Confesso que estou ficando cansado de tantos supostos, no jornalismo e na política do Brasil.
Hoje, eu ouvi um jornalista que falava da corrupção no Governo do Distrito Federal, e confesso que o "suposto" preencheu a minha cota de supostos pelo resto do ano, e observem que estamos ouvindo "supostos" já faz um bocado de tempo, desde que o atual ciclo de corrupção começou no presente governo.
O jornalista disse que havia um "suposto dinheiro de propina paga" a não sei mais quem...
Como "suposto dinheiro"? O dinheiro era real, a propina, segundo o jornalista, é que era suposta, até prova em contrário, ou para falar a língua dos tribunais: "sentença transitada em julgado".
Essa hipocrisia do suposto ainda vai me levar a escrever um mini-tratado das suposições, ou pelo menos uma crônica irônica (rimou, mas foi involuntário) a respeito.
Algo do gênero:
Um suposto diplomata escreve, supostamente, obras de relações internacionais, talvez supostas
Um suposto personagem, que supostamente ingressou numa suposta carreira diplomática por suposto concurso, vem escrevendo, supostamente, supostos trabalhos que pretendem ser, supostamente, de relações internacionais e até mesmo de uma suposta política externa brasileira, que se supõe existir num suposto governo de um suposto Grande Líder.
Ele mantem um suposto blog e um suposto site, onde divulga trabalhos que são supostamente seus, supostamente para informar (alguns diriam para supostamente seduzir) supostos estudantes que fazem de conta que estão estudando, supostamente, claro.
Não se deve, no entanto, levar muito a sério seus supostos trabalhos, que são todos supostamente escritos de boa-fé, mas tampouco se pode excluir uma suposta motivação menos nobre, supostamente feita para confortar seu ego, que supostamente faz parte de suas supostas más-intenções.
Ele supostamente se despede, prometendo retomar trabalhos supostamente mais sérios quando supostamente deixar de apresentar cacoetes de linguagem deste tipo.
Paulo Roberto de Almeida (supostamente em 27.01.2010)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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