Pois é, sempre é assim: o Império, que tem seus próprios "SOBs", que eles protegem quando lhes servem, ou quando servem a seus interesses de segurança -- aqui incluídas algumas ditaduras detestáveis -- e que só introduzem moções políticas no Conselho de Direitos Humanos da ONU, se permite criticar este país que andava lendo tendo seus rompantes de hipocrisia -- maiores do que de costume -- nessa questão de direitos humanos.
O Brasil poderia dizer que os EUA não olham o seu próprio rabo, mas sempre se pode dizer, também, que fazemos ou deixamos de fazer coisas, no plano das relações internacionais, não para contentar ou desagradar alguém, ou outro país, mas em função de nossos próprios valores e princípios.
Parece que os valores e princípios, até pouco tempo atrás, eram, infelizmente, os de ser amigo e até aliado desses ditadorezinhos de opereta, apenas porque eles são -- alguns já eram -- supostamente não-hegemônicos e anti-imperialistas. Não há maneira mais cínica de fazer política externa...
Paulo Roberto de Almeida
WikiLeaks: EUA criticam hipocrisia do Brasil sobre direitos humanos
Yahoo notícias, 23/02/2011
BRASÍLIA - As relações comerciais e a perspectiva de conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas levam o Brasil a adotar uma postura ambígua, que chega a ser hipócrita, nas discussões multilaterais sobre a promoção dos direitos humanos. Essa avaliação pontua os relatos a Washington da diplomacia americana em Brasília, segundo telegramas divulgados pelo site WikiLeaks. Para os EUA, o Brasil tem um retrospecto de violações, especialmente no que diz respeito ao trabalho escravo e às condições precárias dos presídios.
Em mensagem confidencial, enviada em 11 de julho de 2008, a conselheira Lisa Kubiske resume a visão americana sobre os votos do Brasil nos fóruns internacionais de direitos humanos:
”Moralidade é uma faca de dois gumes para a política brasileira em razão da clara hipocrisia quando esta firmemente rejeita a condenação de estados que violam os direitos humanos, se estes países podem prover um apoio tangível aos interesses do Brasil”.
Os americanos destacam que o Brasil não encontrou problemas em condenar violações no Turcomenistão, mas é reticente a condenar no Irã ou na China, parceiros durante o governo Lula.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Um comentário:
Muito oportuna a reportagem ainda mais hoje data do aniversário da morte de Orlando Zapata Tamayo ativista cubano que morreu depois de uma greve de fome.
As declarações do Lula em sua visita a Cuba foram lamentáveis, mas pior mesmo foram as declarações depois por que nem podia dizer que foi pego de surpresa.
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