, especialmente quando comenta o tema da instabilidade constitucional brasileira. 

Roberto Campos notabilizou-se como pensador liberal. Diplomata, político, economista e homem de letras, uma de nossas mais iluminadas inteligências. Participou da criação da ONU, retornou ao Brasil, acompanhou a instalação da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, participou da criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico- BNDE, conviveu intelectualmente com Eugênio Gudin, colaborou no governo Castello Branco, foi senador constituinte. Lanterna na Popa, seu livro de memórias, é leitura fundamental para a compreensão dos dilemas do Brasil. No campo da memorialística com propósitos de explicação de nossos arranjos institucionais, parece-me nosso mais importante livro ao longo do século XX.

Roberto Campos criticou o ambiente conceitual da Assembleia Nacional Constituinte de 1986, que qualificou como a vitória do nacional-obscurantismo. Adiantou-se nas críticas ao modelo tributário da Constituição de 1988, reputando-o como hiperfiscalista, prevendo perda de receitas da União, que mais tarde seriam recuperadas com ampliação de bases tributárias, especialmente mediante a proliferação das contribuições. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido-CSLL, cotejada com o Imposto de Renda, ilustra a assertiva. 

Boa parte das profecias de Roberto Campos ainda hoje se discutem, e cada vez mais, e de algum modo, reconheçamos, se realizam. Criticando a carta de 1988, Campos afirmou que "a cultura antiempresarial de que se impregnou a Constituição em breve fará o Brasil o país ideal onde não investir". A participação de Roberto Campos na preparação da Constituição de 1988 ilustra efusivamente interface entre o neoliberalismo e o direito brasileiro na medida em que boa parte das críticas do diplomata realizou-se no futuro. 

Roberto Campos, o mais instrumentalizado defensor do neoliberalismo no Brasil, e que foi constituinte, alertava para incompatibilidades entre a Constituição que então se escrevia e se promulgava e o mundo globalizado. A globalização tem hoje um outro sentido, há uma confusão tremenda entre globalismo, nacionalismo e cooperação internacional, tudo temperado pela confusão entre o conservadorismo dos costumes com o liberalismo econômico, e ainda com os temas do libertarianismo e do ordocapitalismo. Não sei como Roberto Campos explicaria isso tudo. 

Roberto Campos escreveu que a Constituição que então discutíamos e escrevíamos nos colocava na contramão do processo de globalização inspirado pelo neoliberalismo que o mundo então vivia. O excesso de regulamentação e o velho apego ao Estado de bem-estar social denunciado por F. Hayek, Milton Friedman e Karl Popper nos alijaria da distribuição das benesses que esse ambiente de globalização estaria prestes a nos proporcionar. Insisto, os tempos mudaram. 

Roberto Campos indignava-se com uma Constituição que reconhecia um salário mínimo nacionalmente unificado, garantindo "ao peão de Piancó salário igual ao do trabalhador do ABC paulista". Lamentava que a Constituição nos prometia "uma segurança social sueca com recursos moçambicanos". Lê-lo, em 2022, é um alivio historiográfico e uma importante ferramenta para que coloquemos os pingos nos is e os traços nos tes. 

Para Roberto Campos a Constituição de 1988 era "saudavelmente libertária no político, cruelmente liberticida no econômico, comoventemente utópica no social". Para o criador do BNDE os constituintes extrapolaram o mandado conferido pelas urnas, avançado em todos os temas da vida nacional, de forma irresponsável e anacrônica, promovendo antinomia entre o processo de globalização e nossos arranjos institucionais. 

Roberto Campos divulgava que a nova Constituição seria insuficiente para promover melhora nas condições de vida dos brasileiros. Alertava que o excesso de apego à forma, que denominava de "constitucionalite", em nada resolveria problemas estruturais. 

A distância entre a realidade e o universo constitucional intrigava Roberto Campos, que denunciava a utopia que envolvia e emulava o modelo constitucional que então que se produzia. A Constituição de 1988 promovia uma catarse nacional, após o longo jejum que a Era Militar impusera ao país. Passados 34 anos, há algum distanciamento histórico que permita que esses temas sejam objeto de rigoroso escrutínio; e é nossa tarefa.


The War in Ukraine Launches a New Battle for the Russian Soul - Masha Gessen (New Yorker)

 

The War in Ukraine Launches a New Battle for the Russian Soul

The last time people were writing in Russian so urgently was in the late nineteen-eighties, when Soviet citizens were confronted with the terror of the Stalinist past.

By Masha Gessen

The New Yorker, October 17, 2022 Issue

 

Russia says that it has expanded. On September 30th, President Vladimir Putin signed a document that ostensibly accepted four Ukrainian regions as members of the Russian Federation. The residents of those regions, Putin said in a speech, “have become our citizens forever.” He made this assertion as the Ukrainian Army was liberating territory to which Russia was laying claim. He was not just trying to snatch propaganda victory from the jaws of evident military defeat; he was laying the groundwork for fighting for those lands ever more aggressively. A week and a half earlier, he had ordered the military to draft hundreds of thousands of new soldiers, and had threatened to use nuclear weapons.

A Russia that includes parts, or all, of Ukraine and untold other lands is the Russian World, a vague and expansive idea pioneered by the self-styled philosopher Aleksandr Dugin, some of whose ideas have been adopted by the Kremlin. In August, his thirty-two-year-old daughter, Darya, also an imperialist pundit, was killed by a car bomb that may have been intended for him. Last week, the Times reported that U.S. intelligence believes a part of the Ukrainian government may have been behind the attack. If true, this suggests that the government puts strong, probably unfounded, faith in the power of the concept of the Russian World.

Putin, in his speech, described both the Russian World and the larger world as he sees it. According to him, the West destroyed the Soviet Union in 1991, but Russia came back, defiant and strong. Now the West wants to destroy Russia. “They see our thought and our philosophy as a direct threat,” he said. “That is why they target our philosophers for murder.” The ultimate goal of the West—specifically, the United States and Great Britain—is to subjugate people around the world and force them to give up traditional values, to have “ ‘parent No. 1,’ ‘parent No. 2,’ and ‘parent No. 3’ instead of mother and father (they have completely lost it!),” and to teach schoolchildren that “there are some other genders besides men and women and offer them sex-change operations.” Putin has said, repeatedly, that only Russia can save the world from this menace. This is the story of a world in which his war in Ukraine—and the draft, and even, perhaps, a nuclear strike—makes sense.

But when the world shaped by the feedback loop of propaganda collides with the world of facts on the ground, things begin to crack. On October 5th, two videos circulated widely on Russian-language social media, including in normally pro-war quarters. The videos show a crowd of men in uniform. They say that there are five hundred of them and that they were recently drafted. They complain of “animal-like” conditions, of having to buy their own food and bulletproof vests, and of a lack of organization. “We are not registered as part of any detachment,” one man says. “We have weapons, but these are not officially issued to us.” Meanwhile, some Russian television propagandists have been acknowledging Ukrainian victories, and urging Russians to prepare for a long wait before their country can attack again.

It’s too early to make assumptions about where these tiny cracks may lead. It is not too early, however, to think about what a future, militarily defeated Russia might look like. This is what Alexey Navalny, the opposition politician who has been in prison since January, 2021, has been doing. The Washington Post recently published an op-ed, smuggled out by Navalny’s legal team, in which he writes that Russia deserves to lose the war and that, once it does, it must be reconstituted as a parliamentary, rather than a Presidential, republic. This, he argues, will insure that no one person can usurp power in Russia as Putin has.

Navalny’s op-ed serves to illustrate Putin’s wisdom, of sorts—the wisdom of keeping his most important political opponent behind bars. Navalny seems to have missed a cultural turning point. In the seven and a half months since Russia launched its full-scale invasion, hundreds of thousands of Russians have left their country. Many of them are journalists, writers, poets, or artists, and they, along with some who are still in Russia, have been producing essays, poems, Facebook posts, and podcasts trying to grapple with the condition of being citizens of a country waging a genocidal colonial war. Some of their Ukrainian counterparts have scoffed at their soul-searching. Ukrainians, indeed, have bigger and more immediate problems. But they also have certainty—they know who they are in the world, while for Russians nothing is as it once seemed to be.

One of the earliest examples of this outpouring was a poem, by the children’s-book author Alexey Oleynikov, about the incongruity of trying to flee Russia with a pet hedgehog in tow. One stanza reads, “We will not wash the shame off until our old age, until we die / There have been worse times, but there has never been a more ridiculous time.” Posted on Facebook, the poem went viral in March. May’s viral poem, by the actress and poet Zhenya Berkovich, tells of a young Russian man visited by the ghost of his grandfather, who fought in the Second World War; the ghost asks his grandson to forget him, lest the memory of his valor be used to justify the current war. This month’s viral poem, by Eli Bar-Yahalom, an Israeli Russian, is a dialogue between God and a Muscovite who hopes to return home someday. “There is no resurrecting Bucha, no raising up Irpin,” God says, referring to suburbs of Kyiv where Russians appear to have committed war crimes. There are also at least two Russian-language podcasts devoted to the issues of individual and collective responsibility for the war. And Linor Goralik, an acclaimed Russian writer born in Ukraine and living in Israel, has founded an online journal called roar (Russian Oppositional Arts Review), which has published three packed issues.

The last time people were writing in Russian so urgently was in the late nineteen-eighties. Soviet citizens back then had been confronted with their past—the Stalinist terror. That moment gave Russia, among other things, Memorial, the human-rights organization that, along with Ukrainian and Belarusian activists, won the Nobel Peace Prize last week. Now Russian citizens are being confronted with their present. The writers in exile have physically fled their country (as has much of Memorial’s leadership) and are trying to write their way to a new Russia. Their imagination extends far beyond the Russian constitution to a world that’s radically different, and better than not only Putin’s revanchist Russian World but the world we currently inhabit. ♦


Published in the print edition of the October 17, 2022, issue, with the headline “Different Worlds.”

 

 

A Tactical Nuke Would Do Nothing to Change the Ukrainian Battlefield - Wes O'Donnell (Medium)

A Tactical Nuke Would Do Nothing to Change the Ukrainian Battlefield

Wes O'Donnell

Medium, Oct 5, 2022

https://wesodonnell.medium.com/a-tactical-nuke-would-do-nothing-to-change-the-ukrainian-battlefield-ceb43c1e3aad

 

There is no military reason to use a tactical nuke at this phase in Putin’s war.

But first, what exactly is a “tactical” nuke?

Strangely, there is no real definition of “tactical nuclear weapon.” Many arms control wonks simply use the term “tactical” or “battlefield” nuke to distinguish them from their strategic big brothers — the city-annihilating strategic nukes.

Typically, tactical nukes are between one and fifty kilotons, (although a few may venture into the hundreds of kilotons), and some weapons give its users the ability to ‘dial-in’ the destructive yield… A variable yield function, if you will.

What a time to be alive!

But here’s the thing — nukes, either tactical or strategic, don’t take territories. They don’t hold territories either. They simply make the area where they exploded impassible for a few hundred years.

Putin might be able to freeze the current conflict by nuking the front lines, but that would take hundreds of tactical nukes to accomplish.

Even though they’re smaller, tactical nuclear weapons are best for blowing up big things — carrier strike groups, tank columns, massed infantry, etc.

Because Ukraine is smartly fighting a dispersed war — almost acting like insurgents — Putin would be starved for targets.

So, any Russian use of nuclear weapons at this point would be exclusively as a show of force — a reminder to both the world and to his opponents at home that Vlad still has control of enormous destructive potential.

If I may be so bold… That’s the real danger here.

The danger lies in the possibility of a bad decision on Putin’s part that triggers a Western response that escalates out of control.

And let’s face it — The Kremlin isn’t making good decisions lately.

My fear is that Putin explodes a nuke. The West responds conventionally by killing Russia’s Black Sea fleet, and Putin escalates by attacking U.S. forces somewhere else.

That is a dangerous ‘tit-for-tat’ that may lead to an endgame that gives me the chills to think about.

It’s self-evident that if these two nuclear superpowers go to war, the odds of the apocalypse increase dramatically.

I mean, humanity likely wouldn’t go completely extinct. Pockets of humans would survive, and the Southern Hemisphere in general would fare much better.

But I happen to be a U.S. military guy who hates nukes. You’d be surprised how many of us there are.

Something that can kill so completely and indiscriminately is patently offensive to my military instincts of avoiding civilian casualties and surgical precision.

So, if Putin can’t use a nuke to change his fortunes in Ukraine, but wants to demonstrate that he’s still ‘large and in-charge’, what options does he have available?

Alarmists in the media are quick to point out that Russia’s nuclear trains are heading for the front lines and Putin’s doomsday sub, the one with the Poseidon nuclear torpedo, has put to sea.

But realistically, intelligence analysts believe that Putin’s options are limited.

Remember, these are the same U.S. analysts who accurately predicted Putin’s initial invasion, Russia’s accurate casualty count, and that Putin sabotaged his own gas pipelines — Nord Streams one and two.

They are currently batting a thousand — so I listen when they talk, which is usually way off the record.

The most likely option is a 15-kiloton tactical nuke attached to an Iskander Missile — a mobile, short-range ballistic missile that he would likely fire at an unoccupied area of Ukraine, but along the coast or within visibility of Kyiv.

Why the coast?

If it’s a show of force, Putin would want a daytime strike in fair weather so that he could document the mushroom cloud for future propaganda purposes. The coast along the Black Sea gives him the ability to have Russian navy assets in place to record.

Putin is no stranger to nuclear showmanship.

The question of the hour is — is he bluffing?

Whether Putin is bluffing has quickly become the most important topic at Washington D.C. cocktail parties.

By the way, let’s pause and appreciate how insane it is that it’s 2022 and we’re talking about nuclear war.

That dread that I felt as a child of the 1980s, that all life could be extinguished in a flash, is something I thought I left behind in 1991.

Now, I’m mad.

Pissed, really.

Pissed that the ghastly specter of nuclear war is back to haunt my own kids — all because of one man’s doomed quest for power and legacy.

Putin can use any excuse to demonstrate his nukes anytime he wants. But it won’t be to achieve any clear battlefield objective.

Instead, it will be because he thinks he’s backed into a corner, and nuclear demonstration is his only way out.

What an asshole…


More from Wes O'Donnell

Multi-Branch Veteran | Military & Global Security Writer for War is Boring, GENmag, OneZero, Edge | Law Student at WMU | TEDx Speaker | Dad to 3 | Hates nukes

Wes O'Donnell

Multi-Branch Veteran | Military & Global Security Writer for War is Boring, GENmag, OneZero, Edge | Law Student at WMU | TEDx Speaker | Dad to 3 | Hates nukes

 

 

A segunda locomotiva econômica do mundo reduz sua marcha (BBC)

 Não creio que o pior venha a ocorrer, seja para a China, seja para o mundo, mas a perspectiva de uma recessão mundial é cada vez mais clara...

5 razões pelas quais a economia da China está em apuros

  • Suranjana Tewari
  • Da BBC News, 9/10/2022
Uma família usando máscaras come ao lado de uma barraca em Wuhan, na província central de Hubei, na China

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

Covid afetou fortemente a China, a segunda maior economia do mundo

A economia da China está desacelerando à medida que se adapta a uma estratégia de covid zero e enfraquece a demanda global.

Os números oficiais de crescirmento para o trimestre de julho a setembro são esperados para breve - se a segunda maior economia do mundo se contrair, isso aumenta as chances de uma recessão global. A meta de Pequim - uma taxa de crescimento anual de 5,5% - está agora fora de alcance, embora as autoridades tenham minimizado a necessidade de atingi-la. 

A China evitou, por pouco, a contração no trimestre de abril a junho (teve um crescimento de 0,4%). Para este ano, alguns economistas não esperam expansão econômica.

O país pode não enfrenta alta inflação, como é o caso dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas tem outros problemas: a "fábrica do mundo" de repente encontrou menos clientes para seus produtos, tanto no mercado interno quanto no internacional. As tensões comerciais entre a China e as principais economias, como os Estados Unidos, também estão prejudicando o crescimento.

E a moeda chinesa, o yuan, está a caminho de ter seu pior ano em décadas, uma vez que despenca em relação ao dólar americano. Uma moeda fraca assusta os investidores, alimentando a incerteza nos mercados financeiros. Também torna difícil para o Banco Central injetar dinheiro na economia.

Tudo isso acontece em um momento em que as apostas são especialmente altas para o presidente chinês, Xi Jinping - ele deve garantir um terceiro mandato, algo sem precedentes, no Congresso do Partido Comunista (PCC), que começa em 16 de outubro.

Então, o que exatamente deu errado?

1. Política de covid zero está causando estragos

Podcast
Logo: As Estranhas Origens das Guerras Culturais

Fim do Podcast

Os surtos de covid-19 em várias cidades, incluindo centros de manufatura como Shenzhen e Tianjin, estão prejudicando a atividade econômica em todos os setores.

As pessoas também não estão gastando dinheiro em coisas como alimentos e bebidas, varejo ou turismo, colocando os principais serviços sob pressão.

Do lado da manufatura, a atividade fabril parece ter voltado a subir em setembro, de acordo com a Agência Nacional de Estatísticas. Essa recuperação pode ter ocorrido porque o governo está gastando mais em infraestrutura.

No entanto, isso veio depois de dois meses em que a manufatura não se expandiu. E levantou questões, especialmente desde que uma pesquisa privada mostrou que a atividade fabril realmente caiu em setembro, com a demanda atingindo a produção, novos pedidos e empregos.

A demanda em países como os Estados Unidos também diminuiu por causa das taxas de juros mais altas, da inflação e da guerra na Ucrânia.

Especialistas dizem que Pequim poderia fazer mais para estimular a economia, mas que há poucas razões para fazer isso até que a pandemia termine. "Não há muito sentido em injetar dinheiro em nossa economia se as empresas não puderem se expandir ou as pessoas não puderem gastar o dinheiro", disse Louis Kuijs, economista-chefe da S&P Global Ratings para a Ásia.

2. Pequim não está fazendo o suficiente

O presidente chinês Xi Jinping acena depois de falar durante uma cerimônia para homenagear as contribuições para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022 no Grande Salão do Povo em 8 de abril de 2022 em Pequim, China.

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

Xi Jinping deve garantir um terceiro mandato sem precedentes no Congresso do Partido Comunista

Pequim interveio - em agosto anunciou um plano de 1 trilhão de yuans (R$ 733 bilhões) para impulsionar pequenas empresas, infraestrutura e imóveis.

Mas as autoridades podem fazer muito mais para estimular os gastos de forma a atingir as metas de crescimento e criar empregos.

Isso inclui investir mais em infraestrutura, facilitar as condições de empréstimo para compradores de imóveis, promotores imobiliários e governo local e isenções fiscais para famílias.

"A resposta do governo à fraqueza da economia foi bastante modesta em comparação com o que vimos durante crises econômicas anteriores", disse Kuijs.

3. O mercado imobiliário da China está em crise

A fraca atividade imobiliária e o sentimento negativo no setor, sem dúvida, desaceleraram o crescimento.

Isso atingiu duramente a economia porque o mercado imobiliário e outras indústrias que contribuem para ela respondem por até um terço do Produto Interno Bruto (PIB) da China.

"Quando a confiança é fraca no mercado imobiliário, isso faz com que as pessoas se sintam inseguras sobre a situação econômica geral", disse Kuijs.

Os compradores de casas têm se recusado a fazer pagamentos de hipotecas em prédios inacabados e alguns duvidam que suas casas sejam concluídas. A demanda por novas residências diminuiu, e isso reduziu a necessidade de importação de commodities usadas na construção.

Apesar dos esforços de Pequim para sustentar o mercado imobiliário, os preços das casas em dezenas de cidades caíram mais de 20% neste ano.

Com os construtores imobiliários sob pressão, analistas dizem que as autoridades podem ter que fazer muito mais para restaurar a confiança no mercado imobiliário.

4. As mudanças climáticas estão piorando as coisas

O clima extremo está começando a ter um impacto duradouro nas indústrias da China.

Uma intensa onda de calor, seguida por uma seca, atingiu a Província de Sichuan, no sudoeste do país, e a cidade de Chongqing, no cinturão central, em agosto.

A demanda por ar-condicionado pressionou a rede elétrica em uma região que depende quase inteiramente de energia hidrelétrica.

Fábricas, incluindo grandes empresas como a fabricante de iPhones Foxconn e a Tesla, foram forçadas a reduzir a produção ou fechar completamente.

O departamento de estatísticas da China disse em agosto que apenas os lucros da indústria de ferro e aço caíram mais de 80% nos primeiros sete meses de 2022, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Pequim promoveu então um resgate de dezenas de bilhões de dólares para apoiar empresas de energia e agricultores.

5. Os gigantes da tecnologia da China estão perdendo investidores

Uma repressão regulatória aos titãs da tecnologia da China - que já dura dois anos - não está ajudando.

Tencent e Alibaba relataram sua primeira queda na receita no trimestre mais recente - os lucros da Tencent caíram 50%, enquanto o lucro líquido do Alibaba caiu pela metade.

Um empreendimento imobiliário em Nanjing, província de Jiangsu, China, em 1º de setembro de 2022.

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

A crise no mercado imobiliário da China está prejudicando o crescimento

Dezenas de milhares de jovens trabalhadores perderam o emprego - somando-se a uma crise profissional em que uma em cada cinco pessoas de 16 a 24 anos está desempregada. Isso pode prejudicar a produtividade e o crescimento da China no longo prazo.

Os investidores também estão sentindo uma mudança em Pequim - algumas das empresas privadas mais bem-sucedidas da China estão sob maior escrutínio à medida que o poder de Xi Jinping cresce.

Enquanto as empresas estatais parecem estar ganhando popularidade, os investidores estrangeiros estão tirando dinheiro da mesa.

O Softbank, do Japão, retirou uma enorme quantidade de dinheiro do Alibaba, enquanto a Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, está vendendo sua participação na fabricante de veículos elétricos BYD. A Tencent teve mais de US$ 7 bilhões (R$ 36,5 bilhões) em investimentos retirados apenas no segundo semestre deste ano.

E os Estados Unidos estão reprimindo as empresas chinesas listadas no mercado de ações americano.

"Algumas decisões de investimento estão sendo adiadas e algumas empresas estrangeiras estão buscando expandir a produção em outros países", disse a S&P Global Ratings em nota recente.

O mundo está se acostumando com o fato de que Pequim pode não ser tão aberta aos negócios quanto costumava ser - mas Xi Jinping está arriscando o sucesso econômico que impulsionou a China nas últimas décadas.

Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63143394

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...