sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Memória Diplomática – Paulo Roberto de Almeida

Memória Diplomática:
Depoimento Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 19 de setembro de 2025
Pequeno roteiro cronológico ressaltando principais etapas da carreira diplomática, com vistas a entrevista gravada com organizadores do Museu da Pessoa, em projeto encomendado pela ADB, em 3/10/2025.

1) 1977: Ingresso na carreira: origem social; autoexílio na ditadura (1970); estudos na Bélgica: graduação, mestrado e início do doutoramento; decisão de voltar ao Brasil; projeto de carreira acadêmica; concurso em plena tentativa de golpe de Frota; teste para possível fichamento SNI: concurso Itamaraty; fichamento ocorreu logo em seguida: descoberta mais tarde (Arquivo Nacional de Brasília: diretório SNI).

2) 1979-1985: casamento; primeiros postos no exterior: Berna e Belgrado: término do doutoramento; viagens pelo socialismo; revisão das concepções políticas e sobre a economia; alguns escritos ainda sob outros nomes: brasileiros na guerra civil espanhola.

3) 1985-1987: trabalho na SERE: professor na UnB e no IRBr: sociologia política; inflação e planos econômicos frustrados; primeiro escritos sobre partidos políticos e política externa, parlamento; convocação da Constituinte: trabalhos sobre Diplomacia/Constituição.

4) 1987-1990: Convite para Washington de Marcílio Marques Moreira (Paulo Tarso); remoção para Genebra, Desarmamento e Delegação Econômica: Paulo Nogueira Batista e Rubens Ricupero: Rodada Uruguai; Unctad; Ompi; estudos de economia e comércio internacional; primeira tentativa de fazer um trabalho sobre a formulação da política econômica externa.

5) 1990-1992: Montevidéu-ALADI; Sensação de grande potência no pequeno Uruguai, ainda muito atrasado; estudo sério da integração: Alalc-Aladi-Mercosul; governo Collor: primeira tentativa de modernização econômica no Brasil; revisão de grandes conceitos da diplomacia terceiro-mundista; algumas incursões acadêmicas; Livro: Mercosul: Textos Básicos (Brasília: IPRI-Fundação Alexandre de Gusmão, 1992, Coleção Integração Regional nº 1; esgotado).

6) 1992-1993: Breve estada em Brasília: primeiro livro sobre a integração e o Mercosul (1993); intensas atividades acadêmicas em diversas instituições do Brasil; muitas viagens para explicar a integração e divulgar seus principais aspectos; Livro: O Mercosul no contexto regional e internacional (São Paulo: Edições Aduaneiras, 1993, 204 p.; ISBN: 85-7129-098-9; Estante Virtual; Academia.edu).

7) 1993-1995: Paris: setor econômico da embaixada, Clube de Paris, OCDE; vida universitária; aprofundamento na História; colaboração com a professor Katia Mattoso; livrinho de história do Brasil; viagens pela Europa;

8) 1995-1999: SERE: chefia da DPF, acordos de investimentos; diplomacia bastante casada à política externa; tese sobre Brasil e OCDE rejeitada em 1996; tese sobre a Formação da diplomacia econômica no Brasil (os mortos não reclamam); Livros: José Manoel Cardoso de Oliveira: Actos Diplomaticos do Brasil: tratados do periodo colonial e varios documentos desde 1492 (edição fac-similar, publicada na coleção “Memória Brasileira” do Senado Federal; Brasília: Senado Federal, 1997; 2 volumes; Volume I: 1493 a 1870; Volume II: 1871 a 1912; Academia.edu); Relações internacionais e política externa do Brasil: dos descobrimentos à globalização (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1998, 360 p.; ISBN: 85-7025-455-5; esgotado; Amazon.com); Carlos Delgado de Carvalho: História Diplomática do Brasil (edição fac-similar: Brasília: Senado Federal, 1998; Coleção Memória brasileira n. 13; 420 p.; Academia.edu); Mercosul: Fundamentos e Perspectivas (São Paulo: Editora LTr, 1998, 160 p.; ISBN: 85-7322-548-3; esgotado; Academia.edu); O Brasil e o multilateralismo econômico (Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, na coleção “Direito e Comércio Internacional”, 1999, 328 p.; ISBN: 85-7348-093-9; Estante Virtual); Velhos e novos manifestos: o socialismo na era da globalização (São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999, 96 p.; ISBN: 85-7441-022-5; esgotado; Academia.edu); Mercosul, Nafta e Alca: a dimensão social (São Paulo: LTr, 1999, com Yves Chaloult); O estudo das relações internacionais do Brasil (São Paulo: Editora da Universidade São Marcos, 1999, 300 p.; ISBN: 85-86022-23-3; Estante Virtual; Academia.edu).

9) 1999-2003: ministro-conselheiro em Washington; trabalho com brasilianistas; ataques terroristas em NY e W.DC; eleição de Lula; invasão do Iraque; convite para dirigir mestrado do IRBr; diversos livros publicados, inclusive A Grande Mudança (ascensão do PT). Livros: Une histoire du Brésil: pour comprendre le Brésil contemporain (avec Katia de Queiroz Mattoso; Paris: Editions L’Harmattan, 2002, 142 p.; ISBN: 978-2747514538; Amazon.com.br) ; Os primeiros anos do século XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporâneas (São Paulo: Editora Paz e Terra, 2002, 286 p.; ISBN: 85-219-0435-5’esgotado; Estante Virtual; Academia.edu); Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (São Paulo: Editora Senac, 2001, 680 pp., ISBN: 85-7359-210-9; 3ª. edição, 2017, dois vols.: ISBN: 978-85-7631-675-6; 1º volume; 2º volume); Le Mercosud: un marché commun pour l’Amérique du Sud (Paris: L’Harmattan, 2000, 160 p.; ISBN: 2-7384-9350-5); O Brasil dos Brasilianistas: um guia dos estudos sobre o Brasil nos Estados Unidos, 1945-2000 (ed. Com Marshall C. Eakin; Rubens Antônio Barbosa; São Paulo: Paz e Terra, 2002; ISBN: 85-219-0441-X; Academia.edu).

10) 2003-2006: convite vetado; temas candentes: Alca, política econômica e escolhas diplomáticas do lulopetismo; trabalho no Núcleo de Assuntos Estratégicos, fora do Itamaraty, mas na PR; ministro Gushiken; saída com Mangabeira; retorno ao MRE, mas sem qualquer oportunidade de trabalho na SERE; professor no Ceub, até 2021. Livros: A Grande Mudança: consequências econômicas da transição política no Brasil (São Paulo: Editora Códex, 2003, 200 p.; ISBN: 85-7594-005-8; esgotado; Estante Virtual); Envisioning Brazil: A Guide to Brazilian Studies in the United States, 1945-2003 (with Marshall C. Eakin; Madison: Wisconsin University Press, 2005, 536 p.; ISBN: 0-299-20770-6; Amazon); Relações Brasil-Estados Unidos: assimetrias e convergências (com Rubens Antonio Barbosa; São Paulo: Saraiva, 2005, 328 p.; ISBN: 978-85-02-05385-4); Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (2ª edição; São Paulo: Editora Senac, 2005, 680 pp., ISBN: 85-7359-210-9; 3ª. edição, 2017, dois vols.: ISBN: 978-85-7631-675-6; 1º volume; 2º volume); Relações internacionais e política externa do Brasil: história e sociologia da diplomacia brasileira (2ª ed.: revista, ampliada e atualizada; Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, 440 p.; coleção Relações internacionais e integração n. 1; ISBN: 85-7025-738-4; esgotado; Amazon.com.br).

11) 2006-2010: ostracismo e refúgio na Biblioteca do Itamaraty; reflexões sobre a diplomacia brasileira e as escolhas do lulopetismo diplomático; intensa atividade acadêmica; viagens pelo Brasil nas universidades. Livros: O Estudo das Relações internacionais do Brasil: um diálogo entre a diplomacia e a academia (Brasília: LGE Editora, 2006, 385 p.; ISBN: 85-7238-271-2; Amazon.com.br; Academia.edu); O Moderno Príncipe: Maquiavel revisitado (Rio de Janeiro: Freitas Bastos, edição eletrônica, 2009, 191 p.; ISBN: 978-85-99960-99-8; esgotado; ASIN: B00F2AC146); Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização (Rio de Janeiro: Lumen Juris Editora, 2010, xx+272 p.; ISBN: 978-85-375-0875-6; Amazon.com.br); Guia dos Arquivos Americanos sobre o Brasil: coleções documentais sobre o Brasil nos Estados Unidos (com Rubens Antônio Barbosa e Francisco Rogido Fins; Brasília: Funag, 2010, 244 p.; ISBN: 978-85-7631-274-1; Academia.edu); O Moderno Príncipe (Maquiavel revisitado) (Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2010, 195 p.; ISBN: 978-85-7018-343-9; esgotado; ver ASIN: B00F2AC146).

12) 2010: curta estada na China; pavilhão brasileira na Exposição Universal de Xangai; viagens pela China, Macau, Hong Kong, Japão.

13) 2012: licença-prêmio, convite como professor no IHEAL-Sorbonne: 6 meses em Paris e viagens pela Europa; Livro: Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (Rio de Janeiro: LTC, 2012, 328 p.; ISBN: 978-85-216-2001-3; esgotado; não disponível na Amazon; Estante Virtual).

14) 2013-2015: último posto no exterior: consulado geral em Hartford, CT; intenso trabalho acadêmico: livro sobre o lulopetismo diplomático: Nunca Antes na Diplomacia (2014); viagens pela América do Norte; a maior crise da história econômica do Brasil: 2014-15. Livros: O Príncipe, revisitado: Maquiavel para os contemporâneos (Hartford: Edição de Autor, 2013, 187 p.; 658 KB; Edição Kindle, ASIN: B00F2AC146); Integração Regional: uma introdução (São Paulo: Saraiva, 2013, 192 p.; ISBN: 978-85-02-19963-7; Amazon.com.br); Volta ao Mundo em 25 Ensaios: Relações Internacionais e Economia Mundial (Brasília: 1ª edição: 2014; 2ª. edição: 2018; Kindle edition; 809 KB; ASIN: B00P9XAJA4); Rompendo Fronteiras: a Academia pensa a Diplomacia (Kindle, 2014, 414 p.; 1324 KB; ASIN: B00P8JHT8Y); Codex Diplomaticus Brasiliensis: livros de diplomatas brasileiros (Kindle, 2014, 326 p.; ASIN: B00P6261X2; Academia.edu; ).
Polindo a Prata da Casa: mini-resenhas de livros de diplomatas (Kindle edition, 2014, 151 p., 484 KB; ASIN: B00OL05KYG); Prata da Casa: os livros dos diplomatas (Hartford: edição para a Funag, 2013, 667 p; não publicada; disponível em Research Gate; 2ª. edição de Autor; 16/07/2014, 663 p.; Academia.edu; Research Gate); Nunca Antes na Diplomacia...: A política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Editora Appris, 2014, 289 p.; ISBN: 978-85-8192-429-8; Academia.com.br); The Drama of Brazilian Politics: From 1814 to 2015 (with Ted Goertzel; 2015, 278 p.; Edição Kindle, ASIN: B00NZBPX8A; ISBN: 978-1-4951-2981-0; Amazon); Révolutions bourgeoises et modernisation capitaliste : Démocratie et autoritarisme au Brésil (Sarrebruck: Éditions Universitaires Européennes, 2015, 496 p.; ISBN: 978-3-8416-7391-6 ; Inroduction : Academia.edu; livre complet : Amazon.com); Die brasilianische Diplomatie aus historischer Sicht: Essays über die Auslandsbeziehungen und Außenpolitik Brasiliens (Saarbrücken: Akademiker Verlag, 2015, 204 p.; Übersetzung aus dem Portugiesischen ins Deutsche: Ulrich Dressel; ISBN: 978-3-639-86648-3; Amazon.com; Amazon.com.br); O Panorama visto em Mundorama: Ensaios Irreverentes e Não Autorizados (Hartford: 2a. edição do autor, 2015, 294 p.; DOI: 10.13140/RG.2.1.4406.7682; nova edição, ampliada dos artigos até o final de 2015, em 4/12/2015, em 374 p.; Research Gate; edição original: Academia.edu); Paralelos com o Meridiano 47: Ensaios Longitudinais e de Ampla Latitude (Hartford: Edição do Autor, 2015; 543 p.; 1908 KB; DOI: 10.13140/RG.2.1.1916.4006; Academia.edu; ASIN: B082Z756JH; Research Gate).

15) 2016: Impeachment de Dilma Rousseff; finalmente o retorno a um trabalho na SERE; Livro: Carlos Delgado de Carvalho: História Diplomática do Brasil (Brasília: Senado Federal, 2016, 504 p.; ISBN: 978-85-7018-696-6; Academia.edu).

17) 2016-2018: diretor do IPRI: intensa produção de livros e palestras, viagens pelo Brasil e no exterior (Portugal: Estoril Political Forum); relatório de atividades: dezembro 2018. Livros: Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro, Sérgio Eduardo Moreira Lima; Paulo Roberto de Almeida; Rogério de Souza Farias (orgs.); Brasília: Funag, 2017; 2 vols.; vol. 1, 568 p.; ISBN: 978-85-7631-696-1; vol. 2, 356 p.; ISBN: 978-85-7631-697-8); O homem que pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Appris, 2017, 373 p.; ISBN: 978-8547304850; Diplomatizzando; Amazon.com.br); Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (3ª edição; Brasília: Funag, 2017; 2 vols.; 964 p.; ISBN: 978-85-7631-675-6; 1º volume; 2º volume); A Constituição contra o Brasil: ensaios de Roberto Campos sobre a Constituinte e a Constituição de 1988 (São Paulo: LVM, 2018, 448 p.; ISBN: 978-8593751394; Amazon).

18) 2019-2021: novo ostracismo sob o bolsonarismo diplomático: livros sobre as aberrações da diplomacia bolsolavista; pandemia e os horrores do negacionismo vacinal. Livros: Contra a corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil (2014-2018) (Curitiba: Appris, 2019, 247 p.; ISBN: 978-85-473-2798-9; Amazon.com.br); Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (Brasília: Edição do autor, 2019, 184 p., ISBN: 978-65-901103-0-5; Boa Vista: Editora da UFRR, Clube de Autores, 2019, 165 p., Coleção “Comunicação e Políticas Públicas vol. 42; ISBN livro impresso: 978-85-8288-201-6; ISBN livro eletrônico: 978-85-8288-202-3; Academia.edu; Amazon.com.br); Vivendo com livros: uma loucura gentil (Brasília: Edição de Autor, 2019, 344 p.; 557KB; ISBN: 978-65-00-06750-7; Kindle, ASIN: B0838DLFL2); Um contrarianista no limbo: artigos em Via Política, 2006-2009 (Brasília: Edição de Autor, 2019, 331 p; 2439 KB; Kindle, ASIN: B083611SC6; Academia.edu); Minhas colaborações a uma biblioteca eletrônica: contribuições a periódicos do sistema SciELO (Brasília: Edição de Autor, 2019, 525 p.; 920 KB; Kindle, ASIN: B08356YQ6S); Paralelos com o Meridiano 47: Ensaios Longitudinais e de Ampla Latitude (Brasília, Edição do Autor, 2019, 543 p.; 1908 KB; Kindle, ASIN: B082Z756JH); O panorama visto em Mundorama: ensaios irreverentes e não autorizados (Brasília: 2ª. edição do Autor, 2019, 655 p.; 5725 KB; Academia.edu; Kindle, ASIN: B082ZNHCCJ); Pontes para o mundo no Brasil: minhas interações com a RBPI (Brasília, Edição do Autor, 2019, 685 p.; 1693 KB; Kindle, ASIN: B08336ZRVS); Marxismo e socialismo no Brasil e no mundo: trajetória de duas parábolas na era contemporânea (Brasília: Edição do autor, 2019, 200 p.; ISBN: 978-65-00-05969-4; Kindle, ASIN: B082YRTKCH); 2ª edição: Brasília: Diplomatizzando, 2023, 214 p.; ASIN: B0CR31C5YG)

19) 2022: aposentadoria, continuidade do trabalho acadêmico; mais livros e dedicação aos netos e a meus próprios livros; Livros: A grande ilusão do Brics e o universo paralelo da diplomacia brasileira (Brasília: Diplomatizzando, 2022, 277 p.; 1377 KB; ISBN: 978-65-00-46587-7; ASIN: B0B3WC59F4); Construtores da Nação: projetos para o Brasil, de Cairu a Merquior (São Paulo: LVM Editora, 2022, 304 p.; ISBN: 978-65-5052-036-6; Amazon).

20) 2023-2025: organização da doação de minha biblioteca ao Itamaraty: “Coleção PRA” na Biblioteca do Itamaraty; vários projetos de livros e publicações mais recentes: Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (Ateliê de Humanidades) e Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação (Francisco Alves-Unifesp). Livros: O Brasil no contexto regional e mundial: artigos sobre nossa dimensão internacional (Brasília: Diplomatizzando, 2023, 216 p.; 1323 KB; ISBN: 978-65-00-89870-5; ASIN: B0CR1Z682R); Marxismo e socialismo: trajetória de duas parábolas na era contemporânea (2ª ed.; Brasília: Diplomatizzando, 2023, 307 p.; ISBN: 978-65-00-05969-4; ASIN: B0CR31C5YG; 1ª. edição: Marxismo e socialismo no Brasil e no mundo: trajetória de duas parábolas na era contemporânea (Brasília: Edição do autor, 2019, 283 p.; 844 KB; ISBN: 978-65-00-05969-4; Edição Kindle, ASIN: B082YRTKCH); Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação (Rio de Janeiro: Francisco Alves; São Paulo: Unifesp, 2025); Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (Rio de Janeiro: Ateliê de Humanidades, 2025).

Brasília, 19 setembro 2025, 6 p.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic - contribuição de Paulo Roberto de Almeida

 Um livro do qual participei com um artigo sobre o nascimento do pensamento geopolítico no Brasil do século XIX, analisando a contribuição de Varnhagen e seu Memorial Orgânico (1949-1851): 


Dear Contributors,

We are pleased to share an important update regarding the publication of The Palgrave Handbook on Geopolitics of Brazil and the South Atlantic. First and foremost, we extend our sincere gratitude for your valuable contributions and continued availability throughout this process.

Palgrave has confirmed its intention to publish the Handbook in November 2025. In order to meet this timeline, the final proof will be sent exclusively to the editors on 13 October 2025. (...)

Should any clarifications or urgent corrections be required, the editors may (or may not) contact you directly between 14 and 23 October. We kindly ask all contributors to check your email inboxes regularly during this period, just in case your input is needed.

Thank you once again for your dedication to this collective effort. We look forward to celebrating the publication with you soon.

Warm regards,
Editorial Team

https://link.springer.com/book/9789819511686


O que esperar da política externa nas Eleições de 2026? - Danilo Sorato Le Monde Diplomatique Brasil

BRASIL

O que esperar da política externa nas Eleições de 2026?

A disputa em 2026 colocará a frente dois tipos de projeto para as relações exteriores do país: um autônomo e outro dependente dos EUA

https://diplomatique.org.br/o-que-esperar-da-politica-externa-nas-eleicoes-de-2026/

 Desde a constituição de 1988, a política externa brasileira tem se comportado na busca do desenvolvimento aproveitando os fluxos da globalização [1]. Essa premissa se alinha ao imperativo categórico de tomar posições multilaterais em diversos organismos internacionais, tais como a ONU, OMC, etc. Em paralelo, houve uma definição da participação estratégica do país em torno da sua região mais próxima, a América do Sul. Esse objetivo se traduziu na integração econômica pela via do Mercosul e na integração político-militar na Unasul.  

No que toca a relação com os EUA, houve um intercâmbio de posições a depender do presidente de turno. Em alguns momentos, optou-se por uma parceria alinhada e dependente dos interesses americanos; em outros, buscou esforços para construir uma posição autônoma e independente dos interesses estadunidenses.  

Apesar de ainda não haver a definição de todos os nomes que tencionam o cargo de presidente da república, há indícios que nos levam a projetar possíveis projetos de política externa dos candidatos. Dentre os nomes indicados para o pleito eleitoral estão, Lula da Silva (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Jr. (PSD), Zema (Novo), Caiado (União Brasil). A pergunta central é o que esperar dos candidatos a presidente em relação a política externa nas Eleições de 2026?   

política externa
21.11.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Cúpula Virtual Extraordinária do BRICS.
Palácio da Alvorada. Brasília – DF
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula: da volta do protagonismo mundial a confirmação de país soberano 

Recentemente, Lula da Silva deixou claro que será candidato à reeleição em 2026, salvo se sua saúde não deixar. Isso aponta um cenário esperado e estável no que se refere a política externa. Com um projeto de autonomia frente aos EUA, o petista vai pretender confirmar que seu projeto de política externa 4.0 é baseado na afirmação da soberania brasileira e na autodeterminação dos povos.  

Em 2022, Lula prometeu recolocar o Brasil no cenário mundial. E bem, após quase 3 anos, é notável que o país retomou protagonismo internacional. Seja exercendo o papel de receptor de grandes eventos, tais como, G-20, BRICS+ e COP-30; seja no choque direto com a administração Donald Trump em relação ao tarifaço.  

A mídia internacional deixou de afirmar que o Brasil era um “pária internacional” para colocar destaque as ações que o país vem apresentando nas grandes agendas globais, bem como na tensão exercida com os EUA. Essa posição deverá ser reafirmada no projeto político para 2026. E os demais candidatos? Quais são as suas propostas de política externa? 

De Tarcísio a Caiado: EUA mais, EUA menos 

Ainda que não haja planos de governo dos candidatos mais à direita, a partir da análise dos discursos recentes é possível projetar quais serão as prioridades em seus projetos de relações internacionais do país. 

O candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem se expressado no sentido de assumir a herança de Jair Bolsonaro. Nesse sentido, além de assumir uma postura de aproximação com os EUA, ele vem criticando o governo que supostamente abandonou a tradição pragmática de se relacionar com todos os países 

Além disso, já fez gestos e elogios a política fiscal da Argentina, numa clara postura de imitar o recorte ministerial imposto por Javier Milei. Isso indica que Tarcísio deverá buscar uma aproximação com a Argentina, aproveitando-se do distanciamento político de Lula e Milei.   

Outro presidenciável é Ratinho Jr (PSD). Diferente de Tarcísio, ele não tem falado da política externa com tanta frequência. Mas tem deixado alguns indícios para o seu projeto político. Por exemplo, segundo ele a culpa do tarifaço americano é porque Lula falou em desdolarização. A fala em si já aponta que ele não deverá apostar no BRICS+, visto que o pagamento em outras moedas é uma proposta do grupo.  

Além disso, ao acenar com essa fala, ele reproduz a fala de Donald Trump para impor o tarifaço ao Brasil. Logo, deduz-se que Ratinho Jr. deverá alinhar-se aos EUA, inclusive reproduzindo frases do aliado americano.   

O candidato Zema (Novo) é outro presidenciável que tem apostado seus discursos em criticar a aproximação brasileira com os BRICS+. Com um discurso muito similar ao de Bolsonaro em 2018, Zema aponta que o Brasil não deve ficar no grupo porque supostamente se relacionaria com “ditaduras”. Percebe-se que o atual governador de Minas aposta na política de aproximação máxima com os EUA, e imitando Javier Milei vai retirar o Brasil de um bloco que compensa economicamente nossa balança comercial deficitária com os EUA. 

Por fim, Ronaldo Caiado (União Brasil), o único candidato a presidente que já enfrentou Lula anteriormente em 1989, tem apostado em um discurso antigo e recorrente para justificar a aproximação com os EUA em seu projeto político para 2026. Ele tem focado em utilizar a crítica da suposta política externa ideológica do PT, algo utilizado por diversos presidenciáveis ao longo da Nova República, de FHC a Bolsonaro.   

 

Muito discurso, pouca agenda de política externa 

Recentemente, Lula da Silva tem feito comparações de sua trajetória política com Getúlio Vargas. Há paralelos e há diferenças. Mas o que se percebe é que de todos os candidatos para a eleição de 2026, o petista é o mais experiente no quesito política externa assim como o “pai dos pobres”. Ao analisar os discursos da oposição, percebe-se um alinhamento em torno da figura dos EUA. Mas não há claridade nos diversos temas que compõe a agenda externa brasileira. 

Essa demonstração de fragilidade na agenda externa, vai na direção contrária ao que Lula já conhece e fez na política externa. Desde parcerias multilaterais a bilaterais, passando pela discussão de agendas de governança global, acordos de paz, meio ambiente, inovação, dentre outros. O próprio BRICS+ é uma criação da política externa 2.0 do petista em 2009, e nasceu da vontade de criar uma alternativa econômica aos EUA em nossa balança comercial.  

Se Getúlio foi visto como um exímio articulador das relações internacionais brasileiras no período entre 1930-1945, ao fazer um equilíbrio entre os EUA (potência econômica) e a Alemanha (potência ascendente), Lula busca esse mesmo equilíbrio entre EUA (potência) e a China (potência ascendente) após a crise de 2008.   

 

Danilo Sorato é professor de História e Relações Internacionais. Doutor em Estudos Estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Pesquisador do Laboratório de Política Externa Brasileira (LEPEB/UFF) e Pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos e do Planejamento Espacial Marinho (CEDEPEM/UFF/UFPel).  Escreveu diversos artigos acadêmicos e jornalísticos sobre as relações internacionais do Brasil, em especial os governos Temer, Bolsonaro e Lula.

A sociedade americana está profundamente doente - Paulo Roberto de Almeida

A sociedade americana está profundamente doente

Não apenas pelo armamentismo doentio, que ceifa vidas impunemente de maneira continua, com base numa falsa premissa constitucional, o direito de portar armas, estabelecido numa fase de construção de uma nação em ambiente supostamente hostil e perigoso para a salvaguarda da vida dos cidadãos.

Não apenas pelo vício exponencial do uso de drogas opiáceas, problema social, e nacional, que se pretende resolver pela restrição da oferta, não pela atuação corretiva na demanda, que se mantém persistentemente alta.

Não apenas pelo apoio irracional dado pelo partido fundado por Lincoln a um desequilibrado dirigente que degrada todas as instituições públicas da democracia concebida pelos pais fundadores para justamente se opor ao domínio de um rei celerado, e que também ameaça o mundo do alto da sua arrogância demencial.

Por uma combinação de tudo isso, numa maioria eleitoral que não conseguiu avançar na educação cidadã para corrigir as deformações apontadas, e que insiste em enveredar  pelo, e aprofundar o ritmo de seu próprio declínio como sociedade funcional.

Parece a maldição dos deuses do Olimpo, uma síntese de ilusões autoalimentadas.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 18/09/2025

A Câmara esbofeteia o Brasil (Editorial Estadão)

A Câmara esbofeteia o Brasil
Editorial Estadão, 18/09/2025

Ao aprovar a PEC da Blindagem, Câmara abre as portas do Congresso para o crime organizado.
Ao aprovar PEC da Blindagem, Câmara transforma mandatos em escudos de impunidade, violenta a Constituição, trai a representação popular e abre as portas do Congresso para o crime organizado

A Câmara escreveu uma das páginas mais vergonhosas de sua história ao aprovar, no dia 16 passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, a chamada PEC da Blindagem. Como se sabe, pretende-se tornar deputados e senadores praticamente inimputáveis ao impedir que sejam investigados, processados e até presos em flagrante por crime inafiançável sem que para tanto haja licença prévia de suas respectivas Casas Legislativas. Há poucos dias, o Estadão revelou que entre 1988 e 2001, período em que a licença prévia vigorou no País, só uma mísera vez o Congresso autorizou que um de seus membros fosse investigado pelos crimes de que foi acusado. O que reinou foi o espírito de corpo, quando não o compadrio.
Não satisfeitos em esbofetear a sociedade legislando escancaradamente em causa própria, mais de 340 deputados ainda violentaram a Constituição em seu princípio mais elementar – a igualdade de todos perante a lei. Até para os padrões desta legislatura é espantosa a desfaçatez com que a Câmara traiu sua missão de ser “a tribuna onde a Nação fala”, para lembrar Ruy Barbosa, um gigante do Parlamento brasileiro. Sob a falsa justificativa de proteger o mandato parlamentar de supostos “abusos” e “atropelos” que teriam sido cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os deputados decidiram colocar-se acima da lei, nada menos, furtando-se em responder pelos crimes que vierem a cometer.
Nesse sentido, a PEC da Blindagem, que bem poderia ser chamada de PEC da Impunidade, deve ser vista como um ataque frontal à democracia representativa. Se promulgada, estará criado o ambiente no qual bandidos poderão ficar impunes apenas porque lograram obter um mandato eletivo. Deputados de todos os matizes ideológicos, do governo e da oposição, deram-se as mãos para escarnecer dos eleitores.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), um anão diante da grandeza institucional do seu cargo, abusou da má-fé e afrontou a inteligência alheia em seu discurso em defesa da PEC da Blindagem. Em tom solene que mal escondia a desfaçatez, Motta ignorou a história da Nova República e distorceu o contexto da Assembleia Nacional Constituinte disseminando a lorota de que a Casa, ora vejam, só estaria restaurando o texto original da Carta de 1988. É preciso recordar, então, que o dispositivo da licença prévia, àquela época, era a resposta idealizada a um momento da vida nacional totalmente distinto. O Brasil mal havia saído de uma ditadura militar. Os constituintes originários buscavam proteger o mandato parlamentar de eventuais arbitrariedades em uma transição de regime ainda em andamento.
A realidade hoje é completamente diferente. O regime democrático está consolidado. Parlamentares já têm assegurada pela Lei Maior a inviolabilidade civil e penal por suas opiniões, palavras e votos. Ademais, há quase 40 anos, o País não estava assolado pela infiltração de organizações criminosas de caráter mafioso no sistema político nem tampouco pela rapinagem de recursos bilionários do Orçamento por meio de emendas parlamentares – é contra a investigação desses desvios que os deputados querem se proteger.
Como se nada disso bastasse, a PEC da Blindagem ainda é um convite para que membros de facções como o PCC e o Comando Vermelho entrem no Congresso pela porta da frente. Se antes as organizações criminosas já exploravam o mandato de maus parlamentares como espécie de casamata em defesa de seus interesses no Legislativo, agora têm o incentivo adicional para financiar candidaturas de seus próprios gângsteres e, assim, blindá-los do alcance da lei sem intermediários. O que a Câmara aprovou, portanto, foi um programa de fomento à criminalidade política no País.
Agora resta torcer para que o Senado se erga como o adulto na sala desta república tão maltratada e enterre de vez a ignomínia que passou na Câmara, resgatando alguma aura de decência para o Congresso perante a opinião pública. A democracia brasileira estará novamente sob risco se a Casa Alta for cúmplice de uma delinquência política, nada menos. Não à toa, a eleição para o Senado no ano que vem tem despertado a atenção de muita gente – não necessariamente gente bem-intencionada. •

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal - Edição comemorativa dos 65 anos do IHGDF

RIHGDF - REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO DISTRITO FEDERAL

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A Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal é uma revista associada ao Instituto Histórico Geográfico do Distrito Federal, que completou no ano de 2025, 65 anos (sessenta e cinco) de existência.
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Aceita para publicação artigos, ensaios, documentos, resenhas bibliográficas e biográficas, entrevistas e atualidades relacionados às áreas de ciências humanas, sociais aplicadas e linguística, letras e artes, resultantes de estudos teóricos, pesquisas, reflexões sobre práticas atualizadas na área. Os textos em português devem ser inéditos, de autores(as) brasileiros(as) ou estrangeiros(as), conforme padrão da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.

Edição Atual
v. 14 n. 1 (2025): Revista do IHG_DF
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Edição comemorativa dos 65 anos do IHGDF

Publicado: 2025-05-09
Expediente
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Editorial
Thérèse Hofmann Gatti
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Artigos
Estudo Histórico do Cinema Brasileiro Mediante Importantes Autores e Obras
Roberto Minadeo
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O conceito de heteronomia de Arendt para a compreensão das práticas de exceção durante repressão à luta armada no Brasil
Hugo Studart
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Permanências imperiais e nova ordem global no teste da história
Paulo Roberto de Almeida
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“Seu doutor, eles nem parecem gente”
a outra história da “Coluna Prestes”, 100 anos depois
Gustavo Henrique Marques Bezerra
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Perdão e conversão na política: mundano ou sagrado?
O conteúdo paulino dos acordos políticos. Maragatos e Pica-paus, degola, ódio, intolerância política e a execução do pai de Leonel Brizola.
Luís Maximiliano Leal Telesca Mota
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Padre Aleixo Susin, das obras a obra.
Um padre pioneiro na construção do (Mutirão) Guará
Luís Gustavo Ferrarini Venturelli, Arnaldo Jose Damaso de Oliveira Souza
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Hollywood no Cerrado e o devir do espaço:
Sobrevivência, imagem e narrativa
Valéria Cristina Pereira da Silva, Alberto da Silva
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Permanências medievais nos relatos dos viajantes da modernidade:
André Thevet, Jean de Léry e Claude D’Abbeville (séculos XVI e XVII).
Carmen Lícia Palazzo
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Museu Memorial Brasília
Filipe Rizzo Oliveira
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Festivais de cinema de arquitetura: narrativas audiovisuais, protagonismo e ativismo no espaço urbano contemporâneo
Liz da Costa Sandoval, Tânia Siqueira Montoro
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Tradução
O Sonho de Dom Bosco sobre a América do Sul
Sebastião Moreira Duarte
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Livro: História da América Latina em 100 fotografias", Paulo Antonio Paranaguá (Bazar do Tempo)

 RFI Convida

Em 100 fotografias, livro revela conexões globais da América Latina desde o período pré-colonial

RFI, 

Um continente marcado por revoluções, trocas culturais e conexões globais ganha nova leitura no livro "História da América Latina em 100 fotografias", do historiador e jornalista Paulo Antonio Paranaguá, lançado neste mês de setembro pela editora Bazar do Tempo. A obra, construída como um mosaico de 100 fotografias, percorre desde o passado pré-colombiano até os dias atuais, revelando momentos decisivos e figuras emblemáticas que moldaram a região.

O jornalista e historiador Paulo Antonio Paranaguá na sede da RFI.
O jornalista e historiador Paulo Antonio Paranaguá na sede da RFI. © RFI09:30

“As histórias se escreveram na América Latina a partir do século 19 para justificar os países independentes, com fronteiras muito aleatórias. Essas histórias estão voltadas para si mesmas e não tratam das relações na região, e às vezes não tratam sequer das relações entre esses países e o resto do mundo”, afirma o autor, ao explicar o ponto de partida de sua pesquisa. 

Paranaguá defende que a evolução da América Latina precisa ser contada como uma história conectada, que reconheça a relação triangular permanente com Europa, Estados Unidos e uma relação forçada com a África, além de uma conexão menos conhecida com a Ásia desde o período colonial. "É importante abordar a história da América Latina em termos de história comparada, de história global, de uma história conectada entre esses países e outras regiões do mundo", sublinha.   

A escolha das fotografias não seguiu uma cronologia tradicional. Paranaguá recorreu a registros dos descobrimentos arqueológicos do século 19 e início do século 20 para lembrar ao leitor que a história da região começou muito antes da invenção da fotografia. "Nossa história começou com os olmecas, os astecas, os incas, os guaranis", destaca. “Isso dá uma outra perspectiva histórica para o livro”, explica.

A curadoria das imagens foi um dos maiores desafios. “Enquadrar um período tão amplo em apenas 100 imagens foi terrível. Às vezes choro com tudo o que tive que deixar de fora”, confessa. Produtos como o café e o cacau estão presentes por sua importância econômica, cultural e social, mas o tabaco, por exemplo, ficou de fora – uma ausência que Paranaguá lamenta com humor: “Afinal de contas, eu adoro charutos”.

Capa do novo livro do jornalista Paulo Antonio Paranaguá editado pela Bazar do Tempo.
Capa do novo livro do jornalista Paulo Antonio Paranaguá editado pela Bazar do Tempo. © Divulgação

Entre guerras e diversidade

O livro não ignora os episódios dramáticos da história política e institucional da América Latina, como guerras e revoluções. Mas Paranaguá faz questão de destacar que a região é também marcada por uma diversidade cultural, social, étnica e religiosa espantosa. “A fotografia já é uma história cultural. Ela amplia o espectro. Não podemos tratar a evolução da região apenas com base em batalhas e golpes. É preciso ir mais longe”, defende.

Com textos curtos e linguagem acessível, o livro busca dialogar com um público amplo, especialmente os jovens. “Tenho uma formação acadêmica sólida, mas trabalhei a vida inteira como jornalista. Aprendi que me dirijo ao público em geral, não à panelinha de professores ou estudantes que querem ser cada um mais genial do que o outro. Isso não me interessa”, afirma.

Apesar da leveza na forma, o conteúdo é denso e revelador. “Os conhecedores da América Latina vão descobrir imagens que não conhecem, aspectos para os quais talvez não tenham dado a devida relevância”, garante. A motivação maior, segundo ele, é a transmissão de conhecimento às novas gerações. “Pensei nos meus sobrinhos, no meu filho... essa geração que não teve a ocasião de estudar a América Latina, que é a região do mundo na qual nós estamos inseridos. Nós fazemos parte dela.”

Cartões postais, cabeças reduzidas e a guerra das imagens

Ao mergulhar em arquivos e mercados de antiguidades, Paranaguá descobriu registros fotográficos que o surpreenderam, mesmo após mais de cinco décadas dedicadas ao estudo da América Latina. Uma das descobertas mais marcantes foi uma série de cartões postais produzidos pelas missões salesianas em 1937, em Lyon, com imagens da África, da Ásia e da América Latina.

“Achei imagens sobre o Mato Grosso e várias sobre o Equador. Algumas mostravam o trabalho dos missionários em saúde, ensino, construção de pontes. Outras revelavam aspectos da vida dos indígenas equatorianos, como a maloca e, curiosamente, as cabeças reduzidas dos chamados jívaros – que na verdade são os shuar”, conta.

Os shuar ficaram conhecidos por uma prática ritual que consistia em reduzir a cabeça de seus inimigos, como uma maneira de impedir que seus espíritos revidassem. A imagem das cabeças reduzidas, reproduzida no livro, revela mais do que um costume ancestral: expõe o olhar europeu sobre os povos originários. “Para o olhar europeu, é a prova de que os índios são bárbaros e precisam ser evangelizados. Isso faz parte de uma verdadeira guerra das imagens", aponta o autor. A colonização não foi só obra de soldados, mas também de evangelizadores e de uma produção simbólica que moldou a visão sobre os povos da América.

Fotógrafos identificados e invisibilizados

Das 100 imagens selecionadas, 30 são de autores não identificados. Entre os 70 fotógrafos conhecidos, 44 são latino-americanos, 14 europeus e 12 estadunidenses. A escolha não seguiu uma lógica de “olhar de dentro versus olhar de fora”, mas foi condicionada pela disponibilidade e conservação dos registros.

“Às vezes eu queria uma foto emblemática de um fotógrafo local e não conseguia. Por exemplo, sobre a intervenção na República Dominicana em 1965, não encontrei uma imagem de qualidade feita por um fotógrafo dominicano”, lamenta. Outro caso marcante foi uma fotografia sobre a redemocratização da década de 1980 na América do Sul. O jornal El País publicou a imagem de uma mulher de braços abertos enfrentando um jato d’água da repressão na frente da catedral de Assunção. “É uma fotografia em preto e branco maravilhosa, me apaixonei por ela, mas o autor perdeu o negativo. Não pude reproduzi-la com qualidade.”

A precariedade dos acervos em muitos países latino-americanos é um obstáculo recorrente. 

Um livro que pode incomodar

Ao tratar de temas sensíveis e controversos, Paulo Paranaguá reconhece que o livro pode desagradar alguns leitores. “Cada texto que acompanha as 100 fotografias fala de várias coisas. Em vez de fechar o foco, eu abro completamente. Não são cem assuntos, são mil”, diz.

Entre os temas que podem gerar polêmica está a Revolução Cubana. Paranaguá estima que a esquerda latino-americana ainda mantém uma relação sentimental com o que ocorreu na ilha. “Provavelmente vão me cobrar por ter sido severo com Cuba. Mas procurei ser equilibrado e lúcido com todas as revoluções que abordo: a mexicana, a boliviana de 1952, a cubana, a da Nicarágua em 1979.”

Na opinião de Paranaguá, é impossível tratar dessas revoluções sem reconhecer seus altos e baixos. “Quase todas tiveram um momento de apogeu e depois de decadência. Muitas traíram as esperanças e provocaram verdadeiros desastres. A revolução mexicana, por exemplo, abriu caminho para uma guerra civil terrível e uma guerra religiosa contra os católicos. E o caso cubano, quando a União Soviética caiu, o sistema ruiu.”

Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação - livro disponível para compra

 Livro disponível para aquisição, chez Francisco Alves ou Unifesp.

Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação



Livro: O Brasil diante das turbulências internacionais - Bernardo Sorj e Sergio Fausto (orgs.), prefácio de Celso Lafer (Plataforma Democratica)

Livro:
O Brasil diante das turbulências internacionais

Crise e Atualização da Democracia
Nova Geopolítica Mundial
COLEÇÃO O ESTADO DA DEMOCRACIA
PUBLICAÇÃO ORIGINAL - PLATAFORMA DEMOCRÁTICA

        Disponível para download gratuito, o livro analisa a rivalidade entre Estados Unidos e China, o papel dos BRICS, os rumos da integração latino-americana, os desafios das negociações climáticas e os impactos das transformações internacionais na política interna.

        O livro O Brasil diante das turbulências internacionais reúne análises de renomados especialistas em relações internacionais, que oferecem visões plurais, tanto no campo intelectual quanto no ideológico, sobre os desafios geopolíticos enfrentados pelo Brasil. A obra discute como o país pode defender seus interesses estratégicos sem abrir mão de princípios fundamentais de sua tradição diplomática, como a valorização dos direitos humanos, a preservação da soberania nacional e o fortalecimento das instituições democráticas.

Disponível para download gratuito, a publicação, organizada por Bernardo Sorj e Sergio Fausto, traz prefácio de Celso Lafer e contribuições de Adriana Abdenur, Antonio Ruy de Almeida Silva, Fernanda Magnotta, Gelson Fonseca, Guilherme Casarões, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Maria Regina Soares de Lima, Marianna Albuquerque e Rubens Ricupero.

Os textos exploram questões centrais da agenda internacional contemporânea: a crescente rivalidade entre Estados Unidos e China, o papel desempenhado pelos BRICS, os rumos da integração latino-americana, os desafios das negociações climáticas e os impactos das transformações internacionais na política interna.

https://fundacaofhc.org.br/publicacao/o-brasil-diante-das-turbulencias-internacionais/?utm_source=meio&utm_medium=email#

Ficha catalográfica: 

O Brasil diante das turbulências internacionais / organização Bernardo Sorj, Sergio Fausto. – 1. ed. – São Paulo: Edições Plataforma Democrática, 2025. Vários autores. Disponível em: https://fundacaofhc.org.br ISBN 978-65-87503-59-2 1. Brasil – Geopolítica. 2. Relações internacionais. 3. Direitos humanos. I. Sorj, Bernardo. II. Fausto, Sergio. III. Título

Índice 

Prefácio Celso Lafer, 5 

Introdução Bernardo Sorj e Sergio Fausto, 9 

Autores 

Adriana Abdenur, 17 

Antonio Ruy de Almeida Silva, 37 

Fernanda Magnotta, 57 

Gelson Fonseca, 64 

Guilherme Casarões, 78 

Maria Hermínia Tavares de Almeida, 97 

Maria Regina Soares De Lima, 102 

Marianna Albuquerque, 119 

Rubens Ricupero, 130


A propaganda eleitoral de Lula no ‘NYT’ - Editorial O Estado de S. Paulo

 Grato, uma vez mais, a Walmyr Buzatto, pela transcrição:

“O artigo de opinião do Estadão de hoje complementa bem o que comentei em postagem anterior, sobre um artigo no mesmo jornal, de um professor de linguística da Universidade de Colúmbia, sobre Trump. Meu comentário se referia ao foco de Lula no palanque e os olhos sempre voltados à próxima eleição. Nada de novo.” (WB)

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A propaganda eleitoral de Lula no ‘NYT’

O Estado de S. Paulo, 16 de set. de 2025

Em artigo no ‘NYT’, Lula reafirma princípios, mas evita soluções no entrevero com Trump. Reforçando barricadas ao invés de construir pontes, mira na eleição em prejuízo do interesse nacional

O artigo do presidente Lula da Silva no jornal The New York Times endereçado ao presidente dos EUA, Donald Trump, oferece mais um retrato da subversão da diplomacia de Estado pela estratégia eleitoral. Adornado por apelos ao “diálogo franco” e à “cooperação entre grandes nações”, ele funciona na prática como peça de propaganda política: reafirma princípios óbvios e limites intransponíveis, mas não sugere um único terreno concreto de negociação. Longe de abrir canais, tranca-os.

Não se discute a validade de vários pontos levantados. A independência dos Poderes nacionais – a começar pelo Judiciário – é inegociável. É verdade que os EUA acumulam superávit comercial com o Brasil, o que enfraquece a lógica econômica de tarifas punitivas, ou que instrumentos como o Pix servem à inclusão financeira, não à concorrência desleal. Mas tudo isso já foi enfatizado em comunicados oficiais, entrevistas e discursos. O que caberia agora seria oferecer pistas de solução – entendimentos setoriais, iniciativas conjuntas, formatos de cooperação. Lula optou pelo contrário: enumerou apenas cláusulas pétreas, endurecendo ainda mais as posições.

A escolha do momento revela muito. O artigo saiu dois dias após a condenação de Jair Bolsonaro – transformando uma decisão judicial em combustível para a retórica confrontacional – e a poucos dias da Assembleia-Geral da ONU em Nova York – ocasião que poderia ser usada para estimular contatos de alto nível com os americanos. Um estadista disposto a reduzir tensões teria guardado munição para a mesa de negociações; Lula preferiu gastar palavras na vitrine internacional, reforçar barricadas e dinamitar pontes, ao invés de atravessá-las.

Desde antes da escalada tarifária, o Planalto evitou buscar uma conversa direta e produtiva com Trump. Agora, manipula a crise para inflamar discursos sobre “soberania” e “resistência”. É uma escolha calculada: quanto maior a animosidade com Washington, mais fácil para o governo se vitimar e se retratar como salvador da Pátria. Nessa lógica, empresários brasileiros que lutam para preservar contratos e mercados tornam-se figurantes abandonados à própria sorte por sua diplomacia.

A carta ainda trouxe um elemento que seria cômico, não fosse trágico: o elogio às investidas intervencionistas de Trump, como uma prova, segundo Lula, de que o Brasil (leia-se, o lulopetismo) foi “vingado” ao rejeitar o chamado Consenso de Washington, proposto por instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial nos anos 1980: disciplina fiscal e monetária, abertura comercial, privatizações e desregulação. Mas enquanto países que investiram nesse receituário – como Coreia, Chile ou México – avançaram, nós ficamos para trás. O Brasil segue sendo uma das economias mais fechadas do G-20, e o resultado está aí: estagnação da produtividade, preços elevados e exclusão das cadeias globais de valor. Se o governo americano insistir com essas práticas, colherá os mesmos frutos – queda de dinamismo e perda de credibilidade. Os improvisos estatistas de Trump não confirmam nossas virtudes, e sim repetem nossos vícios – e quem sairá vingada, como sempre, é a realidade.

A crise atual tem múltiplos culpados. Trump manipula tarifas e sanções para favorecer um aliado e intimidar instituições brasileiras. O clã Bolsonaro, por sua vez, alimenta essa chantagem em busca de ganhos pessoais. Mas nada disso justifica a má-fé e a má vontade diplomáticas de Lula. Cabe a um chefe de Estado defender interesses permanentes da Nação, não acirrar crises para acumular dividendos eleitorais. O governo poderia propor fóruns técnicos sobre regulação digital, intensificar esforços de lobby em Washington ou sinalizar cooperação em áreas de interesse mútuo. Ao invés disso, prefere multiplicar gestos de confronto retórico.

O Brasil precisa de diplomacia ativa e inteligente, não de provocações em jornais estrangeiros; precisa de portas abertas, não de “cartas abertas”. Mas enquanto Trump joga para sua base e Bolsonaro para a sua sobrevivência pessoal, Lula joga para a plateia doméstica. Todos saem ganhando, menos o Brasil. •


Postagem em destaque

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação, na Biblioteca Mario de Andrade

Lançamento do livro Intelectuais na Diplomacia Brasileira: a cultura a serviço da nação , na Biblioteca Mario de Andrade em SP, 12/05, 19hs,...