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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Holodomor ucraniano, antes e depois; Madame IA analisa o que foi a grande fome na Ucrânia promovida por Stalin e agora por seu seguidor Putin

Madame IA discorre, no texto abaixo, a pedido de nosso gerente comum, Airton Dirceu Lemmertz, sobre o Holodomor, com base em conceitos comumente utilizados por mim no Diplomatizzando, mas ela provavelmente não leu, pois que pouco divulgada, uma nota que elaborei em 2023 sobre o Holodomor do Putin contra o povo ucraniano, inclusive responsabilizando a diplomacia brasileira pelo silêncio em face da mortandade promovida pela guerra de agressão da Rússia contra o povo ucraniano (transcrito in fine). PRA 

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ADL a Madame IA: Apresente um texto sobre "Holodomor" ("A Grande Fome Ucraniana"). O texto deverá ter, no mínimo, 7700 caracteres; deverá usar apenas frases e parágrafos; deverá utilizar, como base (ou seja, como fonte), os textos correlatos em postagens do blog Diplomatizzando; deverá usar o estilo de escrita do diplomata Paulo Roberto de Almeida. 

O fenômeno histórico conhecido como Holodomor, termo derivado das palavras ucranianas para fome e extermínio, representa um dos capítulos mais sombrios e meticulosamente ocultados do século XX. A análise rigorosa desse morticínio deliberado exige o afastamento completo das paixões ideológicas e a adoção de uma perspectiva firmemente ancorada nos fatos documentais, tal como amiúde propugnado nas reflexões analíticas do embaixador e historiador diplomático Paulo Roberto de Almeida em seu espaço de debate intelectual, o blog Diplomatizzando. Longe de constituir um mero acidente climático ou uma disfunção passageira nas forças produtivas da agricultura soviética, a Grande Fome Ucraniana revelou-se um autêntico genocídio planejado, operado e executado por estruturas estatais hipertrofiadas sob o comando direto de Joseph Stalin. Examinar esse episódio crucial à luz da história diplomática e das relações internacionais contemporâneas desvela os mecanismos perversos por meio dos quais regimes totalitários instrumentalizam a escassez alimentar absoluta para subjugar o nacionalismo, erradicar dissidências políticas e reformar compulsoriamente a estrutura socioeconômica de uma nação inteira.
A gênese da catástrofe humanitária remonta diretamente à virada da década de 1920 para a década de 1930, quando o comitê central do partido comunista da União Soviética deliberou pela aceleração brutal dos planos quinquenais de industrialização pesada. O financiamento dessa modernização urbana e fabril dependia crucialmente da capacidade do Estado soviético de extrair excedentes agrícolas do campo para exportação global e abastecimento dos grandes centros urbanos russos. Diante desse imperativo puramente ideológico e centralizador, o regime stalinista desencadeou o programa de coletivização forçada da agricultura em 1929 e 1930, extinguindo sumariamente a propriedade privada rural e empurrando a massa camponesa para as estruturas coletivas dos kolkhozes. A resistência a esse processo foi generalizada e feroz, manifestando-se de forma particularmente intensa na Ucrânia, região historicamente caracterizada por uma sólida tradição de pequenos proprietários agrícolas independentes conhecidos pela alcunha pejorativa de kulaks. A resposta do aparato repressor de Moscou não tardou, inaugurando uma escalada de violência que combinava deportações em massa para o arquipélago do Gulag, execuções sumárias perpetradas pela polícia política e o confisco sistemático de sementes e ferramentas.
À medida que os agricultores ucranianos reagiam à expropriação violenta reduzindo o plantio ou abatendo seus próprios rebanhos para evitar a entrega ao Estado, a liderança bolchevique interpretou essa postura não como uma reação natural à destruição de seus meios de subsistência, mas como uma sabotagem contrarrevolucionária orquestrada por elementos nacionalistas. Em consequência, o governo soviético elevou as cotas obrigatórias de entrega de grãos a patamares matematicamente impossíveis de serem atingidos pela lavoura devastada. No ano fatídico de 1932, a imposição da famigerada lei das cinco espigas criminalizou severamente qualquer indivíduo, inclusive crianças famintas, que recolhesse restos de trigo deixados nos campos coletivizados, aplicando penas que variavam do fuzilamento imediato a longos anos de trabalhos forçados. Brigadas de ativistas urbanos e agentes da polícia secreta foram despachadas para o interior da Ucrânia com ordens expressas de revistar cada residência rústica, confiscando não apenas os grãos remanescentes, mas todo e qualquer alimento estocado, incluindo vegetais domésticos, animais de criação e sementes reservadas para o ciclo de plantio subsequente.
O isolamento geográfico e administrativo da Ucrânia completou o cerco mortífero desenhado pelos planejadores stalinistas na virada para o ano de 1933. Fronteiras internas foram rigidamente bloqueadas por tropas do exército vermelho e agentes de segurança pública para impedir o êxodo da população rural desesperada em direção às grandes cidades ou a outras repúblicas soviéticas menos castigadas pela requisição de víveres. O sistema de passaportes internos, introduzido justamente naquele período de agonia, negou sistematicamente o direito de livre circulação aos camponeses ucranianos, confinando-os a vilarejos transformados em verdadeiros campos de extermínio ao ar livre. O resultado dessa engenharia social punitiva foi uma mortandade em escala industrial, cujas estimativas demográficas mais rigorosas apontam para a perda direta de quase quatro milhões de vidas ucranianas, embora cálculos que computam o colapso na natalidade e as perdas em regiões periféricas sugiram cifras ainda mais assustadoras, alcançando os sete milhões de mortos. Relatos contemporâneos resgatados de arquivos confidenciais descrevem cenas dantescas de inanição extrema, degradação do tecido social elementar, episódios generalizados de loucura coletiva e manifestações esporádicas de canibalismo decorrentes do desespero absoluto.
Para além do horror puramente humano ocorrido no solo ucraniano, o Holodomor constitui um estudo de caso fundamental sobre a cumplicidade internacional e a manipulação deliberada da informação jornalística e diplomática global. Enquanto milhões de seres humanos pereciam silenciosamente na Europa Oriental, o regime soviético montou uma formidável operação de relações públicas e cortinas de fumaça para enganar observadores estrangeiros e preservar a reputação do socialismo real perante as democracias ocidentais. Intelectuais simpáticos à causa bolchevique, diplomatas ocidentais e correspondentes de jornais de prestígio, notadamente Walter Duranty do The New York Times, engajaram-se ativamente na negação da fome, classificando notícias sobre a tragédia como propaganda antissoviética. Essa farsa internacional impediu a mobilização de ajuda humanitária externa que poderia ter atenuado o sofrimento da população civil, demonstrando como o pragmatismo geopolítico e a cegueira ideológica frequentemente conspiram para obscurecer a consumação de crimes contra a humanidade.
O debate contemporâneo em torno do reconhecimento jurídico do Holodomor como genocídio permanece vivo nas chancelarias e academias mundiais, refletindo-se diretamente nas discussões hospedadas por intelectuais no ambiente do Diplomatizzando. Historiadores de renome e juristas alinhados com o legado de Raphael Lemkin, o formulador do conceito de genocídio, sustentam que o Holodomor preenche todos os requisitos estabelecidos pelo direito internacional para tal tipificação. O argumento central repousa na intencionalidade do regime stalinista de destruir, no todo ou em parte, o grupo nacional ucraniano enquanto entidade política e cultural distinta, utilizando a fome como arma biológica seletiva. Em contrapartida, correntes revisionistas e as narrativas oficiais emanadas de Moscou tentam diluir a especificidade da tragédia ucraniana, rotulando o evento como uma infelicidade climática geral que afetou indiscriminadamente outras regiões soviéticas, omitindo o fato de que apenas na Ucrânia o confisco de alimentos foi acompanhado pelo fechamento militarizado de fronteiras e pela decapitação sistemática das elites intelectuais e eclesiásticas locais.
A relevância do Holodomor estende-se para além do mero registro historiográfico, projetando sombras longas sobre a geopolítica europeia contemporânea. A persistente recusa do atual governo russo em admitir o caráter genocida da grande fome stalinista liga-se diretamente à sua tentativa contemporânea de reescrever a história e negar a legitimidade da soberania nacional ucraniana. Como observa de forma perspicaz a melhor literatura de relações internacionais, a guerra travada no campo de batalha é frequentemente precedida e legitimada por uma guerra contra a memória histórica. O resgate da verdade factual sobre o massacre de 1932-1933 converteu-se em pilar fundamental para a consolidação da identidade nacional da Ucrânia independente, servindo como advertência permanente contra os perigos decorrentes do totalitarismo e do messianismo estatal.
Compreender o Holodomor à luz da racionalidade diplomática e econômica expõe a fragilidade dos arranjos internacionais que negligenciam os direitos humanos em nome de imperativos comerciais ou de equilíbrios de poder artificiais. O sacrifício de milhões de camponeses no altar da coletivização agrícola soviética permanece como um monumento trágico à miséria intelectual e moral de regimes que subordinam a dignidade intrínseca da pessoa humana a abstrações ideológicas totalizantes. A leitura atenta das postagens correlatas no blog Diplomatizzando oferece um subsídio indispensável para quem deseja aprofundar-se no exame crítico das ditaduras do século passado, municiando diplomatas, acadêmicos e cidadãos com as ferramentas analíticas necessárias para identificar e combater as novas roupagens do autoritarismo que ameaçam a estabilidade internacional e a convivência democrática entre as nações no presente século.

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Madame IA não relata que o jornalista inglês Gareth Jones percorreu a Ucrânia em pleno Holodomor e fez uma série de relatos sobre as atrocidades que contemplou, gente morrendo de fome, nas ruas e nas casas. Existe uma edição brasileira dos seus textos, pelo jornalista Duda Teixeira: 

Fome na Ucrânia - Os relatos do front do Holodomor: Os relatos do front do Holodomor, por Gareth Jones e Duda Teixeira | 18 out. 2022 (link).

Tem também esta nota: 

4416. “O Holodomor de Putin”, Brasília, 13 junho 2023, 1 p. Nota sobre o morticínio russo contra o povo ucraniano. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/o-holodomor-de-putin-paulo-roberto-de.html).

 

O Holodomor de Putin

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre o morticínio russo contra o povo ucraniano.

  

O tirano de Moscou já constatou que ele não poderá mais anexar a Ucrânia pela força.

Ele agora só está empenhado em destruir o país e matar o maior número possível de pessoas, inclusive velhos e crianças. 

A diplomacia brasileira já perdeu qualquer resquício de moralidade?

Se revela incapaz de expressar pelos ucranianos os mesmos cuidados que o governo diz manter em relação aos “povos originários”? 

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia é apenas um detalhe nos planos de Lula para uma “nova ordem mundial”?

O Brics continuará, como no ano passado, absolutamente indiferente ao morticínio deliberado que ocorre na Ucrânia?

E sua Declaração de cúpula ainda terá a petulância (e a ignomínia) de afirmar, como foi o caso em 2022, que todos os países respeitam a Carta da ONU e os DH?

Confesso meu asco em pensar que meus colegas diplomatas possam negociar os termos de um documento final recheado de mentiras escabrosas.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4416, 13 junho 2023, 1 p.

Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/o-holodomor-de-putin-paulo-roberto-de.html).

  

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Minhas Previsões Imprevisíveis para 2013 - Paulo Roberto de Almeida

 Antigamente eu fazia previsões imprevisíveis, mas pelo fato do Brasil ser um país totalmente imprevisível, elas perderam a graça e eu parei de fazer. Seria o caso de retomar o exercício.

Em todo caso aqui estão as previsões para 2013, feitas no final de 2012...

terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Revisando as previsoes imprevisiveis para 2013, e preparando as de 2014
Todo final de ano, como muitos já sabem, eu, atrevendo-me a competir com os astrólogos, videntes e outros seres preparados para o que der e vier, costumo fazer as minhas previsões imprevidentes.
Elas têm essa peculiaridade, e bizarrice, de serem concebidas para justamente não se realizar. Fico totalmente realizado quando todas elas falham, pois isso significa que eu acertei pelo contrário, ou al revés, como diria o finado presidente Hugo Chávez, que também praticava, à sua maneira, a economia política ao contrário, de que é mostra o brilhante estado da economia venezuelana.
Mas, o mundo, o Brasil em especial, sempre nos prega surpresas, e algumas previsões imprevidentes acabam se realizando, contra qualquer racionalidade.
Que seja, nem todo astrólogo acerta e este "previsor" por vezes acerta sem querer, ou seja, algumas coisas boas acabam acontecendo sem que as intenções iniciais fossem essas.
Mas, como todo cidadão honesto, também tenho de prestar contas do que acertei, e do que errei.
Nada melhor, neste sentido, do que colocar aqui as previsões feitas no final de 2012, válidas para 2013, para que todos e cada um possam verificar como eu me desempenhei e qual seria, exatamente, minha "taxa de sucesso".
Pelo que ouso chutar, acho que acertei (no caso, desacertei) 70% das previsões, o que me parece uma taxa razoável de desacertos, maior, em todo caso, do que a maioria dos videntes e astrólogos.
Quero, neste momento, agradecer ao governo dos companheiros e todos os seus aliados aloprados, que muito fizeram para aumentar a minha taxa de desacertos, sobretudo nos terrenos da corrupção, da economia, das políticas setoriais improvisadas, que continuam tão confusas quanto sempre foram.
Só faltou acertar que o pequeno Uruguai seria o país do ano, por tentar legalizar a maconha de todos os dias. Vai dar certo em 2014, ou seja, o programa vai ser um fracasso monumental. Acrescento, portanto, o experimento da maconha estatal, na lista das previsões imprevidentes de 2014.
Boa sorte, podem conferir o que escrevi no ano passado, e aguardem mais previsões imprevidentes que elas estão sempre se manifestando espontaneamente, com a ajuda do governo companheiro.
Paulo Roberto de Almeida


Minhas Previsões Imprevisíveis para 2013
(não custa continuar tentando, para ver se em algum ano dá certo...)

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20 de dezembro de 2012.

Como faço a cada ano (salvo nos bissextos), vou continuar meu tresloucado exercício de fazer previsões ao contrário, isto é, minhas expectativas para o que não tem nenhuma chance de acontecer no ano que pronto se iniciará. É claro que, dada a múltipla natureza bizarra, sempre inovadora, criadora, simpática e decepcionante, e até mesmo surpreendente deste país surrealista que se chama Brasil, corremos o sério risco de sermos desmentidos, e sairmos humilhados, pela absolutamente inacreditável realização de algumas dessas previsões malucas. As surpresas podem ocorrer, especialmente as vindas de certas esferas da alta política, previsíveis na sua imprevisibilidade, e que costumam confirmar aquela máxima do Barão de Itararé: de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Mas isso fica pela conta do seguro contra acidentes não previstos, que renovo a cada ano nessa época, para evitar, justamente, ser processado por algum leitor, e aí cair naquela previsão ainda mais imprevisível de ter o caso julgado por um “auto” tribunal em menos de 20 anos, o que atrapalharia sobremaneira minha aposentadoria.
Sem mais delongas e tergiversações, vamos pois à lista atualizada das previsões imprevisíveis para 2013. Se algumas delas se realizar, os leitores podem me cobrar a conta, mas apenas em 2014, quando terei um estoque inteiramente novo de ofertas do impossível.
Começo pelo mais comum, frequente e corriqueiro: corrupção. Se não sobreviver o fim do mundo antes, vamos ficar inteiramente livres de qualquer novo caso de “malfeitos” em 2013. Tendo aprendido com sua própria experiência, na carne, por assim dizer, os companheiros vão inaugurar uma tecnologia inteiramente nova de combate à corrupção, pela simples razão de que – como a nova nota fiscal que já declara os impostos – a corrupção já virá integrada a todos os negócios públicos. O Partido dos Companheiros está criando uma Secretaria Especial de Negócios Não-Contabilizados, aqui se antecipando ao financiamento público das campanhas eleitorais, o que vai facilitar tremendamente as coisas. Transpondo a tecnologia para o nível estatal, vai ser possível nos livrarmos inteiramente da corrupção, em virtude do expediente já referido de sua integração oficial, formal e carimbada, em todas as transações que envolvem instituições e agentes públicos. Vai ser assim uma espécie de CPMF destinada inteiramente ao caixa 2, mas de forma explícita. Resolvido o problema, não é mesmo?
Fim do Mundo: parece que não deu certo desta vez, mas não custa apostar mais um pouco, inclusive porque esta catástrofe natural – ou dos deuses? – vai resolver todos os outros problemas, inclusive a obrigação deste escriba ficar perdendo tempo neste tipo de besteirol. As apostas ficaram um pouco mais caras, dada a frustração com as últimas cinco previsões e meia. Também: os maias têm aquela escrita complicada, impossível de ler, e números que não são em base decimal. Mais passons...
Economia: depois do insucesso dos quinze últimos pacotes de estímulo à economia, o governo promete que não vai mais fazer pacotinhos de estímulo à economia; pode ser um pacotão, de tempos em tempos, mas essa coisa de a presidente e o ministro da Fazenda anunciarem, a cada semana, que “estão tomando medidas para estimular a economia” vai finalmente sair de moda. E não tem mais essa coisa de improvisações setoriais; doravante só terão direito a pacotes de estímulos, pacotões, na verdade, os setores minoritários, que já gozam de várias cotas de favor. Isso muda! Os afrodescendentes, por exemplo: com base na auto-declaração, eles já são mais de 55% da população brasileira. Todos os pacotes de favor serão agora para setores minoritários e prejudicados nas políticas dos últimos anos, como os loiros de olhos azuis, coitados.
Política: o Congresso proclama sua independência, enfim! Só vai trabalhar para o governo nas quartas-feiras, quando o expediente é total. Nas terças e quintas, e só em regime de meio expediente, trabalhará para ele mesmo, que ninguém é de ferro. Estão abolindo o 14o. e o 15o. salários, mas vão criar a semana de expediente ainda mais reduzido. E já avisaram; só vão cassar companheiros legisladores em anos bissextos. O Stalin Sem Gulag, aliás, aproveita para mandar dizer que a luta continua, agora dentro da cadeia, com o apoio do PCC, que é um partido quase alinhado com suas teses.
Justiça: o Supremo diz vai parar de se meter na vida dos demais poderes; mas já avisou que não quer nenhum parlamentar se metendo na fixação dos seus próprios salários, que devem ser proporcionais aos quatro milhões de casos “a julgar”, parados há mais de oito anos nos escaninhos dessas varas que já viraram palácios de papel. Também vão modernizar o figurino: aquelas togas incomodas ficam sempre caindo e atrapalhando o movimento dos braços; vão adotar um simples avental, com os dizeres mais do que atuais: A justiça é cega...
Esporte: a Seleção de futebol da França se exila por completo na Bélgica, por razões fiscais. Os integrantes da seleção da Bélgica, por sua vez, fazem greve para não ter de pagar imposto de renda e ameaçam se exilar no vizinho Luxemburgo. A seleção brasileira adota um uniforme mais largo e mais comprido, daqueles antigos, para acomodar todas as mensagens publicitárias que a CBF negociou com importantes empresas multinacionais e várias estatais tupiniquins. Alguns jogadores vão negociar tatuagens publicitárias na barriga e no bum-bum (este mais caro). Mas, na copa das confederações, a seleção brasileira perde da seleção do Burundi por 1 a 0. Pano...
Economia mundial: a gangorra continua. Depois que o Brasil perdeu a condição de sexta economia mundial, para se converter na oitava economia, o governo reagiu e, via flutuação cambial do Banco Central, conseguiu trazê-la de volta para a sétima posição; os mercados reagem, fazem dois ataques especulativos e levam o Brasil à nona posição, mas o governo faz novo pacote e consegue trazer a economia para a oitava posição outra vez; os mercados, só de birra, provocam fuga de capitais e arrastam o Brasil para a décima-segunda posição; governo, emburrado e amuado desiste de brincar de gangorra cambial. Enquanto isso, a China e os Estados Unidos criam um programa conjunto de manipulações cambiais: pronto, era o que faltava para o governo brasileiro se enfurecer de vez; mas o seu tsunami financeiro não passa de uma marolinha...
Economia doméstica: o Ministério do Planejamento cria o PAC-III, com taxa de realização pré-programada em 35,7% dos recursos empenhados (incluídos restos a pagar...); o TCU também criou um software novo, de embargo preventivo das obras suspeitas de irregularidades: ele também vem pré-programado para embargar metade das obras, inclusive retroativamente, do PAC-I e do PAC-II, mas aí se descobre que as obras paradas são mais do que 75% do total dos volumes empenhados;
Economia sentimental: o governo cria o plano Brasil Amoroso, para distribuir beijos e abraços a quem vive sem companhia; Senadores mais sentimentais que outros, como Suplicy e Buarque, pensam instituir uma Bolsa Carinho, de meio salário de senador, para os contemplados no programa; executivo reage e cria o vale-beijo.
Cultura: as editoras brasileiras pedem proteção contra a Amazon, e querem taxa especial sobre o livro eletrônico, para compensar os custos que tem de estocar um monte de papel impresso que não vende; a Amazon resolve diversificar suas operações nacionais e começa a vender tapioca express-delivery. Deputado Aldo Rebelo reage, e diz que só pode se estiver escrito em língua nacional.
Política Externa: Cuba decide ingressar no Mercosul, antes do Paraguai voltar, e diz que tem direito a receber metade das verbas do Fundo de Recuperação e Apoio à Correção das Assimetrias Sociais Socialistas (FRACASSO), criado na cúpula do meio do ano. Guiana e Suriname reagem e dizem que também querem entrar no Mercosul para se beneficiar do maná brasileiro, à razão de 70% do total. Ministros decidem então criar uma Casa da Moeda do Mercosul (CMM), o mais novo órgão do vasto empreendimento integracionista, que não cessa de se ampliar no continente e surpreender o mundo pela sua criatividade e versatilidade. Obama diz que EUA consideram se tornar membro associado do Mercosul. É a apoteose...
Fim do Mundo, outra vez: guru de Cabrobó da Serra diz que ele descobriu um erro de cálculo no calendário maia, e atrasa do fim do mundo para meados de 2014, o que permite passar o fim de ano sem maiores preocupações com seguro de vida.
Bom ano a todos...

Brasília, 20 de dezembro de 2012.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2012/12/minhas-previsoes-imprevisiveis-para.html

sábado, 14 de março de 2026

Da importância dos livros - Timothy Snyder

A World Apart

Books, Freedom, and Captivity

Maksym Butkevych, the Ukrainian human rights activist, was held in Russian captivity for more than two years. I had the pleasure of listening to his thoughts about freedom a couple of times recently, last month in Ukraine and this month in Canada. I was struck by an experience he had with books and a thought he had about choice.

He explained that prison had changed his thinking about violence. It was not, he decided, about making a person do this thing or that thing. It was about the abolition of the capacity for choice. Torture was about the undoing of personhood itself, about turning a person into an object. He was a realist about this, in a tradition of east European prison writers.

The Polish writer Gustaw Herling-Grudziński spent two years in the Soviet Gulag. in his memoir, A World Apart, wrote that “when the body has reached the limit of its endurance, one cannot, as was once believed, rely on strength of character and conscious recognition of spiritual values; that there is nothing, in fact, which man cannot be forced to do by hunger and pain.”

This was the point Maksym made in terms of the loss of agency. Predictable suffering makes a predictable human. Herling-Grudziński defined the goal of interrogation as the thorough dismantling of a personality into its component parts. The prisoner becomes predictable, even to himself.

Listening to him, I was struck by the importance of books to Maksym while he was in captivity. He made appeals to prison authorities for access to certain books. In the Gulag, Herling-Grudziński was able to read a few novels, thanks to the kindness of a fellow prisoner. These novels enabled him to believe that he could understand the thoughts of others, that he was not entirely alone. The person who gave him books is one of the few who appears in his memoir by name. Is it by chance that I remember her name? Natalia.

Today Russian missiles target publishing houses, libraries, and archives. Today, in the parts of Ukraine occupied by Russia, the Russians collect books that are in the Ukrainian language to be burned. This is work, and work can be done by prisoners. So Ukrainian prisoners-of-war, such as Maksym, found themselves forced to destroy the Ukrainian-language books that Russian occupiers had taken from libraries, schools, and universities.

The burnings of millions of Ukrainian books an action designed to destroy a culture, and could certainly be seen as evidence of a larger project of genocide. Maksym, however, defined the loss in terms of individual agency. People should be able to read the books that they want to read, in the language in which they want to read them. From a shelf of books in a library a human being does the choosing. In selecting a book with eye and hand, we make a choice for ourselves; but we also enter into the choices of the author.

fire in fire pit during nighttime

Listening to Maksym, I could remember books that I read, make connections, assemble thoughts. 

We are not, most of us who will read this, ourselves in captivity. But we are, if we are Americans, citizens of a country in which librarians spend their time reviewing books and removing them from shelves. This is not so dramatic, of course, as Ukrainian prisoners being forced to burn Ukrainian books during a criminal war of aggression. But the difference is of degree and not of kind. Those librarians are not doing what they want to do. And books, once purged, cannot be seen, cannot be chosen.

Sometimes basic truths only come clear in extreme conditions. Maksym’s point that we choose books has relevance that goes beyond captivity, and even beyond the censorship of libraries. The internet is also a world apart in which things are chosen for us. That which is most predictable about is known, collected, magnified, exploited. We are set before options, but these are generated by algorithmic non-entities who must treat us objects because they are objects themselves.

This problem, in one way or another, was anticipated by writers of the twentieth century. Two years after Herling-Grudzinski’s memoir appeared in English, Ray Bradbury (to take one example among many) published Fahrenheit 451, in which firemen seek and burn books while the rest of society is expected to remain in front of screens. The free people in the novel are those who preserve books by memorizing them. Books figure here as “mediators of freedom,” to quote the French philosopher Simone Weil.

In Ukraine, a couple of mutual friends asked whether Maksym and I talked about my book On Freedom while I was writing it. We couldn’t have; he was at the front and in captivity. When Maksym volunteered to serve in the Ukrainian armed forces, I was beginning a class on freedom inside an American maximum security prison. When he was taken prisoner by the Russians, I was at the end of a semester in which I had learned from others who were reading in captivity. In one seminar, my student Dwayne quoted a wartime note from Simone Weil: freedom means substituting “devotion for obedience.” We might be devoted to a book, and author, a friend. But that is a choice.

Weil also called freedom “a loan that must be constantly renewed” -- a deep thought that turns my eyes to the overdue library books on my desk. A book whisks us into an unpredictable world, a world no longer apart, but renewed. We choose and then we find ourselves altered, expanded, capable of further choices. At some point, I chose to read Herling-Grudziński and Bradbury and Weil, and then they can return to me, thanks to others, in this case thank to Maksym. I find it extraordinary that he is able to speak about captivity, and appreciate the generosity that allows his own thinking about freedom to inform ours. I hope that he writes his own book.

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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Ukraine vs. Russia preferences in Slavonic studies - Dasha Nepochatova

 What I Find Very Difficult at Oxford

Dasha Nepochatova

(Via Anton Geraschenko)

I think I’ve already mentioned that when I entered the university, I did not expect that in Slavonic Studies the overwhelming majority of research would be dedicated to Russia. In fact, my dissertation will be the first one about Ukraine in this department.

Since I hadn’t even thought about this beforehand, because I had no expectations at all, I was genuinely shocked when I first encountered this reality. The world is banning Russia — in sports and many other spheres — yet here it is being studied: its cinema, literature, LGBT community, and so on. On the one hand, scholarship is scholarship, and that’s natural. But at the same time Ukraine is not being studied. That’s the problem.

This was in 2024. The war had already been going on for two and a half years.

When the shock passed, I realized that the only thing I could do was to help build Ukrainian Studies within our sub-faculty. Because it is almost impossible to counter the Russian narrative when most professors are professors on Russia and there is not a single professor on Ukraine. That was the first layer — the one I gradually adapted to.

Later another layer emerged — the narrative around the Soviet Union. Yes, the USSR is studied in other programs too, but in Slavonic Studies, for example, they study GULAG literature. And when I attended a two-day workshop on this topic, I realized that 90% of the presentations were about Russian writers, and none about Ukrainian ones. The topic of the Executed Renaissance wasn’t even mentioned, as if no one had ever heard of it. That’s when I understood that even Soviet history studies turn into studies of Russia.

This was deeply painful. Even more painful than discovering the imbalance in Slavonic Studies. That situation can still be explained somehow, but this one cannot be explained at all. And I thought that programs like this should apply an approach similar to gender quotas — like in parliaments, where at least 30% of MPs must be women. Yes, it’s artificial regulation, but I see no other way.

I eventually worked through that shock as well. I poured even more energy into creating Ukrainian Studies, understood how to build a strategy, what to say, and even drafted a large fundraising document explaining why this work is necessary.

But then a new year came, and unexpectedly I encountered another layer — an even more painful one — and I felt like there was nothing I could do about it. This term I took a course in world literature.

In one of the lectures, dedicated to Nordic literature — the sagas of the Vikings — the professor quoted different texts. In one of them (the Saga of Bjorn) it said that the Vikings set out “east into Russia to see King Vladimar.” Then another reference to ancient “Russian” literature appeared on the slide.

The next lecture, with a different professor, was on medieval literature, and of course she also spoke about “Russian literature” created in Kyiv.

I couldn’t remain silent and wrote the professor an email.

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“I wanted to share a brief reflection on two details that particularly caught my attention. The use of the term “Russia” in the slide referring to King Valdimar in the Saga of Bjorn is historically inaccurate. King Valdimar corresponds to Prince Volodymyr the Great (c. 958–1015), ruler of Kyivan Rus’, a polity centred in Kyiv and established in the 9th century. Moscow was founded only in 1147, and the Muscovite state — the precursor of modern Russia — emerged several centuries later.

Kyivan Rus’ is the historical predecessor of the Ukrainian state, not the Russian one. Translating “east into Russia” or referring to that region as “Russia” therefore projects a much later political identity backwards in time and perpetuates the imperial myth of a “shared history” — a narrative that contemporary Russia actively exploits to justify its aggression against Ukraine.

Similarly, the quotation from Schlözer (1773), which places “Russian literature” among medieval traditions, reflects the 18th-century Eurocentric habit of treating all East Slavic culture as “Russian.” Acknowledging this historiographical bias and postcolonial studies could add valuable nuance to how medieval identities are discussed and contextualised.

In the present context of Russia’s full-scale war against Ukraine overlooking these distinctions risks appearing as a form of knowledge distortion, however unintended. It is particularly sensitive when presented to undergraduate students, whose critical thinking skills are still developing. I believe that we all share a responsibility to encourage intellectual curiosity, historical accuracy, and awareness of how narratives are shaped — especially those that carry deep political and cultural implications.

I understand that such terminology is often inherited from long-standing academic conventions, but within an institution like Oxford — where we have both the tools and the responsibility to approach history with precision — it seems particularly important to revisit these inherited frameworks.

I share these reflections with genuine respect for your scholarship, and with appreciation for the thought-provoking nature of your lecture, which encouraged me to raise this perspective.”

⸻

To my surprise, the professor responded quickly and very positively. He thanked me for the feedback, promised to revise the lecture, and even asked whether he should re-deliver it with the corrections.

I might not have written this post at all if today I hadn’t come across Judith Jesch’s book Women in the Viking Age. Naturally, I picked it up to look through it, and immediately stumbled on the chapter titled Russia. The term Kyivan Rus’ isn’t mentioned at all, even though the chapter discusses Princess Olha.

And so now I have a question. What do we do with all of this? Do we have scholars working on the decolonization of Kyivan Rus’ at the level of international universities? Because the professor’s reaction to my comment was constructive — he agreed with my arguments. But so much of our history has been stolen — how do we fix it? How do we communicate it? Where do we find the strength and resources? Because to me this is a falsification of knowledge. And Western institutions are participating in it.

The photos are the slide from that lecture and a page from the book.

Author: Dasha Nepochatova, President of Oxford Universtiy Ukrainian Society


sábado, 27 de setembro de 2025

Dos retrocessos históricos - Paulo Roberto de Almeida

Dos retrocessos históricos

Putin conseguiu fazer a Rússia retroceder à Segunda Guerra Mundial, ao transformar a base produtiva do país numa economia de guerra (mas desta vez sem qualquer auxílio econômico ou militar dos EUA e do Reino Unido, como ocorreu entre 1941-1945).

Ele próprio conseguiu converter-se numa reencarnação de Stalin, e tão brutal quanto o tirano soviético, ao retroceder à prática monstruosa da regra stalinista que ordenava matar qualquer soldado que recuasse na frente de batalha. Agora está valendo a mesma regra, o que indica o seu desespero em face dos fracassos na sua guerra de agressão contra a Ucrânia.

Só falta agora reintroduzir o Gulag, embora ele também recorra ao hábito de eliminar todos os concorrentes, adversários ou simples críticos, o que inclui jornalistas de modo geral.

Do outro lado do mundo, o desvairado Trump está operando um retorno dos EUA à segunda revolução industrial, à era do petróleo e do motor à explosão, ainda do carvão e das tarifas altas. Provavelmente não vai conseguir, mas tem se esforçado na tarefa. Também adotou as medidas anti-imigratórias dos anos 1920 e um comportamento xenófobo e racista similar aos tempos em que a Ku Klux Kan se exercia livremente na segregação.

No resto do mundo, as democracias recuam ante à disseminação de regimes iliberais e de governos autocráticos. Na América Latina, o populismo continua a prevalecer, sob novas formas. 

É o tal do “eterno retorno”?

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 27/09/2025


domingo, 29 de junho de 2025

Pensando em coisas inúteis e mal sabidas ou percebidas:- Paulo Roberto de Almeida

Pensando em coisas inúteis e mal sabidas ou percebidas

Paulo Roberto de Almeida

Tem gente que vem ao mundo, não para consertar o que andava meio capenga, mas para estragar o que estava bem, ou razoável, e só para atrapalhar a vida dos outros e destruir muito do que se havia penosamente construído em duas ou três gerações antes do infausto aparecimento desses insanos demolidores da vida civilizada. Só consigo pensar em três ou quatro personagens maléficos que ainda estão por aí e que continuam tentando transformar o mundo, nosso planetinha redondo (que eles querem transformar em quadrado, cheio de buracos aterradores e precipícios inescapáveis), e que prometem fazer ainda muitos estragos adicionais, antes de desaparecem nas fímbrias (eu preferiria nas trevas) da História, sem deixar qualquer traço das suas malignidades excepcionais (ninguém antes conseguiu ser tão malvado quanto eles, salvo talvez o Hitler, o Stalin, o Mao e o Pol Pot, tirando da linha até o Gengis Khan e o Drácula, que nem sei se existiu de verdade ou se só foi algum filme ainda por fazer do Woody Allen). 

Pois bem, vamos às minhas propostas (que podem ser complementadas por gente ainda mais daninha que essas ervas que insistem em atrapalhar o verdinho da nossa grama sempre tão bem cuidada por alguns estadistas que ainda insistem em aparecer) e que submeto à consideração dos meus dezoito leitores (alguns apenas passantes distraídos):

Eu colocaria em primeiro lugar o Putin, que veio para transformar o mundo num imenso KGB, e que ainda vai ter o seu Gulag, se ainda não conseguu fazer da antiga prisão dos povos o modelo ideal de despotismo oriental (coisa que o Max Weber acreditava que era representada pelo antigo Império do Meio, mas que anda muito bem e renascendo, sob os cuidados de um novo imperador).

Em segundo lugar vem aquele palhaço do Trump, que quer transformar o mundo num imenso balcão de negócios, mas só para ele e para a sua família de semelhantes, vários deles imigrantes ilegais, e que só por raiva supremacista ele quer expulsar daquela nação de imigrantes bem sucedidos e que fizeram o sucesso de um império por acaso (e que tem vergonha de ser).

Em terceiro lugar, eu colocaria o Netanyahu, um vulgar arrivista e corrupto político, que conseguiu transformar a antiga “terra santa” num inferno a céu aberto, e até destruir a credibilidade humanista do povo supostamente escolhido por deus para o bem-estar de toda a humanidade (está conseguindo, ao que parece, com a ajuda do seu amigo trambiqueiro imobiliário, que quer transformar aquelas paragens num resort só para ricos, idiotas e exibicionistas como ele e o Bezos).

Em quarto, mas não último ou definitivo lugar (para não deixar o nosso Brazilzinho de fora), aquele covarde e incompetente milico, não por ter sido apenas um golpista fracassado, mas sobretudo por ter sido um negacionista vacinal (além de elogiador de torturadores), que conseguiu matar muita gente na pandemia (muitos dos seus próprios aliados, coitados deles), e que ainda não foi punido por mais esse crime contra os pobres brasileiros, e que conseguiu destruir a credibilidade diplomática deste Brasil ao qual eu servi durante minhas décadas de Serviço Exterior, bastante bem respeitado no mundo, até ele vir estragar tudo com seus aspones amestrados que implantaram uma miséria diplomática na política externa e que quase destruíram a inteligência no Itamaraty.

Pronto, fico com estes, mas quem quiser que fique livre para escolher e indicar seus malvados favoritos.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 29/06/2025


sexta-feira, 25 de abril de 2025

Superhomens do super morticínio - Paulo Roberto de Almeida

Superhomens do super morticínio

Paulo Roberto de Almeida

        Existem personagens, dos mais sórdidos que a humanidade ocorreu de gerar, por esses acidentes de percurso que por acaso ocorrem nos últimos mil anos de irregular evolução civilizatória, que nos surpreendem a cada duas ou três gerações: esse espaço sombrio no cenário mundial já foi ocupado, nos anos 1930-40, por Hitler, por Mussolini e por Stalin, super crápulas que assassinaram, mandaram assassinar, gazear, fuzilar, esquartejar (e nisso cabe incluir os militaristas-fascistas japoneses na China em 1937-45), ou mataram os próprios comunistas, como Stalin. 

        No século XXI, eles têm legítimos sucessores, tão sórdidos quanto esses antecessores: Putin, em primeiro e distinguido lugar, o Hitler do século XXI, o homem que mais matou supostos “inimigos nazistas” e seus próprios soldados “carne de canhão”, desde que Stalin mandava avançar contra as metralhadoras nazistas em Stalingrado; depois Bolsonaro, o elogiador de torturadores, que, além de lamentar que a ditadura tinha “matado de menos”, mais matou seus próprios concidadãos brasileiros (aliás, em grande parte bolsonaristas), durante a pandemia, comparativamente ou proporcionalmente, mais que a própria China, foco da Covid, com novas “metralhadoras” do brutal negacionismo vacinal e da oposição a medidas profiláticas ao longo do seu horrendo mandato, durante o qual também destruiu a credibilidade diplomática do Brasil; em terceiro, mas não menos importante lugar, o idiota consumado e boçal delirante mandatário do  (ainda) Hegemon mundial, que não hesita em enviar inocentes emigrantes para seus dois Gulags, em Cuba e em El Salvador, onde podem ser esquecidos durante anos, como o foram os do Gulag stalinista. 

        Putin é uma mistura de Stalin e Hitler, sem o carisma de ambos, apenas a brutalidade. Trump é um bufão, como Mussolini ou Berlusconi, um idiota que está esfacelando tudo os próprios EUA construíram ao longo dos últimos 80 anos, entregando tudo, a própria Ucrânia, a Putin, de quem é um joguete e um serviçal obsequioso. Bozo é apenas um palhaço, dos mais patéticos na história do Brasil, um crápula boçal, que não deve ter sucessores na democracia de baixíssima qualidade que caracteriza atualmente o parlamentarismo fake do Brasil. 

        Esses personagens tenebrosos compõem um triste capítulo na história da humanidade, mas ainda não encerraram suas trajetórias respectivas neste passo sombrio do cenário mundial, que nos remete a tristes episódios dos anos 1930-40.

        Continuarei atento, neste meu quilombo de resistência intelectual, aos desdobramentos das ações dos super homens do morticínio.

Paulo Roberto Almeida

Brasília, 25/04/2025


segunda-feira, 6 de maio de 2024

O antiocidentalismo - Denis Lerrer Rosenfield (O Estado de S. Paulo)

Mais do que desejo de implantar o socialismo no Brasil – pois sabem que seria um desastre – o que os petistas querem mesmo e controlar tudo por um Estado só deles. Na política externa, prevalece o antiamericanismo anacrônico, incompatível com os interesses nacionais do Brasil.


O antiocidentalismo

Denis Lerrer Rosenfield
O Estado de S. Paulo, 06/05/2024 O Ocidente voltou-se contra o Ocidente. A esquerda, e nesse caso a brasileira também, se cala diante de tão flagrantes contradições O antiocidentalismo faz parte da cultura ocidental. O Ocidente sempre esteve permeado por contradições internas, algumas das quais atentaram contra os seus próprios fundamentos. Propostas liberais e democráticas foram se desenvolvendo concomitantemente ao racismo, à escravidão, ao antissemitismo e ao colonialismo. Mais radicalmente ainda, o Ocidente gerou em seu seio regimes totalitários como o nazismo e o comunismo, que conflagraram a Europa, colocando-a a perigo. No entanto, o Ocidente soube se reinventar, fortalecendo valores de cunho universal. No núcleo dessas contradições, convém salientar o papel do marxismo e, sobretudo, de seus prolongamentos no comunismo soviético, no maoísmo e em outros ismos como os que levaram a mortandades monstruosas como no Camboja e na Ucrânia. A história desses horrores está repleta de exemplos, a única dificuldade reside na escolha de alguns deles. O destaque deve ser, assim, ressaltado, visto que tal concepção nasceu de princípios universais, como a igualdade entre os homens, que seria contraposta à liberdade, embora a realização dessa proposta tenha logo ganhado um caráter perverso. A violência foi generalizada e valores universais foram simplesmente destruídos em nome das “transformações sociais” em curso. O Ocidente voltou-se contra o Ocidente. Lenin e Trotsky ainda ostentavam valores universais, sobretudo esse último, já como profeta desarmado, para utilizar essa expressão de Isaac Deutscher. Contudo, mesmo eles, no auge da revolução, não hesitaram em eliminar todos aqueles que com eles não concordavam, instaurando uma ditadura de partido único. O massacre dos anarquistas em Kronstadt e dos mencheviques, aliados e amigos naquele então, assim como de todos os outros socialistas, é uma amostra do apreço pela violência e do desprezo para com a democracia e com ideias verdadeiramente universais. Com Stalin, nem mais a aparência dos valores universais do Ocidente foi resguardada. Instaurou um regime totalitário, controlando a vida das pessoas, criando o Gulag para onde eram enviados para os trabalhos forçados e à morte os seus dissidentes. Só intelectuais amigos e professores universitários fecharam os olhos diante do horror, procurando justificá-lo. Stalin não hesitou, inclusive, em se aliar a Hitler no famoso Pacto Molotov-Ribbentrop, de 1939 a 1941. Tudo valia contra o Ocidente, o “capitalismo”. Note-se que já estamos em plena guerra, com a França derrotada, o Reino Unido resistindo e os Estados Unidos hesitando em entrar no conflito. Contra o Ocidente, naquele momento representando claramente a democracia e as liberdades, comunismo e nazismo se irmanaram. Apenas a invasão da Rússia, na Operação Barbarossa, pela Alemanha, rompeu com esse pacto. Stalin ficou tão atônito, que chegou a não acreditar que os nazistas estavam invadindo o seu território. Acreditou no “amigo”, que compartilhava valores seus. Atualmente, estamos vivenciando uma volta dessa proposta antiocidental, isso quando os princípios da liberdade e da igualdade, por intermédio da democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos, tinham conseguido se sustentar e desenvolver. A especificidade, porém, consiste em que o seu aliado maior reside no terror islâmico e em regimes de cunho totalitário como o Irã. Qualquer resquício de valores universais simplesmente se evaporou. A esquerda identitária, dita anticolonial, uniu-se a uma proposta ancorada no ódio do outro e no culto da morte, como tão bem mostra o Hamas, voltado ao aniquilamento de Israel, à utilização dos palestinos como escudos humanos, tornando o “martírio” um exemplo a ser seguido. Ou os iranianos que assassinam mulheres, às centenas, se não milhares, por não se vestirem de acordo com suas regras rígidas de vestimentas. O antiocidentalismo se posicionou contra aquilo que o Ocidente de mais alto moralmente criou. Curioso que o antiocidentalismo, ao tecer essa aliança, se volte contra aquilo que diz defender. Homossexuais e LBGT+ são simplesmente presos e assassinados nesses regimes de puro domínio da polícia islâmica. E, no entanto, prezam os seus potenciais assassinos. A esquerda, e nesse caso a brasileira também via PT e PSOL, se cala diante de tão flagrantes contradições. Um país colonialista como o Irã, que já domina partes do Iraque, do Líbano, do Iêmen e da Síria, pretendendo alongar os seus tentáculos para a Jordânia e Israel, é hoje um grande aliado do atual governo. O tal posicionamento do dito Sul Global tem como “inimigo” os países ocidentais, naquilo que essa cultura produziu de melhor, em uma comunidade de países autocráticos e ditatoriais, que comungam de valores liberticidas. Nada compartilham de universal no combate comum ao Estado Democrático de Direito e à afirmação da liberdade em seus mais diferentes domínios. No discurso e na prática, essa tem sido a posição do governo petista, de sua política diplomática e de partidos como o PT e o PSOL. Já passou o momento de o País mudar de rumo.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Uma vida através dos livros: minhas memórias intelectuais - Paulo Roberto de Almeida

 2594. “Uma vida através dos livros: minhas memórias intelectuais”, Hartford, 24 março 2014, 10 p. Registro parcial dos livros mais importantes publicados no mundo e no Brasil, ao longo de minha vida. Para desenvolvimento futuro com comentários sobre os autores e suas obras, ano a ano.

Uma vida através dos livros: minhas memórias intelectuais

Um registro sintético dos livros mais importantes desde 1949

 

Paulo Roberto de Almeida

(www.pralmeida.org; http://diplomatizzando.blogspot.com)

 

 

1949: 

George Orwell: 1984 (Nineteen Eighty-Four)

C. W. Ceram: Deuses, túmulos e sábios: a história da arqueologia

Victor Nunes Leal: Coronelismo Enxada e Voto

Fernand Braudel: La Méditerranée et le monde méditerranéen à l’époque de Philippe II

Ludwig von Mises: Human Action: A Treatise on Economics

José Honório Rodrigues: Teoria da História do Brasil

 

1950: 

Thor Heyerdahl: Kon-Tiki

Octavio Paz: El Labirinto de la Soledad y otros escritos

Ernet Gombrich: A História da Arte

Will Durant: The Age of Faith (Story of Civilization, vol. 4)

 

1951: 

J. D. Salinger: The Catcher in the Rye

Hannah Arendt: The Origins of Totalitarianism

Ludwig von Mises: Socialism: An Economic and Sociological Analysis

George Kennan: American Diplomacy

 

1952:

José Honório Rodrigues: A Pesquisa Histórica no Brasil; 

J. A. Soares de Souza: Um diplomata do Império: Barão da Ponte Ribeiro

Ernest Hemingway: The Old Man and the Sea

Heinrich Harrer: Seven Years in Tibet

Frantz Fanon: Peau Noire, Masques Blancs

Alan Bullock: Hitler: A Study in Tirany

J. Mortimer Adler: Great Books of the Western World

 

1953: 

Pierre Renouvin: Histoire des relations internationales (Paris: 8 vols.: 1953-1958)

Lançamento dos Cadernos do Nosso Tempo (IBESP-RJ: 5 números até 1956);

Robert L. Heilbroner: The Wordly Philosphers

Czeslaw Miloz: A Mente Cativa

Isaiah BerlinL The Hedgehog and the Fox: An Essay on Tolstoy’s View of History

 

1954:

Criação do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, Palácio Itamaraty (RJ)

John Kenneth Galbraith: The Great Crash of 1929

Georges Politzer: Principes Elementaires de Philosophie

Vinicius de Moraes: Antologia Poética

 

1955:

Costa, Hipólito José. Diário de Minha Viagem para Filadélfia, 1798-1799; 

Lançamento da Revista Brasiliense (publicada até 1964);

Cornelius Ryan: The Longest Day

Claude Lévi-Strauss: Tristes Tropiques

Werner Keller: E a Bíblia Tinha Razão (The Bible as History)

 

1956: 

Erich Fromm: The Art of Loving

João Guimarães Rosa: Grande Sertão, Veredas

C. Wright Mills: The Power Elite

Ludwig von Mises: The Anti-Capitalist Mentality

Winston Churchill: A History of the English Speaking Peoples

 

1957: 

Boris Pasternak: Doutor Jivago

Ayn Rand: Atlas Shrugged

Mircea Eliade: Le Sacré et le Profane

Karl Popper: The Poverty of Historicism

Norman Cohn: Pursuit of the Millenium: Revolutionay Millenarians and Mystical Anarchists of the Middle Ages

 

1958:

Hélio Jaguaribe: O Nacionalismo na Atualidade Brasileira; 

Hélio Vianna: História diplomática do Brasil;

Lançamento no Rio de Janeiro da RBPI

Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela

John Kenneth Galbraity: The Affluent Society

Claude Lévi-Strauss: Anthropologie Structurelle

Hannah Arendt: The Human Condition

 

1959:

Carlos Delgado de Carvalho: História diplomática do Brasil; 

Luis Vianna Filho: A vida do Barão do Rio Branco;

Celso Furtado: Formação Econômica do Brasil

Karl Popper: The Logic of Scientific Discovery

 

1960:

Delgado de Carvalho e Therezinha de Castro: Atlas de Relações Internacionais;

William L. Shirer: The Rise and Fall of the Third Reich

David H. Lawrence: Lady Chatterley's Lover sells 200,000 copies in one day following its publication since being banned since 1928

 

1961: 

Foreign Affairs: Jânio Quadros: “Brazil’s new foreign policy”

José Honório Rodrigues: Brasil e África: outro horizonte;

René Goscinny, Albert Uderzo: Astérix le Gaulois

 

1962: 

Boxer, Charles R. The Golden Age of Brazil, 1695-1750

San Tiago Dantas: Política externa independente

Alexander Soljenitsin: Um Dia na Vida de Ivan Denisovich

The works of Pierre Teilhard de Chardin are denounced by the Roman Catholic Church

Milton Friedman: Capitalism and Freedom

Thomas Kuhn: The Structure of Scientific Revolutions

John Steinbeck: Travels With Charley: In Search of America

Barbara Tuchman: The Guns of August

 

1963: 

Hannah Arendt: Eichmann in Jerusalem: A Report on the Banality of Evil

Morris West: The Shoes of Fisherman

 

1964: 

Herbert Marcuse: One-Dimensional Man

Prêmio Nobel de Literatura para Jean-Paul Sartre, que recusa

Ernst Mayr: What Evolution Is

Mao Tse-tung: O Livro Vermelho do Presidente Mao (Citations from...)

 

1965: 

Werner Baer: Industrialization and Economic Development in Brazil

Edmar Morel: O Golpe começou em Washington

Erico Veríssimo: O Senhor Embaixador

 

1966:

E. Bradford Burns: The Unwritten Alliance: Rio Branco and Brazilian-American Relations

Mikhail Bulgakov: O Mestre e a Margarida (1940), publicada com cortes na URSS

Jorge Amado: Dona Flor e seus dois maridos

Barbara W. Tuchman: The Proud Tower: A Portrait of the World Before the War, 1890-1914

Barrington Moore Jr.: Social Origins of Dictatorship and Democracy: Lord and Peasant in the Making of the Modern World

Carrol Quigley: Tragedy and Hope: A History of the World in Our Time

 

1967: 

Robert T. Daland: Brazilian Planning

John W. F. Dulles: Vargas of Brazil

Thomas E. Skidmore: Politics in Brazil, 1930-1964: An Experiment in Democracy

Gabriel Garcia Marquez: Cien Años de Soledad

 

1968: 

Richard Graham: Britain and the Onset of Modernization in Brazil, 1850-1914

Arthur C. Clark: 2001, A Space Odissey

Alexander Soljenitsyn: Pavilhão dos Cancerosos; O Primeiro Círculo

Paul R. Ehrlich: The Population Bomb

 

1969: 

Werner Baer: The development of the Brazilian steel industry

Jorge Amado: Tenda dos Milagres

Dean Acheson: Present at the Creation: My Years at the Department of State

 

1970: 

John W. F. Dulles: Unrest in Brazil: Political-Military Crises, 1955-1964

Henri Charrière: Papillon

Alvin Toffler: Future Shock

 

1971: 

Alfred Stepan: The Military in Politics: changing patterns in Brazil

Alexander Soljenitsyn: Agosto 14

 

1972: 

Frank D. McCann Jr.: The Brazilian-American Alliance, 1937-1945

Jorge Amado: Tereza Batista Cansada de Guerra

Walter Rodney: How Europe Underdeveloped Africa

 

1973: 

John W. F. Dulles: Anarchists and Communists in Brazil, 1900-1935

Moniz Bandeira: Presença dos Estados Unidos no Brasil: dois séculos de história; 

Celso Lafer e Felix Peña: Argentina e Brasil no sistema de relações internacionais

Golpe no Chile (11/09): morte de Victor Jara, no Estadio (16), assassinado, e de Pablo Neruda (23, morte suspeita)

Alexander Soljenitsyn: novela O Arquipélago de Gulag, escrita em 1958-1968, publicada em Paris, de um manuscrito contrabandeado da URSS 

Mikhail Bulgakov: O Mestre e a Margarida (1940), publicada completa na URSS

Mario Vargas Llosa: Pantaleón y las visitadoras

E. F. Schumacher: Small is Beautiful

 

1974:

Alexander Soljenitsyn, preso e expulso da URSS; seus livros começam a ser publicados no Ocidente.

John Le Carré: Tinker, Tailor, Soldier, Spy

Nicholas Meyer: The Seven-Percent Solution

 

1975: 

Stanley E. Hilton: Brazil and the great powers, 1930-1939: the politics of trade rivalry; Brazil and the Internacional Crisis: 1930-1945

Romain Gary, escrevendo sob o pseudônimo de Émile Ajar, ganha o Goncourt pela segunda vez, com o romance: La Vie Devant Soi

Philip Agee: Inside the Company: CIA Diary

 

1976: 

Luciano Martins: Pouvoir et Développement Économique: formation et évolution des structures politiques au Brésil;

Alex Haley: Roots: The Saga of an American Family

Ira Levin: The Boys From Brazil

Richard Dawkins: The Selfish Gene

Michel Foucault: Histoire de la Sexualité: 1. La volonté de Savoir

Jean-François Revel: La Tentation Totalitaire

 

1977: 

Ronald Schneider: Brazil: Foreign Policy of a Future World Power

Pedro Malan et ali: Política econômica externa e industrialização do Brasil (1939-52)

Jorge Amado: Tieta do Agreste

Alfred D. Chandler Jr.: The Visible Hand: The Managerial Revolution in American Business

 

1978:

Dulles, John W. F. President Castelo Branco: A Brazilian Reformer

Lançamento em Brasília da revista Relações Internacionais (UnB)

Graham Greene: The Human Factor

 

1979: 

Peter Evans: Dependent Development: The Alliance of Multinational, State and Local Capital in Brazil

Henry Kissinger: White House Years

 

1980:

Gerson Moura: Autonomia na Dependência: 1935-1942

Umberto Eco: Il nome della Rosa

Carl Sagan: Cosmos

Alvin Toffler: Third Wave

Mario Vargas Llosa: La Guerra del Fin del Mundo

Martin Cruz Smith: Gorky Park

Stephen Jay Gould: The Mismeasure of Man

 

1981: 

Stanley Hilton: Hitler’s Secret War in South America

Stephen Jay Gould: The Mismeasure of Man

Gore Vidal: Creation

 

1982: 

Laurence Hallewell: Books in Brazil: a history of the publishing trade

 

1983:

Lançamento em São Paulo da revista Política e Estratégia (Soc. Convívio);

 

1984:

O ano de George Orwell: reedições

Barbara W. Tuchman: The March of Folly: From Troy to Vietnam

 

1985:

 

1986:

Gerson Moura: Tio Sam chega ao Brasil: a penetração cultural americana

A. L. Cervo e C. Bueno: A Política Externa Brasileira, 1822-1985

Richard Dawkins: The Blind Watchmaker

 

1987: 

Steve Topik: The Political Economy of the Brazilian State, 1889-1930

Paul M. Kennedy: The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict From 1500 to 2000

 

1988: 

Thomas Skidmore:  The Politics of Military Rule in Brazil, 1964-85

Winston Fritsch: External constraints on economic policy in Brazil, 1889-1930

Stephen Hawking: A Brief History of Time

Erik Orsenna: L'Exposition coloniale (Prix Goncourt)

 

1989: 

Gerald K. Haines: The Americanization of Brazil: a study of U.S.: cold war diplomacy in the Third World, 1945-1954

Moniz Bandeira: Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente, 1950-1988

Gelson Fonseca Jr. e Valdemar Carneiro Leão (orgs.): Temas de Política Externa Brasileira I

João H. P. de Araújo, M. Azambuja e Rubens Ricupero: Três Ensaios sobre Diplomacia Brasileira

Khomeiny decreta uma fatwa contra Salman Rushdie por causa dos Versos Satânicos; em 1991 o tradutor japonês seria esfaqueado e morto, na Universidade Tsukuba, segundo a fatwa.

Umberto Eco: O Pêndulo de Foucault

 

1990:

Gerson Moura: O Alinhamento sem Recompensa: a política externa do Governo Dutra

 

1991:

Gerson Moura: Sucessos e Ilusões: relações internacionais do Brasil durante e após a Segunda Guerra Mundial; 

Rubens A. Barbosa: América Latina em perspectiva

 

1992:

A. L. Cervo; Clodoaldo Bueno: História da Política Exterior do Brasil

Lançamento da revista Política Externa (SP: Ed. Paz e Terra-NUPRI/USP)

 

1993:

Paulo R. Almeida: O Mercosul no contexto regional e internacional

1º número da série de Brasília da Revista Brasileira de Política Internacional

 

1994:

Roberto Campos: A Lanterna na Popa

Vasco Leitão da Cunha: Diplomacia em Alto Mar

 

1995:

José H. Rodrigues e Ricardo Seitenfus: Uma História Diplomática do Brasil)

MRE: A Palavra do Brasil nas Nações Unidas: 1946-1995

Moniz Bandeira: O Expansionismo Brasileiro e a formação dos Estados na Bacia do Prata

R. Ricupero: Visões do Brasil

C. Bueno: A República e sua Política Exterior

 

1996: 

Steve Topik: Trade and Gunboats: The United States and Brazil in the Age of Empire

Lançamento da revista Parcerias Estratégicas (CEE-SAE)

 

1997: 

Marshall C. Eakin: Brazil: the once and future country

Iris Chang: The Rape of Nanking

Jared Diamond: Guns, Germs and Steel

 

1998: 

Thomas M. Cohen: The Fire of Tongues: Antonio Vieira and the Missionary Church in Brazil and Portugal

Moniz Bandeira: De Marti a Fidel: a revolução cubana e a América Latina

Paulo R. Almeida: Relações internacionais e política externa do Brasil

 

1999:

Paulo R. Almeida: O Brasil e o multilateralismo econômico

Paulo R. Almeida: O estudo das relações internacionais do Brasil

 

2000: 

H. W. Brands: The First American: the Life and Times of Benjamin Franklin

 

2001: 

Lincoln Gordon: Brazil’s Second Chance: en route toward the First World

Paulo R. Almeida: Os primeiros anos do século XXI: relações internacionais contemporâneas

 

2002: 

Stephen Jay Gould: I Have Landed

 

2003: 

 

2004: 

Jared Diamond: Collapse: How Societies Choose to Fail or Succeed 

 

2005: 

Tony Judt: Postwar: A History of Europe since 1945

Jung Chang & Jan Halliday: Mao: the Unknown Story

 

2006: 

Richard Dawkins: The God Delusion

 

2007: 

Christopher Hitchens: God is not Great

 

2008: 

 

2009: 

Guy Sorman: Economics does not lie

 

2010: 

Mario Vargas Llosa: El Sueño del Celta

 

2011: 

Richard Dawkins: The Magic of Reality: How We know What’s Really True?

Daniel Yergin: The Quest

 

2012: 

 

2013: 

http://www.theguardian.com/books/2013/jan/21/george-orwell-day-begins-annual-commemoration ;  "George Orwell Day begins annual commemoration". The Guardian (London). 21 January 2013. Retrieved 21 January 2013

 

2014:

 

 

 

Hartford, 25 março de 2014

 

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