terça-feira, 11 de junho de 2024

Patrimônio belga no Brasil - pesquisa de Marc Storms

 

Esta pesquisa iniciou-se, em 28 de maio de 2024, fruto de uma consulta sobre cidadania entre uma pessoa que mora em Itapema, SC e Daniel Hostins, sócio da Associação Ilha Belga. Daniel é um grande pesquisador genealógico sobre os descendentes belgas no Vale do Itajaí, SC. Ela é descendente do belga Joannes De Backer que imigrou, segunda suas informações, para a Colônia Blumenau, SC, em 1889, com 7 filhos. Como Marc Storms, também pesquisador, entre outros temas das relações entre a Bélgica e o Brasil, sobre a imigração belga ao país, Daniel compartilhou o acontecimento e, juntos, começamos a pesquisar e organizar as informações. Logo percebemos que a família De Backer migrou com muitos outros belgas ao Brasil.


 
No dia 24 de dezembro de 1888 chegou, no porto do Rio de Janeiro, o vapor Kronprinz Friedrich Wilhelm. O barco saiu de Hamburgo (Alemanha), parou nos portos de Bremen (Alemanha), Antuérpia (Bélgica), Teixeira e na Ilha de São Miguel (Açores). No Brasil, desembarcou provavelmente em Salvador, na Bahia, e depois do Rio de Janeiro, em Santos, SP.
A lista de bordo encontra-se no Arquivo Nacional no Rio de Janeiro (BR RJANRIO OL.0.RPV, PRJ.3750) e consta que, no traslado, não houve mortos. Na verdade, são duas listas. Em uma delas está anotada “Emigranten” e possui 463 nomes divididos em 3 partesFrom Antwerp to Minas Gerais com 182; From São Miguel to Minas Gerais com 79 e From São Miguel to Rio de Janeiro com 202. A outra lista contém 391 nomes dos quais alguns são riscados, que ainda não sabemos a razão. Por exemplo, das três pessoas que embarcaram em Antwerpen, os nomes de Adolf Loontjes de 28 anos e Desiré Cannie de 53 anos estão legíveis e um outro foi riscado.
As listas proporcionam as seguintes informações: No (número), Pass, Names (nome e sobrenome), Age (idade), Profession (profissão) e Baggage (número de malas). Não há detalhes quanto à nacionalidade dos passageiros.
Segundo os jornais belgas Vooruit e La Meuse de 1 de dezembro de 1888, havia 186 migrantes belgas no vapor. Alguns eram de Antuérpia e arredores como das localidades de Borgerhout, Oorderen, Kalmthout, Ekeren, Wilmarsdonk, Stabroek, Putte, Oostmalle. Outros da cidade de Kessel-Lo, Gent/ Flandres Oriental e da região Vâlonia. A maioria era de camponeses e camponesas. A notícia menciona que o barco saiu no dia 30 de novembro de 1888 do porto de Antuérpia e o nome do capitão era Miecke.
 



O traslado com vapor era relativamente rápido, demorando menos que um mês. O barco, um brigue com velas, no qual chegaram, em 1844, os colonos belgas com destino à Ilhota (SC), precisou de 67 dias para fazer o traslado entre os portos de Oostende, na Bélgica, e o Rio de Janeiro.
O Jornal do Commercio (RJ) (Ano 1888\Edição 00363) menciona um número de migrantes belgas mais alto: cerca de 200.
  


Há dúvidas em relação à menção nos jornais belgas sobre o total de 186 emigrantes belgas. Poderia ser que, dos 184 nomes mencionados como embarcados em Antuérpia, nem todos fossem de nacionalidade belga. E poderia ser também que, alguns belgas embarcaram em outro porto que não Antuérpia. Mas duvidamos que tenha havido cerca de 200 como mencionou o jornal brasileiro.
O vapor voltou para a Lisboa, Antuérpia e Bremen no dia 10 de janeiro de 1889 com escalas pelo Rio e Bahia informou o Correio Paulistano de 30.12.1888.

Jornal do Commercio mencionou que os imigrantes foram recebidos na Ilha das Flores.
A proibição do tráfico de escravos em 1850 e o desenvolvimento das lavouras de café que necessitava de mão de obra, somada à preocupação de povoar as grandes regiões no sul do Brasil para resguardar fronteiras, fizeram que fossem criadas no Brasil durante o século 19, grosso modo, dois sistemas de migração. O chamado de parceira, onde os imigrantes eram contratados pelos proprietários das fazendas de café que arcavam com a passagem de navio, o deslocamento do porto até a fazenda e a hospedagem. Deste modo, os imigrantes chegavam ao destino endividados e sem poder obter a sonhada propriedade da terra. Eles não podiam abandonar a fazenda enquanto não pagassem o que deviam. Já no sul do Brasil foi aplicado o sistema de colonato. A vinda de imigrantes era assumida pelos governos provinciais. Assim, o imigrante não vinha endividado e recebia uma remuneração mensal ou anual, podia plantar alimentos para sua subsistência e estava livre para deixar a propriedade.

Em 1883, para administrar o grande fluxo de imigrantes, a Inspetoria Geral de Terras e Colonização adquiriu a Ilha das Flores, perto da então capital do Rio de Janeiro. Com a construção de um grande galpão, capaz de abrigar 1.000 indivíduos de uma só vez, a Ilha das Flores se converteu em local de registro, controle médico-sanitário e encaminhamento dos imigrantes para os lugares de destino. No mesmo ano foi ordenado que, depois de desembarcar no Porto do Rio de Janeiro, todos os passageiros vindos de portos estrangeiros em 3ª classe deveriam ser imediatamente transportados, com as suas respectivas bagagens, até a Ilha das Flores, onde seriam acolhidos gratuitamente até no máximo de oito dias.
No Escritório da Diretoria da Hospedaria, o escrivão realizava o registro dos imigrantes em livros, nos quais se anotavam a procedência, o nome do navio, a data de entrada, o nome, a idade, o estado civil, a nacionalidade e a profissão de cada um.

O website do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores nos indicou o caminho para achar os livros de registro de imigrantes. Estes são organizados por ano e contém as seguintes informações: data de entrada, local de embarque, nome do vapor, nome, nacionalidade, data de saída da hospedaria e local de destino. Todos os livros são digitalizados e disponíveis para consulta online no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN). No nosso caso, trata-se do dossiê BR RJANRIO OB.0.EPE, HIF.33 que registrou as entradas entre 22/11/1888 e 14/1/1889. Nas páginas 219 até 224 estão anotados, começando com o n° 29940 até 30122, 183 migrantes belgas.
 
Assim foi possível confirmar que todos as pessoas que embarcaram em Antuérpia tinham a nacionalidade belga. No registro da Hospedaria não aparece o nome da Maria Maes de 14 anos. Por isso há uma diferença de um nome entre o registro e a lista de bordo. Também é curioso que o nome de Maria Maes aparece duas vezes na lista de bordo, uma vez com 38 anos, outra com 14. Provavelmente o escrivão da lista de bordo errou. No FamilySearch consta que Anna Catharina Maes, nascida Van Gool, era a esposa de Johann Maes e a mãe de Maria, além de Franciscus, Elisabeth e Leonie. Fica o enigma porque o nome da Maria Maes de 14 anos não foi anotado. Temos certeza de que ela emigrou porque casou-se em 1897, em Jaraguá do Sul, na época distrito de Joinville, onde faleceu e foi enterrada em 1955. Na sua certidão de casamento, consta Catarina como nome da mãe.
 
Além da nacionalidade, o registro da Hospedaria informa os destinos dos migrantes. Assim sabemos que 57 tinham como destino Desterro (atual Florianópolis, SC), 55 Juiz de Fora (MG), 39 Cordeiro (RJ), 17 São Paulo (SP), 8 Socego (?), 6 Corte (a então capital Rio de Janeiro) e um nome de destino inelegível. Os destinos registrados são mais diversos que a anotação na lista de bordo From Antwerp to Minas Gerais.
 
A partir dos dados registrados, nós examinamos os nomes e consultamos intensivamente o site do FamilySearch e o banco de nomes do Arquivo Nacional da Bélgica. Como os nomes estão escritos a mão, tivemos grandes dificuldades para entender alguns.
Eram 48 solteiros, quase todos do sexo masculino, 4 casais com 1 filho, 3 com 2 filhos, 6 com 3 filhos, 4 com 4 filhos, 1 com 5 filhos, 3 com 6 filhos e 3 com 7 filhos.
Algumas famílias provavelmente se conheciam porque vieram do mesmo lugar, como as famílias Stael e Debacker que saíram de Wilmarsdonk, no norte de Antuérpia, mas não migraram para o mesmo lugar no Brasil. Maria Stael, nascida Dierckx faleceu em Cantagalo, RJ. Joannes Debacker e sua filha Mathildis faleceram no Rio dos Cedros, SC. Outro filho, Felix Debakcer, casou-se em 1915 em Jaraguá do Sul, SC. Outras famílias vieram de lugares próximos como as cidades Gelrode, Wezemaal, Kortrijk-Dutsel, Wilsele e Korbeek-Lo.
No processo, tomamos conhecimento de dois irmãos, Jan Baptist e Franciscus de Palmenaer com suas famílias de 7 e respectivamente 6 filhos que migraram de Uitbergen, Berlare em Flandres Oriental, para o Brasil. Esses sim, tinham o mesmo destino: Cordeiro.

Das cidades mencionadas nos jornais belgas: Borgerhout, Oorderen, Kalmthout, Ekeren, Stabroek, Putte, Oostmalle, Gent ou da região Vâlonia, não encontramos evidências.

Há poucas menções dos lugares onde falecerem esses emigrantes, e não temos certeza de que todos se estabeleceram na região do destino mencionado no registro. Pode ter havido também, migração dentro do Brasil. Há, por exemplo, evidência de pessoas com destino para Juiz de Fora ou Cordeiro que faleceram em Jaraguá do Sul ou Rio dos Cedros.
Alguns desses migrantes voltaram para a Bélgica. A grande família de Eduard Peers casado com Juliana Vercruyse e 7 filhos voltou logo para a Bélgica. Há um registro da filha Josephine Joanna que nasceu em 15 de dezembro de 1890 em Gent. Na mesma cidade, faleceu Eduard em data desconhecida e casou-se Marie Peers em 1903. E há o caso de Remi[gues] Ghekiere que voltou em data desconhecida e casou-se em 1910 em Liège. Outros membros da família Ghekiere ficaram no Brasil. Há prova que a irmã mais velha, Emma, faleceu em Jacarepaguá em 1953 e que seu irmão Jules se casou em 1947 no Rio de Janeiro.
 


No dia 19 de julho de 1889 apareceu no jornal belga Het Handelsblad e no dia seguinte no jornal Vooruit uma nota oficial do governo da província de Antuérpia, Bélgica dizendo que a situação dos belgas que migraram para o Brasil era péssima. Muitos compatriotas não receberam, na chegada, as prometidas casas, nem suas terras em Minas Gerais ou na província do Rio de Janeiro. Além disso, a febre amarela matou mais que a metade da colônia belga. Por isso, o governo alertou que migração em massa, nunca se repetiria.
Será essa notícia a razão pela qual, nos traslados do mesmo vapor Kronprinz Friedrich Wilhelm nos anos de 1889 e 1990 quase não houve emigrantes belgas? Ou a causa foram as turbulências e incertezas no início da Proclamação da República em 1889?

Alguns descendentes desses belgas que chegaram no fim do ano de 1888 foram homenageados no Brasil. Por exemplo, em Joinville, no Estado de Santa Catarina, há um Centro de Educação Infantil Jorge Luiz Vanderwegen, há ruas Verbinen em Jaraguá do Sul, Guaramirim e Araquari, rua Pedro Francisco Debacker – Padre Ulrico em Francisco Beltrão, PR. Achamos também a rua Maria Stael em Caxambu, MG e outra rua Maria Stael de Medeiros Teixeria em Cachoeiro de Itapemirim, ES. A mesma cidade tem uma Escola Municipal Maria Stael de Medeiros Teixeria. E existe a rua Charles Robert Symons em Pedreira, SP. Esses dados ainda necessitam de mais pesquisa.



Se os sobrenomes Broucard, Debacker, de Palmenaer, Deukens, Duquesne, Elearts, Ghyselens, Geeraerts, Groguard, Hoef, Honore, Houreau, Huyghe, Jacobs, Janssens, Kegels, Maes, Matthysen, Maurissen, Mertens, Morisot, Narroy, Peeters, Peiron, Rogiers, Stael, Symons, Turco, Vanbrokhoven, Vandenwyngaert, Vandermolen, Vandervelde, Vanderwegen, Vanhamme, Verbinnen, Vercammen ou Willaert, ou suas possíveis versões abrasileiradas, são conhecidos, por favor entre em contato, para aprofundarmos a pesquisa sobre a ainda pouco conhecida migração belga para o Brasil.
 
Marc Storms, marc.storms@gmail.com, São Paulo, 10 de junho de 2024
 
Fontes:



A Direita progrediu eleitoralmente? Talvez, graças à Esquerda - Allan Marcos

 Lido no X, por Allan Marcos

A esquerda foi tão longe à esquerda que todo o resto parece de direita.

• Capitalismo = extrema direita

• Meritocracia = extrema direita

• Propriedade privada = extrema direita

• Querer impostos mais baixos = extrema direita

• Fatos científicos/biológicos = extrema direita

• Países devem ter controle de fronteiras = extrema direita

• Liberdade de expressão = extrema direita

• Questionar o governo = extrema direita

• País tem o direito de se defender = extrema direita

• Israel tem o direito de existir = extrema direita

Reparem como quase todos influenciadores e jornalistas de esquerda chamam todo mundo de fascista e extrema direita.”

Dollar Dominance in the International Reserve System - Serkan Arslanalp, Barry Eichengreen , Chima Simpson-Bell (IMF blog)

 Financial markets

Dollar Dominance in the International Reserve System: An Update 

The US dollar continues to cede ground to nontraditional currencies in global foreign exchange reserves, but it remains the preeminent reserve currency

https://www.imf.org/en/Blogs/Articles/2024/06/11/dollar-dominance-in-the-international-reserve-system-an-update?utm_medium=email&utm_source=govdelivery

Dollar dominance—the outsized role of the US dollar in the world economy—has been brought into focus recently as the robustness of the US economy, tighter monetary policy and heightened geopolitical risk have contributed to a higher greenback valuation. At the same time, economic fragmentation and the potential reorganization of global economic and financial activity into separate, nonoverlapping blocs could encourage some countries to use and hold other international and reserve currencies.

Recent data from the IMF’s Currency Composition of Official Foreign Exchange Reserves (COFER) point to an ongoing gradual decline in the dollar’s share of allocated foreign reserves of central banks and governments. Strikingly, the reduced role of the US dollar over the last two decades has not been matched by increases in the shares of the other “big four” currencies—the euro, yen, and pound. Rather, it has been accompanied by a rise in the share of what we have called nontraditional reserve currencies, including the Australian dollar, Canadian dollar, Chinese renminbi, South Korean won, Singaporean dollar, and the Nordic currencies. The most recent data extend this trend, which we had pointed out in an earlier IMF paper and blog

 Chart 1

These nontraditional reserve currencies are attractive to reserve managers because they provide diversification and relatively attractive yields, and because they have become increasingly easy to buy, sell and hold with the development of new digital financial technologies (such as automatic market-making and automated liquidity management systems). 

This recent trend is all the more striking given the dollar’s strength, which indicates that private investors have moved into dollar-denominated assets. Or so it would appear from the change in relative prices. At the same time, this observation is a reminder that exchange rate fluctuations can have an independent impact on the currency composition of central bank reserve portfolios. Changes in the relative values of different government securities, reflecting movements in interest rates, can similarly have an impact, although this effect will tend to be smaller, insofar as major currency bond yields generally move together. In any event, these valuation effects only reinforce the overall trend. Taking a longer view, over the last two decades, the fact that the value of the US dollar has been broadly unchanged, while the US dollar’s share of global reserves has declined, indicates that central banks have indeed been shifting gradually away from the dollar.

 Chart 2

At the same time, statistical tests do not indicate an accelerating decline in the dollar’s reserve share, contrary to claims that US financial sanctions have accelerated movement away from the greenback. To be sure, it is possible, as some have argued, that the same countries that are seeking to move away from holding dollars for geopolitical reasons do not report information on the composition of their reserve portfolios to COFER. Note, however, that the 149 reporting economies make up as much as 93 percent of global FX reserves. In other words, non-reporters are only a very small share of global reserves.

One nontraditional reserve currency gaining market share is the Chinese renminbi, whose gains match a quarter of the decline in the dollar’s share. The Chinese government has been advancing policies on multiple fronts to promote renminbi internationalization, including the development of a cross-border payment system, the extension of swap lines, and piloting a central bank digital currency. It is thus interesting to note that renminbi internationalization, at least as measured by the currency’s reserve share, shows signs of stalling out. The most recent data do not show a further increase in the renminbi’s currency share: some observers may suspect that depreciation of the renminbi exchange rate in recent quarters has disguised increases in renminbi reserve holdings. However, even adjusting for exchange rate changes confirms that the renminbi share of reserves has declined since 2022. 

Some have suggested that what we have characterized as an ongoing decline in dollar holdings and rise in the reserve share of nontraditional currencies in fact reflects the behavior of a handful of large reserve holders. Russia has geopolitical reasons to be cautious about holding dollars, while Switzerland, which accumulated reserves over the last decade, has reason to hold a large fraction of its reserves in euros, the Euro Area being its geographical neighbor and most important trading partner. But when we exclude Russia and Switzerland from the COFER aggregate, using data published by their central banks from 2007 to 2021, we find little change in the overall trend. 

In fact, this movement is quite broad. In our 2022 paper, we identified 46 “active diversifiers,” defined as countries with a share of foreign exchange reserves in nontraditional currencies of at least 5 percent at the end of 2020. These include major advanced economies and emerging markets, including most of the Group of Twenty (G20) economies. By 2023, at least three more countries (Israel, Netherlands, Seychelles) have joined this list. Chart-3-Dollar-Dominance-Recedes-Blog

We also found that financial sanctions, when imposed in the past, induced central banks to shift their reserve portfolios modestly away from currencies, which are at risk of being frozen and redeployed, in favor of gold, which can be warehoused in the country and thus is free of sanctions risk. That work also showed that the demand for gold by central banks responded positively to global economic policy uncertainty and global geopolitical risk. These factors may lie behind the further accumulation of gold by a number of emerging market central banks. Before making too much of this trend, however, it is important to recall that gold as a share of reserves still remains historically low.

 Chart 4

In sum, the international monetary and reserve system continues to evolve. The patterns we highlighted earlier—very gradual movement away from dollar dominance, and a rising role for the nontraditional currencies of small, open, well-managed economies, enabled by new digital trading technologies—remain intact.

—For more, see IMF First Deputy Managing Director Gita Gopinath’s May 7 speech: Geopolitics and its Impact on Global Trade and the Dollar.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Maria da Conceição Tavares (1930-2024) marca debate econômico de JK ao TikTok - Danilo Thomaz (Folha de S. Paulo); comentário Maurício David

FSP, domingo, 9 de junho de 2024 (reproduzindo material antigo)

Maria da Conceição Tavares (1930-2024) marca debate econômico de JK ao TikTok


Danilo Thomaz* / Folha de S. Paulo (15.10.22)

Maria da Conceição Tavares marcou o debate público brasileiro das últimas décadas, tanto por suas ideias quanto por sua figura teatral. Referência central nos estudos sobre crescimento e planejamento econômico, formou três gerações de economistas. No plano pessoal, sua postura inconformada, enérgica e desbocada inspirou até personagem de programa de humor. Aos 92, é redescoberta por novas gerações após virar meme na internet.

Não poderia haver melhor momento para o Instituto de Economia da Unicamp, que começou a funcionar em agosto de 1968, comemorar seus 40 anos. Era 2009, e os países ricos estavam recolhendo os destroços do que havia restado da crise de 2008, fruto de quase três décadas de desregulação financeira.

Já o Brasil, que nunca embarcara com a mesma intensidade no que se convencionou chamar de neoliberalismo, via a economia se recuperar rapidamente com a ação dirigida estatal. Como, aliás, já vinha acontecendo naquele segundo governo Lula. Era a vitória política e ideológica da chamada Escola de Campinas, mais voltada à participação do Estado na economia.

Uma das principais formuladoras da tradição dessa escola estava na celebração da Unicamp: a economista Maria da Conceição Tavares. Convidada a falar no evento, não se limitou a ser mera espectadora enquanto não chegava o dia e a hora de sua palestra.

Se um convidado dizia algo de que discordava, rebatia, "não é assim!". Se alguém falasse uma besteira, dizia "é uma bobagem!". Se errasse, corrigia no mesmo instante: "Está errado!".

A única poupada de críticas foi a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Eu não gosto de brigar com mulher", a própria Conceição já dissera antes, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1995.

Fumante inveterada difícil de conter, Conceição sentou-se em uma cadeira na entrada do auditório, lugar reservado a ela pela organização do evento, onde poderia fumar sem incomodar a plateia, ouvir e, claro, intervir nos debates.

Até que chegou o momento de sua fala. Conceição começou citando o romance "O Retrato de Dorian Gray", do escritor irlandês Oscar Wilde. No clássico, um aristocrata faz um pacto demoníaco para ter a juventude eterna, enquanto um quadro com seu retrato envelhece.

A economista tinha o receio de que o Brasil terminasse como o aristocrata hedonista: horrorizado ao encarar o próprio retrato. No plano pessoal, seu receio era ter nascido em uma crise, na Europa, e morrer em outra, no Brasil —após toda uma vida contra a corrente.

NASCIMENTO E EXÍLIO

Maria da Conceição de Almeida Tavares nasceu em Anadia (Portugal) em 1930, a pouco mais de 50 km de Coimbra, mas cresceu e estudou em Lisboa. Mudou-se para o Brasil em fevereiro de 1954, junto do primeiro marido, Pedro Soares.

"Cheguei aqui e levei um susto. Porque o Getúlio morreu logo depois. Julguei que era uma democracia, vindo lá do Salazar, e me enganei", disse no Roda Viva.

Nesse instante, a então deputada federal pelo PT abriu um sorriso que contraiu os olhos, um dos raros momentos de suavidade em suas manifestações públicas. "Mas depois tivemos Juscelino, lembra? Aí íamos construir Brasília, uma democracia nos trópicos, o desenvolvimento."

O primeiro emprego de Conceição foi como estatística do Inic (Instituto Nacional de Imigração e Colonização), hoje Incra, onde deu-se conta da desigualdade no país.

Essa consciência a levou a estudar economia. Ingressou no curso em 1957, quando adotou a cidadania brasileira, na Universidade do Brasil, hoje UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro.

SUPERANDO O SUBDESENVOLVIMENTO

No ano seguinte, tornou-se analista matemática do que hoje se chama BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), à época presidido pelo economista Roberto Campos, um dos criadores e articuladores do Plano de Metas de JK, que buscava dar um salto no processo de desenvolvimento. Mas como era possível um liberal, como Campos, defender o planejamento estatal da economia?

Conceição, Campos, Celso Furtado, colegas de ambos no BNDES, e o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, entre outros, são representantes de uma geração que tinha por objetivo compreender e superar a problemática do subdesenvolvimento nacional.

"Nós criamos a noção de desenvolvimento", afirma FHC à Folha. "Estávamos no mesmo clima que se respirava no Brasil. Então mesmo que não estivéssemos próximos [no terreno das ideias], nós ‘brigávamos’ pelo contexto de compreensão mútua. Eu li quase todos os textos que ela escreveu. Eu posso ter discordado dela mais de uma vez, mas tenho que reconhecer que ela foi uma grande idealista."

DITADURA

O período ditatorial fez erodir os sonhos da geração que buscava um desenvolvimento em bases reformistas para o Brasil. "Virei brasileira achando que isso aqui seria uma democracia nos trópicos, e tome 21 anos de ditadura, tome concentração de renda, tome milagre econômico", disse, estalando os dedos, no Senado.

É deste período o ensaio "Além da Estagnação", presente no livro "Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro", que completa 50 anos, o mais importante de sua obra.

Escrito em parceria com o hoje senador José Serra (PSDB), o ensaio é considerado um dos marcos da obra da autora dentro de seu período na Cepal (Comissão Econômica para a América Latina), órgão que defendia a adoção do planejamento econômico e de medidas protecionistas pelo Estado.

No texto, Conceição e Serra contestam a tese de Furtado sobre a derrocada da economia brasileira em meados dos anos 1960, presente no artigo "Desenvolvimento e Estagnação na América Latina: um Enfoque Estruturalista".

"O ensaio ‘Além da Estagnação’ teve por contribuição principal mostrar como, infelizmente, o crescimento do período do chamado milagre se fazia de forma perversa, com concentração da renda. Ao contrário do que postulavam os estagnacionistas, estava sendo possível crescer concentrando a renda —e pior ainda, a concentração de renda alimentava um processo de crescimento acelerado", afirma o economista Ricardo Bielschowsky, autor de "Pensamento Econômico Brasileiro" e colega de Conceição na UFRJ.

"O Furtado foi o grande intérprete do subdesenvolvimento, e a Conceição, da dinâmica econômica", completa ele. "A obra dela pode ser dividida em dois grandes períodos: até as proximidades de 1980, na era desenvolvimentista, e depois dela. Ou seja, o primeiro gira em torno da presença do crescimento, e o segundo trata de elementos que causam sua ausência."

À época da publicação do ensaio, o Ministério da Fazenda era comandado pelo economista Delfim Netto. "Nossos pensamentos frequentemente diferiam, mas sempre considerei as suas críticas. Foi a inteligência mais barulhenta que conheci", afirma ele hoje.

Conceição considera o ex-ministro uma das melhores cabeças do país. Embora crítica da concentração de renda, reconhece que tanto Delfim quanto o segundo PND (Plano Nacional de Desenvolvimento), do governo Ernesto Geisel, conferiram certa pujança ao capitalismo brasileiro.

VIDA ACADÊMICA

De volta ao Rio, em 1972 —após um período no Chile, onde trabalhou no governo Allende—, Conceição reassumiu sua cadeira na UFRJ. Três meses depois, foi convidada pela Unicamp a coordenar a pós-graduação de economia da instituição.

"Zeferino Vaz [fundador da universidade] nos levou para lá", conta o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. "[Ele dizia]: ‘São todos esquerdistas, mas são bons’."

A dupla de economistas se conheceu em 1966, quando Belluzzo era estudante e assistiu a uma palestra de Conceição. O reencontro, sete anos depois, marcou o início de uma amizade e uma troca intelectual que perdura até hoje. "Era um estímulo. Ela não briga com as pessoas, briga com as ideias, se empolga", conta ele.

Conceição passou a conciliar aulas na Unicamp e na UFRJ, onde fundou o IEI (Instituto de Economia Industrial), um dos centros mais vibrantes do pensamento econômico brasileiro nos anos 1970 e 1980.
Em sua trajetória acadêmica, a professora ajudou a formar três gerações de economistas. Entre eles, Serra, Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda de FHC, e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Em 1975, às vésperas de um embarque para Santiago, foi presa pela ditadura no Galeão. Passou alguns dias desaparecida.

Liberta por intervenção do então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, Conceição mandou-lhe a seguinte mensagem: "Olá, Mário, tudo bem? Nem vou agradecer porque você não fez nada mais do que sua obrigação".

REDEMOCRATIZAÇÃO E INFLAÇÃO

Em 1980, Conceição tornou-se membro da Executiva Nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ao qual havia se filiado em 1978. Tinha como seus principais interlocutores dentro da legenda Ulysses Guimarães, uma das lideranças civis da redemocratização, e Fernando Henrique.

"Foi uma influência muito grande, mas não era uma pessoa propriamente ligada ao partido, era muito mais por ideias. Era uma ligação, como tudo que estava acontecendo na época, conflituosa, mas havia uma grande identidade de ponto de vista, sobretudo no que concerne a um pensamento comprometido com a dinâmica da política brasileira", afirma o ex-presidente.

Em 1986, Conceição ganhou destaque fora do meio acadêmico e político ao comentar com a voz embargada e lágrimas escorrendo, na TV Globo, o Plano Cruzado, que pretendia dar fim à inflação. "Eu estou muito contente de ver uma equipe econômica que redime este país, que dá uma contribuição política, que ajuda o governo a encontrar seu rumo."

Baseado no congelamento de preços, o Cruzado resultou de uma equipe que incluía Belluzzo e o economista André Lara Resende. O plano foi elaborado em sigilo, mas Conceição teve acesso a ele, por meio de Ulysses Guimarães, pouco antes de ser submetido à aprovação.

PLANO REAL

Em julho de 1994, Conceição despede-se de seus leitores da Folha, onde ajudava a balizar o debate econômico em suas colunas, para dar início a uma nova fase como política profissional, candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PT do Rio. Havia se desligado do MDB em 1989, após a derrota de Ulysses nas eleições presidenciais.

Em 1994, Conceição era uma das principais críticas do Plano Real. Disse que se tratava de um "Cruzado dos ricos" e que criaria uma realidade paralela, na qual a classe média baixa e os pobres não poderiam medir as perdas sofridas. "Ela fez uma crítica equivocada", afirma Belluzzo.

Ao longo do governo FHC, ela opôs-se também à abertura econômica, à desproteção de setores produtivos nacionais e à financeirização da economia.

"Hoje eu acho que ela tinha razão. Houve uma financeirização em relação ao capital produtivo. A teoria macroeconômica do neoliberalismo era a posição hegemônica. Agora está começando a haver uma revisão", afirma o economista André Lara Resende, um dos pais do Real e ex-presidente do BNDES no governo FHC.

O economista tem sido voz dissonante e solitária contra essa hegemonia no debate econômico brasileiro, por meio de livros como "Consenso e Contrassenso - Por uma Economia não Dogmática".

Em 1995, Conceição partiu para Brasília como a segunda deputada federal mais votada do PT pelo Rio. Apesar do sucesso eleitoral, não guardou boas lembranças. "Foi uma estreia política formal triste. Foi a única vez que fui ao sacrifício político", declarou.

Uma vez no poder, FHC deu a si mesmo a missão de encerrar o legado estatal de Getúlio Vargas. Para isso, era necessário abrir a economia e diminuir o peso do Estado por meio de privatizações.

Dar fim a todo aquele aparato que os então deputados Conceição, Delfim e Roberto Campos —embora este último há muito já estivesse convertido em ardoroso pregador liberal e crítico do estatismo— ajudaram a construir décadas antes. "Roberto Campos e eu nos divertíamos com a grossa pancadaria que ela aplicava no ilustre Fernando Henrique Cardoso", conta Delfim.

Integrante da Comissão de Finanças e Tributação, ela tentou passar uma reforma tributária. "Não tive o menor sucesso. Nem eu, nem ninguém, como é óbvio", disse ela no Senado.

O fracasso foi estendido a outras comissões. "Perdi na de Energia. Doutor Roberto Campos estava lá. Chamava de ‘dinossauro’ a Petrobras. Perdi a paciência. Disse que era melhor ser dinossauro que ser lagartixa. Ele ficou aborrecido." A congressista explicou que não se referia a ele. Depois, complementou: "O senhor também, à sua maneira, é um dinossauro… rex".

Na audiência que votou o fim do monopólio da Petrobras na extração do petróleo, Conceição foi escolhida pelo PT para representar o partido. Vestida de preto, com uma fitinha verde e amarela, deu seu voto contrário. "Foi uma tristeza. Ali eu quase chorei."

"O FHC passou o que quis e o que não quis [no Congresso]. A Conceição viveu isso de dentro. Ela cumpriu um papel importante, era a professora da bancada do PT. A maior parte dos quadros do partido não tinha a menor noção de nada [do que estava em votação]", afirma a economista Gloria Maria Moraes da Costa, que foi aluna da deputada e coordenadora de sua campanha.

Uma das derrotas de Conceição foi a não aprovação de um imposto para grandes fortunas, de autoria de FHC quando senador (1983-1992). Hoje o ex-presidente diz que teria sido importante a aprovação desse projeto. "A grande fortuna no Brasil ficou intocável, e isso não é bom."

Embora a esquerda tenha convencionado referir-se ao governo FHC como um período neoliberal, é importante entender que havia tensões dentro da área econômica de sua gestão, simbolizadas pelos então ministros Pedro Malan, da Fazenda, e José Serra, do Planejamento.

O primeiro era mais voltado à abertura e à internacionalização da economia; o segundo, às ideias de proteção de determinados setores. "Isso [tratar o governo como neoliberal] é uma caricatura. Mas a caricatura guarda alguma relação com a realidade", afirma Lara Resende.

"Os dois [Malan e Serra] mencionavam a Maria Conceição [nas reuniões]. Notei que ela era realmente muito influente", afirma FHC.

"Em algumas coisas, ela poderia ter alguma razão, mas, de qualquer maneira, o que nós fizemos era o que nós podíamos fazer. Naquele momento, era o que se aconselhava fazer, era o possível. E o resultado está aí, o Brasil cresceu."

O ex-presidente, em seus diários, afirma que a professora o tratou de "modo desabrido" durante a campanha eleitoral. Conta que, em jantar no qual Celso Furtado também estava presente, a tratou friamente, queixando-se de que ela não foi "nem desleal, foi atrevida, não tem o direito de dizer o que disse durante a campanha, uma mulher que me conhece a vida toda".

Questionado, FHC diz não se lembrar a que se referia. "Eu não me lembro, mas provavelmente porque apoiou algum adversário meu", afirma. "Eu não me lembro de ter rompido [com ela], muito menos de ter reatado [risos]. Não sou uma pessoa de guardar rancores."

LULA LÁ

Conceição celebrou muito a vitória de Lula em 2002. Afirmou, no início, que o governo tinha pouco "raio de manobra", em razão do endividamento do Estado e das altas taxas de juros. A "pax", todavia, durou pouco.

Em abril de 2003, em entrevista à Folhasoltou o verbo contra a opção do PT por políticas focalizadas na área social —ou seja, políticas que atingem determinados grupos—, em detrimento de programas universais.

"Tive de ouvir o dr. Delfim Netto defender a Constituinte de 1988, onde estão consagrados os direitos universais nas três áreas: saúde, assistência social e Previdência Social. Isso vinha sendo construído como políticas universais desde o tempo da ditadura; logo, não é um problema de ser conservador. É um problema de ser pateta ou de má-fé."

Suas críticas, porém, foram escasseando ao longo do governo Lula. Chegou aos 80 anos, em 2010, otimista, apesar do alerta feito um ano antes, no evento da Unicamp. "Espero não me equivocar, mas, se me equivocar, não estarei viva para ver."

Na eleição que opôs seus dois ex-alunos, Dilma e Serra, declarou apoio à primeira, que saiu vitoriosa. Ambos foram procurados pela reportagem em mais de uma ocasião, mas, mesmo manifestando interesse, não deram retorno.

EPÍLOGO

Em 2019, o Brasil parecia ter cumprido o vaticínio de Conceição de dez anos atrás: o país, que antes decolava na capa da revista The Economist e crescia com distribuição de renda em um mundo em recessão e aumento da desigualdade, acabava de entrar para a lista das democracias liberais em crise com o início do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Uma união de militares, extrema direita e milicianos fez boa parte do Brasil achar feio o que era espelho.
Um pouco antes disso a participação de Conceição no debate público já começava a rarear, embora tenha se manifestado contra o impeachment de Dilma e a prisão de Lula.

Em 2019, ainda vivendo no bairro do Cosme Velho, no Rio, lançou sua última obra, "Maria da Conceição: Vida, Ideias, Teorias e Política", um compilado de ensaios.

No final de 2021, após uma fratura, Conceição mudou-se para Nova Friburgo (RJ). Aos 92 anos, ocupa seus dias com visitas de amigas economistas, do casal de filhos e de familiares, e telefonemas de Belluzzo. Desde a queda, sumiram com seu cigarro. Após 70 anos de vício, ela deixou de fumar. Por motivos de saúde, não pôde dar entrevista para esta reportagem.

Em uma das visitas, Conceição foi informada de que volta e meia se tornava um dos assuntos mais comentados na internet, por causa de trechos de suas aulas na Unicamp e da entrevista do Roda Viva veiculados no YouTube e em redes sociais.

Sua fala enérgica e sem pudores inspirou diversos memes, que tiveram o efeito imprevisto de formar uma nova geração de admiradores de sua obra. Antes da internet, no começo dos anos 1990, ela já havia inspirado uma personagem da "Escolinha do Professor Raimundo" (Globo), dona Maria da Recessão Colares, fumante, com sotaque português, que esbravejava sobre a economia do país.

Conceição, que nem sequer tem celular, divertiu-se ao saber que sua lição nas salas de aula, como o exemplo a seguir, ainda sobrevive.

"Nós não somos da elite dominante desse país. A não ser que vocês tenham alguma pretensão a ser. Eu não tenho. Então não é chá e simpatia. Isso é um curso rebelde! Nós perdemos! Nós somos derrotados! Se vocês não fossem derrotados, não vinham para esta universidade [Unicamp], iam pra USP, pra PUC [Rio]. Ou pra Harvard. Estamos lutando pela hegemonia? Imagine! Estamos lutando apenas pra não ficar malucos. Para não dizer besteira demais."

*Jornalista e mestrando em ciência política pela UFF (Universidade Federal Fluminense)

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Comentário Mauricio David:

Muitos me contactaram querendo saber sobre o velório da nossa amada Conceição. A família decidiu que a cremação da Ceiça será uma cerimônia privada, fechada e reduzida apenas aos familiares. Melhor assim, mas ainda acho que ela merecia um funeral como o do também muito querido Darcy Ribeiro, que teve o seu corpo conduzido da Academia Brasileira de Letras até o Cemitério de São João Batista, em Botafogo, levado o caixão por um carro do Corpo de Bombeiros seguido a pé por uma multidão imensa. Não sei não, acho que a Conceição merecia um funeral assim. Por que não no antigo Salão da Reitoria da antiga Universidade do Brasil (UB), hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde a Conceição fez seu curso de Economia, foi assistente do seu antigo professor Octávio Gouveia de Bulhões e ajudou a criar (e foi depois Professora Titular e Emérita) o Instituto de Economia, e a seguir conduzida para a cremação acompanhada por sua legião de amigos e admiradores ? Família tem cada coisa...

MD

P.S.1 :  A Conceição era impagável (em todos os sentidos do termo “impagável”...). Jamais, em seus 94 anos de vida, prestou-se a “vender” as suas idéias e pensamentos... Considero que uma das coisas mais valiosas de Ceiça foi ter dito certa vez : “ "Nós não somos da elite dominante desse país. A não ser que vocês tenham alguma pretensão a ser. Eu não tenho. Então não é chá e simpatia. Isso é um curso rebelde! Nós perdemos! Nós somos derrotados! Se vocês não fossem derrotados, não vinham para esta universidade [Unicamp], iam pra USP, pra PUC [Rio]. Ou pra Harvard. Estamos lutando pela hegemonia? Imagine! Estamos lutando apenas pra não ficar malucos. Para não dizer besteira demais."

Ora, dizer “Nós perdemos ! Nós somos derrotados !” é a coisa mais fenomenal que já ouvi um(a) economista dizer. Só ouvi algo semelhante com o Darcy Ribeiro dizendo na Sorbonne, em Paris, quando recebeu o título de “Doutor Honoris Causa”, algo assim (estou dizendo de memória) “Perdemos, fomos derrotados, mas eu não gostaria de ter estado do lado dos que venceram !” (Castelo Branco, Costa e Silva, Garrastazú e Geisel, no Brasil, Pinochet, no Chile, Videla e cia, na Argentina...MD). 

OK, Ceiça ! Divirjo radicalmente desta sua auto-avaliação tão negativa. Ao final das contas, você venceu ! Você é o nosso El Cid Campeador, que depois de morta vencerá todos os seus adversários... Você, a nossa Cid Campeadora, no final das contas venceu, vence e vencerá...

P.S.2 : Que asco me provoca em ver toda esta gente que tanto maltratou a Conceição agora querer faturar a amizade da nossa pura donzela portuguesa que se apaixonou pelo Brasil...

(1) Por que insistem tanto em dizer que a Dilma e o Serra “foram alunos” da Conceição... Quando ? Onde ?

E o Mercadante, dizendo que a Conceição foi alta funcionária do BNDES... Menos,Aloizio, menos... Dá uma olhada na folha funcional do BNDES... Alta funcionária, quando ? Elogiar está bem, mas mentir exageradamente é indevido...

(2) E o Lula e a Dilma, tão oportunistas, esparramando fotos dela com eles e se derramando em elogios... A Conceição era unanimemente reconhecida como a maior ( e supostamente a mais influente) economista do PT. Lula governou por dois períodos e agora reina pelo terceiro. A Dilma por um período e meio. Em total, estiveram mais de 14 anos no Poder. Quantas vezes chamaram a Conceição (deputada do PT entre 1995 e 1998) para tomar sequer uma cafezinho no Palácio do Planalto ou do Alvorada ? Sequer foi cogitada para algúm cargo ou posto nos 4 governos petistas. Quando voltei do meu doutorado, em Paris, e fui trabalhar com o Bresser em Brasília, certo dia a Conceição me convidou para tomar o café da manhã com ela no hotel em que residia em Brasília (já não me lembro bem, mas creio que ela ficava no Kubistchek Plaza...). Era 1995 ou 1996, Conceição estava no primeiro ou segundo ano do seu mandato. Ali, na conversa na intimidade, pude ver a sua relativa mágoa com o ostracismo que lhe impunham, os supostos amigos petistas... Certo que a Conceição esculhambava a tudo e a todos, o Palocci, por exemplo, sofreu horrores nas suas mãos. O Fernando Henrique, então, não se fala... O Delfim Netto – que foi sempre tão bombardeado por ela, nas suas aulas e entrevistasse artigos de jornal – sempre dizia que se divertia muito, junto com o Roberto Campos (os dois czares da Economia nos governos militares...) com o bombardeio dela ao Fernando Henrique nos seus dois períodos de governo. Conceição desistiu de renovar o seu mandato de deputada, alegando um incômodo nas costas que lhe impunha grande sacrifício em viajar de aviões ou em ficar longas horas debatendo no plenário e nas comissões da Câmara de Deputados. Elegante como era ela no fundo, estou certo de que ela ocultou sempre o verdadeiro motivo : o ostracismo que lhe impuseram os seus “companheiros” do PT... A derradeira humilhação foi quando ela tentou falar com a Dilma, várias vezes, quando a “ex-aluna” (até nisso tentaram faturar o prestígio militante da velha guerreira...) se elegeu em 2010 ou se reelegeu em 2014). Lembro-me que, estando no exterior, li em jornais brasileiros que ela chegou a “suplicar” com o Emir Sader (prócer petista também posto para escanteio...) que conseguisse que ela fosse recebida pela Dilma... Em vão, como podem adivinhar... Cáspite ! Como é a natureza humana... Agora viraram todos ex-alunos, agora reconhecem todos os “companheiros” a sua genialidade e combatividade, agora tiram do fundo do baú velhas fotos com a velha guerreira para exibir pela imprensa afora... 

P.S.2 : Quero frisar que nunca fui aluno da Conceição, mas simplesmente seu amigo e admirador (sem ser seguidor fanático) por muitos anos... Gostava mais do seu jeito meio dramático e teatral, da sua militância, da sua “portas abertas” para todos, das suas lições de engajamento militante e de luta perseverante por tudo aquilo em que acreditava... Estas são as suas melhores lições deixadas para seus filhos Laura e Bruno, seus netos e bisneto, e para a sua legião de ex-alunos (os verdadeiros, não os inventados pela imprensa desinformada...) e admiradores. Espero que ela seja mesmo a nossa Cid Campeadora, que depois de morta possa continuar inspirando a todos que ficaram para atrás no penoso trajeto da vida...

MD

 

Mario Henrique Simonsen, um dos pais do Plano Real - Coriolano Gatto (Brazil Journal); comentário Maurício David

 BRAZIL JOURNAL

Simonsen, um precursor discreto do Plano Real 

Coriolano Gatto


Brasil Journal, 9 de junho de 2024 


Às vésperas de completar 30 anos, o Plano Real foi defendido logo no nascedouro por um dos maiores economistas brasileiros que, ainda nos anos 70, já demonstrava preocupação com a inflação crescente e a indexação da economia.

Mais ainda: uma década antes do Real, Mario Henrique Simonsen já apoiava a tese de desindexação de Persio Arida e André Lara Resende, que era o pilar central do plano.

Matemático refinado, arquiteto de grandes projetos, engenheiro, economista e professor por vocação, Simonsen foi o primeiro expoente do governo militar a mencionar o processo de realimentação da inflação, causado pela indexação introduzida pelo próprio regime em 1964. 

“Apesar da ortodoxia, o Simonsen pensava na formação keynesiana dentro da equação de preços: demanda, choques autônomos e a realimentação. Eu comecei a pensar na teoria inercial da inflação com ele,” me disse o economista Francisco Lopes em seu apartamento em Copacabana. “O Roberto Campos dizia que o Simonsen nunca foi um liberal ou um monetarista como ele e o Eugênio Gudin, e era mais um keynesiano, modestamente intervencionista.” 

Lopes conheceu Simonsen na adolescência. Aos 19 anos, levou seu pai – Lucas Lopes, um dos grandes artífices do desenvolvimento no governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) – e o próprio Simonsen até a estação de trem, no Rio, dirigindo o carro de sua mãe. Eles iam para São Paulo por conta da Consultec, a primeira empresa de projetos do Brasil, da qual fazia parte também Roberto Campos. 

Mais tarde, Lopes seria estagiário da Consultec e teria um grande convívio na academia com Simonsen, que fundou em 1965 a pós-graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, a tradicional FGV EPGE, a primeira do Brasil – antecedida, quatro anos antes, pelo Centro de Aperfeiçoamento de Economistas. 

À época, Simonsen tinha 30 anos. Ele deu uma contribuição decisiva para a redação do PAEG – o Plano de Ação Econômica do Governo, criado por Roberto Campos, então ministro do Planejamento do primeiro governo militar. Mais tarde, Simonsen foi ministro da Fazenda de Geisel (1974-1978) e por seis meses ministro do Planejamento de Figueiredo (1979-1985). 

Em um artigo publicado em novembro de 1984 pela revista Conjuntura Econômica, Simonsen propôs criar a UMB, a Unidade Monetária Brasileira. 

Em seu estilo criativo e muitas vezes ferino, Simonsen resumiu ali a ideia de combater a inflação por meio heterodoxo, em vez de insistir nos choques monetários defendidos por Octavio Gouvêa de Bulhões, o ministro da Fazenda de Castello Branco (1964-1967), que se baseava na teoria quantitativa da moeda. 

“A ideia central do projeto, a da desindexação pela própria indexação da moeda, parece mais pertinente a um libreto de ópera wagneriana do que a uma proposta de teoria econômica,” Simonsen escreveu no artigo acadêmico. “Sem dúvida, a ideia da criação da UMB deve ser objeto de muita discussão e meditação.” 

Nos parágrafos seguintes, Simonsen dá seu aval à proposta em gestação pelos economistas André Lara Resende e Persio Arida. Ainda corria o ano de 1984 – dez anos antes do Real.

Simonsen sabia que o processo de desindexação – em contraponto ao arrocho monetário que causaria uma recessão elevada e o aumento exponencial da taxa de desemprego – era anátema à ordem econômica vigente, que insistia em um gradualismo para frear a inflação. Mas aquele modelo já havia fracassado nos anos 80 e levou o país à beira da hiperinflação, desorganizando o processo produtivo. 

“Pelos padrões internacionais, o passo errado é o do sistema brasileiro, que gerou formidável inflação inercial, e que a política monetária combate com eficiência igual à dos soldados americanos na guerra do Vietnã. O Brasil precisa acertar o passo, e a ideia da UMB talvez forneça o mapa da mina,” Simonsen escreveu na revista.

De fato, dez anos depois seria criada a URV (Unidade Real de Valor), definida de forma precisa pelo advogado José Luiz Bulhões Pedreira (1925-2006): “moeda de curso legal sem poder liberatório.” 

Eram sete palavras mágicas que descreviam o DNA da URV, que foi convertida para o real em 1º de julho de 1994, finalmente quebrando a inércia da inflação brasileira.

“A inflação não volta,” Simonsen proclamou no início de fevereiro de 1996 durante um longo depoimento ao Jornal do Brasil. “Tradicionalmente, o Brasil achava que o político desejava inflação. A eleição de Fernando Henrique deixou claro o seguinte: ele foi um político que não quis a inflação, fez o Plano Real e virou presidente”.

No livro Conversas com Economistas Brasileiros (Editora 34, 1995), Simonsen dizia estar convencido desde o Governo Geisel de que uma terapia apenas ortodoxa, inspirada pelo FMI, não liquidaria a inflação. 

Por ocasião da preparação do Plano Real, ainda em 1993, foi figura de destaque nos debates que precederam e sucederam o programa de estabilização. Era próximo da equipe de economistas da PUC-Rio, a quem chamava, carinhosamente, de “EPGE do B”.

O economista Daniel Valente Dantas, considerado o melhor aluno de Simonsen na EPGE, ressalta a pluralidade no pensamento do seu mestre, que quebrou dogmas e rompeu com o padrão clássico da economia.

“O mais importante dos seus ensinamentos era tratar a economia como ciência. Ensinou a observar, a medir e a não deixar as preferências, as conveniências, ideologias ou crenças ocuparem o espaço da observação. Não confundir conhecimento com crença, axiomas com dogmas; contudo, ao mesmo tempo, era implacável e rigoroso na única evangelização que suas aulas continham, que eram os limites do conhecimento.”

Coriolano Gatto é jornalista

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Comentário de Mauricio David:  

Sou de uma geração que pouco pode pode conviver com o Simonsen, porque tive (tivemos) a vida meio cortada por longos anos de exílio. Mas sempre tive um olhar à distância para o Mário (como o chamavam pelo prenome figuras mais velhas e mais jovens da minha geração, como a Conceição e José Alexandre Scheinkman, ambos produtos de uma Faculdade Nacional de Ciências Econômicas que, para o bem ou para o mal, era o que tínhamos no Brasil...). Quando voltei do exílio, em 1979, fui a um Seminário na EPGE, da Fundação Getúlio Vargas, creio que a meados de 1980 com o meu amigo e ex-colega José Alexandre, para assistir a uma palestra do Simonsen. Uma conferencia brilhante, como acontecia quando o Simonsen discorria sobre economia (ou sobre óperas e sobre o jogo de xadrez, pois era apaixonado por ambas). Nesta conferencia o Simonsen falou do porque a inflação havia “sky-rocketed” no Brasil e no mundo. Correu um frisson entre os jornalistas que cobriam o evento, todos saíram correndo para reproduzir parte da conferencia do Mário Henrique, em especial a expressão “sky-rocket” por ele utilizada.  Eu mesmo, chegando da Suécia, nunca tinha ouvido falar daquela expressão (propulsar, subir como um foguete, apurei depois). O Simonsen era assim... Eu também tinha um ex-colega do Pedro II que foi campeão brasileiro de xadrez (e o Simonsen, como já mencionei, era apaixonado por xadrez) que era amigo do Simonsen. Pois hoje compreendo em parte porque o Geisel tanto se afeiçoou a êle (foram até morar em casas próximas, em Teresópolis, quando saíram do governo).  Até hoje me lembro de duas fotos do Simonsen que vi em algum momento da vida : uma dele tomando banho de mar em Ipanema, quando saiu do governo e voltou de Brasília para o Rio, e outra dele que foi capa da revista VEJA, com êle completamente careca, fazendo quimioterapia, às vésperas de morrer aos 62 anos !!! 62 anos, tão ingrata a vida quando leva luminárias como o Simonsen numa idade em que a maioria ainda nem começou a curtir uma aposentadoria... O Simonsen era um liberal, liberal das antigas... Fundou a EPGE na FGV, a primeira pós-graduação de economia do Brasil. Quando saiu da EPGE para assumir as pastas da Fazenda (com o Geisel) e do Planejamento (no começo do governo Figueiredo), comenta-se que a escola caiu muito... Também se comenta a boca pequena que ele procurou o Geisel, quando a Conceição esteve presa por 48 horas nos porões da repressão, e pediu pela Conceição. Já outros dizem que foi o Veloso (talvez tenham sido os dois, nunca se saberá ao certo). Dois liberais – Simonsen e Veloso – que talvez tenham salvo a vida da nossa valente guerreira (no bom sentido da palavra, porque a Conceição nunca se meteu em aventuras guerrilheiras que seduziram a muita gente, como a Dilma e etc, no período. Era uma revolucionária da linha pacífica, incapaz de matar uma mosca...Mas o fato que o Geisel atendeu ao pedido dos dois e mandou liberar a Ceiça...

O Simonsen fumava como um tresloucado. E isto talvez o tenha levado ao câncer que o matou precocemente (se tivesse vivido 32 anos mais, teria completado o mesmo ciclo vital que a Conceição). O que teria passado então se a vida lhe tivesse proporcionado mais estes 32 anos, com a mente em seu apogeu ? Por ironia, me lembro de ter lido ou ouvido que o Simonsen, ao deixar o governo, teria assumido cadeiras nos Conselhos de Administração do City Bank e da British America Tobacco, ambas cotadas na Bolsa de Nova York. Cadeiras em conselhos de grandes bancos em geral não matam seus ocupantes cedo, já as de companhias de cigarro... são fulminantes (lembro que o Simonsen, assim como a Conceição, era fumantes inveterados, acendendo um cigarro atrás do outro. Um morreu com 62, a outra com 94. O cigarro mata ?

MD

P.S.: Uma anedota divertida : quando o general Costa e Silva foi “eleito” pelo sistema militar para suceder ao general Castelo Branco na Presidência da República, o Brasil foi tomado por centenas e centenas de piadinhas sobre a proverbial burrice do sucessor do Castelo Branco. O Costa e Silva, para amenizar talvez as piadas que o colocavam na berlinda, resolveu convidar o Simonsen para lhe dar umas aulas de economia. (É verdade sim, basta consultar os jornais da época...). Imaginem que o Simonsen tinha 30 anos na época ! Podem crer: 30 anos ! Todos achavam que o Costa e Silva ia nomear seu “professor de economia” para Ministro. Me imagino que o Simonsen tenha perdido a paciência com o general e em algum momento o chamado de “burro”, porque de fato o Simonsen chamou o Hélio Beltrão para ministro do Planejamento e o Delfim para a Fazenda. Estupor generalizado ! Eu tinha um amigo e professor aqui no Rio, vindo da UnB onde havia entrado na lista negra que me dizia : “Este tal de Simonsen deve ser muito incompetente, Mauricio... Ter dado aulas de economia para o Costa e Silva e não ser chamado para ministro...”. Mas acho que o incompetente era o Costa e Silva mesmo... Se bem que o Brizola me contou, em Montevidéu, onde eu e a Beatriz fomos visita-lo na nossa viagem para o Chile, quando eu, jovem estudante repeti o deboche que os estudantes do Rio tinham com relação ao general : “não creia nisto, em 1961, quando uma ligação telefônica caiu por engano no aparelho do então governador do Rio Grande, do outro lado da linha estava o general... Pude sentir na ocasião, disse-me o Brizola, a voz de autoridade e comando do outro lado da linha... Não era tão burro assim o general, agora promovido a marechal...”. Se bem que continuo achando, tantos anos depois, que o velho marechal era uma besta quadrada mesmo...

MD


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