Sobre azedumes opinativos
Entendo que o Facebook, assim como os demais canais de comunicação social, é um espaço livre, aberto a todas as opiniões, mesmo as mais disparatadas e divergentes do consenso usual. Cada um, cada qual, tem o direito de expressar a sua opinião, e elas serão cada vez mais incisivas num ano eleitoral, que suscita obviamente reações desencontradas com quem ou contra quem não partilha da mesma opinião. O que não cabe é censura ou tentativa de silenciar as opiniões contrárias.
Eu, por exemplo, acho que o bolsonarismo foi a coisa mais horrorosa que aconteceu no Brasil em anos passados e que pode voltar a ocorrer nos anos à frente, não da mesma forma, evidentemente, mas com a mesma estupidez ideológica, as mesmas trapaças milicianas, a mesma corrupção desenfreada e, sobretudo, para mim, a mesma submissão canina e calhorda a um imbecil estrangeiro. Em síntese, vou lutar contra.
Mas nem por isso acho que o lulopetismo, sua cegueira econômica, suas adesões externas a líderes execráveis e suas crenças politicas sejam a melhor coisa que nós, brasileiros comuns, de fora da promiscuidade politica, merecemos como governo e como representação diplomática. Não o coloco no mesmo plano do horror bolsonarista, que é um acúmulo de estupidezes, falcatruas e mentiras, poucas vezes visto na história politica do Brasil, mas acho que petistas permanecersm num estado de anacronismo politico e econômico lamentável, para as necessidades do país, para os próprios pobres que eles dizem defender. O culto do atraso estatal é tão pernicioso quanto o “liberalismo de fancaria” de certos representantes do capital.
Gostaria de algo melhor. Mas entendo que o grau de deseducação política, ou a falta de educação tout court, leva os eleitores a votarem pelos candidatos mais mentirosos, populistas demagogos e despreparados, que entram na política justamente para se locupletarem com a retórica enganosa. Com as muitas exceções de praxe, a casta politica é feita de aproveitadores (e nisso vou ser contestado por muitos), concentrados unicamente ou principalmente no seu próprio beneficio material. Tenho horror também desses altos magistrados assaltantes dos recursos públicos, que ficam inventando penduricalhos para justamente mamar nas mesmas tetas de um Estado balofo e ineficiente.
Não por liberalismo, mas por simples pragmatismo, sou por uma redução radical das prebendas públicas, que incidem numa tributação elevadíssima sobre os trabalhadores produtivos, os empresários, que sustentam toda a burocracia perdulária e os políticos predatórios.
Esta é a minha opinião. Quem não concordar, pode criticar, ou fazer o seu próprio manifesto politico e publicar em seu espaço, ou até aqui.
Uma última coisa: sou absolutamente contrário ao voto nulo, pois significa justamente abandonar o terreno aos mais motivados, que costumam ser os mais fanáticos em cada extremo, os true believers. Na ausência de alguém minimamente razoável, devemos ir sempre ao menos pior, que é justamente aquele que não nos retire a chance de dissentir e de expressar opiniões contrárias. Bozo era justamente uma mula perversa, um ser hediondo que queria se manter pela força, como aliás seu modelo “I love you!”. Por isso rejeito TODOS aqueles que pretendem que ele possa fazer qualquer coisa decente num pais simplesmente carente de dignidade, de honestidade e de estadistas como é o Brasil.
Repito, não darei espaço aqui para quem defender a indignidade e a velhacaria de quem já diminuiu o Brasil aos olhos do mundo.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/05/2026.
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Madame IA comenta, sempre a pedido de Airton Dirceu Lemmertz:
Esta nova inserção traz o contraponto necessário para entender a posição de Paulo Roberto de Almeida. Se o texto anterior parecia um ataque feroz e exclusivo ao petismo, este manifesto clarifica que a sua crítica não é partidária, mas institucional e sistêmica. Ele se posiciona no que poderíamos chamar de "terceira via pragmática", embora profundamente pessimista.
Abaixo, a análise detalhada e crítica das camadas desse discurso:
1. Decodificação de Expressões e Referências:
- "Submissão canina e calhorda a um imbecil estrangeiro": Refere-se à relação de Jair Bolsonaro com Donald Trump. Almeida critica a erosão da autonomia diplomática brasileira (o tradicional Itamaraty) em favor de uma admiração pessoal por um líder estrangeiro.
- "Liberalismo de fancaria": Uma crítica direta ao grupo que apoiou o governo anterior sob a promessa de reformas liberais que, na visão do diplomata, foram superficiais, mal executadas ou traídas pelo corporativismo. "Fancaria" significa algo de má qualidade, ordinário.
- "Educação tout court": Expressão francesa que significa "simplesmente" ou "sem mais". Ele argumenta que o problema não é apenas a falta de instrução política, mas a falta de educação básica, o que torna a massa manobrável por populistas.
- "Aposentadoria de magistrados e penduricalhos": Refere-se à elite do Judiciário que, através de interpretações criativas da lei, mantém privilégios financeiros (auxílios diversos) que ele classifica como "assalto aos recursos públicos".
- "Modelo 'I love you!'": Alusão direta à frase dita por Bolsonaro a Trump, simbolizando o que Almeida considera uma postura indigna para um chefe de Estado.
2. Análise Crítica: A Dialética do "Menos Pior":
O cerne do pensamento de Almeida aqui é o rejeicionismo duplo, mas com gradações de periculosidade:
- A Assimetria do Horror:
Embora critique o Lulopetismo por sua "cegueira econômica" e "anacronismo" (parar no tempo), ele estabelece uma distinção clara de natureza: o Bolsonarismo é tratado como uma patologia moral e institucional ("trapaças milicianas", "estupidez ideológica"). Para o diplomata, o PT é um erro de gestão e visão de mundo; o bolsonarismo é um erro de caráter civilizatório.
- O Estado Balofo e a Casta Política:
Almeida ataca o que chama de "Estado predatório". Sua crítica aos "penduricalhos" e à "burocracia perdulária" não vem de uma ideologia de mercado purista, mas de um pragmatismo fiscal. Ele vê o Brasil como um país onde quem produz (trabalhadores e empresários) é escravizado por uma casta que se locupleta da máquina pública. É uma visão que ecoa o conceito de "estatismo orgânico", onde o Estado serve a si mesmo, e não ao cidadão.
- A Rejeição ao Voto Nulo: O Realismo Político:
Sua posição sobre o voto nulo é crucial em 2026. Ele argumenta que a abstenção ou a neutralidade fortalece os "true believers" (os fanáticos). Ao defender o voto no "menos pior", ele faz um exercício de sobrevivência democrática: deve-se escolher aquele que, ao menos, permita que você continue sendo oposição. No seu entendimento, o governo anterior representava o risco do fim da própria dissidência.
3. Síntese do Posicionamento do Diplomata:
Paulo Roberto de Almeida escreve como um acadêmico e diplomata de carreira que se sente órfão de uma elite política qualificada. Sua crítica é "brutal" (como ele mesmo diz) porque ele não poupa os dois polos que dominam o cenário em maio de 2026.
- Contra o PT: Critica a economia baseada no gasto e o apoio a ditaduras de esquerda.
- Contra o Bolsonarismo: Rejeita o que considera uma ameaça à dignidade nacional e à democracia.
- Contra o Judiciário: Denuncia o sequestro do orçamento por elites togadas.
* A conclusão crítica: O autor descreve um Brasil "carente de estadistas", onde a eleição de 2026 não é sobre o "melhor projeto", mas sobre qual lado causará menos danos às instituições remanescentes. É um grito de frustração de quem vê o país preso em um ciclo de populismo e mediocridade.
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