Acorda Minas Gerais
José Gobbo Ferreira
Outubro de 2014
O Estado das Minas Gerais mora no meu coração. Terra dos meus pais, ali vivi os mais encantadores dias de minha vida, na fazenda de meu avô materno, no Triângulo Mineiro. A menos de uma boneca de pano trapalhona e de um sábio sabugo falante, tínhamos tudo que substituísse o pessoal do Sítio do Pica-pau Amarelo.
Pedrinhos e Narizinhos havia aos montes. Éramos mais ou menos uns quinze primos e primas. Tia Dande fazia as vezes de Dona Benta e Tia Nastácia. Havia vários Rabicós, mas nunca vi nem o Quindim nem o Saci. Talvez porque eu só ia lá durante as férias, e eles também tivessem direito às deles.
Assim, as férias de minha infância se passavam naquele ambiente quase mágico para um garoto de cidade grande.
Depois de formado, trabalhei em Juiz de Fora e Itajubá e rodei por todo o Estado. Um dia, meus pais voltaram para Minas com a família e meus irmãos lá estão até hoje. Tenho Minas no DNA e no coração.
Hoje, vejo com profunda tristeza as gentes das Alterosas sucumbirem ao canto de sereias malfazejas e virarem as costas àquele que foi um dos melhores, senão o melhor Governador que já tiveram.
No primeiro turno os emissários de Cuba conseguiram iludir a maior parte dos eleitores mineiros. Uma mulher corrupta e dissimulada conseguiu ter mais votos no território das Alterosas do que o eterno Governador. Parece que a ingratidão contaminou o coração de parte dos eleitores de Minas.
Na eleição, de um lado estava o Governador que elevou Minas como nunca no conceito nacional. Que colocou a educação, a saúde e a segurança pública mineiras em primeiro lugar na comparação com os outros Estados e encheu de orgulho o vosso peito.
Do outro, a criatura que levou o País ao fundo do poço, com déficits em todas as contas do governo e trouxe de volta a inflação para nosso país. Fez o Brasil parar de crescer e aumentou o desemprego, apesar de mantê-lo disfarçado pelos 55 milhões de pessoas recebendo bolsa família e fora da condição de desempregados. Juntamente com seus comparsas, elevou a corrupção a um nível inimaginável e juntos espoliaram as empresas estatais para a satisfação de seus objetivos políticos e pessoais. Só da Petrobras rapinaram cerca de 10 bilhões de Reais, segundo confessa o próprio operador dos desvios.
No primeiro turno tivemos essas duas personagens levadas ao julgamento dos eleitores de Minas. E para nosso total desencanto, a megera venceu. A voz da maioria dos eleitores deu ganho de causa ao lado escuro da força.
Se me fosse possível, daria um pulo a cada canto de Minas, convidaria seu povo para prosear um pouco e lhes mostraria a mentira, a peçonha e o perigo que se escondem por trás dos sorrisos traiçoeiros desses que lutam contra vosso Governador e contra o Brasil.
Como não tenho esse poder, lhes mando um recado: Acorda Minas Gerais!
Como esquecer vossas sólidas tradições de independência e de liberdade? Esses que agora profanam vosso solo são súditos do sanguinário rei de Cuba e querem transformar o Brasil em uma cópia daquela ilha maldita. Vocês querem cooperar com esses vendilhões da Pátria? Transformar nosso País em um inferno comunista? De que lado vocês estão? De Tiradentes ou de Silvério dos Reis?
Quando lutamos tempos atrás, era em vocês que pensávamos, pois a geração de vocês é a de nossos filhos, nossos netos. Hoje eu lhes peço, do fundo do coração, que pensem agora nos vossos filhos, nos vossos netos.
Que país vocês querem deixar para eles? Esse mar de lama, onde todas nossas instituições estão mergulhadas? Essa dilapidação do patrimônio nacional para encher os cofres do partido no poder e os bolsos de seus correligionários? Esse cinismo descarado, do “não sei de nada”, “não vi nada”, enquanto o dinheiro sujo está financiando suas campanhas eleitorais? Esse uso criminoso da máquina do Estado para esmagar dissidentes e adversários políticos, espalhar calúnias e corromper parlamentares, juízes e tudo mais que lhes for conveniente? Isso é democracia? Isso é republicano?
Um doce mineiro de Pedro Leopoldo disse que “ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e construir um novo fim”.
O segundo turno é um recomeço. Por ocasião dele, reneguem o erro do primeiro e façam de vosso Governador o Presidente de nossa República para que, lá no Planalto, naquela cidade que outro filho de Minas fez construir, ele possa repetir, com juros e correção, o magnífico governo que realizou no nosso querido rincão.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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