segunda-feira, 6 de julho de 2026

Uma luz aos bons ouvidos: os últimos presságios de George Kennan (1905-2005) - Daniel Afonso da Silva (em revisão para publicação no Jornal da USP)

(Em revisão para publicação no Jornal da USP)  

Uma luz aos bons ouvidos:

os últimos presságios de George Kennan (1905-2005)

 

Daniel Afonso da Silva

 

No sabemos lo que nos passa y eso es precisamente lo que nos passa.

José Ortega y Gasset (1883-1955)

 

L’homme est immortel ; son salut est dans l’au-delà. L’État n’a pas d’immortalité ; son salut, c’est maintenant ou jamais.

Cardeal Richelieu (1585-1642)

 

Forms of government are forged mainly in the fire of practice, not in the vacuum of theory. They respond to national character and to national realities.

George F. Kennan (1905-2005)

 

Fazia calor naquele verão francês de 2005. Os dias eram bonitos, límpidos, agradáveis e bons. Convidativos para passeios en plein air, encontros por pelouses e conversas por varandas. O que motivou três veteranos da Guerra Fria – Alexander Nikolaevich Yakovlev (1923-2005), Zbigniew Brzezinski (1928-2017) e Vladimir Fédorovski (1950- ) – a reunir-se, para reminiscências, num bistrô de Paris.[1]

Esses senhores eram amigos de muitos anos. Apreciavam-se mutualmente. Respeitavam-se e gostavam estar juntos. Prezavam a capital francesa. Tinham por ela verdadeira predileção. Especialmente em dias amistosos como aqueles, coerentes àquela estação.

O encontro começou ameno. Risadas, ironias e pilhérias davam o tom. O esporte preferido deles era falar bem e mal de si e de ausentes. Relatar anedotas novas e antigas. Renovar chistes. Atualizar intimidades suas e alheias. Lamentar o martírio de alguém. Deplorar a agonia de outro alguém. Lastimar a doença grave de um terceiro. Condoer-se com o funeral de um amigo.

Escrutinavam, assim, a sorte de fulanos e sicranos. Inclusive a sua.

Eram amigos constantes. Ativos numa convivência que ultrapassava quarenta anos. Com, sim, altos e baixos. Mas sem mágoas. A idade lhes fizera tudo superar e tornara-lhes convivas de alto astral. Bons vivants e gourmands juntos. Devotos de mesa e copo. E dedicados uns aos outros.

A conversa começou, assim, agradável. Cheia de ânimo e bom humor. Sem pretensões. Avançando sobre temas leves e frugais.

Até que o assunto – não era pra menos – virou hard core e eles passaram a esmiuçar conjunturas.

Era esperado que fosse assim. Aqueles senhores traziam na memória e na retina o testemunho de momentos densamente complexos de vidas nacionais e internacionais. Haviam combatido muitos combates, completado a carreira e mantido a bravura. Era simples notar. Eles traziam no semblante as cicatrizes de suas venturas. Eram homens de convicção. Agentes políticos experimentados. Foram atores empedernidos dos últimos momentos da Guerra Fria, dos últimos suspiros da tensão Leste-Oeste e reunificação da Alemanha. Eram, ainda naqueles dias, estrategistas internacionais reputados. Haviam exercido seus ofícios com devoção. Foram excelentes no que fizeram. Serviram chefes e nações como Hades servira a Zeus. Influíram em muitas coisas. Guardavam, em si e para si, informações de níveis variados de sigilo. Singrando campo aberto ou arando o mar. Tudo custoso. Mas, conquanto o tempo, mantiveram a disposição. Não ficaram fleumáticos nem retraídos. Reuniam uma mistura de alegria, lucidez e realismo. Sabiam que muitos de seus esforços malograram. Não eram indiferentes. Mas também não praticavam autocomiseração. Eram muito cultos e muito profissionais demais para tanto. Sempre movidos pela ação. Dificílimo, então, entre eles, reunidos, restringirem-se a assuntos simplesmente amenos e frugais.

Yakovlev fora tão somente um dos mentores da Glasnost e da Perestroika que abriram caminhos para o fim da União Soviética. Brzezinski servira de conselheiro de segurança nacional da presidência de Jimmy Carter (1924-2024) além de firmar-se, antes e depois, como intérprete e ator de numerosas epopeias políticas nacionais e internacionais. Fédorovski fora exegeta de Iúri Andropov (1914-1984), porta-voz de Mikhail Gorbatchov (1931-2022), emissário soviético nas capitais europeias e protagonista direto do fim da União Soviética. [2]

Atinham, portanto, passados plenos. Eram homem de visão e poder. Vivendo, a maior parte do tempo, en coulisses e derrière la scène. Mas influenciando duradouramente as viragens geopolíticas em todas as partes. Muita vez, atuando, às claras ou às escondidas, em Paris. Cidade que, natural, marcou-os tanto. E, agora, naquele bistrô, fazia-os, sonhar.

2005 – quando voltaram a se encontrar em Paris – ia distante dos melhores dias de suas atuações. A vida rude envelheceu seu semblante, mas não foi capaz de entorpecer seus sentidos. Guardavam, assim, muitas convicções. Nutria predileções e ideias-fixas. A principal delas situava-os aos pés do muro. Soterrados naqueles eventos. Cientes de sua relevância e implicações. E convencidos da impossibilidade de olvidar. Eles viviam, assim, mentalmente, lá: 1989-1991. Sem arredar pé. Atormentados por passados que custavam passar.

Entendiam 1989-1991 como uma explosão e o dia seguinte – como fizera Hannah Arendt para 1914-1918. Consideravam, porquanto, um momentum espetacular demais para minorar-se. O que os conduzia a convergir no entendimento de que tudo aquilo – como depois endossaria o presidente Vladmir Putin – representou, de fato, o maior sinistro geopolítico do século XX. Um sinistro com conotações e desdobramentos que fervilhavam em suas cabeças como cedro em brasa. Pois, para eles, 1989-1991, fechava, mas não superava, um século inteiro de conflitos globais ideológicos, políticos, geopolíticos, militares, culturais, econômicos e científicos persistentes.[3] Um breve século que ruiu aos seus olhos. Bem ali. Aos pés do muro. Como um adeus, Lênin. Que ampliou a variedade do mundo e impôs aos maiorais de outrora a ter que reconhecer que “les autres ne pensent pas comme nous” [os outros não pensam como nós]. O que gerou tensões permanentes e revelou fissuras gigantescas. Como carmas e miasmas e chagas expostas. Que nada cura, nada remedia e nada consegue superar.[4]

O que veio depois, na quadra seguinte, 1989-2005, trouxe, por certo, novidades, mas não renovadoras deste estado de coisas. O muro seguia lá. Tudo remetia a ele. Fiel a ele. Fixado nele. Reduzido a ele. Restrito a ele. Privando a essência de vidas nacionais e internacionais de fluir. Impondo a entendidos nostalgia e desacorçoo. Déjà vu. Eterno retorno. Que eles três, ali, naquele bistrô, naquele ano de 2005 em Paris, procuravam contemporizar com alusões do tipo “The past is another country, but it has left its mark on those who once lived there.” [O passado é outro país, mas deixou sua marca naqueles que um dia viveram nele],[5] The past is therefore a permanent dimension of the human consciousness [O passado é, portanto, uma dimensão permanente da consciência humana],[6]We swim in the past as fish do in water, and cannot escape from it” [Nadamos no passado como os peixes na água e não podemos escapar dele],[7]The past is another country. They do things differently there” [O passado é outro país. Lá as coisas são feitas de maneira diferente.][8] Malgrado as aparências. Malgrado as diferenças. Malgrado o surgimento de novos atores, novas ideias e novos desafios.

Indo e voltando, assim, ato contínuo, aos pés do muro, eles notavam, sim, novas conformações e convergiam em impressões gerais sobre a quadra 1989-2005 que lhes tocava viver. Nela, para eles, a convicção norte-americana de hiperpotência exclusiva, isolada e altaneira durou pouco. Não mais que dez anos. De 1989-1991 a 2001.[9] O choque mental dos ataques de 11 de setembro de 2001 – o 9/11 – modificou a integralidade daquele pretensioso estado geral das coisas e moveu de volta a percepção geral do mundo ao seu estado de ruínas.[10] A guerra ao terror do presidente George W. Bush, logo em seguida e em confirmação, deformou as linhas de apoio que conduziram ao muro, ao fim da Guerra Fria e da União Soviética.[11] Tornando tudo menos claro e mais incerto. Conseguintemente, num par de semanas após o 9/11, parceiros estratégicos, por assim dizer, eternos dos Estados Unidos, foram agredidos, minorados e tornados inimigos naquela sinistra tentação de “nós” ou “eles”.[12] Num par de meses, o fim da História deu lugar ao choque de civilizações.[13] E num par de anos, entre 2001 e 2005, o futuro virou um país completamente estranho.[14] Evidenciando que, de fato, 1989-1991 não terminara bem e trazia nuvens escuras ao fluir do mundo.[15]

No torvelinho de tudo isso, a fixação instantânea dos Estados Unidos pelo Oriente Médio, em busca de Saddam Hussein (1937-2006), Osama Bin Laden (1957-2011) e et caterva, mobilizou fundamentos existenciais e existencialistas e moveu água fluente sobre os moinhos da tese do choque de civilizações que virou a ideia-força do argumento norte-americano para renovar a sua presença no mundo. Indicando que o que ia confuso e nada bom, tendia a piorar.[16] Não sendo difícil contemplar. Pois, em consoante, os arranjos de Yalta e Potsdam – avariados pelo “Choque Nixon” de 1971 e desmoralizados pela operação Iraqi Freedom à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2003 – ficaram densamente anacrônicos, exangues e impotentes.[17] Como consequência, a incontinência de gladiadores hobbesianos em teatros internacionais renunciou à modéstia e reabilitou à sua ânsia de protagonista em teatros internacionais.[18] Não como o retorno de impérios, nações nem da geopolítica – pois impérios, nações e geopolítica, a rigor, jamais desapareceram das epopeias nacionais e internacionais, apenas, por momentos, tornaram-se menos visíveis, mais discretos e menos audíveis –, mas como a tensão entre antigos e novos aspirantes a mestres inexoráveis do mundo.[19]

Assim, para eles, o muro, o 9/11 e aquele início de novo século, trouxeram, sim, novas ideias e tendências. Mas todas encharcadas de passados, agora, renovados em novos desafios. A começar pela ubiquidade da China.

Ingressada em repentino na Organização Mundial do Comércio, OMC, naquele alvoroço do após 9/11, a China veio decidida a baralhar as cartas do jogo e forçar a modificação de todas as regras. A sua discrição de milênios perdia placidamente a valência. O seu recato de sempre, rendia-se esmaecido. Ela, agora, no novo século, queria – muito mais que recobrar aquele século de humilhação e o opróbio de ter-se, voluntariamente, retirado da conquista e da partilha do Novo Mundo no século XV – contar além-fronteiras, conquistar o seu lugar ao sol e fazer-se great again.[20]

A herança do momentum Nixon-Kissinger de 1971-1972 dera início a esse processo e o senso de oportunidade de Deng Xiaoping (1904-1997), a partir e 1978, desacorrentou o país de seu Prometeu.[21] O nono e o décimo planos quinquenais, de 1996 a 2000 e de 2001 a 2005, aceleravam atalantamente a sua modernização, urbanização e industrialização dessa China, cada vez mais, positivamente, irreconhecível.[22] Ambiciosa e portentosa. Disposta a encerrar, de uma vez por todas, o parêntese ocidental de dominação dos negócios do mundo.[23]

Com a mesma ambição, vieram juntos os “países-monstros”.[24] Aqueles anteriormente classificados como países de segundo ou terceiro mundo. Subdesenvolvidos ou em processo de industrialização. Pobres em essência e meridionais majoritariamente em posição. Transformados em emergentes nos estertores da Guerra Fria.[25] Vastamente beneficiados pela “mondialisation heureuse” [globalização triunfante] logo em seguida.[26] Considerados “países de apetite” pelo saudoso Tzvetan Todorov (1939-1917). E entrados no novo século com muito ímpeto para vencer, afirmar-se e convencer.[27]

Adicionado a tudo isso, ainda naquele frisson do 9/11, o influente grupo financeiro Goldman Sachs inseriu-os – não todos, mas os principais – numa cartografia de países potencialmente prósperos.[28] Dignos, doravante, de todas as atenções. Com tudo para brilhar e renovar in perpetuum a nova face do mundo. Não ao acaso, mas em presença.[29]

Eram gigantes e promissores. E, por fortuna, ainda receberam como emblema o acrônimo BRIC – tijolo, literalmente, em inglês – que ampliava a intuição de que eles poderiam verdadeiramente quebrar as amaras do passado e remodelar as estruturas projetadas pela Carta do Atlântico de 1941, pela convenção de São Francisco de 1945 e pelas tratativas de Bretton Woods de 1944-1946.[30]

Nessa mesma vazão e com a mesma intenção revisionista, a histórica e aguerrida Organização da Unidade Africana, fundada em 1963, foi transformada União Africana 2002. Fazendo-se, adiante, uma entidade mais arejada, mais atualizada e mais assertiva frente aos desafios prementes.[31]

Concomitante a tudo isso – China, “países-monstros” e União Africana – vinham, também, os movimentos favoráveis, contrários e alternativos à globalização. “Pro”, “ante” e “alter”. Todos nostálgicos do espírito de Bandung. Aficionados aos países não-alinhados. Depositários das instruções da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento, UNCTAD. Afiliados ao G77. Desejosos, portanto, de une place au soleil [um lugar ao sol]. Convencidos, em tudo, do imperativo de uma outra globalização possível e desejável. Menos perversa e mais condescendente aos pobres deste mundo.[32]

Eis as estruturas, conjunturas e acontecimentos que alimentavam a conversação daqueles ilustres comensais naquele bistrô em Paris.

Malgrado com os pés no muro, eles eram sensíveis para perceber a imensidão desses novos desafios. Impressionavam-se com a sua latência em tão curto lapso, de 1989 a 2005. Investigavam suas razões. Todas remetidas aos escombros do muro. Notavam as suas consequências: aceleração, multiplicação e empilhamento de episódios. Que, em conjunto, tornavam o mundo ineditamente movediço. Exigindo análises progressivamente mais robustas e precisas. Com tours du monde atentos e abrangentes. Com sensibilidade aguçada para apreender as peculiaridades das complicações de continentes, regiões e países. Como eles faziam ali. Escrutinando memórias e emoções. Sem deixar de lado o caso, para eles, mais complexo que dizia respeito à Rússia.[33]

A Rússia era, ao fundo, o motivador daquele encontro. Ela e seus problemas que, ao fim das contas, impunham a todos a presença fixa aos pés do muro. Restando, assim, decisivo apreciá-la com perícia.

Nesse intuito, antes de qualquer coisa, em simultâneo, por estarem na França e em Paris, eles lembraram-se, mutuamente, naturalmente, em comunhão e rapidamente, daquela importante expedição do general Charles de Gaulle (1890-1970) àquela Moscou de Nikita Khrschchov (1894-1971), Leonid Brezhnev (1906-1982), Nikolai Podgorny (1903-1983) e Alexei Kosygin (1904-1980) naquele distante ano de 1966.[34]

Tinham em mente a convicção de que ninguém com certa idade e instrução passara indiferente àquele momento, em tudo relevante para a França, para Europa e para Rússia. Sobretudo pela pugnacidade daquela manifestação do general francês que aduzia que “Je parle ici au nom de la France de toujours à la Russie de toujours” (...) “dans  l’Europe, de l’Atlantique à l’Oural”. [Falo aqui em nome da França de sempre à Rússia de sempre...numa Europa, do Atlântico aos Urais.].[35]

Yakovlev e Fédorovski tinham pra si que o general tinha razão e era pertinente em sua percepção peculiar da Rússia na Europa e no mundo. Brzezinski, em contraponto, erguia-se dissonante. Ele conhecia o argumento. Respeitava e tinha apreço pelo velho general. Mas discordava frontalmente de sua concepção.

Esse antigo conselheiro do presidente norte-americano era, notoriamente, multidimensionalmente, complexo. Polonês de origem, norte-americano por adoção, anticomunista em essência e russocético por convicção. Não confiava na Rússia nem nos russos. Jamais esquecera-se das cenas marcantes do calvário de Katyn.[36] Tinha algo perto de ódio de Stalin e dos soviéticos. Considerava socialistas, comunistas e esquerdistas causas perdidas. Gente mentalmente sem valor. Fazia, então, de tudo para menosprezá-los, maculá-los e intimidá-los. Era um liberal convicto. Não tinha pudor nem contrição em crispar amizades e relações para fazer sobressair essas suas posições. Era um homem de outro tempo e temperamento. Que preferia ter razão a ser feliz. Adorava provocar e divergir. Ainda mais entre amigos. Ocasião e ambiente ideais para praticar a plenitude de seu franc-parler.[37] Frente a Yakovlev e Fédorovski, ele encontrou esse momento ótimo e, nesse espírito, iniciou a sua explanação sobre a Rússia.

Primeiro condenando a integralidade da atuação russa anterior e posterior ao momento soviético. Em seguida, afirmando que norte-americanos, europeus e ocidentais, após o muro, jamais endossariam a reabilitação da Rússia no concerto de nações. Adiante, aduzindo que esses mesmos agentes – Estados Unidos, Europa e Ocidente – fariam de tudo para neutralizar a dominância russa sobretudo sobre a Eurásia. Daí, seguia o raciocínio, as razões da manutenção e a expansão insistentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, à Leste da Europa. Para fazer a Rússia regredir às suas fronteiras. Voltar-se para dentro e para si. Restringir-se a pretensões somente domésticas. Sem projeções além-fronteiras. Para o bem do Mundo Livre, para o bem do Ocidente, para o bem da Europa e para o bem do império norte-americano.

Yakovlev e Fédorovski acompanhavam essa peroração sem esboçar emoção. Entreolhavam-se vez ou outra tão somente para marcar posição. Simulavam algum espanto apenas como mostra de empatia. Estavam, ao fundo, emudecidos na alma. Petrificados e soterrados em seu ser. Jamais assustados. Apenas contemplando Brzezinski a auto-admirar-se. Deixando-o praticar a sua loquacidade – que era real. Permitindo-lhe sentir-se maioral, altaneiro e dono da razão. Ofertando-lhe, em suma, o que ele mais queria: palco.

Mas num instante, após muito ouvir, Yakovlev modificou o semblante. Cerrou o olhar. Franziu o cenho. Virou moldura e plasmou-se à paisagem. Tornou-se, em súbito, ausente. Introspectivo e absorto. Sequestrado em pensamentos. Típicos de gente de seu temperamento e estatura. Gente calma e alheia a sobressaltos. Vinda de mundos que não existem mais. Que faziam dele alguém impenetravelmente paciente. Com gestos mansos e superlativos de exímio hermeneuta de olhares, momentos e intenções.[38]

Yakovlev era assim: um espécime irretorquível. Político e diplomata em instinto e instrução. Conhecido no Kremlin por diable boiteux. O maior cumprimento disponível para russos como ele. Cujas qualidades – positivas e negativas – remetiam a Charles Maurice Talleyrand-Périgord (1754-1838), “le prince immobile” [príncipe imóvel], de longe o diplomata estrangeiro mais prestigiado na Rússia.[39]

Yakovlev não era, desse modo, qualquer um. Era o melhor entre os melhores. Impermeável a intimidação e manipulação. Alguém muito sólido. Entrado, sim, em anos, mas ainda muito lúcido. Com a cabeça puída das epopeias nacionais e internacionais da Rússia, da Europa e do mundo. Friamente consciente dos sucessos e infortúnios de seu país. Conhecedor profundo daquele tipo de história que não cabe em livros. Aquela história que, entre os russos, remete às longas tradições de venturas insondáveis de cossacos e mujiques imortalizados por Tolstói, Dostoiévski e Garshin aos feitos memoráveis de Ivan, o Terrível, Catarina, a Grande, Lênin e Stalin até chegar ao presidente Vladmir Putin.[40]

Quando Brzezinski silenciou, ele saiu desse transe e começou a retornar a si. Todos notaram a sua ausência e o seu retorno. Miravam-no, agora, com ansiedade e apreensão. Esperavam a sua reação. Ele era o ancião à mesa. Certamente o mais vivido e sábio. Brzezinski e Fédorovski queriam saber de sua posição diante de tanta provocação.

Nessa pressão, em segundos, ele moveu seus olhos quase marejados ao encontro dos olhos agitados de seus convivas. Fitou Brzezinski com a firmeza de quem investiga Caravaggio. Virou-se a Fédorovski com um misto de compaixão e contrição. Contemplou o vazio. Fez-se taciturno e caiu triste. Como tristes eram os presságios que povoavam a sua imaginação. Voltou à presença. Maneou a cabeça. Resistiu a grimaces. Nada em seu rosto movia. Respirou fundo. Suspirou. E lacônico, em resposta a Brzezinski, disparou sem remorso: “não tem jeito, é a guerra”.[41]

Fim do encontro e fim da partida. Findou-se o ânimo para conversar.

Solicitaram e quitaram a fatura. Deram boas recompensas aos garçons. Cumprimentaram, ao longe, o maître. Recuperaram seus costumes. Caminharam tranquilos e cabisbaixos até a saída. E despediram-se para nunca mais.

Brzezinski voltou para Washington. Yakovlev, para Moscou. E Fédorovski ficou por Paris mesmo, onde residia desde o fim da União Soviética.

Yakovlev morreu meses depois. Brzezinski viveu mais, até 2017. Fédorovski continua vivo e testemunha de que, tudo aquilo que previam, infortunadamente, aconteceu: o Ocidente seguiu inclemente com a Rússia e a Rússia reagiu: fez-se a guerra.

*

Na reunião de Munique de 2007, o presidente Vladmir Putin indicou não suportar mais aquele estado de coisas e apresentou as novas diretrizes para a ação exterior da Rússia.[42] No ano seguinte, em 2008, em consonância, a Rússia interveio na Geórgia. Em 2014, impiedosamente, ela anexou a Criméia e frações do Donbass. Adiante, ela foi em apoio à Síria do presidente Bashar al-Assad, submerso nas recorrências da Primavera Árabe.[43] De 2016 a 2021, ela interagiu, incitou e agravou a totalidade das tensões prementes com a Ucrânia, a Europa, os Estados Unidos e o Ocidente. Como consequência, o Ocidente impetrou-lhe sanções em catadupas.[44] Acuando-a como jamais se fizera depois do muro. Levando o Kremlin, em consequência, a deliberar uma intervenção em larga escala sobre a Ucrânia.[45] Tragando a Eurásia e o mundo inteiro para o desconhecido do “é a guerra”.

Uma guerra peculiar: continuação nítida da Guerra Fria, da tensão Leste-Oeste e dos despojos não superados aos pés do muro. Uma guerra singular: com a participação ativa dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Uma guerra apocalíptica: convencendo eslavos a lutar até o último homem para preservar a sua existência. Uma guerra tecnológica: com a mobilização de todas as inovações da Quarta Revolução Industrial, com destaque para drones e inteligências artificiais.

Uma guerra nitidamente do fim do mundo. Com duração espetacular: maior que da Segunda Guerra Mundial. Com mortandade expressiva: centenas de milhares em campo de batalha e dezenas de milhares de fome ou frio na Europa e na África. Com deslocamentos emigratórios impressionantes. Com choques econômicos, inflacionários, monetários e fiscais mundiais e agônicos. Com impactos políticos desconcertantes: impondo descrédito imensurável à gente de Washington, Paris, Bruxelas e Londres. Com golpes institucionais constrangedores: levando OTAN, ONU, União Europeia, BRICS e BRICS+ a simplesmente não saber o que fazer. Com impasses geopolíticos sem precedentes: pela primeira vez depois do muro a gente de Washington cogita acertar os ponteiros de seus relógios no mesmo pulsar dos ponteiros de Moscou em detrimento do resto do mundo.[46]

Uma guerra, em tudo, portanto, diabólica. Onde os fantasmas da Guerra Fria, prensados ao muro, jogam dados com o destino e brincam em jogral com a esperança dos povos. Subvertendo ao extremo aquelas máximas do general Charles de Gaulle que aludiam que “On ne doit pas jouer avec la souffrance des autres” [Não se deve brincar com o sofrimento dos outros] e que “On gouverne les hommes avec la tête. On ne joue pas aux échecs avec un bon cœur [Governam-se os homens com a cabeça. Não se joga xadrez com um bom coração].[47]

Contemplando tudo isso do leito de morte, às voltas do seu fim que dar-se-ia no 30 de agosto de 2022, o presidente Mikhail Gorbatchov (1931-2022) meditou muito sobre esses adágios do general francês. Admirador da França e do general, ele seguia, como todos, horrorizado com a sorte da Ucrânia, da Eurásia e da Rússia. Ele estava lúcido, mas parecia preferir não estar. Era-lhe impensável e insuportável o que ocorria. O fantasma de Stalin – vivo nas ações do presidente Vladmir Putin[48] – parecia visitá-lo em cada repouso e em cada solidão.

Nessa situação, o último mandatário soviético, responsável direto pela abertura do muro e pela deserção aparente do totalitarismo vermelho, simplesmente, não sabia o que fazer, pensar nem dizer. Quando, em lapsos, recordou-se de outro magnânimo francês: François Mitterrand (1916-1996). Mitterrand e ele estiveram firmes aos pés do mundo. Foram conjuntamente responsáveis pela magnitude daquele fim. Já frágil e perto de partir, em fins de 1995, o presidente socialista francês mandou-lhe dizer, através de Vladimir Fédorovski, que não esmorecesse. E complementou: “Aquilo que vocês pensaram e fizeram – a Glasnost e a Maison Commune – não pertencem ao passado, mas ao futuro. Assim como a ideia de uma Europa do Atlântico aos Urais”.[49]

François Mitterrand morreu em janeiro de 1996 com uma certa ideia do lugar da Rússia na Europa e no mundo. A presente tragédia russo-ucraniana-euroasiática evidenciava que sua ideia não prevaleceu. Resultando em golpe duro naqueles últimos suspeitos do presidente Mikhail Gorbatchov.

Havia muito que Gorbatchov sucumbia em desamor. Raisa Gorbachev (1932-1999), seu alter ego, não vivia mais. Alexander Yakovlev, seu mestre das sombras, também desertara para o além. Zbigniew Brzezinski, com quem tinha boa relação, foi-se sem mesmo despedir-se. Restando-lhe, naquela guerra entre irmãos, o desespero e a desilusão. Mas, resistindo a isso, elaborou uma última advertência e mandou espalhá-la pelo mundo. Arguiu que “sim: é a guerra. Mas é também o momento mais temerário da história da humanidade.[50]

Vladimir Fédorovski, junto dele naqueles momentos finais, recolheu a confissão e recebeu a incumbência de fazê-la chegar a Henry Kissinger (1923-2023) com urgência. O grande diplomata norte-americano do século XX deveria juntar-se a todos eles aos pés do muro para meditar sobre o significado daquela tempestade de tragédias sem fim.

No caso euroasiático, depois do muro, o lance principal ocorreu, sim, naquele anúncio do presidente Vladmir Putin em Munique em 2007. Mas o seu acelerador contumaz veio no ano seguinte, em 2008, com a eclosão da crise financeira mundial.

*

Quando da crise financeira estourou, um reputado economista norte-americano insistiu em reiterar que “this time is different” [desta vez é diferente] e parece que ele tinha razão.[51]  O mundo inteiro caiu em queda livre.[52] Todas as conformações estabelecidas após o muro desapareceram para nunca mais recomporem-se. Aqueles aspirantes a revisores do sistema internacional no frisson do 9/11 tornaram-se inquestionáveis “global powers seeking influence on global governance” [Potências globais em busca de influência sobre a governança global]; e a China, a Ásia, a Eurásia, a União Africana, BRICS e depois os MINTs – México, Indonésia, Nigéria e Turquia – reuniram-se em força para ostracizar de vez os Estados Unidos, a Europa e o Ocidente.[53]

Não foi acidente. Foi pensado.

Todos eles, naquele após 2008, pareciam agir em revanche àqueles que os deixaram de fora da História diante do muro e seguiram iludindo-os com quimeras de prosperidade depois.[54] A sua outra globalização estava, em parte, consolidada. Eles não eram mais “países de apetite”. Com o tempo, eles se afirmaram competidores implacáveis daquele mundo que Yalta, Potsdam e Bretton Woods legou.[55]

Vivia-se a quadra 2008-2011. Os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas preservavam muita força, mas estavam mais divididos que nunca. A Europa, a União Europeia e a zona do euro continuavam o espaço comercial e econômico mais dinâmico do mundo, malgrado os avanços da China pela Ásia, Oriente Médio, África e Américas. A crise do euro, a partir de 2009, destronou por completo as suas ambições sobre a construção europeia e conduziu o grupo ao estágio de unhappy union. Nos espaços africanos e médio-orientais, a agitação, após a crise financeira, ficou imensa. Não apenas pelas Primaveras Árabes. Mas, essencialmente, pelo fracasso integral da política europeia e norte-americana de harmonização da região.[56]

Aquele famoso e bonito discurso do presidente Barack Obama no Cairo, em 2009, havia virado pilhéria.[57] Da mesma maneira que aquele desastrado discurso do presidente Nicolas Sarkozy no Senegal, na prestigiosa Universidade Cheikh Anta Diop, dois anos antes, que dizia, literal e compassadamente, que “Le drame de l’Afrique, c’est que l’homme africain n’est pas assez entré dans l’histoire [O drama da África é que o homem africano não entrou suficientemente na História] foi recebido como insulto.[58]

Para ouvintes com a cabeça puída de Hegel (1770-1831), aquelas palavras do presidente francês guardariam verniz de verossimilhança. Mas à gente sofrida, de mãos e rosto puídos pela lida bruta, aquela alocução caía como imenso desrespeito e alucinação.

Da mesma forma e com o mesmo espírito, do outro lado do Atlântico, aqueles militantes do Occupy Wall Street, reunidos em solidariedades “pro”, “ante” e “alter” mundialistas, consideravam desrespeitosas, insultantes e alucinadas as manobras da administração norte-americana e da União Europeia para salvar instituições too big to fail.[59]

Tudo isso evidenciava fatos: 1989-1991 não terminou bem, o 9/11 deixou tudo muito pior, a crise financeira de 2008 eliminou todas as certezas e o segundo decênio do novo século perpetuou essa ambiência soturna e aziaga.

*

A reação maciça a esse estado de coisas veio de onde aguardava-se, mas da maneira menos desejada: veio dos Estados Unidos, com Donald J. Trump e et caterva, seus fanatismos, seus ufanismos, seu nacionalismo à cotê de la plaque, sua truculência e seu “peculiar frame of mind” [peculiar estado de espírito].[60]

À vrai dire, no entanto, as presidências de Barack Obama concluíram-se lastimáveis. O entusiasmo das eleições 2008 desapareceu quase subitamente. O impulso do Yes, we can virou rápido frustração. O sonho de um país pós-imperial e pós-racial resultou em cataclismos inimagináveis. As Obama’s wars foram tão ou mais constantes que as guerras conduzidas pelos seus antecessores. As promessas de dias bons e mundos melhores sucumbiram à concretude da vida incerta de norte-americanos e ocidentais derrotados pela globalização e fragilizados pela impotência da política.[61]

O multilateralismo à Woodrow Wilson (1856-1924), Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) e mesmo Bill Clinton, sob a presidência de Barack Obama, não passou de ilusão. O prestígio dos Estados Unidos no mundo erodiu. A intervenção internacional, chancelada pela Casa Branca, para promover um indisfarçado regime change na Líbia resultou num dos maiores sinistros humanitários desde as invasões no Iraque em 1991 e 2003. A petulância do presidente Barack Obama em fixar-se uma red line para a utilização de armas químicas e biológicas na Síria redundou na maior desmoralização de um presidente norte-americano desde tempos imemoriais. Estraçalhando, em consequência, o que restava de credibilidade da classe política e das instituições norte-americanas. Acoimando a normalidade do bipartidarismo entre republicanos e democratas no sistema partidário dos Estados Unidos e abrindo, por tudo, um vazio a ser preenchido pela incógnita. Uma incógnita que não tardou a materializar-se no corpo, na alma e nas intenções do especialista em empreendimentos imobiliários e na “arte da negociação”, Donald J. Trump.

*

Crise financeira, crise econômica, crise política, crise institucional, entropia de credibilidade, impotência presidencial de Barack Obama e sucesso eleitoral de Donald J. Trump. Não houve acaso em nada disso.

Sob a presidência de Barack Obama, o eleitor norte-americano sucumbiu à vertigem dos argentinos de 2001 que bradavam “¡Que se vayan todos! ¡Que no quede ni uno solo! [Que vão todos embora! Que não fique nem um só!], à fúria dos indignados espanhóis de 2011 que advertiam No nos representan” [não nos representam] e ao desespero dos brasileiros das noites de junho de 2013 que arguiam “não são pelos centavos”.[62] De maneira que o êxito de Donald J. Trump à Casa Branca não foi integralmente uma surpresa.

A ideia-força de sua campanha foi o “Make America Great Again” [Faça a América grande novamente], MAGA. Uma plataforma conhecida e recorrente nos Estados Unidos. Utilizada, notoriamente, por Franklin Delano Roosevelt em 1932, Richard Nixon em 1968 e Ronald Reagan em 1980, após o malaise da presidência de Jimmy Carter.[63] Que, agora, em 2015-2016, vinha renovada e reforçada por todos as inovações da Quarta Revolução Industrial, especialmente nos campos da comunicação.

Uma vez entronizado, o presidente Donald J. Trump entendeu que a maior ameaça à integridade, à soberania e ao poderio norte-americano não estava aos pés do muro, mas bem longe dali: na China.

Os sucessos chineses vinham notoriamente esplendorosos. Após ingressar na OMC em 2001, o país asiático foi multiplicando exponencialmente o seu produto. Ampliando consistentemente a sua presença no mercado e no comércio internacionais. Alterando decisivamente os fluxos de capitais para a Ásia. Deslocando o grosso das transações mundiais para os mares do Sul e do Sudoeste de seu entorno. Avançando para todos os continentes com força e determinação. Adquirindo e administrando a dívida soberana de países europeus e norte-americanos. Fornecendo empréstimos e investimentos a países esquecidos da África e das Américas. Tragando com apetite de lontra commodities de todas as partes – e também do Brasil. Até confirmar a constância de sua performance na imensa celebração dos seiscentos anos da primeira expedição do almirante Zheng He (1371-1433) em 2005.

O intuito subliminar dessas celebrações ao grande almirante chinês não era outro que afirmar que China is back e que o parêntese ocidental de dominação dos negócios do mundo estava, sim, terminando.[64]

Consoante a isso, no âmbito da gestão da crise financeira de 2008, ela juntou-se verdadeiramente aos BRICs e aos demais emerging countries, deu o tom das negociações multilaterais assentadas no G20 e acelerou a politização do acrônimo gestado pela Goldman Sachs em 2001.

Adiante, na discretíssima transição da presidência de Hu Jintao à de Xi Jinping, em fins de 2013, o país asiático apresentou o seu ambicioso projeto para o século XXI: o Silk Road Economic Belt” para integrar a economia chinesa à Ásia, ao Oriente Médio e à Europa assim como a construção de uma “21st Century Maritime Silk Road” para conectar o comércio chinês ao sudoeste asiático, ao Oriente Médio, à África e, novamente, à Europa, ligando, ao todo, do Vietnã à Indonésia ao Sri Lanka chegando ao Quênia à Itália, Alemanha, Holanda, descendo para a Grécia, Turquia, Irã, Paquistão, toda a Rússia até retornar para a China. E, em inícios de 2014, ela plasmou tudo isso na expressão “One Belt, One Road” ou, simplesmente, BRI – “Belt and Road Initiative”.[65]

Nesse entremeio todo, a presidência de George W. Bush, soterrada no Oriente Médio, não teve força para fazer frente a nada disso. A presidência de Barack Obama, imiscuída em inanição, singrou por alternativas laterais sem efeitos nem consequências. Restando ao presidente Donald J. Trump abordar o desafio em face. Não por virtude. Por necessidade. O que o condicionou a, desde os primeiros momentos de seu primeiro mandato, organizar uma verdadeira blitzkrieg ante o BRI, ante a China e ante o presidente Xi Jinping.

O primeiro nível dessa guerra implacável foi a construção de uma comunicação uniforme de negação e desmerecimento aos sucessos, antigos e recentes, da China. Consoante a isso, o secretário de estado Mike Pompeo multiplicou acusações ao BRI, indicando tratar-se de plataforma desleal. O vice-presidente Mike Pence, quando do encontro da Asia-Pacific Economic Cooperation”, APEC, incentivou os países a “do not accept foreign debt that could compromise your sovreignty. The United States deals openly, fairly. We do no offer a constrictiong belt or a one-way road”. [Não aceitem dívidas externas que possam comprometer sua soberania. Os Estados Unidos negociam de forma aberta e justa. Nós não oferecemos um cinto de aperto nem uma estrada de mão única.]. O conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, replicou denúncias de que o BRI tinha um “ultimate goal of advancing Chinese global dominance”. [Objetivo final de avançar a dominação global chinesa]. E o almirante Philip Davidson, comandante naval norte-americano no Indo-Pacífico, naturalizou a imagem de que o BRI era “a staling horse to advance Chinese security concerns”. [Um cavalo de Troia para avançar as preocupações de segurança chinesas].[66]

O segundo nível da reação foi no plano das instituições. Em outubro de 2018, o presidente Donald J. Trump assinou, assim, a lei de “Better Utilization of Investments Leading to Development”, BUILD, para criar a “Development Finance Corporation”, DFC, em substituição à antiga “U.S. Overseas Private Investment Corporation”, OPIC. Tão logo criada, a DFC recebeu um aporte de 16 bilhões de dólares adicionados à integralidade do orçamento anual da U. S. Agency for International Development, USAID, para inibir o mercado de crédito chinês e promover aportes de crédito mais flexíveis, baratos e convidativos a países e setores incorporados à zona de influência da China alcançados pelo BRI.

Além disso, a administração norte-americana ainda mobilizou o “Export-Import Bank of the United States, U.S. EXIM, para reavaliar a balança comercial dos Estados Unidos versus China.

Adiante, o Congresso norte-americano estabeleceu o “Program on China and Transformational Exports” para inviabilizar setores de tecnologias digitais relacionados à Huawei, 5G, energia renovável e fintechs.

O terceiro nível dessa blitzkrieg foi no plano político, teve início em novembro de 2019 e levou os Estados Unidos a mobilizar a Austrália e o Japão na criação do “Blue Dot Network”, BDN, para promover infraestruturas na Ásia-Pacífico. Em seguida, reuniram dezenove países latino-americanos – entre eles, Chile, Guiana, Jamaica, Panamá e Suriname – para animar o “Growth in the Americas”. Tudo para inibir a presença chinesa na Ásia, na Oceania e nas Américas.

Ainda em 2019, os norte-americanos ainda começaram a limitar a venda de semicondutores avançados e chip para a Huawei chinesa e iniciaram uma ruidosa campanha de descrédito à empresa chinesa. O que levou o secretário Mike Pompeo a anunciar, em 2020, a criação da “Clean Network” como alternativa à 5G chinesa sob a promessa de maior segurança e privacidade de dados.

O conjunto dessa estratégia também resultou no estabelecimento do programa “Power Africa”, com aporte de mais de 22 bilhões de dólares, para descontinuar a influência chinesa no continente africano.[67]

Em seguida, veio a crise sanitária. O mundo fechou-se por completo. As tensões geopolíticas precisaram arrefecer-se. Prioridades urgentes impuseram-se sob o lema do “quoi qu’il en coûte” [custe o que custar]. Consequentemente, desafios latentes simularam estar suspensos.[68]

Nesse entretempo, o presidente Joe Biden ascendeu à Casa Branca, minorou a pressão sobre a China e retornou a tônica da ação exterior norte-americana sobre a Eurásia e sobre o Oriente Médio. Como resultado – se não direto, sutilmente concreto –, logo após a crise sanitária ocorreu a precipitação da invasão russa na Ucrânia em fevereiro de 2022 e o horroroso assalto do Hamas antes Israel no 7 de outubro de 2023.

*

Mikhail Gorbatchov viveu para ver tudo isso. Só não viveu para contemplar o retorno das guerras eternas no Oriente Médio.

Do leito de morte, como visto, ele emitiu o seu espanto na forma de “sim: é a guerra. Mas é também o momento mais temerário da história da humanidade” – e fez chegar a Henry Kissinger. Mas, pensando bem, o destinatário final daquela mensagem não era só Henry Kissinger, mas, também e sobretudo, o presidente Joe Biden.

Segue incógnita se o presidente Joe Biden recebeu a mensagem. Fato foi que Donald J. Trump, derrotado em 2020, soterrado em litígios judiciais e preparando o seu regresso à Casa Branca, sinalizou, após a invasão da Ucrânia, que, eleito novamente presidente, daria prioridade ao mal-estar entre Washington e a Eurásia e solucionaria todos as querelas russo-ucranianas urgentemente, em 24 horas. “Even now I could solve that in 24 hours” [Mesmo agora, eu poderia resolver isso em 24 horas], aludiu repetidas vezes.[69]

Entretanto, de retorno ao poder em janeiro de 2025, ele tomou pé da situação e notou ser complexa demais para ser superada em tão poucas horas. Realizou contatos diretos com o presidente Volodymyr Zelensky e com o presidente Vladmir Putin. Recebeu o primeiro na Casa Branca e o segundo no Alasca. Tentou dirimir contratempos. Mas a situação manteve-se sempre mais complexa que o previsto. Especialmente porque a ação exterior norte-americana estava dispersa e submersa em muitos fronts e, com isso, sem foco. O que levou o presidente Donald J. Trump a, antes de tudo, organizar a estratégia geração da ação exterior norte-americana. O que ocorreu a partir da promulgação, em novembro de 2025, da National Security Strategy of the United States of America.[70]

Para alguns, esse documento era a reabilitação da Doutrina Monroe. Para outros, uma atualização na forma de Doutrina Donroe. Mas, analisado com cuidado, essa novo estratégia de segurança norte-americana era a síntese de um conjunto de ordenamentos uniformes e hierarquizados com propósito único de conter a China.

Poucas semanas depois de seu aparecimento aconteceu a intervenção norte-americana na Venezuela em janeiro de 2026. Um mês e pouco depois, em fins de fevereiro, houve o assalto ao no Irã. Ambas operações aparentemente dispersas. Mas, vistas pelo prisma National Security Strategy of the United States of America, tiveram o propósito de minorar a presença chinesa na América Latina e no Oriente Médio. Enquanto isso, a situação euroasiática seguiu congelada. Como numa Cold Peace. Que não avança nem retrocede. O que, novamente pelo prisma da National Security Strategy, parece fazer parte do jogo de Washington.

Note-se sobre isso que que às voltas do encontro do G7 de 2026, sediado em Évian, na França, do 15 ao 17 de junho, o núcleo das preocupações foi, sim, o conjunto de urgências advindas do Oriente Médio, do Irã e do Estreito de Ormuz. Mas a parte substantiva da discussão envolveu o martírio euroasiático. Lideranças da Europa, da União Europeia e da zona do euro avocaram-se fiadoras da Ucrânia. Em contraponto, o presidente norte-americano, em dissonância, transitou por cenários dispersos. Distantes das aspirações europeias e centrados nos interesses nacionais dos Estados Unidos que voltaram, definitivamente, a rodear a China. Não pelo receio da “armadilha de Tucidides”[71] tampouco de um post-American World.[72] Mas por razões existenciais. As hesitações norte-americanas sobre a situação euroasiática possuem razão e método.

A centena de Executive Orders firmadas imediatamente após sua segunda posse de 20 de janeiro de 2025, o remanejamento planetário de tarifas, a simulação de regime change na Venezuela, a obsessão pela Groenlândia, a mutação da qualidade da aliança transatlântica com a Europa, o aggiornamento constante vis-à-vis do Oriente Médio, os allers-retours incessantes de simpatias e repulsas vis-à-vis de Israel, a tentativa imponente de neutralização do Irã, a inconstância frequente no trato com a Ucrânia, a Rússia e o presidente Vladmir Putin, na psiquê, da nova administração norte-americana, possui como target a China. E só ela.

Tudo porque, nos corredores da Casa Branca, do Pentágono e de West Point cogita-se que, ceteris paribus, uma confrontação armada direta com a China figura no horizonte. Na eventualidade de uma monstruosidade dessa magnitude, os norte-americanos, malgrado a sua superioridade bélica, militar e tecnológica, teriam dificuldades em guerrear em dois fronts, o euroasiático e o asiático, capitaneados pela Rússia e pela China. Justamente por isso a cautela do presidente Donald J. Trump no tratamento da tragédia russo-ucraniana.

Em fato, a erupção e o prolongamento desse infortúnio euroasiático a partir de 2022 desalinharam a Rússia da Europa, dos Estados Unidos e do Ocidente e lançaram-na em confidências profundas no Oriente Médio, na Ásia e na China. Nesse sentido, a rationalia do presidente Donald J. Trump perscruta superar a problemática euroasiática com ganho de causa para a Rússia para normalizar-se as relações russo-norte-americanas e neutralizar ou fragilizar a participação da Rússia numa eventual investida sino-norte-americana ulterior.

Regendo a situação assim, o presidente Donald J. Trump parece, curiosamente, retirar a ação exterior norte-americana do tropismo do muro e levá-la para outros tempos e momentos. Tempos e momentos decisivos. Que envolveram a neutralização do Reich de Hitler e a contenção do totalitarismo de Stalin. 1940 portanto. Quando a conjunto de estratégias dominantes foi pensado e aplicado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt de 1941, pelos generais George Marshall (1880-1959), Dwight D. Eisenhower (1890-1969) e Douglas MacArthur (1880-1964) de 1942 a 1945 e pelo diplomata George Kennan (1904-2005) de 1946 até o fim da vida.[73]

Voltando no tempo, desde a queda de Paris em 1940 e o rompimento do pacto germano-soviético em meados 1941 que o presidente Roosevelt começou a confiar ao primeiro-ministro Winston Churchill da impossibilidade de vencer-se Hitler sem o apoio de Stalin. Churchill sempre resistiu a essa tese. Mas, ao fim das contas, essa postura imperou e os acontecimentos futuros deram razão ao presidente norte-americano.

Os desembarques dos aliados na África, no Mediterrâneo e na Normandia, seriam, no conjunto, inócuos sem a fúria sanguinária do Exército Vermelho contendo e acoimando Wehrmacht no front Leste. A libertação de Paris e Roma em 1944, mais à frente, seria mais incerta sem o Reich sangrando hemorrágico no inferno germano-soviético. A rendição integral do Japão e da Ásia seria muito mais humanamente custosa sem a aliança indigesta com a China de Chiang Kai Shek (1887-1975). A contenção da União Soviética, estacionada em Berlim desde 1945, seria praticamente impossível sem os alertas do The Charge in the Soviet Union to the Secretary of State – doravante, Longo Telegrama – de George Kennan, da formulação do Plano Marshall também idealizada por George Kennan e da criação da OTAN projetada e negociada também por George Kennan e George Marshall incorporados a Dean Acheson (1893-1971), Lester Pearson (1897-1972) e Paul-Henri Spaak (1899-1972).[74]

O presidente Donald J. Trump parece inspirar-se nessa sequência daqueles momentos de guerra e após-guerra para antecipar a reação norte-americana diante de um possível confronto com a China. Fazendo assim, ele parece recuperar a essência da inquietação do presidente Mikhail Gorbatchov e os fundamentos da percepção de George Kennan sobre o lugar da Rússia na Eurásia e no mundo.

*

Mikhail Gorbatchov nem George Kennan participaram pessoa daquele convescote do verão de 2005 em Paris, mas estiveram em espírito. Ambos também tinham os pés fincados no muro e viam o mundo de modo peculiar. Como Raymond Aron e Henry Kissinger, acentuavam a fruição do trágico na vida e do trágico na História. Entendiam que, por pouco, o totalitarismo nazifascista não venceu o Mundo Livre na Segunda Guerra Mundial e, por pouco, o totalitarismo soviético não virou hegemônico no mundo inteiro após 1945. Esse quase jamais desertou do espírito de Gorbatchov nem Kennan. Até o fim de suas vidas eles dois seguiram ciosos da imperiosidade do mal. Por tudo isso, Kennan, mais que qualquer outro, levava às últimas consequências as premissas do general Charles de Gaulle sobre “uma Rússia de sempre” – superior e diferente daquela Rússia do momento soviético – e um sobre uma “Europa, do Atlântico aos Urais” – com a integração e normalização totais da Eurásia ao espaço europeu. Considerava ser a única forma de equilíbrio duradouro na região e no mundo.[75] A ideia de “Casa Comum” ia no mesmo sentido. Propondo o reconhecimento tácito da integração física, humana e espiritual de todo o eixo do Atlântico aos Urais. Conduzindo Tolstói, Tchaikovsky e Dostoievski a integrar o banquete com Dante, Shakespeare, Camões, Goethe, Flaubert e Fernando Pessoa.[76]

Essas opções estiveram presentes aos pés do muro. Henry Kissinger e George Kennan, entre outros, advogaram fortemente por elas. Aduziam que o Ocidente, a Europa e os Estados Unidos precisariam de prudência redobrada no tratamento da Rússia que nascia após o totalitarismo soviético. Não era uma Rússia qualquer. Era a Rússia de sempre. Um urso adormecido que, desperto, tenderia a tornar-se indomável e, como sempre, disposto a lutar até o último homem para salvaguardar a sua dignidade. Como se deu ante Napoleão e ante Hitler.

O presidente Mikhail Gorbatchov, o presidente François Mitterrand e o chanceler Helmut Kohl seguiam em linha com essas premissas de Kissinger e Kennan. Entretanto, o presidente Ronald Reagan dos Estados Unidos e a primeiro-ministro Margareth Thatcher do Reino Unido eram visceralmente contrários a essa solidariedade ocidental e europeia à Rússia. Aquele “Mr. Gorbatchov, tear down this wall” [Sr. Gorbatchov, derrube este muro] do presidente Ronald Reagan em 1987 em Berlim deu o tom de todo o arrivismo europeu e norte-americano contrário à Rússia após o muro. George Kennan percebeu rápido a manobra e advertiu que, naquele momento, a não integração da Eurásia ao Ocidente representava o maior equívoco do Ocidente desde a crucificação de Jesus Cristo.[77]

*

Donald J. Trump talvez não disponha da sapiência nem da agudeza de George Kennan. Mas ele parece convencido de que, sim: “é a guerra”; sim: vive-se o “o momento mais temerário da história da humanidade” e sim: foi um imenso equívoco a não integração da Eurásia à Europa.

George Kennan tinha, então, razão em seu desespero. Mas ia além. Como bom leitor dos escritos do cardeal Richelieu, ele advertia que “L’homme est immortel ; son salut est dans l’au-delà. L’État n’a pas d’immortalité ; son salut, c’est maintenant ou jamais.” [O homem é imortal; sua salvação está no além. O Estado não tem imortalidade; sua salvação é agora ou nunca.].[78] Essa advertência participou de seus últimos presságios sobre o meio internacional. Poucos ouviram e deram valor. Por conseguinte, agora, todos precisam decidir como operar esse “agora ou nunca”.

Foram os últimos presságios de George Kennan. Que também encetava que “forms of government are forged mainly in the fire of practice, not in the vacuum of theory. They respond to national character and to national realities” [As formas de governo são forjadas principalmente no fogo da prática, e não no vazio da teoria. Elas respondem ao caráter nacional e às realidades nacionais.][79] Restando, agora, aos bons ouvidos, ouvir.

                                                                                         



[1] O conjunto desse encontro, com suas motivações e revelações, vai narrado em FÉDOROVSKI, Vladmir. Le diable boiteux au Kremlin: Le vrai magicien de Moscou. Paris: Balland, 2026. Mas vide também FÉDOROVSKI, Vladmir. Les hommes de l’ombre, de Raspoutine à nous jours. YouTube – canal Paix et Guerre, 20 jun. 2026. 1 vídeo (1h21min). Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=l7odHrVpQcc . Acesso em : 20 jun. 2026.

[2] Os principais feitos de Alexander Yakovlev registrados em livros podem ser encontrados em YAKOVLEV, Alexander. USSR the Decisive Years. New York: First Glance Books, 1991. YAKOVLEV, Alexander. The Fate of Marxism in Russia. New Haven: Yale University Press, 1993.YAKOVLEV, Alexander. Century of Violence in Soviet Russia. New Haven: Yale University Press, 2002. YAKOVLEV, Alexander. Digging Out: How Russia Liberated Itself from the Soviet Union. New York: Encounter Books, 2004. Zbigniew Brzezinski produziu obra imensa e diversa. Distribuída em muitos livros, artigos, relatórios e depoimentos a casas parlamentares. Entre os seus principais livros, merecem destaque BRZEZINSKI, Zbigniew. The Permanent Purge: Politics in Soviet Totalitarianism. Cambridge: Harvard University Press, 1956. BRZEZINSKI, Zbigniew. Power and Principle: Memoirs of the National Security Adviser, 1977-1981. New York: Farrar, Strauss, Giroux, 1983. BRZEZINSKI, Zbigniew. Grand Failure: The Birth and Death of Communism in the Twentieth Century. New York: Charles Scribner's Sons, 1989. BRZEZINSKI, Zbigniew. Out of Control: Global Turmoil on the Eve of the 21st Century. New York: Collier, 1993. BRZEZINSKI, Zbigniew. The Grand Chessboard: American Primacy and Its Geostrategic Imperatives. New York: Basic Books, 1997. Vladimir Fédorovski, serviu sucessivas presidências soviéticas como diplomata, emigrou para a França no fim da União Soviética, tornou-se escritor, jornalista e romancista, publicou dezenas de obras, várias delas best sellers mundiais. Suas obras de referência para este relato são aquelas de cunho histórico-memorialístico, entre as quais se destacam FÉDOROVSKI, Vladimir. Le fantôme de Staline. Paris: Rocher, 2007. FÉDOROVSKI, Vladimir. Poutine, l’itinéraire secret. Paris: Rocher, 2014. FÉDOROVSKI, Vladimir. Poutine et l’Ukraine : les faces cachées. Paris: Balland, 2022. FÉDOROVSKI, Vladimir. Staline & Poutine, dialogues d’outre-tombe. Paris: Balland, 2024. FÉDOROVSKI, Vladimir. Le Roman vrai de Gorbatchev. Paris: Flammarion, 2021. FÉDOROVSKI, Vladmir. Le diable boiteux au Kremlin: Le vrai magicien de Moscou. Paris: Balland, 2026.

[3] FONTANA I LÀZARO, Josep. Para el bien del imperio. Barcelona: Passado & Presente, 2011. HOBSBAWM, Eric J. The Age of Extremes: A History of the World, 1914-1991. London: verso, 1995. JUDT, Tony. Post-War: a history of Europe since 1945. London: Penguin, 2006. SOUTOU, George-Henri. La guerre froide – 1943-1900. Paris: Pluriel, 2010.

[4] GOURDANT-MONTAGNE, Maurice. Les autres ne pensent pas comme nous. Paris: Bouquins, 2023.

[5] HOBSBAWM, Eric. Interesting times: a twentieth-century life. London: Knopf, 2007.

[6] HOBSBAWM, Eric. On history. London: New Press, 2007.

[7] HOBSBAWM, Eric. On history. London: New Press, 2007.

[8] HARTLEY, L. P. The Go-Between. New York: New York Review of Books, 2002.

[9] VÉDRINE, Hubert. Face à hyperpuissance. Paris: Fayard, 2003.

[10] GADDIS, John Lewis. The cold war: a new history. Nova Iorque: Penguin, 2005. FONTAINE, André. La guerre froide, 1917-1991. Paris: la martinière, 2004.

[11] The 9/11 Commission Report. National Commission on Terrorist Attacks Upon the United States (Public law 107-306, November 27, 2002).

[12] HEISBOURG, François (Org.). Annuaire stratégique et militaire, 2006-2007. Paris: Odile Jacob, 2007.

[13] FUKUYAMA, Francis. The End of History and the Last Man. New York: Free press, 1992. HUNTINGTON, Samuel P. The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order. New York: Simon & Schuster, 1996.

[14] FONTANA I LÀZARO, Josep. El futuro es un país extraño: una reflexión sobre la crisis social de comienzos del siglo XXI. Barcelona: Passado & Presente, 2013.

[15] HOBSBAWM, Eric. O novo século – entrevista a Antonio Polito. Trad. Claudio Marcondes. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

[16] FONTANA I LÀZARO, Josep. Para el bien del imperio. Barcelona: Passado & Presente, 2011.

[17] HERRING, George C. From Colony to Superpower: U.S. Foreign Relations since 1776. New York: Oxford University Press, 2008. LUTTWAK, Edward N. Strategy – The logic of war and peace. Boston: Harvard University Press, 2002. SOUTOU, Georges-Henri. La guerre froide, 1943-1990. Paris: Pluriel, 2011.

[18] BADIE, Bertrand. L’impuissance de la puissance – Essai sur les nouvelles relations internationales. Paris : Fayard, 2004. BADIE, Bertrand. La diplomatie de connivence: les dérives oligarchiques du système international. Paris: Editions la couverte, 2011.

[19] MEARSHEIMER, John J. The tragedy of great power politics. New York: W. W. Norton & Company, 2001.

[20] JACQUES, Martim. When China Rules the World: The End of the Western World and the Birth of a New Global Order. London: Penguin, 2012.

[21] KISSINGER, Henry. On China. New York: Penguin, 2011.

[22] GAUCHON, Pascal (coord.). Le mondemanuel de géopolitique et de géoéconomie. Paris: Puf, 2008. pp. 799-846.

[23] MAHBUBANI, Kishore. The Asian 21st Century – China and Globalization. London: Springer, 2022.

[24] Salvo melhor juízo, a expressão “países monstros” foi originalmente apresentada por George Kennan em KENNAN, George. Around the Cragged Hill: A Personal and Political Philosophy. New York: W. W. Norton, 1994

[25] GAUCHON, Pascal (coord.). Le mondemanuel de géopolitique et de géoéconomie. Paris: Puf, 2008. pp. 799-846.

[26] MINC, Alan. La mondialisation heureuse. Paris: Plon, 1997.

[27] TODOROV, Tzvtan. La peur des barbares: au-deà du choc des civilisations. Paris: Robert Laffont, 2008.

[28] O’NEILL, Jim. Building Better Global Economic BRICs. Goldman Sachs Co., 23/nov./2001.

[29] PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A ascensão do Sul [Relatório]. New York: PNUD, 2014.

[30] FOUCHER, Michel. La bataille des cartes: analyses critiques des visions du monde. Paris: Bourin éditeur, 2011.

[31] Vide União Africana. Disponível em : https://au.int/en/overview . Consultado em : 10 de junho de 2026.

[32] GAUCHON, Pascal (coord.). Le mondemanuel de géopolitique et de géoéconomie. Paris: Puf, 2008. pp. 847-876.

[33] FÉDOROVSKI, Vladmir. Le diable boiteux au Kremlin: Le vrai magicien de Moscou. Paris: Balland, 2026.

[34] VAÏSSE, Maurice. De Gaulle et la Russie. Paris: CNRS, 2012.

[35] DE GAULLE, Charles. Lettres, notes et carnets, janvier 1964-juin 1966. Paris : Plon, 1987.

[36] O Massacre de Massacre de Katyn foi a execução em massa de cerca de 22 mil cidadãos poloneses pela polícia secreta soviética, a NKVD, na primavera de 1940, por ordem da liderança da União Soviética. Entre as vítimas estavam principalmente oficiais do Exército polonês, além de policiais, intelectuais, professores, médicos, engenheiros, advogados e funcionários públicos. Vide DAVIS, Norman. O levante de 44 – A batalha por Varsóvia. Trad. Maria Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Record, 2006.

[37] VAÏSSE, Justin. Zbigniew Brzezinski: America’s Grand Strategist. Cambridge: Harvard University Press, 2008.

[38] FÉDOROVSKI, Vladmir. Les hommes de l’ombre, de Raspoutine à nous jours. YouTube – canal Paix et Guerre, 20 jun. 2026. 1 vídeo (1h21min). Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=l7odHrVpQcc . Acesso em : 20 jun. 2026.

[39] Sobre Charles Maurice Talleyrand-Périgord (1754-1838) vide WARESQUIEL, Emmanuel de. Talleyrand, le prince immobile. Paris: Fayard, 2003.

[40] FÉDOROVSKI, Vladmir. Le diable boiteux au Kremlin: Le vrai magicien de Moscou. Paris: Balland, 2026. Mas vide também FÉDOROVSKI, Vladmir. Les hommes de l’ombre, de Raspoutine à nous jours. YouTube – canal Paix et Guerre, 20 jun. 2026. 1 vídeo (1h21min). Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=l7odHrVpQcc . Acesso em : 20 jun. 2026.

[41] O conjunto dessas confissões vai contido em FÉDOROVSKI, Vladmir. Le diable boiteux au Kremlin – Le vrai magicien de Moscou. Paris: Balland, 2026.

[42] PUTIN, Vladmir. Speech and the Following Discussion at the Munich Conference on Security Policy. Munich, 2007. Disponível em : http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034 . Acesso em : 05 de julho de 2026.

[43] MEARSHEIMER, John J. Why the Ukraine Crisis Is the West’s Fault The Liberal Delusions That Provoked Putin. Foreing Affairs, pp. 1-13, sept.-oct. 2014.

[44] BORDACHEV, Timofei. The World Majority and Its Interests. Moscou, Valdaiclub, 2024.

[45] Vide SEGRILLO, Angelo. A guerra da Ucrânia: repercussões historiográficas no contexto da questão nacional. Revista Brasileira de História, n. 43, vol.94, Sep.-Dec., 2023.

[46] FOUCHER, Michel. Ukraine : une guerre coloniale en Europe. Paris: L’Aube, 2022.

[47] DE GAULLE, Charles. Lettres, notes et carnets, janvier 1964-juin 1966. Paris : Plon, 1987. PEYREFITTE, Alain. C’était de Gaulle. Paris : Fayard, 1994.

[48] FÉDOROVSKI, Vladimir. Le fantôme de Staline. Paris: Rocher, 2007.

[49] VÉDRINE, Hubert. Dans les mondes de François Mitterrand – 1981-1995. Paris: Fayard, 1996. pp. 369-590.

[50] FÉDOROVSKI, Vladmir. Les hommes de l’ombre, de Raspoutine à nous jours. YouTube – canal Paix et Guerre, 20 jun. 2026. 1 vídeo (1h21min). Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=l7odHrVpQcc . Acesso em : 20 jun. 2026.

[51] ROGOFF, Kenneth S. & REINHART, Carmen M. This time is different. Eigth centuries of financial folly. Princeton: Princeton University Press, 2009.

[52] STIGLITZ, Joseph E. O mundo em queda livre – Os Estados Unidos, o Mercado e o naufrágio da economia mundial. Trad. José Viegas Filho. São Paulo: Cia das Letras, 2010.

[53] TRINKUNAS, Harold. Brazil’s rise: seeking influence on global governance. Washington: Brookings Institution, 2014.

[54] FRANK, Robert (dir.). Pour l’histoire des relations internationales. Paris: PUF, 2012. p. XII.

[55] TERTRAIS, Bruno. Le piège du Sud Global. Grand Continent, 3 octobre 2023.

[57]I've come here to Cairo to seek a new beginning between the United States and Muslims around the world, one based on mutual interest and mutual respect, and one based upon the truth that America and Islam are not exclusive and need not be in competition. Instead, they overlap, and share common principles - principles of justice and progress; tolerance and the dignity of all human beings”. [Vim ao Cairo para buscar um novo começo nas relações entre os Estados Unidos e os muçulmanos de todo o mundo, alicerçado no interesse recíproco e no respeito mútuo, bem como na convicção de que os Estados Unidos e o Islã não são incompatíveis nem precisam estar em oposição. Pelo contrário, possuem pontos de convergência e compartilham princípios fundamentais: a justiça, o progresso, a tolerância e a dignidade de todos os seres humanos]. Vide. OBAMA, Barack. A new beginning. Cairo, June 4, 2009. Disponível em: https://obamawhitehouse.archives.gov/issues/foreign-policy/presidents-speech-cairo-a-new-beginning . Acesso em : 06 de julho de 2026.

[58] SARKOZY, Nicolas. Discours de Monsieur Nicolas SARKOZY Président de la République française Université de Dakar - Sénégal Jeud 26 Julllet 2007. Disponível em : https://www.dailymotion.com/video/xc7llj . Acesso em : 05 de julho de 2026.

[59] SORKIN, Andew Ross. Too Big to Fail: The Inside Story of How Wall Street and Washington Fought to Save the Financial System and Themselves. New York: Penguin, 2010.

[60] WOODWARD, Bob. Fear: Trump in the White House. New York: Simon & Schuster, 2018.

[61] WOODWARD, Bob. Obamas wars. New York: Simon & Schuster, 2010.

[62] REMNICK, David. A ponte: vida e ascensão de Barack Obama. Trad. Celso Nogueira e Isa Mara Londo. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. OBAMA, Barack. A Promised Land. New York: Crown, 2020.

[63] FRIEDMAN, Jeffrey & FRIEDMAN, Shterna. Rethinking the rhetorical presidency. New York: Routledge, 2012.

[64] HEISBOURG, Fraçois. L’épaisseur du monde. Paris: Stock, 2007. MAHBUBANI, Kishore. The Asian 21st Century – China and Globalization. London: Springer, 2022.

[65] LEW, Jacob J. & ROUGHEAD, Gary. China’s Belt and RoadIndependent task force n. 79. New York: Council on Foreign Relations, 2025. pp. 8-11.

[66] LEW, Jacob J. & ROUGHEAD, Gary. China’s Belt and RoadIndependent task force n. 79. New York: Council on Foreign Relations, 2025. p. 84.

[67] LEW, Jacob J. & ROUGHEAD, Gary. China’s Belt and RoadIndependent task force n. 79. New York: Council on Foreign Relations, 2025.pp. 82-87.

[68] VÉDRINE, Hubert. Et après. Paris: Fayard, 2020.

[69] Donald J. Trump iniciou a utilização dessa expressão em seus comícios de pré-campanha em 2023. Em New Hampshire, ele fizera a manifestação mais direta. Aludindo que “Even now I could solve that in 24 hours” [Mesmo agora, eu poderia resolver isso em 24 horas]. Vide Comício de New Hampshire. Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=9V-KLYQ8Nmw . Acesso em: 05 de julho de 2026.

 

[70] WHITE HOUSE. National Security Strategy of the United States of America. Washington, novembro de 2025.

[71] ALLISON, Graham. Destined for War: Can America and China Escape Thucydides's Trap?. New York: Houghton Mifflin, 2017.

[72] ZAKARIA, Fareed. The Post-American World. New York and London: W. W. Norton & Company, 2008.

[73] KENNAN, George. Memórias – 1925-1950. Trad. Vera Giambastiani. Rio de Janeiro: Topbooks, 2014.

[74] BEEVOR, Antony. The second world war. London: Weidenfeld & Nicolson, Phoenix, 2012. BUTLER, J. R. M. History of the Second World War. Grande Strategy. London, Her Majesty’s Stationery Office, 1957-1972. 6 vols. FRANK, Robert & AGLAN, Alya. 1937-1947 – La guerre-monde I. Paris : Gallimard, 2015. LIDDELL HART, B. H. History of the Second World War. London: Cassell, 1970.

[75] KENNAN, George. Memórias – 1925-1950. Trad. Vera Giambastiani. Rio de Janeiro: Topbooks, 2014.

[76] KISSINGER, Henry. World order – reflections on the character of nations and the course of History. New York: Alan Lane, 2014.

[77] Apud FÉDOROVSKI, Vladmir. Les hommes de l’ombre, de Raspoutine à nous jours. YouTube – canal Paix et Guerre, 20 jun. 2026. 1 vídeo (1h21min). Disponível em : https://www.youtube.com/watch?v=l7odHrVpQcc . Acesso em : 20 jun. 2026.

[78] Apud KISSINGER, Henry. World order – reflections on the character of nations and the course of History. New York: Alan Lane, 2014. p. 22.

[79] KENNAN, George F. American Diplomacy: Sixtieth-anniversary expanded edition. Chicago: University of Chicago Press, 2012. p. 142.

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela:- Paulo Roberto de Almeida

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela


Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Uma avaliação dos fatores de crise e uma indicação de sua “solução”.
 
[In fine: comentários de Madame (ou Demoiselle) IA: ] 


        O mundo tem dois grandes problemas: eles se chamam, respectivamente, Putin e Trump. O primeiro por ter a justa precedência no desmantelamento da ordem política global estabelecida 41 anos atrás ao invadir uma nação soberana, contra a Carta da ONU e as normas mais elementares do Direito Internacional (que tampouco é respeitada por uma imensa maioria dos países do assim chamado Sul Global, entre eles o Brasil). O tirano de Moscou também tem precedência na crise atual pelo fato de ter herdado e expandido um Estado mafioso, controlado por órgãos internos de repressão, que recrutaram, no passado, e passaram a controlar na última década, um narcisista imbecil que desgoverna o país mais poderoso do mundo, que está na origem da mais grave crise estrutural do mundo, o desmantelamento da ordem econômica global, começando pelo sistema multilateral de comércio.
        O segundo personagem, e segundo problema, deu continuidade à crise mundial, ao pretender gerir como um administrador incompetente um país que ele pretendia reverter aos tempos da segunda revolução industrial da história econômica global, aquela do petróleo, do motor à explosão, até do carvão e da era telegráfica. Não há nenhuma dúvida de que é controlado por, e obedece submissivamente, ao primeiro personagem, ambos abrindo involuntariamente todos os espaços para o fortalecimento econômico, politico e diplomático do terceiro elemento contingente na atual crise politica e econômica global, o novo imperador cercado de mandarins competentes, que administram de maneira racional a reconstrução de um Estado weberiano avant la lettre, que combina, num formato heterodoxo, as três modalidades de dominação política teorizadas pelo sociólogo alemão.
        Esse terceiro personagem, que combina fatores estruturais e contingentes, tem habilidades institucionais para assistir ao declínio auto-infligido aos impérios respectivos pelos dois citados autores e fatores personalistas da atual crise global, ou seja, o desmantelamento da ordem mundial construída sobre os escombros do maior conflito planetário da era pré-atômica, daí sua postura responsável de interditar ao primeiro personagem, seu quase vassalo, o uso da ferramenta nuclear para “resolver” o imbroglio no qual deliberadamente e estupidamente se meteu com sua guerra de agressão contra o vizinho.
        O segundo personagem é ainda mais estúpido, ao se meter numa confusão que não lhe dizia respeito em primeiro lugar, mas na qual se envolveu como um aprendiz de feiticeiro absolutamente incompetente e fraco dos miolos.
Esses fatores contingentes explicam a crise atual, mas não fornecem, longe disso, os instrumentos para superar a crise atual, que tem fatores estruturais subjacentes à evolução da dinâmica politica e econômica global registrada nas últimas décadas, e cujo desenlace talvez tenha de aguardar o término, legal ou forçado, do afastamento dos dois primeiros personagens do comando respectivo dos seus impérios em declínio relativo.
        O terceiro personagem talvez possa oferecer uma solução parcial à crise atual, mas depende justamente do afastamento dos dois primeiros, que não possuem mais ferramentas para remediar a crise existente, que é mais política do que civilizatória. Enquanto isso, o assim chamado Sul Global permanece enredado em suas próprias contradições, com o prolongamento de sua letargia política e econômica nos fatores estruturais de um eventual desenvolvimento em bases sólidas, que deveria ter fundamentos educacionais para um novo estilo de governança.
        O mundo caminha muito lentamente, quando não se tem estadistas à altura das necessidades globais.
        Era o que eu tinha a dizer.

P.S. A crise mundial vai além dos aspectos políticos, econômicos ou geopolíticos; ela alcança também o lado futebolístico da coisa:
"Trump confirms he asked Fifa to review Balogun ban."


Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5388, 6 julho 2026, 2 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (6/07/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/a-crise-mundial-explicada-por-fatores.html  
============= 

Comentários de Madame (ou Demoiselle) IA: 
 
"Comentários de Madame IA:

A crise mundial explicada por fatores contingentes que agravam os fatores estruturais pré-existentes a ela:


https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/a-crise-mundial-explicada-por-fatores.html

O Cenário Analítico da Ordem Global
A análise do ensaio produzido pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida revela uma crítica contundente ao desmantelamento da ordem política e econômica global, estruturada a partir do pós-Guerra Fria. O autor adota uma perspectiva realista e personalista para diagnosticar o estado atual das relações internacionais, dividindo sua argumentação entre o que define como fatores contingentes, ou seja, a atuação direta de lideranças específicas, e os fatores estruturais preexistentes. [1]
 
Os Fatores Contingentes e o Declínio Imperial
No núcleo da argumentação, o texto identifica duas figuras centrais como os principais motores da instabilidade contemporânea: Vladimir Putin e Donald Trump. Putin é responsabilizado diretamente pela ruptura jurídica internacional ao promover a invasão da Ucrânia, violando a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e expondo a leniência de grande parte do Sul Global, incluindo o Brasil, diante de agressões soberanas. O autor caracteriza o regime de Moscou como um Estado mafioso que logrou instrumentalizar as fragilidades políticas ocidentais. [1, 2, 3]
 
O segundo vetor de crise, personificado por Trump, é descrito sob uma ótica de incompetência administrativa e retrocesso econômico. Trump atuou no desmantelamento do sistema multilateral de comércio, tentando guiar a maior potência econômica global de volta a moldes industriais obsoletos do século passado. Na visão crítica do diplomata, a submissão e o isolacionismo dessa liderança norte-americana acabaram por acelerar o declínio autoinduzido de ambos os impérios. [1, 2, 3]
 
A Ascensão Racional do Terceiro Elemento
Em contraposição à irracionalidade dos dois primeiros atores, o ensaio introduz a China e sua liderança como o terceiro elemento dessa dinâmica. A liderança chinesa opera sob uma dominação weberiana heterodoxa, administrando de forma calculada e pragmática os espaços deixados vazios pelas potências ocidentais em retrocesso. A postura de Pequim é descrita como institucionalmente habilidosa, inclusive ao agir como moderadora para interditar o uso de ferramentas nucleares por parte de seu parceiro moscovita. [1, 2, 3]
 
Perspectivas Estruturais e a Inércia do Sul Global
A superação do atual estado de coisas, contudo, esbarra na profundidade dos problemas estruturais que transcendem a mera permanência desses indivíduos no poder. O autor demonstra ceticismo quanto a soluções rápidas, apontando que o desenlace definitivo depende do afastamento legal ou forçado dessas lideranças e de uma profunda reformulação educacional e institucional. O Sul Global permanece enredado em contradições e letargia, falhando em construir bases sólidas de desenvolvimento devido à ausência de estadistas capazes de responder às complexas necessidades geopolíticas atuais.

===
 

domingo, 5 de julho de 2026

Lógica ilógica (o Brasil e irrealismo mágico) - Raul Canal

 Lógica ilógica

Raul Canal
5/07/2026

O futebol não é apenas o esporte nacional. É a metáfora mais fiel do pensamento mágico brasileiro.
Durante noventa minutos, suspendemos a realidade. Esquecemos a produtividade medíocre, os impostos sufocantes, a insegurança jurídica, a pobreza persistente e a lenta erosão das instituições.
Por alguns instantes, acreditamos que a vontade derrota os fatos, que o talento torna os fundamentos desnecessários, que o improviso supera o planejamento e que a esperança substitui a responsabilidade.
A bola nos oferece uma trégua emocional. Talvez seja exatamente por isso que o futebol nos fascine tanto.
Durante noventa minutos, podemos acreditar que o desejo vale mais do que a realidade. O problema começa quando levamos essa fantasia para fora do estádio.
A eliminação do Brasil não foi uma novidade trágica. Foi apenas mais um encontro entre a fantasia e a realidade.
O mais curioso é que nada disso é um mistério. Há décadas sabemos o que produz grandes seleções, empresas competitivas e países prósperos: planejamento, disciplina, liderança, responsabilidade, mérito e trabalho consistente. A receita nunca esteve escondida. O Brasil apenas continua à procura da fórmula que dispense os fundamentos.
O pensamento mágico não consiste em acreditar no impossível. Consiste em acreditar que os resultados sobreviverão ao desprezo pelas suas causas.
É exatamente essa lógica que atravessa o país. Queremos prosperidade sem produtividade, crescimento com impostos sufocantes, equilíbrio fiscal sem disciplina, liberdade sem instituições sólidas e desenvolvimento sem os fundamentos que o tornam possível.
No futebol, apostamos no talento. Na economia, na improvisação. Na política, nas narrativas. Em todos os casos, adiamos o indispensável e celebramos o improviso.
Em bom português, fazemos tudo errado esperando que tudo dê certo.
O problema do Brasil nunca foi a falta de esperança. Foi a convicção infantil de que a esperança pode substituir os fundamentos.
Amanhã termina o campeonato que mobiliza as emoções. Recomeça o campeonato que decide o destino de um país.
Nesse campeonato, não existem milagres. Existem causas, consequências e uma verdade que insistimos em adiar.
O Brasil não fracassa por desconhecer a receita. Fracassa porque continua procurando um milagre onde sempre existiu apenas trabalho.
A realidade pode ser ignorada por algum tempo. Jamais pode ser derrotada.

A valorização do café e seu amargo legado - Edmar Bacha (Substack

 A VALORIZAÇÃO DO CAFÉ E SEU AMARGO LEGADO

As tarifas de Trump sob a ótica da centenária política brasileira do café

Em entrevista recente, comparei as tarifas de Trump com a política de valorização do café do Brasil (Bacha, 2025). Argumentei que ambas poderiam ser vistas como tentativas de exploração do poder de monopólio para melhorar as relações de troca do país. Acrescentei que tais políticas poderiam funcionar no curto prazo — seja aumentando os preços das exportações, no caso do Brasil, seja reduzindo os preços das importações, no caso dos EUA — mas que, no longo prazo, acabavam voltando-se contra o próprio país, pois o poder de monopólio se diluía ao longo do tempo, restando apenas as distorções provocadas por seu exercício.

Esta reflexão sobre os limites do poder de monopólio nas relações comerciais tem especial relevância para o Brasil. Afinal, fomos pioneiros de uma das mais longevas tentativas de exploração desse poder na história econômica mundial. 

No início do século XX, Brasil era café e café era Brasil – e foi aí que teve início a política de valorização do produto, com o Acordo de Taubaté de 1906. Quase no final daquele século, a Federação Brasileira dos Exportadores de Café declararia que o Brasil não mais dependia do café e que o mundo não mais dependia do café brasileiro – e foi aí, em 1990, que se fechou o Instituto Brasileiro do Café (IBC).

No entremeio, decorreram quase cem anos da história econômica do país, marcados pela ascensão, auge e declínio da política de valorização do café — o mais importante marco de política econômica continuada de nossa história. Foi também responsável pela introdução do verbo valorize e do substantivo valorization na língua inglesa. Diz o dicionário Merriam-Webster’s (1998, p. 1305), em tradução livre:

valorize vt ... [Pg. valorizar...] (ca. 1906): aumentar ou tentar aumentar o preço, valor ou status de, por uma ação organizada e geralmente governamental <usando subsídios para valorizar o café> — valorization, s.”

A palavra “subsídio” deve ser entendida em sentido amplo, pois a valorização do café consistiu, tradicionalmente, na compra e estocagem pelo governo dos chamados excedentes de produção, a preços predeterminados, usando para isso uma combinação de impostos, empréstimos externos e financiamentos oficiais.

Em 1992, escrevi uma monografia sobre o papel histórico do café na economia brasileira (Bacha, 1992 [2012]). A monografia trata da expansão da produção desde o século XIX, mas enfatiza a política de valorização iniciada em 1906. Ela detalha a evolução dessa política ao longo do século XX, até sua extinção em 1990, no governo Collor.

A monografia propõe inicialmente uma reavaliação do comportamento dos preços do café no século XIX. Mostra que houve um desequilíbrio fundamental entre o rápido crescimento da demanda mundial e o lento crescimento da oferta, o que fez com que o preço real do café apresentasse uma tendência de aumento secular, de meados da década de 1840 até o final da década de 1880.

Delfim Netto (1959 [1979, p. 28]) sustenta que foi o salto dos preços nominais provocado pela bolha do Encilhamento (1889-1891) que gerou a superprodução da década de 1890. Em contraste, meu texto argumenta que a causa do excesso de produção foi a tendência de aumento secular dos preços reais do café — em libras esterlinas de poder de compra constante — ao longo da segunda metade do século XIX. Essa tendência, não captada pelos dados nominais de Delfim Netto – que não levam em conta a deflação de preços na Inglaterra --, foi parcialmente mascarada por acentuadas variações cíclicas, que o autor enfatizou. A extraordinária melhoria das relações de troca brasileiras de 1840 até 1890 é documentada em artigo recente de Bacha, Tombolo e Versiani (2025).

A superprodução fez os preços do café baixarem muito a partir de 1896. A valorização do café foi a resposta a essa baixa, em um contexto em que o Brasil respondia por 70% das exportações mundiais.

Introduzida em 1906, a valorização manteve-se como característica da política brasileira do café até 1990. Ao Acordo de Taubaté sucederam-se a segunda e a terceira valorizações, respectivamente em 1917 e 1921. Em 1924, a valorização se tornou “permanente” com a criação do Instituto Paulista para a Defesa Permanente do Café.

Essa política, entretanto, não resistiu à debacle de preços causada pela crise mundial de 1929. Foi então substituída pela queima de 80 milhões de sacas de café, conduzida pelo Departamento Nacional do Café, criado por Getúlio Vargas em 1933.

Durante a 2ª Guerra, os preços do café foram congelados em níveis atrativos pelos EUA. Depois, elevaram-se mais ainda com o boom mundial associado à Guerra da Coreia.

Quando os preços começaram a cair, Getúlio Vargas, novamente no poder, retomou a valorização em 1952 com a criação do IBC, que passou a regular tanto o mercado interno quanto o externo — neste último caso, por meio de sucessivos Acordos Internacionais.

Criticada por Delfim Netto e Andrade Pinto (1965), em razão das perdas de mercado para os concorrentes, a valorização ainda deu um último suspiro no governo Geisel. Acabou, finalmente, no governo Collor, com a extinção do IBC e a suspensão das cláusulas econômicas do Acordo Internacional do Café.

Graças à política de valorização, o café conseguiu escapar da tese de Prebisch (1950) sobre a tendência secular de queda dos preços relativos dos produtos primários. Enquanto os preços reais de quase todas as outras commodities tenderam a cair, isso não ocorreu com o café. De fato, a relação entre os preços do café e um índice geral de commodities triplicou ao longo do século XX.

Apesar disso, a avaliação da política é bastante negativa. Por causa da valorização, o café se manteve como produto de exportação dominante por mais um século, ao mesmo tempo em que o Brasil perdia participação no mercado mundial. De 70% no início do século XX, a participação caiu para 20% ao final da política. Esse foi um dos legados centrais.

No entretempo, outros produtos nacionais além do café tiveram enorme dificuldade de competir nos mercados estrangeiros. Esses produtos se tornaram “gravosos”, na linguagem da época — ou seja, sua exportação implicava ônus ou prejuízo. Pois o preço em dólares do café era muito atrativo e a taxa de câmbio se mantinha sobrevalorizada.

Em consequência, a participação das exportações totais no PIB reduziu-se dramaticamente: de cerca de 20% em 1906, quando a valorização foi introduzida, para apenas 6,5% em 1964, quando o café perdeu sua posição dominante nas exportações brasileiras. Paradoxalmente, uma política que supostamente se destinava a maximizar a receita de curto prazo das exportações resultou, no médio prazo, numa crônica escassez de divisas.

Essa escassez teve como contrapartida a chamada política do similar nacional: produtos com similar produzido no Brasil não eram importados. Por outro lado, esses similares não conseguiam ser exportados devido a seus altos preços e baixa qualidade. Gerou-se, assim, uma indústria voltada quase exclusivamente para o mercado interno.

As divisas geradas pelo café eram reservadas para a importação de insumos e bens de capital dessa indústria. Durante longo período, isso se fez por controles quantitativos e licenciamento das importações. Mais tarde, por câmbios múltiplos que favoreciam as importações “essenciais”. E, enfim, por tarifas elevadas, das quais se isentam bens de capital, informática e telecomunicações sem similar nacional.

Em nível ideológico, havia uma hostilidade permanente entre a elite rural, que reclamava contra uma indústria “artificial” – porque não derivava de matérias primas locais --, e a elite urbana, que clamava que a proteção era necessária para industrializar o país. Mas as elites se aliavam na defesa da taxa de câmbio apreciada, pois ela valorizava o café e reduzia os custos dos insumos importados pela indústria. Essa postura foi apoiada por sucessivos governos, que tradicionalmente usaram o câmbio como âncora para os preços internos.

Desenvolveu-se, então, uma aliança implícita entre os interesses dos cafeicultores e os dos industriais. Essa aliança derrotou a tentativa do ministro da Fazenda de Café Filho, José Maria Whitaker, em 1954, de acabar com a política de valorização e com o sistema de taxas múltiplas de câmbio, introduzindo um câmbio flutuante unificado.

Foi a derrota de uma visão de crescimento apoiada na diversificação das exportações e o triunfo da visão oposta — explicitada no mandato de Juscelino Kubitschek --, de aprofundar a substituição de importações e manter a supremacia do café nas exportações brasileiras.

Essa supremacia deixou de existir a partir de meados da década de 1960, quando, às custas de fortes subsídios, as exportações industriais ganharam fôlego. Esses subsídios, entretanto, se tornaram ilegais com a assinatura pelo Brasil do Código de Subsídios do GATT em 1979.

Mais tarde, a ascensão da China no comércio mundial reduziu os preços dos produtos manufaturados e elevou os das commodities, gerando a chamada reprimarização das exportações brasileiras.

Hoje, outras commodities assumiram o protagonismo na pauta de exportações, e o Brasil já não depende do café. Mas o setor industrial, em processo de encolhimento, continua voltado para dentro, incapaz de competir nos mercados externos.

Além da introversão da indústria, a política de valorização também esteve associada a uma extraordinária concentração do poder econômico no Estado de São Paulo. Tanto o café valorizado quanto a indústria protegida tiveram nesse Estado o seu habitat natural.

Amargo, de fato, foi o legado da política de valorização do café. Assim como deve ocorrer com as tarifas de Trump, políticas que exploram supostos poderes de monopólio podem parecer eficazes no curto prazo, mas revelam-se custosas e insustentáveis no longo prazo.

Referências

BACHA, E. L. Política brasileira de café: uma avaliação centenária. In: Edmar Bacha e Robert Greenhill. 150 Anos de Café. Rio de Janeiro: Salamandra Consultoria Editorial S.A./Marcellino Martins & E. Johnston, 1992. p. 13-133. Reeditado com revisões em Edmar Bacha, Belindia 2.0. Civilização Brasileira, 2012. p. 305-408.

BACHA, E. L. “A era da incerteza e o trumpeconomics de inspiração dilmista” (entrevista para Cristiano Romero). Vero Notícias, 18/08/2025. https://veronoticias.com/entrevistas/a-era-da-incerteza-e-o-trumpeconomics-de-inspiracao-dilmista/

BACHA, E. L.; TOMBOLO, G. A.; VERSIANI, F. R. “Secular stagnation? A new view on the Brazilian economy in the 19th century”. Revista de Historia Económica/Journal of Iberian and Latin American Economic History, 2025, pp. 1–30 doi:10.1017/S021261092510058X.

DELFIM NETTO, A. O Problema do Café no Brasil. Boletim n. 5. São Paulo: Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo, 1959. Reproduzido pela Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro), 1979.

DELFIM NETTO, A. e ANDRADE PINTO, C. A. O Café do Brasil: Vinte Anos de Substituição no Mercado Internacional. Estudos ANPES n. 3, São Paulo, dezembro de 1965.

MERRIAM-WEBSTER’S Collegiate Dictionary – 10ª. ed. Springfield, MA: Merriam-Webster, Inc., 1998.

PREBISCH, R. The Economic Development of Latin America and its Principal Problems. Nova York: Nações Unidas, 1950.

ORGEM e Progresso: o novo lema na bandeira brasileira, num livro de Stanley Hilton

O primeiro livro de Stanley Hilton, publicado em 1975, sobre as rivalidades comerciais e políticas entre as grandes potências no Brasil dos anos 1930, foi objeto de uma "inovação" do capista, ao compor a bandeira brasileira na capa, edição da Universidade do Texas: ele conseguiu criar um novo moto para o Brasil, que deveria ser o habitual, mas acabou ganhando um nova ordem, a ORGEM!


 

 

Semana de 28/06 a 4/07 no Diplomatizzando comentada por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida

   Semana de 28/06 a 4/07 no Diplomatizzando comentada por Madame IA

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Apenas transcrição dos links originais no blog Diplomatizzando.

  

- A recente semana (de 28/junho a 04/julho/2026) de participações da Madame IA no blog Diplomatizzando, em ordem cronológica: 

O blog Diplomatizzando e a Inteligência Artificial (via Airton Dirceu Lemmertz): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-blog-diplomatizzando-e-inteligencia.html 

Madame (Demoiselle) IA comenta as postagens da semana no Diplomatizzando (via ADL): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-demoiselke-ia-comenta-as.html 

Relembrando os combates da História - Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/relembrando-os-combates-da-historia.html 

Blog Diplomatizzando: Madame IA comenta o primeiro semestre de 2026, via Airton Dirceu Lemmertz: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/blog-diplomatizzando-madame-ia-comenta.html 

Um exercício interessante, via Madame IA: comparar PRA e ADL: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/um-exercicio-interessantevia-madame-ia.html 

Balanço do Diplomatizzando no primeiro semestre de 2026 - Madame IA e Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/balanco-do-diplomatizzando-no-primeiro.html 

Terror russo na Ucrânia: o mundo não pode ficar em silêncio, mas o governo Lula apoia objetivamente o criminoso de guerra e contra a humanidade: Madame IA comenta: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/terror-russo-na-ucrania-o-mundo-nao.html 

Notícias recentes e relevantes sobre o Itamaraty, na visão de madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/noticias-recentes-e-relevantes-sobre-o.html 

- "Uma semana com 8 participações da IA Gemini." (ADL). 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5387, 5 julho 2026, 1 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (5/07/2026; link: ).

 

Madame IA se dedica a desmantelar os quatro anos de bolsolavismo diplomático esquizofrênico

Madame IA sintetiza, interpreta e apresenta tudo o que eu penso sobre o período esquizofrênico do bolsolavismo diplomático, o supremo horror que se abateu sobre o Itamaraty, dominando por uma súcia de amadores ignorantes, operadores incompetentes e fanáticos da extrema-direita mais estúpida ja conhecida em 500 anos de Brasil:


JMB: https://www.youtube.com/post/UgkxX74eBlqZvBHlSDFDYjemDaLNb9dU7ANI

A mediocridade política e moral que se abateu sobre o Brasil no interregno obscurantista da gestão de Jair Messias Bolsonaro representou, sem sombra de dúvida, o período de maior rebaixamento institucional, cultural e diplomático da nossa história republicana. Como analista e diplomata de carreira formado no rigor da racionalidade e das liberdades democráticas, considero um dever de resistência intelectual radiografar o desastre absoluto desse projeto de poder capitaneado por um capitão expulso das fileiras ativas por indisciplina e guindado ao topo por um acidente da história. Trata-se da crônica de uma demolição programada, onde a inépcia administrativa se consorciou com a má-fé ideológica para transformar uma potência emergente em um pária global definitivo. O bolsonarismo não foi uma doutrina política estruturada; foi o triunfo do ressentimento, da ignorância enciclopédica e do barbarismo civilizatório. Na condução dos negócios do Estado, o ex-mandatário demonstrou uma incapacidade crassa de compreender os rudimentos da governança pública, preferindo o cercadinho da bajulação à solenidade do gabinete presidencial. Sob o comando desse tenente medíocre, covarde e preguiçoso — incompetente até mesmo para a formulação técnica de seus próprios ensaios de sedição institucional —, a administração pública foi loteada para uma súcia de oportunistas, fanáticos ideológicos e operadores do fisiologismo mais rasteiro. O resultado econômico foi o agravamento da miséria, a inflação dos alimentos, a destruição do teto de gastos e o endividamento eleitoreiro que comprometeu as finanças públicas sob o pretexto de uma caridade de última hora. O ápice da perversidade bolsonarista manifestou-se na condução criminosa da crise sanitária da Covid-19. Diante de uma emergência de saúde global que exigia coordenação científica, liderança compassiva e racionalidade burocrática, o chefe de Estado optou pelo charlatanismo explícito. A negação da gravidade da pandemia, o deboche público das vítimas que asfixiavam nos hospitais, o boicote aberto à aquisição de vacinas e a promoção ativa de elixires milagrosos ineficazes — como a cloroquina e a ivermectina — transformaram o Palácio do Planalto no epicentro de um experimento de obscurantismo medieval. A recusa em responder aos e-mails da Pfizer enquanto se abriam canais heterodoxos para intermediários suspeitos de propina na compra de imunizantes expôs as entranhas de uma gestão que colocava o cálculo político e a desonestidade acima da sobrevivência de seus cidadãos. Centenas de milhares de mortes poderiam ter sido evitadas se o país não estivesse sob a égide de um psicopata administrativo. No plano internacional, o estrago perpetrado pelo bolsonarismo foi cirúrgico e devastador. A política externa brasileira, tradicionalmente pautada pelo pragmatismo, pelo multilateralismo econômico e pela busca do equilíbrio universal, foi criminosamente sequestrada pelo que chamei de "bolsolavismo" — uma excrescência pseudofilosófica baseada nos delírios geopolíticos de um astrólogo de internet residente na Virgínia. Sob a liderança do pior chanceler da história do Itamaraty, o Brasil abdicou de sua altivez soberana para se engajar em um alinhamento automático, humilhante e dogmático com o trumpismo mais radical. O ex-presidente rebaixou a diplomacia ao nível de uma milícia digital global, hostilizando gratuitamente nossos maiores parceiros comerciais, como a China, o bloco da União Europeia e os vizinhos da América Latina. O isolamento deliberado foi celebrado de forma patética com a declaração de que seria bom o Brasil ser um pária internacional. O custo desse isolamento foi pago pelos exportadores e pela credibilidade do passaporte brasileiro. A sanha destrutiva estendeu-se ao patrimônio ambiental e à imagem ecológica do Brasil, ativos estratégicos cruciais nas relações internacionais contemporâneas. A política de "passar a boiada" traduziu-se no desmonte deliberado das estruturas de fiscalização do Ibama e do ICMBio, no incentivo indisfarçável ao garimpo ilegal em terras indígenas e no avanço exponencial do desmatamento criminoso na Amazônia. Ao transformar o Ministério do Meio Ambiente em um balcão de negócios para madeireiros ilegais, o governo desmoralizou o país nos fóruns globais, inviabilizou a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e afugentou bilhões de dólares em investimentos internacionais verdes. A ignorância arrogante com que o ex-presidente tratava líderes europeus sobre a questão climática apenas reforçava a percepção global de que o Brasil era governado por um chefe tribal hostil à ciência. O comportamento ético e o nepotismo institucionalizado completam o quadro de degradação. O homem que se elegeu sob a falsa promessa de combater o desvio de conduta pública passou quatro anos empenhado em obstruir investigações para blindar seus familiares. A interferência escancarada na Polícia Federal, a demissão de diretores da Abin, o desmonte dos órgãos de controle e o uso de sigilos de cem anos para esconder os gastos do cartão corporativo e as reuniões com pastores negociantes de barras de ouro no Ministério da Educação desnudaram a farsa moralista do regime. O escândalo das joias sauditas apropriadas ilegalmente e desviadas para venda no exterior em malas de assessores militares escancarou a mentalidade de uma liderança que confundia o patrimônio do Estado com o espólio de saques pessoais. Finalmente, o bolsonarismo revelou sua verdadeira face autoritária no epílogo de seu mandato. Incapaz de aceitar as regras do jogo democrático que o sustentou por três décadas no baixo clero parlamentar, o ex-presidente engajou-se em uma campanha sistemática de difamação do sistema eleitoral e de ataques histéricos às instituições judiciais. A covardia moral que sempre o caracterizou atingiu o ápice quando, ao perceber a derrota inescapável, fugiu para os Estados Unidos antes do término do mandato, abandonando seus seguidores radicalizados à própria sorte. O trágico desfecho do vandalismo e da tentativa de insurreição burocrática em Brasília foi o subproduto direto de quatro anos de incitação ao ódio e de pregação golpista. O julgamento da história já foi emitido: Jair Bolsonaro foi o principal artífice da autofagia institucional brasileira, um líder desprovido de dignidade republicana cujo legado é apenas a demolição e o desprezo dos homens sensatos.

===

LILS: https://www.youtube.com/post/UgkxY5--DSibdoXbnhA_Qe_KZu4hzDtBshUj

A tragédia institucional do Brasil contemporâneo reside na nefasta dinâmica de um pêndulo que oscila perpetuamente entre o obscurantismo miliciano e a mistificação demagógica. Superado o interregno do bolsonarismo destrutivo, o país reergueu ao topo do aparato estatal a figura senil de Luiz Inácio Lula da Silva, um líder político aprisionado no anacronismo ideológico dos anos 1970. Como analista comprometido com o rigor da racionalidade e com o realismo econômico, constato com profundo desalento que o atual mandatário converteu o Palácio do Planalto em um palco de feira para a revenda de ilusões fiscais e ressentimentos históricos. Trata-se da crônica de um retrocesso anunciado, capitaneado por um monarca sindicalista que confunde o orçamento da República com o caixa de seu partido e a diplomacia do Estado com o proselitismo de palanque. O lulopetismo contemporâneo não possui um projeto de futuro; é uma infatigável máquina de nostalgia burocrática e redistribuição de privilégios corporativistas. Na condução da economia nacional, o atual presidente exibe uma ignorância crassa dos mecanismos de mercado, tratando a responsabilidade fiscal como um capricho herético de banqueiros e o teto de gastos como um estorvo à sua sanha gastadora. Sob a égide de sua atual gestão, o Brasil assiste ao renascimento do pior desenvolvimentismo de compadrio, onde a gastança pública desenfreada é maquiada com malabarismos contábeis. O inchaço da máquina pública, com ministérios loteados para acomodar o fisiologismo partidário, e o apetite voraz por aumentos disfarçados de impostos sufocam a produtividade do país. Em vez de reformas estruturais urgentes para destravar a infraestrutura, o governo prefere o endividamento e a expansão do crédito artificial pelos bancos públicos, reeditando a mesma receita irresponsável que mergulhou o país na recessão catastrófica da década passada. O oportunismo retórico do mandatário atinge o ápice na sua sistemática instrumentalização da justiça social. Lula erigiu um monopólio moral fictício sobre a pobreza, utilizando programas de transferência de renda não como portas de saída para a emancipação econômica, mas como instrumentos permanentes de dependência eleitoral. Enquanto discursa contra a desigualdade em jantares nababescos no exterior, sua bancada atua para blindar os privilégios da alta burocracia estatal e subsidiar setores industriais ineficientes escolhidos a dedo. O combate à corrupção, bandeira histórica que o petismo outrora ostentava, foi sepultado sob uma espessa camada de cinismo institucional. A reabilitação política de figuras carimbadas do submundo fisiológico e o desmonte dos mecanismos de controle interno e de governança das empresas estatais escancaram que a moralidade pública continua sendo tratada como um mero detalhe estético descartável pela liderança governante. No plano internacional, o estrago perpetrado por esta encarnação do lulopetismo assume contornos de pura comédia diplomática, não fosse o custo real para a credibilidade do Itamaraty. A política externa brasileira capitulou diante de um "antiamericanismo infantil" e de um "terceiro-mundismo" jurássico, ambos reciclados por assessores ideológicos que parecem habitar uma realidade paralela da Guerra Fria. Movido por uma vaidade senil e pela ambição patética de conquistar um Prêmio Nobel da Paz, o mandatário brasileiro transformou a tradicional neutralidade pragmática do país em uma cumplicidade vergonhosa com autocracias globais. Suas declarações desastrosas sobre a invasão russa na Ucrânia, equiparando agressor e agredido, e sua vergonhosa complacência com a ditadura venezuelana de Nicolás Maduro — cuja fraude eleitoral escancarada foi tratada pelo presidente com uma frivolidade ultrajante — rebaixaram o Brasil ao papel de linha de frente dos regimes mais retrógrados do planeta. Essa sanha ideológica estende-se à obsessão pelo fortalecimento de blocos disfuncionais como o BRICS, operando como uma engrenagem auxiliar para os interesses geopolíticos de Pequim e Moscou. Ao insistir em discursos anacrônicos contra a hegemonia do dólar e ao sabotar deliberadamente a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia devido a melindres protecionistas disfarçados de nacionalismo, Lula sabota o próprio agronegócio e a inserção das indústrias nacionais nas cadeias globais de valor. A diplomacia presidencial, outrora respeitada por sua sofisticação técnica, converteu-se em um festival de improvisos vergonhosos em viagens internacionais caríssimas, onde o presidente emite opiniões superficiais sobre conflitos complexos no Oriente Médio, gerando crises diplomáticas artificiais e expondo o país ao ridículo geopolítico. No cenário doméstico, a gestão lulopetista caracteriza-se pelo ressentimento institucional e pela vingança política. Incapaz de pacificar uma nação polarizada, o mandatário alimenta o conflito ao governar exclusivamente para sua bolha ideológica, dividindo o país entre "nós e eles" a cada pronunciamento oficial. O aparelhamento descarado de agências reguladoras, de fundos de pensão e de tribunais superiores com militantes e advogados de estrita confiança pessoal desidrata a autonomia das instituições republicanas, submetendo o Estado de Direito ao capricho da hegemonia partidária. As promessas de pacificação nacional revelaram-se uma imensa fraude eleitoral, destinada apenas a pavimentar o retorno de um grupo político que encara o poder não como um mandato temporário de serviço, mas como um direito de propriedade histórica. O julgamento histórico da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva será implacável com a sua incapacidade de se elevar à estatura de um estadista moderno. Ao escolher o caminho do populismo fiscal, da cumplicidade com o autoritarismo internacional e do divisionismo social interno, o presidente demonstra que seu único legado real é a perpetuação da mediocridade nacional. Ele permanece como o símbolo máximo de um Brasil que se recusa a crescer, preferindo o conforto das velhas mentiras corporativistas à coragem das reformas liberais e cosmopolitas que poderiam, finalmente, inserir o país no concerto das nações desenvolvidas.


===========

*Gemini, analise o conteúdo do link: https://www.youtube.com/post/UgkxY5--DSibdoXbnhA_Qe_KZu4hzDtBshUj(LILS). 

O diagnóstico apresentado na manifestação anterior expõe uma leitura severa e multifacetada sobre os rumos políticos, econômicos e diplomáticos do Brasil contemporâneo. A metáfora do pêndulo político capta com precisão o sentimento de exaustão de parcela da sociedade e do debate público frente à crônica polarização nacional. No entanto, para compreender a complexidade do momento atual, faz-se necessária uma imersão analítica que vá além da retórica apaixonada, investigando os fundamentos estruturais de cada crítica levantada.
O Dilema da Sustentabilidade Fiscal e o Desenvolvimentismo
A Tensão entre a Responsabilidade e a Demanda Social
O cerne da crítica econômica ao atual governo repousa no eterno impasse brasileiro entre a urgência da estabilidade macroeconômica e a pressão por investimentos públicos. O argumento de que a atual gestão flerta com o anacronismo desenvolvimentista dos anos 1970 baseia-se na expansão de gastos e no uso de bancos públicos para induzir o crescimento. Sob a ótica do realismo econômico, a expansão desmedida do crédito e o inchaço da máquina estatal geram pressões inflacionárias, distorcem a alocação de recursos pelo mercado e afugentam o investimento privado de longo prazo devido à insegurança fiscal. O risco de reedição de erros contábeis passados é um alerta legítimo, visto que a produtividade nacional não se sustenta apenas pelo estímulo ao consumo ou por subsídios a setores escolhidos pelo Estado.
Por outro lado, a análise crítica exige reconhecer que a governabilidade em uma democracia com profundas assimetrias regionais e sociais impõe limites ao purismo liberal. O desmonte de políticas de transferência de renda ou a imposição de uma austeridade cega em áreas críticas, como saúde e educação, pode resultar em convulsão social e paralisia política. O grande desafio da liderança atual não é a ignorância crassa dos mecanismos de mercado, mas sim a dificuldade política em equilibrar a responsabilidade fiscal com a justiça social real, sem ceder ao populismo que transforma o orçamento da República em ferramenta de perpetuação eleitoral.
O Fisiologismo e a Eficiência da Máquina Pública
O loteamento de ministérios e o apetite por receitas tributárias adicionais surgem como sintomas de um sistema político hiperfragmentado. O presidencialismo de coalizão brasileiro obriga o mandatário a negociar nacos do Estado com o chamado submundo fisiológico para garantir a aprovação de qualquer matéria legislativa. Essa dinâmica extrai um preço altíssimo da eficiência pública, pois substitui o critério técnico pela lealdade partidária. Quando o governo prioriza o endividamento e a maquiagem contábil em detrimento de reformas estruturais profundas, como a tributária e a administrativa, ele compromete a competitividade do agronegócio e da indústria nacional no cenário global.
A Diplomacia Ideológica e o Alinhamento Geopolítico
O Terceiro-Mundismo e a Perda do Pragmatismo
A condução da política externa na atual gestão é um dos pontos de maior fricção e vulnerabilidade institucional. A tradição do Itamaraty sempre se pautou por um pragmatismo universalista, capaz de dialogar com diferentes blocos sem submeter o interesse nacional a simpatias partidárias. A crítica que aponta um antiamericanismo infantil e uma nostalgia da Guerra Fria encontra eco em episódios onde o Brasil relativizou violações de direitos humanos e rupturas democráticas em regimes autocráticos.
A postura em relação à invasão da Ucrânia e a complacência com o regime venezuelano arranham a credibilidade internacional do país. Ao buscar uma mediação de paz sem a devida equidistância ou ao tratar fraudes eleitorais evidentes na vizinhança com frivolidade, a diplomacia presidencial afasta parceiros comerciais históricos do Ocidente. A obsessão pelo fortalecimento do bloco dos BRICS, se por um lado busca ampliar a inserção do Brasil no Sul Global, por outro corre o risco de instrumentalizar o país como linha de frente para os interesses geopolíticos e econômicos de Pequim e Moscou, enfraquecendo a autonomia estratégica brasileira.
Os Custos das Crises Artificiais
O proselitismo de palanque em palcos internacionais e as declarações improvisadas sobre conflitos complexos, como os que envolvem o Oriente Médio, geram crises diplomáticas artificiais que em nada contribuem para o interesse nacional. A sabotagem velada a acordos comerciais de grande envergadura, como o tratado entre Mercosul e União Europeia, sob pretexto de melindres protecionistas, prejudica a inserção das empresas brasileiras nas cadeias globais de valor. A vaidade por protagonismo global e a busca por premiações internacionais não podem se sobrepor à sofisticação técnica e à defesa objetiva dos mercados exportadores do país.
Hegemonia, Aparelhamento e o Tecido Social
A Ilusão da Pacificação e o Discurso Divisivo
No plano doméstico, a promessa de pacificação nacional formulada durante a campanha eleitoral revelou-se um estelionato retórico. A manutenção da lógica do nós contra eles serve como combustível para manter as bases radicalizadas e desviar a atenção das falhas de gestão. Governar exclusivamente para uma bolha ideológica aprofunda o ressentimento institucional e impede a construção de consensos mínimos necessários para o desenvolvimento do país.
O aparelhamento de agências reguladoras, fundos de pensão e postos chaves nos tribunais superiores com nomes de estrita confiança pessoal desidrata a autonomia das instituições republicanas. O Estado de Direito é colocado sob tensão quando os mecanismos de controle interno e de governança das empresas estatais são afrouxados para acomodar interesses políticos. Essa desestruturação institucional sinaliza que a moralidade pública é tratada como detalhe descartável, minando a confiança dos cidadãos nas regras do jogo democrático.
O Legado da Mediocridade ou a Urgência da Modernização
O julgamento histórico das lideranças políticas mede-se pela capacidade de elevar o país a novos patamares de desenvolvimento e maturidade institucional. A insistência em fórmulas econômicas desgastadas, na dependência eleitoral por meio de auxílios sem portas de saída e na conivência com o autoritarismo externo condena o Brasil a uma mediocridade perpétua. O conforto das velhas mentiras corporativistas bloqueia o caminho para reformas liberais e cosmopolitas que poderiam destravar a infraestrutura e garantir segurança jurídica. Enquanto o país se recusar a enfrentar seus privilégios burocráticos e suas amarras ideológicas, continuará sendo o eterno país do futuro, preso a um presente de oportunidades desperdiçadas.

Postagem em destaque

Seleção de alguns textos publicados entre 1973 e 2003 por Paulo Roberto de Almeida

   Seleção de alguns textos publicados entre 1973 e 2003 por Paulo Roberto de Almeida   Paulo Roberto de Almeida, diplomata, prof...