"A classe média está sendo esmagada..."
(ou qualquer variante do gênero...)
Autor? Sou eu mesmo, ou melhor, se trata de uma frase que venho lendo, ouvindo, há décadas, senão há séculos (sim, Karl Marx já dizia algo equivalente no século XIX).
Cada vez que a ouço, ou leio, eu penso se o seu "autor", ou proferidor, não está exagerando um pouco, ou se ele acredita mesmo no que diz, mesmo não sendo idiota como a frase poderia deixar transparecer.
É evidente, desde os albores das sociedades sedentárias, que a classe média não está desaparecendo. Ela, ao contrário, se multiplica quase como uma "família" de coelhos, aumentando cada vez mais o seu número, os seus batalhões, as suas fileiras.
Vou repetir para não deixar dúvidas: a classe média não só não está desaparecendo, como está aumentando, se reforçando cada vez mais.
Sociedades tradicionais, sociedades agrárias, são sociedades desiguais: uma elite privilegiada, uma massa de camponeses ignorantes, analfabetos, e, no meio, a classe média: comerciantes, artesãos, funcionários públicos, educadores, enfim, toda e qualquer categoria que não for nem elite, nem trabalhadores não especializados, que eram a maioria nessas sociedades.
As sociedades foram se desenvolvendo, se industrializando, tornando-se economias dominadas pelos serviços, algumas até de pura inteligência, com setores agrícolas e industriais relativamente desimportantes, ou não estratégicos. O resto? Trabalhadores especializados, formados, educados, ou seja, gente de classe média.
Essa coisa de dizer que a classe média está desaparecendo, se não for de marxista esclerosado, é de quem está tendo seus rendimentos relativamente diminuídos por simples transformações sociais e tecnológicas que vão tornando certas profissões menos remuneradas, e premiando outras, na ponta da vanguarda inovadora e criadora de riquezas.
Eu, por exemplo, gostaria que uma classe de sugadores da riqueza alheia, a dos advogados, desaparecesse por completo, ou pelo menos fosse substituída por programas de computador e por sistemas online, que nos permitissem resolver os problemas criados por um Estado intrusivo, ou por conflitos proprietários entre patrões e trabalhadores, entre locadores e arrendatários, entre rentistas e tomadores de capital, de maneira automática, apenas aplicando os dispositivos corretamente e, zut, voilà, o laudo correto apareceria na tela, e as duas partes iriam para suas casas (de classe média) satisfeitas.
Eu gostaria de desaparecer com esses representantes da classe média que são os advogados, esmagá-los contra sistemas livremente disponíveis online e ainda assim ficar de consciência tranquila, tendo esmagado a classe média dos advogados, pois estaria dando emprego aos trabalhadores de classe média que vão fazer esses programas de computador que nos permitiriam aposentar de vez essa praga social que se chama "advogado".
Desculpem-me, meus queridos advogados (alguns até alunos meus), mas eu quero acabar com a profissão de vocês, que está esmagando a classe média sob o peso de tarifas extorsivas, produtos dessa reserva de mercado que se chama Ordem corporativa. A classe média é contra qualquer privilégio.
Pois é, eu sou um promotor da classe média, e pretendo fortalecê-la, impedindo que cupins e outras pragas a esmaguem...
Até a próxima frase...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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domingo, 11 de setembro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
A frase do ano (a pior, quero dizer...)
País rico é país sem pobreza
O gênio que bolou esta frase merece ser lembrado, a cada dia do ano, como o maior idiota que já tivemos no marketing governamental.
A tristeza, para nós, é que somos nós mesmos que pagamos toda a reprodução visual, impressa, sonora, sobre os mares e as terras descobertas desse nosso Brasil imenso a divulgação constante, regular, incessante, irritante dessa frase que concorre ao troféu "Imbecilidade do ano", categoria governamental (e tem muita concorrência, podem acreditar).
Paulo Roberto de Almeida
O gênio que bolou esta frase merece ser lembrado, a cada dia do ano, como o maior idiota que já tivemos no marketing governamental.
A tristeza, para nós, é que somos nós mesmos que pagamos toda a reprodução visual, impressa, sonora, sobre os mares e as terras descobertas desse nosso Brasil imenso a divulgação constante, regular, incessante, irritante dessa frase que concorre ao troféu "Imbecilidade do ano", categoria governamental (e tem muita concorrência, podem acreditar).
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