O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

Mostrando postagens com marcador diplomatas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador diplomatas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Écrivains et diplomates: livre français

Écrivains et diplomates
L'invention d'une tradition. XIXSe-XXIesiècles

Sous la direction deLaurence Badel
Année : 2012
Pages : 416
Collection : Recherches
Éditeur : Armand Colin
ISBN : 9782200275426
ISBN version en ligne : 9782200284954

Présentation
« Comment peut-on être ambassadeur de France et poète ? », s’indignaient les surréalistes, en apostrophant Paul Claudel. C’était en 1925. Que reste-t-il de cette alliance à l’heure du numérique, qui renouvelle l’écriture classique du diplomate ? 
Dédié à la conjugaison des deux activités, cet ouvrage met en lumière l’ancienneté, le renouvellement et la diversité des pratiques de l’écrivain entré en diplomatie et du diplomate entré en littérature. 
Interrogeant les identités multiples d’hommes destinés à intervenir dans et sur le monde, analysant les conditions matérielles de l’exercice de leur métier, ainsi que leurs modes d’expression privilégiés, il examine aussi la validité d’un « modèle » français qui serait né avec Chateaubriand. Il s’interroge enfin sur l’invention d’une tradition, formalisée dans l’entre-deux-guerres, mais qui ne trouve sa consécration véritable qu’après 1945, à travers la fortune de l’expression unificatrice et duale d’« écrivain diplomate ». Actes d’un colloque international qui s’est tenu à La Courneuve et à Paris, en mai 2011, augmentés d’articles originaux, ce livre, au confluent de l’histoire littéraire, de l’histoire sociale et de l’histoire des relations internationales rassemble vingt-quatre contributions d’universitaires et de diplomates français et étrangers, ainsi que des échanges entre historiens et diplomates en activité. L’ouvrage est préfacé par Maurizio Serra, délégué permanent de l’Italie auprès de l’Unesco et écrivain.

Sommaire
Pages de début
Remerciements

Préface

L’écrivain diplomate entre littérature et politique

Introduction

Partie I - L’invention de l’écrivain diplomate
1 - L’écrivain diplomate des Temps modernes, entre nécessité politique et pratique culturelle

2 - Le diplomate français au xix e siècle, entre belles-lettres et littérature

3 - Les écrivains diplomates, acteurs ou instruments d’une diplomatie culturelle ? Le cas du Quai d’Orsay au premier xx e siècle

4 - Âge d’or ou naissance d’une tradition ? Les écrivains diplomates français dans l’entre-deux-guerres

5 - Chimère ou caméléon ? Les non-conformistes

6 - Écrivains etdiplomates : des outsidersdans la Carrière ? Lecture sociologique des logiques de nomination

Partie II - Diplomatie et écritures
7 - Le style diplomatique

8 - Le diplomate et l’écriture : le cas des ambassadeurs français en Allemagne depuis André François-Poncet

9 - Écriture et usages de l’Histoire chez les diplomates de la Troisième République

10 - La diplomatie en mémoires. Étude sur les mémoires de diplomates belges et suédois du xx e siècle

11 - Paul Claudel témoin du tournant global : « Le présent comporte toujours la réserve du futur »

Témoignage - Du secret des chancelleries à l’agora des réseaux : les nouveaux enjeux de l’écriture diplomatique

Page 212 à 224
Témoignage - Le diplomate à l’ère numérique

Partie III - Un modèle français ?
12 - La commémoration romaine de Chateaubriand en 1934 ou l’instrumentalisation de l’écrivain diplomate au service de l’amitié franco-italienne

13 - Les écrivains et poètes serbes dans la diplomatie du royaume des Serbes, Croates et Slovènes/Yougoslavie, 1918-1941 : un enjeu historiographique

14 - Les diplomates et l’écriture dans la tradition italienne, de l’Unité à nos jours

15 - Gens de plume à l’ambassade : les réticences de la diplomatie culturelle suisse face au modèle français

16 - Les écrivains diplomates espagnols, de l’époque napoléonienne au régime franquiste

17 - Les diplomates écrivains latino-américains, une fécondité biséculaire

Annexe

Partie IV - Figures
18 - Chateaubriand, modèle du diplomate romantique

19 - Les écrivains diplomates russes et le récit impérial au xix esiècle

20 - « Entre deux mondes ». Oscar Milosz, croisades politiques et dilemmes d’un homme de lettres (1916-1925)

21 - Harold Nicolson et Duff Cooper : dandys anglais, écrivains diplomates et paneuropéens

22 - Romain Gary, écrivain diplomate

Table ronde : les convergences du diplomate et de l’écrivain

Conclusion
Le verbe et le corps : anthropologie du diplomate écrivain

Pages de fin

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Manifesto "Diplomacia e Democracia" - minha opiniao, Paulo Roberto de Almeida

Eis o manifesto que andou circulando pelas redes, depois que foi apoiado por um jornalista de esquerda da FSP.
Ao final, dou a minha opinião sobre ele, ao ler, de colegas, que ele não teria "nenhum caráter político-partidário", o que considero uma grande ingenuidade.
Paulo Roberto de Almeida


DIPLOMACIA E DEMOCRACIA
(lido em 1/06/2017) 
Nós, servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores, decidimos nos manifestar publicamente em razão do acirramento da crise social, política e institucional que assola o Brasil. Preocupados com seus impactos sobre o futuro do país e reconhecendo a política como o meio adequado para o tratamento das grandes questões nacionais, fazemos um chamado pela reafirmação dos princípios democráticos e republicanos.

2. Ciosos de nossas responsabilidades e obrigações como integrantes de carreiras de Estado e como cidadãs e cidadãos, não podemos ignorar os prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo. Nesse contexto, defendemos a retomada do diálogo e de consensos mínimos na sociedade brasileira, fundamentais para a superação do impasse.

3. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a consolidação do estado democrático de direito permitiu significativas conquistas, com reflexos inequívocos na inserção internacional do Brasil. Atualmente, contudo, esses avanços estão ameaçados. Diante do agravamento da crise, consideramos fundamental que as forças políticas do país, organizadas em partidos ou não, exercitem o diálogo, que deve considerar concepções dissonantes e refletir a diversidade de interesses da população brasileira.

4. Para que esse diálogo possa florescer, todos os setores da sociedade devem ter assegurado seu direito à expressão. Nesse sentido, rejeitamos qualquer restrição ao livre exercício do direito de manifestação pacífica e democrática. Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais e o respeito aos direitos e garantias constitucionais.

5. Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país. Somente assim será possível a retomada de um novo ciclo de desenvolvimento, legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.

============

Minha opinião: 

Minha opinião pessoal sobre o “manifesto” (título significativo, não é?).

Ele tem, sim, um caráter político que transparece no uso de conceitos e adjetivos aparentemente neutros, mas caracteristicamente de oposição política ao atual governo.
Não tenho nada contra chamar o governo do que se pretende, abertamente (corrupto?; continuista?; inepto?; em suma, ineficiente para introduzir as reformas necessárias para colocar o país num itinerário de crescimento sustentado, com mudança estruturais e distribuição social dos resultados desse crescimento).
Mas, não se trata disso; por trás de sua aparente neutralidade, o texto em questão não menciona em nenhum momento as forças que estão, declarada e deliberadamente, DIVIDINDO a sociedade brasileira, segundo uma publicidade viciosa e deformada, mentirosa, sustentada por sindicatos mafiosos, que usam o dinheiro de todos nós para trazer militantes para as ruas, que acabam se confundindo com mercenários destruidores do patrimônio público.
Isso é o mínimo que acho desse texto deformado, mal intencionado, por trás de um democratismo mal digerido.
Mas, acho que todos têm o direito de se manifestar, mesmo os divisionistas, os aliados dos mafiosos, os desonestos subintelequituais, assim como os verdadeiros democratas, as pessoas interessadas na superação das divisões atuais — que são, SIM, fabricadas com intenções políticas — e todos aqueles interessados num país que funcione segundo os velhos princípios do Estado de Direito, e de manifestações pacíficas, não as financiadas por organismos profundamente identificados com partidos políticos e com todos aqueles que pretendem defender a organização criminosa que criou no país aquilo que eu chamo de A Grande Destruição.
Não há uma frase sequer contra os corruptos e delinquentes políticos que produziram o presente estado de anomia e de confusão. E que se valem da ingenuidade de muitos para avançar causas que são apenas aparentemente democráticas, mas que são defendidas por agrupamentos políticos que a mim aparecem claramente nas entrelinhas.
Também acho que a ADB não precisaria ter se manifestado, mas uma vez que os que assinaram esse texto deformado o fizeram em nome da classe como um todo, acredito que a ADB também tem o direito de manifestar a posição de sua diretoria, e ela o fez de uma maneira totalmente equilibrada, aliás condenando o caráter político do manifesto, o que eu também condeno. 
C’est mon opinion et je la partage, como diria um dos dois policiais do Tintin...
----------------------------
Paulo Roberto de Almeida

sábado, 25 de fevereiro de 2017

A guerra no Pacifico poderia ter sido evitada? Diplomatas tentaram... - Book review

Não, não poderia ter sido evitada, pois os líderes militares japoneses já tinham decidido atacar os EUA, numa rara, inédita, demonstração de total irrealismo quanto às chances de prevalecer contra o que já era, naquele momento, a maior potência industrial e tecnológica do planeta (mas ainda não militar, obviamente).
Diplomatas costumam ser obedientes, e só em casos raros eles vão contra instruções recebidas, ou desobedecem deliberada e conscientemente ordens da capital.
Mas, eles possuem uma vantagem sobre líderes nacionais (civis ou militares): vivendo no exterior, convivendo com amigos e "inimigos", eles possuem uma percepção mais clara, mais realista, dos fatores em jogo, quando políticos ou militares no próprio país possuem uma visão deformada dessa realidade, quando não são completamente ignorantes do que é o mundo real.
Essa é a tragédia da profissão: atuar no exterior, tendo de receber instruções, muitas vezes, de ignaros nacionais...
Paulo Roberto de Almeida

H-Diplo Article Review 682 on The Desperate Diplomat: Saburo Kurusu’s Memoir of the Weeks before Pearl Harbor
by George Fujii
H-Diplo

Article Review
No. 682
24 February 2017

Article Review Editors:  Thomas Maddux and Diane Labrosse
Web and Production Editor: George Fujii

J. Garry Clifford and Masako R. Okura. The Desperate Diplomat: Saburo Kurusu’s Memoir of the Weeks before Pearl Harbor. Columbia: University of Missouri Press, 2016. ISBN: 978-0-8262-2037-0 (hardcover, $35.00).
URL:  http://tiny.cc/AR682
Review by Justus D. Doenecke, New College of Florida, Emeritus

The reputation of Saburō Kurusu has not been good. As special envoy of the Japanese government in the final three months before the Pearl Harbor attack, Kurusu met with American leaders in a last-ditch effort to prevent Japan and the United States from engaging in a bloody conflict. In a famous encounter that took place at 2:20 P.M. on the afternoon of December 7, the Japanese diplomat—along with Ambassador Kichisaburō Nomura—met with Cordell Hull, who had already been informed of the attack on Pearl Harbor.  The Secretary of State, his hand shaking, accused them of “fabrication and falsehood.”[1] In his memoirs, Hull accused Kurusu of seeking “to lull us with talk until the moment Japan got ready to strike.” [2]

Hull was not alone. Undersecretary of State Sumner Welles found the “oily” diplomat acting as the “goat tethered as bait for the tiger.” On Pearl Harbor day, Eleanor Roosevelt complained about that “nasty little Jap sitting there talking to my husband while Japanese planes were attacking Honolulu and Manila.” (9) Though no specialist has accepted this indictment, Kurusu’s popular image has been one of duplicity.

Thanks to the efforts of the late J. Garry Clifford and Masako R. Okura, a far more sympathetic—and accurate—picture of Kurusu has emerged. The two scholars have supervised the publication of an English translation of Kurusu’s memoir, published in Japanese in 1952 and deposited in the National Diet Library in 2007. The diplomat had died in 1954, before he could publish the English version. Okura, a political scientist conducting research in Tokyo in 2001, came upon the manuscript by accident and immediately recognized its importance. Okura and Clifford, her mentor at the University of Connecticut, have produced a beautifully edited document, whose introduction and elaborate endnotes reveal a superb knowledge of Japanese decision-making and the most recent scholarly literature. Manuscript sources include the papers of Kurusu, President Franklin Roosevelt, British Ambassador Halifax, Herbert Hoover, financier Bernard Baruch, diplomat Sumner Welles, Secretary of War Henry L. Stimson, and the U.S. State Department.  This reviewer finds one slight error: “pace” should be “peace.” (12)

Kurusu had long been a major diplomatic figure, having served in posts as varied as Hankou, Honolulu, New York, Santiago, Rome, Athens, Lima, Hamburg, and Brussels. He was Ambassador to Germany when, in September 1940, Foreign Minister Yosuke Matsuoka negotiated the Tripartite Pact. In his unpublished memoir Kurusu claimed he unsuccessfully sought to resign in protest of the accord.

Early in November 1941, Foreign Minister Shigenori Tōgō, realizing that relations with the U.S. were at a dangerous impasse, sent Kurusu to Washington as special envoy. Ambassador Kichisaburō Nomura, a former admiral, was well liked by the Roosevelt administration. However, Nomura, whose command of English was poor, found himself out of his depth. Hence, that summer he asked his foreign office for Kurusu’s aid. Before he left Tokyo, Kurusu met with Hideki Tōjō, who held the offices of Prime Minister and War Minister and was a full general. Tōjō stressed the necessity of concluding negotiations by the end of the month, although he did not reveal that war preparations were to be completed by early December. (Two days later, Japanese leaders fixed the date of December 7 for an attack on Pearl Harbor). Tōjō saw the negotiations having only thirty percent chance of success, but promised that despite powerful internal opposition he would keep any agreement.

Most of the memoir covers Kurusu’s negotiations with the Americans. During his first meeting with Roosevelt and Hull on November 17, the President suggested direct negotiations between Japan and China. There was, however, no follow through. Within a week, American decoders mistranslated significant Tokyo instructions to Kurusu. The U.S. thought that Japan would be obligated to act ‘automatically’ if Germany invoked the Tripartite Pact of September 1940. In reality the foreign office told Kurusu Japan would act ‘independently.’ When Nomura and Kurusu sought to assure Hull that their nation was under no obligation to assist Germany, the Secretary believed that the diplomats were deliberately lying.

The varied propositions of the American and Japanese representatives (Proposals A and B, Hull’s ten points of November 26) resemble a form of diplomatic ping pong. Because of deadlock over such matters as continued American support for China, the U.S. suggested a three-month modus vivendi: Japan would withdraw 50,000 troops from southern Indochina in return for which the United States would resume moderate sales of oil. Once China objected, Hull decided to “kick the whole thing over” (14). Hull’s ten points were the ultimate ‘nonstarter,’ as they included withdrawal of all Japanese forces from China and Indochina and support only for Chiang Kai-shek’s (Jiang Jieshi’s) government. War appeared inevitable.

By and large historians have overlooked the fact, so clearly brought out in the Kurusu memoir, that even after November 26 the Japanese diplomats actively continued their peace efforts. Due to the efforts of Herbert Hoover, Kurusu met with international lawyer Raoul Desvernine, an attorney on trade matters for Japan’s embassy. Desvernine in turn put him in touch with financier Bernard Baruch, who convinced Roosevelt to reconsider the modus vivendi. Meanwhile, the Methodist missionary E. Stanley Jones suggested that Roosevelt communicate with Emperor Hirohito directly and immediately. By the evening of December 6, however, when the president cabled the emperor, it was too late.

In their perceptive introduction to the memoir, Clifford and Okura indicate that the Pacific War might have been avoided.  They write, “Without rekindling conspiracy theories about who fired the first shot in 1941, we are nonetheless struck by the pervasive atmosphere of fatalism and diplomatic passivity in the final days prior to war” (12). American fatigue played an obvious role. Hull, who suffered from tuberculosis, had put in sixteen-hour days.  The Japanese envoys noted that Roosevelt, too, appeared “very tired” (22). The President had undergone blood transfusions that spring and summer and may well have been suffering aftereffects in late fall. The two historians speculate that had Roosevelt contacted Hirohito shortly after Hull’s ten-point note, the diplomatic process might have been continued.  Conscious that the U.S. was committed to a ‘Europe first’ strategy, American military officials were pressing Roosevelt and Hull for more time, so as to deliver B-17 bombers to the Pacific.

Thanks to the labors of Clifford and Okura, it will be difficult to look again at the last three weeks of peace in quite the same way.

Justus Doenecke is emeritus professor of history at New College of Florida with a Ph.D. from Princeton (1966). He has written twelve books, including Storm on the Horizon: The Challenge to American Intervention, 1939-1941 (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2000), and in 2015 came out with the 4th edition, with John E. Wilz, of From Isolation to War, 1931-1941 (Malden: Wiley Blackwell, 2015). He is writing a sequel to Nothing Less Than War: A New History of America’s Entry into World War I (Lexington: University Press of Kentucky, 2011). The volume will cover the politics and diplomacy of U.S. as a full-scale belligerent, the period from April 6, 1917- November 11, 1918.