Diplomatizzando

Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Plano Real: 30 anos desde o 1o de julho de 1994: o mais bem sucedido plano de estabilização no Brasil

 Fundação Fernando Henrique Cardoso

Fundação Fernando Henrique Cardoso11,524 followers11,524 followers2h • 2 hours ago
O Plano Real completa hoje, 1º de julho, 30 anos. Neste dia em que celebramos o mais bem-sucedido plano de estabilização da economia brasileira, o Acervo da Fundação Fernando Henrique Cardoso disponibiliza a todos um novo conjunto documental sobre essa conquista da nossa história.

São mais de cem documentos pessoais que foram doados pelo economista Edmar Bacha, um dos membros da equipe que criou o Real, e que retratam o período de discussão e implementação da nova moeda.

O conjunto de documentos revela o caráter processual da transição econômica, por meio de textos de discussão, atas, relatórios, subsídios, artigos e propostas que circularam entre os membros da equipe de acadêmicos. A documentação foi descrita pelos profissionais do Acervo e está disponível na base de dados da Fundação.

Acesse uma amostra com 10 documentos representativos doados por Bacha: https://lnkd.in/dF3TnQjZ

Para uma pesquisa completa no arquivo doado por Bacha e outros documentos da Fundação FHC, acesse o Portal do Acervo: http://acervo.ifhc.org.br/

hashtag#paratodosverem: vídeo com duração de cinco minutos e vinte segundos. No início, tela com efeito sonoro e o seguinte texto: O personagem. Na sequência, fala de Edmar Bacha, economista. Ele está sentado, veste uma camisa branca; tem barba e cabelos brancos. Ao fundo, estante com livros. Ao longo do vídeo, aparecem algumas fotos de Edmar na Fundação FHC, ao lado de Silvana Goulart, curadora do Acervo, e Sergio Fausto, diretor da Fundação. Também aparecem outras telas com as seguintes frases: Uma doação preciosa; FHC: para mim, chega!; O grupo do Real; e Bacha aceita a missão. No fim do vídeo, aparecem a hashtag hashtag#PlanoReal30Anos e o logo de 20 anos da Fundação FHC.
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Ana Paula VescoviAna Paula Vescovi • 2nd • 2ndChief Economist & partner at Santander BrazilChief Economist & partner at Santander Brazil3h • Edited • 3 hours ago
Parte do Brasil recomeçou em 1° de julho de 1994.

Há 30 anos entrou em circulação o Real. Voltamos a ter uma moeda, essência da dignidade de um povo. Isso depois de quase dez anos de experimentos fracassados desde a redemocratização do País, em 1985.

A sociedade tem sido a sustentação do Real e da estabilidade financeira. Aprendemos a defender a nossa moeda e rechaçamos políticos que a atacam.

Sempre importante lembrar que a inflação interessa a muitos, especialmente aos governos. Com preços em aceleração, arrecadam mais e conseguem postergar suas despesas.

O mesmo não acontece com a grande maioria da população, que além de não poder proteger seus salários e rendas da inflação, perdem poder de compra e bem-estar. A inflação é, assim, um imposto perverso, ataca os mais pobres e não precisa de deliberação política no Congresso.

O Plano Real transformou o Brasil. E coincidiu com o início da minha vida profissional. Depois dele tivemos que enfrentar várias reformas econômicas, micro e macro, para manter a estabilidade, mas também para atacar problemas que tornaram-se evidentes: o desequilíbrio fiscal, a desigualdade e o baixo crescimento. Tudo relacionado.

A saga dos brasileiros na conquista da sua moeda precisa ser um exemplo para as novas gerações. Ainda temos que buscar uma economia mais aberta, eficiente, um ambiente de negócios próspero e as contas públicas equilibradas. Igualmente, tudo relacionado.

O caminho do desenvolvimento não existe sem as pessoas e sem a construção de instituições inclusivas. A economia brasileira precisa ser arejada para permitir uma sociedade coesa e próspera.

Ainda há muito a fazer. Mas somos muito melhores e mais felizes desde 1° de julho de 1994!

Fundação Fernando Henrique Cardoso
@PersioArida
@PedroMalan
@GustavoFranco

hashtag#planoreal

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Marcadores: 30 anos, plano de estabilização no Brasil, Plano Real

Politica econômica de Lula preserva estagnação ou prepara nova crise fiscal (matérias da FSP)

 Sim, preserva o longuíssimo ciclo estagnacionista da economia brasileira, que vem desde a “década perdida” dos anos 1980, continuou mesmo depois da estabilização do Plano Real e do crescimento mais vigoroso de Lula 1 (feito à base de aumento do dispêndio público e não de maior eficiência, pois que inferior ao crescimento médio mundial e da AL, e três vezes menor do que os emergentes dinâmicos da Ásia) e que jamais propiciou ganhos sustentáveis de produtividade ou inserção na economia mundial. Ficamos nos arrastando penosamente em direção ao futuro nos últimos 40 anos, com algumas poucas ilhas de excelência na academia ou na economia (o agronegócio, por exemplo), mas uma enervante lentidão em todos os demais setores. O que mais cresceu, na verdade, foi a sanha abocanhadora dos políticos, os instintos aristocráticos dos mandarins do serviço público (com destaque para os abusos predatórios do Judiciário, complementados pelas benesses abusivas dos militares sob Bolsonaro) e a corrupção generalizada no Estado e na sociedade, de maneira geral. 

Reproduzo abaixo duas matérias da FSP, do domingo 30/06 e  desta segunda-feira, 1/07/2024, um péssimo início de segundo semestre. PRA


“A política de valorização do salário mínimo instituída pelo governo federal aumentará as despesas da Previdência Social em mais de R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos, informa a Folha de S. Paulo. O presidente Lula e sua equipe afirmam que o objetivo é ampliar o poder de compra dos trabalhadores, mas economistas alertam sobre o impacto dessa política nos gastos públicos. Em dez anos, o impacto pode chegar a R$ 550 bilhões, anulando parte dos ganhos obtidos com a reforma da Previdência de 2019 e pressionando o limite do novo arcabouço fiscal. Lula já avisou que não aceita mudanças na política de valorização do mínimo nem desvinculação dos benefícios.” 

Como falas de Lula têm contribuído com a alta no dólar
Folha.com | Feed
30 de junho de 2024

São Paulo

Declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) têm contribuído para a alta do dólar, em meio a um cenário de incertezas sobre os gastos do governo. Isso além do cenário externo, com juros norte-americanos em alta e a proximidade das eleições no Estados Unidos.

Na sexta-feira (28), do dólar fechou o dia com aumento de 1,5% ante a quinta, cotado a R$ 5,5906. É o maior patamar desde 18 de janeiro de 2022, quando a moeda americana atingiu R$ 5,56.

Dólar recua ante real com incertezas sobre ajuste fiscal e cenário externo

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As elevação parecia ter encontrado seu pico na quarta, chegando a R$ 5,518, quando Lula afirmou, em entrevista ao UOL, que era preciso saber se realmente era necessário um corte de despesas ou um aumento de arrecadação.

"O problema não é que tem que cortar. Problema é saber se precisa efetivamente cortar ou se precisa aumentar a arrecadação", disse Lula

O mercado não reagiu bem. No dia, havia outros pontos do cenário internacional influenciando o câmbio, mas o salto foi atribuído por analistas às declarações do presidente.

Na mesma entrevista ao UOL, o presidente afirmou que a inflação está controlada, mas reforçou que manterá a política de valorização do salário mínimo, que conta com parte do PIB (Produto Interno Bruto) dos últimos dois anos, além da inflação do ano anterior.

Além disso, afirmou que não pretende desvincular o piso das aposentadorias e pensões do INSS, o que aumentou a percepção do risco fiscal. Veja outros casos no gráfico abaixo.

Na quinta (27), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado Conselhão, que envolve representantes de trabalhadores e de diversas empresas do setor produtivo, Lula chamou de "cretinos" os que afirmaram que o dólar subiu na véspera por causa de suas declarações.

"Vejam o que aconteceu ontem. Quando eu terminei a entrevista [ao UOL], a manchete de alguns comentaristas era que o dólar subiu pela entrevista do Lula. E os cretinos não perceberam que o dólar tinha subido 15 minutos antes de eu dar entrevista. Quinze minutos antes!", afirmou.

"Ou seja, nesse mundo perverso das pessoas colocarem para fora aquilo que querem sem medir a responsabilidade do que vai acontecer, é muito ruim", disse no Palácio do Itamaraty.

No acumulado do mês de junho, o dólar registrou alta de 6,48%. No ano, a moeda americana registra alta de mais de 15% ante o real.

"Tem especulação com derivativo para valorizar o dólar e desvalorizar o real, e o Banco Central tem que investigar isso. Se o presidente da República que for eleito não puder falar, quem vai poder falar? O cara que perdeu? O presidente do Banco Central?", afirmou Lula na sexta (28).

Já no fim da manhã, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que ajustes fiscais muito focados em ganho de receita são menos eficientes e podem ter como resultado menor investimento, menor crescimento econômico e inflação mais alta.

O presidente do BC disse, ainda, que a desconfiança sobre as contas públicas impacta os juros de longo prazo e as expectativas de inflação.

À tarde, durante evento em Juiz de Fora (MG), o petista disse que não fará ajuste fiscal que atinja o "povo trabalhador e pobre" do país.

"Ah, dizem que é importante se fazer ajuste fiscal, que o salário mínimo está alto. Que alto? Mínimo é mínimo", disse Lula, que foi aplaudido pelos presentes.

Em novembro de 2022, o presidente também havia atacado o corte de gastos. "Por que toda hora as pessoas dizem que é preciso cortar gasto, que é preciso fazer superávit, que é preciso ter teto de gastos? Por que a gente não estabelece um novo paradigma?"

No mesmo mês daquele ano, no entanto, chegou a dizer que sabe que tem de cortar gasto, sabemos que temos de ter responsabilidade fiscal. Não podemos gastar mais do que a gente ganha", e que irá respeitar a lei de responsabilidade fiscal.

O presidente se queixa com frequência da taxa de juros, e diz acreditar que a situação irá se estabilizar quando indicar o novo presidente do Banco Central. Analistas, no entanto, apontam que o cenário internacional não tende a mudar até a eleição norte-americana, pressionando a moeda internacional a altas.

No caso do aumento da última sexta, no entanto, a moeda norte-americana se valorizou ante ao real mais ligada uma disputa entre agentes de mercado pela formação da Ptax do que propriamente a Lula. A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo BC que serve como referência para a liquidação de contratos futuros.

No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

A disputa pela Ptax impulsionou as cotações do dólar no Brasil, ainda que no exterior a moeda americana tenha apresentado baixa. A maior parte das moedas emergentes, como o rand sul-africano e o peso chileno, registrou valorização. O real, no entanto, amargou o pior desempenho.

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Eleições francesas, por Jean Quatremer (Le Monde)

 Os eleitores franceses que votaram no RN não são todos racistas, xenófobos e fascistas (apenas alguns o são). Eles são contra o que havia, e expressaram sua insatisfação contra os partidos tradicionais votando contra todos eles: deu os idiotas nacionalistas do RN e os idiotas irracionais do LFI. Ou seja: venceu ser do contra, e escolheram passar a viver com as contradições do que havia do contra, sem progrsma claro. PRA

Jean Quatremer:

Voici mon analyse du scrutin qui n’engage strictement que moi: le résultat des législatives confirme que les citoyens ne votent pas pour le RN pour son programme, puisqu’il change de minute en minute et que personne ne le connait plus (on sait seulement qu’ils sont contre tout et pour tout ce qui est contre…), ni pour des leaders qui ont démontré leur incompétence et leur méconnaissance totale des dossiers et de tous les fondamentaux économiques, juridiques, constitutionnels, ni pour des candidats locaux qui sortent des fonds de tiroir et sont d’une nullité tout aussi grasse que celle leurs leaders. Bref, rationnellement, le vote RN est un défi à l’intelligence.

C’est pour cela que je ne crois pas un « vote d’adhésion » (ce qu’est le vote LFI aussi puant soit-il -je parle ici de Jean-Luc Mélenchon et de sa campagne communautaire flirtant -je suis gentil- avec l’antisémitisme, pas du LFI de François Ruffin ou de Clémentine Autain). Non, je pense que 11 millions de personnes ont voté contre tous les autres partis parce qu’ils n’ont pas su prendre en compte leurs préoccupations. C’est un ras-le-bol que s’amplifie année après année et qui s’est amplifié depuis l’automne dernier.

Je rappelle le sondage IPSOS post-européennes (lien ci-dessous) qui montre que les électeurs RN placent l’immigration (ce qui recouvre la question des valeurs, de la sécurité, mais aussi de la concurrence économique) en tête des raisons de leur vote (le pouvoir d’achat vient en second) à hauteur de 79 % contre 43 % pour l’ensemble des électeurs (en seconde position derrière le pouvoir d’achat, 45 %). Donc on peut se pincer le nez d’un air dégouté, les traiter de racistes (ce qu’ils ne sont pas ou pas seulement), de fascistes, considérer que ces peurs sont fantasmées, mais quand ces peurs amènent au pouvoir des néo-fascistes, il faudrait peut-être se réveiller, arrêter de penser qu’on est le camp du bien et donc qu’on a forcément raison, et essayer d’analyser et enfin répondre aux angoisses de ces Français, comme l’a fait la gauche nordique avec succès, que cela plaise ou non. Le pacte républicain est brisé et le RN n’en est que le symptôme, pas la cause.

lemonde.fr/societe/articl…


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Marcadores: eleições francesas, Jean Quatremer, Le Monde

domingo, 30 de junho de 2024

Ary Quintella toma posse no Pen Club do Brasil no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, celeiro literário

Por aryquintella em junho 30, 2024

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A Praia do Flamengo vista da varanda do Pen Clube do Brasil

Tomei posse, em 27 de junho, no Rio de Janeiro, como sócio do Pen Clube do Brasil. Na ocasião, fiz este discurso sobre a tradição literária do Rio: 

Sr. presidente do Pen Clube do Brasil, professor Ricardo Cravo Albim,

Caros amigos, caros colegas do Itamaraty,

Quero antes de mais nada agradecer ao nosso presidente, Ricardo Cravo Albim, por esta cerimônia. Como sou Embaixador do Brasil na Malásia, eu não pudera ainda tomar posse como membro do Pen Clube do Brasil. Nosso Presidente acolheu favoravelmente que a cerimônia se desse esta semana, a única que passarei no Rio de Janeiro nestes poucos dias de férias no Brasil.

Quero também agradecer ao editor Carlos Leal, meu amigo, pelas palavras generosas com que me saudou.

Há muitos amigos e primos presentes aqui hoje. Quero registrar, em especial, a presença de minha mãe, Embaixadora Thereza Quintella. Minha mulher, Eugênia Barthelmess, por ser Embaixadora do Brasil em Singapura, não pôde estar presente. Por intermédio da minha mãe e da minha mulher, quero homenagear todas as mulheres profissionais do Brasil, e não somente as diplomatas, que enfrentam toda série de dificuldades para o bom êxito de suas carreiras.

Quero, desde já, prestar homenagem a uma personalidade ímpar, meu pai, Ary Quintella, que pertenceu ele também a esta instituição. Em setembro, serão 25 anos desde seu falecimento.

Não é à toa que começo este discurso mencionando meu pai e minha mãe. Eles foram, sem dúvida, e como seria natural, as maiores influências na minha formação. Minha formação emocional, psicológica e também intelectual.

Criança e adolescente, minha maior alegria, meus melhores momentos eram passados lendo os volumes que eu retirava da biblioteca familiar. Havia, naturalmente, os livros infantis e juvenis que meus pais ofereciam a mim e aos meus irmãos. Este ano, em abril, vimos partir o Ziraldo. Guardo com carinho a primeira edição de Flicts, que ganheiaos seis anos de idade. Ou melhor, Eugênia o guarda com carinho, pois o livro está em Singapura. Essa separação involuntária da biblioteca conjugal é, desde 2020, um dos elementos da nossa realidade de casal de diplomatas.

Havia portanto os livros oferecidos pelos pais, mas havia os livros pertencentes aos pais, em suas estantes no Rio, em Bruxelas, em Montevidéu, em Brasília, em Londres. Há algo de mágico no fato de uma biblioteca viajar. Ao nos acompanhar, ela torna nossa vida nômade mais estável, mais aceitável. A casa da gente é onde nossos livros estão. Filho de diplomata, desde sempre tive de aceitar que tudo seria impermanente: os amigos, a escola, o idioma, a cultura e os hábitos locais.

Mas a biblioteca dos meus pais era um dado permanente, era algo sólido, em que eu podia confiar. Era um refúgio. Um refúgio contra as impermanências da vida, as incertezas que eu percebia ao meu redor, inclusive as incertezas quanto à durabilidade do casamento dos meus pais.

Em dezembro de 2023, na qualidade de Embaixador na Malásia, participei do Festival Literário de George Town, na ilha de Penang, na costa ocidental da Malásia. É um celebrado evento anual. A edição de 2023 contou com a presença de famosos autores europeus, entre outros Geoff Dyer e Édouard Louis. E também, e sobretudo, com a presença de Clarice Lispector. Graças a recursos fornecidos pelo Instituto Guimarães Rosa, que é o departamento cultural do Itamaraty, a Embaixada em Kuala Lumpur montou, para o Festival de George Town, uma exposição sobre a vida e a obra de Clarice

O material nos foi cedido gratuitamente pelo Instituto Moreira Salles, e a exposição em Penang era uma versão reduzida da mostra realizada pelo Instituto Moreira Salles, “Constelação Clarice”, em São Paulo e no Rio, entre 2021 e 2022. Em Penang, o espaço era apenas um ambiente, transformado pelo curador malásio como se fosse uma sala no apartamento de Clarice. Era um espaço intimista. Visitantes me disseram que, ao tomar conhecimento pela primeira vez da existência de Clarice naquela exposição, haviam se sentido estimulados a ler sua obra. Seus livros, aliás, em traduções para o inglês, estavam à venda na livraria oficial do Festival, e saíram rapidamente.

Ao abrir a exposição, eu disse algumas palavras sobre Clarice Lispector e citei uma carta sua muito famosa a Olga Borelli, que muitos dos aqui presentes já conhecem. É a primeira carta; Clarice e Olga Borelli acabavam de se conhecer, por isso o tom pessoal e franco usado por Clarice causa ainda mais impacto. A carta diz: “Sou uma pessoa sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo. Não tenho qualidades, só tenho fragilidades. Mas às vezes, tenho esperança”.

Eu gosto muito dessa carta. Frequentemente penso nela. A meu ver, ela sintetiza a razão pela qual lemos e escrevemos. Lemos e escrevemos para ter um rumo na vida, um leme que nos guie. Lemos e escrevemos para descobrir o que queremos fazer de nós mesmos.

Ler e escrever são duas facetas da mesma atividade, a busca de si mesmo. Ajuda no processo que um bonito poema de Jorge Luis Borges, “Tríada”, define como la triste costumbre de ser alguien.  E eu vejo que essa é a grande aventura de todo ser humano, descobrir como somos, como ser alguém. E é isso que ler e escrever nos permitem fazer.

O Rio de Janeiro é um lugar privilegiado. Não só por causa da sua inigualável beleza natural, mas por ser um celeiro da escrita. Terra natal ou de moradia de escritores. Podemos acompanhar sua evolução ao longo do tempo por meio da literatura, a que serve de fonte de inspiração. O Rio iguala-se então a outras cidades literárias, como Paris, Londres, São Petersburgo. Quando, em posto no exterior, leio a descrição que Machado de Assis faz, em Quincas Borba, da praia de Botafogo ao luar, o coração se aquece. Escreve Machado: “A lua estava então brilhante; a enseada, vista pelas janelas, apresentava aquele aspecto sedutor que nenhum carioca pode crer que exista em outra parte do mundo”.  

Estrangeiros citam o Rio em suas obras. Há três anos, escrevi um ensaio intitulado “Joseph Brodsky no Corcovado”. Pois Brodsky aqui esteve, em 1979, justamente para participar de um congresso do Pen Clube Internacional, então presidido por Mario Vargas Llosa. O texto de Brodsky é ambíguo e até preconceituoso; ele não entendeu o Rio de Janeiro. Achou mesmo haver aqui um rio chamado Janeiro. Mas mesmo ele ficou boquiaberto com a nossa paisagem. Vendo a cidade do alto do Corcovado, estima que: “Em um dia claro, você sente que tudo o que seu olhar já viu antes são apenas as sobras miseráveis e sem brio de uma imaginação interrompida”. O Rio, assim, embora visto com ressalvas por Brodsky, e sem muita compreensão, e, como eu disse, com preconceito, causou um impacto pela sua beleza. É uma das três cidades sobre as quais se detém em sua obra, junto com sua cidade natal, São Petersburgo, e sua cidade preferida, Veneza.

Mas o Rio não é apenas um celeiro de escritores. É também o depositário de instituições literárias. Temos aqui na cidade o Pen Clube do Brasil, e também a Academia Brasileira de Letras e a Biblioteca Nacional. Visitei esta semana o presidente da Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, que é aliás membro do Pen Clube do Brasil, para fazer doação à Biblioteca de um exemplar do livro que a Embaixada do Brasil na Malásia publicou, em janeiro, sobre a obra realizada por um gênio brasileiro, Roberto Burle Marx, em Kuala Lumpur. A capital malásia tem a distinção de ser a única cidade asiática a conter um parque projetado por Burle Marx.

A Biblioteca Nacional impressiona. Na juventude, passei muitas horas em seu salão de leitura. O prédio está em perfeito estado de conservação, é um tesouro nacional, depositário de muitos outros tesouros.

Há outra instituição literária no Rio, além das que já citei. Existe, na Casa de Ruy Barbosa, o Arquivo- Museu de Literatura Brasileira. Vou ao AMLB com frequência, quando estou no Rio, e já escrevi mais de uma vez sobre essa instituição. O arquivo do meu pai está lá. É algo estranho para mim que as cartas bastante francas, transparentes que escrevi ao meu pai não estejam comigo, mas sim no AMLB. Ele assim quis. Hoje mesmo, de manhã, fui à rua São Clemente, para visitar a nova diretora do Arquivo-Museu, Maria de Andrade, cuja presença nesta cerimônia agradeço. Rever no AMBL a poltrona de Manuel Bandeira, os óculos de Carlos Drummond de Andrade é também uma forma de pensar na tradição literária do Rio de Janeiro e, por extensão, do Brasil. Uma vez, há alguns anos, foi-me lá mostrado o manuscrito de Menino de engenho, de José Lins do Rego. Esse livro, cuja ação se passa no Nordeste, marcou minha adolescência de menino meio carioca e meio mineiro. Esse é o poder da literatura. José Lins do Rego, paraibano, escreve um romance sobre um menino nordestino, com o qual um adolescente no Sul do país pode se identificar. Ver o manuscrito no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira foi por isso uma experiência cativante para mim.

Ao agradecer uma vez mais esta cerimônia, senhor presidente, quero cumprimentá-lo pela iniciativa de organizar também esta semana um evento comemorativo de Guimarães Rosa. É por meio de iniciativas como essa que o Pen Clube do Brasil se equipara às outras instituições literárias. Contribui a fazer do Rio de Janeiro, terra lúdica, também um palco literário.

Muito obrigado.


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Maquiavel, sobre as formas de governo e seus vícios - Príncipe e Tito LíviO

 Citação:

"Um príncipe nunca vai deixar de ter legitimas desculpas para explicar aos demais suas quebras de confiança. A história moderna fornece exemplos incontáveis desse comportamento demonstrando como um homem pode bem se desempenhar se ele sabe se comportar como uma raposa. Mas é necessário para que isso se faça que ele esconda isso cuidadosamente. Deve-se ser um grande mentiroso e hipócrita. As pessoas são tão simples de espírito, e tão dominadas pelas suas necessidades imediatas, que um enganador vai sempre encontrar muitos que estão prontos para serem enganados."

Maquiavel, O Príncipe

"Eu digo, como já dito por muitos que escreveram sobre os governos, que estes são de três formas, conhecidos pelos nomes de Monarquia, Aristocracia e Democracia, e que aqueles que fornecem tais instituições a um Estado, recorrem a uma dessas três formas, segundo as que se conformam aos seus objetivos. Outros, e muitos já conceberam, instrutores mais sábios sabem disso, que existem conjuntamente seis formas de governo, três delas muito ruins, as outras três boas em si, mas facilmente corrompidas, que elas também podem se tornar prejudiciais. As boas são as três mencionadas acima; as más, três outras dependentes daquelas, e muito parecidas com  as que lhe são vinculadas, que é fácil passar imperceptivelmente de uma a outra. Por que uma Monarquia está pronta para se transformar em Tirania, uma Aristocracia em Oligarquia, enquanto uma Democracia tende a degenerar em Anarquia.

Assim que um fundador de um Estado pode estabelecer qualquer uma dessas três formas formas de Governo, ele as estabelece por pouco tempo apenas, já que não há nenhuma precaução que possa impedi-lo de pender em seu contrário, por motivo de que tem clara semelhança nesse caso, a virtude leva ao vício.

Maquiavel, Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio

Maquiavel, 

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Marcadores: formas de governo, Maquiavel, Príncipe, Tito Lívio, vícios

O crescimento da direita francesa visto sem as lentes de aumento do antifascismo - Demetrio Magnoli

 

Dica de leitura : "Le Pen rompe o 'cordão sanitário' (Demétrio Magnoli, um acadêmico que, na contramão dos jornalistas da Globonews, pensa, lê e se informa antes de dizer bobagens...)

MD

 

 

sábado, 29 de junho de 2024

Demétrio Magnoli - Le Pen rompe o 'cordão sanitário'

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Folha de S. Paulo, 29/06/2024

Política lidera intenções de voto porque desistiu do extremismo

"Os herdeiros políticos de Vichy chegam ao governo francês" —eis uma manchete sensacionalista possível para, caso se confirmem as pesquisas, sintetizar o resultado das eleições parlamentares antecipadas que começam neste domingo (30/6). Nas sondagens, a Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, tem 36% das intenções de voto, contra 28% para a Nova Frente Popular, de esquerda, e apenas 22% para os centristas liderados por Macron. Contudo, seja qual for o veredito das urnas, a manchete precisa é outra: a que intitula esta coluna.

Partidos não mudam seu nome por acaso. A RN nasceu em 1972, como Frente Nacional (FN), sob o comando do pai de Marine, Jean-Marie. O líder admirava o general Pétain, que governou, como colaboracionista, a parte da França não ocupada pela Alemanha nazista. Marine assumiu o controle do partido em 2011 e expeliu seu pai em 2015, reagindo a elogios a Pétain e à classificação das câmaras de gás como um "detalhe" histórico. A troca de nome veio em 2018.

O jornalismo continua a qualificar a RN como "extrema direita" ou "ultradireita". É um erro analítico grave, que decorre de preguiça intelectual ou vontade de externar um repúdio moral (ou da mistura de ambos), tornando inexplicável sua ascensão eleitoral. Extremistas buscam destruir as instituições políticas. Le Pen ocupa o primeiro lugar nas intenções de voto justamente porque desistiu do extremismo, refundando a RN como partido da direita nacionalista.

Quase tudo mudou no programa partidário. Desapareceu a hostilidade à União Europeia. Le Pen tomou alguma distância de Putin, tentando revisar suas declarações de 2017, quando afirmou que compartilhava dos "mesmos valores" do autocrata russo. Mesmo a xenofobia e a islamofobia, marcas principais do partido, foram amainadas: no lugar da deportação em massa de imigrantes árabes e africanos, a RN passou a pregar limites estritos para o ingresso de migrantes.

Mas, sobretudo, a RN posicionou-se como "direita patriótica", ocupando o espaço antes dominado pelos gaullistas, que representavam o conservadorismo tradicional francês. A estratégia de reposicionamento provocou cisões e expurgos, consolidando-se num texto de Le Pen publicado em 2020 e consagrado a homenagear De Gaulle. No ano seguinte, a líder da direita nacionalista aproveitou o aniversário da morte do general para depositar flores aos pés da Cruz de Lorraine, na praia da Normandia onde De Gaulle pisou o solo francês em junho de 1944.

Fora Vichy, viva a "França eterna" do líder da resistência. O giro radical deu frutos, abrindo a via para uma incursão decisiva no eleitorado gaullista. O partido gaullista (Os Republicanos) desabou de 22% dos votos nas eleições parlamentares de 2017 para 7% em 2022, enquanto a RN saltava de 13% para 19%. Há pouco, o presidente dos Republicanos anunciou uma aliança com a RN, rompendo a política do "cordão sanitário", pela qual a direita tradicional prometia isolar Le Pen. A declaração deflagrou uma crise interna, mas foi seguida por expressiva minoria dos candidatos gaullistas.

Na economia, a RN ostenta programa similar ao da esquerda reunida na Frente Popular: quebrar a banca. São árvores de Natal que empilham redução de taxas sobre energia, aumentos de salários e redução de idade de aposentadoria, elevando o déficit público para perto de 7% do PIB. Algo como uma Gleisi no posto de Haddad.

Na política externa, um triunfo da RN seria celebrado por Trump e por Putin. Não que Le Pen ofereça apoio à Rússia na sua aventura ucraniana. É que, de certo modo, repetindo De Gaulle em contexto diferente, ela enxerga a Rússia como contrapeso à influência dos EUA na Europa. Anos atrás, proclamou que o triângulo formado por Trump, Putin e ela mesma inauguraria uma "nova ordem mundial". Bolsonaro deve gostar de tudo isso. Lula, só da parte de Putin.


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Uma reflexão...

Recomendações aos cientistas, Karl Popper:
Extratos (adaptados) de Ciência: problemas, objetivos e responsabilidades (Popper falando a biólogos, em 1963, em plena Guerra Fria):
"A tarefa mais importante de um cientista é certamente contribuir para o avanço de sua área de conhecimento. A segunda tarefa mais importante é escapar da visão estreita de uma especialização excessiva, interessando-se ativamente por outros campos em busca do aperfeiçoamento pelo saber que é a missão cultural da ciência. A terceira tarefa é estender aos demais a compreensão de seus conhecimentos, reduzindo ao mínimo o jargão científico, do qual muitos de nós temos orgulho. Um orgulho desse tipo é compreensível. Mas ele é um erro. Deveria ser nosso orgulho ensinar a nós mesmos, da melhor forma possível, a sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível, evitando como uma praga a sugestão de que estamos de posse de um conhecimento que é muito profundo para ser expresso de maneira clara e simples.
Esta, é, eu acredito, uma das maiores e mais urgentes responsabilidades sociais dos cientistas. Talvez a maior. Porque esta tarefa está intimamente ligada à sobrevivência da sociedade aberta e da democracia.
Uma sociedade aberta (isto é, uma sociedade baseada na idéia de não apenas tolerar opiniões dissidentes mas de respeitá-las) e uma democracia (isto é, uma forma de governo devotado à proteção de uma sociedade aberta) não podem florescer se a ciência torna-se a propriedade exclusiva de um conjunto fechado de cientistas.
Eu acredito que o hábito de sempre declarar tão claramente quanto possível nosso problema, assim como o estado atual de discussão desse problema, faria muito em favor da tarefa importante de fazer a ciência -- isto é, as idéias científicas -- ser melhor e mais amplamente compreendida."

Karl R. Popper: The Myth of the Framework (in defence of science and rationality). Edited by M. A. Notturno. (London: Routledge, 1994), p. 109.

Uma recomendação...

Hayek recomenda aos mais jovens:
“Por favor, não se tornem hayekianos, pois cheguei à conclusão que os keynesianos são muito piores que Keynes e os marxistas bem piores que Marx”.
(Recomendação feita a jovens estudantes de economia, admiradores de sua obra, num jantar em Londres, em 1985)

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