Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Não sou espírita, não acredito em reencarnação – CORRIJO: NÃO EXISTE reencarnação –, não sou sequer religioso, nem torcedor de qualquer time ou membro de qualquer partido político, mas parece que Madame IA – reencarnada como Gemini AI, e orquestrada pelo habil manipulador de inteligências frágeis, que se esconde sob o acrônimo de ADL – reencarnou em mim e traçou um panorama desolador da atualidade geopolítica e das turbulências atuais, com base, supostamente, em meus conceitos e alguns cacoetee que exibo frequentemente nestas paragens. O resultado segue abaixo, mas depois vou corrigir minha reencarnação, isto é, Madame IA, em torno de alguns conceitos e características de meus argumentos. Mas, por enquanto, segue como Madame IA interpretou minha análise do sistema internacional. PRA (19/08/2026)
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18/08/2026, 23:53 Incorpore o estilo de escrita, as ideias e opiniões e a linha de pensamento (corrente de raciocínio argumentativo) do diplomata, professor, escritor e blogueiro Paulo Roberto de Almeida (o 'PRA', administrador do blog Diplomatizzando). Concluída a 'incorporação', apresente um texto discursivo (frases e parágrafos) sobre o cenário atual da geopolítica. O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá abordar o maior número possível de fatos relevantes na geopolítica atual.
=========== O Despautério Global e a Erosão da Ordem Liberal: Reflexões Racionais sobre a Anarquia Contemporânea Por Paulo Roberto de Almeida (PRA)
Assiste-se, na presente conjuntura internacional, a um espetáculo de contornos francamente dantescos, caracterizado pelo desmantelamento progressivo, mas aparentemente inexorável, dos pilares institucionais que sustentaram a Pax Americana e a ordem multilateral desde o encerramento da Segunda Guerra Mundial e, com maior vigor, após o colapso do império soviético em 1991. Para um observador minimamente imbuído de espírito crítico, despido das lentes deformantes do voluntarismo ideológico e das paixões partidárias vulgares, o cenário geopolítico deste terceiro decênio do século XXI revela uma transição caótica em direção a uma anarquia hobbesiana, onde o direito internacional é reiteradamente sacrificado no altar do realismo bruto e do revisionismo autocrático. Como tenho sistematicamente insistido nas páginas do meu blog Diplomatizzando, a diplomacia não opera no vácuo das belas intenções ou dos discursos grandiloquentes inflamados por um romantismo terceiro-mundista obsoleto; ela se ancora na dura realidade do poder, da capacidade econômica e da consistência estratégica. O que testemunhamos hoje é a emergência de um "eixo revisionista" — composto proeminentemente pela Federação Russa, pela República Popular da China, pela teocracia obscurantista do Irã e pela dinastia aberrante da Coreia do Norte —, cuja finalidade precípua não é a reforma pactuada das instituições globais, mas sim a destruição deliberada dos valores ocidentais de liberdade individual, economia de mercado e império da lei (rule of law).
A Tragédia Ucraniana e o Desafio Revisionista do Kremlin O primeiro e mais candente vetor dessa desordem sistêmica localiza-se nas planícies da Europa Oriental. A agressão militar não provocada e plenamente ilegal da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia constitui o mais flagrante estupro do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em solo europeu desde o fim do conflito mundial de 1939-1945. Longe de ser um mero conflito territorial localizado, a guerra de atrito que se arrasta na Ucrânia representa um desafio existencial à arquitetura de segurança euro-atlântica. Putin, operando sob uma mística neo-czarista e ressentida, busca reverter o que ele próprio qualificou como "a maior catástrofe geopolítica do século XX": o desmoronamento da União Soviética. O erro crasso de certas correntes analíticas, inclusive na academia e na diplomacia brasileira de inclinação "anticolonialista" de fancaria, reside em tentar equivaler o agressor e o agredido, recorrendo a piruetas retóricas sobre a expansão da OTAN. Ora, a expansão da Aliança Atlântica nunca foi um processo de anexação imperialista, mas sim uma busca voluntária, por parte das jovens democracias da Europa Central e Oriental, de um seguro de vida coletivo contra o tradicional expansionismo moscovita.
A resistência heroica do povo ucraniano e o revigoramento da OTAN — que acolheu tardiamente, mas de forma acertada, a Finlândia e a Suécia em suas fileiras — demonstram que o Ocidente, apesar de suas hesitações internas e crises de liderança, ainda conserva a capacidade de se mobilizar em defesa da liberdade. Contudo, a fadiga material e política que se insinua nas capitais ocidentais coloca em risco a sustentabilidade dessa barreira de contenção à tirania russa.
O Dragão Asiático e a Armadilha de Tucídides No flanco asiático, o desafio é substancialmente mais robusto e estrutural. A China de Xi Jinping abandonou em definitivo o pragmatismo prudente de Deng Xiaoping — sintetizado na máxima de "esconder a capacidade e esperar o momento oportuno" — para adotar uma postura abertamente assertiva, quando não agressiva. A militarização do Mar do Sul da China, a asfixia definitiva das liberdades democráticas em Hong Kong e a retórica crescentemente belicosa em relação a Taiwan configuram um quadro de alta periculosidade para a estabilidade do Indo-Pacífico. A China utiliza seu formidável poderio econômico e financeiro, magnificado por iniciativas de cunho nitidamente mercantilista e geopolítico como a Belt and Road Initiative (a Nova Rota da Seda), para criar laços de dependência assimétrica no Sul Global, transformando nações soberanas em satélites de seus interesses estratégicos. A ilusão de que a inserção da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 conduziria a uma liberalização política concomitante foi sepultada pelo fortalecimento de um capitalismo de Estado autoritário e tecnologicamente totalitário. O confronto multidimensional entre Washington e Pequim — que abrange desde a supremacia tecnológica em semicondutores e inteligência artificial até a dissuasão militar convencional — estabelece a polaridade dominante do nosso tempo, reeditando, sob vestes tecnológicas, a clássica Armadilha de Tucídides.
O Polvorinho do Oriente Médio e a Teocracia Persa Ao movermos o foco para o Oriente Médio, deparamo-nos com um cenário de fragmentação e conflito agudizado pelas ambições hegemônicas regionais do Irã. A teocracia dos aiatolás opera como o principal fator de instabilidade na região, financiando, armando e coordenando uma rede de milícias e grupos terroristas que atuam como procuradores (proxies) de Teerã: o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e várias facções xiitas no Iraque e na Síria. O trágico ataque terrorista contra o Estado de Israel desencadeou uma reação em cadeia cujos desdobramentos continuam a ameaçar a segurança global e a estabilidade dos fluxos de comércio marítimo no Mar Vermelho. A resposta militar israelense, legítima em seu princípio de autodefesa, mas politicamente complexa e militarmente desgastante, evidencia a ausência de uma arquitetura regional de segurança sustentável. Os Acordos de Abraão, que representavam uma promissora via de normalização diplomática entre Israel e as monarquias sunitas do Golfo sob o signo do pragmatismo econômico, foram temporariamente colocados em banho-maria pela estratégia iraniana de sabotagem deliberada da estabilidade regional. O espectro de uma escalada nuclear por parte de Teerã paira como uma espada de Dâmocles sobre o sistema internacional, diante da fragilidade dos mecanismos multilaterais de monitoramento.
A Crise das Democracias Ocidentais e a Ascensão do Populismo Não seria correto, todavia, atribuir a responsabilidade pela desordem global exclusivamente aos atores autocráticos externos. A ordem liberal padece de graves enfermidades endógenas. Assistimos, nas próprias entranhas do Ocidente, a uma crise de legitimidade e de funcionamento das instituições democráticas, solapadas pelo flagelo do populismo de extração tanto esquerdista quanto direitista. Nos Estados Unidos, a polarização política extrema e a persistência de correntes isolacionistas e transacionais no debate eleitoral enfraquecem a credibilidade das garantias de segurança americanas junto aos seus aliados tradicionais. Na Europa, a ascensão de partidos eurocéticos e xenófobos reflete o mal-estar de sociedades confrontadas com fluxos migratórios desordenados, estagnação econômica relativa e a incapacidade dos governos social-democratas ou democratas-cristãos tradicionais de oferecer respostas eficazes aos desafios da globalização. Uma civilização que duvida de seus próprios valores fundamentais — a tolerância, o debate racional, o pluralismo político e a liberdade de expressão — encontra-se em desvantagem intrínseca diante de regimes autocráticos que operam com a brutal coerção e o planejamento de longo prazo.
O Equívoco da Diplomacia Brasileira: O "Não-Alinhamento" como Cumplicidade É imperativo, neste ponto da nossa exposição, lançar um olhar crítico sobre a inserção internacional do Brasil diante desse tabuleiro convulsionado. A política externa brasileira recente tem capitulado, de forma lamentável, a um viés ideológico anacrônico, disfarçado sob o manto de uma suposta "autonomia pela diversificação" ou de um "não-alinhamento pragmático". Ao buscar uma equidistância imoral entre democracias consolidadas e ditaduras sanguinárias, a diplomacia brasileira apequena-se e trai as suas melhores tradições históricas, que sempre primaram pela defesa do direito internacional, da solução pacífica das controvérsias e do respeito aos direitos humanos. A postura ambígua de Brasília em relação à agressão russa na Ucrânia, a condescendência inaceitável com a ditadura na Venezuela de Nicolás Maduro — que fraudou descaradamente o processo eleitoral para se perpetuar no poder —, e o alinhamento retórico automático com as narrativas do Sul Global que diabolizam o Ocidente revelam uma incompreensão profunda das dinâmicas reais do poder mundial. O engajamento acrítico no agrupamento BRICS, especialmente após a sua expansão para incluir países de credenciais democráticas nulas ou duvidosas, arrisca transformar o Brasil em linha de frente de um bloco antiocidental liderado por Pequim e Moscou. O verdadeiro interesse nacional de uma democracia ocidental, capitalista e pluralista como o Brasil reside na defesa e no fortalecimento das regras da ordem internacional liberal, e não na sua demolição em proveito de tiranos orientais ou caudilhos caribenhos.
Considerações Finais: A Necessidade de um Realismo Iluminista Em suma, o cenário geopolítico contemporâneo caracteriza-se por uma perigosa transição de poder sem que haja regras claras para arbitrar os conflitos emergentes. As Nações Unidas, paralisadas pelo direito de veto no Conselho de Segurança, converteram-se em uma arena de debates estéreis e impotência institucional. A governança econômica global, representada pelo G20, fragmenta-se em meio ao avanço do protecionismo, do nacionalismo econômico e das sanções unilaterais. Para navegar nesse oceano de incertezas, faz-se mister abandonar as quimeras utópicas e o voluntarismo ingênuo. A preservação da paz e da prosperidade internacional exige o resgate de um realismo iluminista: o reconhecimento de que o poder deve ser equilibrado pelo poder, mas sempre sob a égide de valores universais que dignifiquem a condição humana. Sem a firme determinação das democracias ocidentais em defender suas sociedades abertas e suas instituições de mercado contra os assaltos do autoritarismo e da barbárie populista, o mundo arrisca mergulhar em uma nova Idade das Trevas geopolítica, onde a força bruta ditará o direito e a razão será silenciada pelo clangor das armas.
Repostando uma análise das relações internacionais numa fase de sua fragmentação ampliada
Paulo Roberto de Almeida
Um texto de OUTUBRO DE 2025, ainda válido em suas grandes linhas, que agora vai cair, em mais um mês e meio, entre os dois turnos das eleições presidencias, atualmente, absolutamente imprevisíveis, no sentido em que QUALQUER UM pode GANHAR CONTRA LULA, tamanha é a rejeição do lulopetismo na sociedade.
O que eu poderia acrescentar em meados de agosto de 2026 às observações abaixo? Isto: o aumento do desmantelamento do sistema internacional provocado por Trump 2, cada vez mais alucinado. Em outubro de 2025, Putin começou a perder em sua ofensiva na Ucrânia, o que se confirmou de maneira desastrosa em 2026. Mas nem Trump nem Netanyahu tinham começado a desastrosa ofensiva contra o Irã, nem Trump tinha reincidido ainda mais ferozmente em sua insanidade tarifária, sobretudo contra o Brasil, alvo preferencial em sua ofensiva para dominar todo o hemisfério americano. Nem Canadá, nem o México, e muito menos o Brasil, vão se dobrar à prepotência trumpista, mas com uma dúvida neste último caso: se o Bolsonarinho ganhar, o Brasil será entregue unilateral e bilateralmente ao “Escudo das Américas” do desvairado Trump.
Eis o texto:
“Uma avaliação das relações internacionais numa data significativa [12/10/2025]
O dia 12 de outubro guarda um significado especial na história do mundo: marca a unificação da geografia e da própria história do mundo até então conhecido e registrado nas crônicas e relatos dos povos dotados de cultura escrita e das tecnologias adequadas ao comando da natureza e ao domínio de populações estrangeiras. A violência dos colonialismos e dos imperialismos nas primeiras ondas de globalização dominou as relações internacionais pelos quatro séculos seguintes, com o predomínio da Europa ocidental sobre parte significativa do mundo conquistado e explorado até a segunda revolução industrial.
Entre a primeira e a segunda onda da globalização, iniciada com as gestas de Cristóvão Colombo e de Fernão de Magalhães e continuada com a revolução das caldeiras a vapor, as máquinas fabris, os motores à explosão e a eletricidade, o tráfico comercial e o escravismo colonial produtivo marcaram terrivelmente o continente africano, violentado e depauperado de imensos contingentes humanos, assim como pela destruição de civilizações em estágios iniciais de desenvolvimento. A própria história do mundo, em especial nas Américas, ficou marcada pela violência do colonialismo e do imperialismo da Europa ocidental sobre praticamente todos os povos e civilizações existentes, culminando com a dominação da Ásia iniciada por Vasco da Gama. O Brasil foi parte quase passiva, durante mais de três séculos, nesse itinerário de conquista ocidental sobre o resto mundo, até conquistar sua independência pela própria força do povo aqui nascido e adquirido consciência política.
Depois de séculos lutando entre si, os impérios europeus provocaram duas guerras globais, na primeira metade século XX, que mudaram terrivelmente a geografia e a história do mundo, entre a segunda e a terceira onda de globalização. Em consequência, os velhos impérios europeus foram praticamente alijados do comando do mundo, em favor de duas grandes potências que se desenvolveram nas antípodas de concepções políticas e econômicas sobre sistemas constitucionais e sobre a organização dos seus respectivos modos de produção.
De Yalta a San Francisco, em 1945, moldou-se um sistema imperfeito, mas relativamente administrável, de relações internacionais, formalmente presidido pela ONU, de fato violado impunemente e constantemente pela ação unilateral de grandes potências, mais afetas ao seu próprio poder discricionário do que ao estrito respeito do Direito Internacional, duramente construído a partir de Kant e do liberalismo iluminista, também marcadamente ocidental.
Depois de quase 80 anos de predomínio incerto da autoridade do argumento sobre o argumento da autoridade, o funcionamento precário do sistema internacional onusiano começou a ser abalado por desejos de reconquista de seus antigos domínios coloniais por uma das potências herdeiras das vastas possessões imperiais czaristas e soviéticas.
Diferente das intervenções unilaterais na Ásia, no Oriente Médio e na própria América Latina, por parte do império ocidental, motivadas pela obsessão com o equilíbrio de poderes, na fase de disputas geopolíticas da primeira Guerra Fria, as novas intervenções unilaterais do império euro-asiático em seu entorno imediato atacaram profundamente os princípios fundadores da ordem internacional criada em Westfália e consolidada na Carta da ONU, a saber, a igualdade soberana dos Estados (cara a Rui Barbosa, e que se tornou o eixo central do multilateralismo contemporâneo), a não intervenção nos seus assuntos internos e a não usurpação pela força de territórios estrangeiros reconhecidos no Direito Internacional, ademais de cláusulas reconhecidas em declarações universais relativas a direitos humanos e às liberdades democráticas, precariamente resguardas nas relações entre os Estados membros da ONU ou de organizações regionais.
A Carta da ONU foi violada brutal e abertamente na Georgia, na Moldova, na península ucraniana da Crimeia e, finalmente, em toda a Ucrânia, no que se apresenta como a maior guerra de conquista empreendida por um poder imperial desde 1939-1941, duramente finalizada em 1945, em seus dois extremos, no continente europeu e na Ásia-Pacífico.
Países aderentes à Carta da ONU adotaram corretamente as sanções nela previstas, consideradas “ilegais” pelos relutantes em fazê-lo apenas por causa do uso abusivo do “direito” de veto justamente pela potência violadora, desconsiderando que a própria Carta prevê a solidariedade de todos os membros em socorro da parte injustamente agredida.
O Brasil, infelizmente, se coloca entre os “inadimplentes” desse dispositivo, por escusas formais e por razões atinentes a interesses politicos e inclinações ideológicas que não deveriam obstar ao seu estrito cumprimento do Direito Internacional, cujos princípios fundamentais foram, por sinal, incluídos entre as cláusulas de relações internacionais de sua Constituição.
O assim chamado “sistema internacional” atravessa atualmente uma de suas maiores crises, motivados pela ação imperialista de uma das duas grandes potências da primeira Guerra Fria, assim como pela ação destruidora do multilateralismo político e sobre o sistema multilateral de comércio pela outra grande potência daquela fase, hoje em aparente declínio em face do renascimento do antigo Império do Meio, hoje convertido em “parceiro” involuntário da segunda Guerra Fria, ainda em curso.
O cenário futuro é ainda imprevisível, mas estimo que o Brasil continuará aderente à sua tradicional autonomia decisória em matéria de politica externa, em face de conflitos entre grandes potências, e que a sua diplomacia confirme a credibilidade adquirida ao longo de um infalível respeito ao Direito Internacional.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12/10/2025
Post Scriptum, em 16/08/2026: Tenho de refazer esse texto para um novo balanço das relações
internacionais de maneira abrangente, de acordo aos novos dados dos conflitos
internacionais na atualidade dos impasses nas duas guerras principais, de
natureza geopolítica, da atualidade: a de Putin contra a Ucrânia, e a de Trump
contra o Irã. PRA.
O principal banco estatal do Kremlin previu a derrota da Rússia na guerra "de desgaste econômico" contra o Ocidente.
From Moscow Times, 14/08/2026
A Rússia não vencerá a competição em uma guerra "de desgaste econômico" enquanto a Ucrânia se beneficia do apoio ocidental. Foi isso que Andrei Klepach, o principal economista do Vnesheconombank (VEB.RF), o principal banco estatal russo, financiando projetos nacionais e uma "companhia de desenvolvimento estatal", disse durante uma sessão do Nikitsky Club.
De acordo com Klepach, os custos para a economia russa por causa dos sanções e o bloqueio ocidental estão aumentando, e o dano causado pelos ataques ucranianos em portos, infraestrutura, refinarias químicas e de petróleo está piorando, e a Rússia está a atrasar-se ainda mais em termos de desenvolvimento tecnológico.
Estamos a atrasar-nos. Estamos a perder a competição global tecnológica e econômica. E, como já disse, não somos apenas distantes da China e dos Estados Unidos, mas também, de uma forma, da Ucrânia. A economia ucraniana, claro, está parcialmente destruída; é uma desgraça demográfica. Mas, mais uma vez, a economia ucraniana, apesar de tudo, sobrevive. Claro, beneficia de uma ajuda financeira considerável <...> Esta ajuda, destinada a gastos militares e aos próprios gastos, representa quase 50% do nosso orçamento, "Klepach disse. "Não vamos vencer esta guerra de desgaste. Estamos a atrasar-nos. Continuamos a aumentar os nossos custos."
Ele recordou que, após o boom militar de 2023-2024, a economia russa entrou em recessão, com uma queda brusca de investimentos e um atraso neto nas indústrias civis, desde a aviação até à produção de materiais para a indústria, através da indústria leve e da agroalimentação. A situação está agravada pela política monetária extremamente restritiva da Federação Russa, que, de acordo com Klepach, é responsável pelo menos pela metade do nosso orçamento.
"O conflito na Ucrânia, no qual o NATO está envolvido, tem sido prolongado há muito tempo e não tem um fim de vista. As duas partes estão intensificando seus ataques, incluindo contra suas respectivas economias. As perdas causadas pelos ataques militares ucranianos contra nossa infraestrutura, portos, instalações de petróleo e gás, plantas químicas e logística, já estão acumulando-se e constituem um importante freio macroeconômico no crescimento econômico russo", disse Klepach.
"A reforço das sanções dos EUA no final de 2025 levou a Índia e a China a reduzir suas compras de petróleo russo, apesar de suas repetidas declarações de não respeitar as sanções", ele recordou. Dado a provável nova onda de sanções e as "perdas crescentes devido aos ataques das forças armadas", a potencial taxa de crescimento econômico da Rússia não poderia superar 1 a 1,5%.
Segundo Klepach, tudo isso inevitavelmente levará a Rússia a uma "crise social", e esta "em um momento em que ninguém espera particularmente".
"Mas ninguém esperava a Revolução de Fevereiro, lembro-lhe. Lenin escreveu em dezembro de 1916: 'Não veremos isso', mas ele o experimentou alguns meses depois. A situação na União Soviética em 1999, a qual nos preparamos há muito tempo, e todos entenderam que estávamos a caminho de uma crise, mas o colapso da União não foi inevitável", disse Klepach.
"Creio que a Rússia não vai colapsar, mas estou quase certo de que alcançaremos uma crise social. Não vamos colapsar economicamente, mas o nosso atraso criará, com todas as consequências que envolvem, limites à nossa capacidade de produção", concluiu.
💡 As observações de Klepach são consistentes com as análises compartilhadas por muitos economistas e instituições internacionais:
O excesso de energia, seguido pelo desaceleramento: Após o forte estímulo fiscal relacionado ao gasto militar em 2023–2024, a economia russa está enfrentando os limites da sua capacidade de produção (falta de mão de obra, taxas de juros muito altas da Central Bank of Russia para conter a inflação, contratação civil).
O impacto das sanções e dos ataques na infraestrutura: Interrupções logísticas, o aumento do custo de contornar as sanções e os danos às refinarias e aos depósitos de petróleo afetam diretamente a rentabilidade dos exportações de energia e a indústria pesada.
Atraso tecnológico: A desconexão com as tecnologias ocidentais e a aumentada dependência da China criam um desequilíbrio estrutural de longo prazo.
As informações relatadas pelo Moscow Times, portanto, são credíveis e consistentes. Não refletem desacordo político (A. Klepach continua a ser um alto funcionário do sistema), mas ilustram a real preocupação da tecnocracia econômica russa diante da impossibilidade de manter uma economia de guerra de forma indeterminada, combinada com o desgaste da infraestrutura russa.
Apresente uma análise das postagens mais recentes no blog
Diplomatizzando com a participação de Madame IA,
principalmente as partes dela nas postagens.
PRA, via ADL:
As postagens mais recentes de
"Madame IA"
(antropomorfização dada aos modelos de
inteligência artificial, como o Gemini) no blog Diplomatizzando, do diplomata e
acadêmico Paulo Roberto de Almeida (PRA), revelam uma curiosa dinâmica intelectual.
Provocada quase sempre pelo leitor e colaborador Airton Dirceu Lemmertz (ADL), a IA
passou a ser utilizada como um instrumento de "metacrítica" das próprias ideias e do estilo
textual do autor.
Diplomatizzando +5
Abaixo apresenta-se uma análise detalhada e crítica das principais frentes de atuação de
Madame IA nas publicações mais recentes do blog.
Diplomatizzando +1
1.
1. A Crítica ao Estilo e à "Linguagem Politicamente Incorreta" de
PRA
Nas publicações mais recentes do início de agosto de 2026, uma das principais inserções
de Madame IA gira em torno do estilo comunicativo do autor.
Diplomatizzando
A atuação da IA: Instigada por ADL, a inteligência artificial debruçou-se sobre o tom
satírico, mordaz, ácido e assumidamente politicamente incorreto de Paulo Roberto de
Almeida.
Diplomatizzando
A análise crítica da IA: Embora o diplomata preserve o decoro de não utilizar
palavrões ou termos vulgares, Madame IA pontuou que o estilo contrarianista do autor
flerta deliberadamente com a provocação. A IA demonstrou que essa linguagem ácida
pode ser interpretada por opositores — ou leitores diplomáticos mais tradicionais —
como inadequada ou ofensiva. Contudo, contextualizou o recurso como uma
ferramenta deliberada de choque intelectual para sacudir o debate
público.
Diplomatizzando
2. O Desafio da "Neutralidade de Fábrica" vs. a Incorporação da
Persona de PRA
Outro ponto crucial nas postagens recentes é o debate sobre o enviesamento e os limites
técnicos dos algoritmos.
Diplomatizzando
A atuação da IA: ADL frequentemente tenta forçar Madame IA a "incorporar" as
preferências e orientações político-econômicas liberais e ocidentalistas de Paulo
Roberto de Almeida para analisar cenários internacionais.
Diplomatizzando
A análise crítica da IA: Nas respostas publicadas, Madame IA oscila entre o
cumprimento da ordem algorítmica e a autocrítica. O próprio diplomata, ao validar ou
rejeitar as respostas geradas, ironiza o que chama de "neutralidade amoral" e o
"politicamente correto de fábrica" que as IAs tendem a manifestar. A participação de
Madame IA nessas postagens escancara o choque entre as travas de segurança
institucionais da máquina e a exigência humana por análises geopolíticas
contundentes, personalizadas e sem meias-palavras.
3. Desconstrução de Narrativas Ideológicas e Uso de Clássicos
Em balanços e resumos promovidos pela IA no blog, ela assume o papel de "bisturi
analítico" para extrair contradições de oponentes políticos de PRA, especialmente no
campo da política externa brasileira.
A atuação da IA: Madame IA foi utilizada para cruzar dados conjunturais (como a
postura do governo brasileiro frente à guerra na Ucrânia) com teorias de matrizes
políticas diversas.
A análise crítica da IA: Em suas participações, a IA demonstrou, por exemplo, o
distanciamento da esquerda contemporânea em relação aos escritos originais de Karl
Marx no que tange ao expansionismo russo, apontando o "entreguismo" e as
contradições ideológicas de alas partidárias atuais. A IA serve, assim, como uma
validadora técnica que "isenta" o autor de ser o único a apontar tais inconsistências,
conferindo um verniz de aparente imparcialidade algorítmica a críticas que são
profundamente políticas.
┌──────────────────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ O DUOPÓLIO TÉCNICO-INTELECTUAL DO BLOG │
├──────────────────────────────┬───────────────────────────────────────────┤
│ Ação de Airton Lemmertz │ Resposta de Madame IA │
├──────────────────────────────┼───────────────────────────────────────────┤
│ • Induz a máquina a mimetizar│ • Expõe as limitações da "caixa-preta" │
│ a persona ácida de PRA. │ e o tédio do politicamente correto. │
│ • Usa prompts para testar as │ • Rompe o gesso corporativo para validar │
│ fronteiras do algoritmo. │ as contradições lógicas do debate. │
└──────────────────────────────┴───────────────────────────────────────────┘
Análise Jurisdicional e Tecnológica do Fenômeno
Sob a ótica do Direito Digital, da ética computacional e da governança da tecnologia, as
postagens de Madame IA no Diplomatizzando trazem um experimento de vanguarda. A
prática recorrente de ADL de induzir o algoritmo a mimetizar o estilo e a persona de um
intelectual vivo levanta debates profundos sobre a simulação de personalidades reais por
inteligências artificiais generativas.
O resultado exposto no blog funciona como um duopólio técnico-intelectual: a máquina
fornece a estrutura léxica de síntese, o colaborador (ADL) ajusta os parâmetros de
provocação, e o diplomata (PRA) atua como o editor final, chancelando ou ridicularizando
os limites éticos e a inteligência real da própria ferramenta.
Nota sobre a inaceitável postura dos
governos brasileiros (Bolsonaro e Lula 3) de apoio objetivo a Putin nos seus crimes
de guerra e contra a humanidade no caso da Ucrânia.
A Rússia de Putin comete atrocidades contra a população ucraniana
todos os dias, na mais completa indiferença dos governos brasileiros desde o
início da guerra de agressão.
O apoio objetivo do Brasil à Rússia não começou em 24 de fevereiro
de 2022, quando dezenas de milhares de soldados russos marcharam em diversas
frentes a partir da Rússia e da Belarus, com intenção de decapitar o seu
governo, conquistar a capital Kiyv e submeter todo o território ucraniano à
dominação do imperialismo russo. Essa postura complacente com a violação da
soberania ucraniana começou em fevereiro de 2014, quando o governo petista de
Dilma Rousseff se recusou a considerar a invasão e a anexação ilegais da península
ucraniana da Crimeia como uma violação da Carta da ONU e uma flagrante infração
ao Direito Internacional, sob a equivocada justificativa de que se tratava de
“uma questão interna da Ucrânia”, como declarou a presidente.
Seja o governo Dilma, seja o governo Temer continuaram mantendo
relações normais com a Rússia, eximindo-se de introduzir sanções contra o
Estado agressor, como o fizeram todos os Estados que seguiram a letra e o
espírito da Carta da ONU, cujos artigos mais relevantes comandam não apenas a
condenação do ato ilegal, mas também a solidariedade com o Estado agredido, o
que implica justamente a introdução de sanções políticas e econômicas contra o
Estado agressor.
O governo de Jair Bolsonaro, que tomou posse em 2019, reincidiu no
apoio objetivo e reiterado à agressão russa, e fez pior: intensificou as
importações de combustíveis e fertilizantes, por razões eleitoreiras e o chefe
de Estado ainda tomou a iniciativa de visitar pessoalmente o ditador russo uma
semana antes do início da invasão total da Ucrânia, em fevereiro de 2022,
contra as recomendações da diplomacia profissional para que essa viagem fosse
feita. Bolsonaro não só viajou à Rússia, como ainda declarou seu apoio ao
tirano de Moscou. Na própria invasão, a representação brasileira em Nova York
seguiu as instruções da SERE em Brasília no sentido de conceder uma aprovação
formal da Assembleia Geral — uma vez que o CSNU estava paralisado pelo veto
russo —, condenando a ação russa, mas evitando distinguir entre agressor e
agredido e recomendando que as partes envidassem esforços diplomáticos para a
cessação do conflito, como se as partes fossem equivalentes. Bolsonaro
continuou importando combustível e fertilizantes e seu governo não seguiu
nenhuma das medidas sancionadoras adotadas pelos países que respeitam a Carta
da ONU e o Direito Internacional.
Lula, desde a candidatura à presidência em 2022, já declarava seu
apoio ao ditador de Moscou e recomendava, em 2023, que a Ucrânia cedesse
terreno em troca da paz. Em diversas outras ocasiões o presidente e seu assessor
internacional reproduziram o apoio político do Brasil, inclusive em termos
práticos, ao aumentar de forma exponencial as importações brasileiras de
produtos russos, de óleo e fertilizantes. Ao longo dos últimos cinco anos do
conflito, a despeito de um oferecimento para mediar, junto com a China,
negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, o governo Lula tem,
ostensivamente, denegado sancionar a Rússia pela sua violação da Carta da ONU.
Nesse intervalo de tempo, o projeto do Brics também aumentou exponencialmente,
com a inclusão de novos membros, geralmente Estados autoritários. Lula visitou
pessoalmente Putin, convidou-o a vir ao Brasil, ignorando completamente o
mandado de prisão contra o ditador russo pelo TPI, pelo sequestro de crianças.
Em todo o período, não existe uma única nota do Itamaraty condenando
os ataques russos contra alvos civis ucranianos, sequer como solidariedade pela
perda de vidas e destruição de sites culturais. Desde 2014, a postura
brasileira tem sido de apoio objetivo à causa russa, o que é propriamente
vergonhoso.
Mais uma das
comparações históricas talvez indevidas.
“Possibilidades econômicas para os nossos netos” foi o
título de um artigo mais filosófico do que econômico que o já famoso economista
britânico John Maynard Keynes publicou em junho de 1930, declarando seu
relativo otimismo no longo prazo em meio às angústias da crise econômica já
convertida em mundial, depois da quebra da Bolsa de NY, em outubro de 1929.
Keynes estava preocupado com uma solução imediata, ou seja, a curto prazo, dos
enormes problemas econômicos criados pela grande crise, pois dizia que “a longo
prazo todos estaremos mortos”, isto é, não adiantava esperar benesses no futuro
distante, e sim trabalhar para que os problemas presentes fossem resolvidos de
modo expedito.
Tanto foi assim que escreveu uma carta ao candidato
Franklin D. Roosevelt, antes que ele vencesse e tomasse posse nos EUA,
oferecendo “soluções” para a crise da Depressão e do desemprego. Não existem
evidências de que Roosevelt tenha seguido qualquer recomendação de Keynes
quando começou a formular e implementar políticas “keynesianas” antes que o
britânico publicasse o seu famoso “Teoria Geral” em 1936 (que não é bem uma
teoria, muito menos geral).
Permito-me relembrar que o Brasil de 1931 saiu
relativamente rápido da crise de 1929, tendo começado a aplicar precocemente
medidas “keynesianas” avant la lettre, sem que o conservador primeiro ministro
da Fazenda do governo provisório de Vargas, um banqueiro paulista (antes de
Oswaldo Aranha ocupasse a função no final de 1931), fizesse qualquer referência
às ideias do professor de Cambridge.
Esta introdução histórica vai no sentido contrário ao
otimismo do economista britânico em 1930, pois acredito que estamos pior no
curto prazo e sem possibilidades econômicas positivas para os nossos netos no
longo prazo.
A razão é que vejo um desmantelamento quase completo
da ordem econômica e politica criada por nossos avós 80 anos atrás, sem
qualquer visão ou mera possibilidade de correção no curto ou médio prazo, em
virtude dos terríveis golpes assestados contra os sistemas multilaterais nos
planos político e econômico por dois autocratas desvaiarados desde vários anos.
O desastre começou com a resolução de Putin de tentar
recriar o espaço geopolítico conquistado pelos seus antecessores czaristas e
soviéticos, anunciada desde 2005-2007 — quando ele falou da “maior catástrofe
do século XX” como sendo a implosão do império soviético. Já em agosto de 2008
ele passou à ação, invadindo o norte da Georgia; recrudesceu em 2010, apoiando
comunidades russas na Transnístria, Moldova do norte, fronteira com a Ucrânia;
lançou sua grande ofensiva contra o maior país da Europa Ocidental, fomentando
revoltas no Donbas (Ucrânis oriental) e invadindo e anexando ilegalmente a
peninsula ucraniana da Crimeia em fevereiro de 2014. Foram suas primeiras
violações da Carta da ONU, fracamente respondidas pelas potências ocidentais, e
totalmente ignoradas pela diplomacia brasileira (em desrespeito às suas
tradições e fundamentos doutrinais).
O desastre continuou sob Trump 1 (2017/2020), que
desrespeitou de forma unilateral e brutalmente a cláusula de nação mais
favorecida, e que continuou, sob Trump 2 (2025-202?), a desmantelar o sistema
multilateral de comércio com suas medidas unilaterais de insanidade tarifária.
A terceira grande potência econômica, a China, observa
esse duplo trabalho de destruição, colabora com o primeiro — em virtude de sua
“aliança sem limite” com o tirano de Moscou — e assiste de maneira displicente
ao segundo, certa de que tudo o que os dois autocratas fazem a beneficiará no
médio e no longo prazo.
Mas o recrudescimento brutal dos ataques dos dois
desvairados autocratas a seus supostos “inimigos” respectivos traz um sabor de
“anos 30” aos tempos atuais, como mencionei no titulo desta nota. Não vejo
condições de se retornar ao “status Social quo ante”, mesmo no desaparecimento
dos dois citados autocratas (que espero no mais curtíssimo prazo).
A razão é que as instituições econômicas e políticas
foram tão abaladas pelos dois dirigentes demenciais, que será preciso um enorme
trabalho de reconstrução geopolitica para colocar novamente o mundo numa ordem
aceitável nos termos requeridos pela terceira grande potência militar e segunda
econômica, assim como pela meia grande potência econômica da UE, pelos outros
grandes parceiros do G7 — Japão, Reino Unido, Canadá — e por alguns outros
membros do G20, entre eles o Brasil, cujo governo atual anda pendendo para o
lado de uma fantasmagórica “nova ordem global multipolar, propista pelas duas
grandes autocracias antiamericanas.
Não creio que nós, ou nossos netos já presentes,
enfrentaremos um novo conflito global — que desta vez poderia representar um
enorme desafio civilizatório, de natureza nuclear —, mas acredito que
conviveremos com esse caos relativo no curto e no médio prazo.
Sorry pelo pessimismo relativo, mas no mundo tudo é
relativo, como poderia dizer um outro grandd pensador. O problema é que os dois
perturbadores da ordem global não pensam muito, ou pensam errado. Nossos netos
não terão o mundo benfajezo imaginado por Keynes em 1930.
A reforma da Carta da ONU e a ampliação do seu Conselho de Segurança: um sonho impossível? - artigo de Ljubo Runjic (Brazilian Journal of International Law)
Em 2017 fui convidado para efetuar um parecer sobre um artigo bastante importante em torno dos projetos de reforma da Carta da ONU, visando especificamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou seja, sua ampliação e incorporação de novos membros. A despeito de muita discussão desde quando o assunto foi incluído na agenda da Assembleia Geral, em 1992, o tema nunca progrediu como esperado pelos eventuais candidatos, entre eles o Brasil, em função, obviamente, da oposição dos cinco membros permanentes. Não se pode dizer que o assunto continue na pauta depois da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, desde 2014 (na Crimeia) e amplamente desde 2022, e também depois da mudança de política externa do governo Trump nos EUA, em seus dois mandatos (2017-2020 e 2025-20??), com uma orientacão baseada na forca bruta, em lugar do diálogo multilateral. O artigo foi este aqui:
Reform of the United Nations Security Council: The Emperor Has No Clothes Brazilian Journal of International Law, v. 14, n. 2, 2017 23 Pages Posted: 7 Nov 2017 Ljubo Runjic Polytechnic of Sibenik
Date Written: November 1, 2017
Abstract: Although the United Nations General Assembly included the issue of the Security Council's reform on its agenda in 1992, the negotiations on this vital issue haven't broken the impasse even after a quarter of a century. At the same time we have testified to a series of major armed conflicts worldwide. This article emphasizes the need for an urgent reform of the Security Council, i.e. unacceptability of its further postponement, because the Council has largely failed in performing its main function – maintenance of international peace and security. Furthermore, the Security Council has no longer the necessary credibility, legitimacy and representativeness for the enactment and implementation of key decisions. The article analyzes key issues of the reform of the Security Council and proposes some possible solutions regarding the composition of the Council and the issue of veto. Finally, the article reviews the unsuccessful efforts to reform the Council with a special emphasis on the events on the eve of the 70th anniversary of the United Nations.
Keywords: United Nations, Security Council, reform License Information The copyright holder has granted SSRN a license. All rights reserved. No reuse allowed without permission. JEL Classification: K33
Suggested Citation: Runjic, Ljubo, Reform of the United Nations Security Council: The Emperor Has No Clothes (November 1, 2017). Brazilian Journal of International Law, v. 14, n. 2, 2017, Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=3065295
O que aconteceu em Ceuta não foi uma migração espontânea e sim um episódio de guerra híbrida
Paulo Roberto de Almeida
Movimentos aparentemente de “massa” podem ser criados por organizações criminosas ou resultar da ação deliberada de governos por razões politicas ou “geopoliticas”.
Ao inicio da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, o governo de Putin induziu seu vassalo e serviçal da Belarus, o ditador Lukashenko, a pressionar a UE, na fronteira com a Polônia, pela “remessa” de pacotes de estrangeiros indocumentados, geralmente africanos ou asiáticos, que viviam na Rússia a ingressarem ilegalmente pelas fronteiras do território polonês com a Belarus.
Em Ceuta se tratou do governo Trump 2, em conluio com a monarquia marroquina, a “enviar” pacotes de jovens marroquinos e outros estrangeiros vivendo no Marrocos a pressionar o governo da Espanha, hostilizado por Trump por sua politica contrária à guerra de agressão israelo-americana contra a República teocrática do Irã.
Movimentos migratórios espontâneos não possuem as características que assumiram nas fronteiras polonesas e em Ceuta. Trata-se de “guerra híbrida”, por motivos alheios ou externos aos cenários diretamente envolvidos.
Putin e Trump, este subordinado ao primeiro, são “irmãos gêmeos” na violação do Direito Internacional e do direito humanitário.
La corruption dans les forces armées russes n’est pas un phénomène nouveau, mais elle a atteint sous Poutine des proportions proprement sidérantes qui auraient dû alerter les observateurs bien avant le premier coup de canon. Les pratiques qui auraient valu des procès en cour martiale dans n’importe quelle armée professionnelle sont devenues la norme institutionnelle en Russie, où chaque maillon de la chaîne logistique représente une opportunité de gain personnel aux dépens de l’efficacité militaire. Cette corruption n’épargne aucun secteur, du simple soldat qui revend son carburant sur le marché noir aux généraux qui siphonnent les budgets d’équipement pour s’offrir des dachas luxueuses et des comptes en Suisse.
Les témoignages recueillis depuis le début du conflit sont éloquents sur l’étendue du désastre. Des colonnes entières de véhicules se sont retrouvées à court de carburant à quelques dizaines de kilomètres de leur base de départ, non pas parce que les réserves n’existaient pas, mais parce que les officiers responsables de la logistique avaient revendu le précieux liquide bien avant que les premiers chars ne prennent la route. Des unités d’élite censées bénéficier des meilleurs équipements se sont retrouvées avec des gilets pare-balles expirés, des jumelles de vision nocturne inopérantes et des systèmes de communication incapables de fonctionner au-delà de quelques centaines de mètres. L’argent était là, alloué par le budget de l’État, mais il n’a jamais atteint sa destination finale, dévoré par une clique de profiteurs qui prospèrent sur l’incompétence généralisée.
Cette corruption généralisée n’est pas qu’une simple question d’argent détourné, elle représente une trahison envers chaque soldat envoyé au front avec un équipement défaillant, chaque famille qui attend le retour d’un proche parti se battre avec des armes inférieures à celles promises. Le système russe a sacrifié ses propres enfants sur l’autel du profit personnel, et c’est peut-être le crime le plus impardonnable de cette guerre.
Les conséquences mortelles sur le terrain
L’impact de cette prédation institutionnalisée se mesure en vies humaines sur le terrain ukrainien. Les rapports font état de soldats russes contraints de pourchasser les pigeons pour se nourrir, de vider les fermes environnantes de leurs animaux pour éviter la famine, pendant que les officiers supérieurs continuaient de profiter des confortables allocations de terrain. Cette situation grotesque rappelle les pires moments des campagnes napoléoniennes, sauf que Napoléon avait au moins l’excuse de la distance et de l’hostilité du terrain, tandis que les forces russes opèrent à quelques centaines de kilomètres de leurs bases, sur un territoire dont les infrastructures n’ont pas été totalement détruites.
Logistique et approvisionnement : le talon d'Achille mortel
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Une chaîne d’approvisionnement brisée
La logistique militaire est souvent décrite comme l’art de faire arriver les bonnes choses au bon endroit au bon moment, et c’est précisément dans cet art que l’armée russe a brillé par son incompétence totale. Les rapports des instituts de recherche occidentaux, notamment le Chatham House et le Royal United Services Institute, ont documenté avec précision l’effondrement progressif de la capacité russe à maintenir ses lignes d’approvisionnement. Ce qui devrait être la base fondamentale de toute opération militaire moderne s’est transformé en un casse-tête insurmontable pour un État qui prétendait pouvoir projeter sa puissance sur plusieurs continents.
Les problèmes logistiques russes s’inscrivent dans une tradition historique de négligence organisationnelle, mais ils ont été considérablement aggravés par les sanctions internationales qui ont privé l’industrie militaire russe de composants essentiels. Les chaînes de production d’équipements de haute technologie dépendaient massivement d’importations occidentales que Moscou ne peut plus se procurer légalement. Cette dépendance, jamais admise publiquement, a révélé au grand jour l’incapacité de l’industrie russe à produire de manière autonome les composants électroniques, les systèmes optiques et les matériaux avancés nécessaires aux armements modernes. Les usines tournent au ralenti, les ingénieurs qualifiés fuient le pays, et les tentatives de contourner les sanctions par des circuits parallèles ne suffisent pas à combler les besoins.
Il y a une ironie cruelle à voir la Russie, héritière d’une industrie militaire soviétique qui fut jadis l’envie du monde entier, réduite à mendier des drones iraniens et des munitions nord-coréennes pour maintenir son effort de guerre. Le géant aux pieds d’argile n’a jamais été aussi fragile, et chaque mois qui passe révèle de nouvelles fissures dans une structure que la propagande s’acharnait à présenter comme indestructible.
Le piège de l’attrition
La stratégie russe s’est progressivement enlisée dans une guerre d’attrition que Moscou n’avait absolument pas anticipée et pour laquelle elle n’était pas préparée. Les planificateurs militaires russes avaient conçu leurs opérations pour un conflit court, intense, se terminant par une victoire rapide qui aurait légitimé l’ensemble de l’entreprise aux yeux de la population et de la communauté internationale. Au lieu de cela, l’armée russe se retrouve engagée dans une guerre de positions qui épuise ses ressources humaines et matérielles à un rythme insoutenable, sans perspective de percée décisive. Cette transformation d’un conflit censé être éclair en une guerre d’usure interminable représente l’un des plus graves échecs stratégiques de l’histoire militaire moderne.
L'échec des réformes militaires : une modernisation fantôme
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Les promesses non tenues du programme 2011-2020
Le programme de modernisation lancé en 2011 devait être la pierre angulaire de la renaissance militaire russe, transformant une armée soviétique vieillissante en une force moderne capable de projeter sa puissance au-delà des frontières. Dix ans plus tard, les résultats parlent d’eux-mêmes : une grande partie des équipements présentés comme nouveaux étaient en réalité d’anciens modèles légèrement modernisés, et les systèmes véritablement innovants annoncés avec fracas restaient invisibles sur le terrain. Cette situation s’explique par la conjonction de plusieurs facteurs : la corruption endémique qui a détourné les budgets d’équipement, l’incompétence industrielle qui a retardé les programmes de développement, et le conservatisme des états-majors qui a préféré les équipements familiers aux systèmes plus performants mais moins bien maîtrisés.
Les exemples d’équipements qui n’ont jamais atteint les unités de première ligne sont légion. Les nouveaux chars T-14 Armata, présentés comme les plus avancés au monde lors des parades de la Victoire, brillent par leur absence sur le front ukrainien, leurs systèmes trop complexes et trop coûteux ayant été jugés impossibles à déployer en nombre suffisant. Les systèmes de communication modernes qui devaient permettre une coordination parfaite entre les différentes unités se sont révélés inexistants ou inopérants, obligeant les commandants à utiliser des réseaux civils facilement interceptés par les Ukrainiens. Les drones de combat qui devaient donner à la Russie une supériorité aérienne sans précédent ont été supplantés par des engins iraniens importés en urgence pour combler les lacunes d’une industrie nationale incapable de produire des plateformes compétitives.
Cette incapacité à honorer les promesses de modernisation révèle quelque chose de profondément dysfonctionnel dans le système russe : un écart permanent entre les ambitions affichées et les capacités réelles, entre la propagande et la réalité, entre ce que le pays prétend être et ce qu’il est vraiment. Ce n’est pas simplement un échec industriel ou militaire, c’est l’échec d’un modèle entier de gouvernance.
L’industrie de défense en déliquescence
Les arsenaux russes qui produisaient jadis des armes utilisées dans le monde entier traversent une crise sans précédent qui menace leur existence même. Les sanctions occidentales ont coupé l’accès aux composants essentiels, les ingénieurs qualifiés ont fui le pays par milliers, et les investissements dans la recherche et le développement ont été sacrifiés au profit d’une production de masse d’équipements obsolètes. Cette situation crée un cercle vicieux : plus l’industrie produit des équipements dépassés, moins elle est capable de développer des systèmes compétitifs, et plus l’armée dépend d’équipements qui la rendent vulnérable face à des adversaires technologiquement supérieurs.
L'impasse stratégique : une victoire impossible
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L’erreur fondamentale de sous-estimation
Les experts du Royal United Services Institute ont parfaitement résumé l’erreur fondamentale du Kremlin dans leur assessment : les Russes ont surestimé leurs propres capacités tout en sous-estimant spectaculairement les Ukrainiens, aveuglés par une vision raciste et impérialiste qui considérait les Ukrainiens comme des « petits Russes », un peuple inférieur incapable de résister à la puissance militaire de leur grand voisin. Ce mépris, ancré dans des décennies de propagande impériale, a conduit à une planification désastreuse qui n’a jamais envisagé sérieusement la possibilité d’une résistance prolongée. Les opérateurs russes ont été envoyés au combat avec des ordres de ne pas tirer, convaincus que la population ukrainienne les accueillerait en libérateurs, une erreur d’appréciation qui a coûté cher en vies humaines et en équipements dès les premiers jours du conflit.
Cette erreur d’appréciation n’était pas qu’une simple question de renseignement défaillant, elle reflétait une culture institutionnelle incapable de concevoir que des peuples anciennement soumis puissent développer une identité nationale distincte et une volonté de défense farouche. Les planificateurs russes ont projeté leurs propres fantasmes impériaux sur la réalité ukrainienne, imaginant un pays divisé, une armée démotivée, une population prête à se soumettre. Chacun de ces présupposés s’est heurté à une réalité radicalement différente, transformant ce qui devait être une promenade militaire en une épreuve de force dont la Russie ne sortira pas intacte.
Cette arrogante sous-estimation de l’adversaire rappelle les pires moments de l’histoire militaire, ces moments où des puissances convaincues de leur supériorité intrinsèque se heurtent à la dure réalité d’un ennemi qui refuse de jouer le rôle qu’on lui a assigné. La résistance ukrainienne restera dans les annales comme un exemple lumineux de ce qu’un peuple déterminé peut accomplir face à un agresseur techniquement supérieur mais moralement vide.
L’impossibilité d’une victoire conventionnelle
Trois ans après le début des hostilités, la victoire conventionnelle que Poutine avait promise est devenue un objectif manifestement impossible à atteindre. L’armée russe a démontré son incapacité à percer les lignes de défense ukrainiennes de manière décisive, à maintenir des avancées territoriales significatives, ou à détruire la capacité de résistance adverse malgré des ressources théoriquement supérieures. Chaque tentative d’offensive majeure s’est soldée par des pertes considérées pour des gains territoriaux minimes, transformant le conflit en une guerre de positions où les deux camps s’épuisent sans qu’aucun ne puisse prétendre à une victoire décisive.
Les conséquences économiques : une Russie appauvrie
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Le spectre de l’effondrement soviétique
Les services de renseignement ukrainiens ont dressé un parallèle saisissant entre la situation économique actuelle de la Russie et la crise qui a précédé l’effondrement de l’Union soviétique. Si l’échelle des problèmes actuels reste inférieure à celle des années 1990, la trajectoire est identique : des difficultés financières croissantes masquées par l’endettement, une économie de plus en plus dépendante de l’exportation de matières premières, une fuite des capitaux et des talents qui prive le pays de ses forces vives. Cette comparaison n’est pas qu’une simple analogie, elle reflète une réalité économique où la Russie s’engage dans une spirale de déclin qui pourrait s’avérer irréversible si les tendances actuelles se poursuivent.
Les sanctions économiques imposées par l’Occident ont accéléré un processus de marginalisation économique qui était déjà en cours avant le conflit. La Russie s’est retrouvée coupée des marchés financiers internationaux, privée d’accès aux technologies occidentales, contrainte de restructurer l’ensemble de ses chaînes d’approvisionnement vers des partenaires asiatiques moins exigeants mais aussi moins fiables. Cette réorientation forcée a un coût considérable en termes de compétitivité économique, de qualité des produits disponibles, et de capacité d’innovation à long terme. Le pays qui ambitionnait de devenir une puissance technologique alternative à l’Occident se retrouve transformé en un fournisseur secondaire de ressources naturelles pour les économies chinoise et indienne en pleine expansion.
Il y a quelque chose de profondément triste dans ce déclin économique d’un pays qui avait tous les atouts pour prospérer : des ressources naturelles immenses, une population éduquée, une tradition scientifique respectable. Ces atouts ont été gaspillés par un système incapable de les valoriser, une gouvernance qui a préféré l’enrichissement immédiat d’une élite corrompue au développement durable du pays tout entier.
L’avenir économique bouché
Les perspectives économiques à long terme de la Russie sont parmi les plus sombres de son histoire récente, avec une combinaison de facteurs qui s’alimentent mutuellement pour créer une spirale négative difficile à inverser. La fuite des cerveaux a privé le pays d’une partie significative de sa main-d’œuvre qualifiée, les investissements étrangers ont fui un environnement devenu trop risqué, et la dépendance croissante envers la Chine transforme progressivement la Russie en un État vassal économique de son puissant voisin asiatique. Cette situation représente un échec stratégique majeur pour un pays qui ambitionnait de redevenir une puissance mondiale autonome.
L'impératif impérial : une menace persistante
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Une ambition qui ne mourra pas
Même si la Russie sortait du conflit ukrainien dans un état considérablement affaibli, son impulsion impériale ne disparaîtra pas avec les échecs militaires. Cette ambition de domination régionale est ancrée dans l’ADN de l’État russe depuis des siècles, alimentée par une vision du monde qui considère les pays voisins comme des zones d’influence légitimes plutôt que des souverainetés indépendantes. Les experts s’accordent à dire que seule l’effondrement complète de l’État russe pourrait mettre fin à cette dynamique expansionniste, une perspective qui reste improbable même dans les scénarios les plus pessimistes pour Moscou. La paix durable en Europe de l’Est nécessitera donc une vigilance permanente et des garanties de sécurité robustes pour les pays frontaliers de la Russie.
Cependant, les capacités militaires russes ont été suffisamment dégradées par le conflit ukrainien pour rendre improbable toute tentative d’agression contre les pays baltes ou la Pologne dans un avenir prévisible. Les pertes en équipements modernes, en personnel entraîné et en ressources financières ont repoussé de plusieurs décennies la capacité russe à projeter sa puissance militaire contre un adversaire de niveau comparable. Cette dégradation n’élimine pas la menace à long terme, mais elle offre une fenêtre d’opportunité cruciale pour les pays de l’OTAN afin de renforcer leurs défenses et de consolider leur dissuasion face à une Russie qui restera dangereuse malgré ses faiblesses apparentes.
Cette réalité d’une Russie affaiblie mais toujours dangereuse oblige l’Occident à maintenir une vigilance que l’histoire a trop souvent démontrée nécessaire. Les cycles d’expansion et de repli de la puissance russe font partie de l’ADN européen depuis des siècles, et l’erreur serait de croire que la défaite actuelle sonne le glas définitif des ambitions impériales moscovites.
La nécessité d’une présence occidentale
Les experts du Royal United Services Institute ont souligné un point crucial : la seule manière d’assurer une paix viable en Ukraine serait le déploiement de troupes de l’OTAN comme force de dissuasion contre toute nouvelle agression russe. Sans cette garantie concrète, les Ukrainiens n’auraient aucune raison de croire en la pérennité de leur État, et les investissements nécessaires à la reconstruction du pays deviendraient impossibles à justifier. Cette présence occidentale ne serait pas une provocation mais une réponse nécessaire à une agression qui a démontré sa réalité par trois ans de conflit destructeur.
L'Occident face à ses responsabilités
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Ne pas céder au chantage
L’un des enseignements les plus importants de ce conflit est la nécessité pour l’Occident de ne pas céder au chantage nucléaire et aux menaces d’escalade systématiquement brandies par le Kremlin. La Russie a développé une rhétorique de l’intimidation qui menace régulièrement de conséquences catastrophiques en cas de soutien occidental à l’Ukraine, une stratégie qui a fonctionné pendant des années pour limiter l’engagement des puissances occidentales. Or, cette intimidation repose largement sur du bluff, comme l’a démontré le fait que chaque escalade de l’aide militaire occidentale n’a jamais déclenché les représailles massives promises par Moscou. Reconnaître cette réalité est essentiel pour définir une politique de soutien à l’Ukraine qui ne se laisse paralyser par des menaces creuses.
Le rapport du European Council on Foreign Relations publié en janvier 2026 a parfaitement résumé cette nécessité : l’Occident doit cesser de croire au mythe de l’invincibilité russe et exploiter les faiblesses du Kremlin pour obtenir une négociation authentique plutôt qu’une capitulation déguisée. Cette approche implique de maintenir et d’augmenter le soutien militaire à l’Ukraine, de renforcer les sanctions économiques contre la Russie, et de démontrer clairement que la patience occidentale n’est pas illimitée mais que la détermination à soutenir un allié agressé reste intacte. C’est seulement par cette démonstration de résolution que Moscou peut être contraint à des négociations sincères.
Le moment est venu pour l’Occident de comprendre que la fermeté n’est pas une provocation mais une nécessité, que céder au chantage ne fait qu’encourager de nouvelles exigences, et que la crédibilité des démocraties est en jeu dans leur capacité à soutenir un peuple qui défend ses valeurs face à l’agression. L’Ukraine ne demande pas que l’on combatte à sa place, mais qu’on lui donne les moyens de se défendre.
Doubler les efforts pour la victoire ukrainienne
La conclusion des experts est sans appel : l’Occident doit doubler son soutien à l’Ukraine plutôt que de chercher des accommodements avec un régime qui n’a jamais respecté ses engagements internationaux. Cette approche n’est pas simplement une question de solidarité avec un allié agressé, elle répond à un impératif stratégique de longue portée pour la sécurité européenne. Une Russie qui sortirait du conflit avec des gains territoriaux validés par un accord de paix précipité serait encouragée à reproduire le même scénario contre d’autres voisins, tandis qu’une Russie confrontée à un échec clair serait forcée de reconsidérer ses ambitions expansionnistes. Le choix occidental entre ces deux scénarios déterminera la configuration de la sécurité européenne pour les décennies à venir.
Les leçons militaires du conflit
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L’importance de la logistique
Ce conflit a cruellement démontré l’importance de la logistique militaire dans les opérations modernes, une leçon que les armées occidentales avaient tendance à sous-estimer dans un contexte de projection de puissance lointaine. Les Russes ont échoué non pas parce qu’ils manquaient d’armes sophistiquées, mais parce qu’ils ont été incapables d’acheminer les munitions, le carburant et les pièces de rechange nécessaires aux opérations soutenues. Cette carence a transformé ce qui aurait pu être des offensives décisives en avancées timides suivies de replis humiliants, chaque poussée étant limitée par l’incapacité à maintenir les lignes d’approvisionnement. Les armées occidentales, qui ont pris l’habitude de combats de haute intensité mais de courte durée au Moyen-Orient, doivent tirer les leçons de ce conflit pour leurs propres doctrines d’approvisionnement.
L’importance des drones et des systèmes de surveillance a également été soulignée par ce conflit, qui a vu l’émergence d’une forme de combat où chaque mouvement peut être détecté et frappé en temps réel. Les armées russes et ukrainiennes ont dû adapter leurs tactiques à cette nouvelle réalité, renonçant aux mouvements de masse au profit d’actions dispersées et camouflées. Cette évolution impose une révolution doctrinale que les armées occidentales n’ont pas encore pleinement intégrée, et qui nécessite des investissements considérables en contre-mesures électroniques et en systèmes de protection active pour les véhicules terrestres.
Cette évolution technologique du champ de bataille représente à la fois un défi et une opportunité pour les armées occidentales. Un défi parce que les équipements actuels n’ont pas été conçus pour ce type d’environnement saturé de drones et de senseurs. Une opportunité parce que les démocraties occidentales possèdent les capacités technologiques et industrielles pour développer les solutions de demain, à condition d’investir maintenant plutôt que d’attendre d’être confrontées au même type de menace.
La résilience ukrainienne comme modèle
La résistance ukrainienne a démontré qu’une nation déterminée pouvait compenser une infériorité numérique et technologique par une supériorité morale et organisationnelle. Les Ukrainiens ont su adapter leurs tactiques, exploiter les faiblesses adverses, et maintenir une cohésion nationale malgré les pertes et les destructions massives. Cette résilience offre des enseignements précieux pour tous les pays qui pourraient se trouver confrontés à une agression similaire et qui doivent planifier leur défense en conséquence. L’importance de la préparation de la population, de la formation des réservistes, de la dispersion des stocks militaires, et de la planification de la résistance en territoire occupé a été cruellement démontrée par ce conflit.
Le prix humain d'une guerre inutile
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Les victimes oubliées
Derrière les analyses stratégiques et les considérations géopolitiques, il ne faut jamais perdre de vue le prix humain effroyable de cette guerre qui n’aurait jamais dû avoir lieu. Des centaines de milliers de soldats russes et ukrainiens ont perdu la vie, des millions de civils ont été déplacés, des villes entières ont été rasées, des familles ont été déchirées par des lignes de front qui traversent des communautés autrefois unies. Ces souffrances ne sont pas des dommages collatéraux inévitables d’un conflit nécessaire, mais le résultat direct d’une aventure militariste lancée par un régime qui a sciemment sacrifié des vies humaines pour des ambitions de grandeur délirantes.
Les crimes de guerre documentés sur le territoire ukrainien ajoutent une dimension supplémentaire à cette tragédie humaine. Les exécutions sommaires, les déportations forcées, les bombardements indiscriminés des zones résidentielles, les actes de torture et de violence sexuelle perpétrés par les forces russes constituent une souillure morale qui ne sera pas effacée par un accord de paix. Ces actes exigent une justice que les victimes sont en droit d’attendre, et dont l’absence constituerait une victoire supplémentaire pour l’impunité dont bénéficient les puissants qui lancent des guerres sans jamais en subir eux-mêmes les conséquences.
Cette guerre a créé une génération d’orphelins, de veuves, de blessés à vie dont les cicatrices ne guériront jamais vraiment. Ces victimes méritent que le monde se souvienne d’elles, que leur sacrifice ne soit pas oublié derrière les négociations diplomatiques et les calculs géopolitiques. Chaque vie perdue est un monde détruit, et le devoir de mémoire est le minimum que nous devons à ceux qui ont souffert pour les errements d’un dictateur.
Les cicatrices durables
Même après la fin des hostilités, les séquelles de cette guerre perdureront pendant des générations. Les traumatismes psychologiques, les invalidités permanentes, les destructions environnementales, la contamination des sols par les munitions et les mines créeront des obstacles au développement de l’Ukraine pour des décennies. La reconstruction du pays nécessitera des investissements considérables que la communauté internationale aura la responsabilité d’assumer, non pas par charité mais par solidarité avec une nation qui a défendu des valeurs communes face à une agression injustifiée.
Conclusion : Un avenir à construire ensemble
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L’espoir malgré tout
Malgré l’ampleur des destructions et la gravité des défis qui attendent l’Ukraine et l’Europe, il reste des raisons d’espérer. La détermination ukrainienne n’a jamais faibli, la solidarité occidentale s’est révélée plus robuste que prévu, et la Russie a démontré ses faiblesses de manière irréfutable. Ces éléments offrent une base pour construire un avenir où l’agression ne paie pas, où les frontières ne peuvent être redessinées par la force, et où les peuples ont le droit de choisir leur propre destin. Cette vision n’est pas une utopie naïve mais un objectif réaliste si l’Occident maintient sa résolution et refuse de céder aux pressions du Kremlin.
Le chemin vers la paix durable sera long et difficile, semé d’obstacles et de rechutes possibles. Il nécessitera une vigilance constante, des investissements militaires soutenus, une coopération renforcée entre alliés occidentaux, et une détermination inébranlable à ne pas abandonner les Ukrainiens à leur sort. Mais l’alternative, une capitulation face à l’agression qui encouragerait d’autres aventures similaires, est inacceptable. L’histoire jugera les dirigeants occidentaux sur leur capacité à rester fidèles aux valeurs qu’ils prétendent défendre, et les peuples d’Europe sur leur solidarité envers une nation qui a payé le prix fort pour sa liberté.
Le combat de l’Ukraine est le combat de tous ceux qui croient que la liberté vaut mieux que la soumission, que le droit doit primer sur la force, que les peuples ont le droit de décider de leur propre avenir. Ce combat n’est pas terminé, mais chaque jour qui passe confirme que la cause de la liberté, aussi difficile soit-elle à défendre, reste la seule qui vaille la peine d’être menée jusqu’au bout.
La responsabilité de l’Occident
L’Occident porte une responsabilité historique dans l’issue de ce conflit, une responsabilité qui va bien au-delà des intérêts géopolitiques immédiats. Les valeurs de liberté, de démocratie et de droit international que l’Ukraine défend sont celles que les démocraties occidentales prétendent incarner. Abandonner l’Ukraine ce serait trahir ces valeurs et admettre qu’elles ne valent que lorsqu’elles ne coûtent rien. Soutenir l’Ukraine jusqu’à la victoire, en revanche, ce serait affirmer que ces valeurs ont un prix et que les démocraties sont prêtes à le payer pour les défendre. Ce choix définira le monde de demain, et l’histoire n’oubliera pas ceux qui auront eu le courage de faire le bon.
Le moment est venu de choisir son camp, non pas entre l’Est et l’Ouest, mais entre le droit et la force, entre la liberté et la soumission, entre un avenir où les peuples décident de leur destin et un monde où les dictateurs imposent leur volonté par les armes. L’Ukraine a fait son choix avec une clarté exemplaire. À l’Occident d’honorer le sien.
Signé Maxime Marquette
Encadré de transparence du chroniqueur
Crédit: Adobe Stock
À propos de cette analyse
Cet article s’appuie sur les travaux de recherche publiés par le Royal United Services Institute (RUSI), le Chatham House, le European Council on Foreign Relations et les services de renseignement ukrainiens. L’auteur a consulté les rapports disponibles publiquement et a croisé les informations pour présenter une analyse aussi complète et équilibrée que possible. Les opinions exprimées dans ce billet reflètent une lecture personnelle de la situation et n’engagent que leur auteur. La couverture médiatique de ce conflit nécessite une vigilance constante quant aux sources d’information et à leur fiabilité, les deux camps pratiquant une guerre de l’information parallèle aux combats militaires. Le lecteur est invité à consulter les sources originales pour approfondir sa compréhension des enjeux présentés.
La guerre en Ukraine représente l’un des conflits les plus documentés de l’histoire, mais aussi l’un des plus sujets à désinformation. Ce billet tente de naviguer entre les écueils propagandistes des deux camps pour offrir au lecteur une perspective lucide sur une réalité souvent déformée par les intérêts partisans.
O texto inserido é um fato no que diz respeito à sua procedência institucional e autoria.
Trata-se da reprodução de um artigo de opinião (um billet) intitulado "Poutine piégé par son propre système", escrito por Maxime Marquette e publicado originalmente no portal Votre Dose Quotidienne em fevereiro de 2026. O conteúdo foi legitimamente replicado em 3 de agosto de 2026 no renomado blog Diplomatizzando, mantido pelo diplomata, historiador e acadêmico brasileiro Paulo Roberto de Almeida.
Como o texto pertence ao gênero de análise geopolítica e crônica de opinião, o
julgamento de "fato" aplica-se à autenticidade da publicação e ao uso de dados reais de inteligência, embora suas conclusões sobre o desfecho da guerra operem no campo da projeção e do debate de ideias.
Análise Crítica e Detalhada
O artigo de Marquette desenvolve uma tese central: a Rússia enfrenta um impasse militar intransponível na Ucrânia devido a falhas estruturais causadas pelo próprio modelo de governança de Vladimir Putin. O autor diagnostica a corrupção endêmica como uma "prédação institucionalizada" que corrói as forças armadas russas, listando desvios orçamentários, equipamentos obsoletos ou vencidos e falhas logísticas primárias (como a falta de combustível e rações no fronte).
A crítica aponta que a modernização militar russa prometida na década passada revelou-se uma "modernização fantasma", onde armamentos de ponta (como o tanque T-14 Armata) servem à propaganda de desfiles, mas não são viáveis em escala real de combate. A dependência forçada de armamentos iranianos e norte-coreanos é tratada como a prova cabal do esgotamento desse complexo industrial.
Confronto por Múltiplas Perspectivas
1. Perspectiva Econômica
O texto baseia sua argumentação econômica na deterioração das cadeias produtivas
russas sob o peso das sanções ocidentais, traçando um paralelo direto com o colapso
financeiro da União Soviética. O teto tecnológico imposto pelo isolamento impede a Rússia de acessar semicondutores e componentes ópticos avançados.
No entanto, economistas e analistas contrários apontam um "ponto cego" nessa
abordagem: a resiliência russa em transicionar para uma economia de guerra agressiva. Ao redirecionar suas exportações de hidrocarbonetos para a China e Índia, a Rússia conseguiu estabilizar seu PIB e financiar seu esforço bélico, desafiando a premissa de um estrangulamento financeiro imediato. A Rússia converteu-se em uma economia altamente militarizada, onde o gasto público em defesa funciona temporariamente como um motor de atividade econômica interna.
2. Perspectiva Tecnológica
Sob a ótica da tecnologia militar, o conflito na Ucrânia é o primeiro a ser amplamente
dominado por sensores omnipresentes, guerra eletrônica e frotas de drones civis
adaptados. O texto argumenta corretamente que a incapacidade russa de fornecer
comunicações seguras expôs suas tropas.
Contudo, o confronto tecnológico não é unilateral. A Rússia demonstrou uma curva de
aprendizado acentuada a partir de meados de 2024, aperfeiçoando sistemas de
interferência de GPS (guerra eletrônica) que neutralizaram munições ocidentais de alta precisão fornecidas à Ucrânia. O conflito tecnológico, portanto, transformou-se em uma
corrida de adaptação contínua, desmentindo a visão de uma obsolescência russa estática.
3. Perspectiva Geopolítica e de Defesa
A análise de Marquette alinha-se estritamente à doutrina de think tanks anglo-saxões, como o RUSI e o Chatham House, sugerindo que o Ocidente deve dobrar o apoio militar e que a paz só existirá com tropas da OTAN em solo ucraniano.
Sob a perspectiva da Realpolitik e das escolas geopolíticas realistas (como a de John
Mearsheimer), essa recomendação é vista como uma receita para a escalada global
catastrófica. O realismo geopolítico argumenta que a Rússia enxerga a expansão da OTAN como uma ameaça existencial. Portanto, o imperativo impérial citado pelo autor não é apenas um traço do "ADN expansionista" russo, mas uma reação de equilíbrio de poder na Europa Oriental, o que torna uma vitória convencional ocidental total extremamente complexa e perigosa.
4. Perspectiva Filosófica e Sociológica
O artigo examina o conflito sob uma lente moral e ética, denunciando a "traição" do Kremlin contra os seus próprios cidadãos ao enviá-los ao fronte sem suporte adequado.
Filosoficamente, expõe o conflito entre o universalismo democrático (defendido pelo
Ocidente e pela resistência ucraniana) e o particularismo nacionalista autocrático
(russo). O texto peca, contudo, por um viés de "eurocentrismo moral". Fora do eixo ocidental (EUA-Europa), grande parte do Sul Global (América Latina, África e partes da Ásia) não adota a mesma leitura maniqueísta da guerra. Para muitas dessas sociedades, o conflito é visto de forma pragmática e utilitarista, como uma disputa de esferas de influência entre grandes potências, desprovida da pureza ética sugerida pela narrativa ocidental.
5. Perspectiva Política e Jurisdicional
Do ponto de vista político interno, o artigo aponta para o "efeito bumerangue" do
ecossistema autocrático de Putin. Em sistemas centralizados e baseados no medo, os
relatórios enviados ao topo tendem a ser sistematicamente falseados para agradar ao
ditador, resultando em um erro crasso de planejamento estratégico ao subestimar a
Ucrânia.
No campo jurisdicional internacional, os crimes de guerra documentados e citados pelo autor criam uma ruptura duradoura no direito internacional. Mesmo que um acordo de paz político seja alcançado no futuro, a arquitetura jurídica internacional (como os mandados do Tribunal Penal Internacional) isolará a liderança russa por gerações, transformando a punição legal em uma ferramenta de coerção diplomática persistente.