França não quer negociar com Mercosul
Dez países europeus liderados pela França se opõem à retomada de negociações comerciais com o Mercosul, por discordarem das cláusulas que restringem os subsídios agrícolas. Para eles, é "um mau sinal para a agricultura europeia”. Há a expectativa de que o Mercosul e a União Europeia assinem um tratado comercial em Madri, no dia 17. “Este é de longe o projeto mais importante economicamente da Europa na América Latina, e de Madri”, disse um diplomata europeu.
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O amor, com amor se paga?
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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2 comentários:
Entendo o humor, professor, mas o comentário é, digamos assim, pouco técnico, né? Tenho dificuldades em imaginar um Jobim comovido com os valores franceses. Negociações de armamentos podem até ser um pouquinho mais emotivas do que o comércio ordinário, mas não chegam a configurar favores de quem compra para quem vende.
Como, aliás, devem imaginar os diretores da Dassault, docemente esperando por uma definição mais de oito meses depois daquele 7 de setembro.
O caso tem tanto de verdade quanto aquela notícia, altamente difundida e totalmente infundada, de que o Brasil reconheceu a China como economia de mercado.
Glaucia,
Seus comentários deveriam ser dirigidos ao governo, não exatamente a esta pessoinha que apenas transcreve notícias objetivas do que está acontencendo de fato: a França se opõe terminantemente a um acordo birregional Mercosul-UE, pelos motivos que todos sabemos: seus queridos agricultores, que são todos "funcionários públicos", vivendo de rendas da PAC, perderiam numa simples confrontação de competitividade. São fatos, e não sou quem quero, é assim, ponto.
Quanto ao resto, tampouco me cabe qualquer responsabilidade ou ironia: foi o governo quem disse que a relação que a França era altamente estratégica, e que a questão dos aviões deveria ser visto num contexto político mais amplo, não apenas o preço -- simplesmente o dobro, ou triplo, dos suecos -- ou a eficiência -- também inferior aos caças americanos. Foi o governo que procurou justificar uma pré-escolha, uma decisão tomada previamente em nosso de não sabe bem quais alianças políticas do mais alto significado estratégico.
Quanto à China, você se engana mais uma vez: o Governo reconheceu a China como economia de mercado. ISTO É UM FATO, e está num comunicado conjunto, de nível presidencial, ou seja, engajando as instâncias decisórias últimas dos dois países.
A notícia, sinto desmenti-la, não é totalmente infundada, ela é ABSOLUTAMENTE FUNDADA: o Brasil reconheceu a China como economia de mercado, num comunicado bilateral.
O que ele não fez, depois, mas isso cabe aos chineses cobrar, foi ratificar essa decisão tomada junto à OMC, para o devido registro pertinente, o que modificaria parcialmente os procedimentos a serem aplicados em caso de medidas de defesa comercial bilateral, devendo os dois países seguirem os códigos pertinentes de salvaguardas e medidas antidumping.
E o Governo só não o fez porque os paladinos da FIESP, esse sindicato de protecionistas declarados e desavergonhados, elevou seus protestos, fez pressão sobre o Governo e este recuou do passo seguinte.
Ou seja, o presidente não cumpriu sua palavra tomada com os chineses, que tem todo o direito de reclamar. Afinal de contas, se entende que palavra de presidente deve ser como palavra de rei: não volta atrás (isso, claro, nos países sérios).
Mas eu ainda acho que você deveria elevar seus comentários ao Governo: eu apenas registrei fatos. Fatos são fatos, e continuam a sê-lo, mesmo quando não se gosta deles...
Paulo Roberto de Almeida
Hong Kong (14.05.2010)
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