O pequeno texto abaixo é do conhecido jornalista político Carlos Brickmann, mas ele me aparece, nesta manhã de domingo, 6/12/2015, quando eu tinha recém concebido mais uma nota em torno da psicanálise da gestão companheira no contexto da Grande Destruição por eles provocada.
Por isso me permito fazer anteceder a transcrição do texto de Brickmann, por esta pequena nota que preparei para tentar explicar como as coisas aconteceram no reino do Nunca Antes.
PSICANÁLISE DOS COMPANHEIROS
Paulo Roberto de Almeida
Anápolis, 6 de dezembro de 2015
Sessão de psicologia das massas populares, paga com pixulecos calibrados
Os velhos apparatchiks sempre olharam para aquela critatura de olhos arrevesados:
"Então uma arrivista, uma oportunista, uma transfuga do velho populismo trabalhista, vem agora roubar o nosso lugar, a posição política que nos cabe de direito como fundadores da nossa organização?"
A própria deve pensar:
"Esses neobolcheviques, esses guerrilheiros reciclados, quem eles pensam que são? Se meteram em tantos malfeitos que acabaram nas mãos na polícia, e agora vêm reclamar? Pois foi bem feito, ninguém mandou ser tão amadores, tão irresponsáveis nessas operações especiais..."
O chefão de todos eles:
"Eu fui colocar essa bichinha como um favor, passando na frente de velhos companheiros, e agora ela me apronta tudo isso? Faz uma bagunça inacreditável na minha base de apoio, se recusa a aceitar recomendações para administrar esta birosca, pensa que sabe de tudo, só porque frequentou umas merdas de cursos dos nossos aloprados, e acha que pode sobreviver sem nenhum apoio, só com aquelas frases que ninguém entende..."
A própria indo longe no pensamento:
"Esse cara deve achar que é um deus: fica no meu rabo o tempo todo, não me dá descanso. Ele não se dá conta que eu só estou nesta merda por causa da sua ambição desmedida, de sua sede por dinheiro, de sua vontade de roubar tudo de uma vez só? Que tudo isso está nesse pandemônio por causa da herança maldita que ele me deixou, ainda com aqueles guerrilheiros reciclados querendo continuar a roubar, inclusive na minha horta?"
Os velhos apparatchiks:
"Agora já deu, agora vamos prá cima dela, é ou vai ou racha. Vamos fazer um último esforço para salvar o mandato daquela desmiolada, mas depois não queremos mais saber. Ela destruiu tudo o que a gente tinha construído ao longo dos anos, tudo perdido, por causa da incompetência daquela oportunista, que o chefão colocou lá só para continuar mandando."
O chefão, desconsolado:
"Agora não tem mais jeito. Mas eu não vou para a cadeia por causa desses babacas irresponsáveis, desse imbecis que nem sabem fazer um serviço direito. Tudo o que aconteceu nos últimos anos foi por culpa exclusivamente do poste, e é isso que eu vou dizer pros home quando me perguntarem."
Terminou a sessão: tem um japonês batendo na porta...
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UM SONHO IMPOSSÍVEL
Carlos Brickmann
Edição de Domingo, 6 de dezembro de 2015
Um sonho. Ou pesadelo. Num país imaginário, em que quadrilhas vorazes disputavam o poder, o Grande Mestre Fazedor de Rainhas decidiu enviar ao Frigorífico de Formol a Rainha dos Maus Bofes, que ousara, com palavras incoerentas e gestão incompetenta, colocar em risco os projetos futuros do bando.
Um sábio, o Grande Mestre. Primeiro, declarou-se favorável à Rainha dos Maus Bofes, para que ninguém dele suspeitasse. Seu grupo, religiosamente obediente, duramente controlado, até com expulsão de quem votasse contra a linha justa, passou a mostrar sinais de divisão. A Guerra das Quadrilhas envolvia chantagens mútuas, que mantinham paralisados a Rainha dos Maus Bofes e seu principal adversário, o Coisa Ruim. Pois não é que o grupo do Grande Mestre anunciou que destruiria o Coisa Ruim? Com isso, livrou-o da chantagem – já que não lhe faria diferença ficar quieto ou reagir – e permitiu que ele contra-atacasse em grande estilo, mobilizando sua quadrilha para destruir a Rainha.
Nesse país imaginário, os seguidores do Grande Mestre jamais o desobedeceriam. Se desobedeceram, foi porque ele mandou. E até seu gavião amestrado, o Pequeno Rapinão, capaz de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para agradar o chefe, agiu contra suas ordens oficiais. Só o faria se recebesse ordens secretas em contrário. E a Rainha dos Maus Bofes tinha certeza de que mandava!
O título Um Sonho Impossível vem do musical O Homem de la Mancha. Aqui, pela fama do pessoal, melhor seria Os Homens e Mulheres de Las Manchas.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 6 de dezembro de 2015
Psicanalise dos Contos de Fadas: versao companheira - Paulo Roberto de Almeida e Carlos Brickman
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