sábado, 4 de abril de 2026

Meu primeiro computador: um MacIntoshPlus, em 1987, o primeiro de uma série quase completa - Paulo Roberto de Almeida

Meu primeiro computador: um MacIntoshPlus, em 1987, o primeiro de uma série quase completa

Paulo Roberto de Almeida

Com meu paupérrimo salário de simples primeiro secretário da carreira diplomática, servindo em Brasília (era mais ou menos o equivalente a quem servia café no Senado Federal), eu não conseguia comprar qualquer computador no Brasil nos tempos da Lei de Informática, um dos últimos legados do protecionismo nacionalista da industrialização "redentora" de nosso atraso tecnológica. Tínhamos de trabalhar, na Secretaria de Estado, com os computadores do Doutor Olavo, ou seja, os Itautecs, simples cópias caríssimas dos primeiros computadores pessoais da Microsoft, os INMs PC do início dos anos 1980. Creio que uma daquelas caixas desengonçadas, adquirida no Brasil, custava o equivalente a 4 mil dólares, muito acima, portanto de meu magro contracheque.

Apenas quando sai de Brasília, para o meu terceiro posto, a Delegação em Genebra, foi que consegui adquirir meu primeiro computador, ainda assim de segunda mão, ou seja, usado, um MacIntosh Plus, um dos primeiros dessa linha, depois do Apple II. A principal característica do computador é que ele não tinha nada dentro, ou pelo menos nada de importante: era uma caixa de plástico, com fios e circuitos por dentro, que conseguiam, pelo menos, escapar daquelas horríveis telas dos PCs da era do sitema DOS, letras e caracteres especiais, em branco, numa tela completamente preta, funcionando à base de comandos estranhos, teclados tão somente.

A caixinha do MacIntoshPlus pelo menos apresentava uma telinha simpática, com um mouse acoplado, o que permitia desenhar num estilo próximo ao de Picasso, ou talvez de Andy Warhol. Não tinha nada dentro, e tudo tinha de caber num simples diskette de 720kbs e só (pelo menos não eram aqueles discos pretos quase do tamanho de um longplay. Na diskette havia o sistema operacional (um dos primeiros OS, mas não me lembro se tinha esse acrônimo ou algum número) e nada mais: precisávamos carregar um soft de trabalho (acho que o meu era o MacWrite, ou algum outro processador de texto), e nossos arquivos precisavam caber no mesmo diskete, pois o MacIntoshPlus não tinha hard drive interno. Era uma agonia, enviar tudo dentro dos 720kbs.

Assim era o meu primeiro computador: 


Minha primeira aquisição adicional foi um Hard Drive externo: total surpresa quando li atrás que ele era Made in Ireland. Sequer eu desconfiava que aquele país atrasado que ainda era a Irlanda era capaz de exportar acessórios de computador (a partir daí comecei a seguir as informações econômicas daquela ilha, que no passado exportava ingleses pobres para os EUA, que tinha ingressado na CEE como um dos membros mais pobres, senão o mais pobre (depois dos seis originais, entrou em 1972, com o Reino Unido e a Dinamarca). Nos anos 1980 já tinha começado a sua revolução econômica, mas isso eu não sabia.

Minha segunda aquisição, um ano e meio depois, foi trocar esse primeiro Mac por um MacIntoshHD, ou seja, com Hard Drive integrado. Creio que o comprei em New York, em meados de 1989, depois de uma conferência internacional da OMPI sobre circuitos integrados em Washington (que não parece ter resultado em tratado).

A partir dos anos 1990, comecei a comprar TODOS os computadores da linha Apple, absolutamente todos, desk tops e laptops (os primeiros, não muito eficientes). Se eu tivesse guardado cada um deles, na transição para um novo, eu teria hoje um museu praticamente ccompleto de toda a linha Apple, inclusive um híbrido, ou seja, que permitia trabalhar tanto no Mac OS e no sistema Windows (ou Rwuindos, como eu costumava chamar a cópia mal feita do sistema Apple). 

    Bem, não pretendo oferecer minha biografia informática, mas resolvi aproveitar uma imagem do simpático MacIntoshPlus para recordar, com saudades, do meu primeiríssimo computador. Sempre fui fiel à Apple, mesmo ela cobrando mais caro, relativamente aos demais computadores da linha PC (DOS, Windows e tudo o mais), e isso cobriu toda a série: micro, iPods, tablets e todo o resto no meio, até chegar aos da linha MacBook Air (de vários tamanhos) que estão comigo neste momento.

Algum dia escrevo mais sobre esse lado da minha produtividade na escrita, saindo dos cadernos e cadernetas de anotações, máquinas de escrever (cheguei a ter uma IBM elétrica, de esfera, para escrever minha tese de doutorado, que me custou uma fortuna na Suíça) e outras geringonças para escrever e me comunicar (meu primeiro celular, comprado em Paris, tinha o tamanho de um pequeno tijolo). 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4 abril 2026.




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