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Coisas Internacionais, 13 Mar 2014 07:06 AM PDT
Os observadores da Política Externa Brasileira costumam apontar para realidade que para alguns é incomoda de que o Itaramaty perdeu espaço na formulação de política externa para questões sul-americanas, que estariam sob atenção direta do Palácio do Planalto, mais precisamente sob coordenação de Marco Aurélio Garcia. E isso se faz sentir no modo como o Brasil atua nesse continente.
A Venezuela cresceu em importância econômica para o Brasil desde o governo Lula, investimentos brasileiros fluíram para o país de Bolívar, mas o modo errático de administração econômica dos bolivarianos exige dos exportadores brasileiros doses cavalares de paciência e de navegar os tortuosos caminhos palacianos para conseguirem liberar seus pagamentos. Não é difícil imaginar que um procedimento pouco ortodoxo como esse esteja aberto a arbitrariedades e as famosas “vendas de soluções”. Mas, quem faz negócios com a Venezuela e for diligente já estava sabendo que interagiria num sistema altamente personalista.
A crise é grave e contabiliza mortos e cenas dantescas de milicianos abrindo fogo contra estudantes universitários, mas ao que parece para o Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio esses acontecimentos são apenas “valorização midíatica”.
Em reportagem da BBC Brasil uma teoria adicional sobre o silêncio brasileiro, que seria fruto de pragmatismo comercial, ou seja, evitaríamos comentários ostensivos quanto a situação da Venezuela e assim garantiríamos que exportadores e, principalmente, empreiteiras recebessem seus pagamentos, que são vultosos.
Já escrevi aqui sobre essa crise alertando que ela escancara a ilusão que é a noção de liderança brasileira, que os acadêmicos de RI tanto gostam. Resgato agora um trecho:
Ora, se o governo brasileiro quer mesmo ter papel de liderança no continente não pode se omitir, não pode deixar de condenar a violência dos manifestantes e dos agentes do governo, deveria fazer gestões para que o opositor preso responda processo em liberdade, o que acalmaria um pouco as ruas e pediria comedimento por parte do regime na resposta as manifestações e mais articularia uma missão da UNASUL ou MERCOSUL até a Venezuela para avaliar melhor a situação e para ajudar na negociação do fim da crise. Ações práticas demonstram liderança.
Inevitável é o questionamento de quanto da ação vacilante do governo deriva da simpatia ideológica e o quanto deriva de um quadro de análise política sobre a mensagem que isso passaria aos manifestantes nacionais, que prometem infernizar o governo durante a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014.
Pode um líder ser tão vacilante? Cabeças devem estar fervendo no belo palácio dos arcos atormentadas por essas questões, como diria o Barão do Rio Branco, Política Externa é projetar uma certa imagem de Brasil e nesse caso é uma parcial a favor de regimes de mesma matiz ideológica e vacilante quanto a própria capacidade de intermediar crises regionais. É esse um quadro acurado?
Adiciono uma pergunta as que fiz acima. Um verdadeiro líder regional se abstém de influir positivamente para a solução pacífica de uma crise que ceifa vidas humanas e com potencial de tornar ainda mais forte a marca Brasil na região por medo de ser alvo de calote ou de represálias?
A UNASUL parece que finalmente se convenceu da necessidade de alguma ação de mediação, e votou pela criação de um Conselho de Chanceleres para acompanhar a questão que para ser efetivo deve oferecer Bons Ofícios para que os lados alcancem algum tipo de solução que cesse a violência. Embora, a nota divulgada, com o diplomatiquês de sempre não seja auspiciosa nesse sentido.
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Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 13 de março de 2014
Venezuela, Brasil e Unasul - Coisas Internacionais
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