Desde o início do triunfalismo basbaque de certa imprensa e de muitos analistas políticos em relação à grande "vitória diplomática" turco-brasileira em torno do programa nuclear iraniano, procurei atentar para os aspectos limitados do que era então, como continua agora, uma simples declaração de boa vontade das partes (e de satisfação da parte iraniana) para facilitar a vida do Irã no tocante a um único aspecto da questão em causa: parte dos estoques iranianos de material nuclear.
Recebi muitos comentários, vários publicados (alguns impublicáveis), denunciando o meu pessimismo, e exaltando o "acordo" como um atestado de grandeza da diplomacia do governo atual.
Bem, não creio que seja necessário voltar ao assunto.
Basta transcrever as declarações da representante do Brasil na ONU, Embaixadora Maria Luiza Viotti, segundo quem o Brasil concorda que o Irã não deva ter uma bomba atômica, mas o País discorda que a resolução seja, neste momento, a melhor saída para impedir os iranianos de produzirem uma arma nuclear.
“Nossa declaração conjunta (do Brasil, Turquia e Irã) nunca buscou resolver todos os problemas relacionados ao programa iraniano. Foi apenas uma medida de construção de confiança, para discussões mais amplas sobre a questão”.
Bem, se a resolução não é a melhor saída, seria preciso dizer qual é essa saída. Continuar conversando, como se nada tivesse acontecido, desde o ano passado, quando foram interrompidas as "negociações" -- na verdade, "enrolações" -- entre as partes seria não apenas uma demonstração de ingenuidade, mas também de estupidez...
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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4 comentários:
Caro PRA,
Gostaria de conhecer sua avaliação sobre os últimos movimentos da Turquia. Creio que um comentário seu possa clarificar as coisas, pois em nossa mídia, só superficialidades(novidade?).
Abs
Prezados,
A "opinião" de nossa representante no CS pouco ou nada mudará a decisão tomada em favor de nova resolução (1929) contra o Irã! 12 votos a favor, 2 contrários (Brasil e Turquia...óbvio...!) e uma abstenção(Líbanao).
Vale!
Chamar de equívoco uma decisão de 13 países contra 2 é megalomania total - que não causa espécie vindo do Lula. Equivocada está a política externa brasileira, se afastando de países amigos e se colocando numa situação suspeita em termos de programa nuclear. Imagino o desconforto de cabeças pensantes, como a sua, no Itamarati....
Marcelo,
Nao me considero competente para comentar sobre as posicoes da Turquia. Apenas observo que o pais, antes fator de equilibrio na regiao, tendo inclusive boas relacoes com Israel, podendo portanto servir como ponte, ou intermediario, entre os paises arabes, e islamicos, e Israel, hoje se alinha cada vez mais aos paises muçulmanos e perde assim sua qualificacao de neutro, independente, ou de boa vontade para desempenhar esse tipo de missao. Ja o patrocinio da "flotilha da Liberdade" -- um travestimento de militantes por-Hamas e inocentes uteis, ou inuteis, do Ocidente -- foi uma demonstracao de que a Turquia atual, dominada por um partido islamizante e fundamentalista, perdeu varios pontos na escala democratica que a UE estabelece para os candidatos ao ingresso.
Apenas isso.
Paulo Roberto de Almeida
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