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domingo, 17 de maio de 2020

Relatório do Coaf mostra que PF sabia de movimentação de Queiroz antes da eleição de 2018 - Aguirre Talento (O Globo)

Relatório do Coaf mostra que PF sabia de movimentação de Queiroz antes da eleição de 2018

Ex-aliado de Bolsonaro, empresário Paulo Marinho relatou que delegado avisou Flávio Bolsonaro da operação que iria expor seu assessor


BRASÍLIA - Relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre casos de movimentação financeira fora do padrão de servidores da Assembleia do Rio de Janeiro (Alerj) reforça a versão divulgada pelo empresário Paulo Marinho de que a Polícia Federal sabia de irregularidades envolvendo Fabricio Queiroz, então assessor de Flávio Bolsonaro no legislativo estadual em 2018.
O documento do Coaf foi elaborado em janeiro daquele ano e enviado ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Ele faz parte da documentação que deu origem à chamada operação da PF "Furna da Onça".
Marinho declarou à Folha de S.Paulo que, em outubro de 2018, o senador Flávio Bolsonaro teria recebido informações vazadas por delegado da PF, dando conta de que Queiroz estava na mira das investigações. A operação só foi deflagrada em 8 de novembro de 2018. Na época, a PF assim resumiu o que era a apuração que acabara de sair às ruas em busca de seus alvos.
"A Polícia Federal deflagra nesta manhã (08/11) a Operação Furna da Onça*, para investigar a participação de deputados estaduais do Rio de Janeiro em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual. A Operação conta com a participação do Ministério Público Federal (MPF) e o apoio da Receita Federal", dizia a nota da PF.
O asterisco incluído no texto da PF remetia à explicação sobre o significado do nome da operação: "O nome Furna da Onça faz referência a uma sala ao lado do plenário da Alerj, onde deputados se reúnem para ter conversas reservadas, destinada às combinações secretas que resultam em decisões individuais antes das votações, momento conhecido como a hora da “onça beber água".

O relatório do Coaf de janeiro de 2018 resume o conteúdo do documento logo no início, explicando que estavam ali relacionados casos de servidores e ex-servidores da Alerj com movimentação financeira incompatível com a renda entre 2016 e 2017. O documento tem mais de 400 páginas.
LEIA MAIS:  No Rio, 19 familiares de Bolsonaro estão sob investigação do Ministério Público

Fabrício Queiroz é citado numa tabela com registro de operação fora do padrão no valor de R$ 1,2 mihão. Ao lado do nome dele aparece a indicação: "gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro". No final do relatório, a movimentação financeira apontada pelo Coaf é detalhada.

Quando a PF deflagrou a Furna da Onça, o nome de Queiroz não apareceu citado nos primeiros despachos registrados no processo. Mas o documento do Coaf que deu base à operação é indicativo que o caso dele já era de conhecimento dos investigadores.

Segundo relatou a PF na época, a Operação Furna da Onça era um desdobramento da Operação Cadeia Velha, que fora deflagrada em novembro de 2017 e cujo alvo eram irregularidades na gestão do governador Sergio Cabral. O delegado Alexandre Ramagem estava a frente desse operação de 2017. 

No início de 2018, segundo registros da PF, Ramagem foi deslocado para o setor de Recursos Humanos. No final do ano, passou a integrar a equipe de segurança do presidente eleito Jair Bolsonaro. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Como se livrar da corrupção: não vai ser fácil - Fernão Lara Mesquita

O artigo está no blog Vespeiro desde o dia 11/02/2020, e foi publicado no Estadão, o velho jornal reacionário daquela família paulista à qual pertence seu autor.
Fernão Lara Mesquita pertence àquela famosa família do jornal conservador paulista, mas eu o considero um rebelde, no limite do anarquismo. Ele fala aqui sobre como os EUA começaram a se livrar da corrupção institucionalizada nos meios políticos e empresariais. 
Acho que no Brasil vai demorar mais tempo e ser mais difícil, pela falta daquelas virtudes cívicas que se encontram num país que se caracteriza pela "Grass-roots Democracy", quando aqui no Brasil vivemos sob o patrimonialismo desde o Descobrimento. 
Recomendo uma visita ao seu blog: Vespeiro.

Paulo Roberto de Almeida

Como foi que eles conseguiram


11 de fevereiro de 2020 § 29 Comentários

Fernão Lara Mesquita, jornalista
O Vespeiro, 11/02/2020
O Estado de S. Paulo, 12/02/2020
Artigo para O Estado de S. Paulo de 11/2/2020
Todo mundo pergunta como foi que, partindo de uma situação em que tudo estava dominado” pela corrupção, os americanos conseguiram virar o jogo.
Movimento Progressista” foi uma resposta aos problemas que se tornaram agudos depois da Guerra Civil (1861-1865) que em tudo fazem lembrar os do Brasil de hoje: urbanização desordenada com multiplicação de cortiços, favelas e violência urbana; exploração vil do trabalho; usurpação dos governos das cidades por máquinas políticas corruptas altamente profissionalizadas financiadas por empresários de araque; corrida às fusões e consolidações de empresas de setores inteiros da economia concentrando a riqueza e criando grupos gigantes com poder de corrupção ilimitado (os famigerados robber barons)…
Embora todos tivessem as mesmas queixas, até meados da década de 1890 dezenas de grupos reformistas ou de protesto separados por antagonismos em torno de minucias programáticas e vaidades imensas batiam cabeças em cidades e estados diferentes sem força para mudar nada.
Quatro fatores, principalmente, concorreram para que somassem forças a partir da crise que levou ao pânico financeiro de 1893. A ação de todas as igrejas na crítica do estado de coisas e na pregação do social gospel que associava a salvação individual também à “salvação social” preparou o terreno. Mas foi a fundação da National Municipal League (NML), em 1894, amplamente financiada pelo empresariado que perdia com a corrupção, que profissionalizou a critica do sistema e a busca de alternativas pesquisando sistematicamente ao redor do mundo bons modelos de gestão das cidades, formando pessoal, prestando assessoria jurídica e legislativa e, principalmente, difundindo para o grande público as alternativas encontradas, municiando de argumentos e estruturando em rede” os movimentos reformistas do país inteiro
Também foi crucial o início de uma revolução no jornalismo americano que evoluiu do sensacionalismo e do panfletarismo partidário para o jornalismo investigativo dos repórteres revolvedores da sujeira” (muckrakers) da revista de Samuel McClure que circulou entre 1893 e 1929 e expôs os intestinos da corrupção dos robber barons dos setores de petróleo, financeiro, do aço e outros, que constituíram monopólios maquiavélicos mancomunados com os donos das ferrovias e com políticos corruptos. Foram esses jornalistas, também, que pesquisaram e difundiram persistentemente nos EUA novos métodos de combate à corrupção, especialmente as ferramentas de democracia direta usadas na Suíça.
Os muckrakers e a NML deram a contribuição decisiva para a mobilização da opinião pública numa direção consistente apoiada numa espinha dorsal de sólido conhecimento.
O elemento sorte entrou, então, decisivamente em cena pela mão de Theodore Roosevelt. Vindo de fora dos currais tradicionais da política, ele foi o primeiro político do Ocidente a compreender a força do novo jornalismo nascente. Jogando fechado” com os grandes repórteres daquela geração, começou como chefe de polícia de Nova York, foi eleito na sequência governador do estado, e logo tornou-se herói nacional ao enfrentar a máfia que dominava a política local havia décadas e controlava nacionalmente o Partido Republicano. Traído, foi esterilizado” numa candidatura à vice-presidência num golpe dos velhos caciques corruptos dentro da convenção republicana. Mas com o assassinato do presidente McKinley antes da posse TR”, aos 42 anos, carismático e orador brilhante, tornou-se, em 1901, o 26o e mais moço de todos os presidentes dos Estados Unidos, servindo até 1909.
Sua primeira providência foi reviver o Sherman Antitrust Act de 1890, engavetado pelos antecessores, regulamentar a operação das ferrovias e instituir a preservação de um grau mínimo de concorrência em cada setor em benefício do consumidor como limite legal da disputa por mercados. Ao mesmo tempo atacou forte as bases do caciquismo” que viciava a política implantando eleições primárias diretas, eleição direta de senadores (antes indicados pelos legislativos estaduais) e os direitos de recall, iniciativa e referendo popular dos atos dos Legislativos e Executivos estaduais e municipais. Essas medidas vieram de encontro aos novos modelos de gestão das cidades a partir de eleições municipais despartidarizadas promovidos pela NML, o de City Council (um conselho eleito de 5 a 7 membros executando todas as funções antes prerrogativas de prefeitos e vereadores) e o de City Manager (uma variação do mesmo sistema mas ainda mais profissionalizado) e acabaram com o poder dos velhos caciques.
TR picou” o poder econômico onde estava excessivamente concentrado e, na política, deu poder de polícia aos eleitores contra os representantes eleitos o que matou o varejo da corrupção e garantiu a constante renovação de quadrosDesde então os EUA vivem em reforma permanente mas com o povo e não os políticos dirigindo a pauta, o que explica toda a diferença de desenvolvimento, afluência e liberdade entre eles e o resto do mundo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A pilhagem TOTAL de Angola pela filha do ditador - Le Monde

La mainmise d’Isabel dos Santos sur les richesses de l’Angola

Joan Tilouine
Le Monde, 20 janvier 2020

L’enquête « Luanda Leaks » menée par le Consortium international des journalistes d’investigation, dont « Le Monde » est partenaire, révèle les montages financiers mis en place par la femme la plus riche d’Afrique, fille de l’ancien président angolais, pour accaparer l’argent de sociétés publiques du pays 

ENQUÊTE
Nous devons créer un nouveau récit pour l’Afrique. » Regard droit et voix ferme, Isabel dos Santos présente sa vision du continent aux étudiants de la prestigieuse université américaine Yale, le 13 avril 2018. L’auditoire est fasciné par le discours de la femme la plus riche d’Afrique, dont la fortune dépasse les 3 milliards de dollars. Télécommunications, banques, énergie, diamants, médias, grande distribution, immobilier… Rien n’a résisté à cette élégante quadragénaire, qui orchestre un empire économique et financier actif principalement en Angola et au Portugal.
Soucieuse de se défaire de son image d’héritière, la fille de l’ancien président angolais José Eduardo dos Santos, qui a régné sans partage de 1979 à 2017, écume les conférences internationales, en apôtre d’un afro-optimisme libéral, tendance décomplexée. Aussi à l’aise dans les conseils d’administration de sociétés qu’au sein de la jet-set, elle s’exprime sans ambages au nom de l’Afrique tout entière. Ce 13 avril 2018, à Yale, elle appelle à l’avènement d’un « nouveau système ».
Pourtant, un mois plus tôt, le ciel s’était assombri sur ses affaires. Les autorités angolaises ont ouvert une première enquête judiciaire sur des soupçons de détournement de fonds publics de 38 millions de dollars. Nommée en juin 2016 par son père à la tête de la société pétrolière publique Sonangol, Mmedos Santos est soupçonnée d’avoir détourné l’argent du contribuable au bénéfice d’une société de Dubaï, Matter Business Solutions DMCC, gérée par son conseiller financier personnel et dont l’actionnaire unique est une amie et associée portugaise de la milliardaire.
En réalité, ce sont 58 millions de dollars qui ont été transférés par Sonangol à Matter quelques heures après le limogeage d’Isabel dos Santos, le 15 novembre 2017, par le nouveau président de l’Angola, Joao Lourenço. Ce jour-là, à 19 heures, elle reçoit par courriel une confirmation de virement vers la société émiratie soupçonnée d’être une de ses caisses noires. Matter et une autre coquille enregistrée à Dubaï, toutes deux liées à Isabel dos Santos, ont ainsi perçu environ 115 millions de dollars de Sonangol entre mai et novembre 2017. 
Ces informations sont extraites des « Luanda Leaks », l’enquête menée par le Consortium international des journalistes d’investigation (ICIJ) avec 36 médias internationaux partenaires, dont Le Monde, et qui s’appuie sur la fuite de 700 000 documents. Ils jettent une lumière crue sur les pratiques corruptives présumées d’une nouvelle élite africaine, rompue aux rouages de la finance offshore.
Ces fichiers, d’abord reçus par la Plateforme de protection des lanceurs d’alerte en Afrique, dévoilent quelques-uns des secrets de la nébuleuse d’Isabel dos Santos, composée de plus de 400 sociétés identifiées dans 41 pays. Les « Luanda Leaks » sont en partie issus de la société de gestion financière d’Isabel dos Santos, établie au Portugal. Cette fuite de données, transmise anonymement, probablement issue d’un piratage informatique, surgit dans un contexte politico-judiciaire angolais propice aux manipulations.
Face à la récession qui frappe l’Angola, le nouveau chef de l’Etat, Joao Lourenço, a lancé une spectaculaire lutte anticorruption. Depuis son arrivée au pouvoir en septembre 2017, il a traqué les avoirs angolais à l’étranger et n’a pas épargné le clan dos Santos. La « princesse » de Luanda, ainsi qu’est surnommée Isabel dos Santos, dénonce une « chasse aux sorcières politisée », peste contre des accusations « fabriquées » et fulmine contre le successeur de son père.

Saisie préventive des comptes

« On est comme des moutons dans le couloir de l’abattoir », déclare au Monde Sindika Dokolo, son époux et associé. A 46 ans, l’homme d’affaires danois d’origine congolaise, lui aussi héritier d’un empire familial encouragé puis démantelé par Mobutu Sese Seko au Zaïre (actuelle République démocratique du Congo), parle plus volontiers de sa collection d’art que de ses sociétés offshore. Fin décembre 2019, la justice angolaise a ordonné la saisie préventive des comptes et des actifs d’Isabel dos Santos et Sindika Dokolo, accusés d’avoir détourné 1 milliard de dollars des caisses de l’Etat. Au Portugal comme à Monaco, le parquet général vient par ailleurs d’ouvrir une enquête pour blanchiment d’argent public.
Alors, le couple a entamé une cavale de luxe entre Londres, Barcelone – où s’est finalement installé l’ancien président José Eduardo dos Santos et père d’Isabel – et Dubaï. Il regrette subitement l’ancien « système »népotique et kleptocratique qui lui garantissait un accès privilégié aux milliards de pétrodollars de l’Etat.
Née à Bakou en 1973, alors en Union soviétique, où son père poursuivait ses études, diplômée en ingénierie de King’s College, à Londres, à 21 ans, Isabel dos Santos parle six langues et s’essaie très tôt aux affaires dans un Angola encore plongé dans la guerre civile (1975-2002). Outre un restaurant au bord de la plage, à Luanda, elle s’essaye au négoce de diamants, dès le début des années 2000, par le biais d’une société enregistrée à Gibraltar.
Aux côtés de sa mère, Tatiana Sergueïevna Koukanova Regan, ingénieure russe passée par Sonangol, elle se voit octroyer par la présidence 24,5 % des parts de la société qui a le monopole sur les pierres précieuses, puis 25 % de participation dans Unitel. Joyau de son empire, le plus important opérateur de télécommunications d’Angola, surnommé « Isatel », revendique désormais 11 millions de clients et 3 500 emplois directs.
Après vingt-sept ans de guerre civile, le pays, porté par une croissance phénoménale, se reconstruit, bénéficiant de la hausse des prix de l’or noir, dont l’Angola est le deuxième producteur d’Afrique subsaharienne. C’est à cette période que des dizaines de milliards de pétrodollars disparaissent des caisses de l’Etat, pendant que plus de la moitié des Angolais survit avec moins de 2 dollars par jour.
On ne refuse alors rien à la fille du chef de l’Etat qui élabore dans l’ombre un schéma d’accaparement des richesses publiques, comme le montrent les « Luanda Leaks ». Grâce à la bienveillance de son père, elle s’associe le plus souvent à des entreprises d’Etat qui lui apportent de l’argent du contribuable angolais ou qui empruntent dans des banques qu’elle contrôle. Avec ces fonds, Isabel dos Santos et son époux se chargent d’établir des joint-ventures qu’ils intègrent dans leurs circuits financiers offshore sophistiqués. Ceux-ci sont activés, officiellement pour faire fructifier l’investissement de ses partenaires publics, qui se disent privés des dividendes. Puis les sociétés publiques sont éjectées de l’affaire sans toujours être remboursées.

Stratagème financier

C’est ainsi qu’en 2005 la Sonangol investit 200 millions de dollars dans un joint-venture créé avec le couple, en 2005. Objectif : acquérir des parts du géant pétrolier portugais Galp. Pour ce faire, ils créent Esperaza, dont le capital se répartit entre Exem, la holding suisse de Sindika Dokolo, et Sonangol, majoritaire. Sauf que, rapidement, la société pétrolière publique se dit tenue à l’écart.
Son époux rachète pourtant encore à Sonangol pour 75 millions d’euros les parts détenues dans l’entreprise pétrolière portugaise Galp. Belle affaire que cette acquisition, dont l’actif est plutôt évalué à 340 millions d’euros. Cette fois, l’opération se fait par une société néerlandaise contrôlée par le couple, Exem Energy BV, qui ne règle que 11 millions d’euros. Le reste est transformé en un prêt qui n’aurait pas été remboursé, selon Sonangol. « Exem a accepté la condition selon laquelle le remboursement serait effectué en kwanzas [la monnaie angolaise] au lieu d’euros lors d’un accord écrit et validé par le PDG de la Sonangol, fait savoir M. Dokolo par le biais de ses avocats. Exem a remboursé l’intégralité du prêt, y compris les intérêts, le 13 octobre 2017. »
Ces 40 % détenus dans Galp n’ont cessé de prendre de la valeur. Isabel dos Santos et Sindika Dokolo pourraient bien avoir réalisé une jolie opération sans avoir investi un euro de leur poche. « L’investissement commun était de 195 millions d’euros. Aujourd’hui, cet actif vaut 1,7 milliard. Cet investissement a généré un grand rendement pour toutes les parties qui ont investi », réplique Isabel dos Santos.
Son stratagème financier va plus loin. Selon les « Luanda Leaks », Isabel dos Santos va s’accaparer les 126 millions d’euros de dividendes d’Esperaza versés par Galp à ses actionnaires angolais. Sonangol n’a pas de retour sur son investissement et ignore que les dividendes ont discrètement été placés sur un compte bancaire à la Deutsche Bank. Lorsque cette banque se rend compte que le clan dos Santos se cache derrière Esperaza, elle décide de bloquer des transactions. Les fonds sont alors placés à la banque portugaise BIC (devenue Euro Bic), dont Isabel dos Santos détient alors 45 % des parts. Ensuite, l’argent est transféré sur un compte ouvert dans la filiale de l’établissement au Cap-Vert, où les moyens pour lutter contre le blanchiment sont faibles, selon les analystes. « A la demande de Sonangol, Esperaza s’est abstenu de verser des dividendes, car cela aurait provoqué une importante retenue fiscale, vu qu’il n’y a pas d’accord de non-double taxation en place », se défend M. Dokolo.
Ce qui ressemble à une manipulation financière imposée à Sonangol a été largement dupliqué par le couple avec d’autres entreprises publiques angolaises, comme dans le secteur du diamant, prisé par M. Dokolo. Dandy flamboyant, il s’offre des voitures de luxe et profite, avec son épouse, de leur yacht privé et de leurs propriétés à Luanda, à Monaco, à Dubaï, à Lisbonne…
Isabel dos Santos, elle, développe Unitel, son opérateur de télécoms, à sa manière. Elle a ainsi accordé, entre mai 2012 et août 2013, selon les « Luanda Leaks », 7 prêts à des conditions préférentielles pour un montant total d’environ 450 millions de dollars à une autre de ses sociétés néerlandaises, Unitel International Holdings (ex-Jadeium). Malgré son nom trompeur, cette entité n’a aucun lien avec le groupe de télécommunications. En tant que présidente du conseil d’administration d’Unitel, la milliardaire n’a pas consulté les trois autres actionnaires que sont la compagnie pétrolière Sonangol, le groupe brésilien Oi (à travers sa filiale portugaise PT Ventures) et la société Geni, propriété d’une autre figure de proue du réseau clientéliste du clan dos Santos : Leopoldino Fragoso do Nascimento, alias « Général Dino ».

Opération de « pillage »

Dans les « Luanda Leaks », ce dernier se révèle être un soutien indéfectible de la fille du chef de l’Etat. Comme lorsqu’elle doit faire face au représentant de PT Ventures qui s’interroge, en conseil d’administration, sur ces prêts « non approuvés », selon le compte rendu de réunion du 12 juin 2013 adressé à Isabel dos Santos. Cinq mois plus tard, PT Ventures vote contre la validation des comptes du groupe. Mais la dette d’Unitel International Holdings a déjà été revendue cette même année par Isabel dos Santos à une autre société fictive de « conseil », Tokeyna, établie aux îles Vierges britanniques, pour 150 millions de dollars.
Ce qui a provoqué la perte de plus de 300 millions de dollars pour l’opérateur, selon PT Ventures, qui qualifie cette opération de « pillage » et s’est tourné vers la justice arbitrale. « Unitel est financé par le secteur privé et n’a pas recours aux fonds publics »,rétorquent les avocats américains d’Isabel dos Santos, qui précisent que « Tokeyna est intégralement détenue par Unitel, pour qui elle n’a généré aucune perte ». Début 2019, Isabel dos Santos a été condamnée à régler 650 millions de dollars à PT Ventures, qui s’estime aussi lésé de dividendes. Selon les « Luanda Leaks », Isabel dos Santos a pu bénéficier de plus de 1 milliard de dollars au total de dividendes et de prêts préférentiels de la part d’Unitel.
« Certaines choses dont vous nous accusez ne sont même pas illégales dans le droit angolais », rétorque M. Dokolo. Revient cette phrase qu’il avait prononcée lors d’un entretien accordé au Monde en 2017 sur les soupçons qui pesaient déjà sur lui : « Je préfère que la richesse du continent revienne à un Noir corrompu plutôt qu’à un Blanc néocolonialiste. » Contactée par Le Monde et ICIJ, Mme dos Santos nie tout « acte répréhensible », ne voyant « aucun mal à ce qu’un Angolais ait un joint-venture avec une entreprise d’Etat ». José Eduardo dos Santos, 77 ans, établi dans l’une de ses propriétés de Barcelone, où il reçoit des soins médicaux, n’a pas souhaité réagir.
Grâce à ces circuits complexes qui ont pu permettre d’aspirer l’argent du contribuable angolais, le couple a développé ses projets toujours présentés comme « inspirants » pour l’Afrique. Isabel dos Santos devait une fois de plus raconter son histoire au Forum économique mondial de Davos, en Suisse, qui se tient du 21 au 24 janvier. Sa venue, comme dirigeante d’Unitel, a finalement été annulée. Le« nouveau récit » imaginé par Isabel dos Santos se réécrit sur le terrain judiciaire, en Angola comme en Europe. Cette fois, elle ne tient plus la plume.
La croisade sélective du président Lourenço contre la corruption
Joan Tilouine
Depuis son arrivée à la tête de l’Angola, en septembre 2017, le président Joao Lourenço réduit méthodiquement l’emprise du clan de son prédécesseur, José Eduardo dos Santos, dont il fut le dernier ministre de la défense. Général à la retraite de 65 ans formé en Union soviétique, « JLo » a évolué au cœur du Mouvement populaire de libération de l’Angola (MPLA), le tout-puissant parti-Etat au pouvoir depuis l’indépendance, en 1975. Il en a arraché, fin 2018, la présidence à dos Santos, qui a vu les membres de son clan, riches à milliards, se retrouver éjectés du parti, en exil ou dans les filets de la justice angolaise.
Fragilisé par une profonde crise économique, le nouveau régime s’est lancé dans une vaste lutte anticorruption, qui a l’avantage de dépecer l’empire de son prédécesseur, tout en améliorant sa crédibilité auprès des partenaires occidentaux et des institutions financières.
« Joao Lourenço était perçu par le bureau politique du MPLA comme celui qui pourrait sauver l’héritage politique d’un parti qui se considère comme le seul représentant légitime de la nation angolaise. Et ainsi conserver le pouvoir et les énormes ressources financières de l’Etat », commente Didier Péclard, analyste politique au Global Studies Institute de l’université de Genève.
Reste que José Eduardo dos Santos « a franchi une ligne rouge au milieu des années 2000, lorsqu’il a substitué son clan “biologique”, sa famille directe, au clan politique au sein duquel s’étaient jusque-là répartis des postes-clés de l’Etat et de l’économie. Isabel dos Santos, elle, illustre la relation d’amour-haine que de nombreux Angolais ont à l’égard du clan dos Santos : si elle a pu incarner une certaine fierté nationale par sa réussite, notamment en rachetant des parts importantes de fleurons de l’économie de l’ancienne puissance coloniale, elle est surtout devenue le symbole le plus évident de la corruption et du népotisme du régime dos Santos ».

Assainir l’économie

Cette croisade contre la corruption semble néanmoins nécessaire pour assainir l’économie et rapatrier des fonds détournés. Elle reste toutefois sélective et épargne quelques figures du MPLA et de richissimes caciques ralliés à Joao Lourenço. D’autres généraux milliardaires ont choisi de négocier une restitution des avoirs, et 5 milliards de dollars ont été récupérés en deux ans. M. Lourenço pourrait bien réorganiser à son profit une élite recomposée, tant au MPLA que chez des opérateurs économiques qui vont se voir distribuer les actifs saisis et les contrats rompus avec Isabel dos Santos.
« Ce qui montre l’ambiguïté de la lutte anticorruption, qui n’a pour l’instant pas de retombées directes sur une population qui s’appauvrit et n’induit pas forcément plus de démocratisation », constate Fernando Macedo, chercheur à l’université Luisada d’Angola. Dans la tourmente, Isabel dos Santos a fait savoir qu’elle n’excluait pas de se présenter à la présidentielle de 2022. D’ici là, elle devrait être jugée.
Ce qu’il faut savoir
L’enquête Les « Luanda Leaks », menés par le Consortium international de journalistes d’investigation, avec 36 médias internationaux partenaires, dont Le Monde, la BBC, le Guardian et le New York Times, s’appuient sur la fuite de plus de 700 000 documents.
Les documents Ces fichiers révèlent les coulisses de l’empire financier d’Isabel dos Santos, la fille de l’ancien président angolais, et de son époux, Sindika Dokolo. Ils jettent une lumière crue sur les pratiques de corruption présumées d’une nouvelle élite africaine, rompue aux rouages de la finance offshore
Les révélations Les « Luanda Leaks » dévoilent aussi la complaisance d’acteurs occidentaux tels que des banques et les plus grands cabinets d’audit et de conseil qui ont facilité le « pillage » présumé. Sans leurs services, l’empire financier d’Isabel dos Santos, femme la plus riche d’Afrique, n’aurait pu exister.

La plage Areia Branca, un paradis sacrifié à l’immobilier de luxe

Will Fitzgibbon (Icij) Et J. T.
Les pêcheurs vivant sur l’un des plus beaux sites de Luanda ont été expulsés de leurs cabanes au profit d’un plan d’urbanisme plus lucratif
LUANDA - envoyés spéciaux
Pendant un demi-siècle, Areia Branca a abrité une communauté de modestes pêcheurs. Le campement urbain s’était développé au bord d’une des plus belles plages de Luanda, autorisant quelques milliers de familles à vivre là, sur le sable blanc (areia branca en portugais), cohabitant harmonieusement avec les nantis des tours modernes de la riviera voisine. Jusqu’au jour où la plus fortunée d’entre eux, Isabel dos Santos, a voulu repenser l’urbanisme de sa capitale, une des villes les plus chères au monde.
Le 1er juin 2013, à l’aube, des escadrons de police et de la garde présidentielle ont débarqué. Les habitants, qui ignoraient que la présidence était devenue propriétaire du lieu, se sont retrouvés encerclés. Leurs cabanes ont disparu sous les pelleteuses, leurs biens jetés à la mer et les quelques récalcitrants battus et menottés, selon un rapport de l’ONG SOS Habitat de Luanda. Talita Miguel, une institutrice de la communauté, se souvient comment « ils nous ont imposé de rester sept jours au milieu de nos cases en ruine »,indésirables et sans le sou.
En coulisses, Urbinveste, la société de gestion de projets d’Isabel dos Santos, s’est vu octroyer par l’Etat angolais – dirigé par son père, José Eduardo dos Santos (1979-2017) – plusieurs centaines de millions de dollars de contrats afin de participer au plan de rénovation urbaine. D’après les brochures du projet à 1,3 milliard de dollars, la capitale angolaise allait devenir « la première destination touristique d’Afrique » avec marina, hôtels, maisons de luxe et tramway. La ville nouvelle allait créer de l’emploi, apporter des recettes fiscales et une valorisation significative du prix des terrains.
Urbinveste n’emploie pourtant que peu d’architectes ou d’urbanistes. La moitié de ses salariés sont agents de sécurité ou chauffeurs, indiquent des documents internes, car l’entreprise d’Isabel dos Santos sous-traite. « Urbinveste était une porte d’entrée pour les entreprises étrangères, constate Chloé Buire, géographe au CNRS. En Angola, rien ne pouvait alors se passer sans partenaire local. »
Pour renforcer sa crédibilité, la milliardaire a recours à des prestataires de renom comme le géant britannique Broadway Malyan, ou la société néerlandaise de dragage et de conception d’îles artificielles Van Oord. Selon des accords confidentiels, Urbinveste « assure la liaison » avec les autorités angolaises, et fait valoir son accès privilégié aux fonds publics.

Compte en dollars au Cap-Vert

Pour crédibiliser l’opération, Isabel dos Santos s’implique même en personne. En janvier 2014, elle se rend au siège de Van Oord à Rotterdam pour une présentation des relevés topographiques, quelques mois après la brutale évacuation d’Areia Branca dont la société néerlandaise dit alors ne pas avoir connaissance. Plus tard, le gouvernement angolais octroie un contrat à Urbinveste qui sous-traite à Van Oord pour 188 millions de dollars une mission de dragage et de valorisation des terres comprenant Areia Branca. La société d’Isabel dos Santos empoche 15 millions de dollars au passage.
Comme à son habitude, la milliardaire s’offre aussi les expertises des plus grands cabinets de conseil et d’audit. KPMG rédige, en 2015, une analyse et PricewaterhouseCoopers va jusqu’à suggérer à Urbinveste de créer une société-écran à Dubaï. En fait, les « Luanda Leaks », révélés par le Consortium international de journalistes d’investigation dont Le Monde est partenaire, montrent que la société angolaise préfère ouvrir un compte bancaire en dollars au Cap-Vert, dans la filiale locale de la banque portugaise BIC dont Isabel dos Santos est actionnaire. En 2017, la « princesse » de Luanda y transfère quelques millions de dollars et pour varier les formules, Urbinveste demande aussi la même année à Van Oord de reverser plus de 9 millions de dollars à une société des Seychelles appartenant à un proche de Sindika Dokolo, l’époux d’Isabel dos Santos.
Début 2019, le nouveau président angolais, Joao Lourenço rompt ces contrats et dénonce les surfacturations d’Urbinveste. « C’était en fait un programme d’infrastructures qui omettait de penser aux gens et voulait faire de Luanda un Dubaï africain. Sauf que nous avons des millions de pauvres et quelques riches qui rêvent », déplore Mario Rui Pinto Pires, ancien secrétaire d’Etat pour les investissements publics (2012-2015).
Aujourd’hui, la plage Areia Branca est vide. Des centaines de familles expulsées survivent depuis cinq ans à quelques centaines de mètres, dans le quartier de Povoado da Correia. Dans ce bidonville de bord de mer, jusqu’à huit familles s’entassent dans un seul galetas, à la merci des moustiques, des inondations récurrentes ; victimes de la typhoïde, des diarrhées et autres infections.
Talita Miguel, l’ex-institutrice devenue chef de file communautaire de « Povoado », rumine sa colère contre Isabel dos Santos. « Si elle a gagné son argent honnêtement, alors qu’elle vienne nous aider. Si elle a volé cet argent à l’Etat, qu’elle le rende. Mais dans tous les cas, elle doit revenir pour voir le mal qu’elle a fait. » A travers ses avocats, Isabel dos Santos dément tout rôle « dans l’oppression et le déplacement de résidents angolais à Areia Branca ou ailleurs ».
Elle a quitté l’Angola en 2018 et cette même année, les habitants ont écrit au président Lourenço dont ils peuvent apercevoir le palais depuis leur bidonville. Dans ce courrier resté sans réponse, ils décrivent une « situation très difficile » car « la maladie et la mort sont constantes ». Le régime dos Santos les a brutalisés. Son successeur préfère les ignorer.

Visite prochaine de Macron en Angola

Le président Emmanuel Macron a prévu de se rendre en Angola en ce début d’année. La politique africaine de la France tente non sans mal de prendre du recul à l’égard de ses anciennes colonies, pour s’orienter vers les véritables puissances politiques, économiques et militaires d’Afrique subsaharienne comme le Nigeria, l’Afrique du Sud, l’Ethiopie et l’Angola, avec qui les relations ont longtemps été tendues à cause, notamment, du scandale politico-judiciaire des ventes d’armes à l’Angola. En mai 2018, le nouveau président du pays, Joao Lourenço, avait réservé sa première visite officielle en Europe à la France, qui a ensuite recouru à lui pour tenter de peser indirectement sur la politique régionale.

Comment l’héritière a accaparé la société pétrolière Sonangol

Joan Tilouine
Isabel dos Santos a orchestré la réorganisation de l’entreprise publique à son avantage, avant d’en prendre la tête
Sonangol n’est pas une société pétrolière publique comme les autres. Pour le régime angolais de l’ex-président José Eduardo dos Santos, elle a été une sorte d’Etat parallèle, une formidable caisse noire et le poumon de l’économie angolaise.
L’or noir, malgré les vaines tentatives de diversification, assure plus de 90 % des revenus d’exportation. Et la Sonangol a longtemps été un modèle sur le continent africain, avant de se muer progressivement en « monstre » bureaucratique et financier incontrôlable, avec ses dizaines de filiales – et de participations – dans d’autres secteurs de l’économie.
En octobre 2015, près d’un an après la chute brutale du cours du pétrole qui précipite l’Angola dans la crise, un comité chargé de restructurer le secteur est créé par décret présidentiel. Il avait auparavant été relu et « amendé » par la fille du chef de l’Etat d’alors, Isabel dos Santos, et ses avocats portugais, selon un e-mail contenu dans les « Luanda Leaks ». Le 15 décembre 2015, elle s’impose en effet comme une super-consultante pour coordonner le nouveau comité chargé du « projet Solange » de restructuration de la Sonangol.

Intermédiaire

Le ministère angolais des finances signe ainsi un contrat de consultance de 8,5 millions de dollars avec Wise Intelligence Solutions Ltd, une société détenue par Wise Intelligence Solutions Holding Limited, établies à Malte. A la tête de ces deux entités, se trouve Mario da Silva, un gestionnaire de fortune portugais et prête-nom d’Isabel dos Santos, qui détient la totalité des parts de la holding Wise avec son époux, Sindika Dokolo.
Wise n’a qu’un seul client, le gouvernement angolais, mais pas de « ressources humaines ni [de] savoir-faire spécifique », souligne son comptable maltais dans un e-mail interne. Pas de quoi angoisser Isabel dos Santos, qui va sous-traiter les réflexions sur la réorganisation de l’une des plus grandes sociétés pétrolières d’Afrique.
La revoilà dans un rôle qu’elle maîtrise à merveille : intermédiaire entre les entreprises publiques ou les ministères dirigés par des serviteurs de son père et des multinationales du conseil réputées.
La milliardaire se tourne vers le bureau portugais du cabinet de stratégie Boston Consulting Group (BCG), à qui elle octroie dès décembre 2015 un contrat de 3,3 millions d’euros. Le géant du conseil ne pose pas de questions sur Wise. PricewaterhouseCoopers se voit aussi confier une « consultance financière et fiscale » pour le projet Solange, facturée 240 000 euros. Pour les questions juridiques, Isabel dos Santos s’attache les services d’un grand cabinet d’avocats portugais rémunéré près de 120 000 euros.

Critiques des opérateurs

Le travail des consultants centralisé par Wise est validé par le comité, et un décret présidentiel officialise en mai 2016 la réorganisation du secteur pétrolier. Toutefois, le plan de réforme est qualifié de « confus »par les analystes de l’Oxford Institute for Energy Studies, qui doutent de sa mise en œuvre à court terme. Le mois suivant, Isabel dos Santos est nommée à la tête de la Sonangol, ultime accaparement du clan présidentiel.
Sa gestion de la société pétrolière publique, dont les revenus sont passés de 24,6 milliards à 15,3 milliards de dollars entre 2014 et 2016, suscite les critiques des opérateurs. « Pour la première fois dans l’histoire de l’Angola, les sociétés d’exploitation pétrolière ont demandé un entretien collectif avec le chef de l’Etat pour expliquer comment faire pour que l’industrie fonctionne », dit José Oliveira, consultant pétrolier angolais.
La société maltaise Wise transfère le 22 mai 2017 son contrat de consultance à Ironsea Consulting DMCC. Etablie à Dubaï, l’entreprise a pour actionnaire unique la Portugaise Paula Oliveira, l’amie intime et associée d’Isabel dos Santos. Le manageur reste Mario da Silva, principal gestionnaire des affaires de la fille du président. « Il a été jugé important d’assurer la bonne continuité de la fourniture des services et de la coordination de l’équipe de consultants », se défend Isabel dos Santos.
Le lendemain, cette société se voit attribuer un premier contrat par la filiale britannique de la Sonangol, chargée par Isabel dos Santos de régler les dépenses de consultance, et perçoit 2,3 millions de dollars le 29 mai 2017. Puis Ironsea change de nom deux mois plus tard pour devenir Matter Business Solutions, qui signe un contrat le 10 novembre 2017 avec la Sonangol. Entre mai et novembre 2017, Ironsea et Matter ont ainsi perçu environ 115 millions de dollars de la société pétrolière pour du conseil, selon les « Luanda Leaks ».

Les connexions portugaises d’Isabel dos Santos

Le siège de l’entreprise de télécoms NOS, dans laquelle Isabel dos Santos a des parts, à Lisbonne, en 2017. HORACIO VILLALOBOS/GETTY IMAGES
Claire Gatinois
La fille de l’ex-président angolais a multiplié les investissements dans l’ancienne puissance coloniale
REPORTAGELISBONNE - envoyée spéciale
L’édifice de verre et de béton s’impose au milieu de la rue Antonio-de-Aguiar, attribut assumé de ces grandes fortunes éprises de confort moderne et de sécurité. C’est ici, dans le centre de Lisbonne, face au parc Eduardo-VII, que les restaurateurs désignent maladroitement comme le « Central Park » de la capitale portugaise, que l’on devine, aux 8e et 9e étages, un duplex de quelque 737 m2, dont près de 150 de terrasse. Un appartement dont a fait l’acquisition la « princesse », Isabel dos Santos, fille aînée de l’ancien président angolais, José Eduardo dos Santos, avec son époux, l’homme d’affaires et collectionneur congolais Sindika Dokolo.
Selon les données obtenues grâce aux « Luanda Leaks », l’achat, pour 3,8 millions d’euros, a été réalisé en deux étapes, en 2006 et 2012, par le biais d’une société du Delaware, le paradis fiscal américain, représentée par l’avocat portugais Antonio Frutuoso de Melo – qui n’a pas souhaité répondre à nos questions. Si l’acquisition obéit à toutes les règles d’opacité propres aux investissements de celle que l’on désigne comme la femme la plus riche d’Afrique, il ne fait guère de doute qu’Isabel dos Santos est à l’origine de la transaction. Une affaire qui, dès 2007, attira les soupçons de la justice portugaise et l’intérêt de la presse. En vain.
Ici, on ne connaît pas « cette dame », ou on fait mine d’ignorer son existence. A l’entrée de la résidence, deux domestiques employées dans l’immeuble disent n’avoir jamais croisé la fille de l’homme qui a gouverné l’Angola plus de trente-huit ans. Un vieux monsieur élégant nous le confirme. Tous savent que « la princesse » possède un appartement gigantesque, mais personne ne l’a jamais aperçue, seule ou en famille. De fait, Isabel dos Santos, 46 ans, à la tête d’une fortune estimée par Forbes à plus de 3 milliards de dollars, n’aime guère résider dans son penthouse. Elle lui préfère l’Hôtel Ritz-Four Seasons, à un jet de pierre de là.

« Agressif et sans scrupule »

Depuis une quinzaine d’années, la milliardaire angolaise est, au Portugal, une figure dont le nom suffit à provoquer l’embarras. « Vedette des investissements », elle a bâti un empire dans l’ex-puissance coloniale, devenant actionnaire stratégique, en prenant des positions chez les poids lourds de l’économie portugaise. On la retrouve dans le pétrole, chez Galp, dans les télécoms, chez NOS, au sein de la banque EuroBic ou dans le groupe d’énergie Efacec. En 2017, elle a dû se défaire de sa participation dans la banque portugaise Banco BPI, rachetée par CaixaBank, sous la pression de la Banque centrale européenne, mal à l’aise avec la filiale angolaise.
Amoureuse de Lisbonne, la fille de l’ex-chef d’Etat gère, depuis la capitale, l’essentiel de son business. Elle a ses habitudes au restaurant Pinoquio, proche de la rua da Liberdade où, au n90, entre deux boutiques de luxe, officie son bras droit, Mario Leite da Silva. Là, cet économiste formé à Porto, décrit comme « un bosseur, agressif et sans scrupule », dirige pas moins d’une quarantaine de sociétés liées à Mme dos Santos. A quelques centaines de mètres de là se trouve aussi le cabinet d’avocats, Uria Menendez-Proença de Carvalho. Une institution dans le pays qui doit notamment son nom à Daniel Proença de Carvalho, un fidèle parmi les fidèles d’Isabel dos Santos, aujourd’hui à la retraite. Défenseur « brillantissime », il aurait « rendu les choses possibles » pour la fille de José Eduardo dos Santos, confie l’un de ses confrères. Le cabinet emploie également Jorge Brito Pereira, un avocat décrit comme un « fixeur », au sens anglo-saxon du terme, capable de résoudre tout type de problèmes et présent au conseil d’administration d’une douzaine de compagnies liées à la femme d’affaires.
« Isabel dos Santos n’est pas, contrairement à ce que l’on dit, une entrepreneuse, mais une investisseuse qui sait s’entourer des meilleurs », observe une source proche de la milliardaire. Elle s’attache les services des plus grands consultants et avocats de la place lisboète, notamment les membres des plus prestigieux cabinets d’avocats d’affaires, « facilitateurs » de son business, et parfois d’hommes de paille. Pour s’attaquer à l’industrie pétrolière portugaise, elle s’associe aussi, au début des années 2000, avec l’homme le plus riche du pays, et l’une des figures les plus respectées du business lisboète : Américo Amorim. Un self-made-man, mort en 2017, qui a bâti son empire sur l’industrie du liège. « Américo Amorim a permis à Isabel dos Santos de s’acheter une crédibilité », atteste Francisco Louça, auteur d’Os Donos Angolanos de Portugal (« les propriétaires angolais du Portugal », 2016, non traduit).
Régulièrement surgissent des soupçons sur la provenance de son argent. Mais le pays ferme pudiquement les yeux. « Tous les régimes politiques portugais, de gauche comme de droite, ont entretenu des relations de collusion avec l’Angola », souligne l’analyste Mathias de Alencastro, auteur d’une thèse en 2015 sur les diamants de l’Angola. Parmi ses appuis politiques, discrets ou explicites, se trouve José Socrates, premier ministre socialiste de 2005 à 2011, poursuivi pour corruption ; Paulo Portas, homme de droite, ancien vice-premier ministre ; ou encore le très libéral Jose Manuel Barroso, ex-premier ministre et ancien président de la Commission européenne. Ce dernier, consultant depuis 2016 auprès de la banque d’affaires Goldman Sachs, comptait parmi les convives du mariage de Tchizé, la demi-sœur d’Isabel dos Santos, mais assure « ne pas connaître plus que ça » la famille.

« Le retour des caravelles »

La crise de 2010 jette une lumière crue sur cette proximité. Quand le baril de pétrole à plus de 100 dollars enivre l’élite angolaise, l’économie de l’ancienne puissance coloniale, un genou à terre, est en mal de capitaux. Le Portugal vend ses actifs à tour de bras et envoie ses jeunes diplômés promis au chômage faire fortune à Luanda, tandis que l’avenue de la Liberdade, pavée de boutiques allant de Cartier à Louis Vuitton, est rebaptisée « l’avenue des Angolais ». « C’est le retour des caravelles », titrent les médias portugais évoquant le « colonisateur colonisé ».
Isabel dos Santos multiplie alors les investissements, sans que les gouvernements de Pedro Passos Coelho (2011-2015, centre droit) ou d’Antonio Costa (depuis 2015, socialiste) osent s’indigner. Le pouvoir va jusqu’à « s’excuser » en 2013 auprès de « son pays frère » d’une série d’enquêtes visant la provenance de fonds angolais, alors qu’un scandale met au jour la corruption d’un juge pour enterrer une affaire visant Manuel Vicente, ex-vice-président angolais.
La société portugaise se scandalise. Et Ana Gomes, ex-eurodéputée, membre du Parti socialiste, se lance seule en croisade contre « l’argent sale » d’Isabel dos Santos, suivie depuis quelques mois en Angola par M. Lourenço, successeur de José Eduardo dos Santos. Cernée, depuis quelques semaines, par la justice angolaise et portugaise, Isabel dos Santos, qui n’exclut pas une candidature à la présidence angolaise en 2022, crie à la persécution politique. « Rien de ceci n’est innocent », a-t-elle lancé, mercredi 15 janvier, lors d’un entretien à la télévision portugaise RTP3, accusant Joao Lourenço d’avoir orchestré une campagne contre elle avec l’aide d’une société basée à Malte et de trois consultants portugais. « L’affaire Isabel dos Santos n’est pas une affaire angolaise, mais une affaire portugaise », résume M. de Alencastro.
L’emprise du clan sur les diamants de l’Angola
Joan TilouineAvec Sylvain Besson (Tamédia)
Le rachat du joaillier suisse De Grisogono, en 2012, avec des fonds publics, a tourné au désastre pour Luanda
Après avoir contribué à financer la guerre civile, les diamants de l’Angola, cinquième producteurmondial, ont profité au vainqueur. Le clan dos Santos s’est réparti certaines des plus importantes mines du nord du pays, et a exercé une mainmise sur ce secteur qui rapporte plus de 1 milliard de dollars par an à l’Etat.
Pourtant, la production et la commercialisation par la société diamantifère publique, Sodiam, ne suffisait pas à Isabel dos Santos et à son époux Sindika Dokolo. Amateur d’art et de luxe, le couple a secrètement acheté en 2012 le joaillier suisse De Grisogono, pour 25 millions d’euros. Fondée en 1993, la maison connaît alors des pertes endémiques, qui donnent un air de bienvenue aux millions de dollars du couple. En réalité, c’est de l’argent de l’Etat angolais.
Selon les « Luanda Leaks », révélés par le Consortium international de journalistes d’investigation (ICIJ), dont Le Monde est partenaire, ce qu’aurait investi M. Dokolo dans De Grisogono provient principalement de Sodiam, donc des fonds publics angolais. L’entreprise étatique a dû commencer par emprunter 120 millions de dollars à la banque BIC, dont Isabel dos Santos détient des parts, avant d’injecter 130 millions d’euros dansVictoria Holding Limited, société maltaise utilisée pour racheter le capital du joaillier genevois.
Masqué par un montage financier en cascade, M. Dokolo n’apparaît pas directement, mais les « Luanda Leaks » révèlent que sa holding suisse, Exem Holding AG, est actionnaire unique d’une société enregistrée aux Pays-Bas, Melbourne Investments BV, utilisée pour acquérir 50 % des parts de Victoria Holding Limited. M. Dokolo, qui n’a initialement investi que 4 millions de dollars (3,6 millions d’euros) s’est rémunéré à travers une de ses sociétés de conseil établie aux îles Vierges britanniques : 5 millions de dollars en honoraires pour avoir facilité le rachat de De Grisogono.

Eponger les dettes

« M. Dokolo a investi ses propres fonds, environ 115 millions de dollars en capital », insiste son avocat américain. Il pourrait être l’investisseur privé qui a mis 104 millions de dollars, selon un document confidentiel d’octobre 2017 de Sodiam. Dans les « Luanda Leaks », des documents pourraient situer son investissement à 90 millions de dollars, issus de quatre prêts accordés par la banque BIC.
La société publique angolaise, elle, va se résigner à injecter chaque année les 20 millions à 30 millions d’euros nécessaires pour éponger les dettes de la maison genevoise, qui enregistre des pertes cumulées de plus de 110 millions d’euros, de 2011 à 2016. Même le ministère des finances angolais va investir 12,5 millions de dollars dans De Grisogono, qui continue malgré tout à perdre de l’argent.
Dépourvu d’expérience dans le secteur de la haute joaillerie, tout comme les consultants portugais de Boston Consulting Group qu’il a fait recruter, le couple angolais tente vainement de redresser l’entreprise. Selon certains documents internes, Isabel dos Santos serait codétentrice de Victoria Holding, ce qu’elle dément.
M. Dokolo, dont le père avait contribué à libéraliser le secteur du diamant au Zaïre (actuelle République démocratique du Congo) sous Mobutu dans les années 1980, pense avoir hérité d’un certain savoir-faire diamantifère et voit les choses en grand. « Il n’y a pas un Noir fort et légitime dans le secteur du diamant », disait-il au Mondeen 2017.
Selon un document interne de 2012, l’ambitieux manageur espère doubler les ventes en six ans, pour atteindre 150 millions d’euros. Il développe la filiale française de De Grisogono dirigée par Gilles Mansard, ancien de la maison Chopard, qui détient 30 % des parts de sa société offshore enregistrée en Suisse, DG Euro Atlantic. Celle-ci a bénéficié de facilités de prêts à hauteur de plusieurs millions de dollars à la banque BIC, selon les « Luanda Leaks ». Et M. Dokolo s’est vu reverser, entre mai et décembre 2014, 1,2 million de dollars par Victoria Holding Limited.
Mais dès 2015, De Grisogono déplore une « performance désastreuse » et se résigne à licencier. La même année, M. Dokolo crée une société de négoce de diamants, Nemesis International à Dubaï et la holding Odyssey, qui la détient. Pour ce faire, il s’associe au Français d’origine congolaise Konema Mwenenge, un ami rencontré au lycée Saint-Louis de Gonzague, à Paris, devenu l’un de ses conseillers financiers. 
Avec Nemesis International, qui dispose depuis 2017 d’une usine de polissage à Dubaï, les deux fils d’aristocrates s’imposent comme des intermédiaires entre Sodiam, qui leur écoule des diamants bruts à des conditions avantageuses, et De Grisogono, à qui ils les revendent en s’assurant de juteuses commissions. La réputation rassurante de la maison suisse, indirectement financée par le contribuable angolais, les aide à valoriser leurs propres affaires. D’autant que la Sodiam a intégré Odyssey, de même qu’une société de M. Mwenenge aux îles Vierges britanniques, parmi la liste de huit clients privilégiés bénéficiant de tarifs préférentiels.

« Stocks de pierres à crédit »

M. Dokolo a revendu des diamants angolais pour plusieurs centaines de millions de dollars. Le cabinet du nouveau président angolais estime que Nemesis et De Grisogono ont bénéficié de 18 millions de carats, pour une valeur estimée à 2,3 milliards de dollars. Cela semble d’autant plus faramineux que le joaillier genevois gérait des stocks de gemmes de quelques dizaines de millions d’euros ; même si, dans un entretien au Monde en 2017, Sindika Dokolo s’enorgueillissait « de représenter une plate-forme à Dubaï [traitant] 2 milliards de dollars par an de diamants ».
Aujourd’hui, pour se défendre, M. Dokolo prétend « avoir fourni en permanence des stocks de pierres à crédit à De Grisogono pour des montants qui oscillaient entre 50 et 200 millions de dollars ». L’Etat angolais s’estime lésé d’au moins 255 millions de dollars dans l’opération De Grisogono, et accuse Isabel dos Santos et Sindika Dokolo d’« abus de confiance ». Sodiam, qui dit avoir prêté, entre 2012 et 2015, plus de 160 millions de dollars pour financer le joaillier genevois, assure ne pas avoir été remboursé, et se plaint de n’avoir perçu aucun dividende. Les soupçons de détournement de centaines de millions de dollars de fonds publics ayant permis au couple d’acquérir De Grisogono et de profiter d’accès privilégiés aux diamants ont notamment justifié le récent gel de leurs comptes et de leurs actifs par la justice angolaise.
Sindika Dokolo a déposé un recours auprès de la Cour internationale d’arbitrage de Londres, accusant Sodiam d’avoir généré une perte de la valeur de son investissement estimée à 120 millions de dollars. A Dubaï, Konema Mwenenge, qui n’a pas souhaité répondre aux questions du Monde, continue de développer Nemesis International. A Genève, De Grisogono, désormais privé de l’argent public angolais, cherche un investisseur pour éviter la faillite.