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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O Holodomor ucraniano, antes e depois; Madame IA analisa o que foi a grande fome na Ucrânia promovida por Stalin e agora por seu seguidor Putin

Madame IA discorre, no texto abaixo, a pedido de nosso gerente comum, Airton Dirceu Lemmertz, sobre o Holodomor, com base em conceitos comumente utilizados por mim no Diplomatizzando, mas ela provavelmente não leu, pois que pouco divulgada, uma nota que elaborei em 2023 sobre o Holodomor do Putin contra o povo ucraniano, inclusive responsabilizando a diplomacia brasileira pelo silêncio em face da mortandade promovida pela guerra de agressão da Rússia contra o povo ucraniano (transcrito in fine). PRA 

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ADL a Madame IA: Apresente um texto sobre "Holodomor" ("A Grande Fome Ucraniana"). O texto deverá ter, no mínimo, 7700 caracteres; deverá usar apenas frases e parágrafos; deverá utilizar, como base (ou seja, como fonte), os textos correlatos em postagens do blog Diplomatizzando; deverá usar o estilo de escrita do diplomata Paulo Roberto de Almeida. 

O fenômeno histórico conhecido como Holodomor, termo derivado das palavras ucranianas para fome e extermínio, representa um dos capítulos mais sombrios e meticulosamente ocultados do século XX. A análise rigorosa desse morticínio deliberado exige o afastamento completo das paixões ideológicas e a adoção de uma perspectiva firmemente ancorada nos fatos documentais, tal como amiúde propugnado nas reflexões analíticas do embaixador e historiador diplomático Paulo Roberto de Almeida em seu espaço de debate intelectual, o blog Diplomatizzando. Longe de constituir um mero acidente climático ou uma disfunção passageira nas forças produtivas da agricultura soviética, a Grande Fome Ucraniana revelou-se um autêntico genocídio planejado, operado e executado por estruturas estatais hipertrofiadas sob o comando direto de Joseph Stalin. Examinar esse episódio crucial à luz da história diplomática e das relações internacionais contemporâneas desvela os mecanismos perversos por meio dos quais regimes totalitários instrumentalizam a escassez alimentar absoluta para subjugar o nacionalismo, erradicar dissidências políticas e reformar compulsoriamente a estrutura socioeconômica de uma nação inteira.
A gênese da catástrofe humanitária remonta diretamente à virada da década de 1920 para a década de 1930, quando o comitê central do partido comunista da União Soviética deliberou pela aceleração brutal dos planos quinquenais de industrialização pesada. O financiamento dessa modernização urbana e fabril dependia crucialmente da capacidade do Estado soviético de extrair excedentes agrícolas do campo para exportação global e abastecimento dos grandes centros urbanos russos. Diante desse imperativo puramente ideológico e centralizador, o regime stalinista desencadeou o programa de coletivização forçada da agricultura em 1929 e 1930, extinguindo sumariamente a propriedade privada rural e empurrando a massa camponesa para as estruturas coletivas dos kolkhozes. A resistência a esse processo foi generalizada e feroz, manifestando-se de forma particularmente intensa na Ucrânia, região historicamente caracterizada por uma sólida tradição de pequenos proprietários agrícolas independentes conhecidos pela alcunha pejorativa de kulaks. A resposta do aparato repressor de Moscou não tardou, inaugurando uma escalada de violência que combinava deportações em massa para o arquipélago do Gulag, execuções sumárias perpetradas pela polícia política e o confisco sistemático de sementes e ferramentas.
À medida que os agricultores ucranianos reagiam à expropriação violenta reduzindo o plantio ou abatendo seus próprios rebanhos para evitar a entrega ao Estado, a liderança bolchevique interpretou essa postura não como uma reação natural à destruição de seus meios de subsistência, mas como uma sabotagem contrarrevolucionária orquestrada por elementos nacionalistas. Em consequência, o governo soviético elevou as cotas obrigatórias de entrega de grãos a patamares matematicamente impossíveis de serem atingidos pela lavoura devastada. No ano fatídico de 1932, a imposição da famigerada lei das cinco espigas criminalizou severamente qualquer indivíduo, inclusive crianças famintas, que recolhesse restos de trigo deixados nos campos coletivizados, aplicando penas que variavam do fuzilamento imediato a longos anos de trabalhos forçados. Brigadas de ativistas urbanos e agentes da polícia secreta foram despachadas para o interior da Ucrânia com ordens expressas de revistar cada residência rústica, confiscando não apenas os grãos remanescentes, mas todo e qualquer alimento estocado, incluindo vegetais domésticos, animais de criação e sementes reservadas para o ciclo de plantio subsequente.
O isolamento geográfico e administrativo da Ucrânia completou o cerco mortífero desenhado pelos planejadores stalinistas na virada para o ano de 1933. Fronteiras internas foram rigidamente bloqueadas por tropas do exército vermelho e agentes de segurança pública para impedir o êxodo da população rural desesperada em direção às grandes cidades ou a outras repúblicas soviéticas menos castigadas pela requisição de víveres. O sistema de passaportes internos, introduzido justamente naquele período de agonia, negou sistematicamente o direito de livre circulação aos camponeses ucranianos, confinando-os a vilarejos transformados em verdadeiros campos de extermínio ao ar livre. O resultado dessa engenharia social punitiva foi uma mortandade em escala industrial, cujas estimativas demográficas mais rigorosas apontam para a perda direta de quase quatro milhões de vidas ucranianas, embora cálculos que computam o colapso na natalidade e as perdas em regiões periféricas sugiram cifras ainda mais assustadoras, alcançando os sete milhões de mortos. Relatos contemporâneos resgatados de arquivos confidenciais descrevem cenas dantescas de inanição extrema, degradação do tecido social elementar, episódios generalizados de loucura coletiva e manifestações esporádicas de canibalismo decorrentes do desespero absoluto.
Para além do horror puramente humano ocorrido no solo ucraniano, o Holodomor constitui um estudo de caso fundamental sobre a cumplicidade internacional e a manipulação deliberada da informação jornalística e diplomática global. Enquanto milhões de seres humanos pereciam silenciosamente na Europa Oriental, o regime soviético montou uma formidável operação de relações públicas e cortinas de fumaça para enganar observadores estrangeiros e preservar a reputação do socialismo real perante as democracias ocidentais. Intelectuais simpáticos à causa bolchevique, diplomatas ocidentais e correspondentes de jornais de prestígio, notadamente Walter Duranty do The New York Times, engajaram-se ativamente na negação da fome, classificando notícias sobre a tragédia como propaganda antissoviética. Essa farsa internacional impediu a mobilização de ajuda humanitária externa que poderia ter atenuado o sofrimento da população civil, demonstrando como o pragmatismo geopolítico e a cegueira ideológica frequentemente conspiram para obscurecer a consumação de crimes contra a humanidade.
O debate contemporâneo em torno do reconhecimento jurídico do Holodomor como genocídio permanece vivo nas chancelarias e academias mundiais, refletindo-se diretamente nas discussões hospedadas por intelectuais no ambiente do Diplomatizzando. Historiadores de renome e juristas alinhados com o legado de Raphael Lemkin, o formulador do conceito de genocídio, sustentam que o Holodomor preenche todos os requisitos estabelecidos pelo direito internacional para tal tipificação. O argumento central repousa na intencionalidade do regime stalinista de destruir, no todo ou em parte, o grupo nacional ucraniano enquanto entidade política e cultural distinta, utilizando a fome como arma biológica seletiva. Em contrapartida, correntes revisionistas e as narrativas oficiais emanadas de Moscou tentam diluir a especificidade da tragédia ucraniana, rotulando o evento como uma infelicidade climática geral que afetou indiscriminadamente outras regiões soviéticas, omitindo o fato de que apenas na Ucrânia o confisco de alimentos foi acompanhado pelo fechamento militarizado de fronteiras e pela decapitação sistemática das elites intelectuais e eclesiásticas locais.
A relevância do Holodomor estende-se para além do mero registro historiográfico, projetando sombras longas sobre a geopolítica europeia contemporânea. A persistente recusa do atual governo russo em admitir o caráter genocida da grande fome stalinista liga-se diretamente à sua tentativa contemporânea de reescrever a história e negar a legitimidade da soberania nacional ucraniana. Como observa de forma perspicaz a melhor literatura de relações internacionais, a guerra travada no campo de batalha é frequentemente precedida e legitimada por uma guerra contra a memória histórica. O resgate da verdade factual sobre o massacre de 1932-1933 converteu-se em pilar fundamental para a consolidação da identidade nacional da Ucrânia independente, servindo como advertência permanente contra os perigos decorrentes do totalitarismo e do messianismo estatal.
Compreender o Holodomor à luz da racionalidade diplomática e econômica expõe a fragilidade dos arranjos internacionais que negligenciam os direitos humanos em nome de imperativos comerciais ou de equilíbrios de poder artificiais. O sacrifício de milhões de camponeses no altar da coletivização agrícola soviética permanece como um monumento trágico à miséria intelectual e moral de regimes que subordinam a dignidade intrínseca da pessoa humana a abstrações ideológicas totalizantes. A leitura atenta das postagens correlatas no blog Diplomatizzando oferece um subsídio indispensável para quem deseja aprofundar-se no exame crítico das ditaduras do século passado, municiando diplomatas, acadêmicos e cidadãos com as ferramentas analíticas necessárias para identificar e combater as novas roupagens do autoritarismo que ameaçam a estabilidade internacional e a convivência democrática entre as nações no presente século.

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Madame IA não relata que o jornalista inglês Gareth Jones percorreu a Ucrânia em pleno Holodomor e fez uma série de relatos sobre as atrocidades que contemplou, gente morrendo de fome, nas ruas e nas casas. Existe uma edição brasileira dos seus textos, pelo jornalista Duda Teixeira: 

Fome na Ucrânia - Os relatos do front do Holodomor: Os relatos do front do Holodomorpor Gareth Jones e Duda Teixeira | 18 out. 2022 (link).

Tem também esta nota: 

4416. “O Holodomor de Putin”, Brasília, 13 junho 2023, 1 p. Nota sobre o morticínio russo contra o povo ucraniano. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/o-holodomor-de-putin-paulo-roberto-de.html).

 

O Holodomor de Putin

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre o morticínio russo contra o povo ucraniano.

  

O tirano de Moscou já constatou que ele não poderá mais anexar a Ucrânia pela força.

Ele agora só está empenhado em destruir o país e matar o maior número possível de pessoas, inclusive velhos e crianças. 

A diplomacia brasileira já perdeu qualquer resquício de moralidade?

Se revela incapaz de expressar pelos ucranianos os mesmos cuidados que o governo diz manter em relação aos “povos originários”? 

A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia é apenas um detalhe nos planos de Lula para uma “nova ordem mundial”?

O Brics continuará, como no ano passado, absolutamente indiferente ao morticínio deliberado que ocorre na Ucrânia?

E sua Declaração de cúpula ainda terá a petulância (e a ignomínia) de afirmar, como foi o caso em 2022, que todos os países respeitam a Carta da ONU e os DH?

Confesso meu asco em pensar que meus colegas diplomatas possam negociar os termos de um documento final recheado de mentiras escabrosas.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4416, 13 junho 2023, 1 p.

Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/06/o-holodomor-de-putin-paulo-roberto-de.html).

  

 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Na origem da atual ordem mundial: a desordem brutal criada por dois ditadores - Paulo Roberto de Almeida

Na origem da atual ordem mundial: a desordem brutal criada por dois ditadores

Paulo Roberto de Almeida

Lula se prepara para participar com Putin, no início de maio de 2025, das celebrações pelo final da II Guerra Mundial, 80 anos atrás, em grande medida vencida graças aos esforços do povo russo (não existe povo soviético) contra as tropas nazistas que invadiram o seu país em 1941.

De fato, a derrota das forças nazifascistas que deslancharam a guerra europeia e mundial em 1939, dominando grande parte da Europa nos dois primeiros anos, depois estendendo o conflito a outros territórios (URSS e EUA) a partir de 1941, foi o que determinou a articulação militar que acabou gerando, entre 1944 e 1945, a ordem mundial da ONU, que hoje está sendo abalada e fragmentada por repetidas demandas por uma “nova ordem global multipolar”.

Putin pretende fazer da comemoração dos 80 anos do final da guerra no coração da Europa uma espécie de triunfo continuado da Rússia em prol da construção de um mundo de paz baseada na força militar, e Lula faz questão de prestigiar o evento, com sua presença pessoal.

Ambos o fazem na ignorância deliberada de dois eventos que mistificam a data, ao esconder o essencial, tanto na história quanto na atualidade.

Esta última é marcada não pela paz, mas pela guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que Lula prefere ignorar por completo, e que é o sinal mais evidente da fragmentação da ordem mundial criada 80 anos atrás, ao cabo da maior guerra global da humanidade (até o presente).

Mais importante ainda: Putin quer fazer esquecer — e Lula deve ignorar totalmente— que a IIGM terminada em 1945 só pôde ser iniciada pelo fato das duas grandes tiranias existentes em 1939, a União Soviética de Stalin e a Alemanha nazista de Hitler, terem concluido um pacto de não agressão oportunista, contendo como cláusula secreta a invasão e divisão da Polônia, o que permitiu o início da guerra uma semana depois.

Comemorar o fim de uma guerra esquecendo o que permitiu que ela começasse é um gesto sórdido de esquecimento deliberado da História, que Lula pretende praticar, ao lado de seu amigo Putin, companheiro no Brics e parceiro na tentativa de desmantelamento da atual “ordem ocidental”, o tirano de Moscou que já foi chamado, justamente, de “Hitler do século XXI”. 

Putin prefere negligenciar o papel dos dois ditadores responsáveis pelo início da mais horrenda catástrofe do século XX. 

Que Lula se junte a uma mistificação histórica, em nome do Brasil e do povo brasileiro, ademais em meio a uma nova guerra de agressão de certo modo similar à tragédia de 1939, 86 anos atrás, representa uma desonra para o povo brasileiro, que também sofreu as consequências da mais terrível guerra que abalou a humanidade e que destruiu a “ordem mundial” precedente.

Que Lula também pretenda, no mesmo contexto, ajudar a construir uma “nova ordem global”, proposta por um violador da Carta da ONU e das regras mais elementares do Direito internacional, buscado pelo TPI por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, revela apenas sua imensa ignorância sobre os pilares fundamentais da ordem mundial atual que ele pretende substituir por algo tão vago quanto essa “nova ordem multipolar” proposta por dois líderes autocráticos.

O Brasil e o povo brasileiro não merecem essa consagração do atual destruidor da ordem mundial existente, pelos mesmos meios, a força bruta e a violação de direitos fundamentais vigentes na época (a Liga das Nações e o Pacto Briand-Kellog), pela adesão ingênua do atual dirigente brasileiro, desprovido de um adequado conhecimento histórico, mas animado de uma dispensável oposição à presente ordem mundial multilateral da qual o Brasil e sua diplomacia se consideram legítimos construtores, 80 anos atrás.

Não cabe esquecer o que motivou essa construção, seis anos antes da data agora mistificada para esconder os gestos sórdidos que estiveram em sua origem.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 29/01/2025

terça-feira, 5 de novembro de 2024

A linguagem de Trump, como a de Hitler, de Stalin e outros ditadores - Anne Applebaum

 

On vermin 

Some closing thoughts 

A couple of weeks ago, I downloaded a collection of Hitler’s speeches and started going through them. I also searched my own files, especially the notes I took when working years ago in Russian archives. I was looking for the word “vermin.” Also “parasite.” And, in the Hitler speeches, references to “blood.” 

The result was an article that mostly just quoted Donald Trump, noting that some of language he uses comes directly from the 1930s. Not just Hitler but Stalin, Mao and the East German Stasi liked to talk about their enemies as vermin and parasites who “poison the blood” of the nation: 

The word vermin, as a political term, dates from the 1930s and ’40s, when both fascists and communists liked to describe their political enemies as vermin, parasites, and blood infections, as well as insects, weeds, dirt, and animals. The term has been revived and reanimated, in an American presidential campaign, with Donald Trump’s description of his opponentsas “radical-left thugs” who “live like vermin.”

This language isn’t merely ugly or repellent: These words belong to a particular tradition. Adolf Hitler used these kinds of terms often. In 1938, he praised his compatriots who had helped “cleanse Germany of all those parasites who drank at the well of the despair of the Fatherland and the People.” In occupied Warsaw, a 1941 poster displayed a drawing of a louse with a caricature of a Jewish face. The slogan: “Jews are lice: they cause typhus.” Germans, by contrast, were clean, pure, healthy, and vermin-free. Hitler once described the Nazi flag as “the victorious sign of freedom and the purity of our blood.”

Stalin used the same kind of language at about the same time. He called his opponents the “enemies of the people,” implying that they were not citizens and that they enjoyed no rights. He portrayed them as vermin, pollution, filth that had to be “subjected to ongoing purification,” and he inspired his fellow communists to employ similar rhetoric. In my files, I have the notes from a 1955 meeting of the leaders of the Stasi, the East German secret police, during which one of them called for a struggle against “vermin activities (there is, inevitably, a German word for this:Schädlingstätigkeiten), by which he meant the purge and arrest of the regime’s critics. In this same era, the Stasi forcibly moved suspicious people away from the border with West Germany, a project nicknamed “Operation Vermin.”

This kind of language was not limited to Europe. Mao Zedong also described his political opponents as “poisonous weeds.” Pol Pot spoke of “cleansing” hundreds of thousands of his compatriots so that Cambodia would be “purified.”

In each of these very different societies, the purpose of this kind of rhetoric was the same. If you connect your opponents with disease, illness, and poisoned blood, if you dehumanize them as insects or animals, if you speak of squashing them or cleansing them as if they were pests or bacteria, then you can much more easily arrest them, deprive them of rights, exclude them, or even kill them. If they are parasites, they aren’t human. If they are vermin, they don’t get to enjoy freedom of speech, or freedoms of any kind. And if you squash them, you won’t be held accountable.

I also tried to find previous examples US presidents or presidential candidates over the past century talking like this. But I found that even the most openly racist figures did not.

George Wallace’s notorious, racist, neo-Confederate 1963 speech, his inaugural speech as Alabama governor and the prelude to his first presidential campaign, avoided such language. Wallace called for “segregation today, segregation tomorrow, segregation forever.” But he did not speak of his political opponents as “vermin” or talk about them poisoning the nation’s blood. Franklin D. Roosevelt’s Executive Order 9066, which ordered Japanese Americans into internment camps following the outbreak of World War II, spoke of “alien enemies” but not parasites.

This was a fairly straightforward argument, mostly just quotations. Read the whole thing here:

Trump's language, from The Atlantic

I was not the only person to hear these historical echoes in Trump’s speech. General John Kelly, the former chief of staff in Trump’s White House, has also described, on the record, in both the New York Times and the Atlantic, how Trump would frequently praise Hitler’s generals. Not only did Kelly use the word ‘fascist’ to describe Trump, thirteen former Trump White House officials signed a statement agreeing with him. 

But not everybody agreed. Normally I wouldn’t write about reactions to my writing: I have opinions and others have them too. But this time, the response of Trump supporters - or rather, people who are going to vote for Trump because he might lower their taxes – interested me, because it reminded me of things I’ve seen in other places.  Other than the usual suspects – posters on 4chan, the website of Russia Today, and Elon Musk - I also got a response from the Wall Street Journal editorial page. Under the headline “the fascist meme re-emerges,” the editorial board dismissed my article and others as “hyperbole,” said that there’s nothing to worry about and, tellingly, threw some insults at Joe Biden. A couple of weeks later the historian Niall Ferguson, writing in the Daily Mail, dismissed the whole conversation about “fascism” and then attacked Kamala Harris as undemocratic on the grounds that some people around her have argued for constitutional change. This is a phenomenon that the Poles call symmetrism: whenever something ugly emerges about  someone in your political camp, search immediately for something ugly to say about your opponents, whether or not it is equivalent. 

Something else was going on too. These are intelligent, well-read Trump supporters; they also hear the echoes from history, but they don’t want to draw conclusions from what they are hearing. They belittle, undermine, excuse and ignore his language, his scorn for the rule of law, his allusions to violence and his constant predictions of chaos because if they were to take this language seriously, then they would also have to draw uncomfortable conclusions about themselves. 

With just a few days to go, let me step back and make the case, once again, for why Trump’s language, and Trump’s propaganda, matter so much. Do note that, despite the criticism, it has not stopped. Right up until the final moments of the campaign, Trump was still casting his opponents as “enemies,” as was everyone around him. At his Madison Square Garden rally, one speaker after the next described Puerto Rico as “garbage,” Harris as “the anti-Christ” and Hillary Clinton as a “sick son of a bitch.” At an event with Tucker Carlson on Thursday, he called for violence against Liz Cheney: "Let's put her with a rifle standing there with 9 barrels shooting at her. Let's see how she feels about it. You know, when the guns are trained on her face."

Trump will not personally try to kill Cheney. But he wants us to get used to the idea that someone might, and that would be ok. Also, he wants us to get used to the idea that he might transgress, break the law - or try, once again, to steal the election. 

As I wrote, again in the Atlantic, 

You are meant to accept this language and behavior, to consider this kind of rhetoric ‘baked in’ to any Trump campaign. You are supposed to just get used to the idea that Trump wishes he had ‘Hitler’s generals’ or that he uses the Stalinist phrase ‘enemies of the people’ to describe his opponents. Because once you think that’s normal, then you’ll accept the next step. Even when that next step is an assault on democracy and the rule of law.’”

This campaign has had a purpose. It has prepared Americans - even serious, establishment historians, or members of the Wall Street Journal editorial board - to accept what comes next. If Harris wins on Tuesday, you can expect a massive campaign to change the result. Accusations that “illegal immigrants” are voting, for which there is absolutely no evidence; shenanigans with vote certification; maybe even games played by the House of Representatives. 

Again, read the whole article here: 

Trump Wants You To Think This is Normal

And if Trump wins? He and the people around him have already told us what they will do. They will seek to transform the federal government into a loyalty machine that serves the interests of himself and his cronies. This was the essence of the Heritage Foundation’s Project 2025, and it will become reality. The Justice Department, the FBI, the IRS and maybe others will focus on harassing Trump’s enemies in the media and in politics. Whole branches of the federal government will be farmed out to cronies who will build kleptocracy on a new scale. 

These changes will not come overnight. They will happen slowly, over time, as they did in Hungary, Venezuela or Turkey. And at each stage, there will be people arguing that we should accept or ignore them. 

Don’t listen to them. And do vote. 

Read my book, Autocracy Inc

Listen to Autocracy in America

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sábado, 9 de dezembro de 2023

O stalinismo redivivo, aliás eterno - Paulo Roberto de Almeida

O stalinismo redivivo, aliás eterno

 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a tirania de Putin, mais longa e mais elaborado do que a de Stalin.

 

 

A Rússia retornou ao eixo central do stalinismo totalitário, com a única exceção do Gulag, não mais necessário para controlar eventuais insatisfações do povo com as carências do regime. Sem recorrer a colônias penais, Putin domina cada aspecto da sociedade. 

Um verdadeiro Stalin, mas sem Gulag, não mais necessário: Putin conseguiu instilar medo em todos e cada um, e os pouquíssimos liberais da era Ieltsin simplesmente evaporaram da paisagem. 

Um novo Orwell poderia se dispor a reescrever 1984 com uma nova data: 2034.

Ali se chegaria ao ápice do Big Brother totalitário, com a morte do tirano, o mais longevo na história secular da tirania russa, o único regime registrado por aquela civilização secular que só conheceu lampejos fugazes de liberalização extremamente raros em um itinerário milenar.

O putinismo conseguiu superar o stalinismo, não apenas temporalmente, mas também metodologicamente, instituindo o terror preventivo, que passou a estar embebido na população, uma configuração do Príncipe que passou despercebida a um espírito atilado como Maquiavel. 

Os futuros cientistas políticos vão debruçar-se sobre esse fenômeno.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4526, 9 dezembro 2023, 1 p.


segunda-feira, 6 de março de 2023

A permanência do Stalinismo na Rússia de hoje — CDS

 International diplomatic aspects

On the 5th of March 1953, the brutal Soviet dictator Joseph Stalin died. Almost 27 million of the Soviet subjects were killed or put to death in GULAGs and by Holodomors-genocides. Only the Holodomor genocide of 1932-33 caused the death of 4 to 6 million innocent Ukrainians. Some 26.6 million were killed during the Second World War. Though the Nazis and their allies killed a lot of military personnel and soldiers, the way how the Soviet rulers treated their population should be noted. "Countrywomen-will-give-birth", a phrase coined by Marshall Georgiy Zhukov, perfectly describes the Russian attitude towards human life and explains abnormal casualties during the Second World War. It's still true for the Russian war in Ukraine 2014-2023.

But in modern-day Russia, we see Stalinism on the march. Firstly, almost two-thirds of Russians (56%) believe that Stalin was a great leader, while only 14% thought he was not, and a third (27%) partially agree with the two previous groups, according to a Levada Centre poll of 2021. Two- thirds feel admiration, respect, or sympathy toward Stalin, while almost a third (28%) are indifferent, and 11% feel fear, irritation, or hate. Stalin is ahead of Vladimir Lenin, another bloody tyrant, and even Alexander Pushkin, the beloved Russian poet in the ranking of the greatest people of "any" nation "ever." At least 60 monuments, bas-reliefs, and busts of Stalin were installed on Vladimir Putin's watch (since 2000). Russians erected at least five statues on the illegally occupied territories of Ukraine (Donetsk, Luhansk, and Crimea).

According to CNN, two Ukrainian pilots are now in Arizona for a test of what time is required for pilots with their skills to begin operating F-16s. During the US House Armed Services Committee hearing last week, Under Secretary of Defense for Policy Colin Kahl said that the Defense Department believes it would take eighteen to twenty months to prepare pilots and technical personnel. However, he stated that the Administration currently doesn't prioritize providing Ukraine with modern fighter jets for various reasons, including financial restraints.

"My view, it is necessary that Putin understands that he will not succeed with this invasion and his imperialistic aggression — that he has to withdraw troops. This is the basis for talks," Olaf Scholz told Fareed Zakaria of CNN. "If you look at the proposal of the Ukrainians, it is easy to understand that they are ready for peace." Answering whether Ukraine should concede Crimea for a "deal," the German Chancellor replied, "we will not take decisions instead of them. We support them." Olaf Scholz indicated to "organize a certain way of security guarantees for the country, in times of peace, to come, but we are not there yet."

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Centre for Defence Strategies (CDS) is a Ukrainian security think tank. We operate since 2020 We publish this brief daily. If you would like to subscribe, please send us an email at cds.dailybrief@gmail.com

The CDC Daily Brief is produced with the support of the Kyiv School of Economics https://kse.ua 

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Já que estamos falando dos 70 anos da morte do Stalin, que tal ver um filme que retrata o declínio do socialismo no Leste Europeu em seus últimos anos de vida?


A Confissão (L'aveau) (1970) - Filme Completo.
O livro tem edição brasileira:
Sinopse
Artur London, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Checoslováquia a partir de 1949,foi preso em Janeiro de 1951 juntamente com o ministro Clementis, e julgado no processo do chamado «Centro de Conspiração contra o Estado dirigido por Slansky».
Condenado a trabalhos forçados perpétuos, viria a ser reabilitado em 1956.
Artur London, uma vítima paradigmática do estalinismo, descreve em A Confissão o impiedoso mecanismo que triturou muitos dos melhores militantes do movimento revolucionário na engrenagem da autoacusação.
Estamos perante um documento histórico que denuncia um sistema e retrata uma época que não podem nem devem esquecer-se, e um documento profundamente humano onde palpita a tragédia de um homem e de uma família presos nas malhas de ferro de um processo kafkiano que foi realidade.
A Confissão deu origem ao célebre filme homónimo de Costa-Gavras, com Yves Montand e Simone Signoret.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Conversações com Stalin, Milovan Djilas - GUILLERMO BELCORE (La Prensa, 2021)

 

LA FELICIDAD DE LOS LIBROS

Cara a cara con Stalin

Ciertos hechos y ciertos personajes de la historia atrapan por completo nuestra imaginación. Tienen fulgor hipnótico; una y otra vez volvemos a ellos tratando de descifrarlos. Iósif Vissariónovich Dzhugashvili, mejor conocido como Stalin, es uno de ellos. “Desde el punto de vista del humanismo y de la libertad, la historia no ha conocido un déspota tan brutal y cínico como él. Metódico, como los criminales que lo subordinan todo a la realización de una pasión delictuosa, era uno de esos dogmáticos extraños y terribles, que son capaces de destruir al noventa y nueve por ciento de los seres humanos para dar la ‘felicidad’ al uno por ciento restante“, lo describió un idealista que lo admiraba, se reunió cuatro veces cara a cara con el monstruo y terminó repudiándolo, incluso en letra impresa, lo que le valió más años de cárcel, no en la Unión Soviética, sino en otra dictadura roja, la del croata Josip Broz Tito.

El autor de la cita es el escritor y revolucionario 
Milovan Djilas (Mojkovac 1911-Belgrado, 1995), uno de los cuatro dirigentes más poderosos de la Yugoslavia comunista que emergió de la Segunda Guerra Mundial, pero una década más tarde cayó en desgracia por haber denunciado los vicios del sistema, en particular la llamadanomenklatura, condenada con toda razón y justicia en un libro que dio vuelta al mundo a partir de 1957: La nueva clase.

En uno de los mejores artículos periodísticos publicados en 2020 (http://www.laprensa.com.ar/493030-La-nueva-clase.note.aspx), Dardo Gasparré ha demostrado que los filosas denuncias de Djilas respecto a la nueva casta gobernante que se había enseñoreado detrás de la Cortina de Hierro podrían aplicarse perfectamente a la Argentina de nuestro tiempo.
 

La nueva clase ofendió a los Señores Bolcheviques que se vengaron extendiendo los años de cárcel de Djilas. En 1961, el régimen de Tito liberó al pensador montenegrino (al fin y al cabo era uno de los suyos), quien aprovechó la ocasión para escribir Conversaciones con Stalin con el propósito de ilustrar a los investigadores, “y en especial a los que luchan por una existencia humana más libre”.

Seix Barral lo publicó en España en 1963, edición de ciento setenta páginas que ha llegado a nuestras manos y nos gustaría recomendar a todo lector amante de la Historia en general, y al interesado en particular en esa aberración llamada “comunismo”.

Djilas, que nunca abjuró de sus ideas marxistas, organizó el libro en cuatro partes que lo dicen todo: Entusiasmo (1944); Dudas (1945); Desilusión (1948); Conclusiones. Y añadió una esclarecedora sección de ‘Notas biográficas‘.

El libro ofrece información de primera mano sobre el monstruo, con quien el vicario de Tito compartió no sólo discusiones políticas y estratégicas en el Kremlin, sino también esas cenas grotescas de más seis horas con que se relajaban Stalin, el glotón, y su camarilla, árbitros de la vida o la muerte de millones de personas:

 “En estas cenas se decidía la suerte del gran imperio ruso, la de los nuevos territorios adquiridos y, hasta cierto punto, la de la raza humana. Lo más seguro es que aquellas cenas no les inspirarán a aquellos ‘ingenieros del espíritu’ grandes empresas pero allí, probablemente, se enterraron muchas’.

PEQUEÑO BARRIGON


 Así describe el montenegrino a Stalin en su primer encuentro:
 

“Me sorprendió lo pequeño y mal construido que era. Tenía el tórax estrecho y los brazos las piernas, largos. Movía el brazo y el hombro izquierdos con dificultad y rigidez. Gozaba de una buena barriga y tenía poco pelo aunque no llegaba a la calvicie. Su cara era blanca, excepto las mejillas, coloreadas de un rosa intenso. Más tarde supe que ese colorido tan característico de quienes permanecen mucho sentados mucho tiempo en trabajos de oficina, era conocido como ‘tez del Kremlin’ en las altas esferas soviéticas. Los dientes de Stalin eran oscuros, irregulares y metidos hacia dentro. Su bigote no era muy espeso y tendía a ser lacio. Pese a todo, su cabeza no desagradaba; había en ella algo popular, campesino y patriarcal, que, junto a sus ojos pardos, constituía una curiosa mezcla de severidad y picardía”.


Los retratos de los serviles colaboradores del tirano son interesantísimos: Dimitrov, Molotov, Beria, Zadanov, Malenkov, Jruschev, entre otros. Una curiosidad: casi todos eran petisos, en el Politburó estaliniano casi no había hombres altos.

El libro parece una novela de aprendizaje. Djilas va de la fe del carbonero al escepticismo. “En aquella época creía aun que era posible ser comunista sin dejar de ser hombre libre”, escribe en la página ochenta y cinco. Le desagrada especialmente la rusificación de la Revolución de Octubre, lo que implicaba “atraso, primitivismo, chauvinismo, sentido de superioridad‘. Pero halla en el Gran Jefe una cualidad honorable: “tenía gran sentido del humor; humor áspero, seguro de sí mismo pero dotado de finura y profundidad”. Como el diablo, añadimos.

Una se va de este libro necesario con una obsesión en la cabeza. El régimen comunista de ayer y el neocomunismo de hoy es una calamidad para la especie humana, que favorece el ascenso de los chiflados en los que “cualquier delito es posible”, por lo tanto debe ser combatido con todas las armas intelectuales a nuestro alcance allí donde se encuentre, en La Habana, Caracas o Pyongyang. Stalin, “cuyo gusto por los crímenes gratuitos era propio de un Calígula, y poseía además la refinada crueldad de un Borgia y la brutalidad de Iván el Terrible“, fue la consecuencia lógica de un régimen de partido único. La alternancia en el poder es nuestro mejor seguro de vida.

Hay un pensamiento del tirano, delineado en 1945, que quizás explique mucho del mundo actual:
 

Hoy en día el socialismo es posible incluso bajo la monarquía inglesa. La revolución no es siempre necesaria...

 

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