quarta-feira, 8 de maio de 2013

E por falar em exportações e importações, um artigo de Gary North

Agradeço ao Eduardo, do Rio de Janeiro, esta remessa sempre bem vinda.
Paulo Roberto de Almeida

Qual o benefício de exportar mais do que importar?
por , segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

 

1756FP071.jpg
Guido Mantega cumprindo sua função: atender ao lobby dos exportadores, espoliando o poder de compra do resto da população brasileira
Ao longo dos últimos 300 anos, o senso comum reinante entre os economistas convencionais, a mídia e os leigos é o de que um país estará em melhor situação se ele exportar mais bens e serviços do que ele importa.  A crença dominante é a de que, se um país é um exportador líquido, então este país é uma verdadeira usina de prosperidade.
É por isso que, segundo este raciocínio, a China é considerada por esses economistas e seus seguidores na mídia uma potência econômica.  O país é competitivo por causa de sua capacidade de exportar muitos bens para outros países.  Porém, para fazer isso, há uma contrapartida: a China inevitavelmente tem de aceitar notas promissórias dos estrangeiros. 
Quando um país exporta bens, o que ele recebe em troca são meros dígitos eletrônicos contabilizados em moeda estrangeira — atualmente, o dólar.  Como o dólar não é moeda corrente na esmagadora maioria das nações do globo, o que um país exportador recebe, na realidade, é um título da dívida do governo americano.  Os dólares digitais que este país recebe em decorrência de suas exportações são reinvestidos nos EUA, na aquisição de títulos do governo americano.  No balancete do Banco Central, esta aquisição de títulos do governo é contabilizada como "reservas internacionais".
O que realmente ocorre é o seguinte: indivíduos que trabalham no ramo da exportação estão dispostos a aceitar notas promissórias, ou outros tipos de ativos baseados em dígitos eletrônicos, em troca de bens físicos.  O exportador recebe dinheiro eletrônico — no caso, dólares americanos — em sua conta bancária.  Para ele, estes dólares têm valor.  Se não tivesse, ele não teria exportado os bens.  Ele pode trocar estes dólares por sua moeda doméstica (no caso, ele vende dólares ao seu banco, que irá creditar sua conta-corrente com moeda nacional) ou ele pode manter estes dólares no exterior, depositado em um banco estrangeiro.  Talvez ele prefira comprar ações ou outros ativos estrangeiros que são vendidos em dólares.  A questão é que esse exportador está disposto a aceitar notas promissórias — no caso, promessas digitais — em troca de seus bens reais.  Esta é o único princípio por trás da exportação.
Os EUA são o exemplo clássico de um país que importa muito mais bens do que exporta.  No entanto, os EUA também são considerados uma potência econômica.  Por quê?  Porque estrangeiros estão sempre dispostos a investir no país.  O problema é que o investimento favorito é a compra de títulos emitidos pelo Tesouro americano.  Embora alguns investidores estrangeiros comprem estes títulos, quem os compra em sua esmagadora maioria são os bancos centrais estrangeiros.  Os bancos centrais estrangeiros compram títulos do governo americano porque seus respectivos governos querem manter suas moedas nacionais depreciadas em relação ao dólar, de modo a aumentar as exportações para os EUA.  Em outras palavras, o governo chinês é a real fonte do poderio exportador daquela nação, pois é ele quem manipula o mercado de câmbio para favorecer suas indústrias exportadoras.
Utilizar o poder estatal para subsidiar uma pequena porcentagem da população doméstica (os exportadores, cujo lobby é poderoso em qualquer nação do mundo) ao mesmo tempo em que se prejudica a esmagadora maioria da população (os consumidores, que não têm lobby em nenhuma nação do mundo) é a norma atual em todas as grandes economias do globo.  E a retórica utilizada também é a mesma: beneficiar alguns poucos em detrimento de todo o resto é algo que se faz em nome do fortalecimento da nação. 
O argumento, como em todas as promessas governamentais, é totalmente falacioso.
O que fortalece a população de um país é ter uma moeda previsível.  Isso faz com que os prognósticos de investimento sejam mais fáceis.  A preocupação das pessoas com relação às flutuações do valor da moeda é reduzida.  Mas é impossível obter uma moeda previsível em termos internacionais, pois os governos dos outros países estão continuamente manipulando suas moedas, quase sempre por meio da expansão da oferta monetária.  Em outras palavras, todos os bancos centrais estrangeiros inflacionam.  Sendo assim, uma moeda doméstica cuja oferta seja constante irá se apreciar continuamente em relação às moedas estrangeiras.  Isso significa que seu poder de compra irá aumentar continuamente.  Não haverá taxas de câmbio estáveis entre os países.
Se o Banco Central de um determinado país estivesse operando sob um padrão-ouro genuíno, ele não poderia inflacionar desmedidamente a moeda deste país.  O mesmo valeria para seu sistema bancário de reservas fracionárias.  Qualquer banco que expandisse o crédito enfrentaria uma corrida em seu estoque de moedas de ouro.  Suas reservas de ouro iriam se exaurir rapidamente.  Portanto, o temor de uma corrida bancária, na qual os correntistas apresentam seu dinheiro digital e exigem restituição em moedas de ouro, restringiria a expansão da oferta monetária.  Isso significa que a moeda deste país irá se apreciar em relação a todas as moedas estrangeiras que não estão restringidas por tal ameaça.  Isso significa que os cidadãos que residem na nação sob o padrão-ouro poderiam importar bens estrangeiros a preços decrescentes.  A cada ano as importações estariam mais baratas.  Como consumidores, estes cidadãos seriam beneficiadas e seu padrão de vida aumentaria a cada ano.
Supondo que estas pessoas estão produzindo bens de valor, o que significa que elas estão adquirindo uma moeda denominada em ouro, seu patrimônio líquido está aumentando continuamente.  Por quê?  Porque, com a mesma quantidade de dinheiro, elas podem comprar quantidades cada vez maiores de bens importados.  Elas estão vivenciando aquilo que todos nós adoramos vivenciar: preços cada vez menores para os bens e serviços que desejamos comprar.
Dado que há uma quantidade muito maior de pessoas voltadas para o mercado doméstico do que para as exportações, uma política de moeda estável iria beneficiar aquelas pessoas que são mais produtivas, mais economicamente eficientes e que melhor atendem às demandas da população.  Estas conseguiriam obter um fluxo contínuo da moeda doméstica.  Seu custo de vida cairia ano após ano, de forma consistente, porque os bancos centrais estrangeiros estão inflacionando suas respectivas moedas.  O valor daquelas moedas em relação à moeda estável deste país cairia continuamente.
Logo, uma moeda estável traria um grande benefício para aqueles consumidores que vivem sob este padrão-ouro.  E estes consumidores formam a esmagadora maioria dos consumidores de um país.  Apenas uma relativamente pequena porcentagem dos empreendedores e trabalhadores de uma nação está no setor exportador da economia.  É por isso que a desvalorização da moeda nacional é um subsídio apenas para uma minoria de empresários e trabalhadores.  A vasta maioria dos residentes desta nação é prejudicada.  Ela é obrigada a pagar mais caro por bens importados por causa da política de seu Banco Central de inflacionar a oferta monetária a fim de manter a moeda nacional desvalorizada perante as outras moedas. 
Ao depreciarem sua própria moeda, os planejadores monetários estão prejudicando os interesses da grande maioria dos cidadãos desta nação.  O subsídio beneficia apenas uma minoria.  O fato de haver uma enorme quantidade de pessoas na maioria permite que sua riqueza seja espoliada por meio da inflação da oferta monetária, permitindo ao setor exportador ganhar receitas acima das de mercado ao exportar seus bens.  Uma minoria não pode subsidiar uma maioria.  Sempre tem de ser ao contrário.
Portanto, uma economia com uma moeda estável irá beneficiar a grande maioria de seus cidadãos, os quais poderão comprar a preços continuamente mais baixos.  Essa verdade econômica irrita os defensores do mercantilismo.  Eles dizem que tal política é maléfica.  Eles estão convencidos de que ter um Banco Central depreciando continuamente a moeda como forma de subsidiar o setor exportador é algo extremamente benéfico para uma nação, e que a reduzida quantidade de bens e serviços que estarão disponíveis para os consumidores domésticos (tanto em decorrência das menores importações quanto pelo fato de mais produtos domésticos estarem sendo exportados) é algo sem nenhuma importância.
Os defensores do mercantilismo jamais discutem a realidade econômica desta redistribuição de riqueza.  Eles jamais apontam para aquela incontestável realidade: que a esmagadora maioria dos cidadãos é obrigada a arcar com perdas econômicas, principalmente quando se leva em conta os ganhos que obteriam caso pudessem adquirir bens estrangeiros a preços cada vez menores.
A vasta maioria dos cidadãos de qualquer país não faz a mais mínima ideia da relação entre expansão monetária e redução das importações.  Eles não entendem que estão sendo prejudicados pela política de depreciação monetária feita pelo seu governo.  Se eles entendessem de economia, iriam imediatamente exigir um padrão-ouro puro, e iriam prontamente se beneficiar do crescente valor internacional de sua moeda nacional.  Como iriam se beneficiar?  Podendo comprar uma quantia cada vez maior de bens estrangeiros a preços cada vez menores.
Infelizmente, são tão poucas as pessoas que entendem de lógica econômica, que este subsídio coercivamente extraído de uma maioria para uma minoria não é visto como um programa de transferência de riqueza dos mais pobres (consumidores comuns) para os mais ricos (barões do setor exportador).  Sempre que o governo de um país adota o mercantilismo — algo que ocorre a aproximadamente 100% do tempo —, ele o faz sabendo que praticamente ninguém compreende que aquela política prejudica a vasta maioria dos cidadãos e beneficia apenas uma minoria que está no setor exportador da economia.  Mais ainda: ele o faz sabendo inclusive que contará com o resoluto apoio da mídia e dos desinformados de plantão, que acreditam que um "setor exportador subsidiado fortalece a economia do país".
O mundo está hoje adotando políticas de depreciação monetária competitiva.  Se um país deprecia sua moeda, o outro quer depreciar mais. "Tudo pelos exportadores!" Isso irá prejudicar severamente a vasta maioria dos cidadãos de todas as nações.  Eles não poderão usufruir o benefício de ter uma moeda doméstica forte, algo que os permitiria importar mais bens estrangeiros.  Eles seriam capazes de adquirir os bens e serviços que quisessem, a preços continuamente declinantes, caso sua moeda nacional fosse baseada em um padrão-ouro.  Caso desfrutassem de plena conversibilidade em ouro — isto é, caso pudessem ir a um banco para trocar dinheiro digital por moedas de ouro —, eles vivenciariam um padrão de vida crescente.  Mas como eles não entendem de economia, eles aceitam (e até aplaudem) as políticas mercantilistas de seu governo.  Eles aceitam que sua moeda seja depreciada e seu padrão de vida seja reduzido.  Eles aceitam ser roubados em prol da boa vida dos exportadores.  Eles gostam de ver seus bens sendo enviados para estrangeiros a troco de nada (apenas os exportadores ficam com as notas promissórias).
É lamentável que a maioria das pessoas não entenda de economia.  Para os exportadores, no entanto, que se beneficiam deste assalto ao poder de compra da população, essa ignorância econômica de seus compatriotas é uma dádiva.  Dado que é impossível ganhar algo a troco de nada, o que ocorre é que um pequeno grupo de exportadores ganha muito e, em troca, o restante das massas fica com preços crescentes para quase todos os bens e serviços da economia.  E ainda bate palma.


Gary North , ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

Assedio no Consulado em Sidney: the end of the beginning, or the beginning of the end?

Bem isso depende da alta comissão de três embaixadores que, depois de idas e vindas, e de muitas voltas, após uma missão precursora de um só embaixador (parece que não era suficiente, e não foi...) e de, teoricamente, uma outra missão composta por um diplomata da Administração e representantes das carreiras de Oficial de Chancelaria e de Assistente de Chancelaria, tem agora a relevante função de apurar o que já foi apurado duas vezes (mas talvez transcrito apenas em diplomatês), e de produzir novo relatório, que no fabuloso prazo de mais algumas semanas, vai informar aquilo que já foi informado, repassado, repisado, confirmado, insistido, e outros idos e ados...
Casinho difícil esse, para o maior constrangimento, humilhação e angústia daqueles que foram atingidos e ainda não moralmente reparados.
Parece que desta vez, à falta de outras tergiversações, vão ter de fazer alguma coisa, ainda que seja pouco, como essas aposentadorias de juízes corruptos, que são premiados com aposentadoria remunerada, ou seja, ficam em casa sem fazer nada, mas continuando a receber.
Mas, pelo menos o indiciado moral foi removido:  http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?jornal=2&pagina=55&data=08/05/2013
Resta saber o que vai acontecer depois, bem depois.
Não se apressem, pois a Casa precisa de tempo para resolver o que fazer com questões espinhosas desse tipo (e no entanto, tão claras e assertivas).
Esse é o Brasil, minha gente...
Paulo Roberto de Almeida 

http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/itamaraty-investiga-denuncias-de-assedio-sexual-e-moral-no-consulado-do-brasil-em-sidney/2560553/

Itamaraty ordena remoção de cônsul em Sydney após denúncias de assédio sexual
Renata Giraldi
Da Agência Brasil, em Brasília
08/05/201316h11
Depois das denúncias de desvios de comportamento, o cônsul-geral do Brasil em Sydney (Austrália), Américo Fontenelle, recebeu ordens para deixar o posto. Em portaria, publicada na edição desta quarta-feira (8) do Diário Oficial da União, a ordem é clara. "Remover ex-officio Américo Dyott Fontenelle", que é ministro da carreira diplomática –o último posto antes de ser promovido a embaixador, que o nível mais alto da carreira.
A íntegra da portaria determinando a remoção de Fontenelle está na página da Imprensa Nacional. Não há definição sobre o próximo posto para o diplomata.
Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, abriu um processo administrativo disciplinar contra o cônsul-geral do Brasil em Sydney e o adjunto dele, Cesar Cidade.
Os dois diplomatas são denunciados por funcionários de assédio moral e sexual, homofobia e desrespeito. Inicialmente, as investigações devem ocorrer em um prazo de 30 dias. Mas é possível prorrogação por mais duas semanas.
As investigações serão conduzidas por três embaixadores, com experiência consular e questões administrativas, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. Ao final das apurações, os dois diplomatas podem ser condenados com uma advertência oral ou até exonerados de suas funções. Ao Itamaraty, Fontenelle e Cidade negam as acusações.
As denúncias surgiram a partir de acusações feitas por funcionários do Consulado de Sydney, que informaram ao Itamaraty situações em que foram humilhados e houve abuso de autoridade por parte do cônsul e do adjunto dele. Desde então, o ministério passou a apurar as informações.
Patriota reiterou aos diplomatas, responsáveis pelas investigações do caso, que rejeita os comportamentos inadequados às funções desempenhadas pelo Ministério das Relações Exteriores. Na cerimônia de posse do novo secretário-geral, Eduardo dos Santos, o chanceler lembrou que "não há espaço no Itamaraty" para comportamentos que "não se adequem" ao ministério.

Entenda o caso

Pausa para... Faroeste Caboclo (adaptado aos tempos do fascismo companheiro)

Precisa ter paciência para ver tudo, mas os versos são precisos, os desenhos são cortantes, e a música é chatinha, mas é assim que esses poetas improvisados criam um ritmo (aborrecido) para uma narrativa altamente interessante, instrutiva, esclarecedora, verdadeira e..., como diria?,  repugnante?
Assim são os tempos companheiros...

http://www.youtube.com/watch?v=cpo2Z29VFPM

Comentário de um "vidente" (a mais de um título):


... e olha que esqueceram a sua imensa riqueza, a morte do Celso Daniel, as empresas do filho dele, a secretária Rose, os ministros afastados por corrupção e outras maracutaias e centenas de picaretas!

Sobre deficits e superavits - Joao Luiz Mauad

Sobre déficits e superávits
JOÃO LUIZ MAUAD*
Comentário do Dia, Instituto Liberal, 6/05/2013
Saiu na semana passada o resultado da balança comercial do mês de abril.  O resultado foi um “déficit” de US$ 994 milhões que, acrescido ao acumulado nos três primeiros meses, forma um “déficit” total de US$ 6,4 bilhões no ano.  Como esperado, os meios de comunicação deram grande destaque à notícia, e todos eles, sem exceção, o fizeram em tom de lamento.   O site do “Bom dia Brasil” (Portal Globo.com), por exemplo, estampou a seguinte manchete: “Rombo da balança comercial em abril é o pior da história para o mês”.
O uso da palavra “rombo” denota algo imoral, como se o fato de a sociedade brasileira haver importado mais do que exportou fosse algo pecaminoso, digno de vergonha.  Será mesmo?
O leitor deve ter reparado que usei aspas na palavra “déficit”, e isso tem um motivo.  Por alguma razão que já vem de longe, na equação algébrica que resume as contas de comércio internacional de qualquer país, convencionou-se aplicar às exportações o sinal positivo, enquanto às importações está reservado o sinal negativo.  Dessa forma, quando as exportações superam as importações, diz-se que a balança comercial é superavitária, e vice-versa. Como esse padrão foi estabelecido de forma arbitrária, nada impediria que ele fosse o contrário, como deveria.
Saindo da lógica mercantilista, que enxerga o dinheiro como o objetivo e as mercadorias e serviços como meios de obtê-lo, veremos facilmente que são as importações que contribuem efetivamente para o bem estar de uma nação, não as exportações.  Um país é rico na proporção da abundância de produtos e serviços postos à disposição dos cidadãos. A saída de produtos é um custo, enquanto a entrada é o verdadeiro benefício, assim como o trabalho é o meio e o consumo é o fim.  Sobre isso, vale lembrar os ensinamentos oportunos de Milton Friedman:
"Outra falácia raras vezes posta em questão é a de que as exportações são boas e as importações são ruins. A verdade se revela muito diferente disto. Não podemos comer, vestir ou gozar dos bens que enviamos ao exterior... Nosso ganho com o comércio exterior está no que importamos. As exportações constituem o preço que pagamos para obter as importações.”
* ADMINISTRADOR E CONSULTOR DE EMPRESAS


Mao-de-obra estrangeira: Brasil ainda paranoico e atrasado (BBC)

Da BBC, via coluna diária de Cesar Maia:

BRASIL PRECISA DE MÃO DE OBRA QUALIFICADA, MAS NÃO ATUALIZA LEI DO REGIME MILITAR! SÓ ENTRA MÃO-DE-OBRA SEM QUALIFICAÇÃO DO HAITI E BOLÍVIA!


(BBC, 07) 1. Grandes levas de imigrantes haitianos têm entrado no Brasil pela fronteira do Acre. É maciça a entrada de estrangeiros no Brasil pela fronteira com a Bolívia. Mas a discussão sobre a necessidade de atrair mão de obra qualificada de estrangeiros para suprir a demanda do mercado, a criação de uma política migratória – que ainda não existe no Brasil – está parada.
        
2. Atualmente, a lei 6.815, de 1980, conhecida como Estatuto do Estrangeiro, estabelece as condições de entrada e permanência de estrangeiros no país. Criada durante o governo militar, a lei é considerada defasada. O estatuto afirma que a "segurança nacional" é considerada prioridade ao analisar a concessão de visto e permanência a um estrangeiro. Por isso, vistos não devem ser concedidos ao cidadão considerado "nocivo à ordem pública ou aos interesses nacionais".
        
3. A lei também proíbe que estrangeiros realizem atividades políticas (punidas com prisão e expulsão do país) e permite que o Ministério da Justiça impeça a realização de conferências, congressos e "atividades culturais e folclóricas" de estrangeiros, "sempre que considerar conveniente aos interesses nacionais". 
        
4. O projeto de lei que deveria reformular e atualizar o Estatuto, elaborado em 2005, tramita na Câmara dos Deputados desde 2009 e ainda não há previsão de quando irá para a votação no plenário. "Quanto mais o tema ganha relevância no cenário nacional, mais premente fica a modificação e aprovação desse projeto, então já estamos com alguns anos de atraso", afirmou o presidente do CNIg à BBC Brasil.
        
5. Um grupo composto por representantes do Ministério da Justiça, do Itamaraty, do Ministério do Trabalho e da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) prepara um novo plano de reformulação do Estatuto do Estrangeiro, que ainda não tem data para ser apresentado. 

David Stockman: The Great Deformation, book review - Detlev Schlichter

Cover of David A. Stockman's The Great DeformationDavid Stockman’s new book “The Great Deformation” is a brilliant, penetrating analysis of the present state of the US economy and the US political system, and a detailed account of how the nation got into this mess. The book will upset Democrats and Republicans alike, and quite a few other constituencies as well, which can, in this case, be safely accepted as proof that Stockman’s narrative is spot on.
Stockman is an angry man and he admits so himself early in his 719-page tome. That anger adds bite and verve to his writing and keeps what is in fact a detailed historical account and economic analysis always highly entertaining. The book is long but never boring. Furthermore, Stockman does not let the anger cloud his judgement, which remains, in my view, relentlessly accurate throughout.
When dissecting Washington politics and Wall Street deal-making Stockman naturally draws on his experience as the director of the Office of Management and Budget under Ronald Reagan and his many years as an investment banker and private equity investor, and in so doing he reflects on much of his own professional life with commendable candor. But the book goes beyond these specific periods, and Stockman applies the analytical skills and insights acquired on these jobs to the critical examination of a wide spectrum of policy areas and historic periods. Stockman’s command of these topics and the masses of statistics and financial reports involved, and his powers of analytical dissection are impressive. But what is probably even more important for the success of his analysis is that it is based on an accurate understanding of essential economic relationships, in particular the importance of sound money. This is why the narrative that he develops captures America’s present challenges so truthfully and comprehensively. I very much shared Stockman’s anger when I started reading, but even more so when I had finished.
Public service
Stockman does a great service to his fellow Americans for he is providing a much-needed dose of realism that stands in stark contrast to the contrived optimism emanating from much of the political ‘debate’, from stock-pushing Wall Street experts on financial TV, and from the various Keynesian snake-oil merchants from both parties, all of whom want the public to believe that America is fundamentally healthy and just another round of ‘quantitative easing’, another deficit-funded tax break, or another ‘stimulus’ spending measure away from a bright future of self-sustained recovery. Instead, Stockman says it like it is. The US economy in 2013 is fundamentally weakened and structurally deformed by decades of artificially cheap money and a pathological debt addiction. Not the occasional artificial booms of the past twenty years, driven by Fed-induced bubbles in stocks, high-yield bonds and housing, give a correct picture of America’s long-term economic potential but the intermittent periods of slack when the fire-works on Wall Street inevitably end (and end in tears), and the persistent Main Street reality of declining employment prospects, stagnant real income and impaired competitiveness can no longer be covered up.
The Fed’s policy of cheap and then ever-cheaper credit has not only destroyed the free market by constantly distorting price signals, encouraging reckless debt accumulation and rewarding financial speculation (and consequently widening income and wealth gaps, as Stockman illustrates aplenty), it has thoroughly corrupted the political process as well. Stockman portrays a political system that, courtesy of the Fed’s cheap credit policies and interest rate repression, is now chronically incapable of living within its means, and is thus easy prey for hordes of crony capitalists – from the healthcare industry and the military-industrial complex to the ‘labor aristocracy’ of the united autoworkers union to the ‘too-big-to-fail’ banks, private-equity shops and hedge funds that play the system for a quick profit.
Crucially, Stockman puts his unsentimental assessment of America’s present reality into a broader historical context. Stockman identifies correctly the act of original sin that led America astray from the path of broadly free market economics and limited and fiscally responsible government, namely the abandonment of sound money. As America moved away from hard money, epitomized originally by the gold standard and a Federal Reserve with a strictly limited role as a bankers’ bank, and later, in already watered-down form, by the Bretton Woods gold-exchange-standard, and embraced an unconstrained fiat money system and ‘free-floating’ global paper monies it robbed the free market of its essential inner compass and ‘true north’ of market-based interest rates and market-enforced financial prudence.
The Fed, the central-banking branch of the federal government, was unleashed from its golden shackles in two historic steps in 1933 (by a Democrat president) and in 1971 (by a Republican president) but it was only over the past twenty years under the leaderships of Greenspan and Bernanke that the full destructive potential of unconstrained central banking has come to be felt. As Stockman shows with great clarity, both central bankers turned the Fed into a machine for macro-economic fine-tuning and prosperity management. Greenspan promised to watch the speculating classes’ backs by allowing them to blow bubbles and then shield them from the consequences. Bernanke took the mission one step further as he began (and still continues) to use his vast powers of fixing interest rates and printing limitless amounts of new money to steer the markets to the ‘correct’ yields on government bonds, the ‘correct’ spreads on mortgage-backed-securities, and the ‘appropriate’ shape of the yield curve, and by so doing to centrally manage the overall economy. Needless to say, such socialism for speculators, courtesy of the printing press, is happily explained by Wall Street economists as being in the public interest.
 It is this deformation of money that is the root cause of the numerous deformations in the broader economy and the deformations in the political system. I am grateful that Stockman has fulfilled the important task of documenting in detail the many ways in which unsound money undermines the market economy and corrupts society.
Myth buster
Stockman is a myth buster par excellence. He busts myths that are cherished by Democrats and myths that are cherished by Republicans, and some cherished by both. Never pulling any punches and always happy to name names, he exposes as complicit in the deformation of American capitalism politicians, central bankers, and self-important economists of the Keynesian, monetarist and supply-side persuasion. He also identifies the many crony-capitalists, who shamelessly exploit the system’s many deformations for their own gain. But Stockman not only identifies the villains – the advocates and profiteers of unsound money – he also gives us the heroes, the defenders of sound money, people like Dwight Eisenhower, William McChesney Martin, and Paul Volcker, even if their efforts did ultimately not avert the corruption of American capitalism.
Here are the main myths that Stockman exposes:
Myth one: The 2008 financial crisis was the result of unregulated markets. TARP and the Fed saved the country from Great Depression 2.0
Nonsense, says Stockman. The financial crisis was the consequence of the Fed’s serial bubble blowing, and it should have been allowed to burn itself out in the corridors of Wall Street. Instead, Paulson and Bernanke panicked, declared economic martial law, namely that all rules of fiscal prudence and free market capitalism be tossed aside, and demanded that, via the bail-out of ‘insurance’ giant AIG, firms like Goldman Sachs, Morgan Stanley and others be saved from choking on their own outsized speculations.
Myth two: There was such a thing as the ‘Reagan Revolution’ and it revitalized American capitalism.
This is obviously a favourite whenever Republicans sit around the campfire. The reality looks different. Despite all the charisma and the eloquent free market rhetoric, the true legacy of the Reagan presidency is a Republican party that is now largely desensitized to fiscal profligacy and reconciled with endless deficits (Cheney’s famous dictum that “deficits don’t matter.”), as the party has happily joined the Democrats in the ‘aggregate demand’ management business. No longer to be outdone by ‘pro-active’ Democrats advocating Keynesian ‘spending’ to ‘stimulate’ growth, the Republicans came to embrace their own version of top-down GDP management: the Art-Laffer-inspired slashing of taxes at all cost. Fiscal prudence – and a true “hands-off” approach to the economy – was finally expunged from Republican DNA.
Myth three: The Great Depression was caused by the gold standard and was ended by Roosevelt’s Keynesian policies.
Ridiculous. The correction of the early 1930s was the combination of delayed effects of the First World War (a US agricultural boom that had led to overinvestment and distorted prices and had already ended in a bust in the 1920s) and the bursting of various bubbles blown during the Jazz-Age-version of bubble finance, such as the foreign bond market that provided funding for the purchase of then-sizable US exports, and the hot-money driven domestic equity boom. These distortions did not come about because of the gold standard but despite of the gold standard, which had been severely weakened as a disciplinary force not least due to the growing role of the Fed since 1914, and in particular since the central bank funded the war effort through money-printing in 1917-1918. By 1929 liquidation and correction were unavoidable. But what should have been a quick and decisive cleansing was turned into a drawn-out economic catastrophe by bad policy. First, there was economic nationalism – tariffs and other forms of protectionism – and then Roosevelt’s disastrous interventionism and relentless tinkering with the economy. As Stockman illustrates, Roosevelt did not enact a Keynesian textbook program at all. In fact, the clueless president had no coherent program whatsoever but instead implemented the type of potpourri of populist anti-market measures so fashionable at the time among Europe’s fascist leaders: odd infrastructure programs, price and wage fixing, state-directed resource use.
“Having triggered the demise of the old international order, the Roosevelt program of necessity was a purely domestic grab bag of experiments, gimmicks, and nonstarters. These ad-hoc Washington interventions – the Tennessee Valley Authority (TVA), National Recovery Act (NRA), Agricultural Adjustment Act (AAA) – did little to revive the dormant machinery of market capitalism and economic wealth creation and, instead, mainly shuffled income and resources randomly among regions, industries, and even individual business firms.” (Stockman, page 159)
Intermezzo
The New Deal had meant curtains for the ‘Old Republic’ and any commitment to sound money and sound public finances. However, and luckily for America, the newly expanded tool kit for interventionist politicians and central bankers remained largely unused for two decades after the end of World War II. A happy interregnum of monetary and fiscal discipline commenced, largely due to the good fortune of having people with strong traditional beliefs in positions of power, such as Dwight D. Eisenhower in the White House and William McChesney Martin at the Fed, two of Stockman’s heroes. Eisenhower slashed military spending after the Korean War and established the ‘Eisenhower minimum’ of strictly contained military outlays. Eisenhower was a soldier who hated war. A highly decorated general himself he famously warned his fellow Americans of the growing powers of the military-industrial complex and stared down a few generals himself when letting them resign in protest of his spending cuts. (By comparison, today’s Commander-in-Chief, former community organizer Barack Obama, oversees a military budget that is twice the size of even Bill Clinton’s.)
Over at the Fed, Martin not only coined the phrase “taking the punch bowl away when the party gets started”, he actually meant it and implemented it. Martin was deeply committed to the monetary discipline of the Bretton Woods system.
Needless to say, such discipline did not last long. America’s military adventures in Far East Asia and LBJ’s great society project put new demands on state spending and, by extension, on the printing press. The last link to gold – and the last remaining constraint on paper dollar creation- was severed in August 1971.
Myth four: Free floating paper monies are a sign of free market capitalism
The importance of what happened at Camp David in August 1971 can hardly be overestimated, and Stockman conveys the magnitude of these events vividly:
“Nixon’s estimable free market advisors who gathered at the Camp David weekend were to an astonishing degree clueless as to the consequences of their recommendation to close the gold window and float the dollar. In their wildest imaginations they did not foresee that this would unhinge the monetary and financial nervous system of capitalism. They had no premonition at all that it would pave the way for a forty-year storm of financialization and a debt-besotted symbiosis between central bankers possessed by delusions of grandeur and private gamblers intoxicated with visions of delirious wealth.” (Stockman, page 281)
Stockman is particularly scathing of Milton Friedman’s influence on these events.
“The great irony, then, is that the nation’s most famous modern conservative economist became the father of Big Government, chronic deficits, and national fiscal bankruptcy. It was Friedman who first urged the removal of the Bretton Woods gold standard restraints on central bank money printing, and then added insult to injury by giving conservative sanction to perpetual open market purchases of government debt by the Fed. Friedman’s monetarism thereby institutionalized a regime which allowed politicians to chronically spend without taxing.”(Stockman, page 272)
Famous academic economists who willingly throw themselves into the machinery of policy-making or policy-advice are among the most tragic-comic figures in Stockman’s narrative.
Thus we meet, on the political Left, John Maynard Keynes’s vicar on earth, the pompous Larry Summers pulling really big numbers out of the air, such as $800 billion, and demanding that this be spent instantly by Washington to stimulate the economy. There is, of course, Paul Krugman, who has never met a deficit-spending program that he thought was big enough. On the political Right, there is Art Laffer, who taught the Republicans not to worry about deficits if they result from tax-cutting as tax cuts are always stimulative and thus inherently self-financing. There is Milton Friedman who could explain the evils of rent-control better than anybody else but got free market money horribly wrong and provided intellectual cover for Tricky Dick’s dollar debasement. And then, naturally, there is Ben Bernanke, the veritable Dr. Strangelove of central banking, who believes this is 1930 all over again and who uses the present crisis to re-enact the policy program he believes, based on his own subjective and highly flawed interpretation of the Great Depression, the Fed should have enacted back then. One can only hope that this litany of abject failure serves as a warning to those economists waiting in the wings for their moment in the limelight, such as John Taylor who promotes his eponymous rule as a way to make central banking workable, or those economists who currently embrace the new Keynesian fad of ‘nominal GDP targeting’ (God help us!).
The deserving heroes of Stockman’s account are instead those statesmen and bankers who stuck by the old (and indeed ancient) rules of hard money and ‘balancing the books’.
Myth five: Modern financial markets represent free market capitalism.
Of course, in a proper free market, speculation, trading and the use of leverage would not only be permissible but would have an important role to play in the process of allocating savings and channeling scarce capital to productive uses. These activities would, however, be tightly controlled and strictly limited by the free market’s most effective regulators: profit and loss. Those regulators are now largely weakened or even removed entirely by the present system of costless fiat money, unlimited central bank backstops (Greenspan/Bernanke put) and artificially low interest rates. Without proper capitalist money, hard and apolitical, at the core of the monetary system, a free market in the rest of finance is impossible. Stockman does an excellent job illustrating the extent to which manipulated money and artificially cheap credit are corrupting the entire financial infrastructure by encouraging excessive risk-taking and the misuse of capital with severely adverse long-term consequences.
“…capital markets eventually lose their capacity to honestly price securities under a regime of unsound money; they end up dancing to the tune of the central bank; that is, pricing the trading value of financial assets based on expected central bank interventions, not the intrinsic value of their cash flows, rights, and risks.” (Stockman, page 383)
Stockman analyses a range of leveraged buy-out deals (LBOs) to show how, in our deformed financial system, these can often lead to huge pay-outs for highly leveraged investors while at the same time leaving the firms financially weakened and sometimes even bankrupt. This chapter may appear long and technically challenging for some readers but it is important as it gives the lie to frequent claims by those who operate in this arena that these activities are simply the free market at work, and that they lead to more efficient allocation of corporate control, to investment in productive capital and to jobs. Stockman exposes the full irony of the Republican Party putting forward Mitt Romney as their 2012 presidential candidate and trying to sell him as an experienced business man and ‘job creator’ when, as the former head of private-equity firm Bain Capital, he would be much more suitable as a poster boy for the lucky few who disproportionally benefitted from three decades of bubble finance and all the deformations it created, a system that stands in sharp contrast to the traditional capitalism the Republicans claim to advocate.
Stockman does certainly not make many friends on the political Left with his – brilliant and entirely justified – annihilation of the Roosevelt myth and the childish ‘Keynes 101’–programs of ‘spending ourselves to prosperity’, but his account supports to a considerable degree the allegation that the ‘1 percent’ live high on the hog at the expense of the rest of the population. However, as Stockman demonstrates at length, this is not the result of free market capitalism, and the answer to it is not regulation and confiscatory taxation. The root cause is unsound money and the possibilities that unsound money provides for the flourishing of ‘crony capitalism’.
Stockman’s outlook is not a happy one. As the nation runs out of balance sheets to leverage up and as, inevitably, ‘austerity’ sets in, he foresees ongoing political strife, further financial market manipulations, on-and-off print-operations by the Fed, and new financial crises. He closes the book with a few pages of policy recommendations, all of them sensible, I guess, and naturally following from the preceding extensive analysis. But Stockman is under no illusion that his policy ideas do not stand a snowball’s chance in hell to be implemented. In any case, the book is not really, first and foremost, about a new policy program but about shifting the parameters of the debate by providing a thorough and accurate description of America’s economic and political problems. And here the book succeeds with flying colors.
This is an important book. I wish it a wide readership.

A tragedia da "politica industrial" do governo (politica?; industrial?) - Mansueto Almeida

Keynesianos de botequim ainda acreditam que o governo é mais esperto que o mercado, e que ele pode desenhar e implementar uma política industrial ótima.
Este economista, e Edmar Bacha, são mais realistas.
Mas quem disse que os keynesianos de botequim do governo estão interessados em críticas construtivas?
Paulo Roberto de Almeida

Segue abaixo um artigo que havia preparado para o VALOR e que foi publicado na edição desta quarta-feira dia 8 de maio. No entanto, por problemas de espaço, a versão publicada é um pouco menor do que o artigo original. Assim, o que reproduzo abaixo é o artigo original que é diferente da versão mais curta publicada no jornal, que não inclui os quatro últimos parágrafos.

Política industrial e equilíbrio fiscal

Por Mansueto Almeida
Valor promoveu um debate interessante entre os professores Edmar Bacha e Luiz Gonzaga Belluzzo sobre o futuro da indústria no Brasil reproduzido no caderno Rumos da Economia, de 2 de maio; e, na edição do dia 6, publicou matéria com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Essas entrevistas contribuem para a discussão do futuro da indústria no Brasil.
Um primeiro ponto destacado pelos três economistas é o reconhecimento que a elevada carga tributária, no Brasil, atrapalha a competitividade da indústria. Estudo recente da Bain e Company para Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destaca que, em média, 40,3% do preço da indústria no Brasil resulta da elevada carga tributária. Isso não seria problema se a produtividade da indústria e da economia fossem elevadas. Mas não é esse o caso. É recorrente em todas as análises que reduzir a carga tributária é importante para o futuro da indústria no Brasil.
Segundo, os três economistas reconhecem que a taxa de câmbio mais desvalorizada é importante para aumentar a rentabilidade das exportações de manufaturados. No entanto, como conseguir uma taxa de câmbio mais desvalorizada não é consensual. O professor Bacha deixa claro na sua análise, ao falar do controle do crescimento do gasto público, que déficit em conta corrente é resultado do excesso de demanda sobre oferta. O governo, ao tentar fixar “na marra” a taxa de câmbio, apenas ocasionaria mais inflação e não resolveria o problema da indústria. Assim, salvar a indústria passaria, necessariamente, por uma redução do gasto do governo, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que permitiria o aumento do investimento público, a redução de carga tributária e uma abertura planejada da economia.
Os outros dois economistas, Belluzzo e Coutinho, reconhecem a necessidade de maior responsabilidade fiscal, mas parecem acreditar que é possível o governo fixar a taxa de câmbio. Os dois passam a impressão que haveria um aumento de oferta decorrente de uma taxa de câmbio mais desvalorizada. No entanto, em uma economia com mercado de trabalho aquecido, maior desvalorização cambial se transforma em inflação e não resolve o problema de competitividade da indústria. Portanto, a necessidade de maior ajuste fiscal aparece novamente, e mesmo Belluzzo confessa que já chegou a defender uma proposta de “déficit (fiscal) nominal zero”.
Terceiro, os três especialistas falam da importância de maior integração das empresas industriais brasileiras às cadeias de produção global. Mas novamente, por trás desse aparente consenso, há divergências de como essa maior integração ocorreria. Bacha defende a redução da exigência de conteúdo nacional e de tarifas de importação. O maior processo de integração de empresas brasileiras ao resto do mundo resultaria da maior abertura, com perdedores e vencedores escolhidos pelo mercado.
Belluzzo e Coutinho, no entanto, acreditam em maior integração a partir de escolhas do governo via política industrial direcionadas a setores mais intensivos em tecnologia e com maior poder de disseminação de inovação para outros setores, por meio do uso de conteúdo nacional e compras governamentais. Os dois economistas parecem acreditar que maior integração com as cadeias globais é importante desde que parcela substancial de algumas cadeias (intensivas em tecnologia) estejam no Brasil.
Bacha e Coutinho utilizam o mesmo exemplo, a Embraer, para defender pontos de vistas totalmente diferentes. Bacha mostra que a Embraer é competitiva porque compra o que há de melhor no mundo para incorporar na sua produção, o que é possível pelo fato de a empresa não estar sujeita às amarras do conteúdo nacional. Coutinho cita o mesmo exemplo de sucesso de política industrial, mas quando questionado pelos repórteres do fato de a empresa ter baixo conteúdo nacional, reconhece que esse não seria o modelo ideal.
Apesar das diferenças comentadas acima, o que surpreende é que todos os três economistas com larga experiência na academia e governo reconhecem a necessidade de uma maior economia fiscal para “salvar a indústria”. No entanto, ao contrário do que poderia sugerir o debate, estamos fazendo exatamente o contrário.
Por exemplo, a agenda de desonerações de setores específicos da indústria está sendo implementada sem que tenha ocorrido um controle do crescimento da despesa pública. Assim, a maior desoneração levará a uma menor economia fiscal e, consequentemente, menor capacidade de o governo aumentar o investimento público. O aumento da dívida e repasses para bancos públicos com o aumento dos subsídios também limitam o espaço fiscal para novas desonerações e aumento do investimento público. Novamente, a agenda de curto prazo para salvar a indústria atrapalha a agenda fiscal de longo prazo da qual depende a indústria. Por fim, a agenda de concessões com o aumento dos subsídios do BNDES para que as novas obras de investimento saiam do papel pesa sobre as contas públicas e, assim, não permite novas desonerações ao longo dos próximos anos.
Em resumo, sem precisar entrar no mérito das ações de política industrial, uma agenda que o presidente do BNDES não cansa de repetir que é “muito complexa”, o que fica claro no debate do futuro da indústria no Brasil é a necessidade de o mesmo estar ligado ao debate fiscal. Infelizmente, não é isso que  está acontecendo e, assim, as ações de curto prazo para estimular o crescimento de indústria e da economia estão aumentando a incerteza do cenário fiscal de médio e longo prazo e, logo, do próprio futuro da indústria. 

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...