Recebo cada pedido insólito...
Como este, por exemplo:
"... acompanho seu blog há algum tempo, me tem sido uma ótima fonte de informação e já aprendi muito com suas postagens. Começarei a estudar para o CACD e peço para que se possível o Sr. me indique uma bibliografia em ordem de importância, O IRB disponibiliza uma, mas esta, está em ordem alfabética, por isso lhe peço uma em ordem de importância.
Peço desculpas se lhe importuno com tal pedido, mas lhe digo que não faço isso por acomodação, visto que já explorei todas as formas possíveis para conseguir está informação, inclusive li tudo o que o Sr. disse em seu blog sobre o assunto.
Grato pela atenção.
Xxxxx Xxxxxx"
O que eu poderia responder?: o que se pretende é que eu classifique a bibliografia por suposta ordem de importância, quando todas as matérias são importantes, igualmente, embora algumas sejam mais relevantes do que outras.
O candidato precisa ter um domínio perfeito do Português, o que não se consegue nos livros, ou pelo menos não exclusivamente. Isso resulta de muita leitura, muita escrita, muita prática de redação, com aperfeiçoamentos constantes ao longo de muito tempo. Eu, por exemplo, me preocupo mais com o conteúdo do que com a forma e meu Português está longe de ser perfeito, possuindo algumas deformações e sérios equívocos que nunca pensei seriamente em corrigir (o que reconheço como erro meu).
O candidato precisa saber inglês muito bem, e eu não tenho nenhum método para isso, pois nunca, repito nunca, aprendi inglês em cursos formais, apenas viajando, lendo, praticando.
Quanto às matérias clássicas, o que se me pede é impossível, mas vou fazer uma recomendação puramente subjetiva, pessoal, do que eu leria como livros:
História Mundial: leria o velho História da Civilização Ocidental de Edward McNall.
História do Brasil: apenas o Boris Fausto, mas o completo, não o conciso.
Economia Brasileira: Gremaud-Tonetto-Vasconcellos, Economia Brasileira Contemporânea.
Geografia, Direito e Relações Internacionais, eu não tenho recomendações.
Quanto aos "clássicos", eu leria Gilberto Freyre (mas apenas um resumo de suas teses, embora o original seja saboroso) e Celso Furtado (embora eu tenha restrições a sua interpretação keynesiana do nosso desenvolvimento econômico).
Tenho muitas outras recomendações, mas eu ficaria com estas apenas.
Divirtam-se.
Paulo Roberto de Almeida
(Hong Kong, 16.05.2010)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sábado, 15 de maio de 2010
Um crash course em concurso para o Rio Branco: é possível?
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Instituto Rio Branco,
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2 comentários:
Professor Paulo, bom dia!
Escrevo para dar minha contribuição para o colega candidato que pediu a dica. No cursinho que faço colocam como fundamental o livro História da Política Exterior do Brasil, de Amado Cervo e Clodoaldo Bueno.
Boa sorte para ele! E para todos nós que estamos nesta empreitada, já estudando domingo 8 e meia da manhã!
Abraço,
Clara
Bem, em minha opinião a orientação do autor deste blog foi corretíssima. Mas, lembro que é necessário se fazer um cronograma para ter controle das leituras, simultâneamente. Não deixe para terminar um livro e começar outro, pois isso atrasará muito o seu ritmo de leitura.
No Direito, leia, impreterivelmente, Lições Preliminares de Direito de Miguel Reale. Outro nome interessante, que eu acho muito didático é o Paulo Nader com Introdução ao Estudo do Direito.Em Direito Internacional, seria o Tratado de Direito Internacional de Celso Albuquerque, um clássico da literatura jurídica. Mas, cuidado pois este autor já é falecido e a família não quis atualizar a obra, portanto, existem algumas passagens históricas que se deve ter atenção. Somente após estas leituras preliminares, pode partir para o Francisco Rezek e Hildebranco Accioly. Na questão de Direitos Humanos, a indicação fica por conta de Fabio Comparato e Guido Soares, mas esses deixe por último.
Existem autores novatos como Valério Mazzuoli, muito didático também, mas o problema é que eles sempre citam os clássicos, então, comece pelos clássicos. Quando for estudar sobre refugiados, leia o Mazzuoli. E quando for estudar sobre a inserção de tratados internacionais na ordem jurídica brasileira, faço a indicação de Sidney Guerra em Direitos Humanos na Ordem Jurídica Internacional e Reflexos na Ordem Constitucional Brasileira. Se seguir esta receita, facilitará tremendamente seus estudos em Direito. Boa Sorte!
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