terça-feira, 16 de julho de 2013

Comissao da "Verdade" ja nao e' Comissao e nunca foi da Verdade -Estadao

Trata-se de mais uma pantomima, como varias outras dos companheiros, e cara. Mas parece que o Itamaraty recebe atenção especial: 15 "pesquisadores"? Hummm!
Em tempo: Paulo Sérgio Pinheiro não é, nem NUNCA foi diplomata. Serve em comissões da ONU, apenas isso, o que não o transforma em diplomata. Agora é apenas um fellow traveler dos companheiros. Triste fim...
Paulo Roberto de Almeida

Comissão da Verdade pode implodir, alerta ex-assessor

Jornalista chamado para ajudar nas pesquisas do colegiado que apura abusos da ditadura fala sobre racha entre os atuais integrantes do grupo

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA
O Estado de S.Paulo, 14 de julho de 2013

O impasse na Comissão da Verdade chegou a tal ponto que pode causar a implosão do grupo criado para investigar a violação de direitos humanos no Brasil entre os anos de 1946 e 1988. É o que afirma o jornalista Luiz Cláudio Cunha, assessor do colegiado até a semana passada.
Dos sete integrantes nomeados pela presidente Dilma Rousseff em maio do ano passado, já desistiram o ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp e o ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles.
Dos membros restantes, o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, a psicanalista Maria Rita Kehl e os advogados José Carlos Dias e José Paulo Cavalcanti se uniram contra Rosa Cardoso, de todos a mais ligada à presidente Dilma Rousseff, de quem foi advogada na ditadura militar (1964-1988).
As divergências entre os dois grupos têm origem na divulgação de investigações, revisão da Lei da Anistia, com punições a agentes do Estado que atuaram na ditadura, e abertura dos arquivos do regime militar. Dipp e Fonteles, que já saíram, além de Rosa, são a favor de que os documentos sejam tornados públicos antes mesmo do término dos trabalhos da Comissão da Verdade, previsto para o fim do ano que vem. Os outros são contrários.
"O estilo do Fonteles é exatamente o contrário do Paulo Sérgio Pinheiro. Ele publicou dez textos na página da Comissão da Verdade. Ele ia para o Arquivo Nacional, cruzava os dados e fazia um texto. Pinheiro foi contra. E, quando foi coordenador (a cada três meses um dos integrantes assume a coordenadoria) quis proibir o Fonteles de fazer isto. Mas o Fonteles respondeu que continuaria fazendo", diz Cunha, autor de reportagem da revista Veja que salvou a vida dos uruguaios Universindo Díaz e Lilian Celiberti, sequestrados por policiais brasileiros em 1979. Com a reportagem ele venceu os Prêmios Esso, Vladimir Herzog e Abril. Em 2008, ele publicou pela editora L&PM o livro Operação Condor: o sequestro dos uruguaios, com o qual obteve o segundo lugar no Prêmio Jabuti.
"Há um problema grave na Comissão da Verdade. As reuniões dos componentes não podem ser assistidas por nenhum assessor e não têm ata. A Comissão da Verdade do Brasil não tem memória. E sabe por quê? Porque o Pinheiro quer que atue de forma secreta." Pinheiro diz que não quer comentar as declarações.
Burocracia. Ainda segundo o jornalista demitido na semana passada, o grupo agora majoritário na comissão é burocrata. "Se a comissão tenta fazer reuniões abertas é uma dificuldade, uma burocracia. Hoje a Comissão da Verdade tem mais ou menos 60 pessoas trabalhando, entre consultores, colaboradores e outros. Dois terços deste pessoal são atividade meio. Só um terço, vinte pessoas, está ligado à pesquisa - quando deveria ser o inverso. Um país deste tamanho, com 21 anos de ditadura para pesquisar... Isto se considerarmos o período de 64 a 75. Sem falar do resto. Uma tarefa maluca. E se não há a participação, empenho e colaboração da imprensa, das entidades da universidade, tudo fica muito mais difícil", afirma.
Cunha diz haver ainda uma distorção numérica. "Existem treze áreas temáticas: no Araguaia são dois pesquisadores, Fundamentos do Golpe Militar apenas dois. A Condor tem dois pesquisadores. Mortes e Desaparecidos políticos, o centro da comissão, tem dois pesquisadores. O Estado Ditatorial Militar tem uma pesquisadora. Mas no item coordenado por Pinheiro - O papel das Igrejas na ditadura - são 14 pessoas. A parte centrada no Itamaraty, também dele, tem 15."

segunda-feira, 15 de julho de 2013

"Leve-me ao seu lider!" Epa: agora complicou... - Elton Simoes



Take me to your leader!, 
Elton Simões
Em filmes antigos de ficção científica quase sempre os discos voadores pousam nas grandes cidades do Hemisfério Norte e demandam: “Leve-me a seu líder!” (“Take me to your leader!”) (*).
Se, de fato, essa fosse a primeira demanda de um alienígena, ele estaria mesmo certo em sempre escolher cidades no Hemisfério Norte como local para o primeiro contato. Faria ele bem em evitar o Hemisfério Sul. Complicaria muito o diálogo.
Para começar, embora o pedido seja simples, a resposta talvez seja difícil. Seria necessário identificar e definir quem é o líder. Localizar aquele capaz de influenciar fortemente outras pessoas sem o uso da força ou do medo. Identificar aquele que, baseado em sua atitude pessoal, competência e carisma, leva os demais a admirar, respeitar e defender ideias. Líderes estão em falta nos trópicos.
Considerando a dificuldade encontrada pelos nativos e em face da ausência de líderes, nosso alienígena, talvez simplificasse seu pedido. Compreensivo e comovido com a situação dos nativos, ele talvez solicitasse uma audiência com o presidente em exercício. Afinal, se está difícil localizar os líderes, sempre é fácil identificar o presidente.
O encontro do presidente com o alienígena, portanto, estaria assegurado. Mas os desafios não desapareceriam. A comunicação seria difícil e complicada.
O alienígena encontraria um (a) presidente que parece adotar língua estranha, aparentemente impenetrável ao entendimento alheio. É idioma parecido com o português, mas desconexo e sem ritmo. Tristemente desprovido de coerência ou sentido.


Certamente, um alienígena paciente e dedicado conseguiria superar esta dificuldade e estabelecer a (ou uma) comunicação. Descobriria, então, em vez de um líder, um interlocutor (a) desinteressado (a) em dialogar ou trocar ideias: um chefe convencido (a) de que todos os problemas podem ser resolvidos com um único golpe de pena, um emprego, e, claro, um pouco de marketing.
Apesar de constrangido com a situação da população local, mas desinteressado da boquinha que lhe foi oferecida, ou descrente que suas solicitações pudessem ser atendidas, restaria ao alienígena partir.
Voaria desesperado em direção ao Hemisfério Norte. Lá chegando, demandaria, com alguma chance de ser rapidamente atendido: “Take me to your leader!”.
(*) Expressão originou-se em 1953, na charge de Alex Graham, publicada na revista The New Yorker, que mostrava dois alienígenas pedindo a um animal: “Por gentileza, leve-me a seu presidente!” (“Kindly take us to your President!”)

Elton Simões mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). E-mail: esimoes@uvic.ca

Existem Madoffs e madoffs: uns ganham dinheiro e vao para a prisao,outros ganham dinheiro e levam bala...

Neste caso específico , não foi bala, mas injeção letal, modernoso método americano, do qual foi poupado o Madoff legítimo...

Zeng Chengjie, o 'Madoff' chinês, foi assassinado em segredo

Após acusação de fraude, empresário foi executado pelo governo chinês

Veja.com, 15/07/2013
O empresário chinês Zeng Chengjie
Zeng teria fraudado mais de 57.000 investidores em cerca de 460 milhões de dólares (Reprodução/Weibo)
O empresário Zeng Chengjie, que saiu da pobreza da província chinesa de Hunan para se tornar um grande homem de negócios, foi executado pelo governo chinês na última sexta-feira, acusado de praticar fraude e captação ilegal de recursos, por meio de um esquema de pirâmide financeira.
A execução do empresário por meio de injeção letal foi feita sem que a família estivesse ciente ou presente. A pena contraria as leis chinesas que permitem que os executados tenham chance de ver suas famílias antes da morte. Contudo, segundo a justiça chinesa, Zeng não quis que a família presenciasse sua execução.
A filha do empresário, Zeng Shen, usou a rede social Weibo para protestar. Segundo ela, os membros dos partidos locais removeram seus investimentos dos projetos de Zeng em 2009, causando pânico entre os outros investidores. Tal debandada fez com que o esquema de pirâmide se desmontasse. De acordo com o site chinês Tea Leaf Nation, Zeng teria fraudado mais de 57 000 investidores em cerca de 460 milhões de dólares.
A fraude fez com que o empresário ficasse conhecido como 'Madoff chinês' - em menção a Bernard Madoff, fundador de uma das maiores firmas de investimento de Wall Street, e também autor de uma das maiores fraudes ocasionadas por uma pirâmide financeira. Madoff drenou mais de 50 bilhões de dólares por meio do esquema e foi condenado 150 anos de prisão.
A execução de criminosos de colarinho branco na China tem se tornado cada vez mais controversa, já que o próprio governo tem uma grande participação nos assuntos econômicos. Segundo a filha do empresário executado, o governo atuou em parceria com Zeng na captação de recursos, mas os membros do Partido Comunista se apressaram em retirar os recursos dos fundos em 2009, antes de mudanças regulatórias que seriam aprovadas pelo governo e prejudicariam milhares de pequenos investidores. Ainda segundo a filha do empresário, a mídia estatal chinesa sempre se referiu a Zeng como um investidor sábio, precavido e consciente. 

Salario de parlamentar brasileiro: um dos maiores do mundo - The Economist

Na verdade, os GANHOS de um parlamentar brasileiro são muito maiores, pous os salarios são apenas uma parte de suas receitas totais, cabendo computar todos os custos diretos e indiretos, e não estou falando aqui de "receitas não contabilizadas".
Paulo Roberto de Almeida

Congresso

Salário de parlamentar no Brasil é maior do que na Alemanha e no Japão

Veja.com, 15/07/2013

Levantamento da revista 'Economist' mostra que deputados e senadores ganham em média treze vezes mais que PIB per capita

Palácio do Congresso Nacional, Praça dos Três Poderes, Brasília
Congresso Nacional: deputados brasileiros ganham mais que seus colegas alemães (Laurent Giraudou)
Um levantamento realizado pela revista britânica The Economist colocou os parlamentares brasileiros na vergonhosa quinta posição de um ranking que analisou os gastos absolutos e proporcionais com salários de parlamentares. Ao todo, 29 países foram analisados. Em valores absolutos, segundo a revista, um congressista brasileiro custa 157 000 dólares anuais, salário que ultrapassa os pagos em estados ricos como a Alemanha, a França e o Japão.
Hoje, os congressistas brasileiros ganham 26 723,13 reais por mês, além de outros benefícios. 
Proporção - A quinta posição pode ser considerada mais grave. O impacto dos gastos de Estados Unidos, Austrália, Itália – que aparecem à frente do Brasil em salários absolutos – é menor em relação ao Produto Interno Bruto per capita do país. Ou seja, eles gastam mais, mas o país é mais rico e pode pagar essa diferença.
Nesses termos proporcionais, o Brasil registra um novo vexame: a sexta posição. Segundo o ranking, deputados e senadores brasileiros ganham em média treze vezes mais que o PIB per capita do país. Desta vez, os números colocam o Brasil à frente de superpotências como os Estados Unidos. Na França, por exemplo, o salário de um parlamentar é duas vezes superior ao PIB per capita. 
O Brasil só parece bem na comparação com países como a Nigéria (onde os parlamentares ganham 116 vezes o PIB per capita do país) e o Quênia (76 vezes). Na última posição está a Noruega, que paga salários próximos ao PIB per capita do país. 
Elaboração - O ranking da Economist foi elaborado a partir do ultraje provocado por uma proposta de aumento do salário dos deputados britânicos, que foi feita por um órgão que controla os gastos do parlamento local. Recentemente, um estudo sugeriu aumentar os vencimentos dos deputados em 9,5%. 
A medida causou repúdio na população. Uma pesquisa do jornal Sunday Times mostrou que 68% dos britânicos são contra a proposta. 
Com o aumento, os salários anuais dos parlamentares britânicos saltariam de cerca de 66 400 libras (229 000 reais) para 74 000 libras (255 000 reais). O valor ainda seria insuficiente para que os deputados britânicos ultrapassassem seus colegas brasileiros, que ainda estariam pelo menos oito posições à frente.  
PAÍS SALÁRIO ANUAL*   POSIÇÃO RANKING**
  SALÁRIO/PIB PER CAPITA
Nigéria    189,5                   1°                  116 maior
Quênia   74,5                   2°                   76
Gana   46,5                   3°                   30
Indonésia   65,8                   4°                   18
África do Sul   104                   5°                   14
Brasil   157,6                   6°                   13
Tailândia   43,8                   7°                   6,8
França   85,9                  25°                    2
Suécia   99,3                  26°                   1,8
Sri Lanka   5,1                  27°                   1,8
Espanha   43,9                  28°                   1,5
Noruega   138                  29°                   1,4
Fonte: The Economist * em milhares de dólares ** em valores proporcionais

Leia também: O salário dos políticos parece alto. É muito maior

Inacreditavel Argentina: falta pao e falta carne na mesa dosargentinos...

Repito: INACREDITÁVEL, mas não a Argentina, e sim certos argentinos, que estão fazendo o país retroceder mais de 150 anos, aos tempos de Rosas e sua ditadura miserável.
Inacreditável, repito, quase não acreditando no que leio.
Deve ser verdade!
Paulo Roberto de Almeida

A incompetência de Cristina Kirchner faz faltar pão na mesa do argentino


A Casa Rosada então acusou os produtores de estarem estocando cerca de dois milhões de toneladas de trigo da ultima colheita, em mais um episódio do embate entre governo e o setor agrícola.
Na mesa dos argentinos nunca faltou carne nem pão, duas das grandes paixões do país. Mas a ida às padarias é cada vez menos frequente e o produto está se tornando artigo de luxo, com o aumento de mais de 700% no preço do pão nos últimos sete anos, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec).
O aumento mais brusco se deu em 2013, com a escassez de trigo. Em apenas seis meses, o preço da farinha triplicou, fazendo o preço do pão subir 50% nas padarias.
Para fazer frente à disparada de preços, o governo Cristina Kirchner suspendeu a exportação de farinha argentina. A venda de trigo ao exterior já havia sido limitada a partir de 2006.
O governo também decidiu aplicar a Lei de Abastecimento, usando o trigo dos estoques do país. A medida fez aumentar a oferta de grãos, mas não o suficiente para suprir a demanda das padarias argentinas.
Em entrevista à BBC, representantes do setor disseram que a escassez é fruto das políticas de intervenção do próprio governo. Segundo os produtores, isso foi responsável pela minguada colheita do ano passado, a menor desde 1899.

Em queda
Entre 1996 e 2005, a média de produção de trigo na Argentina era de 15 milhões de toneladas por ano. O montante passou a cair em 2006, após a imposição de limites à exportação de trigo.
Sem acesso pleno ao mercado externo, que historicamente absorvia cerca de dois terços da produção de trigo do país, o preço do grão caiu no mercado interno - que demanda de cinco a seis milhões de toneladas por ano.
Segundo o economista Jorge Elustondo, da Universidade de Buenos Aires (UBA), com a política do governo os produtores tiverem de vender sua colheita aos moinhos locais a um preço 40% menor se comparado ao mercado internacional.
Com menos lucros, muitos trocaram os campos de trigo por outros cereais como a cevada, sem restrições de exportação. A produção anual caiu então de 15 milhões para nove milhões de toneladas no ano passado.
"O mesmo ocorreu com a carne. Na última década, foram perdidas dez milhões de cabeças de gado. E a indústria de laticínios também está em crise", diz Elustondo.
O controle criou uma situação insólita no país, deixando o trigo mais caro do que a soja. Cada tonelada do grão custa US$ 520 por tonelada, o dobro do preço no mercado internacional.

Inflação
Mas a queda na produção por si só não explica inteiramente a disparada nos preços. Em 2006, o quilo do pão custava 2,5 pesos (US$ 0,80 no câmbio da época). Hoje custa 18 pesos (US$ 3,4 ou R$ 7,55).
Segundo Néstor Calvo, editor da revista Conciência Rural, o trigo representa menos de 10% do custo total da produção do pão. Aluguel, impostos, eletricidade, transporte e outros insumos seriam responsáveis pelos 90% restantes.
"O aumento se dá na cadeia de distribuição como consequência da inflação", disse.

Apesar das estatísticas oficiais falarem em inflação de 10% ao ano, a maioria das consultorias privadas e os governos regionais calculam a inflação real em 24%.
O preço mais salgado do pão também se explica pelo fim em 2012 dos subsídios aos moinhos do país, que acabaram repassando o custo à cadeia de produção.

Saída
Políticas de intervenção do governo estão tendo efeitos contrarios, dizem analistas.
Guillermo Irastorza, produtor de trigo de Tres Arroyos, na província de Buenos Aires, contou à BBC que diminuiu sua área de produção de trigo em 40% após as políticas do governo.
Irastorza, como outros produtores, defendem a importação de farinha para aumentar a concorrência no mercado interno e derrubar o preço do pão. Mas o governo se recusa a adotar a medida, que equivaleria à admissão de que sua política para o setor fracassou.

Com um consumo mensal de 400 mil toneladas de trigo por mês, alguns especialistas argentinos já acreditam que não haverá suficiente para fechar o ano.
Navarro diz ainda que a proliferação de um fungo nos campos de trigo trará mais impacto aos estoques.

O governo, por sua vez, afirma que contornará a situação com o uso de estoques nacional.
O grande teste se dará em novembro, quando começa a nova safra. Embora a superfície plantada seja igual a do ano passado, há quem acredite que o ciclo de escassez chegou para ficar.

Retrato do Brasil: Na Gafieira segue o baile calmamente...

Não sei porque me lembrei deste samba-canção antigo como a minha idade, ao ler esta crônica típica daqueles que, também na minha juventude, nós chamávamos de "alienados".
Uma coisa é certa: ter certo ar de queda da Bastilha, de fato, com a nobreza se divertindo e o povo passando fome.
Ops, pera lá: ninguém, na verdade, estava passando fome, eram apenas jovens, de classe média, alguns da "periferia", como diria outro mestre impagável da crônica social do "café society", Ibrahim Sued, de quem a colunista Hildegard Angel aprendeu alguma coisa.
Ela, para quem não sabe, é irmã do militante de esquerda assassinado pela ditadura, Stuart Angel Jones, que estava lutando contra a ditadura para supostamente criar um Brasil onde esse tipo de coisa que ela descreve pudesse acontecer, sem que o "povo" visse nisso uma afronta.
O espetáculo-circense de novo rico, ou de magnata brega, foi sem dúvida grotesco.
E a cronista social fez o seu trabalho: descrevendo como tudo se passou, realmente, como boa jornalista que é.
Mas compreendo a indignação do "andar de baixo", ou dos que ficaram de fora, com a ostentação dos que estavam dentro: tudo muito acintoso, quase asqueroso.
Bem, já não se podem mais fazer festas de ricos como antigamente. Pelo menos não no Rio de Janeiro.
Paulo Roberto de Almeida

Blog de Hildegard Angel, 14/7/2013

Beatriz Barata, o lindo vestido, a noiva em total controle da situação
Foto Luiz Roberto Lima, colaborador da Mídia Ninja, via Google

Tendo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e sra., como padrinhos, e como convidados os colecionadores de arte Sergio e Hecilda Fadel, que recentemente receberam a presidenta Dilma Rousseff para jantar em casa, no Rio, e cuja filha é casada com o filho do ministro Edison Lobão, das Minas e Energia, além do colunista social de Fortaleza, Lalá Medeiros, casaram-se ontem, com festa que varou madrugada, no Copacabana Palace, Beatriz Barata, neta do maior empresário de ônibus do Rio de Janeiro, Jacob Barata, e Francisco Feitosa Filho, cujo pai é o dono da maior empresa do ramo no Ceará.
Acompanhar, via mídias sociais e MSMs recebidos, o protesto indignado contra este casamento diante da Igreja N. Sra. do Monte do Carmo e da festa no Copacabana Palace, me fez sentir clima de Revolução Francesa, correndo um frio na espinha, um presságio ruim. E me veio à mente a princesa de Lamballe, melhor amiga de Maria Antonieta, com a cabeça espetada na ponta de uma lança, pela multidão que invadiu asTulherias.
Estávamos numa madrugada de 14 de Julho, mesma data da Revolução Francesa, e toda aquela manifestação, que ontem começou alegre, até divertida, berrando bordões bem humorados, outros de gosto duvidoso, teve consequências desastrosas, com cabeça ensanguentada, decisões equivocadas, batalhão de choque, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e gás de pimenta, às 3,30h, 4h da manhã, diante de nosso Palácio de Versailles, emblema máximo do luxo, da riqueza e da sofisticação do país: o Hotel Copacabana Palace!
Vou contar como foi, tal e qual… Aquietem-se, concentrem-se e me escutem…
Com gritaria na calçada, o protesto diante da igreja causou tensão nos convidados, perturbou todo o tempo o ofício do padre e a noiva, Beatriz, em vez de cortejo de daminhas e pajens, precisou de cordão de isolamento para entrar na igreja.
Enquanto padre Alexandre fazia a homilia, escutava-se nitidamente os manifestantes em coro dizerem coisas como “ha,ha, ha, o noivo vai broxar”, “também quero meu Louboutin”, “úúú, todo mundo pra Bangu” e tambores, buzinas e panelas, pó-pó-pó-pó-pó, pó-po-ro-po-pó, fon-fon-fon etc. O cerimonial de moças e rapazes impecáveis, pra lá e pra cá, cochichando baixinho, apreensivos sobre como solucionariam a saída dos noivos. Foi com PM e seguranças.
Beatriz, calada e retraída, permaneceu tensa todo o tempo – pudera! – mas manteve o controle. Foi altiva.
Já na recepção, no Copacabana Palace, todos se descontraíram e puderam se divertir, porque no interior do hotel não se percebia o que se passava lá fora, à exceção daqueles nas mesas da varanda.
No calçadão da Atlântica, uma garotada bonitinha da Zona Sul fazia manifestação até divertida, à la carioca, com meninas vestidas de noiva, rapazes alguns de terno e gravata, sacando bordões inspirados como “Eu também quero meu Louis Vuitton”, “Cadê minha Chanel?”, “Nesse hotel tem Barata!”, “Eu também paguei essa festa, quero meu bem-casado” e aquele clássico chulo da noite, citado acima, que se referia ao noivo…
E dá-lhe buzina, bateção de panela, de tabuleiro de alumínio, e desacatos para as mulheres (lindas!), que entravam ou saíam decotadas, cobertas de bordados: “piraaaaaanha!”. Não poupavam ninguém.
Com todas as quatro entradas do hotel bloqueadas por eles, ninguém entrava, ninguém saía, pela internet, os seguidores que assistiam à transmissão do canal “Mídia Ninja” postavam comentários mais pesados, do tipo “CABRAL VAI É DORMIR AÍ !!!!” (detalhe: Cabral sequer figurava na lista de convidados da festa!); “cadê as bombas???chama pa nois estraga a festa!”; “BA-FO-ME-TRO NO HOTEL”; “Rico não tem Lei Seca?” (referindo-se aos que embarcavam em seus carros mesmo aparentando ter bebido, quando ainda se podia sair); “chocada com o valor dos presentes que a Baratinha pediu no casamento. Veja a lista: http://migre.me/fsCZL” (localizaram a lista no site da H. Stern); “Candidato da Baratinha é Marcelo Freixo do PSOL” (foram checar no Face de Beatriz e descobriram); “ISSO.. TEM QUE JOGAR OVO MESMO…” (zangados porque a repórter foi maltratada por um policial à porta);  “Todos RATOS engravatados, saindo pelos fundos constrangimento é a única arma do povo!!” (houve uma hora em que os convidados conseguiram sair pela porta da Av. Copacabana);  “deixem suas mensagens de parabéns ao noivo”.
Vou omitir palavrões, baixarias e violências. Se é que já não transcrevi demais disso.
A horas tantas, chegou ao hotel a diretora-geral, Andréa Natal, que por força do cargo mora no Copa. Entrou pela porta lateral da Pérgola, junto ao Edifício Chopin. Aflita, vendo aquela multidão e a gritaria, parou para discutir com os manifestantes, iniciando rápido, bate-boca, logo sustado pelos seguranças, que a transportaram para dentro.
No interior do hotel mais lindo do Brasil, tudo eram maravilhas. No Golden Room, a apoteose do deslumbramento. O decorador Antonio Neves da Rocha plantou no meio do salão uma árvore frondosa, com os galhos alastrando-se por toda a área do teto, de onde pendiam fios com lampadário e buquês de flores. O chão coberto com grama. E a iluminação causava a sensação de se estar numa floresta-lounge, com estofados pretos.
Ali foi o show de Latino, que para entrar só conseguiu pela porta de serviço da Rodolfo Dantas, a da cozinha, driblando os manifestantes. Depois do bundalelê do Latino, houve ali a dança, com o DJ Papagaio e sandálias Havaiana vermelhas para todos os 1050 convidados que compareceram. Foram expedidos 1200 convites. Havia lugares sentados para todos, absolutamente todos.
No Salão Nobre, aquele comprido que sucede ao Golden Room, Neves da Rocha cobriu toda a parede de janelões que dá pra piscina com imenso painel único de Debret (ou seria Rugendas?) com super-mega-imensa-paisagem do Rio de Janeiro, abrangendo nossas montanhas, o mar, a Baía, florestas, do teto ao chão, criando visão fantástica.
Completavam o ambiente lustres enormes cobertos com heras, toalhas de damasco verde musgo cobriam as mesas até o piso.
O mesmo décor de toalhas musgo de damasco se repetia nos salões da frente e nas duas varandas, que foram cobertas e fechadas com paredes de muro inglês, com heras, e os mesmos lustres espetaculares. Cadeiras de medalhão suntuosas. Muito bonito.
Entre os três salões da frente, o do meio foi destinado a ser apenas o Salão dos Doces, com bem-casados da Elvira Bona, doces de Christiana Guinle, chocolates de Fabiana D’Angelo. Chá, café, brownies. O Céu, a Terra e o Mar também…
O champagne era Veuve Clicquot. Uísque Black Label. Aqueles coquetéis de sempre, Bellini, Marguerita etc. Vários bares de caipirinha, saquê etc. O bolo de Regina Rodrigues era um acontecimento, com vários andares, todo branco.
Buffet do Copacabana Palace, muito bem servido e elogiado. Na verdade, eram vários buffets, distribuídos por todos os salões e varandas. Mesas de frios. Pratos quentes. O cerimonial foi de Ricardo Stambowsky. As fotos, de Ribinhas.
Flores de Raimundo Basílio. Não houve exagero de flores, o verde deu o tom. Uma decoração em que prevaleceram o equilíbrio e a elegância. Luxo sem excessos.
Todo esse décor serviu de cenário à mais fantástica coleção de vestidos jamais reunida numa festa no Rio de Janeiro. Esta a opinião que ouvi de vários que lá estiveram, quer como convidados, quer prestando serviço ao evento. Um especialista em moda, que pediu para não ser identificado, falou: “Nunca vi tantos vestidos deslumbrantes como nessa festa. E de gente que ninguém conhece”. Acredita-se que a grande maioria das mulheres com essas roupas sensacionais, vestidos de alta costura, grandes marcas, fosse de convidadas do Ceará, que ocuparam vários apartamentos no hotel. O Copa bombou na festa e na ocupação.
Não apenas os vestidos eram extraordinários. As joias eram também fantásticas. A começar pelas da noiva, usando riviera de brilhantes fantástica no pescoço, dois enormes brilhantes nas orelhas e uma coroinha de ouro e grandes brilhantes, na cabeça, sempre usada pelas noivas da família. O vestido de Beatriz Barata foi obra da estilista Stela Fischer.
Tudo isso foi coordenado pela avó, Glória Barata, que durante a festa várias vezes se lembrou do filho assassinado naquela época da onda de sequestros no Rio de Janeiro. A família pagou o resgate, mesmo assim o jovem não foi poupado. Ela ainda guarda um grande sofrimento. Dona Glória é uma mulher sofrida e amável. Todos os que trabalham com ela e sua família a estimam.
Enquanto o minueto social seguia harmonioso, farfalhante e cintilante, entre as mesas de toalhas verde musgo adamascadas dos salões, no entorno do hotel, a contradança era outra.
Não têm pão? Comam bem-casados!  Da varanda, convidados rebatiam as provocações verbais atirando bem-casados na “plebe” (bem à la Maria Antonieta, que ofereceu bolinhos, lembram?) e remetiam aviõezinhos de notas de R$ 20 (aí, a inspiração já era mais próxima, à la Silvio Santos).
Num crescendo dos protestos, bate panelas, mensagens de Face e Twitter, imagens postadas, provocações, bordões, os ânimos foram se acirrando e não houve nada que se tentasse para apaziguá-los. Ao contrário.
Na portaria do hotel da Av. Copacabana, o motorista de um dos convidados arrancou o celular da repórter “Ninja”, que, como Ninja, deu um salto e conseguiu recuperá-lo, botando o elemento pra correr. Ela recorreu a um policial, que a tratou com impertinência, parecendo alcoolizado. Tudo isso registrado pela câmera Ninja. E a rede social participando, reagindo, se indignando.
Em seguida, correm todos para a Atlântica, prosseguem a gritaria. Uma convidada insiste em deixar o hotel, é impedida e inicia uma briga, quando um convidado, lá da varanda, atira um cinzeiro de vidro na cabeça de um manifestante, que se fere muito.
Vendo aquela imagem ensanguentada na tela da internet, a galera começa a postar desacatos enfurecidamente. A repórter corre para buscar socorro na ambulância de plantão diante do hotel (é lei quando se trata de evento com mais de 600) e o paramédico. Mas o médico não está, “foi lá dentro”. O rapaz machucado tenta entrar no hotel para ser socorrido. Os seguranças e porteiros impedem sua entrada. Está aí cometido o grande erro da noite!
O Copa, neste momento, rompe sua tradição histórica de cordialidade com a população carioca e de diplomacia e assume uma postura hostil.
A multidão na rua se enfurece. A multidão virtual também e passa a convocar o envio geral de comentários negativos à página do hotel na internet. Uma guerra aberta contra o maior tesouro da hotelaria brasileira! Eu, confesso, quase choro. Adoro o Copa. O Copa é o Rio, nossa memória, nossa História.
Mais uns 10, 15 minutos, e chega ao local uma advogada dizendo-se da OAB, localiza uma testemunha da agressão, consegue recolher a “arma do crime”, fragmentos do cinzeiro que atingiu o rapaz, leva os dois para a delegacia, onde faz o registro da ocorrência: “tentativa de homicídio”. A vítima leva seis pontos na cabeça.

Hildegard Angel é jornalista, editora de seu blog.

Ideias tem consequencias: Lord Acton e Milton Friedman - Instituto Liberal

Duas frases, em dois continentes distintos, mas revelando um mesmo universo de princípios, uma mesma concepção de valores, que seriam altamente recomendáveis para o caso do Brasil, embora aparentemente estejamos a anos-luz de distância desses valores, numa galáxia distante, separada das concepções encarnadas pelas frases desses dois homens, aliás separados no tempo e no espaço:

Ideias têm consequências

Lord Acton [10 de janeiro de 1834 —  19 de junho de 1902]

“Toda vez que um único e determinado objetivo torna-se o fim supremo do Estado, seja a vantagem de uma classe, a segurança ou o poder do país, a maior felicidade do maior número de pessoas, ou o apoio a qualquer ideia especulativa, o Estado torna-se por um tempo, inevitavelmente, absolutista. A liberdade, por si só, exige, para sua realização, a limitação da autoridade pública porque a liberdade é o único objetivo que beneficia a todos da mesma forma, e não provoca nenhuma oposição sincera.”
(Lord Acton, in “Nationality” [1862], in Essays in the History of Liberty) 
.

Milton Friedman  [31 July 1912 – 16 November 2006]

Acho que a solução do governo para um problema normalmente é tão ruim quanto o problema e, em geral, torna o problema pior.
I think the government solution to a problem is usually as bad as the problem and very often makes the problem worse.
  • An Economist’s Protest (1975), p. 6; normalmente citada como “A solução do governo para um problema é normalmente tão ruim quanto o problema.” [Wikiquote]
Retirado do blog do Instituto Liberal: http://institutoliberal.org.br/blog/?page_id=3254

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...