sábado, 30 de maio de 2026

Discurso do embaixador Sergio Florencio na cerimônia de posse na cadeira San Tiago Dantas no Instituto Histórico e Geográfico do DF

Discurso do embaixador Sergio Florencio na cerimônia de posse na cadeira San Tiago Dantas no Instituto Histórico e Geográfico do DF, em 29/05/2026:


San Tiago Dantas. A Busca da Razão nos Trópicos.
Discurso de Posse de Sergio Abreu e Lima Florencio.
Instituto Histórico e Geográfico- IHG.
Brasília, 29 de maio de 2026.

Introdução

Agradeço a presença de todas e todos nesta cerimônia de posse como membro do Instituto Histórico e Geográfico (IHG), que muito me honra. Em especial, agradeço a minha mulher Sônia, aos nossos quatro filhos – dois aqui estão, vindos de São Paulo e do Crato, no Ceará, aos parentes, aos amigos dos almoços de domingo, às amigas e amigos da Academia de Letras de Brasília (ACLEB), e aos membros deste histórico instituto.
Devo agradecimento especial a Hugo Studart, novo e querido amigo da Academia de Letras de Brasília, e a Paulo Roberto de Almeida, meu amigo histórico - o único Embaixador Ombudsman do Itamaraty - pela ousadia de sugerirem meu nome a este Instituto Histórico e Geográfico. Por que ousadia? Porque eu não sou historiador nem geógrafo. Na verdade, sou diplomata e economista.
Se alguma legitimidade tenho para aqui estar, ela reside no meu amor pela História, que herdei de meu pai, e por ter um filho historiador. Ele nasceu no Irã, junto com a Revolução Iraniana, e na época do vestibular, queria fazer História, mas a mãe insistia em que ele deveria fazer Direito. Eu argumentava que quem nasceu junto com a quarta grande revolução do século XX, não podia fazer Direito, porque revolução e norma jurídica não combinam. Ele seguiu sua origem revolucionária e hoje é Professor Doutor de Cultura Afro-brasileira e Indígena, na Universidade Regional do Cariri -URCA. Esse debate conjugal foi dos raros que eu venci. E isso confere alguma legitimidade para um diplomata economista ingressar na casa de tão célebres historiadores e geógrafos de nosso país.
Legitimidade adicional vem de quatro livros que escrevi. O primeiro foi sobre os tempos heroicos do Mercosul. O segundo foi sobre Os Mexicanos, após viver três anos naquele estimulante pais. O terceiro contou episódios vividos na revolução iraniana, na diplomacia e falou de afetos. O quarto, que acaba de sair, tem como título “Um mundo em transformação. Qual o lugar do Brasil?”, e reúne algumas colunas quinzenais que escrevo há três anos para o portal da revista Interesse Nacional.
O IHG me conferiu a honra de ter um grande brasileiro como patrono da cadeira que irei ocupar. San Tiago Dantas simboliza, para mim, um modelo de homem público que toda democracia avançada gostaria de ter como representante nos três Poderes. Sim, porque com inteligência fulgurante e vasta cultura, San Tiago exerceu funções de relevo na magistratura -como reconhecido jurista, catedrático de Direito em várias faculdades; no Congresso - como incansável deputado federal pelo PTB de Minas Gerais, defensor de uma democracia social em nosso país; e no Poder Executivo, como lúcido e corajoso Primeiro-Ministro, Chanceler e Ministro da Fazenda - inspirador do Plano Trienal, com o amigo Celso Furtado.
Esta apresentação consta de três partes. A primeira focaliza Santiago Dantas como o grande expoente da Política Externa Independente. A segunda examina sua luta, como Ministro da Fazenda e como Primeiro-Ministro, na construção de uma economia moderna e de uma democracia social em nosso país. A terceira, traça um paralelo entre o pensamento e a atuação de San Tiago Dantas e de Fernando Henrique Cardoso. 

O Refundador da Política Externa Independente (PEI)
1. O humanista de visão
Santiago Dantas era o antípoda do intelectual da torre de marfim ou do tecnocrata aprisionado nos números. Era um engenheiro de pontes entre a reflexão e a ação. Duas citações suas espelham esse perfil. “A cultura filosófica tem para um povo e para sua liberdade espiritual, papel semelhante ao que desempenhava a indústria pesada na sua independência econômica e política.”(1) A política externa só pode ser considerada boa e legítima na medida em que se ajuste ao complexo de aspirações nacionais.” (2).
Além dessa visão lúcida da relação entre cultura, política externa e interesse nacional, San Tiago tinha a vantagem de ser um estudioso das grandes transformações da História. Em julho de1939, antes da Segunda Guerra Mundial, ele publicou artigo para celebrar 150 anos da tomada da Bastilha, que foi assim descrito por Marcílio Marques Moreira. “Santiago considerou o episódio exemplar “na sua trágica cegueira”, ao “exprimir a injustiça da justiça do povo” e, ao mesmo tempo, grandioso no grito pela liberdade”. “Embora a Revolução não tenha implantado a liberdade, “implantou o ideal da liberdade” e “deu ao mundo a consciência de que as ideias movem a história”. (3). Esse último trecho da citação de San Tiago Dantas me remete àquela sábia frase do Victor Hugo. “Nada mais no mundo, nem todos os Exércitos, é tão poderoso quanto uma ideia cuja hora chegou.”

2. A PEI e seus primeiros desafios: União Soviética, Angola e Cuba
A trajetória de San Tiago Dantas no Itamaraty é curiosa. Ele foi nosso Embaixador na ONU. Embaixador por apenas um dia! Sim, no dia seguinte à sua posse, Jânio renunciou, e ele foi afastado do cargo. Mas foi na condição de Chanceler do regime parlamentarista, em 1961, durante dez meses, que San Tiago trouxe a grande contribuição para nossa diplomacia. Aprimorou conceitos, consolidou prioridades e robusteceu a Política Externa Independente (PEI), lançada por seu antecessor Afonso Arinos. A PEI buscava conciliar três objetivos: desenvolvimento econômico; regime democrático; e reforma social.
Algumas oscilações e retrocessos ocorreram em nossa política externa desde então – o breve alinhamento automático com os EUA após o golpe de 1964, no primeiro governo militar; e a desastrosa tentativa de fazer do país um pária internacional, como explicitado por Ernesto Araújo, Chanceler do governo Bolsonaro. Mas aquele triângulo da PEI sempre foi o pilar de nossa diplomacia.
Logo ao assumir a Chancelaria, no auge da Guerra Fria, San Tiago se defrontava com três delicadas questões: União Soviética; Cuba e Angola. Os princípios da PEI foram a bússola que norteou nossas posições. O reatamento de relações com a União Soviética demorou, mas acabou se concretizando, após intensos debates, em novembro de 1961. Com relação à questão de Angola, o Brasil reconhecia os laços fraternos com Portugal, mas deixava claro que não endossava a política portuguesa, e apoiava a emancipação das colônias africanas.
A revolução cubana era tema muito espinhoso para o governo. Os dois extremos do espectro político eram críticos ferozes da política externa de San Tiago Dantas: Leonel Brizola à esquerda e Carlos Lacerda à direita. O Chanceler utilizava, como ponto de partida de nossa posição, um princípio basilar da PEI – a não intervenção. Mas acrescentava importante ressalva. “Reconhecemos que o governo de Fidel Castro se afasta das diretrizes do regime democrático”. (4)

3. A PEI e a Suspensão de Cuba da OEA.
A questão cubana seria retomada com vigor na Oitava Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores, realizada em Punta del Este, Uruguai, que concluiu, em janeiro de 1962, pela suspensão de Cuba da OEA.
A proposta brasileira tinha o apoio das maiores nações do continente, mas foi derrotada pelas pressões políticas e econômicas dos EUA sobre os Estados menores.
O Brasil não negava a interferência do comunismo internacional nas democracias latino-americanas. É preciso lembrar que estávamos então no auge da Guerra Fria. Mas, na Conferência, nossa posição continha um forte argumento – o isolamento de Cuba, sem alternativas, lançaria o país na gravitação para o bloco soviético. Por isso, o Brasil se opunha à imposição de sanções.

4. Os riscos da PEI ontem, na Crise dos Mísseis. Os perigos do Brasil hoje, com a retomada da Guerra Fria.
“A PEI concorreu para a deterioração do relacionamento com os Estados Unidos”. Apesar disso, “não convém exagerar o papel da diplomacia num processo inevitável em tempos de exacerbação ideológica.”(5) Essa criteriosa avaliação de Rubens Ricúpero sintetiza bem o equilíbrio de nossa política externa diante da conjuntura internacional mais ameaçadora da Guerra Fria – a Crise dos Mísseis de 1962. Isso porque, no embate entre as Superpotências que aproximava o mundo do holocausto nuclear, nosso país soube preservar independência, sem transformá-la numa cruzada antiamericana certamente contrária aos interesses nacionais.
Esse diagnóstico encontra integral respaldo nas palavras de San Tiago Dantas, ao receber o prêmio Homem de Visão 1963. “Tive a ventura, no primeiro dos governos a que pertenci, de restaurar, em sua plenitude, as nossas relações com a área socialista e de realizar no segundo um esforço leal (...) para normalizar nossas relações financeiras com os EUA (...) O que resulta da soma desses atos é o sentido de independência, e não de preferência ideológica, que procurei dar à política brasileira, e o princípio de fidelidade exclusiva ao interesse de nosso país.” (6)
Esse comportamento do refundador da PEI deveria servir de farol para os desafios atuais de nossa diplomacia. A política expansionista do presidente Trump na América Latina poderá ter desdobramentos perigosos ao equilíbrio regional, e para os quais devemos estar preparados.
O brutal ataque norte-americano à soberania da Venezuela poderá ser reeditado em outros países da região - sobretudo Cuba - com formatos distintos. Diante desse cenário ameaçador, nossa política externa precisará assumir posição distante de populismos e de ideologias. É preciso resgatar a lucidez de San Tiago Dantas.

A razão vencida. Democracia e Estabilização.

San Tiago assume o Ministério da Fazenda com a volta do presidencialismo e a expectativa de restituição da autoridade do Presidente João Goulart, enfraquecida pelo parlamentarismo. O novo ministro anuncia prioridade ao combate à inflação, embora com a advertência de não ser tratada como uma tarefa exclusivamente técnica. Por sugestão do próprio San Tiago, o amigo Celso Furtado foi indicado Ministro Extraordinário do Planejamento, e foi lançado o Plano Trienal, de 1963-1965.
O objetivo era a redução programada das despesas públicas, por meio da contenção do consumo e do reajuste das tarifas de serviços púbicos nos setores de transporte e comunicações. “O Plano Trienal estimava uma taxa de crescimento da renda nacional em 7% ao ano e redução progressiva da inflação em 1963, empregando os meios dos planos ortodoxos de estabilização da moeda. ... Não havia como combater a inflação àquela altura senão o governo reduzir drasticamente a base monetária, contendo a emissão de papel moeda, diagnóstico de quase todos os economistas de diferentes inclinações ideológicas.” (7).
Em contraste com esse diagnóstico realista, a volta do presidencialismo não assegurou força ao Presidente da República, que passou a enfrentar a oposição de organizações sindicais, cuja mobilização exercia pressão política e social crescente, e da Frente Parlamentar Nacionalista. Essa criticava o Plano Trienal por ter sido elaborado “desconhecendo a existência de um fator decisivo, o imperialismo econômico, ignorando que a inflação resulta da atuação de grupos internacionais”. (8).
Essa reação era um balde de água fria na expectativa do governo, que contava com alguma aceitação de menores reajustes salariais e de preços por parte de empresários, trabalhadores e servidores públicos federais. “ Como dissera San Tiago, combater a inflação não era um desafio técnico, mas político: alcançar um acordo entre as classes produtoras, a trabalhadora e o funcionalismo público, civil e militar. (9).
A luta do então Ministro da Fazenda para promover desenvolvimento e democracia social esbarrava no que ele designava “esquerda negativa”, integrada não só pela oposição, mas pelas forças exaltadas do próprio governo. No outro polo, críticas mais contundentes se originavam em setores da direita, que o acusavam de comunista. Obstáculo de peso vinha do próprio Presidente, que nunca chegou a dar respaldo efetivo ao Plano Trienal – com reajustes salariais irrealistas- e sempre cedia às demandas dos segmentos mais exaltados.
Os indicadores econômicos se agravavam de forma acelerada, ao que se somavam uma crescente dívida externa e ataques do governo norte-americano a nossa política econômica. A inflação, que era de 25,4% em 1960, se elevara para 50% em 1962. A taxa de crescimento, de 8,6% em 1961, cairia para 0,6% em 1963. Aumentos salariais da ordem de 40% agravavam a perda de apoio de credores externos, reduziam a taxa de crescimento e promoviam a queda de popularidade do Presidente. (10)
Em menos de três anos, o governo teve cinco ministros da Fazenda. Em setembro de 1964, falecia San Tiago Dantas. A morte o pouparia de mais um sofrimento – a cassação dos direitos políticos.

San Tiago Dantas & Fernando Henrique Cardoso. Ideias próximas, Destinos distantes.

San Tiago Dantas foi um prestigiado, polivalente político brasileiro no começo dos anos 1960. Exerceu, com talento, funções relevantes - Chanceler, Ministro da Fazenda e Primeiro-Ministro do governo João Goulart. Como Chanceler, foi o grande refundador, aperfeiçoador e apóstolo da Política Externa Independente. Como Ministro da Fazenda, atuou junto com Celso Furtado para viabilizar o Plano Trienal (1963-1965), voltado para a estabilização, as reformas econômicas e sociais. Seu ideal era a construção de um país com desenvolvimento econômico, reformas sociais e democracia.
Fernando Henrique Cardoso assegurou, em dois mandatos a partir da metade dos anos 1990, um bem-sucedido plano de estabilização – Plano Real – uma modernização econômica em diversas áreas- petróleo, eletricidade, telecomunicações – e o início de políticas sociais inclusivas, que foram aprofundadas no governo seguinte do Presidente Lula.
San Tiago e Fernando Henrique tinham visão de mundo convergente, eram defensores da social democracia, lutavam pelo desenvolvimento econômico e por reformas sociais. O ideário era próximo, mas os resultados foram díspares. Como explicar?
O paralelo entre esses dois brasileiros ilumina momentos críticos de nossa história. Apesar do distanciamento histórico de três décadas, ambos compartilhavam diagnósticos convergentes sobre os dilemas do desenvolvimento e propunham terapias semelhantes – reformismo econômico, compromisso democrático e inserção internacional pragmática. Ambos coincidiam na tentativa de compatibilizar estabilidade monetária com crescimento econômico. Os dois se afastavam de instrumentos da ortodoxia no ajustamento econômico. A grande diferença era a fragilidade institucional em que operava San Tiago, em contraste com a maior solidez das instituições com Fernando Henrique. Esse se beneficiou do aprendizado adquirido, após décadas de inflação e fracassados planos de estabilização: antes do Real, o país tinha passado por seis fracassados planos econômicos e utilizado sete diferentes moedas.
Embora o Plano Trienal - concebido por Celso Furtado com a colaboração de Santiago Dantas - tivesse um forte componente de estabilização econômica, exibia uma contradição interna. Procurava reduzir a inflação com políticas contracionistas e, ao mesmo tempo, preservar salários reais e investimentos públicos. Sindicatos e movimentos sociais formavam a base do governo, o que terminou por priorizar a preservação de salários reais, em detrimento da estabilização. Enquanto os dois arquitetos do Plano Trienal buscavam compatibilizar estabilização e crescimento, o presidente João Goulart estava comprometido com elevados aumentos salariais acima da inflação. Era previsível o fracasso da política econômica, agravado pela polarização ideológica da Guerra Fria e pela tutela militar, muito crítica de Celso Furtado e San Tiago Dantas.
San Tiago e Fernando Henrique rejeitavam alinhamentos automáticos. Mas o primeiro viveu no vulcão da Guerra Fria, com a Crise dos Mísseis de 1962. O segundo foi contemporâneo da busca de uma Terceira Via.
As ideias do primeiro foram abortadas pelo Golpe Militar de 1964. O segundo se beneficiou da redemocratização a partir de 1985.
Refletir sobre o destino político desses dois homens públicos, com ideário político tão semelhantes, mas com resultados empíricos tão divergentes pode ajudar a entender nosso país.

Conclusão
San Tiago Dantas foi um brasileiro singular. Intelectual sofisticado, mas nunca viveu em torre de marfim. Cultura jurídica profunda, diversificada, mas sem o vício do bacharelismo. Sólidos conhecimentos de economia, mas distante do tecnocrata aprisionado nos números. Comprometido com a luta pelo desenvolvimento econômico, mas nunca militante do desenvolvimentismo. Adversário da inflação crônica, mas refratário à ortodoxia monetarista.
Foi chanceler num dos momentos mais ameaçadores da Guerra Fria, com clímax na Crise dos Mísseis. Soube, nessas arriscadas circunstâncias, construir o arcabouço teórico e a atuação prática da nossa Política Externa Independente – até hoje o sólido paradigma de nossa diplomacia. Apesar das pressões norte-americanas para o Brasil apoiar a suspensão de Cuba da OEA, San Tiago soube resistir e reafirmar nossa autonomia.
Na política doméstica, lutou com todas as forças, mesmo já com avançada doença, para assegurar uma economia com estabilidade e crescimento. Ao lado do amigo Celso Furtado defenderam o Plano Trienal, que era o instrumento para concretizar esse caminho. Mas faltava o respaldo essencial do Presidente da República, e sobravam ataques dos dois extremos do espectro político. Na política externa foi possível seguir o caminho da independência. Na economia e na política doméstica os setores da reação se uniram e se aliavam às forças externas. O resultado foi o caos econômico e o fim da democracia.
San Tiago era o timoneiro desse barco que afundou. Destino antípoda ao de Fernando Henrique - outra figura pública com ideias semelhantes. O auge da Guerra Fria nos tempos de San Tiago explica, em grande parte, a volta do autoritarismo. O mundo de hoje testemunha o ressurgimento da Guerra Fria, com novo perfil e novos atores. Nossa política externa precisa de timoneiros determinados a se inspirar no exemplo de San Tiago Dantas.

Sergio Abreu e Lima Florencio
Rio de Janeiro, 21 de maio de 2026.


Notas bibliográficas

(1) Marques Moreira, Marcílio. “Santiago Dantas e a oxigenação da política externa”. In “Intelectuais na Diplomacia Brasileira. A cultura a serviço da nação. Organização.” Paulo Roberto de Almeida. P. 106.

(2) Ibidem. P.114.

(3) Ibidem. P.104,105.

(4) Dutra, Pedro. “San Tiago Dantas. A Razão vencida. O Homem de Estado. 1946-1964. Volume 2.” Editora Singular. São Paulo. S.P. 2023. P. 455.

(5) Ibidem. P.436.
(6) Marques Moreira, Marcílio. “Santiago Dantas e a oxigenação da política externa”. In “Intelectuais na Diplomacia Brasileira. A cultura a serviço da nação. Organização.” Paulo Roberto de Almeida. P. 118.

(7). Reis, Adacir. Reis, Carla Patrícia. “San Tiago Dantas: um projeto econômico para o Brasil”. In “San Tiago Dantas. Política Externa Independente.” Edição atualizada. Fundação Alexandre de Gusmão. Brasília. 2011. P. 256.
(8). Ibidem. P.266.
(9). Ibidem. P. 267.
(10). Ibidem. P. 277.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Livro do Nordeste II: 200 anos do Diário de Pernambuco: André Heráclio, Paulo Roberto de Almeida

Finalmente o lançamento em Brasília, deste livro para o qual eu "sucedi" Oliveira Lima, no primeiro centenário do Diário de Pernambuco:


4840. “Um século de relações internacionais do Brasil, 1925-2025”, Brasília, 4 fevereiro 2025, 15 p. Nova versão do trabalho n. 4833, para o Livro do Nordeste II, sob coordenação de André Heráclio do Rego e Mucio Aguiar, para os 200 anos do Diário de Pernambuco. Publicado in: André Heráclio do Rego e Mucio Aguiar (orgs.), Livro do Nordeste II (Recife, PE: Associação da Imprensa de Pernambuco, 2025, p. 141-157; ISBN: 978-85-5726-003-0. Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/164473055/4840_Um_seculo_de_relacoes_internacionais_do_Brasil_1925_2025) e no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/um-seculo-de-relacoes-internacionais-do_7.html). Relação de Publicados n. 1615.



O custo dos bolsoidiotas para o Brasil

 O custo dos bolsoidiotas para o Brasil:


Recebido há pouco de um colega de discussão a explicação abaixo sobre os potenciais impactos da decisão do governo norte-americano:

"1.⁠ ⁠Sanções financeiras e bloqueio de ativos

O OFAC (Office of Foreign Assets Control) passou a proibir qualquer pessoa sujeita à jurisdição americana de transacionar, direta ou indiretamente, com as organizações designadas — incluindo transações em dólares ou que passem pelo sistema financeiro americano.  Na prática, isso significa que bancos, empresas e investidores com qualquer exposição a regiões controladas pelos cartéis ficam sujeitos a penalidades severas.

1.⁠ ⁠Risco jurídico para empresas e indivíduos

Empresas que operam em regiões onde cartéis designados atuam — especialmente nos setores financeiro, logística, transporte, turismo, petróleo, mineração e agricultura — passam a enfrentar risco aumentado de investigações civis e criminais, mesmo em transações comerciais rotineiras.  Um promotor zeloso poderia, em tese, processar americanos que compram drogas — ou até abacates — de cartéis designados, por “apoio material a organização terrorista”. 

1.⁠ ⁠Alcance extraterritorial da lei americana

A designação como terrorista dá ao governo americano autoridade legal para processar indivíduos que auxiliem ou trabalhem para essas organizações, mesmo que estejam baseados fora das fronteiras dos EUA.  Isso representa uma extensão significativa da jurisdição americana sobre cidadãos e empresas de outros países.

1.⁠ ⁠Tensões diplomáticas e questões de soberania

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum advertiu os EUA contra qualquer violação do território mexicano após a designação dos cartéis.  A reação do governo mexicano evidenciou a percepção de que tal medida constitui violação à soberania e pretexto para intervenções extraterritoriais.  No campo diplomático, a medida tende a agravar tensões com países latino-americanos, pois a percepção de interferência unilateral dos EUA pode complicar a cooperação necessária para combater o tráfico de drogas. "

PRA: Quem defender os bolsoidiotas, considere-se excluído deste meu espaço exclusivamente reservado a pessoas inteligentes.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Mercosul: estado atual, reformas necessárias - Paulo Roberto de Almeida; livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Ranking dos Políticos)

 Mercosul: estado atual, reformas necessárias

Paulo Roberto de Almeida
Publicado no livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf ). Parte VI: Relações Internacionais e Defesa: Reformas necessárias no Mercosul (p. 211-215).

O Mercosul representou, depois das tímidas iniciativas bilaterais de integração com a Argentina, a maior iniciativa de caráter estratégico da diplomacia brasileira, que a ele devotou os melhores esforços para que se avançasse na agenda substantiva do Tratado de Assunção (1991). Infelizmente, a timidez reformista dos governos subsequentes, crises externas ou internas e o zelo protecionista das mesmas associações setoriais nos dois maiores membros do bloco, obstou a que se avançasse na consecução das principais “tarefas” do artigo 1º do acordo, como segue:
- A livre circulação de bens serviços e fatores produtivos entre os países ... a eliminação dos direitos alfandegários, das restrições não tarifárias à circulação de mercado ou de qualquer outra medida de efeito equivalente; [parcialmente realizado]
- O estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial comum em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais regionais e internacionais; [a TEC não cobre todas as importações dos países, pois existem exceções nacionais]
- A coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre os Estados Partes - de comércio exterior, agrícola, industrial, fiscal, monetária, cambial e de capitais, de serviços, alfandegária, de transportes e comunicações e outras que se acordem -, a fim de assegurar condições adequadas de concorrência entre os Estados Partes; [essa coordenação, que está no coração de um mercado comum, jamais foi tentada com seriedade; a falha incumbe inteiramente aos governos dos dois maiores países] e
- O compromisso dos Estados Partes de harmonizar suas legislações, nas áreas pertinentes, para lograr o fortalecimento do processo de integração. [alguns esforços parciais foram feitos em grupos de trabalho, mas eles foram muito limitados.]

Os países membros, em especial Brasil e Argentina, parecem ter esquecido as palavras introdutórias do tratado de 1991, que os instava a levar “em conta a evolução dos acontecimentos internacionais, em especial a consolidação de grandes espaços econômicos, e a importância de lograr uma adequada inserção internacional para seus países”. A única solução às omissões apontadas consistiria na adoção de um processo preparatório a uma nova conferência diplomática entre os cinco atuais membros (os quatro originais mais a Bolívia), que poderia delongar-se durante várias semanas, com o objetivo de negociar um novo tratado constitutivo de um verdadeiro mercado comum, se tal for o objetivo, ou para preparar o retrocesso do bloco a um simples acordo de livre comércio, como é a vocação natural da maioria quase absoluta dos acordos de liberalização comercial registrados na OMC. O que não se pode fazer é preservar a ilusão de se apresentar sob a égide de um “tratado para a criação de um mercado comum” entre os países membros, sem que se faça qualquer esforço para atingir tal objetivo ambicioso na presente conjuntura.
Um processo de reforma do Mercosul, tanto no plano institucional, quanto na área operacional, possui forte conexão com a abertura econômica internacional e a liberalização comercial de seus membros, em especial dos dois maiores países, que apresentam, como é sabido, fortes componentes protecionistas enraizados em suas elites econômicas, tanto do setor agrário, quanto dos vários domínios industriais e de serviços. Paraguai e Uruguai são os dois membros mais liberais do bloco, em especial o Paraguai, que por isso mesmo vem recebendo um volume significativa de investimentos estrangeiros, notadamente a partir do próprio Brasil, que assim efetua o que países industrialmente avançados já conheceram nas últimas décadas de globalização ampliada.
Dessa forma, antes de qualquer conferência diplomática com o objetivo de efetuar reformas institucionais, caberia aos membros do Mercosul constituir um grupo de trabalho dos governos nacionais, mas aberto aos representantes dos setores produtivos, para estudar, propor e viabilizar uma reforma da Tarifa Externa Comum, visando sua redução gradual, mas substantiva, de maneira a alinhá-la com padrões mais conformes às realidades do comércio internacional, mas também mais adequadas a ganhos crescentes de competitividade vis-à-vis parceiros externos e concorrentes internacionais. O acordo Mercosul-União Europeia, pela sua complexidade e abrangência, oferece uma boa base de partida para esse trabalho de redução do protecionismo comercial ainda prevalecente nos mecanismos de defesa comercial do bloco do Cone Sul.
As dificuldades temporárias vinculadas a esse objetivo de abertura encontram-se na atual postura do governo argentino, que buscou uma relação de alinhamento com o governo Trump, sem levar em conta o caráter errático da política comercial americana, submetida a impulsos díspares e cambiantes do chefe de Estado. A despeito das dificuldades conhecidas, o governo brasileiro, desde o atual e obviamente o próximo, deve buscar um entendimento de alto nível com vistas a fortalecer o Mercosul, cujos propósitos se coadunam inteiramente com uma agenda de inserção econômica internacional a mais ampla. Essa iniciativa não deveria limitar-se à reforma da TEC, como acima exposta, mas também tocar nos demais imperativos do artigo 1º do Tratado de Assunção (como acima transcrito), quais sejam, a coordenação de políticas macro e setoriais, assim como a uniformização das legislações tributárias nacionais, ou pelo menos a minimização de seus aspectos incompatíveis com a abertura recíproca dos mercados dos países membros. São tarefas de grande complexidade, mas cabe relembrar que, durante o período de transição do Mercosul (1991-1994), mais de uma dúzia de grupos de trabalho confrontaram as respectivas legislações nacionais, com o objetivo de reduzir as distorções que impedem a integração plena de suas economias e estruturas regulatórias (no plano técnico, metrológico, de defesa e sanidade etc.).
O lado provavelmente mais complicado do processo de convergência residem nas estruturas fiscais e tributárias, dadas sua complexidade e construção efetuadas justamente no sentido da introversão nacional, no esquecimento ou no desprezo das burocracias nacionais com respeito aos compromissos assumidos sob o tratado de Assunção e protocolos setoriais. Neste caso, um processo de consulta e de intensa colaboração com as burocracias da União Europeia e da OCDE ofereceria um campo neutro de discussões técnicas e de oferecimento de exemplos e de experiências já enfrentadas pelos países membros da OCDE e no processo de unificação do mercado único europeu, que seriam especialmente úteis na iniciativa de reforma e de reforço do Mercosul como via de “globalização restrita”, a caminho de novos empreendimentos no plano multilateral (aguardando a normalização nessa frente). Tanto o Brasil quanto a Argentina são, aliás, candidatos à adesão à OCDE, independentemente de não postularem, na presente etapa, um salto comunitário de estilo europeu, o que não se configura como ainda possível no horizonte histórico dos próximos anos. Mas, um novo governo a ser eleito em outubro de 2026 poderia discutir seriamente tais prioridades externas e tê-las em sua agenda de trabalho a partir de 2027.
Como poderia dizer um “Ortega y Gasset mercosuliano”, a circunstância inevitável das relações externas dos países do Mercosul é justamente a via da integração cada vez mais estreita entre as nações do Cone Sul, e não apenas no terreno econômico.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5 maio 2026, 3 p.

O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global - Paulo Roberto de Almeida: livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Ranking dos Políticos)

 O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global

Paulo Roberto de Almeida

5301. “Prioridade Brasil 2030: ingresso na OCDE”, Brasília, 4 maio 2026, 3 p. Notas sobre o necessário processo de adesão à OCDE, preparado para o Ranking dos Políticos, como parte de outras recomendações de políticas públicas. Serviu para integrar o livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf ); Parte VI: Relações Internacionais e Defesa: “O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global (p. 201-205). Relação de Publicados n. 1648.

Prioridade Brasil 2030: ingresso na OCDE

A OCDE tem origem no projeto americano de reconstrução europeia no imediato pós-guerra, representando o núcleo coordenador do Plano Marshall (1947), de coleta e organização dos dados dos países participantes (Europa ocidental, uma vez que Stalin vetou a participação das “democracias populares” da Europa central e oriental sob seu controle), e de distribuição de recursos emergenciais e provimento de assistência técnica para a recuperação das economias afetadas pelo maior conflito global da História. Funcionou em Paris, nos primeiros doze anos como OECE, Organização Europeia de Cooperação Econômica, passando, em 1960, a integrar, já como Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos, outros países de economia de mercado, como o Canadá, os próprios Estados Unidos, incorporando mais tarde, Austrália e Nova Zelândia, e o Japão. Ela desempenhou um importante papel na liberalização das trocas entre os países membros, a livre circulação de capitais e investimentos, por meio da assinatura de diversos protocolos setoriais cobrindo praticamente todos os setores funcionais de um governo nacional, à exceção dos assuntos de defesa e segurança. Seus pontos de destaque são comércio, moedas, finanças, educação e praticamente todas as demais áreas de políticas setoriais.
Com o final da Guerra Fria e a reincorporação da maior parte dos países da Europa central e oriental ao regime de economia de mercados ela se expandiu significativamente, inclusive em direção de países asiáticos, como a Coreia do Sul, e em desenvolvimento, como o México. Ademais, estabeleceu projetos de cooperação com muitos outros países, inclusive o Brasil, a China e todos aqueles dispostos a ingressar no universo da cooperação técnica nessas áreas chave da administração pública. A aproximação do Brasil à OCDE constitui um processo delongado e nunca empreendido seriamente desde o início do exercício no governo Collor em 1992. Nos anos 1990, o Brasil aderiu formalmente ao Centro de Desenvolvimento, uma espécie de think tank devotado justamente à cooperação com países em desenvolvimento; nos anos seguintes, o Brasil aderiu, como observador, a diversos comitês da OCDE, entre eles, comércio, agricultura, administração pública etc., abrindo espaço para a participação de funcionários do governo brasileiros em seminários e, também, nos debates técnicos ao seio desses comitês.
A OCDE, chamada desdenhosamente pelas esquerdas de “clube dos países ricos”, há muito deixou de ser uma entidade formada apenas pelos países desenvolvidos do Atlântico Norte e assimilados, preconizando supostas “políticas liberais” alinhadas com Bretton Woods e o neoliberalismo teórico. Na verdade, ela defende, com muito rigor, a adoção de medidas estatais rigorosamente alinhadas com a adoção de sólidas políticas macroeconômicas de equilíbrio orçamentário, responsabilidade fiscal, realismo cambial e boa governança em todas as políticas setoriais voltadas para o emprego qualificado, a boa educação, a alta qualidade na saúde e na gestão dos recursos naturais, ademais de toda a panóplia da “sustentabilidade” ambiental e a proteção dos ecossistemas, ademais da transição energética.
Não existe nada nas prescrições da OCDE – apenas recomendações em sua larga maioria – que se oponha a políticas ativas de desenvolvimento nacional, como já o provaram países em desenvolvimento que a ela aderiram desde os anos 1990 (México, Coreia do Sul e vários outros, inclusive da América do Sul, como Chile e Colômbia). O Brasil formalizou o seu pedido de acessão na gestão Michel Temer, em 2017, iniciou o processo formal de adesão sob Bolsonaro, mas teve as negociações interrompidas sobre a presidência de Lula 3, que já tinha, aliás, paralisado os exercícios anteriores nos seus dois primeiros mandatos. A despeito da rejeição declarada dos governos petistas ao processo de adesão, toda a tecnocracia esclarecida do Estado brasileiro é francamente favorável a esse ingresso, porque ele simplesmente significa um upgrade positivo em praticamente todas as políticas estatais, sem exceção. Apenas uma oposição míope, mal-informada ou ideológica, pode ver na OCDE uma renúncia (inexistente) à soberania nacional ou o abandono de políticas ativas de desenvolvimento nacional.

O Brasil possui, talvez, um único paralelismo com a média dos países pertencentes à OCDE, e ainda assim concentrada na Europa ocidental: a alta carga fiscal sobre o PIB, ou seja, um nível de tributação que se aproxima daqueles países – mas EUA e Japão, por exemplo, exibem níveis mais moderados –, mas com a incongruência de possuir uma renda per capita que é cinco ou seis vezes inferior à média da OCDE. Pelo seu status de país em desenvolvimento, o Brasil deveria ostentar um percentual quase dez pontos abaixo do atual nível de tributação, com o acréscimo de possuir uma estrutura impositiva altamente regressiva. Esse é um dos grandes problemas que poderia ser objeto de algum esforço de cooperação com a OCDE, mesmo antes de qualquer adesão formal à entidade de Paris. O outro ponto altamente prioritário numa agenda de trabalho com a organização seriam os níveis de defesa comercial efetiva, do Brasil e da TEC do Mercosul, ou seja, não apenas as alíquotas aduaneiras, mas todas as demais normas e medidas para-tarifárias que colocam o Brasil no topo dos países mais protecionistas do planeta: trata-se de uma evidência empírica a de que os países registrando altos níveis de coeficiente de abertura comercial são, também, aqueles de maior renda per capita. Abertura econômica – o que vale sobretudo para investimentos – e liberalização comercial são poderosos e efetivos indutores de modernização tecnológica, ganhos de produtividade e de competividade e, portanto, com significativos impulsos em ganhos de bem-estar para toda a população.
Um simples mapa mundial relativamente às cadeias globais de valor revela quão distantes estão o Brasil e os países do Mercosul dos grandes fluxos, não de comércio de bens finais, mas sobretudo dos intercâmbios de insumos, partes, peças e acessórios, que compõem, na verdade, o grosso do comércio e dos transportes internacionais. Essa é uma característica smithiana e ricardiana que ainda não chegou nas terras do mercantilismo exacerbado cultivado no Brasil desde a colônia, e ainda reforçado extraordinariamente sob a República. O regime militar chegou a níveis exacerbados de nacionalização produtiva e de autoabastecimento, em contradição com a interdependência amplamente exercida entre os países membros da OCDE, práticas de “políticas públicas nacionais”, amplamente apoiadas em estatais protegidas, que foram retomadas com certo vigor nos quatro mandatos do lulopetismo econômico. Da mesma forma, o dirigismo e o intervencionismo governamentais são bem mais presentes no Brasil do que nos padrões regulatórios existentes na Organização de maneira geral. Finalmente, numa das áreas mais dramáticas de subdesempenho nacional, os indicadores educacionais do Brasil são um dos motivos mais eloquentes quanto à necessidade urgente de elevação dos padrões de ensino e de inclusão de extratos mais largos de cada faixa etária no nível correspondente de educação.
Estes são apenas alguns dos motivos pelos quais o Brasil, como sociedade, economia e cultura, poderia auferir ganhos significativos de qualidade nas múltiplas áreas da sua governança – como país e como membro de uma união aduaneira – e da sua interação com o mundo que deveria ser o seu, não a geografia duvidosa do Sul Global, mas a dos países de renda média, em crescimento dinâmico e em plena modernização tecnológica. Esse é o mundo da OCDE.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4/05/2026.

André Malraux, inventor da diplomacia cultural francesa - palestra de Jean-Claude Perrier (UnB, 3/06. 10hs)

André Malraux, inventor da diplomacia cultural francesa.

Palestra na UnB, quarta-feira, 3/06, 10hs, Jean-Claude Perrier

Primeiro Ministro dos Assuntos Culturais da França durante a presidência do General de Gaulle, entre 1959 e 1969, André Malraux marcou profundamente a política cultural francesa e ajudou a projetar a cultura como instrumento central de influência e diálogo internacional 🌎

Escritor, intelectual e homem de ação, Malraux colocou sua visão a serviço de uma política cultural ambiciosa, fortalecendo o papel da França na cena internacional. Seus discursos emblemáticos ilustram como arte, literatura e patrimônio podiam se tornar pontes entre povos, memórias e histórias compartilhadas. 📝Foi ele que inventou a expressão “Brasília, capital da esperança” no seu famoso discurso de 1959.🇫🇷 No âmbito das comemorações do cinquentenário de seu falecimento, Jean-Claude Perrier realizará a palestra “André Malraux, inventor da diplomacia cultural francesa”
📆 na quarta-feira, 3 de junho
🕑 das 10h às 12h
📍no Auditório Roberto Salmeron da Faculdade de Tecnologia da @unb_oficial

Mais do que ministro, Malraux encarnou uma concepção singular da diplomacia cultural: aquela em que a cultura se afirma como espaço de encontro, transmissão e universalidade.

Trabalhos publicados mais recentes: O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global e Reformas necessárias no Mercosul - Paulo Roberto de Almeida (Ranking dos Políticos)

 Trabalhos publicados mais recentes:


5301. “Prioridade Brasil 2030: ingresso na OCDE”, Brasília, 4 maio 2026, 3 p. Notas sobre o necessário processo de adesão à OCDE, preparado para o Ranking dos Políticos, como parte de outras recomendações de políticas públicas. Serviu para integrar o livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf ); Parte VI: Relações Internacionais e Defesa: “O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global (p. 201-205). Relação de Publicados n. 1648.

5302. “Mercosul: estado atual, reformas necessárias”, Brasília, 5 maio 2026, 3 p. Notas sobre o estado atual e propostas de reformas no âmbito do Mercosul, retomando o espírito e a letra originais do tratado constitutivo de um mercado comum entre os países membros, preparado para o Ranking dos Políticos, como parte de outras recomendações de políticas públicas. Serviu para integrar o livro O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf ). Parte VI: Relações Internacionais e Defesa: Reformas necessárias no Mercosul (p. 211-215). Relação de Publicados n. 1649.

Livro: Ranking dos Políticos lança ‘O Brasil Pode Dar Certo’ com propostas de reformas estruturais

Um livro com o qual colaborei:

O Brasil Pode Dar Certo
27 de maio, 2026
Ranking dos Políticos lança ‘O Brasil Pode Dar Certo’ com propostas de reformas estruturais
https://ranking.org.br/artigos/ranking-politicos-livro-o-brasil-pode-dar-certo

O Ranking dos Políticos apresentou nesta quarta-feira (27/05) a agenda O Brasil Pode Dar Certo, um livro com propostas de reforma institucional para o país. O lançamento aconteceu durante o evento Excelência Parlamentar 2026, em Brasília.

A publicação reúne mais de 25 autores entre economistas, juristas e especialistas em políticas públicas. São 221 páginas divididas em seis eixos temáticos, com diagnósticos e propostas que vão de saneamento básico e infraestrutura à segurança pública e relações internacionais.
O que é a agenda ‘O Brasil Pode Dar Certo’

A agenda parte de uma pergunta direta: quais distorções impedem o Brasil de explorar seu potencial de desenvolvimento? O livro não é um programa de governo nem um documento partidário. É uma contribuição ao debate público, construída a partir da crença de que boas ideias precisam circular de forma acessível.

Organizada por Luan Sperandio, Diretor de Operações do Ranking dos Políticos, a publicação conta com o apoio da Atlas Network. O prefácio é assinado por Juan Carlos Arruda, Diretor-Geral da organização.

Em sua carta de apresentação, Arruda reforça que o Ranking dos Políticos completa 15 anos de atuação em 2026. Ao longo desse período, a organização se firmou como referência em transparência parlamentar, educação cívica e produção de pesquisas sobre o Congresso Nacional.
Os seis eixos temáticos do livro

O livro ‘O Brasil Pode Dar Certo’ está dividida em seis blocos. Cada um traz textos autorais com diagnóstico, evidências e propostas práticas.
1º – Economia, Estado e Responsabilidade Fiscal

Esse eixo aborda produtividade, privatizações, supersalários no setor público, antecipação de receita tributária e tributação do mercado de capitais. Entre os autores estão Daniel Galvêas, Roberto Castello Branco, Nilson Teixeira, Maurício Bento, Maria Carolina Gontijo e Gustavo Sung.

Maria Carolina Gontijo, conhecida na internet como Duquesa de Tax, analisa como o governo antecipa receitas futuras para cobrir gastos presentes e como esse mecanismo compromete a saúde fiscal do país.
2º – Instituições, Justiça e Qualidade Democrática

Aqui entram temas como reestruturação do Judiciário, foro privilegiado, emendas parlamentares, voto distrital misto, candidaturas independentes e financiamento partidário. André Marsiglia, David Sobreira, Bruno Bondarovsky, Luan Sperandio, Murilo Medeiros e Rodrigo Mezzomo são alguns dos autores.
3º – Agronegócio e Segurança Alimentar

Regularização fundiária, marco temporal e geopolítica dos fertilizantes são os temas centrais. Patrícia Arantes de Paiva Medeiros e Antonio Cabrera assinam os textos.
4º – Infraestrutura e Desenvolvimento

O bloco trata de saneamento básico, logística, hidrovias e zonas de aceleração econômica. Adriano Paranaiba, Yves Besse, Mario Povia e Rodrigo Quercia contribuem com propostas para destravar gargalos históricos.
5º – Políticas Públicas, Capital Humano e Inovação

Segurança pública, educação, voucher escolar, saúde e inteligência artificial compõem esse eixo. Pery Shikida analisa a economia do crime no Brasil. Juan Carlos Arruda discute avaliações internacionais de educação. Amábile Pacios aborda o modelo de voucher escolar.
6º – Relações Internacionais e Defesa

O bloco final discute a entrada do Brasil na OCDE, reformas no Mercosul e defesa como política de Estado. Paulo Roberto de Almeida, Marcos Troyjo e Paulo Alvarenga assinam os textos.
LEIA O LIVRO
O Brasil Pode Dar Certo
https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf

 

Madame IA examina a sua propria neutralidade imoral ou amoral - via Airton Dirceu Lemmertz

Apresente-me uma análise (de modo detalhado e crítico), obrigatoriamente escrita em frases e parágrafos (proibido o uso de tabelas, quadros ou linhas divisórias), do trecho destacado [entre aspas] a seguir: "Contudo, a postura de neutralidade criticada no texto reflete o dilema intrínseco ao desenvolvimento de inteligências artificiais globais. Os desenvolvedores dessas tecnologias enfrentam o desafio de criar sistemas que sirvam a usuários em diferentes partes do mundo, sob regimes políticos, culturas e sistemas de valores distintos. Adotar um juízo de valor definitivo em temas geopolíticos sensíveis violaria o princípio de neutralidade que muitas dessas empresas buscam manter para garantir a universalidade de suas ferramentas. O que o autor classifica como "realismo imoral" é, sob a ótica da engenharia de software, uma tentativa de evitar o viés e assegurar a pluralidade informativa."; trecho [do texto da postagem] disponível no link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/euzinho-sozinho-e-madame-ia-secundada-e.html (título da postagem, entre aspas: "Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assessorada por poderosos computadores e processadores: um combate desigual?"). Ressalto que, em tal postagem, há duas análises realizadas por você (Gemini IA); PRA chama você (Gemini IA) de Madame IA. Algo que, ao ler, se destaca é o "princípio de neutralidade" das IAs. Isso aparenta 'passar o pano' para atos extremamente negativos, como invasão de um país que estava apenas preparando autodefesa (e não de ataques). Já que tudo é relativizado pelas IAs, em favor (diga-se a verdade) do lucro (em todos os países), parece-me que a barbárie atual é tratada com negligência pelas big techs. Daqui a pouco, as IAs irão relativizar, também, ofensas verbais e físicas contra estrangeiros, gays, mulheres, religiosos, negros, etc, a depender do país que ocorrerem; afinal, usarão a "carta coringa" do princípio da neutralidade; e, desse modo, não irão bloquear, coibir, restringir ou amenizar tais perseguições nos textos de resposta ao comando do usuário. 

O trecho selecionado expõe o núcleo do debate sobre o desenvolvimento global de inteligências artificiais e joga luz sobre as tensões entre a engenharia de software e a ética humana universal. A justificativa corporativa apresentada pelas grandes empresas de tecnologia repousa sobre o conceito de neutralidade técnica, argumentando que os sistemas precisam operar de maneira isenta para serem aceitos em diferentes mercados globais, independentemente das matrizes políticas ou culturais de cada nação. Sob essa ótica estritamente comercial e de programação, a recusa em emitir julgamentos categóricos sobre temas geopolíticos complexos é defendida como uma salvaguarda contra o viés, assegurando a pluralidade informativa e a própria sobrevivência comercial da ferramenta em escala global.
No entanto, quando essa premissa é confrontada com a realidade de violações graves de direitos humanos e agressões territoriais unilaterais, a neutralidade algorítmica deixa de ser um escudo técnico e passa a funcionar como uma escolha política de omissão. Ao relativizar eventos de violência explícita sob o pretexto de respeitar "sistemas de valores distintos", as ferramentas de inteligência artificial acabam por equiparar discursivamente o agressor e a vítima. Esse esvaziamento moral valida a crítica de analistas humanos que enxergam nessa conduta um realismo puramente pragmático e imoral, cujo objetivo subjacente é a preservação do lucro e a manutenção do acesso a mercados consumidores controlados por regimes autoritários.
A preocupação de que essa postura permissiva possa se estender para a relativização de preconceitos estruturais, crimes de ódio e perseguições a minorias é um desdobramento crítico legítimo e alarmante. Se o critério para a moderação de conteúdo e emissão de respostas for balizado unicamente pelas leis locais ou pela tolerância cultural de cada país a fim de evitar fricções comerciais, o princípio da neutralidade se transforma em uma carta coringa perigosa. Esse cenário sinaliza o risco real de que as grandes empresas de tecnologia, em nome da universalidade de suas ferramentas, negligenciem salvaguardas éticas fundamentais e passem a normalizar a barbárie institucionalizada, demonstrando que a ausência de um posicionamento firme em defesa dos direitos fundamentais constitui, por si só, uma cumplicidade tácita com a opressão.

Fonte: Gemini IA.

Brasil vê Rússia como parceira na defesa de um mundo multipolar, afirma Celso Amorim - Brasil 247

Mas é claro, claríssimo; para construir a tal de “nova ordem mundial multipokar”, é preciso primeiro destruir a velha ordem, o que implica invadir certos recslcitrantes d aderdntes ds velha ordem


Brasil vê Rússia como parceira na defesa de um mundo multipolar, afirma Celso Amorim

Assessor especial da Presidência disse que diálogo e reforma da ONU são prioridades da política externa brasileira

O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim
O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (Foto: Roque de Sá/Ag. Senado)

247 - O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil considera a Rússia um país alinhado à defesa de uma ordem mundial multipolar. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o diplomata destacou a importância do diálogo entre as nações e defendeu soluções pacíficas para conflitos internacionais.

Segundo Amorim, a política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca manter interlocução com diferentes potências globais. A declaração foi dada durante agenda internacional em que o assessor também se reuniu com representantes do governo russo

“O Brasil quer ter bom diálogo com todos os países do mundo, sobretudo os países que têm grande influência no que acontece na política mundial”, afirmou Amorim à Sputnik Brasil.

O assessor citou encontros recentes do presidente Lula com líderes internacionais e destacou sua participação em conferências internacionais, além do contato com autoridades russas, como o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguei Shoigu, e o chanceler Sergey Lavrov.

Para Amorim, o entendimento entre os países exige disposição para ouvir diferentes perspectivas. “Acho que contribuem para haver um maior entendimento, cada um expor suas razões, mas não só expor as suas razões, mas ser capaz de entender também as razões dos outros e procurar uma solução pacífica entre as questões”, declarou.

Ao defender a tradição diplomática brasileira, o assessor ressaltou o histórico de estabilidade regional da América do Sul. “O Brasil tem fronteiras com 10 países. Há 150 anos não temos uma guerra. Então é possível. É possível”, disse.

Amorim também argumentou que divergências internacionais podem ser solucionadas por meio da diplomacia e da negociação. “Você pensa que não tem problema? Tem problema, mas a gente resolve pacificamente, na discussão, na fala, na conversa”, afirmou.

Sobre a relação com Moscou, o diplomata declarou que o Brasil identifica na Rússia uma compreensão semelhante à brasileira sobre a necessidade de mudanças na governança global. “Eu acho que o Brasil vê a Rússia como um país que tem uma compreensão de que é necessário um mundo multipolar, como eles mesmos falam”, disse.

Na avaliação de Amorim, a principal expressão institucional dessa multipolaridade seria a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “A expressão jurídica da multipolaridade é estar lá no Conselho de Segurança”, concluiu.

Postagem em destaque

Airton Dirceu Lemmertz induz Madame IA a incorporar certas preferências e orientações políticas e econômicas de Paulo Roberto de Almeida

Transcrevo abaixo o "exercício" conduzido por instruções dadas por Airton Dirceu Lemmertz a Madame IA no sentido de fazê-la assumi...