Ufa! Eu andava preocupado com toda essa linguagem protecionista, similar nacional, concorrência desleal, essas coisas antigas que só revertem em produtos mais caros para o consumidor nacional, e aí vem nosso "protetor maior" e restabelece a verdade das coisas, com uma lógica inatacável, anunciando e justificando, antecipadamente (e sem possibilidade de retaliação no âmbito da OMC, e também sem qualquer consulta a nossos sócios do Mercosul), essas medidas civilizadas, o que me deixa infinitamente mais tranquilo.
Ainda bem. Estava começando a ficar preocupado.
Sei agora que tudo é feito em favor da indústria nacional, e que política comercial não é política industrial.
Estamos salvos. O ministro nos coloca no patamar dos países civilizados.
Imaginem só: ficar no bloco dos países bárbaros, que são anacronicamente liberais em comércio internacional! Saímos das trevas e penetramos nos umbrais da civilização.
Glória, glória...
Paulo Roberto de Almeida
Governo estuda produtos importados que podem ter imposto maior
07 Feb 2011
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou nesta sexta-feira que o governo está analisando todos os 12 mil itens da balança comercial brasileira para definir sobre quais produtos deve elevar a alíquota de importação. A data para divulgação dessas medidas ainda não foi definida, já que o processo de análise é demorado, segundo o ministro.
O governo quer aumentar essas taxas para proteger o país do aumento das importações, que têm afetado vários setores, a exemplo dos segmentos de calçados, de eletroeletrônicos e de produtos têxteis.
De acordo com Pimentel, a elevação da alíquotas do Imposto de Importação não será feita num setor inteiro, e sim pelos itens mais afetados.
"Não vamos fazer tratamento por atacado. Vamos olhar item por item e, naqueles em que claramente está havendo prática de preços fora da média da competição internacional, nós vamos aplicar as taxas de importação permitidas pela OMC [Organização Mundial do Comércio]", declarou.
A atual legislação da OMC diz que os países podem ter uma taxa de importação de até 35% para itens de sua pauta de comér cio exterior.
O ministro defendeu que a prática não significa que o país vai aderir ao "protecionismo". "Nós teremos uma prática de defesa comercial, como todos os países civilizados fazem, que é defender a indústria de seu país", afirmou, após reunião em São Paulo com empresários para discutir inovação.
O Ministério do Desenvolvimento está à frente do plano "de defesa comercial", mas segundo o ministro, a palavra final sobre a alta das alíquotas será da Camex (Câmara de Comércio Exterior).
Em janeiro, Pimentel já havia anunciado que o governo prepara medidas de desoneração do setor produtivo para aumentar a competitividade da indústria do país, incluindo redução de tributos sobre a folha de pagamento.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Um comentário:
Vamos lá felizes e confiantes com as bençãos da FIESP direto para a velha inflação.
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