sábado, 20 de setembro de 2014

Across the Empire, 2014 (22): Detroit, entre a tecnologia e a arte


Across the Empire, 2014 (22): Detroit, entre a tecnologia e a arte

Paulo Roberto de Almeida

Sexta-feira 19/09: com a Escócia salva – mas tem gente que não concorda – o dia foi dedicado às duas realizações mais características e mais caras do ser humano: a tecnologia e a arte (que de certa forma se confundem, pois uma se inspira na outra, para o maior bem da humanidade).
Pela manhã, bem cedo, fui a Dearborn, visitar o Henry Ford Museum, um enorme complexo contendo não apenas as maiores invenções tecnológicas desde a revolução industrial, mas também cenas da vida americana desde a colônia até os dia de hoje. Existe uma certa linearidade cronológica nos diversos blocos de um imenso salão de exposições, dividido em várias alas, mas o mais importante é a coleção impressionante de máquinas e mecanismos de transporte e de produção, de todos os tipos, que Henry Ford acumulou ao longo de sua vida, a começar pela agricultura, atividade à qual ele sempre deu especial atenção. O complexo integra ainda um “Greenfield Village”, com montagens reais da vida camponesa, mas que preferi não visitar, tanto por falta de tempo, como porque se tratava de algo mais didático, dedicado a crianças e jovens. Concentrei-me nas realizações tecnológicas, inclusive no famoso modelo T, o carro que revolucionou o mundo da produção, e não apenas automobilística, criando o que ficou conhecido como a linha de montagem (que na verdade é uma derivação prática da teoria econômica de Adam Smith, sobre s divisão social do trabalho). Entre 1908 e 1928, esse modelo básico, podendo ser montado por qualquer trabalhador sumariamente instruído, mas que era submetido a uma assemblagem precisa, concebida por engenheiros, foi o exemplo da moderna organização do trabalho: ao reduzir o preço de um automóvel em mais de 60% da média do mercado do seu tempo, o Ford T é uma brilhante demonstração de como o capitalismo inteligente pode transformar, por meio de uma tecnologia engenhosa um produto de luxo em mercadoria de consumo de massa.

Existem dezenas de modelos de praticamente todos os tipos de automóveis, inclusive europeus e alguns japoneses, mas predominantemente americanos, como seria de se esperar; senti falta do meu primeiro carro, que usei na Europa, enquanto morava na Bélgica: um Citroen Deux Chevaux – ou seja, dois cavalos de (im)potência – que me levou a vários pontos do continente, mas sempre em velocidade reduzida: quando tentei ultrapassar os 120km/h, o motor fundiu, e demorou certo tempo para juntar dinheiro para trocar o motor... Gostei também de um dos primeiros modelos de ônibus escolares, mais uma demonstração de que o transporte de estudantes sempre foi um componente essencial do processo educacional neste país.

No meio de toda aquela tecnologia, algumas lições de história, inclusive constitucional, libertação dos escravos, direitos da mulher, etc. Os visitantes aprendem que o texto constitucional desenhado em Filadélfia – mas com raízes anteriores – é o mais velho documento desse gênero no mundo; logo após, foram definidos os primeiros atos adicionais, chamados de Bill of Rights, que são especificamente dedicados a salvaguardar os direitos e as liberdades dos cidadãos americanos CONTRA o governo. A base de tudo isso é a autonomia do indivíduo, a liberdade, e a independência da nação, como explicava Thomas Paine (aliás presente num vídeo bastante esclarecedor sobre a revolução contra o reio Jorge), em seu famoso panfleto, Common Sense, mostrado numa primeira edição ali preservada.

Um outro painel explicava exatamente contra quais exações britânicas os americanos se revoltaram, nos famosos episódios que foram aumentando as reclamações dos colonos no sentido de se sentirem “taxados sem representação”.


Passamos, depois, toda a tarde no Detroit Institute of Arts, uma instituição modelo no gênero, e altamente visitável: mas, como a fome apertava, Carmen Lícia eu visitamos primeiro o restaurante do museu: eu comecei pela soupe du jour, um seafood and corn chowder, e depois dividimos um plateau de fromages, como pode ser visto nesta foto que Carmen Lícia fez, que fizemos acompanhar de duas taças de Cabernet Sauvignon e eu uma pequena garrafa de Perrier, terminando por um expresso double.


Depois do estômago, a arte, duplamente, pois que, no meio da visita, em plena sala dedicada aos murais de Diego Rivera, pudemos assistir ao ensaio da banda que tocaria logo mais no começo da noite, do qual fiz um pequeno filme; creio que não conseguirei exibir aqui, pois são muitos MB, mais exatamente 134, e a conexão do hotel é muito ruim; vou tentar colocar no iCloud, para dar apenas o link, e registro uma foto aqui do evento; destaques, para o nome da chinesa, que se chama Grace Kelly (mais alguma coisa chinesa) e para as horríveis bermudas vermelhas do trompetista, aliás, um desses calções de jogadores de basquete. Não sei se ele pretendia se apresentar desse jeito, em todo caso, não esperamos para ver.

Continuamos visitando o museu, com algumas peças conhecidas de livros de arte, e outras dentro do padrão esperado para instituições desse calibre: os inevitáveis impressionistas franceses, alguns grandes nomes da pintura europeia (Brugel, Cranach, Van Gogh), mas também uma coleção altamente significativa de arte americana, asiática, africana, e o que mais sempre tem nos museus peso-pesados.



Compramos alguns objetos na loja do museu – entre eles um novo colar para Carmen Lícis e um CD de jazz para mim – e depois ainda fomos passear pela cidade, para ver mosaicos e pinturas em estações de bonde elevado, que aqui eles chamam de people mover
Amanhã, vamos atravessar esta ponte, apropriadamente chamada Ambassador, em direção a Windsor, por onde entramos no Canadá, em direção a Toronto. Ainda temos algum caminho pela frente, e possivelmente mais dois ou três museus, além de uma bela cidade canadense.

Paulo Roberto de Almeida
Detroit, 19 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Alguem ainda aguenta estudos latino-americanos, exclusivamente?

Os suspeitos de sempre, com as platitudes de sempre...
Dá para aguentar essas latino-americanices reiteradas, repetidas, recorrentes e reincidentes nas mesmas bobagens de sempre?
Eu já estou cansado desse tipo de mesmice introvertida e auto-centrada...
Paulo Roberto de Almeida 



Boletim Mundorama, 19 Sep 2014

 

A revista Horizontes LatinoAmericanos informa o lançamento do seu número 2, edição coordenada por Amado Cervo, Professor Emérito da Universidade de Brasília.
Revista de Humanidades e Ciências Sociais do Mercosul Educacional, criada em 2013, Horizontes LatinoAmericanos é um periódico multidisciplinar que abrange as áreas de humanidades e ciências sociais, com vistas a explorar as fronteiras disciplinares na produção de conhecimentos que expressem a pluralidade de ideias e modos de vida dos povos latino-americanos.
Horizontes LatinoAmericanos é uma publicação do Setor Educacional do Mercosul, com produção editorial realizada pela Editora Massangana, da Fundação Joaquim Nabuco, instituição vinculada ao Ministério da Educação do Brasil.
O número tem por objeto um tema relevante: avaliação e perspectivas do desenvolvimento latino-americano: do estruturalismo à interdependência. O desenvolvimento penetrou governos e sociedades na América Latina, dos anos 1930 ao presente, como tema de debate e como desafio. Apesar de tendências paradigmáticas comuns e sucessivas – desenvolvimentismo, neoliberalismo, Estado logístico – os países da América Latina fermentaram a ideia, dela extraindo experiências diversificadas. A região apresenta-se, segundo os estudos, como um laboratório histórico de estratégias, ritmos e resultados diferenciados no tempo e entre os países, porém preserva em comum notável senso de autonomia de pensamento e de autonomia decisória, as quais condicionam política externa e inserção internacional, especialmente as relações com as potências avançadas. Ao alcançar o século XXI, os países da América Latina se dispersam ainda mais diante do desafio do desenvolvimento, quanto à visão de si e do mundo: distintos modelos internos, de relações com a vizinhança e de inserção internacional espelham a diversidade.
Contribuíram para o número 2 da Revista renomados scholars latino-americanos:
  • Amado Luiz Cervo
  • Raúl Bernal-Meza
  • Mario Rapoport
  • Carlos Escudé
  • Ricardo Aronskind
  • César Ross Orellana
  • Aldo Ferrer
  • Emiliano Teran Mantovani
  • Edgardo Lander
A edição se acessa aqui.  
    

Venezuela: a economia mais mal administrada do mundo (e o Brasil segueatras...) - Economist

Venezuela’s economy


Of oil and coconut water

Probably the world’s worst-managed economy

Sep 20th 2014 | CARACAS | From the print edition /The Economist
A BIG oil producer unable to pay its bills during a protracted oil-price boom is a rare beast. Thanks to colossal economic mismanagement, that is exactly what Venezuela, the world’s tenth-largest oil exporter, has become.
At the end of the second quarter Venezuela’s trade-related bills exceeded the $21 billion it currently holds in foreign assets (see chart), almost all of which is in gold or is hard to turn into cash. Over $7 billion in repayments on its financial debt come due in October. The government insists it has the means and the will to pay foreign bondholders. Few observers expect it to miss the deadline. Even so, the dreaded word “default” is being bandied about.
On September 16th Standard & Poor’s, a ratings agency, downgraded Venezuelan debt, assessing the country as “vulnerable and dependent on favourable business, financial and economic conditions to meet financial commitments”. Reports that the government is seeking to sell Citgo, an American refining subsidiary of Petróleos de Venezuela (PDVSA), the state oil firm, have fuelled talk of cash-flow problems.
Even if it stays current on its financial dues, Venezuela is behind on other bills. Earlier this month two Harvard-based Venezuelan economists, Ricardo Hausmann and Miguel Angel Santos, caused a stir by criticising the government’s decision to keep paying bondholders religiously while running up billions in arrears to suppliers of food, medicine and other vital supplies. “To default on 30m Venezuelans rather than on Wall Street”, they wrote for Project Syndicate, a website, “is a signal of [the government’s] moral bankruptcy.” President Nicolás Maduro branded Mr Hausmann a “financial hitman” and threatened him with prosecution.
Another Venezuelan economist, Francisco Rodríguez of Bank of America Merrill Lynch, thinks that scarcities of basic goods stem from the government’s refusal to adopt sensible exchange-rate policies. On the black market a dollar trades for over 90 bolívares; “official” dollars are worth between 6.3 and 50 bolívares, depending on which of the country’s multiple exchange rates you use. Exports of oil and its derivatives, which are dollar-denominated, account for 97% of Venezuela’s foreign earnings. Using an overvalued official rate means that the country is not making as much money as it could: the fiscal deficit reached 17.2% of GDP last year.
The government has been bridging that gap in part by printing bolívares. That has caused the money supply almost to quadruple in two years and led to the world’s highest inflation rate, of over 60% a year. Food prices, by the government’s reckoning, have nearly doubled in the past year, hitting the poor, its main constituency, hardest of all.
Even worse than inflation is scarcity. The central bank stopped publishing monthly scarcity figures earlier this year, but independent estimates suggest that more than a third of basic goods are missing from the shelves. According to Freddy Ceballos, president of the federation of pharmacies (Fefarven), six out of every ten medicines are unavailable. The list runs from basic painkillers, such as paracetamol, to treatments for cancer and HIV. One unexpected side-effect has been a sharp increase in demand for coconut water, which Venezuelans normally buy to mix with whisky. Nowadays it is sought out more for its supposed anti-viral and anti-bacterial properties.
Unable to obtain what they need through normal channels, people are having to improvise. Social media are packed with requests for urgently required medicines, while some highly sought-after goods—babies’ nappies, say—are offered in exchange for others, like spare parts for cars. Those lucky enough to have friends or relatives abroad arrange for emergency relief. “My cousin in Panama sends my mother’s Parkinson’s treatment,” says one Caracas resident. “It costs $30 a time there, compared with a few bolívares here, but here you can’t get it.” An opposition political party has even asked the Red Cross to help relieve the scarcity of medicines.
The mess is a reflection not just of import-dependence and a shortage of dollars, but also the mismanagement of domestic industry. Some food producers have been nationalised; price controls often leave manufacturers operating at a loss. Some price rises have recently been authorised, but manufacturers say it is impossible to maintain normal output with such stop-go policies. For its part, the government blames what it calls an “economic war” and the contraband trade. It has instituted a nightly closure of the border with Colombia, and plans to fingerprint shoppers to prevent “excessive” purchases.
The prospects for a change of course are gloomy. On September 2nd Mr Maduro replaced the vice-president for economic affairs, Rafael Ramírez, with an army general; Mr Ramírez also lost his job as chairman of PDVSA in the reshuffle, which saw him moved to the foreign ministry. Under Mr Ramírez, PDVSA has not thrived. Oil exports have fallen by over 40% since 1997 because of lack of investment, offsetting the benefit from price gains. Nonetheless, Mr Ramírez was seen as the only man in the cabinet arguing for exchange-rate unification, a cut in fuel subsidies and a curb on the burgeoning money supply.
Venezuela’s streets are calmer now than earlier this year, when clashes between opposition protesters and government forces left more than 40 people dead. The reshuffle appears to have strengthened Mr Maduro’s position. Bondholders may well keep getting paid. But the price of the revolution’s survival seems to be the slow death of Venezuela.

Eleicoes 2014: Forbes lista 5 motivos para NAO reeleger quem ocupa apresidencia (existem muitos outros mais, claro...)

Mas não vou relacionar pois a postagem ficaria longuíssima...
Paulo Roberto de Almeida 

Eleições 2014

'Forbes' lista cinco motivos para o Brasil não reeleger Dilma

Revista americana publica em seu site texto de colunista em que afirma que má gestão da presidente coloca em risco avanços econômicos e sociais do país

Dilma: para 'Forbes', o mercado não quer a presidente
Dilma: para 'Forbes', o mercado não quer a presidente (Ueslei Marcelino /Reuters)
A revista americana Forbes divulgou em seu site uma lista com cinco razões pelas quais acredita que os eleitores brasileiros não deveriam reeleger a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT). Em texto que elenca os avanços econômicos e sociais no Brasil ao longo dos últimos vinte anos – transformações que tiveram início, lembra a revista, no governo de Fernando Henrique Cardozo –, a Forbes afirma: sob o comando de Dilma, o país passou da expansão para a melancolia.
Depois de elencar os avanços dos governo FHC e Lula, o texto ressalta a situação econômica do país, que vive um quadro de recessão técnica e inflação no teto da meta. “Os investidores de todo o mundo, que chegaram a fazer fila para comprar um pedaço do ‘sonho brasileiro’, olham agora para mercados mais atrativos, como o México (e celebram todas as vezes que Dilma perde pontos nas pesquisas eleitorais)”, diz o colunista Anderson Antunes. E encerra: Dilma não apenas falhou em manter tudo em ordem, como está colocando os avanços em risco.

Cinco razões da 'Forbes' por que Dilma não deve ser reeleita

Dilma não promoveu as mudanças para tornar a vida dos mais pobres melhor


O PT, partido que declarou o objetivo de defender os pobres e socialmente excluídos, não promoveu durante o governo Dilma a melhora na condição de vida dessa parcela da população que prometeu. Segundo o colunista, uma das razões é o retorno da inflação, que tem assustado brasileiros desde a década de 1970. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2012, a desiqualdade de renda melhorou de 2002 até a década seguinte. No entanto, essa melhora empacou há dois anos. Ao mesmo tempo, a receita arrecadada pelos ricos cresceu 50%. Isso significa que o governo Dilma quebrou um padrão de dez anos de progresso na distribuição de renda. Em outra questão, Forbes cita que o número de analfabetos também cresceu pela primeira vez em quinze anos, durante o governo de Dilma – tanto a presidente quanto Lula haviam prometido erradicar o analfabetismo do país.
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Dívida Pública cresce. E o governo poupa menos

“O orçamento federal está constantemente em déficit, e Dilma se comprometeu a cumprir uma meta de superávit primário de 1,9% do PIB neste ano e 2% no próximo ano”, diz Antunes. Os gargalos do sistema brasileiro causam ineficiência e corrupção - e são responsáveis por um sistema de impostos bizantino.
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A estratégia de manter a inflação em alta para manter empregos é questionável

Para inflação e baixo desemprego conviverem bem – como é o desejo de Dilma Rousseff -, é necessário que a economia apresente crescimento. No entanto, não é o que está ocorrendo no Brasil. A Forbes afirma que a piora da inflação se deve ao aumento dos salários e da diminuição dos lucros de empresas. Dilma entende que a solução seria aumentar as taxas de juros, enrijecer a política fiscal brasileira e permitir que os preços se ajustem. No entanto, essas medidas afetam diretamente o consumo no país, que representa 63% da economia brasileira. A revista afirmou que para uma governante populista, é como um remédio caro que, mesmo que o paciente precise comprá-lo, não terá condições de acesso.

A Petrobras está sob investigação por abrigar "dentro de suas paredes" um esquema de corrupção multimilionário, lembra o colunista. “As finanças da Petrobras sob administração petista não são nada menos do que desapontadoras”, diz o texto. A estatal está sendo usada pelo governo como uma forma de conter a inflação do país, segurando os preços dos combustíveis, o que causou um rombo de 20 milhões de reais à empresa em 2013. Segundo a revista, a ironia neste caso é que a 'úncia solução lógica' para o problema da Petrobras veio de sugestão do nanico Pastor Everaldo: "privatizar a estatal". 

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O Brasil não cresceu tanto quanto poderia - e deveria - sob seu governo


É a primeira vez em cinco anos que o Brasil registra retração da economia, lembra o colunista. Em 2010, o país cresceu 7,5%, compara a publicação. "Embora Dilma diga que a performance fraca da economia seja fruto da crise internacional, os números a provam errada", diz o texto. “Até o fim de seu mandato, o crescimento do país deve ser dois pontos porcentuais menor do que a média da América Latina entre 2010 e 2014. Pela primeira vez em 20 anos os vizinhos do Brasil deixam o país comendo poeira".

Estado como principal fora-da-lei: depois de 27 anos, nenhuma justicapode ser justa

STJ condena União a pagar indenização bilionária à Vasp
Em 2009, valor era de US$ 1,6 bilhão, mas com correção cifra deve dobrar
POR CAROLINA BRÍGIDO / O GLOBO
18/09/2014 19:04 / ATUALIZADO 18/09/2014 19:28

BRASÍLIA - A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a União a pagar indenização à Vasp por prejuízos provocados pelo congelamento das tarifas durante o Plano Cruzado, nas décadas de 1980 e 1990. O valor a ser pago ainda não foi calculado. Em 2009, o valor era de 1,6 bilhão. Com a correção monetária, a cifra deve dobrar. Os recursos serão incorporados à massa falida da companhia.
A decisão foi tomada no julgamento de um recurso da companhia aérea contra decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, que não reconheceu o pagamento. Agora, a União pode recorrer ao próprio STJ e, em caso de nova derrota, ao Supremo Tribunal Federal (STF). No Supremo, a probabilidade é de vitória para a companhia aérea. Isso porque, em março deste ano, o tribunal condenou a União a indenizar a Varig pelo mesmo motivo.
O julgamento da Vasp no STJ começou em maio deste ano, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Benedito Gonçalves. Nesta quinta-feira, o ministro votou contra a União. A decisão foi tomada por três votos a dois.

Companheiros conseguem tornar o Brasil mais desigual, e mais pobre! Parabens!

VEJA.com, 18/09/2014

A redução da pobreza foi, ao longo dos últimos vinte anos, não só uma conquista da sociedade brasileira, mas também resultado da estabilidade econômica e de investimentos em educação e saúde feitos desde a década de 1990. Mas os limites desses esforços começam a aparecer. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pelo terceiro ano consecutivo, o indicador que mede a desigualdade de renda, chamado Índice de Gini, não mostra melhora significativa.

O índice, que é usado mundialmente, leva em conta o número de pessoas em um domicílio e a renda de cada um, e mostra uma variação de zero a um, sendo que quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. O IBGE calculou em 2013 que o Brasil marcou 0,498 no indicador que leva em conta a renda de todo os membros de cada família. Em 2012, o resultado havia ficado em 0,496, enquanto em 2011, era de 0,499. A leve oscilação não permite ao órgão concluir que houve uma piora significativa na distribuição de renda no Brasil. Contudo, ela é clara em mostrar que os efeitos da desaceleração econômica já fazem com que a barreira entre ricos e pobres pare de ceder.
Tal piora é explicada não só pelo baixo crescimento da economia, mas também pela menor oferta de vagas de trabalho, ambas mostradas pelo IBGE por meio do levantamento das Contas Nacionais, que calcula o Produto Interno Bruto (PIB), e da própria Pnad, que mede a taxa de desocupação no país.
Segundo dados divulgados nesta quinta, a taxa de desemprego passou de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. Percebe-se, portanto, uma situação em que a economia cresce pouco (o avanço em 2013 foi de 2,3%) e o mercado de trabalho sente o impacto. Diante isso, até mesmo as políticas de transferência de renda consolidadas no governo Lula mostram perda de vigor. Como seu impacto no PIB é limitado (de apenas 0,5%), tais mecanismos não são suficientes para estimular o crescimento em momentos de crise. Para 2014, a previsão é de que o PIB fique muito próximo de zero e que o mercado de trabalho avance, no mínimo, 30% menos que em 2013. Com isso, economistas esperam impacto mais significativo na medição da distribuição de renda para o ano que vem.
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PNAD 2013: Fim de uma Era?

Blog do Roberto Ellery, 18/09/2014

Comecei este blog em julho de 2013, na época disse que estava fazendo o blog como minha pequena contribuição para denunciar a reversão da política econômica inciada de forma modesta por Lula em 2005/06 e aprofundada por Dilma em 2011, se alguém quiser ver o post de abertura e apresentação do blog o link está aqui, para os que não tem paciência para tanto eu destaco um trecho daquele post de abertura do blog:

"A estabilidade econômica foi considerada um valor em si, as privatizações foram feitas, iniciou-se um processo de abertura da economia e uma agenda de reformas buscando a eficiência. O resultado foi um período de crescimento modesto, porém maior que o dos anos 1980, e um processo de desconcentração de renda sem paralelos em outros períodos com disponibilidade de dados. Pela primeira vez em muitos anos os pobres participavam dos ganhos gerados pelo crescimento. A reversão destas políticas coloca em risco todas estas conquistas." 
De lá para cá coreu mais de um ano e blog teve mais de cem mil acessos, o governo Dilma, acuado pelo povo nas ruas, perdeu a confiança nas suas decisões de 2011 e mostrou sinais que poderia recuar nas contra-reformas, mas ficou no meio do caminho. Desistiu de encontrar o câmbio de equilíbrio da indústria, os que bem querem ao Brasil disseram para desistir da busca inútil, mas o governo demorou a desistir. Insistiu no uso de transferências de renda para indústria e apostou em uma estratégia sem pé nem cabeça de aumentar o gasto e tentar esconder o aumento da população, uma medida que, para dizer o mínimo, foi idiota. Ameaçou combater a inflação, mas acabou recuando e ficou em um perigoso meio do caminho. Os resultados da aventura econômica do governo estão em praticamente todos os indicadores econômicos: o menor crescimento desde a estabilização, o primeiro governo a ter uma inflação média maior que o anterior desde a estabilização, redução na taxa de investimento, aumento do déficit público, aumento da dívida pública e tantos outros indicadores preocupantes que frequentam as estatísticas oficiais. Faltava cair um bastião: o lado social. Os números da PNAD mostram um aumento do desemprego e o fim da queda na concentração de renda, o último bastião parecer estar caindo (link aqui). O gráfico abaixo mostra a parada no processo de concentração de renda durante os três primeiros anos do governo Dilma.




A redução do emprego pode não ser uma notícia ruim, é preciso olhar os dados com cuidado, se a redução decorrer de jovens saindo do emprego para estudar por mais tempo a notícia é boa. O fim da queda da concentração de renda me parece um resultado pior e mais difícil de explicar para o governo. Pior porque o governo se apresentava como um governo que iria reduzir a concentração de renda, difícil de explicar porque se eu e muitos outros críticos do desenvolvimentismo estivermos certos foi a política que Dilma aprofundou em 2011 que causou o fim da queda da concentração de renda. A verdade é que, gostem ou não, desenvolvimentismo implica em transferência de renda para indústria e, na sua vertente brasileira, implica em muita transferência de renda para os industriais. A transferência de para os industriais enriquece os 1% mais ricos (tratei do tema aqui) mas não necessariamente leva a um aumento da concentração de renda. É a transferência de renda para a industria que gera uma força significativa na direção do aumento da concentração de renda, o motivo é simples, os trabalhadores da indústria (colarinhos azuis ou brancos) recebem salários maiores que os salários recebidos pela média dos brasileiros. Transferir recursos para a industria é transferir renda para faixas de renda mais altas, eis uma verdade inconveniente que os desenvolvimentistas se esforçam para ocultar. Infelizmente nomes bonitos, leis e teoremas não mudam a realidade, os números da PNAD mostram isto.



Bibliotecas podem digitalizar e disponibilizar livros... na Europa

European court rules that libraries can digitize books

The European Union's highest court has ruled that libraries can digitize books without the permission of copyright holders. The court argues that libraries have the right to provide free information to the public and don't need to obtain licensing if they want to make books available to users through their computer systems. 

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Libraries in Europe can now digitize books and make them available at electronic reading terminals without the permission of copyright holders, according to a ruling by The Court of Justice of the European Union.
The European Union’s (EU) highest court ruled on this issue on Thursday after it received a case in which a German university, the Technical University of Darmstadt, digitized a book but refused to obtain licensing from its publishing house, Eugen Ulmer.
The EU’s Copyright Directive grants authors and publishers the right to authorize or prohibit the reproduction of published work. But the court cited an exception to the Copyright Directive, arguing that libraries have the right to provide free information to the public, and ruled in favor of the university.
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“The right of libraries to communicate, by dedicated terminals, the works they hold in their collections would risk being rendered largely meaningless, or indeed ineffective, if they did not have an ancillary right to digitize the works in question,” the court said in a press release.

In its ruling, the court specified that while users can access digitized books for free within a library, they do not have permission to print out digitized works or download and transport them via USB stick.
The case will now return to the Federal Court of Justice of Germany, who will rule on the dispute based on the high court’s decision.  
As we previously reported, in the US, a court also recently ruled on a case involving a dispute over digitized books. In November of 2013, US Circuit Judge Denny Chin dismissed a lawsuit that the Author’s Guild brought against Google over the partial digitization of over 20 million books.
The Author’s Guild believed Google’s digitization violated “fair use” under U.S. copyright law.
“Google made unauthorized digital editions of nearly all of the world's valuable copyright-protected literature and profits from displaying those works,” Authors Guild Executive Director Paul Aiken said.
But Judge Chin ruled in favor of Google and argued that its service, Google Books, provides access of information to underserved groups who wouldn’t otherwise have it while respecting authors’ rights.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...