Aliás, não está a caminho, já está no processo, e não deve sair antes de algum tempo, pois governos irresponsáveis só empreendem reformas em situações de crise, que certamente vai vir, mas não de forma imediata.
Outros países estagnaram durante décadas, como a Inglaterra pré-Thatcher, por exemplo, ou Argentina, que ainda está em estagnação e em decadência profunda, há pelo menos 80 anos...
Paulo Roberto de Almeida
SEM REFORMAS, UM LONGO PERÍODO DE ESTAGNAÇÃO!
Cláudio Frischtak*
Folha de S.Paulo, 07/12/2013
Neste ano a participação da indústria de transformação no PIB deverá mais uma vez declinar e, pela primeira vez desde a década de 1950, se situar abaixo de 13% --neste último trimestre estava pouco acima desse patamar. Esse movimento segue um padrão observado em outros países. Porém, no caso do Brasil, algo está fora do lugar. De modo mais geral, ao relacionar a relevância da indústria de transformação com a renda per capita, o país é um ponto "fora da curva", ou seja, para um país de renda média a indústria deveria ocupar um espaço significativamente maior.
A explicação se resume numa palavra: competitividade. Esta vem sendo subtraída por custos sistêmicos elevados --o exemplo da infraestrutura vem imediatamente à tona; taxa de investimento em capital físico e intelectual insuficiente e baixa produtividade e elevados custos unitários do trabalho. Esses fatores limitam a capacidade de a indústria competir e restringem seu crescimento. A produtividade é a chave e, no longo prazo. E, nesse sentido, a nossa fragilidade é evidente. Não apenas a produtividade fatorial total avança pouco e assim contribui marginalmente para o crescimento da economia (menos do que 1% ao ano nas duas últimas décadas) como, na indústria de transformação, a produtividade medida pelo valor agregado por pessoa ocupada ficou praticamente estagnada entre 1995 e 2010.
Essa situação corrosiva se tornou recentemente ainda mais adversa: desde o último trimestre de 2010, não apenas o custo de trabalho vem subindo como a produtividade faz o caminho inverso --o que possivelmente explica a perda acelerada de tecido industrial em 2011-12. Não à toa, somente 7% das empresas em sondagem recente da CNI se declararam mais produtivas do que seus pares internacionais. O país necessita encarar um fato singelo: ficamos para trás em relação aos nossos competidores e, a menos de um programa sério e crível de reformas, a indústria estará fadada a um longo período de estagnação.
* Doutor em economia pela Universidade Stanford e presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Mostrando postagens com marcador Claudio Frischtak. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Claudio Frischtak. Mostrar todas as postagens
sábado, 14 de dezembro de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
Por que o Itamaraty não faz uma nota sequer sobre os crimes de guerra russos na Ucrânia? - Paulo Roberto de Almeida sobre um relato de prisioneiro
Um horror perpetrado por um Estado aliado da atual diplomacia lulopetista não é um horror: apenas casos a serem desprezados e ignorados. Cr...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Um horror perpetrado por um Estado aliado da atual diplomacia lulopetista não é um horror: apenas casos a serem desprezados e ignorados. Cr...
-
Uma preparação de longo curso e uma vida nômade Paulo Roberto de Almeida A carreira diplomática tem atraído número crescente de jovens, em ...
-
Lula e Flavio Bolsonaro na TV Globo, quinta e sexta feira, 27 e 28/08/2026 === No primeiro debate eleitoral de 2026 entre os candidatos à ...
-
Nota preliminar ulterior (se isso não é contradição, não sei o que é): Coloquei aqui uma aparente matéria de -- digo aparente pois foi dessa...
-
O primeiro debate eleitoral de 2026 entre os candidatos à Presidência do Brasil - Band TV (análise completa, via Airton Dirceu Lemmertz, com...
-
Tá explicado! O texto é de 2009, e se refere a matéria ainda mais antiga, mas certas coisas moldam o caráter, não é mesmo? Paulo Roberto de ...
-
Já se sabia que Trump & Cia. representavam um perigo geopolítico ao mundo político da ONU. Agora o qua aparece é um imenso perigo GEOE...