sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pensando no novo governo - Carlos Pio e Paulo Roberto de Almeida

Meu amigo Carlos Pio, professor no IRel da UnB, andou pensando numa forma de tornar o governo mais funcional, mais enxuto, mais compatível com as necessidades de governança efetiva, no Brasil.
Fez um projeto tão bom, que acho difícil ser aplicado, pois para isso seria preciso ter a cooperação do Congresso, que veria com maus olhos -- não o Congresso, mas os partidos e os políticos que o compõem -- a redução de cargos e o enxugamento de despesas inúteis.
Em todo caso, reproduzo aqui o organograma que ele elaborou para um novo governo, decente, responsável, e mais abaixo os seus comentários iniciais sobre algumas reformas necessárias.
Por fim, como eu já tinha pensado também nessa mesma questão, o que fiz foi elaborar uma primeira mensagem do novo presidente ao Congresso, tratando das mesmas medidas, só que não em forma de organograma e sim como proposta de redução da máquina ministerial, trazendo-o ao que considero estritamente necessário, com extinção de vários órgãos, absorção de outros, e assemblagem do que nunca deveria ter sido fragmentado (para o esquartejamento partidário, o que os italianos chamam de lotizzazione, mas que tem o mesmo sentido, de prebendas partidárias oportunistas).
O esquema do Carlos Pio é muito mais completo do que o meu, e eu o cumprimento por isso, mas também acho, como já disse, que será mais difícil de ser implementado, pois isso obrigaria o novo governo a passar pelo menos seis meses (senão mais), negociando com o Congresso, entre projetos de lei e medidas provisórias, toda essa reformulação complexa, e depois mais seis meses na acomodação interna de ministros, funcionários, locais, aspones, gastos de adaptação, etc.
Nossas duas propostas talvez pudessem ser combinadas, para evitar que o governo perca um ano inteiro de burocracia administrativa, quando ele terá imensos ajustes econômicos a fazer.
O debate está lançado.
Paulo Roberto de Almeida
Vancouver, 11/09/2014

Projeto de organograma do novo governo, por Carlos Pio: 


Propostas de reforma administrativa e medidas econômicas de Carlos Pio:

PACTO DE ARACAJÚ
UMA AGENDA DE REFORMAS ECONÔMICAS.
Segue uma lista muito preliminar do que se pretende fazer — que, em homenagem ao Gustavo Franco, eu chamaria de "Pacto de Aracajú". Sugestões são sempre bem-vindas!
1) Estabelecimento de compromissos de superávit nominal das contas públicas por um longo período, algo como 8 anos (2 mandatos presidenciais);
2) Abertura unilateral da economia brasileira — gradual e programada (como foi feito entre 1990-93), porém sem excetuar qualquer setor —, tanto para permitir maior concorrência no plano doméstico e viabilizar a redução de custos associados à importação de insumos (promovendo-a), como para estimular a que empresas localizadas no País passem a fazer parte de densas cadeias transnacionais de produção — nos moldes do que faz a Embraer e do que se faz no México e no sudeste da Ásia há 25 anos. O ponto de chegada desejável é uma estrutura tarifária simples, com valores específicos módicos, transparente e reconhecida como único instrumento de proteção comercial (fim dos regimes especiais);
3) Desregulamentação da atividade econômica — redução de processos administrativos requeridos e de custos associados à abertura e fechamento de empresas, quebra de monopólios, venda gradual de todas as participações do BNDESPar em empresas públicas e privadas, simplificação de processos aduaneiros e alfandegários;
4) Simplificação da estrutura tributária e redução consistente da carga, especialmente tributos que incidem sobre uma cesta básica ampliada, sobre a folha de pagamentos e em cascata;
5) Aumento do grau de conversibilidade da moeda nacional — de forma gradual, mas consistente, com vistas a permitir um trânsito muito mais livre e ágil de recursos entre as fronteiras nacionais e de beneficiar não apenas os grandes poupadores, mas também os poupadores médios e pequenos. No limite, a conversibilidade implica garantir a cada indivíduo a máxima liberdade para comprar moeda estrangeira e depositá-la nos bancos localizados no País, o que reforçará a pressão por uma política econômica consistente com a estabilidade cambial — por sua vez dependente de baixa inflação, queda sustentável dos custos de produção, elevação contínua da produtividade do conjunto da economia, redução da carga tributária, etc ;
6) Independência do Banco Central, com estabelecimento de mandatos fixos para a diretoria, escalonados ao longo do tempo e, no caso do presidente da instituição, dissociado do mandato da/o presidente da República;
7) Garantias institucionais à independência das agências regulatórias criadas nos anos '90, com transferência de funcionários e dotações orçamentárias dos respectivos ministérios com vistas a assegurar sua operação livre de pressões partidárias;
8) Redução significativa do subsídio financeiro implícito na TJLP do BNDES e sua gradual transformação num financiador de programas abrangentes de elevação da produtividade geral dos fatores;
9) Ampla revisão da estrutura de gastos orçamentários da União, de todos os ministérios, tendo como meta o corte de programas inteiros que sejam considerados arcaicos e não mais desejáveis a fim de viabilizar os propósitos de redução da carga tributária com simultâneo compromisso de superávites nominais das contas públicas por 2 mandatos;
10) Restabelecimento da transparência fiscal, perdida nos anos recentes, especialmente das transferências entre instâncias do Executivo Federal -- Tesouro, Bacen, BNDES, Petrobrás, BB, CEF, Eletrobrás, entre outras.


A primeira mensagem ao Congresso: Paulo Roberto de Almeida 


Origem: Casa Civil da Presidência da República (2015-2018)

Senhoras e Senhores Parlamentares,
É com grande honra e justificada satisfação que cumpro, neste momento, o dever constitucional de dirigir-me ao Congresso Nacional para, pela primeira vez em meu mandato, trazer-lhes as primeiras medidas administrativas que têm por objetivo dotar o meu governo de condições para efetuar as mudanças que hão de caracterizar a fase promissora de modernização e de racionalidade que se abre agora para o Brasil.
Pretendo reformular inteiramente as bases da governança neste país, depois de mais de uma década de caos administrativo, de inchamento desmesurado do governo e de emissão de medidas que engessaram ainda mais a gestão pública e que converteram a administração das empresas privadas num inferno burocrático, paralisadas que foram por medidas contraditórias, por leis irracionais e por decretos irresponsáveis, que aumentaram exageradamente o chamado “custo Brasil”, mas que também minaram, do lado do setor público, a confiança dos brasileiros no Estado e em suas instituições.
Devo alertá-los desde já que este esforço não será concretizado sem a parceria do Congresso Nacional, uma vez que é minha intenção associar cada uma das senhoras e dos senhores às propostas de legislação que pretendo trazer para discussão nesta Casa. Minha disposição é a de recorrer o menos possível a medidas provisórias ou a decretos executivos, uma vez que entendo ser da responsabilidade desta Casa o debate aberto e esclarecedor sobre cada uma das propostas que pretendo submeter-lhes.
Estão atualmente sob a responsabilidade do chefe do Executivo nada menos do que 39 ministérios ou secretarias de Estado com status de ministérios, numa estrutura de gestão pública que se afigura exagerada para qualquer padrão administrativo que se possa conceber. Esta foi uma das muitas heranças inconvenientes que recebemos dos governos anteriores, uma máquina superdimensionada de administração. Pretendo, com a colaboração das senhoras e dos senhores, reformulá-la com sentido de racionalidade.
Portanto, se este Congresso aprovar – e entendo que ele há de respeitar o direito do chefe do Executivo de definir a organização da administração direta que ele julga a mais adequada ao País –, pretendo trabalhar com o ministério seguinte:

1)    Justiça
2)    Defesa
3)    Relações Exteriores
4)    Fazenda
5)    Educação
6)    Saúde
7)    Indústria e Comércio
8)    Agricultura
9)    Ciência e Tecnologia
10) Trabalho
11) Transportes
12) Comunicações
13) Interior e Infraestrutura
14) Desenvolvimento Social
15) Minas e Energia
16) Planejamento
17) Previdência Social
18) Casa Civil
19) Casa Militar

As seguintes áreas administrativas passam a ser vinculadas, enquanto secretarias de Estado, aos ministérios aqui especificados:

1)    Cultura e Esporte ao ministério da Educação;
2)    Integração Nacional ao ministério do Interior e Infraestrutura;
3)    Cidades ao ministério do Desenvolvimento Social;
4)    Meio Ambiente ao ministério da Ciência e Tecnologia;
5)    Turismo ao ministério da Indústria e Comércio;
6)    Desenvolvimento Agrário, Pesca e Aquicultura ao ministério da Agricultura;
7)    Advocacia-Geral da União e Controladoria-Geral da União à Casa Civil;
8)    Gabinete de Segurança Institucional à Casa Militar;
9)    Portos e Aviação Civil ao ministério dos Transportes;
10) Assuntos Estratégicos ao ministério do Planejamento;

Ficam extintas as seguintes Secretarias de Estado com status de ministério, passando suas responsabilidades respectivas a serem exercidas pelas áreas que se indica:

1)    Comunicação Social, nomeando-se um Porta-Voz da Presidência da República, e encarregando-se a Casa Civil de dispor dos demais serviços;
2)    Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Políticas para as Mulheres e Direitos Humanos para o ministério da Justiça
3)    Micro e Pequena Empresa para o ministério da Indústria e Comércio;

Ficam extintas a Secretaria-Geral e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, sendo as atribuições da primeira passadas para a Casa Civil.
O Presidente do Banco Central do Brasil não mais terá status de Ministro de Estado, sendo de nomeação da Presidência da República após sua aprovação pelo Congresso, dispondo de mandato fixo e de autonomia administrativa e operacional, e passando a responder ao Congresso Nacional, no cumprimento das funções que lhe forem atribuídas pelo Conselho Monetário Nacional.
A Presidência da República disporá, ainda, em caráter experimental, de uma Secretaria de Comércio Exterior, que trabalhará em estreita conexão com os ministérios das Relações Exteriores, da Fazenda, da Indústria e Comércio, da Agricultura e demais áreas que se afigurem pertinentes. Suas atribuições e a própria manutenção serão objeto de discussão e avaliação pelo Congresso, após três anos de funcionamento.
Meu governo não pretende dispor de comunicação institucional. Necessidades tópicas de informação de relevante interesse público serão afetas ao órgão interessado – como, por exemplo, campanhas de vacinação no âmbito da Saúde – abrindo-se amplo espaço para que a própria sociedade, através de empresas privadas de comunicações, cuide de sua informação, sem qualquer orientação ou aconselhamento do governo.
Meu governo seguirá o princípio de que cabe ao Estado regular apenas as áreas e atividades que lhe são precipuamente devidas, deixando todas as demais para a livre organização da sociedade. São extensas, incontáveis essas áreas e dou, neste momento, um único exemplo de como o governo pretende atuar. Entendo que não cabe ao Estado determinar os horários de funcionamento dos bancos comerciais, inclusive os públicos: cada estabelecimento bancário permanecerá aberto, segundo seu próprio interesse de atender ao público. A legislação laboral já dispõe sobre os direitos dos trabalhadores; os bancos serão livres para negociar horários de funcionamento com seus empregados.
Novas propostas de reformas administrativas serão encaminhadas ao Congresso, sempre sob esta orientação geral: as atividades privadas vão se libertar da mão pesada do Estado, e os brasileiros reterão os frutos do seu trabalho na maior extensão possível. As prioridades do meu governo são as de reduzir o peso indevido do Estado sobre o setor privado, em todas as esferas. Dessa forma, construiremos um Brasil mais rico.

Presidência da República, janeiro de 2015

[Com a assessoria técnica de Paulo Roberto de Almeida (Hartford, 12/07/2014)]

A Mafia em acao, e alguns dos mafiosos...

...que, agora, vão mudar de tática: passarão a usar LAN houses para perpetrar os seus crimes.
Eles são assim: se pudessem, usariam metralhadoras (aliás, tem cadáveres no armário, para um futuro Cold Case da política brasileira).
Paulo Roberto de Almeida 

Planalto

Responsável por alterar perfil de jornalistas na Wikipedia é 'petista de carteirinha'

Perfis de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg foram alterados por Luiz Alberto Marques Vieira Filho quando ele trabalhava para o ministro Ricardo Berzoini, na Secretaria de Relações Institucionais

Felipe Frazão e Talita Fernandes
Veja.com, 11/09/2014
Ricardo Berzoini, ministro de Relações Institucionais
Ricardo Berzoini, ministro de Relações Institucionais ( Niels Andreas/AE/VEJA)
Luiz Alberto Marques Vieira Filho, apontado pela Casa Civil da Presidência da República como o responsável por alterar os perfis de dois jornalistas na Wikipedia, usando a rede do Palácio do Planalto, é filiado ao PT e trabalhava na Secretaria de Relações Institucionais, pasta que está sob o comando de Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT. As mudanças foram realizadas nos dias 10 e 13 de maio deste ano, segundo o jornal O Globo, quando Vieira Filho ocupava a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais.
O nome de Vieira Filho foi divulgado pela Casa Civil, que distribuiu nota informando que "a Comissão de Sindicância Investigativa, instaurada no âmbito da Casa Civil, identificou o servidor público ocupante de cargo efetivo da carreira de finanças e controle, Luiz Alberto Marques Vieira Filho, como autor das alterações nos verbetes 'Miriam Leitão' e 'Carlos Alberto Sardenberg' no Wikipédia utilizando recursos de informática do Palácio do Planalto".
Vieira Filho é funcionário concursado do Ministério da Fazenda como analista de finanças e controle. Atualmente, ocupava o cargo de chefe de assessoria, uma função de confiança, no Ministério do Planejamento. Ele estava no posto desde 27 de maio deste ano, com salário bruto de 22.065 reais, segundo dados do Portal da Transparência. O servidor havia sido nomeado para a Subchefia de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais pelo ex-ministro Luiz Sérgio (PT), em abril de 2011, onde permaneceu durante o comando da pasta de Ideli Salvatti e no início da administração de Berzoini.
O servidor é filiado ao diretório do PT de Ourinhos (SP) desde 1999. Economista formado em 2005 pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, FEA-USP, ele passou pelo centro Acadêmico Visconde de Cairu, agremiação estudantil que já foi presidida por Markus Sokol e o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), petistas históricos. Filiou-se ao PT na mesma data em que o pai, ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Região de Ourinhos.
De acordo com a Casa Civil, Vieira Filho pediu afastamento do cargo e foi aberto um processo administrativo disciplinar para dar prosseguimento às investigações e dar direito à ampla defesa do servidor. O processo administrativo tem duração de trinta dias e, ao final, Vieira Filho poderá perder seu cargo efetivo. Ainda segundo a Casa Civil, durante o processo de investigação, o servidor "assumiu a autoria das alterações". 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Across the Empire, 2014 (14): Flanando em Vancouver


Across the Empire, 2014 (14): Flanando em Vancouver

Paulo Roberto de Almeida

            A palavra do título é um tremendo galicismo, mas ela se aplica à ocasião: Walter Benjamin, um autor que reencontrei na loja do museu de arte de Vancouver, que visitamos pela manhã, era um adepto das flanêries em Paris. O museu em si não é nenhuma maravilha de nenhuma arte: tem coisas modernas e contemporâneas, horríveis e não visitáveis (no terceiro andar), e coisas razoáveis e amplamente visitáveis, no segundo andar: arte regional canadense, inclusive uma “escola flamenga” em pleno Canadá. O artista mais importante é Emily Carr, presente com muitos quadros tanto de sua fase parisiense, quanto do retorno ao Canadá, cem anos atrás.
           
Mas a lojinha do museu era muito boa, e como sempre eu fui direto na seção de livros. Lá encontrei a nova (talvez definitiva) biografia (crítica) de Walter Benjamin por Howard Eiland e Michael W. Jennings, da qual já tinha ouvido falar por notas ou mini-resenhas nos jornais, mas sem prestar muita atenção pois ainda não saiu uma daquelas grandes, na NYRBooks ou outros pasquins literários. A biografia é, em si, impressionante, tanto pelo volume (mais de 700 páginas), como pelas fontes utilizadas, as mais variadas possíveis, primárias, secundárias, depoimentos, correspondência, etc.. Encontrei na bibliografia o título que primeiro me introduziu à obra de Benjamin, a correspondência de Gershom Sholem com ele, que li numa edição francesa, no começo dos anos 1980: Histoire d’une Amitié. Mesmo sendo um judeu engajado, e religioso, Scholem foi um dos melhores amigos, senão o melhor, de Benjamin, um judeu ateu, ou agnóstico, e totalmente imerso na alta cultura germânica, mas grande admirador da modernidade, que vinha em grande medida da França (pelo lado literário) e da Grã-Bretanha (pelo lado prático). Em sua época, primeira metade do século 20 (na verdade só até 1940, pois ele morreu na fronteira da França com a Espanha, em Port Bou, tentando escapar dos nazistas), a Alemanha já tinha ascendido à condição de primeira potência europeia, tanto no domínio das técnicas, como no das artes, onde os vanguardistas se destacavam justamente na modernidade artística e arquitetural (mas também na música, nos musicais, no teatro, enfim, em tudo).
            Benjamin teve de sair da Alemanha no momento da ascensão de Hitler ao poder, em 1933, e foi para a sua cidade preferida, Paris, ao passo que Gershom Scholem já tinha ido para a Palestina britânica, como bom sionista que era. No Brasil se conhece pouco da obra de Benjamin, basicamente o “panfleto” sobre a obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica (estou citando de cabeça, e posso me enganar no título), e seria recomendável que essa biografia fosse traduzida e publicada, pois ela apresenta o essencial, numa perspectiva crítica, como diz o subtítulo. Não comprei o livro, não tanto pelo seu volume, ou pelo seu preço (bastante modesto para um livro dessas dimensões e ilustrado, mas talvez porque seja de uma editora universitária), mas pelo fato de que ainda não terminei um outro grosso volume, a biografia de Albert Hirschman (outro alemão que fugiu do nazismo no mesmo momento da ascensão de Hitler) por Jeremy Adelman, que é também espetacular.
            Pela tarde, fomos ao Canadá Place, um imenso embarcadouro projetado sobre um canal do mar, com imensos painéis da história canadense. Carmen Lícia me fotografou em frente de um, sobre as guerras sustentadas pelos súditos de Sua Majestade no dominion da América do Norte, contra os vizinhos irriquietos do sul, sempre imperialistas, como diriam alguns mais ao sul. Ao largo da costa, heliporto e embarcadouro de hidroaviões de passeio por Vancouver, Vitória e imediações. Os navios vão passando ao largo, carregados de conteiners. Isso ao norte do West End, que é a ponta mais ocidental na qual estamos (sem contar a grande ilha Vancouver, mais a oeste), mas plenamente urbana, aliás em pleno centro da cidade.

            Depois fomos do outro lado, mar aberto, justamente na English Bay beach, onde fica nosso hotel. Passeio a pé, portanto, com direito a esculturas gigantes, gaivotas que parecem desprezar a presença humana, e uma foca do Pacífico nadando tranquilamente a 20 metros da praia. Desta vez não entrei no mar, pois estava muito frio, e de toda forma não teria entrado mesmo; ficamos ali contemplando o por-do-sol, e Carmen Lícia fez mais algumas de suas fotos profissionais.
            Amanhã, ou melhor, hoje, 11 de setembro (dia fatídico para dois países do continente), temos mais visitas: museu de antropologia, talvez o mercado da ilha de Granville, e o que sobrar... Vancouver é provavelmente uma das melhores cidades do Canadá, junto com Montreal, sem desprezar Toronto (onde também vamos voltar desta vez) e Ottawa, que é bonitinha, com seu parlamento estilo inglês, e seu museu cultural excepcional e espetacular.
            Mas é hora de ler mais notícias e dormir quando o sono cerrar os olhos.

Paulo Roberto de Almeida
Vancouver, 11 de setembro de 2014

Acordo Mercosul-UE: Debate entre um protecionista e um cidadao normal (CBN)

Ouvi o debate e lamento que o Embaixador Samuel tergiverse sobre a abertura comercial. Na verdade, ele não quer abertura nenhuma, mas a continuidade da proteção e das tarifas altas.
Ele define o Mercosul como união aduaneira, o que é parcialmente verdadeiro, mas amplamente equivocado, pois ele não funciona como UA. Mas ele diz também que o Mercosul NÃO É uma zona de livre comércio (ZLC) o que é inteiramente falso, pois uma UA implica necessariamente uma ZLC, para dentro. E não deveria existir nenhuma objeção a que essa ZLC+UA parcial negocie um acordo de liberalização comercial com outra UA+ZLC.
O diferencial de tarifas para ele é algo congelado, e que deve permanecer aqui, pois se não tiver tarifa as empresas multinacionais desaparecerão, asi no más...
Nunca ouvi tantos equívocos juntos, e tanta obsessão protecionista.
Se dependesse dele, o Brasil continuaria fechado e eternamente protecionista. sem mencionar os equívocosde fundamentação ou de simples concepção de organização econômica: ele pretende que o governo oriente, comande e até obrigue as empresas a fazerem desta ou daquela forma: o viés fascista e corporativo é nítido. Samuel não acredita na autonomia das empresas: ele quer que o Estado diga a elas o que fazer, como fazer, por quanto vender...
Paulo Roberto de Almeida

Debate CBN, Segunda, 07/07/2014, 23:41

'União Europeia quer acordo com o Mercosul por causa da crise econômica'

O embaixador e professor do Instituto Rio Branco Samuel Pinheiro Guimarães participa da discussão com o professor de RI e membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da USP Alberto Pfeifer.
As discussões entre os dois mercados já se arrastam há 14 anos. Quais os motivos para tanta demora e que benefícios essa união traria para o país?
Segundo o diplomata, os europeus exportariam mais aos países do acordo aduaneiro sul americano do que ao contrário, o que não caracterizaria uma via de mão dupla.
Alberto Pfeifer, afirma que o Mercosul vem perdendo seu dinamismo econômico. Para o Brasil, a grande oportunidade está fora da Europa, em países com alto crescimento, como a China.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Venezuela: solo malas noticias (InfoLatam)


Das três matérias que se pode ler sobre a Venezuela, no informe diário (10/09/2014) de InfoLatam, todas elas são negativas.
O que se pode fazer?
A realidade do país é muito triste, trágica mesmo, e não se pode fazer muito coisa, pois o Estado mafioso ali implantado dispõe de muitos recursos e de todo o apoio dos companheiros no continente, a começar dos cubanos (de inteligência, de espionagem, de dominação), da Unasul (uma entidade que já nasceu falida) e dos seus outros companheiros espalhados aqui e ali.
Justamente, a principal matéria trata desse Estado mafioso já plenamente vigente.
No Brasil temos uma associação mafiosa tentado fazer o mesmo, e só não faz porque (ainda) não pode, não porque não queira.
Paulo Roberto de Almeida

El legado de Chávez

El Universal, 10/09/2014

Por Maria Teresa Romero
 
(El Universal. Venezuela)-. “Todo mandatario pasa por la evaluación popular. Ninguno escapa al escrutinio histórico; más aún si el líder fallece y si se trata de uno que ha fungido de héroe político, militar, religioso o ideológico. Aunque no siempre la historia sobre una persona o hecho que sobresale entre otros -para bien o para mal- dice la verdad, casi siempre termina por imponerse la historia que más se acerca a la verdad.
Sobre Hugo Chávez y su gestión se ha escrito mucho nacional e internacionalmente. Valdría la pena hacer un registro de los textos a favor y en contra, cuántos se fundamentan en estudios serios  y analíticos, cuántos desechan las investigaciones y se nutren de lisonjas.
En esa cuenta no debería faltar el trabajo del historiador estadounidense Ari Chaplin:
 El legado de Chávez: la transformación de una democracia a un Estado mafioso (2013).
No es un libro que lo favorece. Para nada. Es un estudio crítico, agudo, que demuestra cómo y porqué el legado chavista es nefasto.  Pero lo importante es que se basa en una investigación profunda y sistemática, con argumentos sólidos, y llevada a cabo desde la perspectiva de un catedrático que analiza la realidad del Socialismo del Siglo XXI con la distancia necesaria para ser bien evaluada.
Fernando Mires, uno de los pensadores latinoamericanos más importantes de la actualidad, resume el libro con estas palabras: “Partiendo de la excelente denominación acuñada por Moisés Naím, la de “Estados mafiosos”, Chaplin demuestra, combinando la narración historiográfica con el análisis sociológico, cómo detrás de la fachada ideológica del chavismo se esconde un proceso que tiende a la demolición de los valores y de las instituciones políticas los cuales a pesar de algunos deficientes gobiernos que lo precedieron, pervivían en Venezuela. En otras palabras: de acuerdo a Chaplin la contradicción fundamental ya no es en Venezuela entre democracia y totalitarismo, sino entre democracia y Estado mafioso”.
Este estudio deja asentada una triste verdad de nuestra historia patria”.

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Venezuela economía
Inflación venezolana llega a 63,4 % interanual
El Banco Central de Venezuela (BCV) informó que la inflación de agosto cerró en 3,9 % y alcanzó el 63,4 % interanual, y sumó 39 % en los 8 primeros meses de 2014.

Venezuela prensa
El diario más antiguo de Venezuela dejará de circular por falta de papel
El diario más antiguo de Venezuela, El Impulso, suspenderá su edición impresa a partir de la próxima semana por la falta de papel e insumos como consecuencia del control de cambios que limita las divisas.
[ver artículo completo...]

Economia do Brasil, transacoes ilicitas e fuga de capital - Relatório da Global Financial Integrity

Foi publicado um relatório sobre o Brasil no site da Global Financial  Integrity, e cuja matéria é fluxo internacional de capital especulativo:

https://www.facebook.com/GlobalFinancialIntegrity

Segundo o diretor da instituição:
"Illicit financial outflows averaged US$14.7 billion per year for the period from 2000 to 2009. For the period from 2010 to 2012, illicit financial outflows increased to an average of US$33.7 billion per year. These outflows constitute about 1.5 percent of Brazil’s growing GDP for both of these periods. In terms of total magnitude, the country is seventh among developing countries, all of which suffer
from this phenomenon."

Ou seja, sob o reino companheiro, os fluxos de capitais ilíticitos e outras operações especulativas representaram um maior montante de capitais fugindo do Brasil, do que nas épocas anteriores.
Eles vão dizer que é porque o Brasil ficou mais rico.

A íntegra do relatório em inglês está aqui: http://www.gfintegrity.org/wp-content/uploads/2014/08/Brazil-Capital-Flight-Illicit-Flows-and-Macroeconomic-Crises-1960-2012.pdf

Em português pode ser baixado aqui: http://www.gfintegrity.org/wp-content/uploads/2014/09/Brasil-Fuga-de-Capitais-os-Fluxos-Il%C3%ADcitos-e-as-Crises-Macroecon%C3%B4micas-1960-2012.pdf

Primary Findings

The Brazilian economy lost at least US$401.6 billion in illicit financial outflows from 1960 to 2012.
These outflows represent the proceeds of crime, corruption, and tax evasion, and have serious negative consequences for Brazil. Outflows were found to drain resources from the Brazilian economy, to drive the underground economy, and to exacerbate inequality.
Furthermore, the report found that illicit outflows are growing.  Annual average illicit outflows increased from US$310 million in the 1960s to US$14.7 billion in the first decade of the twenty first century before jumping to US$33.7 billion over the last three years of the study, 2010-2012.  On average, Brazil’s illicit outflows are equivalent to 1.5% of the country’s official GDP.
Trade misinvoicing is the major conduit of illicit financial flows from Brazil.  The report reveals that the vast majority of Brazil’s illicit outflows—92.7%, or US$372.3 billion of the US$401.6 billion in total outflows—were channeled through the misinvoicing of trade transactions.  The remaining US$29.4 billion in the illicit outflows detected by GFI occurred via hot money outflows, such as unrecorded wire transfers.

Policy Recommendations

GFI recommends a number of steps the Brazilian government can take to ameliorate the problem of illicit financial flows from the country revolving around two principles:
  1. Greater transparency in domestic and international financial transactions, and
  2. Greater cooperation between governments to shut down the channels through which illicit money flows.
These steps include taking stronger legal measures against trade misinvoicing, instituting transparency of company ownership, and building the technical and human capacity needed to effectively utilize the data that will be shared under emerging tax information exchange arrangements.  GFI notes that the most important ingredient to curbing illicit financial flows from Brazil is generating the political will necessary to implement and enforce these measures.

Broad Capital Flight

In addition to estimating illicit outflows of capital from Brazil, the study also estimates that broad capital flight—a combination consisting of both licit and illicit outflows—amounted to US$590.2 billion between 1960 and 2012.  Broad capital flight was found to average roughly 2.2% of Brazil’s official GDP over the study period.
Illicit outflows constituted 68% of total capital flight, and they were shown to drive broad capital flight from Brazil.

Underground Economy

The report estimated that the size of Brazil’s underground economy averaged 38.9% of official GDP over the 53-year period, increasing from an average of 45.8% in the 1960s to 55.1% in the 1970s before slowly falling to an average of 21.8% from 2010 through 2012, as a result of faster economic growth.

Methodology

This report utilizes the same methodology to calculate illicit flows as was used in GFI’s 2014 case study on the Philippines and in GFI’s 2013 global update on illicit financial flows.  GFI cautions that the methodology is very conservative and that there are likely to be more illicit flows from Brazil that are not captured by the models.  For example, a large amount of the proceeds of abusive transfer pricing between arms of the same multinational corporation as well as much of the earnings from drug trafficking, human smuggling, and other criminal activities—which are often settled in cash—are not included in these estimates.
Moreover, this report uses the largest Structural and Behavioral Equations Model developed by Dr. Kar to analyze the drivers and dynamics of Brazil’s illicit flows.

Acknowledgements

About the Author
Dev Kar is Global Financial Integrity’s Chief Economist, having formerly served as a Senior Economist at the International Monetary Fund.
Contributions
Brian LeBlanc assisted with the data analysis, and Joshua Simmons contributed to the policy analysis.
Raymond Baker, Christine Clough, Clark Gascoigne, Taylor Le, Channing May, and Melissa O’Brien also supported this project.
Funding
Funding for this report was generously provided by the Ford Foundation.

Cuba: por falar na ilha-prisao, mais uma analise da situacao real - Carlos Pozzobon

Trancrevo aqui (o que desconfio já ter feito alguns meses atrás, várias análises realistas, e muito bem informadas, sobre a situação da ilha miserável, a mais velha ditadura do continente, reunidas por um acadêmico brasileiro que não partilha do besteirol universitário.
Paulo Roberto de Almeida 

Cuba para neófitos

Carlos U Pozzobon

Ensaios, blog com temas de interesse intelectual

25 de outubro de 2012

Índice

A Revolução Cubana
O Suicídio em Cuba
Produção de açúcar
Fuga de Havana
A Vida Secreta de Fidel
 
Tenho ouvido muitos jovens desiludidos com a atuação do PT. A esperança com que depositaram sua confiança em um partido que pretendia mudar “tudo o que está aí” é um fato recorrente em nossa história e nossa vida política. Mas ao mesmo tempo, toda a geração tem aqueles que não abandonam suas convicções nem que seu mundo desabe sobre a própria cabeça. Aliás, parece que quanto mais errada possa ter sido a orientação, mais se agarram aos dogmas e pressupostos factuais que eternizam seu modo de pensar e terminam servindo de estrume para a germinação de novos ideais políticos desastrados nas gerações posteriores. A geração petista foi forjada pelos que nunca abandonaram sua confiança na revolução cubana e na figura pseudo-clarividente de Fidel Castro. Árvore que nasce torta não pode crescer senão com as deformações de origem e, ao fim, revelar sua própria natureza.
Como as abordagens sobre Cuba em geral falam no extraordinário fracasso econômico da ilha, acobertado pelo bode expiatório do bloqueio dos EUA, resolvi publicar diversos artigos, começando pelo jornalista Fernando Pedreira, falando sobre o entusiasmo provocado pela revolução e outro de Guilherme Cabrera Infante sobre o Suicídio em Cuba, os dois publicados em 1975 e 1983, respectivamente; depois seguem-se artigos que vou publicando a medida que acho relevante, como os acontecimentos da frustrada tentativa de colher 10 milhões de toneladas de cana de açúcar nos anos 70, utilizando — acreditem — trabalho forçado. Enquanto para os simpatizantes distantes a desilusão com a revolução cubana não passa de um incômodo gerado pela percepção da fraude moral, para os envolvidos com a própria construção da nova sociedade cubana, não ultrapassa um ato de desespero e, por fim, de suicídio. O artigo seguinte é uma resenha do livro de Juan Reinaldo Arenas, um guarda-costas de Fidel que caído em desgraça, foge da ilha e publica A VIDA SECRETA DE FIDEL
Antes porém, um link para um documentário de Nestor Almendros sobre a repressão não só aos "homossexuais" cubanos, os famosos campos de concentração onde eram considerados "maricons" todos os poetas e escritores. Como vivemos sob o estigma da homofobia, alardeado aos quatro cantos pela ascensão do PT ao poder, com a criminalização até mesmo do repertório de piadas brasileiro, vale a pena ver o documentário pelo seu inverso, isto é, de perseguição aos homossexuais através de rituais de depuração, praticados por um regime que é apoiado pelo partido que se diz o defensor dos gays. A importância do documentário serve para desmistificar qualquer pretensão de liberalidade do petismo com relação ao comportamento humano.

Ler a íntegra neste link.

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