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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Stalin e os judeus: evento no Wilson Center, Washington (29/01)

Stalin and the Black Book of Soviet Jewry

Wilson Center, January 29, 2019, 3pm-5:30pm

In 1944, Soviet writers Ilya Ehrenburg and Vasily Grossman together with the Jewish Anti-Fascist Committee prepared a 500-page book of testimonials about the mass murder and resistance of the Soviet Jews during the Holocaust. Shortly before publication, Stalin reversed his decision to publish the book, members of the Jewish Anti-Fascist Committee were executed, and silence descended upon the memory of the Holocaust. The Black Book would not be published in Russia until 2014. In this event, we will screen excerpts from Israeli filmmaker Boris Maftsir’s upcoming documentary exploring the fate of the Black Book and consider Stalin’s views and policies vis-à-vis Soviet Jewry.
This event is part of a series organized by the Kennan Institute in honor of the International Holocaust Remembrance Day, with support from the Embassy of Israel in the United States and Rabin Chair Forum at George Washington University. For more information about the series, please visit our website.
 

Speakers

  • Boris Maftsir

    Documentary Filmmaker
  • Zvi Gitelman

    Short-Term Scholar, Kennan Institute
    Professor Emeritus, Department of Political Science, University of Michigan, Ann Arbor
  • Joshua Rubenstein

    Associate at the Davis Center for Russian and Eurasian Studies, Harvard University

Event Co-sponsors

Sponsors: 
EMBASSY OF ISRAEL IN THE UNITED STATES
RABIN CHAIR FORUM AT GEORGE WASHINGTON UNIVERSITY
JEWISH COMMUNITY CENTER OF NORTHERN VIRGINIA
LEADERSHIP, ETHICS, AND PRACTICE INITIATIVE AT THE ELLIOTT SCHOOL OF INTERNATIONAL AFFAIRS
INSTITUTE FOR EUROPEAN, RUSSIAN, AND EURASIAN STUDIES
EDLAVITCH JEWISH COMMUNITY CENTER OF WASHINGTON, DC

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Novo livro de Anne Applebaum: Red Famine - Stalin's War on Ukraine (em outubro)

Da mesma autora de Gulag, que já resenhei (ver abaixo), e de Iron Curtain, que já li, mas não resenhei:

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Stalin nazista? Quase: um novo livro vai trazer a extensão de sua colaboracao...

Eu já havia feito aqui um resumo de uma pequena nota na revista da BBC, History, a propósito deste livro que vai ser publicado pela Yale University Press, e que documenta a extensão da colaboração de Stalin com Hitler e o projeto nazista de dominação europeia (possivelmente mundial).
Vejam aqui:
http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/06/stalin-colaborou-ativamente-com-hitler.html
Reproduzo abaixo uma image da matéria.
Paulo Roberto de Almeida





segunda-feira, 23 de junho de 2014

Stalin colaborou ativamente com Hitler, traindo os partidos comunistas - Secret Cables of the Comintern

Leio um dos números recentes da revista britânica History Magazine (vol. 14, n. 4, April 2014), onde na p. 9 encontro uma nota anunciando um novo livro em publicação pela Yale University:

Fridrikh Firsov (arquivista e historiador russo), Harvet Klehr; John Earl Haynes:
Secret Cables of the Comintern, 1933-1943

1943 foi o ano em que o Comintern foi dissolvido, para que Stalin fizesse boa figura junto aos seus novos aliados ocidentais, inimigos comuns do nazismo, que ainda tinha milhares de soldados na União Soviética.

A matéria se chama "Stalin pushed for closer ties with the Nazis, study shows", e relata detalhes até aqui desconhecidos da colaboração voluntária de Stalin para com Hitler, que só queria eliminá-lo da face da terra, junto com o bolchevismo, que era considerado, junto com a "peste judia", o principal inimigo da humanidade, ou pelo menos da concepção que Hitler se fazia da humanidade (para ele com a raça ariana no comando, sendo os eslavos literalmente isso mesmo, escravos).

Stalin chegou ao ponto de pretender se juntar ao Pacto de Aço, com a Itália, e deu ordens aos partidos comunistas sob influência da URSS para que colaborassem ativamente com os nazistas, nos quase três anos durante os quais vigorou o pacto Ribbentrop-Molotov. Ele até empurrou o governo pró-fascista da Bulgária a se juntar ao Pacto, dizendo ao líder do Comintern, o búlgaro Georgi Dimitrov que a própria URSS pretendia se juntar, uma demanda que os nazistas ignoraram.

Quando algum comunista disser que o partido é anti-fascista, não custa nada lembrar essa pequena história. Na verdade, comunismo e fascismo são irmãos siameses, se não irmãos gêmeos em tudo, pensamento e ação.
Paulo Roberto de Almeida

domingo, 1 de junho de 2014

O Grande Terror Stalinista - Simon Sebag Montefiore

O Terror Comunista

A matéria acima é um resumo das páginas 245 a 269 do livro "Stalin, a Corte do Czar Vermelho", Simon Sebag Montefiore, editora Companhia das Letras, 2003.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

sábado, 31 de maio de 2014

Por Carlos I. S. Azambuja

Em 29 de janeiro de 1937, em Moscou, 13 supostos membros de uma conspiração trotskistaforam condenados à morte e 200 mil pessoas, deslumbradas pela propaganda da luta de Stalin contra o terror, reuniram-se na Praça Vermelha, apesar da temperatura de -27 graus Celsius, carregando estandartes que diziam: "O veredicto da corte é o veredicto do povo". Kruschev falou para a massa, denunciando o "Judas Trotsky", expressão que implicava fortemente que Stalin era o Jesus metafórico. "Ao erguer a mão contra o camarada Stalin", disse Kruschev à multidão,"eles levantaram a mão contra tudo que há de melhor na humanidade, porque Stalin é esperança (...). Stalin é nossa bandeira. Stalin é nossa vontade. Stalin é nossa vitória" .
Nikita Kruschev, como se sabe, posteriormente, em fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS condenou por seus crimes o kamarada Stalin, que assim, 19 anos depois, não era mais "a nossa bandeira, a esperança, a nossa vontade e a nossa vitória".

A regra no mundo de Stalin era a de que, quando um homem caía, todos os que tinham ligação com ele, fossem amigos, amantes ou protegidos, cairiam junto. Seu cunhado e seu sogro foram fuzilados. Sua esposa, sua irmã e seus pais foram exilados.
Nas Forças Armadas o terror atingiu três dos cinco marechais, quinze dos dezesseis comandantes de Unidades e os dezessete comissários políticos. Todos foram fuzilados. Eles não foram mortos pelo que haviam feito, mas pelo que poderiam fazer. Ou seja, foram mortos por uma traição em potencial.

Politburo nem especificava os nomes. Simplesmente fixava cotas de morte aos milhares. Em 2 de julho de 1937, o Politburo ordenou que os secretários locais prendessem e fuzilassem "os elementos anti-soviéticos mais hostis", que deveriam ser sentenciados por troikas, tribunais de três homens que incluíam usualmente o secretário do partido, o Procurador e o chefe local do NKVD. Os "elementos anti-soviéticos mais hostis" eram apontados pelo secretário do partido na região.

O objetivo era "acabar de uma vez por todas" com todos os inimigos e com aqueles impossíveis de educar no socialismo, de modo a acelerar o desaparecimento das barreiras de classe e, portanto, a instauração do paraíso para as massas. Essa solução final era um massacre que fazia sentido em termos da fé e do idealismo do bolchevismo, que era uma religião baseada na destruição sistemática das classes. O princípio de ordenar o assassinato como cotas industriais do Plano Qüinqüenal era, portanto, natural. Os detalhes não importavam: se a destruição dos judeus por Hitler foi um genocídio, então aquilo foi um democídio (*), a luta de classes se transformando em canibalismo.

A 30 de julho de 1937, Iejov, chefe do NKVD, encaminhou a Ordem 00447 ao Politburopropondo que, entre 5 e 15 de agosto, as regiões deveriam receber cotas para duas categorias: Categoria Um, fuzilamento; Categoria Dois, deportação. Sugeriu que 72.950 deveriam ser fuzilados e 259.450 presos. Não havia como deixar de cumprir uma sugestão do NKVD confirmada pelo Politburo do partido. As regiões deveriam apresentar mais listas. As famílias dessas pessoas deveriam ser também deportadas.

Politburo confirmou essa Ordem no dia seguinte.

Não demorou para que esse moedor de carne adquirisse tal impulso que, conforme a caça às bruxas se aproximava de seu auge e os ciúmes e as ambições locais se atiçavam, cada vez mais gente era jogada no moedor.

As cotas foram logo cumpridas pelas regiões que pediram então números maiores: entre 28 de agosto e 15 de dezembro, o Politburo concordou com o fuzilamento de outras 22.500 pessoas e, depois, com mais 48 mil. As regiões estavam matando rápido demais: Nikita Kruschev, líder de Moscou, ordenou efetivamente o fuzilamento de 55.741 funcionários, mais do que estipulava a cota original do Politburo, que era de apenas 50 mil. Em 10 de julho de 1937, Kruschev escreveu a Stalin pedindo o fuzilamento de 2 mil ex-kulaks, a fim de cumprir sua cota. Os arquivos do NKVD mostram-no dando entrada em muitos documentos propondo prisões. Na primavera de 1938, ele já supervisionara a prisão de 35 dos 38 secretários provinciais e municipais, o que dá uma idéia do moedor de carne. Kruschev, uma vez que estava em Moscou, levava as listas diretamente a Stalin. "Não pode haver tantos!", exclamou Stalin, certa vez. "Na verdade, há mais", retrucou Kruschev. "Você não pode imaginar quantos existem". A seguir, a cidade de Stalinabad recebeu uma cota de 6.277 para fuzilar, mas executou 13.259.

grande terror, todavia, foi diferente dos crimes de Hitler que destruíram sistematicamente um alvo limitado: judeus e ciganos. Na Rússia, ao contrário, a morte era aleatória: o comentário esquecido há muito tempo, o flerte com a oposição, a inveja do emprego, da mulher ou da casa de outro homem. Vingança ou simplesmente pura coincidência causaram a morte de famílias inteiras. Isso pouco importava: "Melhor ir longe demais do que não ir longe o suficiente", disse o chefe do NKVD, Iejov, aos seus homens, enquanto a cota original de prisões da Ordem 00447 inflava para 767.307 prisões e 386.798 execuções.

Ao mesmo tempo, Iejov atacava contingentes nacionais, ou seja, a execução por nacionalidades, contra poloneses e alemães que viviam na Rússia, entre outros. Em 11 de agosto, ele assinou a Ordem 00485, para liquidar "diversionistas e grupos de espionagem poloneses", Ordem que consumiria a maior parte do Partido Comunista Polonês, a maioria dos poloneses no interior da liderança bolchevique, qualquer um que tivesse "contatos consulares" ou sociais e, é claro, também suas esposas e filhos. Cerca de 350 mil pessoas (das quais 144 mil poloneses) foram presas nessa operação, com 247.137 fuzilados (110 mil poloneses). Um minigenocídio. Poloneses foram os mais atingidos mas a operação incluiu a deportação de curdos, gregos, finlandeses, estonianos, letões, chineses e romenos. Na Mongólia, o NKVD fuzilou 6.311 padres, lordes e funcionários comunistas, cerca de 4% de sua população.
"Batam, destruam sem escolher!", ordenou Iejov a seus capangas. Aqueles que mostravam "inércia operacional" na prisão de "formações contra-revolucionárias dentro e fora do partido", seriam eles mesmos destruídos mas a maioria da capangada tentava ultrapassar uns aos outros com relatórios com números gigantescos de pessoas presas. Iejov chegou a especificar que "se, durante a operação, umas mil pessoas a mais forem fuziladas, não é um grande problema". Uma vez que Stalin e Iejov aumentavam constantemente as cotas, uns mil a mais aqui e ali eram inevitáveis...

Uma vez iniciado o massacre, Stalin quase sumiu da vida pública, aparecendo apenas para saudar crianças e delegações. Espalhou-se o rumor de que ele não sabia de nada (no Brasil também existiu um governante que não sabia de nada).

Em 1937 falou em público apenas duas vezes e em 1938 apenas uma. Stalin era o mentor, mas não estava sozinho. Com efeito, não é correto e nem útil pôr a culpa do terror em um único homem, uma vez que o assassinato sistemático começou logo depois de Lênin ter assumido o poder, em 1917, e só parou depois da morte de Stalin. Aquele era um "sistema social baseado no derramamento de sangue". O terror, assim, não foi apenas uma conseqüência da monstruosidade de Stalin, mas com certeza se formou, expandiu e acelerou graças ao seu caráter peculiarmente dominador, refletindo seu rancor e seu espírito vingativo. "A maior delícia", disse Stalin a Kamenev - um dos que não escaparia do moedor de carne - "é marcar o inimigo, preparar tudo, vingar-se por completo e depois ir dormir".

Enquanto as regiões cumpriam suas cotas anônimas, Stalin também matava milhares que conhecia bem. Em um ano e meio, 5 dos 15 membros do Politburo, 98 dos 139 membros do Comitê Central e 1.108 dos 1.966 delegados do XVII Congresso foram presos. Iejov entregou aoPolitburo 383 listas específicas dessas vítimas, com o pedido: "Peço sanção ao Politburo para condená-los todos dentro da Primeira Categoria".

Foi isso que diferenciou Lênin de Stalin: Lênin matou todos os seus inimigos; Stalin matou os inimigos e os amigos.

A maioria das listas foi assinada por Stalin, Molotov, Kaganovitch e Vorochilov. No dia 12 de dezembro de 1938, por exemplo, Stalin e Molotov assinaram 3.167 execuções. Em geral, escreviam simplesmente: "A favor". Molotov admitiu: "Assinei a maioria - na verdade, todas - listas de prisão. Debatemos e tomamos uma decisão. A pressa dominava. Seria impossível entrar em todos os detalhes? (...) Às vezes, gente inocente era presa. É óbvio que um ou dois em cada dez eram presos erradamente, mas o resto está certo". Como disse Stalin: "É melhor uma cabeça inocente a menos do que hesitações numa guerra". Kaganovitch lembrava o frenesi da época: "Que emoções!"

A 5 de julho de 1937, o Politburo mandou o NKVD "confinar todas as esposas dos traidores condenados (...) em campos por cinco, oito anos" e tomar sob a proteção do Estado as crianças com menos de quinze anos: 18 mil esposas e 25 mil crianças foram levadas embora. Isso, porém, não foi suficiente. Em 15 de agosto, Iejov decretou que as crianças entre um e três anos de idade seriam confinadas em orfanatos, mas "crianças socialmente perigosas, com idade entre três e quinze anos, poderiam ser aprisionadas, dependendo do grau de perigo". Quase um milhão dessas crianças foi criada em orfanatos e, com freqüência, não viram suas mães durante vinte anos. Tudo isso atingiu um clímax quando sessenta crianças com idades entre dez e doze anos foram acusadas de formar "um grupo contra-revolucionário terrorista" e ficaram presas durante oito meses.

Em 8 de outubro de 1938, uma comissão do Politburo denunciou "erros muito graves no trabalho dos órgãos do NKVD" (trabalhos que ele, Politiburo, sempre convalidou) As troikasmortíferas que alimentavam o moedor de carne foram dissolvidas. Iejov, renunciou à chefia do NKVD em 23 de novembro de 1938, permanecendo, no entanto, como Comissário do Transporte de Água e membro candidato ao Politburo.

Dois dias depois, em 25 de novembro, Laurenti Beria, a quem Stalin apelidou de "Promotor", foi nomeado chefe do NKVD, trazendo seus capangas georgianos para Moscou. Nessa mesma data, Stalin e Molotov assinalaram o fuzilamento de 3.176 pessoas. Estiveram, portanto, muito ocupados.

Beria logo começou a trabalhar. Entre 24 de fevereiro e 16 de março de 1939, comandou a execução de 439 prisioneiros importantes, entre os quais o marechal Iegórov e os ex-membros do Politburo Kosior, Póstichev e Tchubar. Quando dessa execução, ele já estava morando nadatcha de Tchubar.

Finalmente, em 10 de março de 1939, os 1.900 delegados ao XVIII Congresso se reuniram para declarar o fim de uma carnificina que fora um sucesso, ainda que levemente prejudicada pelos excessos maníacos de Iejov. Nesse Congresso, Nikita Kruschev tornou-se membro doPolitburo, enquanto Beria era eleito candidato a ele. Essa liderança governou o país por toda a década seguinte sem nenhuma baixa. Afinal, o Congresso não havia declarado o fim da carnificina?

A morte de Stalin, em 8 de março de 1953, provocou consternação nacional. O novo grupo de dirigentes que assumiu o poder - Malenkov, Molotov, Bulganin e Kruschev - tratou logo de dar um fim em Laurenti Beria, o policial-chefe de Stalin, determinando sua prisão e o pronto fuzilamento, o que ocorreu em setembro de 1953.

Três anos depois, em fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, Kruschev lançaria as suas famosas denúncias contra Stalin, indicando que a nova sociedade soviética, dos engenheiros, dos técnicos, dos intelectuais, dos trabalhadores qualificados, do satélite e da bomba atômica, não mais podia conviver com as práticas estigmatizadas que Stalin deixara como herança. Mais tarde, Kruschev iria admitir que a era Stalin "deixou todos com sangue até os cotovelos".

A verdade é que o grande terror não teria acontecido sem Stalin. Contudo, ele também refletiu os ódios provincianos da incestuosa seita bolchevique, em que os crimes fervilhavam desde muito antes, desde os anos de exílio e guerra. A responsabilidade, no entanto, ficaria com as centenas de funcionários - os capangas de Iejov e, depois, de Béria - que ordenaram o perpetraram as mortes. Stalin e seus assessores mataram com entusiasmo, inconseqüência, quase com alegria e, em geral, assassinaram mais do que lhes foi pedido. Ninguém jamais foi processado por esses crimes, mesmo depois do desmonte do socialismo real e do desaparecimento da União Soviética.

(*) Democidio é um termo criado pelo investigador político R. J. Rummel com a intenção de criar um conceito mais amplo que a definição legal de genocidio. O democídio se define como o assassinato de qualquer pessoa ou pessoas por parte de um governo, incluindo genocidio, assassinatos políticos e assassinatos massivos.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Stalin: um dos grandes monstros do seculo XX - Paul Johnson (livro)


BOOKS

 The Daily Beast, 
February 08, 2014

Why the World Cannot Forget Stalin

Even while Hitler and Mao still captivate the popular imagination, one of the great monsters of the 20th century recedes. Celebrated historian Paul Johnson on why he decided to write a new biography of the Soviet Union’s monstrous dictator.

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Stalin: The Kremlin Mountaineer By Paul Johnson $9.99. Amazon. ()


I have undertaken to write a new short life of Joseph Stalin because I have discovered that, among the young, he is insufficiently known. Whereas Hitler figures frequently in the mass media, and Mao Tse-tung’s memory is kept alive by the continuing rise in power of the communist state he created, Stalin has receded into the shadows. I shall bring him forth and shine on him the pitiless light of history.
Stalin was a monster, one of the outstanding monsters civilization has yet produced. I do not share the view, stridently put forward by Marx and Tolstoy, that individuals are unimportant in the shaping of historical events, which—they say—are the work almost entirely of huge, anonymous forces. On the contrary, I believe, along with most historical writers from Thucydides to Carlyle, that what happens to humanity as a result of human agency is profoundly influenced and often determined by the will of the few, sometimes the very few. It follows that these remarkable individuals need to be closely studied, to discover how they acquired and exercised power, and whether lessons can be learned for the benefit of mankind. That is the reason why I have written essays on Alexander the Great and Julius Caesar, and why I produced an admonitory biography of Napoleon Bonaparte. All three were immensely important in the history of their times, and for long after. Napoleon was particularly influential in shaping the history of the twentieth century. Thanks to the tragic decision of the Whig government in Britain to repatriate his body from St. Helena to France, and the malign determination of the French to treat him as a national hero and enshrine his body in the Invalides, Napoleon’s spirit and his methods have lived on. The First World War, which began the miseries of the modern world, was itself the embodiment of total warfare of the type his methods adumbrated. In the political anarchy that emerged from it, a new brand of ideological dictator took his type of government as a model: first in Russia, then in Italy, and finally in Germany. No dictator of the twentieth century, from Lenin, Stalin, Hitler, and Mao Tse-tung to minor tyrants like Kim Il Sung, Castro, Perón, Mengistu, Saddam Hussein, Ceauşescu, and Qaddaffi, was without distinctive echoes of the Napoleonic prototype. Collectively, this Napoleonic progeny of evil made the twentieth century the outstanding epoch of ideological oppression, mass murder, warfare on a colossal scale, and innovative technology that enabled humans to lie, deceive, and pervert the human mind to infernal purposes.
The world, then, should know about Stalin, and in my new book, I have tried to set forth the essence of his life, character, and career. It has been in some ways a grim task, but in performing it I have felt a powerful satisfaction in telling the truth, and in a brief and accessible compact form so that all, the young especially, to whom Stalin is but a name, can know and learn from it. Of the three egregious monsters the twentieth century produced, Hitler detonated the Second World War, which cost forty million lives, and was personally responsible for the murder of six million Jews; Mao Tse-tung killed seventy million of his compatriots by execution and starvation. The death toll for which Stalin must bear the blame is not easy to compute, but it cannot be less than twenty million. He was also the creator or refiner of many aspects of totalitarian rule, including what Solzhenitsyn called “the gulag archipelago,” itself the model for the Mao concentration camp complex, which once contained twenty-five million human beings and still houses many unfortunate millions.
Excerpted from Stalin by Paul Johnson. ©2014 by Paul Johnson. Published by Amazon Publishing. All Rights Reserved.

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Trotsky: seu assassinato continua a ser um grande tema para historiadores e romancistas

Folha de S.Paulo, 17/12/2013 - 14h15

Escritor cubano reabre o debate sobre o assassinato de Trótski

da Livraria da Folha
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Divulgação
Autor trata de uma história coberta por inúmeras mistificações
Autor trata de uma história coberta por inúmeras mistificações
Em "O Homem que Amava os Cachorros", o escritor cubano Leonardo Padura apresenta um romance investigativo sobre o assassinato Leon Trótski e do assassino, Ramón Mercader.
No dia 21 de agosto de 1940, no México, Trótski foi assassinado a golpe de picareta. Josef Stálin (1879-1953) foi visto como o principal suspeito de encomendar o crime.
Eles tinham desavenças notórias e Stálin o considerava um rival, motivo que levou Trótski a deixar União Soviética.
A história de "O Homem que Amava os Cachorros" começa em 2004 e é narrada por Iván, que trabalha em uma clínica veterinária em Havana e pretende se tornar escritor.
O narrador encontra um homem que passa a contar detalhes sobre Mercader, como a adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético. Padura procura manter o texto fundamentado em documentação e pesquisas para não cair na mera especulação.
"A verdade histórica é um limite que não se deve violar, pois um livro também tem o poder da letra impressa, que tende a ter um sentido de credibilidade", disse Padura aJoca Reiners Terron. "Por isso eu sou muito respeitoso com minhas investigações históricas".
Lev Davidovich Bronstein nasceu em família judaica no dia 7 de novembro de 1879, na Ucrânia. Adotou o nome Leon Trótsky apenas aos 18 anos, quando foi preso por conspirar contra o czar. Amigo de Lênin (1870- 1924), foi exilado da Rússia diversas vezes. No final de 1917, ambos lideraram os bolcheviques e derrubaram o governo. Era o início da República Soviética da Rússia.
Mercader, que nunca afirmou ter sido enviado pelo ditador soviético, cumpriu pena por homicídio até maio de 1960. Ele viveu em Cuba e na União Soviética até morrer em Havana, em 1978. Seu corpo foi enterrado sob o nome de Ramon Ivanovitch López, em Moscou, e tem um lugar de honra no museu da KGB.
*
"O Homem que Amava os Cachorros"
Autor: Leonardo Padura
Tradução: Helena Pitta
Editora: Boitempo
Páginas: 600
Quanto: R$ 59,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.
Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

domingo, 14 de julho de 2013

Anton Antonov-Ovseyenko (1920-2013): o homem que falou a verdade sobre Stalin

Russia Mourns Stalin Scholar, Gulag Museum Founder

Anton Antonov-Ovseyenko

MOSCOW, July 11 (RIA Novosti) – His father was executed on Josef Stalin’s orders, his mother committed suicide in jail, and he survived 13 years in the Gulag – to become one of the most outspoken critics of Stalinism.
Anton Antonov-Ovseyenko wrote several seminal books denouncing the Soviet tyrant, his henchmen and the political system that devastated Russia and doomed millions to exile, disgrace, prison or death. Even blindness, exacerbated by merciless prison conditions, did not stop him from writing and running the Moscow branch of the Union of Victims of Political Purges.
Yet Antonov-Ovseyenko was best known as the founder and president of the Gulag History Museum in Moscow, where a modest memorial service was due to be held Thursday, two days after his death.
He died Tuesday at the age of 93 – having outlived the Communist system his father helped create and witnessed the sweeping and chaotic changes in post-Soviet Russia. But his twilight years coincided with attempts to whitewash Stalin's legacy and political system that Antonov-Ovseyenko described and denounced in his books.
“The sad thing is that now there is a new wave of reviving the cult of Stalin, of worshipping him,” he told Radio Liberty in 2005. “There is a new Stalinization.”
In February, almost half of all Russians said that Stalin played a “very positive” or “quite positive” role in the nation’s history, according to a poll by the independent Levada Center. Scholars, politicians and bloggers have debated recent history textbooks and Stalin biographies that either denounce his atrocities or praise him as an “effective manager” who helped crush the Nazis and turned Soviet Russia into an industrial superpower with a nuclear arsenal.
In 2008, Stalin was ranked third in an online vote organized by a Russian television channel for a show on the greatest Russians in history – and a poetic line from the 1940s Soviet anthem mentioning Stalin was recently restored to a metro station in central Moscow.
Antonov-Ovseyenko described Stalin as a common criminal – a claim he said his own experiences as a Gulag prisoner, historian and son of a Communist leader meant he was entirely qualified to make.
He was born in 1920, the son of Vladimir Antonov-Ovseyenko, a revolutionary who organized some of the key events of the 1917 Bolshevik Revolution. The Red Army commander fiercely objected to the rise of Stalin within the Communist Party ranks and sided with Stalin’s archenemy, Leon Trotsky.
When Anton was nine years old, his mother was arrested and sentenced to jail. The year was 1929 – the year of Trotsky’s deportation from the Soviet Union. She committed suicide seven years later. Her husband publicly rejected his Trotskyist affiliations and served as a justice minister and a consul to Spain.
However, he was executed in 1938, after being arrested at the peak of the Great Purge of 1936-1939 that decimated the Communist ranks, resulting in at least 700,000 death sentences – about 1,000 executions a day – according to declassified KGB archives. Millions more were exiled and jailed.
Antonov-Ovseyenko, who studied history and began working at art museums, was branded the son of an “enemy of the people” and was arrested and sentenced to imprisonment three times. He spent 13 years in five Gulag camps, and was eventually released in 1953, shortly after Stalin’s death.
While working unremarkable day jobs, Antonov-Ovseyenko gradually collected data and interviews with purged Communists in order to write “The Time of Stalin: Portrait of Tyranny,” a book that was published in the West in 1981 and nearly got him jailed again back home. In 1984, he came under pressure yet again for “anti-Soviet propaganda.”
Despite almost completely having lost his eyesight, Antonov-Ovseyenko penned several more books that cemented his reputation as a leading expert on Stalinism.
In 2001, Antonov-Ovseyenko founded the Gulag History Museum in central Moscow, which features models of prison cells and a watchtower, as well as a gallery of art depicting prison life and personal items of former convicts. It also holds exhibitions, seminars and theater performances on topics ranging from mass deportations of entire ethnic groups to the persecution of the Russian Orthodox clergy under Communists.
In one of his last interviews, he deplored the decades of Stalinist “degeneracy” that will hinder Russia’s development for years to come.