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sábado, 25 de julho de 2026

O Curioso Caso do Brasil: Um dos Países Menos Afetados pelo Tarifaço - Marcos Troyjo

O Curioso Caso do Brasil: Um dos Países Menos Afetados pelo Tarifaço
Marcos Troyjo, 25/07/2026

21 Pontos sobre como o Brasil tende a ser um dos países menos impactados pelas novas tarifas dos EUA

 1.⁠ ⁠Uma análise detida das decisões do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) divulgadas em 23 de julho de 2026 — bem como das demais investigações comerciais atualmente em curso — revela um resultado curioso e, à primeira vista, contraintuitivo.

 2.⁠ ⁠Comparativamente, o Brasil pode tornar-se um dos países menos afetados pela tarifaço.

 3.⁠ ⁠O anúncio do USTR de 23 de julho prevê tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de diversos países investigados por suposto uso de “trabalho forçado” (forced labor) em algum elo de suas cadeias produtivas.

 4.⁠ ⁠Entre os maiores exportadores para os Estados Unidos, o Brasil ocupa apenas a longínqua 17ª posição, com cerca de US$ 39,9 bilhões exportados em 2025.

 5.⁠ ⁠As tarifas decorrentes da investigação da Seção 301 sobre o Brasil (25%) e aquelas anunciadas em 23 de julho (12,5%), mesmo quando cumulativas para determinados produtos (37,5%), atingem apenas 15%, em valor, das exportações brasileiras destinadas aos EUA (segundo informação do atual MDIC publicada pelo (Valor Econômico em 16/7/2026).

 6.⁠ ⁠Isso corresponde a aproximadamente US$ 6 bilhões em exportações brasileiras.

 7.⁠ ⁠Esses US$ 6 bilhões representam apenas 1,7% das exportações totais brasileiras e cerca de 0,22% do PIB nominal do Brasil.

 8.⁠ ⁠Evidentemente, outros produtos brasileiros, como aço e alumínio, continuam sujeitos às tarifas da Seção 232. Mas isso também ocorre com praticamente todos os grandes exportadores mundiais de produtos siderúrgicos, como China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Canadá.

 9.⁠ ⁠Ao mesmo tempo, diversos produtos brasileiros de elevada relevância comercial — como café, carne bovina, aeronaves, suco de laranja e celulose, entre outros — permanecem contemplados por listas de exceções ou tratamentos diferenciados.

10.⁠ ⁠Já o anúncio tarifário de 23 de julho alcança 85 países mais Hong Kong.

11.⁠ ⁠Em conjunto, essas economias representam cerca de 98% do PIB mundial excluídos os Estados Unidos.

12.⁠ ⁠Até o momento, Washington ainda não divulgou a lista definitiva de exceções relativas às tarifas anunciadas em 23 de julho.

13.⁠ ⁠Supondo, apenas para efeito ilustrativo, que somente 15% das exportações desses países para os EUA sejam alcançadas pelas novas tarifas — hipótese provavelmente conservadora, pois diversos países tendem a ter parcela muito maior de suas vendas afetadas — já é possível dimensionar a magnitude do impacto.

14.⁠ ⁠Nesse cenário, o México teria aproximadamente US$ 80 bilhões de exportações atingidas; o Canadá, US$ 57 bilhões; a China, US$ 46 bilhões; Taiwan, US$ 30 bilhões; o Vietnã, US$ 29 bilhões; e a Alemanha, US$ 23 bilhões.

15.⁠ ⁠E a história não termina aí.

16.⁠ ⁠O USTR conduz ainda outras investigações de grande alcance. Uma delas, sobre capacidade estrutural excessiva (structural overcapacity), envolve 42 países, entre eles toda a União Europeia, China, Japão, Índia, México, Coreia do Sul e diversos outros. O Brasil não figura entre os investigados.

17.⁠ ⁠Caso essa investigação também resulte em tarifas relevantes, o impacto sobre esses grandes exportadores tenderá a ampliar-se substancialmente, tanto em termos absolutos quanto como proporção de suas exportações e de seus respectivos PIBs.

18.⁠ ⁠Isso não significa minimizar os efeitos das tarifas impostas ao Brasil. Setores como máquinas e equipamentos, calçados, manufaturas diversas e outros enfrentarão obstáculos adicionais para acessar o mercado americano.

19.⁠ ⁠Governo e setor privado têm de perseverar no esforço negociador para preservar e ampliar o acesso ao maior mercado consumidor do mundo — e principal destino para produtos brasileiros de maior valor agregado.

20.⁠ ⁠Contudo, considerada a amplitude geográfica das novas investigações do USTR, a perspectiva de novas medidas protecionistas oriundas de outras investigações na Seção 301 do USTR nas próximas semanas e o reduzido peso relativo do Brasil nas importações americanas (apenas 1,2% do total), emerge um cenário curioso.

21.⁠ ⁠O Brasil tende a tornar-se, comparativamente, um dos países menos afetados pelo tarifaço dos EUA.

https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-sera-um-dos-menos-afetados-pelo-tarifaco-diz-marcos-troyjo/ 

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