Calculando a ladroeira
Coluna Carlos Brickmann
Coluna de domingo, 16 de maio
Qual o custo da corrupção no Brasil? De acordo com estudo da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, pode variar entre R$ 41 bilhões e R$ 69 bilhões por ano. É mais do que se gasta em segurança pública, é metade do orçamento da saúde; e, reduzido, permitira que a renda média do brasileiro tivesse crescido uns 15% nos últimos oito anos. Os números estão explicados aqui (este colunista acha que a ladroeira é maior).
É um estudo muito interessante, especialmente nas comparações: o que poderia ser feito se a corrupção fosse menor - não se fala em corrupção zero, porque isso não existe nem onde se cumpre a lei. Seria possível aumentar em um quarto as verbas para a Educação, quase dobrar o objetivo de construção de habitações para a baixa renda, aumentar em um quinto a meta federal de construção de estradas, elevar em 89% o número de leitos do SUS, dobrar o saneamento básico.
E como combater a corrupção? O estudo da Fiesp sugere três caminhos, todos de longo prazo: limitação do poder de funcionários públicos e instituições, com a implantação de regras claras e completas; tornar a corrupção mais perigosa, até com o incentivo à delação; a realização de auditorias frequentes e o reforço do sistema judiciário; e reformas econômicas que simplifiquem os procedimentos administrativos, legais e tributários, de maneira a dificultar os atos de corrupção.
É um bom começo para, como diria o Bóris Casoy, passar o Brasil a limpo.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Stephen Kotkin is a legendary historian, currently at Hoover, previously at Princeton. Best known for his Stalin biographies, his other wor...
3 comentários:
Corrupção é um sintoma social e não uma exclusividade do Estado. Quantas pessoas e empresas procuram metódos ilícitos para pagarem um imposto de Renda menor? Quanto é sonegado?
A grande maioria dos brasileiros cultuam o consagrado "jeitinho". Basta observar o quão difícil é para a maioria dos indivíduos cumprir simples regras sociais, por exemplo, bebida e direção, ou até mesmo cumprir a velocidade estabelecida em uma rodovia. A única solução é a educação.
Sinto contradize-lo, Marcos, mas seus argumentos não se conformam com a experiência internacional. Pessoas normais tendem a achar tolerante uma taxa de "extração" de 10%, visivel. Acima disso, já começam a encontrar meios de evasão e de elisão. Não por outra razão, o sales tax americano fica, na maioria dos estados, entre 4 e 6%. Na Euroopa, com TVA acima de 15%, o incentivo à evasão também é grande, com exceção, talvez, dos países nórdicos, mas a situação lá é especialícissima e não constitui modelo para nenhum país.
Você pode refletir, tendo como base nossa carga fiscal efetiva superior a 50%, mas as pessoas não têm consciencia do que elas pagam (e os políticos mantem isso escondido).
Paulo Roberto de Almeida
Completo meu pensamento, Marcos,
Se Estado grande fosse sinal de desenvolvimento, os Estados socialistas seriam exemplos de progresso econômico, de avanço tecnológico, de prosperidade e bem-estar, e não a miséria que foram em quase todas as áreas de interesse social.
Por outro lado, uma simples análise compartiva no plano internacional demonstra que os países mais avançados não são necessariamente os que extraem muitos recursos da sociedade como o faz o brasileiro.
E não adianta vir com o exemplo dos países nórdicos, que possuem cargas fiscais próximas de 50pc. Eles não tinham essa carga quando estavam se tornando ricos e desenvolvidos e certamente não foi por causa dela que chegaram onde chegaram. Eles passaram a cobrar essa parte da renda dos cidadãos DEPOIS que se tornaram ricos e desenvolvidos, sendo países absolutamente estáveis e altamente educados, podem conviver com isso (mas tendo baixo crescimento, é bom que se diga...).
Paulo Roberto de Almeida
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