A Tragédia do Euro
prefácio à edição brasileira
por Philipp Bagus
Mises.org Brasil, quinta-feira, 8 de março de 2012
Quando escrevi A Tragédia do Euro, jamais poderia imaginar que, no futuro, viria a escrever um prefácio para uma edição brasileira do livro. Eu sabia que o euro estava destinado ao fracasso, mas realmente subestimei o sucesso que o livro viria a ter.
Hoje, o livro já está disponível em inglês americano, inglês britânico, eslovaco, polonês, italiano, alemão, espanhol, finlandês, português europeu, búlgaro, romeno, holandês e grego.
Enquanto escrevo estas linhas, o livro está sendo traduzido para o francês e para o russo.
Quando você lê o livro, você entende o porquê de seu sucesso.
As pessoas querem compreender o que realmente está acontecendo na Europa e querem entender, com detalhes, como uma crise sem conserto e com consequências mundiais pôde ocorrer na zona do euro. Elas temem o futuro de sua riqueza e de toda a sua poupança acumulada.
Esta crise, com efeito, é muito mais grave hoje do que era quando a primeira edição deste livro foi lançada em dezembro de 2010.
O fundamental problema da zona do euro não foi de modo algum resolvido. Se alguma coisa ocorreu neste ínterim foi a piora do problema, uma vez que um enorme volume de dívida pública continuou sendo impavidamente acumulado.
Fora isso, ainda não houve nenhuma decisão sobre como lidar com o problema fundamental que atormenta a zona do euro.
Quem irá pagar pelos investimentos insustentáveis que ocorreram no passado e que hoje, após seguidas rodadas de estímulo governamental, são representados por pilhas e pilhas de dívida pública?
Na Grécia atual, a batalha continua para ver quem irá, no final, pagar a conta destes investimentos.
Durante o início dos anos 2000, uma política monetária expansionista reduziu artificialmente as taxas de juros. Empreendedores deram início ao financiamento de projetos que pareciam lucrativos somente por causa dos juros artificialmente reduzidos; a realidade, no entanto, é que não havia e nem nunca houve poupança real para sustentá-los.
A consequência desta expansão monetária e do crédito foi o surgimento de bolhas imobiliárias e uma explosão sem precedentes do consumo nos países da periferia europeia.
Em 2007, as bolhas começaram a estourar. Os preços dos imóveis começaram a estagnar e até mesmo a cair. Construtoras endividadas e residentes com hipotecas começaram a dar o calote em seus empréstimos.
Isso afetou diretamente os bancos. Como vários deles haviam financiado estes empreendimentos, eles sofreram prejuízos. Após o colapso do banco de investimento Lehman Brothers, o mercado de empréstimos interbancário congelou e entrou em colapso.
Os governos intervieram. Eles socorreram os bancos e assumiram seus prejuízos — prejuízos estes resultantes de financiamentos concedidos a investimentos insustentáveis.
Dado que os prejuízos destes investimentos insustentáveis foram socializados, a dívida pública na zona do euro disparou. Ademais, as receitas de impostos despencaram em decorrência da crise. Ao mesmo tempo, os governos começaram a conceder subsídios ao setor industrial e aos desempregados.
Não bastasse tudo isso, mesmo antes da crise, os governos já haviam acumulado enormes dívidas em decorrência de seus excessivos gastos assistencialistas. Dois fenômenos incentivaram o aumento dos gastos e a acumulação de dívida nos países periféricos.
O primeiro foi a redução das taxas de juros. As taxas de juros foram acentuadamente reduzidas em decorrência tanto de uma política monetária expansionista feita pelo Banco Central Europeu (BCE) quanto pela própria introdução da moeda única.
O euro surgiu tendo como suporte uma implícita garantia de socorro. Os participantes de mercado sabiam que os governos mais fortes iriam socorrer os governos mais fracos com o intuito de salvar o projeto político do euro caso o pior ocorresse. Sendo assim, por causa desta garantia, as taxas de juros que os governos da Itália, da Espanha, de Portugal e da Grécia tinham de pagar sobre suas dívidas caíram drasticamente quando estes países foram admitidos ao euro.
As baixas taxas de juros deram a estes países um espaço adicional para incorrerem em mais gastos e, por conseguinte, em mais déficits.
O segundo fenômeno é que o euro é um exemplo típico da tragédia dos comuns.
Na zona do euro, cada governo nacional pode utilizar o Banco Central para financiar seus déficits. Os custos destes déficits podem ser parcialmente externalizados e jogados sobre os outros países, onde eles se transmutam em aumentos de preços.
Atualmente, as dívidas governamentais em vários países da zona do euro são tão altas que eles jamais serão capazes de pagá-las em termos reais. Governo nenhum é capaz ou sequer está disposto a fazer isto. Se eles aumentarem impostos, suas economias entram em colapso e os déficits podem até aumentar como consequência. Se eles reduzirem os gastos, poderá haver inquietação social. Em ambos os casos, eles perderiam influência e, principalmente, votos.
Como estas dívidas jamais serão quitadas, elas também representam investimentos insustentáveis.
Investimentos insustentáveis significam que recursos escassos da sociedade foram desperdiçados e não podem ser recuperados.
Riqueza real foi dissipada em gastos assistencialistas e em pacotes de socorro concedidos a indústrias que só prosperaram enquanto durou a bolha criada pelo crédito fácil. Mas ainda não está claro quem irá pagar as perdas geradas por estados assistencialistas insustentáveis e pelo socorro às indústrias.
Até o início da crise da dívida soberana, a conta estava sendo paga por meio da redistribuição monetária interna criada pelo arranjo institucional do sistema do euro.
Os principais contribuintes líquidos eram os cidadãos dos países mais fiscalmente sólidos, como a Alemanha, que estavam implicitamente sendo os fiadores da gastança que vinha ocorrendo na periferia europeia. Os pacotes de socorro à Grécia, à Irlanda e a Portugal apenas tornaram este processo de transferência de riqueza mais explícito. Os incentivos que sempre existiram para se socorrer governos irresponsáveis estão hoje óbvios para todos.
Mas os alemães não mais querem continuar pagando as contas da periferia. As tensões se avolumam diariamente, com bandeiras alemãs e bonecas de Angela Merkel com bigodes de Hitler sendo queimadas nas ruas de Atenas.
A pergunta sobre quem irá pagar a conta dos investimentos insustentáveis surge repetidamente desde o início oficial da crise da dívida soberana em 2010. Mas uma resposta conclusiva a esta pergunta nunca foi oferecida. E é esta resposta que decidirá o futuro do euro, o futuro da União Europeia, o futuro das relações de paz na Europa e talvez até mesmo o futuro monetário do mundo. Não é exagero algum dizer que o futuro do euro irá mudar as relações de comércio do mundo.
Existem várias possibilidades, em teoria, para este futuro, as quais são analisadas por inteiro na última seção deste livro, na qual foi incluído um novo capítulo cobrindo todos os acontecimentos até os dias de hoje.
É de se esperar que esta edição brasileira, expandida em relação à original, contribua para uma melhor e mais ampla compreensão das questões em jogo na Europa e, quem sabe, evitar que os mesmos erros sejam cometidos na América do Sul.
Embora seja uma tragédia, desejo a você leitor uma leitura prazerosa e, para nós todos, um final feliz.
Philipp Bagus
Majadahonda, Espanha, 6 de março de 2012
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O professor Philipp Bagus estará em São Paulo nos dias 12 e 13 de maio para o lançamento da edição brasileira deA Tragédia do Euro e será um dos palestrantes da nossa III Conferência de Escola a ser realizada na sede da Fecomércio. Junto a ele estarão também Peter Schiff, Jeffrey Tucker, Walter Block e vários outros. Confira aquie não deixe de fazer já sua incrição.
Philipp Bagus
é professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.
É o autor do livro A Tragédia do Euro.
Veja seuwebsite.
Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Desigualdades salariais entre homens e mulheres: vai dar errado...
Se o governo se meter onde não deveria -- ou seja, obrigar o setor privado a pagar salários absolutamente iguais para homens e mulheres -- vai recolher o que não pretende: desemprego feminino.
Que ele faça isso na sua esfera, problema dele, pois governos nunca se preocuparam com produtividade de seus trabalhadores, mesmo, pagando a todos como mãe generosa, sem perguntar quanto vale, e quanto retorna desse "investimento" aplicado em mão-de-obra.
Agora, pretende obrigar um cidadão independente, como são os empresários, a pagar o salário que ele acha que devem receber homens e mulheres, além de ser uma violência constitucionais, e uma irracionalidade econômica, ainda vai custar o emprego de muito mulher (e outras nem encontrarão trabalho no mercado).
Assim vai o mundo.
Paulo Roberto de Almeida
Que ele faça isso na sua esfera, problema dele, pois governos nunca se preocuparam com produtividade de seus trabalhadores, mesmo, pagando a todos como mãe generosa, sem perguntar quanto vale, e quanto retorna desse "investimento" aplicado em mão-de-obra.
Agora, pretende obrigar um cidadão independente, como são os empresários, a pagar o salário que ele acha que devem receber homens e mulheres, além de ser uma violência constitucionais, e uma irracionalidade econômica, ainda vai custar o emprego de muito mulher (e outras nem encontrarão trabalho no mercado).
Assim vai o mundo.
Paulo Roberto de Almeida
Mulheres receberam 72,3% do salário dos homens em 2011, diz IBGE
Número repete a proporção dos levantamentos de 2009 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
08 de março de 2012 | 16h 03
Daniela Amorim, da Agência Estado
RIO - As mulheres receberam, em média, 72,3% do salário dos homens em 2011, segundo o estudo Mulher no mercado de trabalho: perguntas e respostas, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O número repete a proporção encontrada nos levantamentos de 2009 e 2010.
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O estudo mostrou ainda que a jornada de trabalho das mulheres foi inferior à dos homens. Em 2011, as mulheres trabalharam, em média, 39,2 horas semanais, contra 43,4 horas dos homens, uma diferença de 4,2 horas. Entretanto, segundo o IBGE, 4,8% das mulheres ocupadas em 2011 gostariam de aumentar a carga horária semanal.
As atividades que mais absorveram mão de obra feminina em 2011, em relação ao patamar de 2003, foram o comércio, em que a participação das mulheres cresceu de 38,2% para 42,6%, e os serviços prestados às empresas, com aumento de 37,3% para 42,0%. Nos serviços domésticos, ainda predomina a mão de obra feminina (94,8%), com porcentual idêntico ao registrado em 2003.
O levantamento constatou também que as mulheres aumentaram sua participação na ocupação formal. Em 2003, a proporção de homens com carteira assinada no setor privado era de 62,3%, enquanto a das mulheres era de 37,7%, uma diferença de 24,7 pontos porcentuais. No ano passado, essas proporções foram de 59,6% de homens e de 40,4% de mulheres, reduzindo a diferença para 19,1 pontos porcentuais. Porém, o maior crescimento da participação feminina foi observado no emprego sem carteira no setor privado, cuja fatia saiu de 36,5% em 2003 para 40,5% em 2011.
Em 2011, as mulheres somaram 53,7% da população brasileira com 10 anos ou mais (idade ativa). Na população ocupada, elas ainda ficaram em menor número do que os homens (45,4%), mas, em relação a 2003, houve crescimento de 2,4 pontos percentuais na população ocupada feminina.
Entre as mulheres pretas e pardas, a taxa de desocupação caiu de 18,2% em 2003 para 9,1% em 2011. Entre as brancas, o indicador teve redução de 13,1% em 2003 para 6,1% no ano passado.
Portentosas obras de um governo extraordinario...
Bem, o título deste post é para ser lido "al revés", como certas aulas de economia que escutamos por aí, falando de tsunamis e outras calamidades vindas de fora, só para atrapalhar a magnífica obra de administração econômica deste governo preclaro.
Por que é que não temos mais aulas dos mesmos personagens?
Atenção, estou falando sério...
Paulo Roberto de Almeida
Para investir aqueles 24%, seria preciso elevar a poupança nacional. Isso depende, em primeiro lugar, de uma gestão pública mais eficiente e de uma ampla desoneração do setor privado. Mas o governo continua apostando em benefícios fiscais paliativos, programas oficiais de baixo grau de execução e financiamentos especiais aos beneficiários de sempre - um número pequeno de grandes grupos. O fracasso dessa estratégia está mais que provado. Juros menores podem ajudar, segundo o ministro, mas juros dependem também do gasto público.
Por que é que não temos mais aulas dos mesmos personagens?
Atenção, estou falando sério...
Paulo Roberto de Almeida
A celebração do fiasco
Editorial O Estado de S.Paulo, 08 de março de 2012 | 3h 07
O governo fez um balanço triunfal de mais um fiasco - o primeiro ano do PAC 2 - e reiterou o compromisso de elevar o investimento e conduzir a economia a uma expansão de 4,5% neste ano. A exibição de otimismo contrastou com mais uma notícia ruim divulgada poucas horas antes: em janeiro, a indústria produziu 2,1% menos que em dezembro. O grande assunto do dia anterior havia sido o pífio desempenho da economia nacional no ano passado. Mas tudo será melhor a partir de agora, apesar da crise internacional, garantiram os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior.
Foram feitos investimentos de R$ 204,4 bilhões em 2011, primeiro ano da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento. Esse é o total das operações realizadas pelos envolvidos no PAC 2 - administração direta, estatais e setor privado. Esse valor corresponde a 21% do previsto para os anos de 2011 a 2014. Mas, como em todo balanço desse programa, o bolo apresentado como investimento é um tanto inflado. Uma parcela de R$ 75,1 bilhões - 36,7% do total - corresponde a financiamentos para habitação. Além disso, a maior parte do dinheiro investido pelas estatais foi aplicada, como em outros anos, por um único grupo - o da Petrobrás.
O chamado PAC orçamentário, incluído no Orçamento-Geral da União e financiado diretamente pelo Tesouro, ficou, de novo, longe da meta fixada para o período. O desembolso, de R$ 28 bilhões, foi maior que o de 2010, mas correspondeu a apenas 69,3% da verba autorizada para o ano, de R$ 40,4 bilhões.
Nenhum ministro deu atenção a esse detalhe nem se dispôs a discutir a enorme parcela de restos a pagar incluída nos desembolsos de cada ano. No ano passado, por exemplo, os restos corresponderam a R$ 18,6 bilhões, dois terços dos R$ 28 bilhões desembolsados. A maior parte da verba aplicada em 2011 destinou-se, portanto, a liquidar compromissos do PAC 1. Para este ano foram transferidos R$ 39,6 bilhões de compromissos assumidos e não quitados.
Apesar da execução medíocre, o PAC 2 foi apresentado no balanço como barreira protetora contra os impactos da crise internacional. É um evidente exagero, até porque, em 2011, o investimento das estatais da União, responsáveis pela maior parte do PAC, foi menor que em 2010.
Mas os dois ministros mantiveram quase sem mudança o discurso otimista e as promessas do ano passado. O Brasil, segundo o ministro da Fazenda, terá condições para um crescimento econômico bem maior que o de 2011. O governo dispõe de meios para enfrentar a enorme onda monetária criada nos países desenvolvidos e assim evitar a valorização excessiva do real. Essa valorização é nociva para a economia nacional porque torna os produtos brasileiros muito caros em moeda estrangeira. O ministro prometeu ficar atento e pronto, o tempo todo, para tomar as medidas necessárias para defender a indústria e animar a economia. Até esse ponto, nenhuma novidade.
Mas ele anunciou, na mesma cerimônia, a redução de uma das metas fixadas para 2012 - um volume de investimento produtivo equivalente a 20,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O alvo foi baixado para 20,4%, porque a proporção alcançada em 2011 ficou em 19,3%, segundo as contas divulgadas no dia anterior. O governo havia estimado uns 19,6% ou 19,7%. A nova meta, explicou o ministro, foi calculada sobre uma base mais baixa que a anterior.
Muito mais importante que esse palavrório é o problema real. O Brasil investe muito menos que o necessário para sustentar um crescimento igual ou superior a 5% por vários anos. Para isso seria preciso investir uns 24% do PIB.
O fascismo avanca no Brasil, subrepticiamente...
Claro, existem vários tipos de fascismos, de direita, de esquerda, surrealistas, bolivarianos, indígenas, carnavalescos e até cinematográficos.
Abaixo, um exemplo deste último, bem apropriado para o regime dos companheiros.
Paulo Roberto de Almeida
Abaixo, um exemplo deste último, bem apropriado para o regime dos companheiros.
Paulo Roberto de Almeida
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Por Luiz Fernando Vaz, dono do blog O Anticamarada
Posted: 08 Mar 2012 09:24 AM PST
A banda paraense Madame Saatan teve os seus últimos dois videoclipes (Respira/ Até o fim) considerados "produtos gringos" pela Ancine ( Agência Nacional de Cinema) e não podem participar de editais e mostras de vídeo.
A direção de ambos tem a assinatura de P.R. Brown e a fotografia de Jaron Presant, que já trabalharam em quatro videoclipes do Slipknot (”Sulfur”, “Psychosocial”, “Dead Memories” e “Snuff”). A dupla também já assinou clipes de nomes consagrados como Smashing Pumpkins, Audioslave, My Chemical Romance, Mötley Crüe, Evanescence e Foo Fighters, entre outros. A limitação da agência reguladora impede a banda de participar do edital até da patrocinadora do último disco produzido pelos roqueiros.
Formada em 2003 por Sammliz (voz), Ed Guerreiro (guitarra), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria), a banda de rock pesado Madame Saatan acaba de lançar o segundo CD da carreira “Peixe Homem”.
A parceria com os realizadores americanos foi uma conquista vitoriosa da própria banda, como explica a vocalista Sammliz em entrevista ao Universo do Rock: "Entramos em contato com alguns diretores para fazer parceria, mas nenhum deu resposta positiva. Nosso produtor ia fazer, mas em uma última tentativa mandou uma mensagem via Facebook para o P.R Brown - que respondeu perguntando mais sobre a banda. Bernie, nosso produtor, enviou duas músicas do disco novo e contou um pouco de nossa trajetória e P.R então disse que havia adorado tudo e queria vir ao Brasil para trabalhar conosco. Veio na parceria, bancou a própria passagem e fez um trabalho excelente com o quase nada de equipamento que trouxe. Virou um grande amigo."
Mas a ANCINE parece não ver com bons olhos a parceria e a iniciativa de sucesso, apesar dos dois clipes terem sido gravados em Belém do Pará, com co-produção da produtora local TV Norte independente e restante da equipe 100% nacional. Segundo advogados que aconselharam livremente a banda cabe mandato de segurança para reverter a situação. "De qualquer forma não vamos conseguir isso a tempo de participar do edital da Vivo, que era algo que já contávamos...", diz Sammliz, decepcionada.
No entanto, o episódio serve como amostra da equivocada política cultural brasileira que, a pretexto de proteger o "produto nacional" a partir de uma ideologia fuleira de DCE, acaba desestimulando trocas culturais enriquecedoras como a protagonizada pela banda. Se a banda tivesse convidado um diretor e fotógrafo cubanos ou norte-coreanos (se é que lá existem videoclipes?) talvez não tivessem todo esse transtorno. Mas não. É a velha e empoeirada implicância com "o imperialismo yankee" transmutada em antipolítica cultural que, infelizmente, também norteia o governo atual do PT.
Esperamos que - apesar de todo o esforço contrário da ANCINE - essa estupidez jurássica em plena inserção do país na globalização não prevaleça. E que isso sirva de lição para que os roqueiros e demais artistas brasileiros entendam de uma vez como é que as coisas funcionam em Venezuela ou em Cuba. Socialismo é isso - atraso e estupidez ideológica de burocratas "iluminados" sufocando a iniciativa individual.
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O "tissuname" de dinheiro e uma pergunta para idiotas
Bem, "tissuname" é como certos jornalistas que costumam falar na TV se referem ao fenômeno bem conhecido, e dramático, de fato, incontrolável, para qualquer padrão de defesa civil.
A presidente, na Alemanha, se referiu ao tsunami de dinheiro, ou seja, a pletora de recursos financeiros, que estariam, segundo ela, afluindo para o Brasil e causando uma indevida valorização do real.
Daí o governo ser obrigado a tomar medidas de taxação de "aplicações especulativas", de controle de capitais, e ameaçar com "outras medidas cambiais", como sempre aventa certo ministro confuso da área econômica.
Abaixo vou postar um texto extremamente crítico do economista Kleber Pires, que fica, como eu, absolutamente estupefato com o festival de bobagens que costuma emanar de certos meios, que possuem um conhecimento precário de economia, e estão sempre buscando bodes expiatórios nos outros, sobretudo nos estrangeiros, em lugar de olhar para o próprio rabo, e corrigir as mazelas internas do Brasil.
Só vou fazer uma pergunta singela, dessas bem idiotas, para idiotas, e não preciso de nenhuma resposta:
Se os juros no Brasil estivessem sendo arbitrados pelo mercado, como diversos outros preços básicos da economia, em lugar de serem fixados administrativamente pelo governo, e se o governo não se esforçasse tanto para captar recursos privados, os juros seriam tão altos quanto são atualmente?
Pronto, não precisa responder, e não espero um tsunami de comentários disparatados...
Paulo Roberto de Almeida
A presidente, na Alemanha, se referiu ao tsunami de dinheiro, ou seja, a pletora de recursos financeiros, que estariam, segundo ela, afluindo para o Brasil e causando uma indevida valorização do real.
Daí o governo ser obrigado a tomar medidas de taxação de "aplicações especulativas", de controle de capitais, e ameaçar com "outras medidas cambiais", como sempre aventa certo ministro confuso da área econômica.
Abaixo vou postar um texto extremamente crítico do economista Kleber Pires, que fica, como eu, absolutamente estupefato com o festival de bobagens que costuma emanar de certos meios, que possuem um conhecimento precário de economia, e estão sempre buscando bodes expiatórios nos outros, sobretudo nos estrangeiros, em lugar de olhar para o próprio rabo, e corrigir as mazelas internas do Brasil.
Só vou fazer uma pergunta singela, dessas bem idiotas, para idiotas, e não preciso de nenhuma resposta:
Se os juros no Brasil estivessem sendo arbitrados pelo mercado, como diversos outros preços básicos da economia, em lugar de serem fixados administrativamente pelo governo, e se o governo não se esforçasse tanto para captar recursos privados, os juros seriam tão altos quanto são atualmente?
Pronto, não precisa responder, e não espero um tsunami de comentários disparatados...
Paulo Roberto de Almeida
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Por Klauber Cristofen Pires
Libertatum, 08 Mar 2012 11:17 AM PST
Ao ter usado da expressão de efeitocom bons resultados políticos – o tsunami de dólares - DilmaRoussef deve ter dado uma piscadela e um sorrisinho de esgueira àsua colega alemã...
As recentes reclamações junto àchanceler alemã Angela Merkel de que o Brasil está sofrendo umtsunami de moeda estrangeira, proferidas pela “presidenta” DilmaRoussef, e depois papagaiadas para a mídia pelo restante de suaequipe econômica remeteram minha memória quase como queautomaticamente a outro momento histórico semelhante, para ser maispreciso, em 1999, em que os protagonistas no governo eram o entãopresidente Fernando Henrique Cardoso e seu ministro da Fazenda, PedroMalan.
Naquele ano, o Brasil encontrava-seextremamente dependente de recursos externos para fazer face à suagigantesca dívida pública interna e externa, de modo que decretouum aumento da taxa básica de juros para a estratosférica marca de45%! E lá se via o Sr Pedro Malan, com a cara brilhando de tantoóleo de peroba: “- esta medida é uma resposta para osespeculadores!”
Se é incrível como a linguagem políticaconsegue inverter a fama do mocinho e do bandido, mais fantásticoainda é não aprendermos nada com nossa própria e sofrida história.Afirmo isto porque praticamente nada encontrei na imprensa quedesmascarasse tamanho ato de lesa-pátria, qual seja, o enganocoletivo a que o governo submete a nação neste campo. Pelocontrário, esta age como um alegre cachorrinho a correr serelepepara buscar os releases que o governo atira quais fossembiscoitos ou suas bolinhas de estimação.
Muita gente leiga e honesta deve estarpensando como a entrada de moeda no país pode nos fazer mal, e muitagente leiga e desonesta deve estar repetindo as besteiras que assistenos telejornais para seus amigos como se conhecedor do assunto fosse. Vamos as fatos, de forma simples, para que qualquer pessoa entenda:a verdade é somente uma: o governo brasileiro oferece taxas de jurosmuito maiores do que as praticadas por países de economia maissadia, de modo que se torna atrativo emprestar-lhe dinheiro. Emoutras palavras, o governo brasileiro está difamando justamenteaqueles que lhes dão crédito.
Agora, leitor, responda: se um indivíduoque está atolado até o pescoço de dívidas por ter se entregado aojogo de azar se dirige até o agiota e consegue convencê-lo de lheconceder mais um empréstimo – desta vez a uma taxa de juros bemmais alta, justamente por causa do alto risco que o sujeitorepresenta – será moralmente admissível xingar e culpar esteúltimo?
É certo sim, que há em curso umaexpansão monetária mundial, mas neste campo o Brasil se comportacomo o sujeito sujo falando do mal-lavado, vez que o padrão-ouro foiabandonado há muito tempo.
Sob o regime do padrão-ouro e das taxasde juros funcionando pelo próprio mercado para a calibragem dos seusinvestimentos - e não como instrumento de financiamento daprodigalidade estatal e manipulação macroeconômica no consumo,nada destas coisas teria lugar. O ouro poderia entrar ou sair poisseria uma moeda internacional, e seu uso seria destinado aoinvestimento, e não à despesa inflacionária.
Portanto, digníssimos leitores, não sedeixem enrolar pelo economês brasiliense. Tudo isto não passa demalabarismos com a finalidade de aquietar o público. Já passa dahora de formarmos um público mais exigente que não se deixeengabelar, ainda que a mídia tradicional abdique da importância doseu papel.
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Lotte e Zweig: uma vida para contar, uma morte para lamentar
Lotte e Stefan Zweig se suicidaram, conjuntamente, no Carnaval de 1942, em Petropolis, 70 anos atrás, portanto.
A história está bem contada no magistral livro de Alberto Dines, Morte no Paraíso, que recomendo, vivamente.
Estou lendo, neste mesmo momento, O Mundo de Ontem (em edição francesa), o último livro de Zweig, e o único autobiográfico, que talvez já tenha sido concebido e escrito como uma espécie de despedida de tudo e de todos, seu depoimento sobre um mundo que literalmente se acabou (mas isso já tinha ocorrido desde a Primeira Guerra Mundial).
Agora surge um novo livro, publicado no Brasil, por autor brasileiro.
Vale a pena conhecer...
Paulo Roberto de Almeida
Lotte & Zweig, a vida e a morte
A história está bem contada no magistral livro de Alberto Dines, Morte no Paraíso, que recomendo, vivamente.
Estou lendo, neste mesmo momento, O Mundo de Ontem (em edição francesa), o último livro de Zweig, e o único autobiográfico, que talvez já tenha sido concebido e escrito como uma espécie de despedida de tudo e de todos, seu depoimento sobre um mundo que literalmente se acabou (mas isso já tinha ocorrido desde a Primeira Guerra Mundial).
Agora surge um novo livro, publicado no Brasil, por autor brasileiro.
Vale a pena conhecer...
Paulo Roberto de Almeida
Lotte & Zweig, a vida e a morte
Deonisio Silva
Observatório da Imprensa, 8 de março de 2012
No livro Lotte & Zweig, o escritor Deonísio da Silva faz uma reconstrução poética da vida e morte de Stefan Zweig, um dos escritores mais lidos na Alemanha, e de sua mulher, Charlotte Altmann.
Rico, pacifista radical, Zweig trocou cartas com Gorki e Freud, biografou Dostoievski, Napoleão e Maria Antonieta. Opositor de Hitler, deixou a Alemanha com a mulher em 1934 depois que a casa foi invadida pelo exército do ditador. Fugiram para a Inglaterra. Sete anos depois desembarcaram no Brasil para morrer. O suposto suicídio do casal na noite de 22 de fevereiro de 1942, em Petrópolis (RJ), até hoje é um mistério. No ano em que se completam 70 anos da morte, Deonísio recupera os últimos dias do casal e faz um desenho delicado de Charlotte que, pela primeira vez, ganha voz na tragédia. O autor joga luz sobre uma história que jamais deve ser esquecida.
A apresentação do livro é feita por Alberto Dines, mais um escritor que foi seduzido por aquela noite misteriosa. Com olhar mais investigativo do que poético, Dines escreveu Morte no Paraíso, que terá em breve sua quarta edição. Em 2005, o cineasta catarinense Sylvio Back transformou o livro de Dines no filme Lost Zweig.
A seguir confira a entrevista que o escritor Deonísio da Silva concedeu ao DC.
A visita à Casa Stefan Zweig
Stefan Zweig era escritor bem-sucedido quando virou alvo dos nazistas. O intelectual que biografou figuras como Dostoievski, Dickens, Balzac, Nietzsche... de repente fica sem pátria, sujeito às perseguições nazistas. Como foi reconstruir esta vida, já que a ficção vem de uma história real?
Deonísio da Silva– Primeiro me permita dizer que Lotte & Zweig é meu livro mais bonito e mais bem cuidado. A capa de Arlinda Volpato é um show. E a Michele Roberta da Rosa preparou muito bem o original antes de ele chegar à editora. Mas o berço do livro foi o seguinte: um dia estava assistindo a um documentário e vi que o Nilo, um dos maiores rios do mundo, começa com umas gotinhas escorrendo de umas pedras. Com meu romance Lotte & Zweig deu-se algo assim. Li as biografias de Stefan Zweig que fizeram o jornalista Alberto Dines e Donald Prater. Até então só tinha lido as biografias que Stefan Zweig fizera de célebres personalidades, como essas que você cita, e mais uma novela muito bem escrita, 24 Horas na Vida de uma Mulher. Todas essas leituras foram, porém, pequenas gotinhas no grande rio ou mar que deve ser um romance. Um conto é um riacho, uma lagoa, uma laguna, mas um romance, não! Fiquei com vontade de fazer um romance sobre Stefan e o neonazismo, mas a inspiração me levou a escrever outro livro, Orelhas de Aluguel, que publiquei em 1987 e do qual Stefan Zweig está ausente. A vida me levou a morar no Rio de Janeiro, onde vivo desde 2004. Eu não queria morar no Rio. Mas, como comecei a trabalhar muito cedo, aos 54 anos estava aposentado por tempo de serviço e não queria parar de trabalhar. Gosto de ser professor, gosto de ensinar, embora goste mais de escrever. Quando os jornalistas que me pautam na imprensa escrevem sob meu nome escritor e professor, é isso mesmo que eu sou. À luz dessas leituras, comecei a viajar, cada vez com mais frequência, a Petrópolis, onde viveram Stefan Zweig e Charlotte, sua segunda mulher, quase 30 anos mais jovem do que ele. A visita à casa, hoje Casa Stefan Zweig, mantida com verba da Alemanha, me permitiu ver os lugares que ambos dividiram: a sala, a cozinha, o quarto, o banheiro, a varanda, o jardim etc.
Algo de muito estranho aconteceu
Na recomposição de uma vida esquartejada o que foi possível perceber do ânimo do escritor em relação à vida? Será que Zweig desistiu de viver por desacreditar da possibilidade de voltar a ter uma vida normal ou de não se permitir uma vida normal?
D.S.– A melhor metáfora da perda da liberdade, das asas, de não ser pássaro, ser outra coisa, é ser pássaro preso na gaiola. Stefan era isso. Não apenas ele, os dois estavam presos do lado de fora. Eu acho que pelo menos ela não se suicidou. Não há indício nenhum disso. Lotte não escreveu nenhum bilhete de despedida, não disse nada sobre isso. Stefan Zweig disse, mas se cometeu o gesto extremo não temos certeza. De todo modo, ele não disse que fez um pacto com ela. Não disse e não escreveu! O presidente Getúlio Vargas, que passava os dias de pós-Carnaval em Petrópolis – eles morreram na noite de 22 para 23 de fevereiro de 1942 – proibiu a autópsia e impediu que os judeus levassem os corpos para enterrarem no Rio. Ora, os judeus não dão enterro a suicidas em seus cemitérios. Então, por que razão queriam os corpos? Quanto a ficar preso ao passado, isto, sim: ele e ela. Ela era judia-polonesa. Ambos estavam enredados numa teia terrível. E os nazistas estavam ganhando a Segunda Guerra Mundial, em 1942. E mais: o Brasil só rompeu com a Alemanha um mês antes de os dois morrerem! Há muitos mistérios nessas duas mortes.
No livro, você dá voz – ainda que silenciosa – para Lotte. A mulher que acompanhou o escritor sempre em segundo plano, ganha ares de quase-heroína nas horas que se seguiram à tragédia. Qual elemento fez com que você decidisse dar visibilidade a ela?
D.S.– Eu já estava escrevendo o romance, que comecei em 2007, quando Alberto Dines me disse: “Consegui as cartas de Lotte, foram publicadas em inglês.” Ele me mandou uma cópia e comecei a ler essas cartas. O romance tinha então 400 laudas. Abandonei quase tudo o que tinha escrito e recomecei de outro ponto de vista. Fiz um romance como se eu fosse um engenheiro. Os alicerces são o que foi a vida real de Stefan, mas sem o silêncio que os biógrafos impuseram a Lotte. No meu romance, a mulher dele tem o que dizer e diz muitas coisas, às vezes sem proferir palavra alguma, como é próprio das mulheres que, ao contrário do apregoado, mais fazem do que falam, porque se ficassem falando o tempo todo, como dizem, não seriam o que são, as figuras referenciais na vida de qualquer homem. Os dois viveram asfixiados, tanto no Rio quanto em Petrópolis. E Lotte, além desses sofrimentos, tinha o da asma. Aliás, foi por causa disso que foram em busca dos bons ares da cidade imperial de Petrópolis. O que me fez dar visibilidade para Lotte foi que morto sempre fala. Naquela noite, algo de muito estranho aconteceu. E ninguém sabia até agora. Agora, quem ler o livro, saberá. Eu inventei. A literatura é isso: é a história proibida das pessoas, das personagens. Ao inventar, encontramos verdades incômodas. Se mortos falam, o certo é que até agora só tinha falado o marido! A mulher dele, não!
“Senhor, dai-me a castidade, mas não já!”
Em Lotte: Pedaços de um Diário, longe de ser uma mulher submissa, ela aparece como uma pessoa culta e atenta ao que acontecia à sua volta. A submissão foi uma arma de domínio?
D.S.– Lotte era fluente em cinco línguas. E ajudava muito o seu amado, um homem mais velho, por quem ela se apaixonou no frescor dos seus verdes anos. Mas ele não falou dela nas despedidas que fez. Então, valeu a pena Lotte esperar por mim, sem vaidade eu digo, mas com orgulho! Betty Milan, psicanalista e escritora, sempre me diz: “Deo, você dá muita atenção às mulheres em seus romances e contos! Por quê?” Eu acho que é pela falta que elas me fizeram na adolescência: só tive professoras no primário e na universidade. Todo o ensino médio me foi ministrado por padres, que nem homens completos eram porque o celibato os privava de conhecer a mulher, que acabavam conhecendo por frestas, as confissões, confidências contidas. Padres que foram meus professores nos seminários de São Ludgero e de Tubarão, vieram me contar, em outra idade, quando os reencontrei por volta dos meus 40 anos, quando muitos deles não eram mais padres, que um homem sem mulher, por mais que se esforce, não é um homem pleno. Não me refiro apenas ao sexo, este pode ser obtido de outras formas. Eu me refiro à mulher, cuja ausência é tão sentida por todos nós, homens! Eu ouvi Lotte em confissão, digamos assim. Fui uma espécie de padre ou psicanalista para essa mulher extraordinária que tem tanto o que dizer. Afinal morreu abraçada ao cadáver do marido, tornando-se cadáver ela também!
Não é paradoxal que o homem que escreveu o livro que virou uma espécie de slogan Brasil – O País do Futuro– foi justamente escolher este mesmo país para acabar com o seu futuro?
D.S.– Nós precisamos tomar cuidado para não cair nas armadilhas da História. Nero foi um imperador sanguinário? Foi! Mas, antes de se suicidar (será que se suicidou, mesmo?), depois de um golpe de Estado, fez uma reforma agrária na África, uma reforma que prejudicou os generais e seus amigos latifundiários. Eu descobri isso lendo o que Santo Agostinho escreveu sobre música! Eu gosto muito desse santo que é filósofo e teólogo, e rezava assim: “Senhor, dai-me a castidade, mas não já!” Ele teve um filho, o Adeodato, com uma jovem a quem ninguém dá nome, mas eu descobri que se chamava Melânia. Todos só falam da sogra dela, Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho. E Agostinho fala das mulheres como se não falasse. É dele a frase célebre “Mulier, janua Diaboli”, traduzida para “mulher, janela do Diabo”. Mas janua em latim é porta. Janela é fenestra. Portanto, é porta aberta para o Diabo, não janela apenas, entendendo aqui por Diabo tudo o que se opunha à doutrina cristã, como os deuses pagãos.
Os nazistas queriam matar apenas Zweig
Na sua opinião o que aconteceu realmente naquela noite de 1942?
D.S.– Stefan Zweig era inimigo público dos nazistas. Albert Speer, arquiteto de Hitler, disse a Alberto Dines pouco antes de morrer que a morte de Zweig foi muito comemorada na Alemanha. Aliás, Speer morreu minutos antes de dar uma entrevista à BBC. Muitas mortes tidas como suicídios foram depois comprovadas como assassinatos. Eu acho que os assassinatos de Stefan Zweig e sua mulher Charlotte Altmann Zweig, ocorridos na noite de 22 para 23 de fevereiro de 1942, ainda não foram comprovados. Só isso. Naquela noite teve seu desfecho um plano diabólico, concebido e executado muito tempo antes por doutores em matar os outros, de modo a fazer com que as mortes parecessem suicídios. Não posso provar isso, mas eu não preciso provar nada! Sou um romancista, não um historiador. Os romancistas mentem menos do que os historiadores, pode crer! Nenhum deles comprovou que foi suicídio. Por que não foi feita autópsia? E todo escritor tem um lado feminino, o da intuição. Quando uma mulher diz que não foi com a cara de alguém, eu fico procurando onde esse cara me enganou, já que não percebi o que apenas ela percebeu! Eu acho também que a morte de Lotte foi um acidente. Ela deve ter aparecido ou acordado em momento impróprio. Os nazistas queriam matar apenas Zweig. Na verdade, talvez não tenham ido lá para matá-lo, mas para sequestrá-lo, mas daí seria contar o romance e este prazer eu não vou tirar dos leitores.
***
[Deonísio da Silva é escritor, doutor em Letras pela USP e autor de 34 livros. Os mais recentes são A placenta e o caixão (crônicas), A língua nossa de cada dia (colunas de língua portuguesa) e Lotte & Zweig (romance). É um dos vice-reitores da Universidade Estácio de Sá
Alberto Dines, 80 anos: homenagem a um mestre
ALBERTO DINES, 80
Mestre Dines faz 80 anos e 60 de jornalismo
Por Ricardo Kotscho
Observatório da Imprensa, em 06/03/2012 na edição 684
“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas.” (Do poeta alemão Henry Charles Bukowski Jr., citado no convite enviado aos amigos pela jornalista Norma Couri, mulher do homenageado.)
Quando estava começando a trabalhar na profissão, nos anos 60 do século passado, ele já era chamado de mestre pelo seu belíssimo trabalho como editor-chefe do Jornal do Brasil, que ajudou a transformar na época na mais bem feita e influente publicação da imprensa brasileira.
Por isso, e porque depois ficamos amigos, embora nunca tenhamos trabalhado juntos na mesma redação, registro com muita alegria esta data importante para todos os jornalistas de ofício: hoje [5/3], o carioca Alberto Dines comemora, em São Paulo, 80 anos de idade e 60 de jornalismo.
Não é muito comum, afinal, alguém do nosso ramo tão cheio de obstáculos e incertezas chegar a esta idade e com tanta quilometragem rodada em plena atividade, trabalhando ao mesmo tempo em rádio, televisão e internet, escrevendo artigos para jornais, fazendo pesquisas na Unicamp e comandando o seu Observatório da Imprensa.
Um exemplo
Muito já se escreveu nos últimos dias sobre a sua vida e a sua obra, mas não poderia deixar de prestar aqui esta singela homenagem a um colega de profissão que transformou o jornalismo numa arte em defesa da vida e fala dela sempre com o entusiasmo de um iniciante.
Algum tempo atrás, passei uma tarde inteira com Eduardo Ribeiro e sua equipe do Jornalistas & Cia. ouvindo Dines contar a história do menino que queria fazer cinema e acabou se tornando, ao lado de Cláudio Abramo e Mino Carta, um dos três mais importantes jornalistas brasileiros da segunda metade do século 20 – e continua sendo.
Saí do seu escritório na Vila Madalena cansado de tanto ouvir, mas feliz por encontrar alguém mais velho, que continua batalhando diariamente e bota fé no futuro do jornalismo porque não se deixou levar pela onda de cinismo e arrogância dos tempos atuais.
Não importam a plataforma, os modismos de cada época, o veículo: Alberto Dines será sempre Alberto Dines, um jornalista que acredita no que faz e é um exemplo de competência e dignidade para todos nós.
Valeu, grande Dines!
***
[Ricardo Kotscho é jornalista]
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Alberto Dines
Globalizacao reduz pobreza, ponto! Antiglobalizadores sempre equivocados...
Durante anos e anos, antiglobalizadores repetem a mesma história furada, equivocada, deturpada: a globalização capitalista é perversa, concentradora, produz pobreza e miséria no mundo, desemprego, desigualdades, e todos os horrores que vocês podem imaginar.
E durante anos e anos, venho contestando essas afirmações absolutamente equivocadas em meus artigos, grande parte deles reunidos neste livro:
Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização
Pois bem, um relatório do Banco Mundial confirma o que já sabíamos: a globalização reduziu e vai continuar reduzindo a pobreza.
Só espíritos muito tacanhos e mentalidades atrasadas pretendem fechar o país, praticar protecionismo, stalinismo industrial, etc.
Enfim, espíritos que encontramos no próprio Brasil...
Paulo Roberto de Almeida
E durante anos e anos, venho contestando essas afirmações absolutamente equivocadas em meus artigos, grande parte deles reunidos neste livro:
Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização
Pois bem, um relatório do Banco Mundial confirma o que já sabíamos: a globalização reduziu e vai continuar reduzindo a pobreza.
Só espíritos muito tacanhos e mentalidades atrasadas pretendem fechar o país, praticar protecionismo, stalinismo industrial, etc.
Enfim, espíritos que encontramos no próprio Brasil...
Paulo Roberto de Almeida
Dire Poverty Falls Despite Global Slump, Report Finds
By ANNIE LOWREY
The New York Times, March 6. 2012
WASHINGTON — A World Bank report shows a broad reduction in extreme poverty — and indicates that the global recession, contrary to economists’ expectations, did not increase poverty in the developing world.
The report shows that for the first time the proportion of people living in extreme poverty — on less than $1.25 a day — fell in every developing region from 2005 to 2008. And the biggest recession since the Great Depression seems not to have thrown that trend off course, preliminary data from 2010 indicate.
The progress is so drastic that the world has met the United Nations’ Millennium Development Goals to cut extreme poverty in half five years before its 2015 deadline.
“This is very good news,” said Jeffrey Sachs, director of the Earth Institute at Columbia University and the United Nations’ special adviser on the Millennium Development Goals. “There has been broad-based progress in fighting poverty, and accelerating progress. There’s a lot to be happy about.”
The report indicates that despite the world entering a recession in 2009, poverty did not increase in developing nations. That is contrary to the World Bank’s own expectations. In a year-end 2008 report, the Washington-based development institution warned, “Unemployment is on the rise in industrial countries and poverty is set to increase across low- and middle-income countries, bringing with it a substantial deterioration in conditions for the world’s most vulnerable.”
But that did not happen. Preliminary surveys for 2010 show that the proportion of people in the developing world living in extreme poverty fell.
That is because of strong growth in countries like Brazil, India and especially China, which helped buoy economies in Africa and South America. High commodity prices also aided exporting nations.
Market conditions also favored developing countries. Economists had theorized that the credit crunch and recession would cause a flight to the safety of developed nations. But shortly after the recession, with growth stagnating in countries like the United States and in western Europe, the world’s investors plowed money into emerging markets.
“In the past, economic crises in the rich world had a big and immediate impact on the developing world,” said Charles Kenny, a senior fellow at the Center for Global Development, a research institution based in Washington. “But this time, the impact was much smaller, and we did not see developing countries follow the United States and Europe into long recessions and slow recoveries.”
“That’s good news for all concerned,” Mr. Kenny added, “because growth in developing countries has helped developed countries as well.”
The report contained a raft of statistics showing broad declines in poverty throughout the 2000s. For the first time since the World Bank started keeping statistics in 1981, poverty fell in every region of the world on a three-year timeframe. In sub-Saharan Africa, the proportion of the population living in extreme poverty fell below 50 percent for the first time. And between 1981 and 2008, poverty fell to just less than a quarter of the developing world’s population from more than half .
Much of the story was about China, which moved nearly 700 million people out of poverty between 1981 and 2008, with the proportion of its population living in extreme poverty falling to 13 percent from 84 percent during that period. The country’s annual pace of economic growth never dipped below 9 percent, even in 2009, when the world’s economy contracted.
But perhaps the most surprising success story is sub-Saharan Africa, where the proportion of people living in extreme poverty actually increased through the 1990s, before declining in the 2000s.
“People used to worry, ‘Is Africa going to be poor forever?’ ” said Mr. Kenny of the Center for Global Development. “Well, it doesn’t really look like it, does it?”
Extreme poverty in the Middle East and North Africa fell to just 2.7 percent in 2008 from 4.2 percent in 2002. And extreme poverty in sub-Saharan Africa fell to 47.5 percent in 2008 from 55.7 percent in 2002.
“Long-term changes are really starting to take hold,” said Mr. Sachs, citing favorable market conditions, policies to tackle public health problems and technological change bringing tools like cellphones and Internet connections to even the most remote and rural areas.
Mr. Sachs said that climate change and its attending droughts and floods, the threat of armed conflict and a persistently high birth rate among the very poor threatened to reverse the decline in poverty. But he said he most likely saw them getting better. “Looking at the balance of data, this is a very promising time for fighting poverty,” Mr. Sachs said.
Separately, the United Nations announced that the world had met the Millennium Development Goal of halving the proportion of people without access to safe drinking water five years ahead of its 2015 target. Between 1990 and 2010, more than two billion people gained access to improved drinking water, according to a joint report by the United Nations Children’s Fund and the World Health Organization. Now, 89 percent of the world’s population has that resource, up from 76 percent in 1990.
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Mercosul: o pacto pelo atraso - Rolf Kuntz
Creio que eu poderia assinar embaixo, tranquilamente.
Um pacto pelo atraso
8 de fevereiro de 2012 | 10h12
Rolf Kuntz
Saiu no Clarín: a presidente Cristina Kirchner pretende convencer o governo brasileiro a adotar sua política comercial, para deixar mais dólares no Mercosul e frear a busca de lucros das multinacionais na região. A intenção, segundo o jornal, é juntar o Brasil à “estratégia de fomentar o comércio intra-Mercosul em substituição ao externo”. É mais uma ideia contrária aos objetivos iniciais do bloco, há muito tempo esquecidos pelos governos da região. O Mercado Comum do Sul foi concebido como projeto de integração regional e como plataforma de inserção global das economias brasileira, argentina, paraguaia e uruguaia. Não foi planejado como fortaleza para defender a produção regional da concorrência externa, mas como arranjo destinado a facilitar a criação de escala (pelo aumento do mercado), o aproveitamento do potencial de cada sócio (pela criação de cadeias produtivas) e a inserção competitiva nos mercados (pelos ganhos de produtividade e qualidade).
O Mercosul, portanto, foi uma concepção voltada para o futuro. A política dos Kirchners é voltada para o passado, assim como boa parte da impropriamente chamada política industrial brasileira. Esta política tem sido amplamente protecionista e pouco dedicada à superação das deficiências da economia nacional. Mesmo os itens aparentemente positivos, como a desoneração parcial da folha de pagamentos e o incentivo à inovação, continuam mal planejados e com alcance muito curto. No caso da desoneração, a política, além de restrita a poucos setores, ainda resulta no aumento de encargos para alguns segmentos. Quanto à inovação, falta muito para uma política bastante articulada e com potencial para envolver mais que as empresas já empenhadas em pesquisa e desenvolvimento.
Estudo recente com 40 grandes empresas – 30 nacionais e 10 estrangeiras – ressalta a pouca importância do mercado exterior e da internacionalização das companhias como determinantes da inovação. O foco está claramente no mercado interno.
“Mais do que a falta de cultura, a baixa inserção externa da empresa brasileira responde pelo seu tradicional atraso”, escreveu o professor Júlio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica, em comentário sobre aquele estudo.
A “concorrência em mercados do exterior, muito mais do que a defesa do mercado interno, tem o poder de renovar e perpetuar a necessidade das empresas de atualizar produtos, elevar a produtividade e reduzir custos”, acrescentou.
A relativa abertura da economia brasileira, hoje bem mais ampla do que até o começo dos anos 90, com certeza traz para dentro do País um pouco desse estímulo. A importação expõe o produtor nacional à pressão de concorrentes mais propensos a ganhos de eficiência e de qualidade por meio da inovação. Mas a pressão é certamente menor do que se esse mesmo produtor estivesse mais empenhado em conquistar fatias do mercado global e menos protegido por barreiras tarifárias e não tarifárias. A tendência protecionista do atual governo reforça a barreira contra aquela pressão competitiva, sem, no entanto, neutralizá-la.
A relativa abertura da economia brasileira, hoje bem mais ampla do que até o começo dos anos 90, com certeza traz para dentro do País um pouco desse estímulo. A importação expõe o produtor nacional à pressão de concorrentes mais propensos a ganhos de eficiência e de qualidade por meio da inovação. Mas a pressão é certamente menor do que se esse mesmo produtor estivesse mais empenhado em conquistar fatias do mercado global e menos protegido por barreiras tarifárias e não tarifárias. A tendência protecionista do atual governo reforça a barreira contra aquela pressão competitiva, sem, no entanto, neutralizá-la.
O empresário instalado no Brasil enfrenta, é claro, muitos outros obstáculos, apenas parcialmente compensados pelo protecionismo – deficiências de infraestrutura, custos fiscais, insegurança, energia absurdamente cara, escassez de mão de obra adequada, etc. Se o governo cuidasse desses problemas, seria menos pressionado ou tentado a criar barreiras. Mas, nesse caso, as concepções seriam outras e a política seria mais voltada para a inserção externa.
Criado como instrumento de projeção global de quatro países, o Mercosul foi desvirtuado pela ação combinada dos Kirchners e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mudança de rumo, oficializada quando o presidente Lula decidiu, como ele mesmo disse, “tirar a Alca da pauta”, condenou o bloco a reduzir suas ambições e a se concentrar no jogo da divisão inferior, com a prioridade à chamada relação Sul-Sul. O fracasso na negociação do acordo com a União Europeia foi um desdobramento normalíssimo dessa decisão.
O acordo com os europeus, por alguma razão muito obscura, foi considerado menos odioso que um pacto com participação dos Estados Unidos. Mas o esforço deu em nada e isso se deveu, em boa parte, a obstáculos criados pelo lado argentino. O Mercosul jamais funcionou de fato como zona de livre comércio, embora seja, nominalmente, uma união aduaneira. Se o governo argentino conseguir mais uma vez enrolar o governo brasileiro e cooptar a presidente Dilma Rousseff, o compromisso com o atraso será reforçado. Só restará, nesse caso, caprichar ainda mais no protecionismo rastaquera, tirar o pó da substituição de importações e preparar o consumidor para produtos caros e vagabundos.
Brasil 2011: PIB a 2,7%: algo a comemorar? (o governo comemora...)
O governo comemora até inauguração de placa fundamental, assim não é novidade. Quem vive de propaganda se contenta com pouco.
O artigo de Rolf Kuntz é, mais uma vez, impecável.
Ele só peca por uma coisa: é muito leniente com os responsáveis dessa tragédia que se chama involução econômica brasileira...
Paulo Roberto de Almeida
O artigo de Rolf Kuntz é, mais uma vez, impecável.
Ele só peca por uma coisa: é muito leniente com os responsáveis dessa tragédia que se chama involução econômica brasileira...
Paulo Roberto de Almeida
O PIB emperrado
7 de março de 2012 | 7h00
Rolf Kuntz
O governo promete para 2012 um crescimento maior que o do ano passado, puxado mais uma vez pelo mercado interno e dinamizado por investimentos em máquinas, equipamentos, construção imobiliária e obras de infraestrutura. Mais uma vez será preciso ver para crer nas mudanças mais importantes. Não será muito difícil um crescimento maior, depois do fiasco dos 2,7% em 2011. Mas também não será motivo para muita festa. Com a diferença da taxa de expansão econômica, as promessas de agora são as mesmas de um ano atrás. O balanço do ano passado mostra uma economia despreparada para um desempenho muito melhor. A taxa de investimento, 19,3% do Produto Interno Bruto (PIB), continuou insuficiente para uma longa fase de crescimento na faixa de 5% a 7% ao ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncia para este ano uma elevação da taxa para 20,8%, 1,5 ponto acima da registrada em 2011. A previsão dos 20,8% apareceu no relatório Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado pelo ministério no mês passado.
Se depender do governo, a parcela da renda aplicada na expansão e na modernização do sistema produtivo continuará muito abaixo da necessária. Em janeiro e fevereiro o Tesouro pagou investimentos no valor de R$ 3,6 bilhões. No ano passado, no mesmo bimestre, foram desembolsados R$ 4,7 bilhões. O ano começou, portanto, com um desempenho pior que o de 2011 nesse quesito. Mas em 2012, como no ano anterior, a maior parte do valor aplicado veio de restos a pagar, segundo levantamento da organização Contas Abertas. A mesma organização havia mostrado, em janeiro, o fracasso dos planos federais de investimento. Os desembolsos para o investimento orçamentário ficaram em R$ 41,9 bilhões em todo o ano passado, bem abaixo do valor aplicado em 2010, R$ 44,7 bilhões. Só essa rubrica diminuiu, porque as despesas de custeio aumentaram. A folha de pessoal e encargos, por exemplo, passou de R$ 183,4 bilhões, em 2010, para R$ 196,6 bilhões, em 2011.
Também as estatais investiram no ano passado menos que no anterior. Só aplicaram 79,4% dos R$ 103,8 bilhões programados para o exercício e mais uma vez o resultado foi garantido pelo esforço da Petrobrás. O setor privado continuou batalhando para elevar sua capacidade produtiva, mas com as limitações de sempre, a começar pelo peso da carga tributária. O resultado geral foi a manutenção de uma economia pouco eficiente e muito vulnerável à pressão da concorrência externa. O crescimento de apenas 1,6% da produção industrial, em contraste com um aumento de 4,1% do consumo privado, reflete essa deficiência, mas isso ainda não dá uma ideia bastante clara do problema.
O desempenho do setor industrial foi puxado pela mineração, com 3,2% de crescimento; pela construção civil, com 3,6%; e pela produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana, com 3,8% de aumento. A indústria de transformação, forçada no dia a dia a enfrentar a concorrência internacional, cresceu apenas 0,1%. Isto é, ficou estagnada, com uma variação de produto muito próxima de zero.
A política de crescimento puxado pelo mercado interno, tal como executada pelo governo, está claramente baseada num equívoco. O problema principal não está na demanda, mas na capacidade da indústria de transformação de atender ao mercado enfrentando a competição estrangeira. Essa capacidade é limitada não só pelo câmbio – o real valorizado encarece os produtos nacionais -, mas principalmente por uma porção de ineficiências estruturais muito bem conhecidas. A maior parte dessas deficiências é atribuível à baixa qualidade das políticas públicas (infraestrutura insuficiente e ruim, energia muito cara, custos trabalhistas elevados, distorções tributárias, escassez de mão de obra adequada, entraves burocráticos, etc.). Sem a solução desses problemas, uma expansão na faixa de 5% a 7% levará à inflação ou à crise externa.
A presidente Dilma Rousseff reclamou na Alemanha do tsunami monetário provocado pelos bancos centrais do mundo rico. Essa é uma das causas da valorização do real e de outras moedas de países emergentes. Ela está certa ao apontar o problema criado pela emissão excessiva de euros, dólares e libras, mas estaria ainda mais certa se cuidasse de eliminar as deficiências e ineficiências da economia nacional. O governo já estima para este ano exportações de apenas US$ 264 bilhões, apenas 3,1% maiores que as de 2011. Isso se deve principalmente à transformação do Brasil num país dependente das vendas de commodities, numa relação quase colonial com a China. Também isso é consequência de tolices econômicas e diplomáticas cometidas em Brasília. Não dá para culpar os bancos centrais do mundo rico por essas t0lices.
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