A informação relativa à Colômbia já tinha sido postada aqui. Os demais países é novidade, mas não surpresa, nem novidade. Qualquer observador mais atento já teria percebido que o ativismo lulista, ou brasileiro, despertaria preocupações na região.
O que não se sabia era da atuação do ex-chanceler em favor do Sudão...
Paulo Roberto de Almeida
Diplomacia de Lula irritou sul-americanos
Jamil Chade, correspondente
O Estado de S.Paulo, 8 de fevereiro de 2011
EUA escutaram de Colômbia, Paraguai e Chile pedidos para ‘conter’ o Brasil, revela WikiLeaks
GENEBRA - Telegramas secretos da diplomacia americana revelam que, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir a Washington que "contivesse" as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.
Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. "Uribe disse que sua relação com Lula é complicada", relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: "Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina", teria dito Uribe.
"Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA", acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.
Quatro anos mais tarde, as desconfianças em relação a Lula continuariam na Colômbia. Em um telegrama de 2008, o governo americano afirma que foi informado por militares de Bogotá sobre o projeto de criação de um Conselho de Defesa da América do Sul pelo Brasil. "A desconfiança é que seja um projeto, no fundo, de Chávez", teriam alertado os militares.
Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria "gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil". Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados.
"Rachid afirmou que o Brasil teve uma ‘grande disputa’ com vários chanceleres (da América do Sul), incluindo a ministra colombiana (Carolina) Barco e o chileno (Ignacio) Walker, quando Amorim pediu que eles reduzissem as objeções que tinham sobre o Sudão e o processo de paz no Oriente Médio", descreve o embaixador americano.
Rachid diz que gostaria de falar com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre "preocupações em relação à política externa e comercial do Brasil". "Ela (Rachid) estava preocupada com as ambições do Brasil de se tornar uma voz de liderança na região e pediu que os EUA se posicionassem para conter o Brasil."
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Wikileaks: Brasil-EUA e o resto da regiao: ciumes e subterfugios...
Labels:
Américado Sul,
Brasil,
Chile,
Colômbia,
Diplomacia,
Geral,
Internacional,
Lula,
Paraguai,
Wikileaks
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Meus blogs em eleições presidenciais - Paulo Roberto de Almeida
Meus blogs em eleições presidenciais Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. Primeira informação sobre meus blogs eleitorais. Destin...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Israel Products in India: Check the Complete list of Israeli Brands! Several Israeli companies have established themselves in the Indian m...
-
Testei as 7 ferramentas de IA GRATUITAS do Google (que superam todas as alternativas pagas) https://www.youtube.com/watch?v=om4SYmD6RnM
-
Bibliografia para o concurso do Rio Branco Resumo de uma lista de leituras por: Paulo Roberto de Almeida (Brasília, fevereiro de 2010) ...
-
Stephen Kotkin is a legendary historian, currently at Hoover, previously at Princeton. Best known for his Stalin biographies, his other wor...
-
Por puro acaso, recebendo hoje mais um "enésimo" comentário a este post meu: QUINTA-FEIRA, 21 DE MAIO DE 2009 1112) Carr...
-
Introdução necessária (PRA): O presidente Lula, assim que tomou posse, em janeiro de 2023, convidou os dirigentes sul-americanos para uma r...
2 comentários:
Bom dia Paulo!
Disseram para mim que estou pessimista com a politica, economia,...do Brasil e do mundo. Será que isto é uma fragilidade intelectual minha? abs
Indiscutivelmente, a notícia não é surpresa para ninguém... A Colômbia é para a América Latina uma espécie de contraponto para a hegemonia brasileira na América do Sul, que já está deveras consolidada, não apenas no âmbito econômico, como no ideológico e político. Todo o apoio americano a Colômbia na América do Sul parte de uma visão mais abrangente no mundo, de conter uma potência emergente fortalecendo seu antagonista. Como assim? No Sistema trilateral de organização econômico pós segunda guerra mundial, os americanos fortaleceram (e também pelo fato de estarem ocupando esses países) as economias do Japão e da Alemanha, na tentativa de antagonizar o crescente poderio de Rússia e China, que sempre foram as potências que verdadeiramente poderiam criar um sistema geopolítico regional estável. e.g. o que ocorre na América do Sul, a Colômbia tergiversa ser o contraponto da hegemonia brasileira na América do Sul. Contudo, eu talvez não esteje tão certo de que os nossos amigos do norte vão apostar num pais economicamente, politicamente e socialmente fragilizado, quando pode apoiar um equilibrio geoestratégico com uma democracia consolidada e com uma economia pujante, como é o caso do Brasil.
Postar um comentário