Como convém a um partido neobolchevique, que já coloca a reforma agrária em segundo plano...
Stédile defende radicalização do Fórum Social Mundial
Luana Lourenço - Enviada especial da Agência Brasil
Porto Alegre, 25/01/2010
A derrota do neoliberalismo não esgotou o papel do Fórum Social Mundial na busca de "outro mundo possível".
Fórum começa com aplausos em solidariedade ao Haiti
Com uma mesa eclética e que em nada lembrava a abertura do primeiro evento ocorrido dez anos atrás, a edição de 2010 do Fórum Social Mundial (FSM) foi aberta nesta manhã (25) em Porto Alegre com uma homenagem: durante um minuto, os cerca de 200 participantes do debate de abertura bateram palmas em solidariedade ao povo haitiano, afetado por um terremoto.
Ao comentar os dez anos do FSM, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedo Stédile, apontou o imperialismo como o inimigo número um das esquerdas e dos movimentos sociais e defendeu a radicalização dos FSM como espaço de mobilização social.
"Vamos abrir os olhos: não é porque derrotamos o neoliberalismo que podemos sair por aí soltando foguetes. O fórum não pode ser só espaço anti-neoliberal, precisa ser anti-imperialista", disse hoje (25) durante um seminário sobre os dez anos do FSM.
Stédile afirmou que apesar da crise financeira internacional, que pôs em xeque alguns pilares do modelo neoliberal, o mundo ainda vive sob a "hegemonia do capital", com maioria de governos de direita e domínio ideológico dos meios de comunicação.
"Eles [capitalistas] vão adequando seus métodos, se apropriando de outros modelos. Ele eram contra o Estado, mas agora na crise usaram o Estado para salvar os caixas dos bancos e das empresas".
Ao contrário do previsto na Carta de Princípios do FSM, de 2001, que diz que o fórum "não pretende ser uma instância representativa da sociedade civil mundial", na avaliação de Stédile, o FSM tem que aproveitar o caráter plural da reunião para organizar mobilizações de massa contra o imperialismo.
"O Fórum é uma espécie de concentração, de vestiário, mas não é lá que se decide o jogo. O jogo se decide dentro do campo, com a coordenação de forças e a participação popular".
No entanto, o líder do MST reconheceu que as organizações e os movimentos sociais estão passando por uma "crise ideológica", o que dificulta a articulação.
"Os projetos políticos são difusos e sem capacidade de mobilizar as massas para entrar em campo.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Um comentário:
Stédile se engana. Não há crise ideológica. Há uma crise no que diz respeito ao marxismo enquanto referência nos movimentos sociais. As referências se tornaram múltiplas e se unificam em torno de achar soluções que garatam uma melhor distribuição de renda no plano mundial... Além disso temas até então fora da pauta ganharam voz e as possíveis intervenções ainda estão em construção.
"Derrotamos o neoliberalismo", a opressão do capital, derrubar os capitalistas...são essas coisas que infelizmente tornam o FSM uma alternativa verdadeiramente inviável de formação de um bloco político internacional e popular que pressione e fomente políticas para uma melhor distribuição mundial de renda.
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