O Ministro Mantega e o IOF sobre os capitais especulativos estrangeiros (oh, que horror!)
(eu comento a nota que segue mais abaixo, PRA)
O ministro Mantega me parece alguém bizarro, como uma pessoa que acaba de desembarcar de Vênus, de Marte, ou quem sabe até de Plutão, e ainda não percebeu que vivemos todos num único planeta, com regras que são basicamente globais, ou que pelo menos deveriam ser (salvo decreto divino).
Mas, o Brasil, parece, continua a ser o país da jabuticaba, do peru à brasileira, das coisas, enfim, feitas do nosso jeito (ou do jeito dele), sem que se perceba que as regras devem valer para todos, sem distinção.
O ministro Mantega decretou que quem faz especulação no Brasil é estrangeiro. Pior? capitalistas perversos, desembarcados de alguma nave alienígena, que vêm sugar os nossos recursos, drenar os nossos capitais, fazendo, oh, que horror!, especulações em bolsa das mais desenfreadas, entrando e saindo dos mercados de capitais com a desenvoltura de bailarinas numa peça de Tchaikowski.
Ele quer reservar a capacidade de fazer especulações apenas aos brasileiros, aos bondosos capitalistas brasileiros, que aqui residem, e que podem assim entrar e sair das bolsas, sem precisar desembarcar de naves alienígenas, com toda essa sofreguidão especulativa de que apenas os capitalistas estrangeiros são capazes.
O ministro Mantega ainda não percebeu que quem faz especulação é o próprio governo, ao mudar as regras do dia para a noite, depois voltar atrás, hesitar mais um pouco, mudar de idéia, enfim, especular com a nossa infinita paciência de ficar assistindo ao governo fazer uma bobagem atrás da outra e dizer, oh céus, quanta bondade!, que ele está protegendo o Brasil da sanha especulativa dos capitalistas estrangeiros.
O ministro Mantega ainda não percebeu que quem é volátil é especialmente o governo, e seu bando de tecnocratas amestrados nas artes de um keynesianismo vulgar, que ficam babando de raiva ao ver tanto capital estrangeiro entrar impunemente no nosso augusto país, e que ficam esperando a melhor oportunidade para se vingar desses capitalistas manhosos, de fala estrangeira, e zás, lhes aplicar um bom IOF, para que eles aprendam, de uma vez, que especulação é um jogo reservado unicamente aos brasileiros, de preferência ao próprio governo brasileiro.
O ministro Mantega e seus meninos amestrados ainda não aprenderam que existe um princípio básico nas relações econômicas internacionais que se chama tratamento nacional, que recomenda -- mas isso é apenas para os mais crentes, claro -- que se trate de igual forma os estrangeiros e os nacionais, na suposição de que ambos sabem especular por igual, em todo caso, bem menos e com menor competência do que o próprio governo.
O ministro Mantega e seus meninos amestrados ainda não aprenderam que a especulação e a volatilidade são oferecidas assim, de graça, aos capitalistas estrangeiros e brasileiros pelo próprio governo, asi no más, pelo simples fato de que é o governo quem fixa as taxas de juros, quem determina as demais condições dos mercados de crédito (dominados em mais de 60% por entidades públicas, aliás, usando os nossos recursos, FAT e tudo o mais), que é o governo quem fixa as regras das aplicações financeiras que podem e não podem ser feitas, enfim, o governo pode tudo, inclusive especular com o seu, o meu, o nosso dinheiro (como no pré-sal, como nas "mamonas assassinas" do biodiesel, como na bolha imobiliária que ele está construindo agora mesmo com o seu magnifico programa "Minha Casa Minha Vida", tão eficiente quanto o PAC), o governo é quem faz as melhores e as piores especulações privadas, públicas e outras menos conhecidas (sobretudo no orçamento congressual).
O ministro Mantega, por fim, quer proteger os capitalistas especuladores (não os nacionais, apenas os estrangeiros) de todos os riscos que eles poderiam incorrer, apostando o seu (deles) dinheiro na nossa bolsa. Vejam como ele é magnânimo: ele quer evitar que eles ganhem muito dinheiro às nossas custas, esquecendo que eles também podem perder, especulando na bolsa. Mas isso ele quer evitar, quanta bondade.
Ele quer que apenas brasileiros especulem contra o Brasil, o que, convenhamos, é uma nova espécie de reserva de mercado, digna de alguma teoria da jabuticaba (como estou elaborando uma, vou incorporar essa contribuição genial do ministro Mantega).
Enfim, o ministro Mantega é também previdente: ele quer taxar logo na entrada, e mesmo que o capitalista estrangeiro especule mal, e perca dinheiro, ele ainda assim terá de deixar 2% por cento por aqui, apenas pela permissão magnânima que lhe é dada de especular. Quanta sapiência...
Sim, quase esqueço de dizer. Tudo isso é para evitar que o real se valorize demais e o dólar deprecie. Se posso fazer uma aposta com (ou uma especulação contra) o Ministro Mantega, eu diria que isso não vai acontecer. Posso apostar um dólar furado como o real vai continuar se valorizando, mesmo com 2, 3 ou 5% de taxação.
Enfim, se me permito fazer uma sugestão para contrarrestar essa tendência: que tal se o BC deixasse de acumular absurdas reservas, notoriamente exageradas (a um custo fiscal inaceitavel, posto que se trata de dívida pública e de custo-oportunidade) e que tal se a Fazenda liberalizasse um pouco mais o comércio exterior (especialmente o de importação), para que o mercado enxugasse naturalmente os dólares em excesso?
Trata-se apenas de uma sugestão especulativa, claro...
Paulo Roberto de Almeida
22.10.209
(Ver este editorial do Estado de S. Paulo, de 23.10.2209, neste link)
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Mantega: IOF na entrada barra capital especulativo
Boletim da Liderança do PT na Câmara dos Deputados, 22.10.2009
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem na Câmara que a cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações estrangeiras em ações e renda fixa não irá reduzir investimentos para as empresas, mas cumprirá o objetivo de barrar a entrada do capital especulativo no país. Mantega destacou que o governo está disposto a discutir a tributação com os setores interessados e disse acreditar numa repercussão positiva da medida.
“Nós acabamos de lançar a medida e temos de observar sua repercussão. Acredito que será positiva, mas isso não impede que a gente possa pensar em medidas complementares, adicionais. Estamos abertos a todas as propostas. Eu não podia dialogar com os setores porque não podia revelar essa medida com antecedência. Agora irei discutir com todos os setores que quiserem fazer isso”, afirmou.
Mantega disse ainda que não acredita que haja uma diminuição da abertura de capital por conta do novo IOF. “Quando se faz uma subscrição numa ação de uma empresa, a preocupação não é com o ganho financeiro, mas com a rentabilidade da empresa, o dividendo que a ação vai render. Ou seja, está-se apostando na produção e isso não foi afetado pela medida”.
O ministro disse ainda que a taxação de 2% na entrada e não na saída do capital é mais favorável. “É mais fácil tributar na entrada, porque o governo tem esse dado preciso, porque quando entra o capital de fora ele tem de fazer o câmbio, tem de traduzir de dólar ou de euros em reais, e é nesse momento em que se faz a tributação, na saída é mais complicado”, disse.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
1435) Debumking Thucydides: já estava na hora (afinal sao mais mais de 2.500 anos)
Eu adoro revisionismo histórico, sobretudo quando é bem feito. Ainda não tenho certeza sobre a obra deste revisionista americano, Donald Kagan, que se encarregou de esquartejar (no sentido acadêmico, claro) o primeiro historiador digno desse nome. Demorou um bocado, já que até aqui Tucidides foi incensado, repetido, citado, sem que alguém duvidasse da sua palavra. Ora, sendo apenas um homem, um cidadão político e, o que mais é, parte interessada numa história sempre controversa, seria natural se duvidar da sua palavra, ou da sua escrita. Afinal de contas, são 2.500 anos de distância, o que dá algum recuo histórico, que os historiadores dizem necessitar para julgar com calma eventos passados.
Ainda não conferi o material, mas vale exame acurado...
PRA
Did Thucydides Really Tell the Truth?
The hidden agenda of the pioneering historian.
By Anthony Grafton
Slate Magazine, Monday, Oct. 19, 2009
http://www.slate.com/id/2232862/
Thucydides: The Reinvention of History
Donald Kagan
Vikin, 272 p.; ISBN-13: 978-0670021291
Price: $17.79 (Amazon)
Modern readers are often shocked to learn that the Athenians—citizens of a free city who defeated the Persians when they invaded Greece, built the Parthenon, and staged the tragedies of Aeschylus and Sophocles—also massacred the citizens not of an enemy state but of a neutral power. Ancient readers were also shocked when they learned this story from the same source: Thucydides, the exiled general who recorded the atrocity, and the dialogue that preceded it, in an account that is in many ways the model for all subsequent western histories of high politics and war.
The drama is riveting. In 431 BC a conflict now called the Peloponnesian War had erupted between two sets of cities, one led by Athens and one by Sparta. It had raged for 15 years when the Athenians demanded the allegiance of the heretofore neutral Melians, whose city traced its origin to Sparta. The Melians balked, and at their request, the leaders of the two sides held a private conference.
The Athenians spoke first. With breathtaking frankness they dismissed considerations of justice as irrelevant. Justice could obtain only between equals. "For ourselves," the Athenians said, "we shall not trouble you with specious pretences … since you know as well as we do that right, as the world goes, is only in question between equals in power, while the strong do what they can and the weak suffer what they must."
The Melians claimed the right to hope that they could resist the Athenians' overwhelming power and that the gods might support them. The Athenians responded with contemptuous clarity: "Of the gods we believe, and of men we know, that by a necessary law of their nature they rule wherever they can." When the Melians refused to submit, the Athenians, helped by local traitors, besieged and captured the city. They executed all adult males, sold the women and children into slavery, and sent out colonists of their own to repopulate the island.
Powerfully written scenes like this one have fascinated, excited, and worried readers for two millennia and more. One critic, Dionysius of Halicarnassus, insisted that the Athenians' words "were appropriate to oriental monarchs addressing Greeks, but unfit to be spoken by Athenians to the Greeks whom they liberated from the Medes." Modern readers continue to feel the illuminating and frightening power of this great history, and they still try to use it to understand the present. When American soldiers destroyed villages in Vietnam, protesters at universities in the States bitterly recalled what the citizens of democratic Athens said and did at Melos.
What lesson or lessons did Thucydides hope to teach? And did his desire to draw lessons conflict with his professed belief that historians should tell the truth? Over the centuries, scholarship has grown like kudzu over the text. Older generations collated Thucydides' work with other sources and debated the order in which parts of it were composed or revised. More recently, scholars have updated an approach put forward by F.M. Cornford in 1907. They have taken the existing text as a coherent whole and used literary techniques to analyze it. From this standpoint, it looks as if when Thucydides composed the Melian dialogue, he modeled history partly on tragedy. Did he mean this distinctive episode as a comment on the war as a whole?
The literary approach is one of many that Donald Kagan does not take in his eloquent new study of Thucydides—just as the Melian dialogue is one of many passages that he does not analyze (even though he notes its suggestive power). That Kagan admires the Greek historian is clear. He argues, at length, that Thucydides invented real history. Unlike his predecessors, Thucydides believed that history must be true to be instructive,and did systematic research. Unlike them, too, he believed that men made their own history, without divine intervention, in a world ruled by force and fear. Kagan emphasizes, and shows sympathy for, Thucydides' claim that his book would offer indispensable guidance for those engaged in future wars, for centuries to come. But he argues that we should not trust Thucydides too far—not, in fact, very far at all—when it comes to understanding the Peloponnesian War.
A long-serving professor at Yale and a pre-eminent modern historian of fifth-century BC Greece, Kagan has mastered every source, from the contemporary comedies of Aristophanes and inscriptions that recorded treaties and tribute payments to the later biographies of Plutarch, that can confirm or qualify Thucydides' account. He mobilizes all of these resources to support what he presents as a revisionist approach to Thucydides. The Greek historian, Kagan notes, was not a disinterested observer but a participant in the events he described. A member of the Athenian elite, he served as a military commander, and the city sent him into exile when he failed to protect Amphipolis, a strategically valuable colony. When he began to write, he had an agenda of his own.
Thucydides' narrative, Kagan argues, was an effort to clear the Athenian elite of blame for multiple errors and to put the blame on Athenian democracy: Thucydides wanted his readers to believe that Pericles, the statesman and general who dominated Athenian politics at the start of the war, had had a viable plan to defeat the Spartans. But after he died of the plague, demagogues gained control of the city. One of them, Alcibiades, persuaded the Athenians to send an armada to Sicily. It failed catastrophically. But Thucydides insisted that the disaster wasn't the fault of the aristocratic general Nicias, who led the campaign. The decay of Athenian politics, itself largely caused by the death of Pericles and the pressures of warfare, led to the Sicilian disaster. In fact, the campaign could have worked if Nicias hadn't made crucial mistakes. For all Thucydides' careful research and for all the dry precision of much of his prose, he didn't just give the facts; he mounted a highly successful campaign to shape posterity's view of the great events of his time.
Powerfully argued and beautifully written, Kagan's book has a paradox at its core. Thucydides, according to Kagan, invented the project of objective political history. He analyzed what Machiavelli would call "the effective truth of things"—the granular, ugly facts of political life. And yet his work distorted the events in vital ways. The great revisionist who removed the gods from history played tricks of his own on the past. But no one could see through them until another great revisionist, Donald Kagan, pulled the magician's curtain to the side and revealed him at work.
All historians write in part about themselves. Kagan wants to be the heir of Thucydides, the tough-minded historian who thought the past could illuminate the future. A liberal turned conservative activist, he has used historical analogies to argue that America needs more muscular policies and stronger armed forces. But Kagan also wants to be the heir of the Athenian democratic politicians who fearlessly invaded far-off Sicily: After 9/11, he ardently supported plans for the invasion of Iraq, talking as tough as Alcibiades and disparaging unpatriotic "defeatists" who criticized the invasion or doubted its positive effects. These two ambitions are in tension, and they leave fault lines throughout Kagan's book.
Kagan has some right on his side: Thucydides did select his evidence, as all historians do, and he had firm views about the nature of the Athenian polity and much else. But his approach is only partly novel. Historians have made similar arguments for generations. Theodore Wade-Gery argued 60 years ago, in an article in a standard reference work, The Oxford Classical Dictionary, that Thucydides misrepresented major Periclean policies and actions. And the literary approach that Kagan largely rejects shows, in its own way, how Thucydides artfully shaped his material.
Thucydides also aimed at intellectual and literary targets that Kagan doesn't touch on. Kagan systematically avoids detailed discussion of passages like the Melian dialogue and Pericles' funeral oration for the Athenian dead—the set pieces that glow like literary constellations in the dark night sky of Thucydides' history, and that make it hard to use his work—even by reading it, as Kagan does, against the grain—as a warrant for imperialism.
In his account of the revolution in Corcyra, Thucydides tells his readers what happens to society, and even to language itself, in an age of civil war: "Words had to change their ordinary meaning and to take that which was now given them. Reckless audacity came to be considered the courage of a loyal ally; prudent hesitation, specious cowardice; moderation was held to be a cloak for unmanliness; ability to see all sides of a question, inaptness to act on any." Almost two and a half millennia before Orwell, Thucydides diagnosed the diseases of language caused by war and faction. He admitted that men could live by lofty sentiments in peacetime. But "war takes away the easy supply of daily wants, and so proves a rough master, that brings most men's characters to a level with their fortunes." Hence the corruption of character and language, which "have occurred and always will occur, as long as the nature of mankind remains the same."
Through the whole fever dream that is human history, no one has ever written more cogently of the disasters of war than this retired general, who saw war as the natural condition of states. No one has ever dissected more meticulously the character of a great democratic state, or revealed more vividly the moral corruption that war brings with it. Of that Thucydides—who was every bit as real as Kagan's consummately political historian, and who speaks to us every bit as powerfully—the reader will find few traces in this book.
Anthony Grafton teaches European history at Princeton. His recent books include What Was History?and Worlds Made With Words.
Article URL: http://www.slate.com/id/2232862/
Ainda não conferi o material, mas vale exame acurado...
PRA
Did Thucydides Really Tell the Truth?
The hidden agenda of the pioneering historian.
By Anthony Grafton
Slate Magazine, Monday, Oct. 19, 2009
http://www.slate.com/id/2232862/
Thucydides: The Reinvention of History
Donald Kagan
Vikin, 272 p.; ISBN-13: 978-0670021291
Price: $17.79 (Amazon)
Modern readers are often shocked to learn that the Athenians—citizens of a free city who defeated the Persians when they invaded Greece, built the Parthenon, and staged the tragedies of Aeschylus and Sophocles—also massacred the citizens not of an enemy state but of a neutral power. Ancient readers were also shocked when they learned this story from the same source: Thucydides, the exiled general who recorded the atrocity, and the dialogue that preceded it, in an account that is in many ways the model for all subsequent western histories of high politics and war.
The drama is riveting. In 431 BC a conflict now called the Peloponnesian War had erupted between two sets of cities, one led by Athens and one by Sparta. It had raged for 15 years when the Athenians demanded the allegiance of the heretofore neutral Melians, whose city traced its origin to Sparta. The Melians balked, and at their request, the leaders of the two sides held a private conference.
The Athenians spoke first. With breathtaking frankness they dismissed considerations of justice as irrelevant. Justice could obtain only between equals. "For ourselves," the Athenians said, "we shall not trouble you with specious pretences … since you know as well as we do that right, as the world goes, is only in question between equals in power, while the strong do what they can and the weak suffer what they must."
The Melians claimed the right to hope that they could resist the Athenians' overwhelming power and that the gods might support them. The Athenians responded with contemptuous clarity: "Of the gods we believe, and of men we know, that by a necessary law of their nature they rule wherever they can." When the Melians refused to submit, the Athenians, helped by local traitors, besieged and captured the city. They executed all adult males, sold the women and children into slavery, and sent out colonists of their own to repopulate the island.
Powerfully written scenes like this one have fascinated, excited, and worried readers for two millennia and more. One critic, Dionysius of Halicarnassus, insisted that the Athenians' words "were appropriate to oriental monarchs addressing Greeks, but unfit to be spoken by Athenians to the Greeks whom they liberated from the Medes." Modern readers continue to feel the illuminating and frightening power of this great history, and they still try to use it to understand the present. When American soldiers destroyed villages in Vietnam, protesters at universities in the States bitterly recalled what the citizens of democratic Athens said and did at Melos.
What lesson or lessons did Thucydides hope to teach? And did his desire to draw lessons conflict with his professed belief that historians should tell the truth? Over the centuries, scholarship has grown like kudzu over the text. Older generations collated Thucydides' work with other sources and debated the order in which parts of it were composed or revised. More recently, scholars have updated an approach put forward by F.M. Cornford in 1907. They have taken the existing text as a coherent whole and used literary techniques to analyze it. From this standpoint, it looks as if when Thucydides composed the Melian dialogue, he modeled history partly on tragedy. Did he mean this distinctive episode as a comment on the war as a whole?
The literary approach is one of many that Donald Kagan does not take in his eloquent new study of Thucydides—just as the Melian dialogue is one of many passages that he does not analyze (even though he notes its suggestive power). That Kagan admires the Greek historian is clear. He argues, at length, that Thucydides invented real history. Unlike his predecessors, Thucydides believed that history must be true to be instructive,and did systematic research. Unlike them, too, he believed that men made their own history, without divine intervention, in a world ruled by force and fear. Kagan emphasizes, and shows sympathy for, Thucydides' claim that his book would offer indispensable guidance for those engaged in future wars, for centuries to come. But he argues that we should not trust Thucydides too far—not, in fact, very far at all—when it comes to understanding the Peloponnesian War.
A long-serving professor at Yale and a pre-eminent modern historian of fifth-century BC Greece, Kagan has mastered every source, from the contemporary comedies of Aristophanes and inscriptions that recorded treaties and tribute payments to the later biographies of Plutarch, that can confirm or qualify Thucydides' account. He mobilizes all of these resources to support what he presents as a revisionist approach to Thucydides. The Greek historian, Kagan notes, was not a disinterested observer but a participant in the events he described. A member of the Athenian elite, he served as a military commander, and the city sent him into exile when he failed to protect Amphipolis, a strategically valuable colony. When he began to write, he had an agenda of his own.
Thucydides' narrative, Kagan argues, was an effort to clear the Athenian elite of blame for multiple errors and to put the blame on Athenian democracy: Thucydides wanted his readers to believe that Pericles, the statesman and general who dominated Athenian politics at the start of the war, had had a viable plan to defeat the Spartans. But after he died of the plague, demagogues gained control of the city. One of them, Alcibiades, persuaded the Athenians to send an armada to Sicily. It failed catastrophically. But Thucydides insisted that the disaster wasn't the fault of the aristocratic general Nicias, who led the campaign. The decay of Athenian politics, itself largely caused by the death of Pericles and the pressures of warfare, led to the Sicilian disaster. In fact, the campaign could have worked if Nicias hadn't made crucial mistakes. For all Thucydides' careful research and for all the dry precision of much of his prose, he didn't just give the facts; he mounted a highly successful campaign to shape posterity's view of the great events of his time.
Powerfully argued and beautifully written, Kagan's book has a paradox at its core. Thucydides, according to Kagan, invented the project of objective political history. He analyzed what Machiavelli would call "the effective truth of things"—the granular, ugly facts of political life. And yet his work distorted the events in vital ways. The great revisionist who removed the gods from history played tricks of his own on the past. But no one could see through them until another great revisionist, Donald Kagan, pulled the magician's curtain to the side and revealed him at work.
All historians write in part about themselves. Kagan wants to be the heir of Thucydides, the tough-minded historian who thought the past could illuminate the future. A liberal turned conservative activist, he has used historical analogies to argue that America needs more muscular policies and stronger armed forces. But Kagan also wants to be the heir of the Athenian democratic politicians who fearlessly invaded far-off Sicily: After 9/11, he ardently supported plans for the invasion of Iraq, talking as tough as Alcibiades and disparaging unpatriotic "defeatists" who criticized the invasion or doubted its positive effects. These two ambitions are in tension, and they leave fault lines throughout Kagan's book.
Kagan has some right on his side: Thucydides did select his evidence, as all historians do, and he had firm views about the nature of the Athenian polity and much else. But his approach is only partly novel. Historians have made similar arguments for generations. Theodore Wade-Gery argued 60 years ago, in an article in a standard reference work, The Oxford Classical Dictionary, that Thucydides misrepresented major Periclean policies and actions. And the literary approach that Kagan largely rejects shows, in its own way, how Thucydides artfully shaped his material.
Thucydides also aimed at intellectual and literary targets that Kagan doesn't touch on. Kagan systematically avoids detailed discussion of passages like the Melian dialogue and Pericles' funeral oration for the Athenian dead—the set pieces that glow like literary constellations in the dark night sky of Thucydides' history, and that make it hard to use his work—even by reading it, as Kagan does, against the grain—as a warrant for imperialism.
In his account of the revolution in Corcyra, Thucydides tells his readers what happens to society, and even to language itself, in an age of civil war: "Words had to change their ordinary meaning and to take that which was now given them. Reckless audacity came to be considered the courage of a loyal ally; prudent hesitation, specious cowardice; moderation was held to be a cloak for unmanliness; ability to see all sides of a question, inaptness to act on any." Almost two and a half millennia before Orwell, Thucydides diagnosed the diseases of language caused by war and faction. He admitted that men could live by lofty sentiments in peacetime. But "war takes away the easy supply of daily wants, and so proves a rough master, that brings most men's characters to a level with their fortunes." Hence the corruption of character and language, which "have occurred and always will occur, as long as the nature of mankind remains the same."
Through the whole fever dream that is human history, no one has ever written more cogently of the disasters of war than this retired general, who saw war as the natural condition of states. No one has ever dissected more meticulously the character of a great democratic state, or revealed more vividly the moral corruption that war brings with it. Of that Thucydides—who was every bit as real as Kagan's consummately political historian, and who speaks to us every bit as powerfully—the reader will find few traces in this book.
Anthony Grafton teaches European history at Princeton. His recent books include What Was History?and Worlds Made With Words.
Article URL: http://www.slate.com/id/2232862/
1434) A vida como ela é: mas nao exatamente na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa
O reporter da Folha, Fabiano Maisonnave, correspondente em Caracas, e temporariamente deslocado para Tegucigalpa (coitado) é o que os americanos chamam de "embedded reporter", ou seja, inserido no meio da confusão. Ele manda seus relatos chistosos (como diriam nuestros hermanos) sobre o que acontece no meio que está cobrindo (acho que não vai deixar saudades em sua vida de reporter).
Zelaya é “hóspede”. E os 36 demais, o que são?
Fabiano Maisonnave
Blog da Folha de S. Paulo, 19/10/2009
Tenho evitado descrever episódios pessoais, mas o incidente da tarde de ontem é mais um exemplo de que a embaixada brasileira em Tegucigalpa, há quatro semanas abrigando Manuel Zelaya e seus “acompanhantes”, se encontra em uma situação administrativa pra lá de anômala e não deveria permanecer como está por mais tempo.
Como é de praxe, aos domingos familiares de Zelaya (e apenas dele) visitam a embaixada. Na saída, também como é de praxe, fui até o portão para ver se haveria constrangimentos na hora da sempre rigorosa revista. Estavam de saída a mãe de Zelaya, a sogra, a filha e uma neta de 4 anos.
A revista geralmente é feita bem diante do portão da embaixada. Nessas situações, os jornalistas ficamos acompanhando da calçada _pela regra dada pela polícia, ainda é “território brasileiro”. Desta vez, no entanto, o ponto era uns poucos metros mais para baixo, no meio da rua, bloqueada para veículos.
No mesmo instante, a cerca de 20 metros do portão, o padre Andrés Tamayo celebrava, na garagem, uma missa com a presença de Zelaya.
Como os leitores têm acompanhado aqui, há um crescente cerco policial-militar à embaixada, e a saída dos familiares era, a meu ver, jornalisticamente relevante.
O problema é que o “porteiro” da embaixada, Mario Irias, um ex-militar que trabalha para Zelaya, queria trancar a porta, mas eu disse para esperar até que a revista terminasse. Ele não me fez caso: simplesmente fechou a porta da embaixada comigo do lado de fora, a passos de alguns policias e militares que assistiam à cena.
Foi preciso que eu forcejasse até reabrir a porta, que é de correr. Na discussão, eu disse a ele que não poderia fechar a porta da embaixada brasileira a um cidadão do país sendo que nem sequer é funcionário.
“Estou cumprindo ordens”, disse. “Ordens de quem?”, perguntei a ele, três vezes, sem ouvir resposta.
As ordens, claro, não vieram do diplomata Lineu de Paula, o enviado do Celso Amorim. São de Zelaya e de seus “assessores de segurança”.
Obviamente, De Paula discordou e foi pedir explicações a Irias, que se justificou afirmando que Zelaya estava perto da entrada _argumento razoável, mas que ele não usou comigo, apenas me deixou do lado de fora.
Irias sabe que me colocou em situação de risco: poderia facilmente ter sido preso por um dos policiais e militares a poucos metros de mim. As pessoas que a conta-gotas deixam a embaixada só o fazem na presença de um promotor do Ministério Público, que vem com hora marcada.
O problema de fundo de tudo isso é que, embora De Paula tenha a palavra final sobre o que ocorre na embaixada, seu subordinado se resume a um guarda de uma empresa privada de segurança. Já o “batalhão” de Zelaya tem 36 pessoas. São eles, e não o pessoal da embaixada, os encarregados da limpeza, da distribuição dos quartos e dos banheiros e, principalmente, da segurança (os guarda-costas de Zelaya entregaram um pequeno arsenal de 17 armas à embaixada, que as mantém numa sala fechada).
É gente demais por tempo demais _ são 28 dias hoje que Zelaya e seus seguidores tomaram a embaixada.
Amorim já disse e redisse que o “hóspede” Zelaya pode ficar por tempo indeterminado. Mas, e os demais 36, são o quê? E por quanto tempo?
Não tem havido relatos de perseguição do lado de fora para quem já saiu _esta embaixada já suportou 313 pessoas dormindo aqui, nos primeiros dias. Conversei com duas pessoas que deixaram a casa há semanas, e ambas estão bem.
A embaixada precisa voltar a funcionar e precisa de seus funcionários. Há uma comunidade de cerca de 500 brasileiros aqui, e uma desnecessária decisão do governo brasileiro agora obriga os hondurenhos a tirar visto para viajar ao Brasil.
Se o acordo não sair hoje, já passou da hora de repensar essa hospedagem.
PS: na foto acima, um cartaz colocado pela segurança de Zelaya na entrada de metade do andar de cima da embaixada.
Zelaya é “hóspede”. E os 36 demais, o que são?
Fabiano Maisonnave
Blog da Folha de S. Paulo, 19/10/2009
Tenho evitado descrever episódios pessoais, mas o incidente da tarde de ontem é mais um exemplo de que a embaixada brasileira em Tegucigalpa, há quatro semanas abrigando Manuel Zelaya e seus “acompanhantes”, se encontra em uma situação administrativa pra lá de anômala e não deveria permanecer como está por mais tempo.
Como é de praxe, aos domingos familiares de Zelaya (e apenas dele) visitam a embaixada. Na saída, também como é de praxe, fui até o portão para ver se haveria constrangimentos na hora da sempre rigorosa revista. Estavam de saída a mãe de Zelaya, a sogra, a filha e uma neta de 4 anos.
A revista geralmente é feita bem diante do portão da embaixada. Nessas situações, os jornalistas ficamos acompanhando da calçada _pela regra dada pela polícia, ainda é “território brasileiro”. Desta vez, no entanto, o ponto era uns poucos metros mais para baixo, no meio da rua, bloqueada para veículos.
No mesmo instante, a cerca de 20 metros do portão, o padre Andrés Tamayo celebrava, na garagem, uma missa com a presença de Zelaya.
Como os leitores têm acompanhado aqui, há um crescente cerco policial-militar à embaixada, e a saída dos familiares era, a meu ver, jornalisticamente relevante.
O problema é que o “porteiro” da embaixada, Mario Irias, um ex-militar que trabalha para Zelaya, queria trancar a porta, mas eu disse para esperar até que a revista terminasse. Ele não me fez caso: simplesmente fechou a porta da embaixada comigo do lado de fora, a passos de alguns policias e militares que assistiam à cena.
Foi preciso que eu forcejasse até reabrir a porta, que é de correr. Na discussão, eu disse a ele que não poderia fechar a porta da embaixada brasileira a um cidadão do país sendo que nem sequer é funcionário.
“Estou cumprindo ordens”, disse. “Ordens de quem?”, perguntei a ele, três vezes, sem ouvir resposta.
As ordens, claro, não vieram do diplomata Lineu de Paula, o enviado do Celso Amorim. São de Zelaya e de seus “assessores de segurança”.
Obviamente, De Paula discordou e foi pedir explicações a Irias, que se justificou afirmando que Zelaya estava perto da entrada _argumento razoável, mas que ele não usou comigo, apenas me deixou do lado de fora.
Irias sabe que me colocou em situação de risco: poderia facilmente ter sido preso por um dos policiais e militares a poucos metros de mim. As pessoas que a conta-gotas deixam a embaixada só o fazem na presença de um promotor do Ministério Público, que vem com hora marcada.
O problema de fundo de tudo isso é que, embora De Paula tenha a palavra final sobre o que ocorre na embaixada, seu subordinado se resume a um guarda de uma empresa privada de segurança. Já o “batalhão” de Zelaya tem 36 pessoas. São eles, e não o pessoal da embaixada, os encarregados da limpeza, da distribuição dos quartos e dos banheiros e, principalmente, da segurança (os guarda-costas de Zelaya entregaram um pequeno arsenal de 17 armas à embaixada, que as mantém numa sala fechada).
É gente demais por tempo demais _ são 28 dias hoje que Zelaya e seus seguidores tomaram a embaixada.
Amorim já disse e redisse que o “hóspede” Zelaya pode ficar por tempo indeterminado. Mas, e os demais 36, são o quê? E por quanto tempo?
Não tem havido relatos de perseguição do lado de fora para quem já saiu _esta embaixada já suportou 313 pessoas dormindo aqui, nos primeiros dias. Conversei com duas pessoas que deixaram a casa há semanas, e ambas estão bem.
A embaixada precisa voltar a funcionar e precisa de seus funcionários. Há uma comunidade de cerca de 500 brasileiros aqui, e uma desnecessária decisão do governo brasileiro agora obriga os hondurenhos a tirar visto para viajar ao Brasil.
Se o acordo não sair hoje, já passou da hora de repensar essa hospedagem.
PS: na foto acima, um cartaz colocado pela segurança de Zelaya na entrada de metade do andar de cima da embaixada.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
1433) Semana de relacoes internacionais do Uniceub, Brasilia
Abaixo a programação da Semana de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília - UniCEUB, organizada pelo Diretório Acadêmico do Curso de Relações Internacionais, da qual devo participar, em formato de workshop, nos dias 22 e 23 de outubro.
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Paulo Roberto de Almeida
IX Semana de Relações Internacionais
Centro Universitário de Brasília – UniCEUB
Diretório Acadêmico do Curso de Relações Internacionais
O Papel brasileiro no cenário internacional contemporâneo
Palestras (19h10):
Segunda – feira (19/10) – Papel da Sociedade Civil (Mediador: Emb. Fernando Guimarães Reis; diretor do Instituto Rio Branco)
O processo de formulação da política externa e a participação da sociedade
Terça – feira (20/10) – Política Externa Brasileira (Mediadora: Profa. Renata Rosa)
Marco Aurélio Garcia (PR) – “Prioridades da Política Externa Brasileira.”
Quarta – feira (21/10) – Economia Global (Mediador: Prof. Carlito Zanetti)
19h10: Prof. Renato Baumann (CEPAL/Unb) – “Os principais desafios da economia brasileira e da economia global no atual contexto internacional”
21h10: Mansueto Almeida (IPEA) – “Internacionalização das empresas brasileiras: a criação de líderes nacionais e competidores globais.”
Quinta – feira (22/10) – Comércio Internacional (Mediadora: Profa. Silvia Menicucci de Oliveira Selmi Apolinário)
19h10: Welber Barral (Secex/MDIC) – “O comportamento e perspectivas do comércio exterior brasileiro no cenário atual.”
21h10: Carlos Federico Dominguez Ávila (UNIEURO) – “A atuação do Brasil na crise hondurenha e as implicações políticas.”
Sexta – feira (23/10) – Política Externa e Direitos Humanos (Mediador: Prof. Renato Zerbini Ribeiro Leão)
19h10: Antônio Jorge Ramalho da Rocha (Unb) – “O papel da Academia na formulação da política externa brasileira.”
Workshops - 17h30 às 19h:
1) Terça, 20 e Quarta 21 - “A crise financeira de 2008: surgimento, características e perspectivas.” Prof. Márcio de Oliveira Jr.
2) Quinta 22 e Sexta 23 - “Características da Política Externa do Brasil: o jeito brasileiro de fazer diplomacia.” Prof. Paulo Roberto de Almeida.
Local: Auditório da Reitoria – Bloco 1 - SEPN 707/907 - Campus do UniCEUB - Asa Norte Brasília - DF - CEP: 70790-075
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Paulo Roberto de Almeida
IX Semana de Relações Internacionais
Centro Universitário de Brasília – UniCEUB
Diretório Acadêmico do Curso de Relações Internacionais
O Papel brasileiro no cenário internacional contemporâneo
Palestras (19h10):
Segunda – feira (19/10) – Papel da Sociedade Civil (Mediador: Emb. Fernando Guimarães Reis; diretor do Instituto Rio Branco)
O processo de formulação da política externa e a participação da sociedade
Terça – feira (20/10) – Política Externa Brasileira (Mediadora: Profa. Renata Rosa)
Marco Aurélio Garcia (PR) – “Prioridades da Política Externa Brasileira.”
Quarta – feira (21/10) – Economia Global (Mediador: Prof. Carlito Zanetti)
19h10: Prof. Renato Baumann (CEPAL/Unb) – “Os principais desafios da economia brasileira e da economia global no atual contexto internacional”
21h10: Mansueto Almeida (IPEA) – “Internacionalização das empresas brasileiras: a criação de líderes nacionais e competidores globais.”
Quinta – feira (22/10) – Comércio Internacional (Mediadora: Profa. Silvia Menicucci de Oliveira Selmi Apolinário)
19h10: Welber Barral (Secex/MDIC) – “O comportamento e perspectivas do comércio exterior brasileiro no cenário atual.”
21h10: Carlos Federico Dominguez Ávila (UNIEURO) – “A atuação do Brasil na crise hondurenha e as implicações políticas.”
Sexta – feira (23/10) – Política Externa e Direitos Humanos (Mediador: Prof. Renato Zerbini Ribeiro Leão)
19h10: Antônio Jorge Ramalho da Rocha (Unb) – “O papel da Academia na formulação da política externa brasileira.”
Workshops - 17h30 às 19h:
1) Terça, 20 e Quarta 21 - “A crise financeira de 2008: surgimento, características e perspectivas.” Prof. Márcio de Oliveira Jr.
2) Quinta 22 e Sexta 23 - “Características da Política Externa do Brasil: o jeito brasileiro de fazer diplomacia.” Prof. Paulo Roberto de Almeida.
Local: Auditório da Reitoria – Bloco 1 - SEPN 707/907 - Campus do UniCEUB - Asa Norte Brasília - DF - CEP: 70790-075
sábado, 17 de outubro de 2009
1432) Minha homenagem a Norberto Bobbio nos seus 100 anos de nascimento
A liberdade de destruir a liberdade: um aviso preventivo vindo do passado
Paulo Roberto de Almeida
Norberto Bobbio, o maior intelectual italiano do século 20, nasceu em Torino no dia 18 de outubro de 1909, e teria, portanto, neste dia 18 de outubro de 2009, exatamente cem anos, o que ele ‘falhou’ em completar em aproximadamente cinco anos, tendo falecido em Torino em 9 de janeiro de 2004. Retomo esses dados da excelente cronologia elaborada sobre sua vida e obra por Marco Revelli, no volume que adquiri recentemente em Veneza tão pronto ele foi publicado:
Norberto Bobbio
Etica e Politica: Scritti di impegno civile
Progetto editoriale e saggio introduttivo di Marco Revelli
(Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 2009, 1718 p.; ISBN: 978-04-57314-2)
(Paguei 55 euros, o que representa 3 centavos de euro por página, cada uma bem mais valiosa em sabedoria e conhecimento do que o seu estrito valor monetário)
O volume é uma compilação de seus escritos mais importantes, divididos em cinco partes, começando por sua Autobiografia intellettuale: Compagni e Maestri (seus colegas de colégio, de universidade e de lutas políticas, sobretudo antifascistas e pela liberdade e democracia na Itália republicana do pós-guerra); Valori Politici e Dilemmi Etici (escritos e conferências sobre a ética e a política, sobre a liberdade e a igualdade, sobre a paz e a guerra); Le Forme della Politica (seus textos mais famosos de polêmica: Democrazia e dittatura, Socialismo e comunismo e Destra e sinistra); e, ao final, Congedo (seus escritos da idade senil: De senectute e A me stesso).
O livro é precedido por uma introdução magistral de Marco Revelli (Nel labirinto del Novecento), de uma cronologia e notas a esta edição, do mesmo autor, que também complementa o livro por notas sobre os textos, por uma bibliografia completíssima e por um índice dos nomes (não, infelizmente não existe um índice de ideias, que teria sido um instrumento muito útil ao pesquisador).
O livro é um tesouro de trouvailles (como os textos sobre os amigos, homenagens publicadas em revistas, para nós obscuras, geralmente por ocasião da morte de cada um deles; e Bobbio sobreviveu à maior parte dei suoi compagni), assim como um instrumento poderoso de referências sobre todos os seus trabalhos publicados, aqui apenas selecionados. Bobbio tem, segundo Revelli, 4.803 escritos catalogados, em todas as categorias – livros, artigos, conferências, entrevistas – o que daria 128 volumes, com 944 artigos, 1.452 ensaios, 457 entrevistas, 316 palestras). Ufa!: vai ser preciso alguém tempo para ler tudo, por isso mesmo este volume é um achado.
Na impossibilidade de falar aqui de todos, ou sequer dos mais importantes textos selecionados neste volume, prefiro fazer uma transcrição de um dos escritos compilados por Revelli, que talvez guarde alguma similaridade com a situação política do Brasil atual. Ele foi escrito por Norberto Bobbio em 1969 e fazia parte de uma homenagem prestada ao seu colega de colégio Leone Ginzburg, intelectual de origem russa, judeu, lutador antifascista, assassinado pela Gestapo em Roma, em 1944. No 25o. aniversário de sua morte, Bobbio publicou uma carta numa edição especial, Dialogo con Leone Ginzburg, na revista Resistenza (a. XXXIII, n. 4, aprile 1969), na qual dizia o seguinte (transcrevo o original italiano, e depois tento a minha tradução improvisada):
Oggi, sappiamo che la libertà si può usare per il bene e per il male. Si può usare non per educare ma per corrompere, non per accrescere il proprio patrimonio ideale ma per dilapidarlo, non per rendere gli uomini più saggi e nobili, ma per renderli più ignoranti e volgari. La libertà si può anche sprecare. Si può sprecarla fino al punto di farla apparire inutile, un bene non necessario, anzi dannoso. E a furia di sprecarla, un giorno o l’altro (vicino? lontano?) la perderemo. Ce la toglieranno. Non sappiamo ancora chi: se coloro che abbiamo lasciato prosperare alla nostra destra, o coloro che stanno crescendo tumultuosamente alla nostra sinistra. Abbiamo comunque il sospetto, alimentato da una continua severa lezione durata mezzo secolo, che la differenza non sarà molto grande. (p. cviii-cix)
(tradução não autorizada, e sobretudo não competente, de Paulo R. de Almeida:)
Hoje, sabemos que a liberdade pode ser usada para o bem e para o mal. Ela pode ser usada não para educar, mas para corromper, não para aumentar o próprio patrimônio ideal [mental], mas para dilapidá-lo, não para tornar os homens mais sábios e nobres, mas para torná-los mais ignorantes e vulgares. A liberdade pode inclusive ser desperdiçada. Pode-se desperdiçá-la até o limite de fazê-la parecer inútil, um bem não necessário, aliás prejudicial. E nessa fúria de desperdiçá-la, um dia ou outro (próximo? longínquo?) nós a perderemos. Vão tirá-la de nós. Não sabemos ainda quem: se aqueles que deixamos prosperar à nossa direita, ou aqueles que estão crescendo tumultuosamente à nossa esquerda. Temos de toda forma a suspeita, alimentada por uma contínua e grave lição que perdurou por meio século, que a diferença não será muito grande.
Acredito, pessoalmente, que esta advertência de Bobbio, feita no seguimento das convulsões estudantis que agitaram a Europa, e um pouco todo o mundo, a partir de 1968, com seu cortejo de atos libertários, bastante criatividade e espontaneidade, mas também com muitas exibições de irracionalidade anticapitalista e de comportamentos antidemocráticos – basta dizer que a Revolução Cultural chinesa, um exemplo extremo de irracionalidade obscurantista, era saudada pelos revoltosos de “maio de 1968” como se fosse a libertação final da exploração capitalista e da democracia burguesa –, se aplica inteiramente à conjuntura presente no Brasil, com seu cortejo de ataques velados à liberdade de imprensa, seu festival de banalidades políticas e de irracionalidades econômicas, enfim suas ameaças latentes a uma liberdade duramente conquistada em algumas décadas de lutas democráticas (hoje enganosamente apropriadas por aqueles mesmos que queriam esmagar a liberdade no altar de suas crenças ultrapassadas).
Bobbio nasceu numa Itália pré-fascista, cresceu na crise política do pós-primeira guerra, atravessou todo o período de totalitarismo mussoliniano (tendo inclusive, por razões familiares, flertado com o movimento em sua juventude), se fez homem na luta antifascista dos anos 1930 e 40, participou da construção constitucional da Itália liberada e republicana do pós-segunda guerra, e deu sua imensa contribuição intelectual para os debates do seu tempo: as difíceis escolhas entre liberdade e igualdade, entre democracia representativa e seus simulacros pela via direta ou plebiscitária – um cenário que infelizmente ressurge de maneira irracional na América Latina – e faleceu sem ter visto o sistema político italiano expurgado das pragas da corrupção e do loteamento das instituições estatais por políticos fisiológicos.
A sua Itália era – e é – muito parecida com o Brasil em seus “costumes” políticos. Pena que não ostentemos (ainda?) nenhum Norberto Bobbio entre nós.
Minhas homenagens a Norberto Bobbio em seus ‘100’ anos de vida...
Brasília, 2051: 17.10.2009
Paulo Roberto de Almeida
Norberto Bobbio, o maior intelectual italiano do século 20, nasceu em Torino no dia 18 de outubro de 1909, e teria, portanto, neste dia 18 de outubro de 2009, exatamente cem anos, o que ele ‘falhou’ em completar em aproximadamente cinco anos, tendo falecido em Torino em 9 de janeiro de 2004. Retomo esses dados da excelente cronologia elaborada sobre sua vida e obra por Marco Revelli, no volume que adquiri recentemente em Veneza tão pronto ele foi publicado:
Norberto Bobbio
Etica e Politica: Scritti di impegno civile
Progetto editoriale e saggio introduttivo di Marco Revelli
(Milano: Arnoldo Mondadori Editore, 2009, 1718 p.; ISBN: 978-04-57314-2)
(Paguei 55 euros, o que representa 3 centavos de euro por página, cada uma bem mais valiosa em sabedoria e conhecimento do que o seu estrito valor monetário)
O volume é uma compilação de seus escritos mais importantes, divididos em cinco partes, começando por sua Autobiografia intellettuale: Compagni e Maestri (seus colegas de colégio, de universidade e de lutas políticas, sobretudo antifascistas e pela liberdade e democracia na Itália republicana do pós-guerra); Valori Politici e Dilemmi Etici (escritos e conferências sobre a ética e a política, sobre a liberdade e a igualdade, sobre a paz e a guerra); Le Forme della Politica (seus textos mais famosos de polêmica: Democrazia e dittatura, Socialismo e comunismo e Destra e sinistra); e, ao final, Congedo (seus escritos da idade senil: De senectute e A me stesso).
O livro é precedido por uma introdução magistral de Marco Revelli (Nel labirinto del Novecento), de uma cronologia e notas a esta edição, do mesmo autor, que também complementa o livro por notas sobre os textos, por uma bibliografia completíssima e por um índice dos nomes (não, infelizmente não existe um índice de ideias, que teria sido um instrumento muito útil ao pesquisador).
O livro é um tesouro de trouvailles (como os textos sobre os amigos, homenagens publicadas em revistas, para nós obscuras, geralmente por ocasião da morte de cada um deles; e Bobbio sobreviveu à maior parte dei suoi compagni), assim como um instrumento poderoso de referências sobre todos os seus trabalhos publicados, aqui apenas selecionados. Bobbio tem, segundo Revelli, 4.803 escritos catalogados, em todas as categorias – livros, artigos, conferências, entrevistas – o que daria 128 volumes, com 944 artigos, 1.452 ensaios, 457 entrevistas, 316 palestras). Ufa!: vai ser preciso alguém tempo para ler tudo, por isso mesmo este volume é um achado.
Na impossibilidade de falar aqui de todos, ou sequer dos mais importantes textos selecionados neste volume, prefiro fazer uma transcrição de um dos escritos compilados por Revelli, que talvez guarde alguma similaridade com a situação política do Brasil atual. Ele foi escrito por Norberto Bobbio em 1969 e fazia parte de uma homenagem prestada ao seu colega de colégio Leone Ginzburg, intelectual de origem russa, judeu, lutador antifascista, assassinado pela Gestapo em Roma, em 1944. No 25o. aniversário de sua morte, Bobbio publicou uma carta numa edição especial, Dialogo con Leone Ginzburg, na revista Resistenza (a. XXXIII, n. 4, aprile 1969), na qual dizia o seguinte (transcrevo o original italiano, e depois tento a minha tradução improvisada):
Oggi, sappiamo che la libertà si può usare per il bene e per il male. Si può usare non per educare ma per corrompere, non per accrescere il proprio patrimonio ideale ma per dilapidarlo, non per rendere gli uomini più saggi e nobili, ma per renderli più ignoranti e volgari. La libertà si può anche sprecare. Si può sprecarla fino al punto di farla apparire inutile, un bene non necessario, anzi dannoso. E a furia di sprecarla, un giorno o l’altro (vicino? lontano?) la perderemo. Ce la toglieranno. Non sappiamo ancora chi: se coloro che abbiamo lasciato prosperare alla nostra destra, o coloro che stanno crescendo tumultuosamente alla nostra sinistra. Abbiamo comunque il sospetto, alimentato da una continua severa lezione durata mezzo secolo, che la differenza non sarà molto grande. (p. cviii-cix)
(tradução não autorizada, e sobretudo não competente, de Paulo R. de Almeida:)
Hoje, sabemos que a liberdade pode ser usada para o bem e para o mal. Ela pode ser usada não para educar, mas para corromper, não para aumentar o próprio patrimônio ideal [mental], mas para dilapidá-lo, não para tornar os homens mais sábios e nobres, mas para torná-los mais ignorantes e vulgares. A liberdade pode inclusive ser desperdiçada. Pode-se desperdiçá-la até o limite de fazê-la parecer inútil, um bem não necessário, aliás prejudicial. E nessa fúria de desperdiçá-la, um dia ou outro (próximo? longínquo?) nós a perderemos. Vão tirá-la de nós. Não sabemos ainda quem: se aqueles que deixamos prosperar à nossa direita, ou aqueles que estão crescendo tumultuosamente à nossa esquerda. Temos de toda forma a suspeita, alimentada por uma contínua e grave lição que perdurou por meio século, que a diferença não será muito grande.
Acredito, pessoalmente, que esta advertência de Bobbio, feita no seguimento das convulsões estudantis que agitaram a Europa, e um pouco todo o mundo, a partir de 1968, com seu cortejo de atos libertários, bastante criatividade e espontaneidade, mas também com muitas exibições de irracionalidade anticapitalista e de comportamentos antidemocráticos – basta dizer que a Revolução Cultural chinesa, um exemplo extremo de irracionalidade obscurantista, era saudada pelos revoltosos de “maio de 1968” como se fosse a libertação final da exploração capitalista e da democracia burguesa –, se aplica inteiramente à conjuntura presente no Brasil, com seu cortejo de ataques velados à liberdade de imprensa, seu festival de banalidades políticas e de irracionalidades econômicas, enfim suas ameaças latentes a uma liberdade duramente conquistada em algumas décadas de lutas democráticas (hoje enganosamente apropriadas por aqueles mesmos que queriam esmagar a liberdade no altar de suas crenças ultrapassadas).
Bobbio nasceu numa Itália pré-fascista, cresceu na crise política do pós-primeira guerra, atravessou todo o período de totalitarismo mussoliniano (tendo inclusive, por razões familiares, flertado com o movimento em sua juventude), se fez homem na luta antifascista dos anos 1930 e 40, participou da construção constitucional da Itália liberada e republicana do pós-segunda guerra, e deu sua imensa contribuição intelectual para os debates do seu tempo: as difíceis escolhas entre liberdade e igualdade, entre democracia representativa e seus simulacros pela via direta ou plebiscitária – um cenário que infelizmente ressurge de maneira irracional na América Latina – e faleceu sem ter visto o sistema político italiano expurgado das pragas da corrupção e do loteamento das instituições estatais por políticos fisiológicos.
A sua Itália era – e é – muito parecida com o Brasil em seus “costumes” políticos. Pena que não ostentemos (ainda?) nenhum Norberto Bobbio entre nós.
Minhas homenagens a Norberto Bobbio em seus ‘100’ anos de vida...
Brasília, 2051: 17.10.2009
1431) A OTAN bolivariana: estava demorando para sair...
Bem, a Alba ja constitui, como sabemos, uma dinâmica, vibrante e, sobretudo, poderosa zona de livre comércio, uma união econômica, visando à integração política.
Nada mais justo, portanto, que ela também constitua uma espécie de OTAN bolivariana, já dispondo inclusive do seu comandante em chefe: tudo será mais facil e rápido, pois dólares nao parecem faltar ao coronel. (Sim, mas ele pretende substituir o comércio em dólares, pelo Sucre, apenas criado: resta saber como vai adquirir armas em Sucre...).
No resto, se trata de uma séria concorrência ao projeto brasileiro vagamente similar: o Conselho Sul-Americano de Defesa.
Parece que, não mais que de repente, surgem concorrentes para as iniciativas brasileiras na região, como se o coronel fosse um partidário dos regimes concorrenciais, ou seja, que vença o melhor...
Aliás, havia um observador russo na reunião da Alba: vamos ver o que dizem aqueles que não gostam de ingerências externas na região, e que achavam (acham ainda) que os acordos Colômbia-EUA constituem uma séria ameaça à paz e à segurança na região...
-------------
Paulo Roberto de Almeida
Chávez propone crear un organismo militar del Alba
17.10.09
Según Chávez, la máxima expresión de la derecha está en Honduras.
Bolivia - Los presidentes de Alternativa Bolivariana para los Pueblos de América (ALBA) anunciaron que crearán un "consejo de seguridad" regional para garantizar la democracia en el bloque y encomendaron a su comisión política estudiar un proyecto para debatirlo en la próxima cumbre presidencial.
La iniciativa surgió del presidente venezolano Hugo Chávez en la VII Cumbre del ALBA que comenzó el viernes en esta ciudad del centro de este país y fue respaldada por sus colegas de Bolivia, Ecuador y por delegaciones de Cuba y las islas caribeñas que integran el bloque.
Chávez sugirió que el órgano debería denominarse consejo de seguridad del ALBA pero su colega de Bolivia Evo Morales sugirió la creación de la "escuela militar de la dignidad y soberanía del ALBA para el desarrollo de nueva doctrina militar" distante de aquella que Estados Unidos fomentó en el continente en décadas pasadas en materia de seguridad nacional.
El presidente venezolano dijo que "las fuerzas de la derecha nacionales e internacionales estarían más de uno tocando las puertas de los cuarteles... de esos órganos de inteligencia golpistas, asesinos"
"No podemos nosotros quedarnos de brazos cruzados porque ésa es una amenaza que está latente allí y está en su máxima expresión en Honduras. Creo que debemos tomar esa propuesta (de Morales) de crear un organismo militar de los países del ALBA", señaló.
"Nosotros deberíamos incluso incrementar las labores de todo lo que es entrenamiento y adiestramiento conjunto. Deberíamos hacer maniobras terrestres, aéreas, marítimas" dijo Chávez y agregó: "Yo no sé que va a pasar en Honduras, pero los pueblos tienen derecho a la resistencia, incluso armada...".
"Queremos revoluciones pacíficas, pero que no nos obliguen a regresar a la Sierra Maestra y hacer un Vietnam, dos Vietnam, tres Vietnam en América Latina. Esto se lo digo con mucha firmeza a los imperialistas y a los gorilas que están por allí y que creen que van a instalar de nuevo en este continente la era de las cavernas", sostuvo.
Presidentes y delegados de alto nivel de los países del ALBA inauguraron el viernes en esta ciudad la séptima cumbre de este bloque, en la que intervino un enviado del mandatario de Rusia, que expresó el deseo de profundizar relaciones multilaterales y bilaterales con las naciones de la región.
Rusia fue uno de los países invitados a la cumbre en la que toman parte los presidentes de Bolivia, Evo Morales; Ecuador, Rafael Correa, y Venezuela Hugo Chávez. También asisten los primeros ministros de Dominica, Roosevelt Skerit; de Antigua y Barbuda, Winston Baldwin Spencer, y de San Vicente y las Granadinas, Ralph Gonsalves.
Se anunció que el presidente de Nicaragua, Daniel Ortega, llegará el sábado mientras que el presidente cubano Raúl Castro delegó su representación al vicepresidente José Ramón Machado.
El ALBA está integrado por Bolivia, Ecuador, Venezuela, Cuba, Nicaragua, Dominica, San Vicente y las Granadinas, y Antigua y Barbuda.
Los mandatarios también aprobaron un tratado para poner en vigencia desde el próximo año el Sistema Unificado de Compensación de Pagos (Sucre) que será un mecanismo de pago del comercio intraregional y que en el futuro podría derivar en una moneda común para los países. El convenio aprobado señala que el Sucre ha sido creado como "instrumento de soberanía monetaria y financiera y para eliminar la dependencia del dólar".
La primera jornada tuvo un desarrollo apresurado debido a que Correa debe retornar a su país el domingo.
En forma paralela, líderes indígenas andinos, afrodescendientes, caribeños, representantes de pueblos originarios de Canadá y activistas, perfilan en la cumbre social un "modelo de desarrollo más armónico con la naturaleza" y reflexionan sobre "economía comunitaria, soberanía alimentaria, crisis civilizatoria, cambio climático y derechos de la madre tierra".
Ambas cumbres concluirán el sábado en un estadio de fútbol donde se encontrarán los mandatarios con líderes sociales.
Se trata del quinto año del ALBA que nació en el 2004 bajo el patrocinio de Cuba y Venezuela y como un alternativa al Area de Libre Comercio de las Américas, ALCA, promovida por el ex presidente de Estados Unidos George W. Bush.
Nada mais justo, portanto, que ela também constitua uma espécie de OTAN bolivariana, já dispondo inclusive do seu comandante em chefe: tudo será mais facil e rápido, pois dólares nao parecem faltar ao coronel. (Sim, mas ele pretende substituir o comércio em dólares, pelo Sucre, apenas criado: resta saber como vai adquirir armas em Sucre...).
No resto, se trata de uma séria concorrência ao projeto brasileiro vagamente similar: o Conselho Sul-Americano de Defesa.
Parece que, não mais que de repente, surgem concorrentes para as iniciativas brasileiras na região, como se o coronel fosse um partidário dos regimes concorrenciais, ou seja, que vença o melhor...
Aliás, havia um observador russo na reunião da Alba: vamos ver o que dizem aqueles que não gostam de ingerências externas na região, e que achavam (acham ainda) que os acordos Colômbia-EUA constituem uma séria ameaça à paz e à segurança na região...
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Paulo Roberto de Almeida
Chávez propone crear un organismo militar del Alba
17.10.09
Según Chávez, la máxima expresión de la derecha está en Honduras.
Bolivia - Los presidentes de Alternativa Bolivariana para los Pueblos de América (ALBA) anunciaron que crearán un "consejo de seguridad" regional para garantizar la democracia en el bloque y encomendaron a su comisión política estudiar un proyecto para debatirlo en la próxima cumbre presidencial.
La iniciativa surgió del presidente venezolano Hugo Chávez en la VII Cumbre del ALBA que comenzó el viernes en esta ciudad del centro de este país y fue respaldada por sus colegas de Bolivia, Ecuador y por delegaciones de Cuba y las islas caribeñas que integran el bloque.
Chávez sugirió que el órgano debería denominarse consejo de seguridad del ALBA pero su colega de Bolivia Evo Morales sugirió la creación de la "escuela militar de la dignidad y soberanía del ALBA para el desarrollo de nueva doctrina militar" distante de aquella que Estados Unidos fomentó en el continente en décadas pasadas en materia de seguridad nacional.
El presidente venezolano dijo que "las fuerzas de la derecha nacionales e internacionales estarían más de uno tocando las puertas de los cuarteles... de esos órganos de inteligencia golpistas, asesinos"
"No podemos nosotros quedarnos de brazos cruzados porque ésa es una amenaza que está latente allí y está en su máxima expresión en Honduras. Creo que debemos tomar esa propuesta (de Morales) de crear un organismo militar de los países del ALBA", señaló.
"Nosotros deberíamos incluso incrementar las labores de todo lo que es entrenamiento y adiestramiento conjunto. Deberíamos hacer maniobras terrestres, aéreas, marítimas" dijo Chávez y agregó: "Yo no sé que va a pasar en Honduras, pero los pueblos tienen derecho a la resistencia, incluso armada...".
"Queremos revoluciones pacíficas, pero que no nos obliguen a regresar a la Sierra Maestra y hacer un Vietnam, dos Vietnam, tres Vietnam en América Latina. Esto se lo digo con mucha firmeza a los imperialistas y a los gorilas que están por allí y que creen que van a instalar de nuevo en este continente la era de las cavernas", sostuvo.
Presidentes y delegados de alto nivel de los países del ALBA inauguraron el viernes en esta ciudad la séptima cumbre de este bloque, en la que intervino un enviado del mandatario de Rusia, que expresó el deseo de profundizar relaciones multilaterales y bilaterales con las naciones de la región.
Rusia fue uno de los países invitados a la cumbre en la que toman parte los presidentes de Bolivia, Evo Morales; Ecuador, Rafael Correa, y Venezuela Hugo Chávez. También asisten los primeros ministros de Dominica, Roosevelt Skerit; de Antigua y Barbuda, Winston Baldwin Spencer, y de San Vicente y las Granadinas, Ralph Gonsalves.
Se anunció que el presidente de Nicaragua, Daniel Ortega, llegará el sábado mientras que el presidente cubano Raúl Castro delegó su representación al vicepresidente José Ramón Machado.
El ALBA está integrado por Bolivia, Ecuador, Venezuela, Cuba, Nicaragua, Dominica, San Vicente y las Granadinas, y Antigua y Barbuda.
Los mandatarios también aprobaron un tratado para poner en vigencia desde el próximo año el Sistema Unificado de Compensación de Pagos (Sucre) que será un mecanismo de pago del comercio intraregional y que en el futuro podría derivar en una moneda común para los países. El convenio aprobado señala que el Sucre ha sido creado como "instrumento de soberanía monetaria y financiera y para eliminar la dependencia del dólar".
La primera jornada tuvo un desarrollo apresurado debido a que Correa debe retornar a su país el domingo.
En forma paralela, líderes indígenas andinos, afrodescendientes, caribeños, representantes de pueblos originarios de Canadá y activistas, perfilan en la cumbre social un "modelo de desarrollo más armónico con la naturaleza" y reflexionan sobre "economía comunitaria, soberanía alimentaria, crisis civilizatoria, cambio climático y derechos de la madre tierra".
Ambas cumbres concluirán el sábado en un estadio de fútbol donde se encontrarán los mandatarios con líderes sociales.
Se trata del quinto año del ALBA que nació en el 2004 bajo el patrocinio de Cuba y Venezuela y como un alternativa al Area de Libre Comercio de las Américas, ALCA, promovida por el ex presidente de Estados Unidos George W. Bush.
1430) Mitos sobre o FMI - Mailson da Nobrega
Mitos e verdades sobre o FMI
Maílson da Nóbrega
Veja, 17.10.2009
"O G-20 não substituiu o FMI nem diminuiu sua importância. O Fundo foi a organização
mais citada no comunicado: 31 vezes"
As cenas se repetiram em mais uma reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizada em Istambul, na Turquia. Durante o evento, encerrado no último dia 7, hordas de jovens bem vestidos e dizendo-se antiglobalização bloquearam ruas, promoveram arruaças e depredaram caixas automáticos e lojas que nada tinham a ver. Estudantes empunharam cartazes com os dizeres "FMI, fora de nossa cidade".
A dificuldade de entender para que serve o FMI não é privilégio dessas turbas, que costumam se guiar por uma mistura de ignorância, preconceitos anticapitalistas e vetustos ideais marxistas. Nos seus tempos de oposição, o presidente Lula também entoava o "Fora FMI" para desancar os acordos que o Brasil celebrava para enfrentar as crises vindas do exterior ou produzidas por nossos próprios desequilíbrios.
Talvez movido pelas reminiscências daqueles tempos, Lula comemorou de forma canhestra o resultado da reunião do G-20 em 25 de setembro de 2009. Em vez de celebrar duas decisões históricas – a transformação do G-20 em principal fórum de cooperação econômica mundial e a transferência de 5% de cotas do FMI dos países ricos para os emergentes –, o presidente preferiu dissertar sobre o vazio.
Disse que o G-20 não terá ingerência nos países: "A política de constrangimento era antes, quando o FMI ficava mandando os países fazer ajuste fiscal e acabava atrofiando a economia". Para o ministro da Fazenda, o FMI ficou subordinado ao G-20. Quanta confusão!
O G-20 existe para discutir a cooperação e a coordenação de políticas, em especial no campo financeiro. Seus comunicados orientam decisões de instituições multilaterais. Representam apoio político para mudanças institucionais nos respectivos países. É um colegiado que não tem como se ingerir em assuntos internos de seus membros.
O FMI, criado em 1944, tem por objetivo "fomentar a cooperação global, assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, promover o emprego e o crescimento sustentáveis e reduzir a pobreza". É um mandato para nenhum "desenvolvimentista" botar defeito.
O FMI exerce suas funções de três formas: (1) monitoramento da situação econômica e financeira, visando a prevenir crises; (2) auxílio a países em crise, mediante o fornecimento temporário de recursos e o apoio a medidas para corrigir seus desequilíbrios; (3) assistência técnica e treinamento em áreas de sua especialidade.
Regra geral, o FMI ajuda países a enfrentar dificuldades de acesso a financiamento externo. Por isso, a entrega dos recursos depende de medidas (as chamadas condicionalidades) para atacar as fontes dessas dificuldades, o que reduz por um tempo a atividade econômica e o emprego. Daí a ideia de que o Fundo prejudica o país.
Ocorre que não estabelecer tais condições seria contrário aos interesses de longo prazo do próprio país. Equivaleria a tratar uma doença grave sem prescrever remédios às vezes amargos e não mudar condutas nocivas à saúde do paciente. Feito de seres humanos, o FMI erra, mas é no mínimo exagero rotular os seus acordos como interferência em um país, mesmo porque se pode recusá-los. Foi o que fez Juscelino Kubitschek, que preferiu evitar medidas impopulares contra a inflação ascendente.
As condicionalidades se aplicam a quaisquer países em dificuldades que precisem do apoio financeiro do FMI para superá-las. Ricos, emergentes ou pobres. Os primeiros, ainda nos anos 40, foram a França, a Holanda e o Reino Unido. Esse último, resgatado de uma crise cambial na segunda investidura de Harold Wilson como primeiro-ministro (1974-1976), teve de ajustar-se.
Na atual crise financeira mundial, o FMI criou uma linha flexível para países de comprovada gestão macroeconômica responsável. México e Colômbia a utilizaram. Se quisesse, o Brasil poderia ter feito o mesmo. Os três conduzem políticas semelhantes às prescritas pelo FMI em crises passadas.
Ao contrário do que se disse por aqui, o G-20 não substituiu o FMI nem diminuiu sua importância. O Fundo foi a organização mais citada no comunicado: 31 vezes. Acontece que muitos preferem os mitos. Dá para entender. Fica bem falar mal do FMI ou tripudiar sobre seus supostos infortúnios.
Maílson da Nóbrega
Veja, 17.10.2009
"O G-20 não substituiu o FMI nem diminuiu sua importância. O Fundo foi a organização
mais citada no comunicado: 31 vezes"
As cenas se repetiram em mais uma reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizada em Istambul, na Turquia. Durante o evento, encerrado no último dia 7, hordas de jovens bem vestidos e dizendo-se antiglobalização bloquearam ruas, promoveram arruaças e depredaram caixas automáticos e lojas que nada tinham a ver. Estudantes empunharam cartazes com os dizeres "FMI, fora de nossa cidade".
A dificuldade de entender para que serve o FMI não é privilégio dessas turbas, que costumam se guiar por uma mistura de ignorância, preconceitos anticapitalistas e vetustos ideais marxistas. Nos seus tempos de oposição, o presidente Lula também entoava o "Fora FMI" para desancar os acordos que o Brasil celebrava para enfrentar as crises vindas do exterior ou produzidas por nossos próprios desequilíbrios.
Talvez movido pelas reminiscências daqueles tempos, Lula comemorou de forma canhestra o resultado da reunião do G-20 em 25 de setembro de 2009. Em vez de celebrar duas decisões históricas – a transformação do G-20 em principal fórum de cooperação econômica mundial e a transferência de 5% de cotas do FMI dos países ricos para os emergentes –, o presidente preferiu dissertar sobre o vazio.
Disse que o G-20 não terá ingerência nos países: "A política de constrangimento era antes, quando o FMI ficava mandando os países fazer ajuste fiscal e acabava atrofiando a economia". Para o ministro da Fazenda, o FMI ficou subordinado ao G-20. Quanta confusão!
O G-20 existe para discutir a cooperação e a coordenação de políticas, em especial no campo financeiro. Seus comunicados orientam decisões de instituições multilaterais. Representam apoio político para mudanças institucionais nos respectivos países. É um colegiado que não tem como se ingerir em assuntos internos de seus membros.
O FMI, criado em 1944, tem por objetivo "fomentar a cooperação global, assegurar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, promover o emprego e o crescimento sustentáveis e reduzir a pobreza". É um mandato para nenhum "desenvolvimentista" botar defeito.
O FMI exerce suas funções de três formas: (1) monitoramento da situação econômica e financeira, visando a prevenir crises; (2) auxílio a países em crise, mediante o fornecimento temporário de recursos e o apoio a medidas para corrigir seus desequilíbrios; (3) assistência técnica e treinamento em áreas de sua especialidade.
Regra geral, o FMI ajuda países a enfrentar dificuldades de acesso a financiamento externo. Por isso, a entrega dos recursos depende de medidas (as chamadas condicionalidades) para atacar as fontes dessas dificuldades, o que reduz por um tempo a atividade econômica e o emprego. Daí a ideia de que o Fundo prejudica o país.
Ocorre que não estabelecer tais condições seria contrário aos interesses de longo prazo do próprio país. Equivaleria a tratar uma doença grave sem prescrever remédios às vezes amargos e não mudar condutas nocivas à saúde do paciente. Feito de seres humanos, o FMI erra, mas é no mínimo exagero rotular os seus acordos como interferência em um país, mesmo porque se pode recusá-los. Foi o que fez Juscelino Kubitschek, que preferiu evitar medidas impopulares contra a inflação ascendente.
As condicionalidades se aplicam a quaisquer países em dificuldades que precisem do apoio financeiro do FMI para superá-las. Ricos, emergentes ou pobres. Os primeiros, ainda nos anos 40, foram a França, a Holanda e o Reino Unido. Esse último, resgatado de uma crise cambial na segunda investidura de Harold Wilson como primeiro-ministro (1974-1976), teve de ajustar-se.
Na atual crise financeira mundial, o FMI criou uma linha flexível para países de comprovada gestão macroeconômica responsável. México e Colômbia a utilizaram. Se quisesse, o Brasil poderia ter feito o mesmo. Os três conduzem políticas semelhantes às prescritas pelo FMI em crises passadas.
Ao contrário do que se disse por aqui, o G-20 não substituiu o FMI nem diminuiu sua importância. O Fundo foi a organização mais citada no comunicado: 31 vezes. Acontece que muitos preferem os mitos. Dá para entender. Fica bem falar mal do FMI ou tripudiar sobre seus supostos infortúnios.
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