Inacreditável Delfim Netto: ele consegue involuir economicamente e historicamente.
O artigo que ele publica hoje, no jornal Valor Econômico, sobre o processo de desenvolvimento ("O desenvolvimento é mais embaixo", p. A2), constitui a mais notavel inversão de fatores causais já registrada nos últimos 130 mil anos, ou se o ex-deputado quiser, nos últimos 300 anos, relativamente aos fatores de indução ou de aceleração desse processo.
Ao "explicar" essa "história de mercado", que só funcionaria adequadamente se fosse bem organizado pelo Estado, o articulista se refere ao caso da Inglaterra e da Holanda, mas diz que no caso da China, supostamente bem dotada em fatores de produção, a elevação da produtividade só se deu quando se teve:
"um Estado indutor" que:
1) respeitasse e dignificasse a atividade do setor privado;
2) libertasse o 'espírito animal' dos empresários...
3) garantisse que cada um poderia apropriar-se dos benefícios de sua iniciativa."
Inacreditável essa descoberta da pólvora ao contrário do ex-deputado, pois o que ele está dizendo é que a China só começou a se desenvolver quando o Estado chinês garantiu -- ou talvez "criou", na concepção -- tudo isso.
Não lhe ocorre que a história pode E DEVE ser lida completamente ao contrário: se o Estado (comunista) chinês não tivesse proibido tudo isso, o processo de desenvolvimento na China poderia ter vindo muito antes, sem esses ENTRAVES criados pelo Estado.
Em resumo, as três condições do ex-deputado devem ser lidas completamente ao contrário: "se um Estado 'normal' (não indutor), não tivesse proibido as atividades do setor privado, se ele não tivesse extirpado os capitalistas do país, se ele não tivesse proibido a propriedade privada...", toda a história teria sido diferente.
Certos articulistas precisam parar para pensar no que estão escrevendo...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
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