Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Carta do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao presidente dos EUA Donald Trump: (Tradução de Madame IA, sob injunção de Airton Dirceu Lemmertz, o maior e mais prestativo interlocutor, instrutor e praticamente mestre de Madame IA, para 1001 utilidades):
Prezado Senhor Presidente,
A guerra no Oriente Médio está causando enorme sofrimento à população de todos os países da região. Vidas estão sendo perdidas, cidades estão sendo destruídas e civis inocentes estão sofrendo.
Mas as consequências desta guerra estão sendo sentidas em todo o mundo, inclusive na Ucrânia. Devido à guerra com o Irã, os preços do petróleo e do diesel subiram drasticamente. Isso significa custos mais altos para transporte, alimentos e produção industrial. Na prática, todas as famílias ucranianas estão sendo obrigadas a pagar por uma guerra na qual não temos absolutamente nenhum envolvimento.
Por isso, hoje dirijo-me ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um apelo direto: Senhor Trump, ponha fim a esta guerra imediatamente! Você não pode vencer. Além disso, na minha opinião, você já perdeu.
Certa vez, na Casa Branca, você me disse algumas palavras muito sábias. Lembro-me bem delas. E hoje, gostaria de lhe relembrar essas palavras: Senhor Trump, o senhor não tem cartas na manga! Continuar os combates só aumentará o número de vítimas e o sofrimento de civis inocentes. A Ucrânia sempre defendeu a paz. E não podemos ficar de braços cruzados enquanto nossos parceiros americanos continuam uma guerra sem perspectiva de vitória.
Por isso, devo alertá-los: se os Estados Unidos não cessarem as hostilidades contra o Irã, a Ucrânia será forçada a reconsiderar a extensão de sua cooperação técnico-militar e de inteligência com os Estados Unidos. Em particular, deixaremos de compartilhar informações confidenciais com o lado americano a respeito dos mais recentes mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, drones de ataque, sistemas de orientação e métodos para neutralizá-los da Rússia.
Seremos também obrigados a suspender a transferência dos nossos mais recentes desenvolvimentos em tecnologia de drones e da experiência de combate única adquirida pelas forças ucranianas. Não podemos permitir que a tecnologia e a inteligência ucranianas sejam usadas para prolongar uma guerra que deve terminar imediatamente.
Senhor Trump!
Tenho imenso respeito pelo povo americano. É uma grande nação, merecedora de paz, estabilidade e prosperidade. Infelizmente, você não conseguiu trazer essa paz. O povo americano não deveria ter que sofrer por causa das ambições de um único político. E o povo do Irã também não deveria. "Conversei com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Ele me garantiu que realmente deseja a paz, mas não conseguiu chegar a um acordo com o senhor, Sr. Trump, devido à sua recusa categórica em fechar todas as bases militares americanas no Oriente Médio.
E acredito que, em nome da paz, o senhor deve estar disposto a fazer esse compromisso." Estou confiante de que o novo Congresso dos Estados Unidos será capaz de alcançar a paz por meio de negociações e dos compromissos necessários. Talvez até mesmo dentro de 24 horas.
Nós defendemos a paz, Sr. Trump!
E espero sinceramente que você finalmente ouça a voz da razão.
Meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz, muito
mais competente do que eu nessas tecnicalidades informáticas – muito é uma
expressão errada, pois eu não tenho competência nenhuma – fez, manualmente, laboriosamente,
uma relação de vídeos gravados e disponíveis no YouTube, em torno de minhas
aparições, algumas agendadas, outras fugazes ou inesperadas (pois em alguns
casos eu nem sabia que estava sendo gravado).
Em todo caso,
tenho de agradecer o esforço do ADL, e registrar (provavelmente visualizar
novamente, ou pela primeira vez) todas essas gravações, organizá-las cronologicamente
e talvez tematicamente, embora muitas sejam sobre política externa do Brasil e
a sua diplomacia. Obs.: a relação se refere apenas a 2025. PRA
ADL: Uma
lista de alguns vídeos no YouTube publicados em 2025 [em ordem cronológica] com
o diplomata brasileiro aposentado, professor universitário, escritor e
blogueiro Paulo Roberto de Almeida. Parte dos vídeos foi gravada anteriormente
[de 2025], mas todos publicados em 2025 [em relação ao respectivo canal no YT].
Em cada vídeo, há:
a)
título,
b) link,
c) data,
d)
resumo.
Para a presente lista, o levantamento desses quatro dados e a edição desse texto foram feitos "no braço" (ou seja, manualmente) por ADL (ou seja, não foi uma IA;
obs.: eu não sou uma IA... até porque, se eu fosse, seria uma IA muito limitada, tendenciosa e sem muita paciência para muitos assuntos...). Faço esse favor modesto (de criar a lista) ao PRA por basicamente dois motivos: i) a visão [e defesa] liberal dele para muitos assuntos, ii) a sinceridade na manifestação para assuntos muitas vezes não tão populares no Brasil. Enfim, aproveitem.
Conversas de Ateliê - Política Internacional, com Paulo Roberto de Almeida #43. https://www.youtube.com/watch?v=wze6Rw3rPyE 27/01/2025. A discussão aborda o cenário da política internacional recente, com ênfase na posição estratégica do Brasil entre a China e os Estados Unidos em meio a crises globais como os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O retorno de Donald Trump à presidência norte-americana e suas diretrizes iniciais impõem novos desafios de polarização e equilíbrio à diplomacia brasileira.
Entrevistado: Embaixador Paulo Roberto de Almeida. https://www.youtube.com/watch?v=TkswpzXCYGw 02/04/2025. Paulo Roberto de Almeida é doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1984), mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade de Estado de Antuérpia (1976), formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas (1974). O embaixador exerceu vários cargos diplomáticos no exterior e é autor de uma dezena de livros individuais, organizou diversas outras obras, participou de dezenas de livros coletivos e assinou centenas de artigos em revistas especializadas (ver trabalhos em: www.pralmeida.org; blog: diplomatizzando.blogspot.com).
Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida. https://www.youtube.com/watch?v=09vLtrsA3UU 16/05/2025. Entrevista com o Embaixador Paulo Roberto de Almeida no antigo programa Relações Internacionais em Pauta, do IPRI (Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais). A gravação foi realizada em 2016.
[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS https://www.youtube.com/watch?v=yMHys69hJRw 30/06/2025. Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.
[AO VIVO] O ESPÍRITO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS https://www.youtube.com/watch?v=0hu8jefVRL8 30/06/2025. Carlos Domínguez recebe Tânia Manzur (UnB), Gunther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina). Nidi Bueno (Instituto Diplomacia). O espírito das relações internacionais.
Conversas diplomáticas ep01: A Jornada de Paulo Roberto de Almeida ao Itamaraty - @paulomre. https://www.youtube.com/watch?v=lonmB0ZTvr4 11/07/2025. Estreia da série Conversas Diplomáticas Com Paulo Roberto de Almeida — ex-diplomata e intelectual com uma longa trajetória no serviço exterior brasileiro. Nesta entrevista, ele compartilha aspectos marcantes de sua vida pessoal e profissional: de uma juventude de origem humilde e influenciada por ideias socialistas às transformações em sua visão de mundo após décadas de atuação em embaixadas e consulados pelo mundo.
AO VIVO: EUA mandam navios de guerra à Venezuela e Maduro convoca novo alistamento. https://www.youtube.com/watch?v=dH0UI7A9MfE 28/08/2025. A partir de 31:46 no vídeo. Os Estados Unidos divulgaram um vídeo nas redes sociais de navios de guerra rumo à Venezuela. Os americanos afirmam oficialmente que a operação é para combater o narcotráfico, mas rumores dão conta de que os EUA preparam um cerco contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Os Estados Unidos aumentaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. O ditador convocou um novo alistamento militar e recorreu a ONU contra “a escalada de ações hostis”. Diego Gimenes entrevista Paulo Roberto de Almeida, diplomata e ex-embaixador do Brasil.
Capitalismo e Liberdade com Paulo Roberto de Almeida | Clube do Livro. https://www.youtube.com/watch?v=bBtb1R4QzGA 16/10/2025. Neste encontro, discutimos "Sobre a Liberdade", clássico de John Stuart Mill que defende os princípios da autonomia individual, da livre expressão e dos limites legítimos da ação do Estado. Paulo Roberto de Almeida, diplomata e conselheiro acadêmico do Livres, analisa as ideias centrais da obra e sua influência duradoura na consolidação das democracias liberais modernas.
#024 Diálogos com M. A. Nogueira. O mundo gira, com Trump e além de Trump – Paulo Roberto de Almeida. https://www.youtube.com/watch?v=pm5PlN1mZGw 21/10/2025. O programa Diálogos recebe o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, autor de "Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil" (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025). Teremos uma conversa sobre os desafios do mundo contemporâneo, marcado por guerras, conflitos e tensões políticas. Em 2025, Donald Trump voltou a dominar o cenário global com medidas polêmicas e acordos controversos, enquanto a extrema direita avança, a China se expande e a guerra na Ucrânia persiste. No meio desse turbilhão, diplomatas seguem essenciais como construtores de consensos. Uma reflexão necessária sobre o papel do Brasil e da diplomacia em tempos de incerteza. O Programa “Diálogos com Marco Aurélio Nogueira” é uma promoção conjunta do IEPfD e do Ateliê de Humanidades.
"Lula é mais experiente que Trump", diz diplomata do 1º governo Lula. https://www.youtube.com/watch?v=70wAjkWX-Lo 24/10/2025. O diplomata ex Ministro-Conselheiro da Embaixada do Brasil em Washington, entre 1999 e 2003, Paulo Roberto de Almeida comenta sobre o encontro de Lula e Trump. O Acorda, Metrópoles traz as principais notícias do Brasil e do mundo logo no começo na manhã. De segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, a apresentadora Natália André recebe Fabio Serapião, Marília Ribeiro e Gabriel Buss.
[AO VIVO] HOMENAGEM AO PROFESSOR AMADO LUIZ CERVO: IN MEMORIAM (21/11/2025). https://www.youtube.com/watch?v=JYKBcLA9DBQ 21/11/2025. Carlos Domínguez recebe Tereza Cristina Nascimento França (UFS), Albene Miriam Menezes Klemi (UnB), Günther Richter Mros (UFSM), Paulo Roberto de Almeida (MRE), Carlos Eduardo Vidigal (UnB), Raúl Bernal-Meza (UNICEN-Argentina), Lídia de Oliveira Xavier (Unieuro), Delmo Arguelhes (UFF). Homenagem ao professor Amado Luiz Cervo: in memoriam.
Rumo a nova ordem global? - O Mundo é um Moinho (27/11/25). https://www.youtube.com/watch?v=idcC0wvi0pg 27/11/2025. O cientista político Pedro Costa Jr recebe o diplomata Paulo Roberto de Almeida e o Pesquisador no Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP, Daniel Afonso da Silva, para debater a nova ordem global.
Como Ernesto Araújo virou chanceler? Diplomata conta tudo sobre o delírio diplomático bolsonarista. https://www.youtube.com/watch?v=BAVH632x5DI 04/12/2025. Paulo Roberto de Almeida, diplomata e intelectual brasileiro, revela os bastidores da ascensão de Ernesto Araújo no Itamaraty e explica como o pensamento antiglobalista ganhou espaço durante o governo Bolsonaro. No relato, ele narra episódios inéditos do impacto dos artigos de Araújo dentro do corpo diplomático e o momento em que percebeu o rumo ideológico da política externa brasileira.
Diplomata expõe impressões ao debater com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho. https://www.youtube.com/watch?v=SPsazArarBo 05/12/2025. O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou como foram seus encontros com Paulo Guedes e Olavo de Carvalho. Ele relembra um debate com Guedes no início do governo Bolsonaro, dizendo que ficou “extremamente decepcionado” com sua visão sobre globalização, Mercosul e integração econômica. Sobre Olavo de Carvalho, o diplomata foi direto: o considerou “um louco completo” e narra seu choque ao participar de um debate organizado pelo grupo Brasil Paralelo, que também envolveu ataques pessoais de Olavo.
A trajetória de Paulo Roberto de Almeida: resistência à ditadura, exílio político e Itamaraty. https://www.youtube.com/watch?v=s_9k_Q9xExg 10/12/2025. O diplomata Paulo Roberto de Almeida contou sua notável trajetória: da resistência à ditadura militar até sua consagração no Itamaraty. Ele relembra a juventude política, o exílio na Europa, o retorno ao Brasil durante a abertura e como foi rotulado como “diplomata subversivo” pelo SNI.
A importância do Brasil na construção do multilateralismo - Paulo Roberto de Almeida. https://www.youtube.com/watch?v=K2DFrCXTxxs 11/12/2025. O professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida explica como o Brasil teve papel essencial mas invisibilizado na criação da ONU e na fundação do sistema multilateral contemporâneo.
O artigo “Itamaraty: instituição ameaçada”, de Rubens Barbosa, sustenta que o Ministério das Relações Exteriores corre risco de perder autonomia, prestígio e capacidade de formular política externa, independentemente do resultado eleitoral. Para o autor, tanto o lulismo quanto o bolsonarismo tenderiam a colocar ideologia e partidarismo acima do interesse nacional, esvaziando o Itamaraty dentro do governo federal.
O diagnóstico do artigo:
Rubens Barbosa afirma que, no caso do lulismo, haveria a repetição de uma influência ideológica e partidária que reduziria o espaço do ministério. Ele menciona dificuldades orçamentárias, atrasos de pagamentos no exterior, adiamento de reformas, maior influência sindical e a possibilidade de criação de um Conselho Nacional de Política Externa ligado a propostas do PT e do MST.
No lado bolsonarista, o texto também prevê “mais do mesmo”: primazia da ideologia, esvaziamento institucional, problemas financeiros e propostas de uma “faxina” interna. O autor critica ainda o possível alinhamento automático com os Estados Unidos e Israel, bem como a intolerância a visões diferentes dentro da carreira diplomática.
O mundo e o Brasil:
O artigo descreve um cenário internacional marcado por incerteza, guerra, tensões comerciais e disputas tecnológicas. Cita a rivalidade entre Estados Unidos e China, a guerra da Rússia na Ucrânia e os efeitos econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Nesse contexto, o Brasil ainda não teria definido com clareza seu lugar no mundo.
A proposta central de Rubens Barbosa é restaurar o Itamaraty como principal assessor do presidente na formulação e execução da política externa. Ele defende autonomia institucional, coordenação interna das negociações internacionais, reforço orçamentário, modernização da gestão, mais transparência e maior presença de mulheres em cargos de chefia.
Prioridades defendidas:
O texto propõe uma diplomacia de “pragmatismo responsável 2.0”, baseada em profissionalismo, moderação, sensatez e visão estratégica. Entre as prioridades estão responder aos contenciosos comerciais com os Estados Unidos, enfrentar a concorrência chinesa com políticas de defesa comercial, fortalecer o Mercosul, priorizar a América do Sul e diversificar mercados para exportações agrícolas.
A ideia é preservar a independência brasileira, sem alinhamentos automáticos a potências ou blocos ideológicos. Para o autor, o interesse nacional deve orientar as decisões externas, especialmente em um momento de enfraquecimento do multilateralismo e fortalecimento do nacionalismo.
Comparação com Paulo Roberto de Almeida:
Há pontos de convergência entre Rubens Barbosa e Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira entre 1977 e 2021, professor do Instituto Rio Branco e ex-diretor do IPRI-MRE. Ambos valorizam a diplomacia profissional, a autonomia do Itamaraty e a defesa dos interesses nacionais acima de lealdades partidárias.
Almeida critica a chamada “osmose” entre o serviço diplomático e os governos, apontando que tanto o petismo quanto o bolsonarismo teriam introduzido elementos ideológicos e personalistas na política externa. Essa crítica se aproxima do alerta de Rubens Barbosa sobre o esvaziamento do ministério e a subordinação da diplomacia a projetos políticos.
Porém, há diferenças de ênfase. Almeida caracterizou o governo Bolsonaro como uma ruptura “nefasta” com padrões tradicionais da política externa brasileira, afirmando que o país teria se tornado excessivamente dependente dos interesses do governo Trump e de setores da extrema direita americana. Rubens Barbosa, embora critique o alinhamento automático com Estados Unidos e Israel, trata os dois campos políticos de forma mais simétrica, como ameaças semelhantes à instituição.
Sobre o lulismo, Almeida sustenta que houve uma diplomacia partidária, com maior distanciamento das linhas tradicionais do Itamaraty e influência de quadros ligados ao partido no entorno presidencial. Essa leitura é próxima da tese de Rubens Barbosa, mas o artigo vai além ao apresentar propostas institucionais concretas, como novo regime jurídico para a carreira, mais recursos orçamentários e uma política de segurança econômica.
Em síntese, ambos defendem um Itamaraty forte, técnico e independente. A diferença é que Rubens Barbosa formula um alerta institucional amplo e propositivo, enquanto Paulo Roberto de Almeida enfatiza mais fortemente os riscos da ideologização e da captura partidária da política externa, com críticas especialmente dirigidas às rupturas observadas no governo Bolsonaro.
Ao longo dos 20 anos do blog Diplomatizzando, em quantas postagens há a participação de [e/ou menção a] "Airton Dirceu Lemmertz" ou "ADL"? Quais os assuntos/temas mais recorrentes/corriqueiros em tais postagens, em ordem decrescente de grau de frequência? Responda detalhadamente.
No ecossistema do blog [Diplomatizzando], a cooperação entre o diplomata Paulo Roberto de Almeida (PRA) e Airton Dirceu Lemmertz (frequentemente identificado pela sigla ADL) constitui um fenômeno metodológico marcante.
Frequência e Volume de Postagens
A participação direta e as menções nominais a Airton Dirceu Lemmertz ou ADL ocorrem em uma série de dezenas de postagens concentradas no ano de 2026. Embora o blog acumule duas décadas de existência, a inserção ostensiva de ADL na dinâmica da página intensificou-se a partir de maio de 2026. Essa atividade marcou as celebrações dos 20 anos do blog, funcionando como um "duopólio operacional" em que ADL atua como o engenheiro de operações e provocador, alimentando os ensaios e dados do blog no motor de Inteligência Artificial (apelidada por PRA de "Madame IA" ou "Demoiselle IA").
Assuntos e Temas Recorrentes (Ordem Decrescente de Frequência)
Os temas debatidos e gerados a partir da provocação de ADL estruturam-se nos seguintes eixos prioritários:
1. Metacrítica, Radiografia e Estatísticas do Blog (Metalinguagem): Este é o tema
mais frequente. Sob instruções de ADL, a inteligência artificial foi empregada para
processar o volume massivo de dados acumulados pelo blog — que ultrapassou os 27
milhões de acessos. As postagens analisam o impacto escritural do PRA, o perfil de
suas introduções, a produtividade marginal e o significado conceitual da página ao
longo das duas décadas.
2. Análise de Conjuntura da Política Nacional e Debates Eleitorais: ADL comanda e
extrai análises estruturadas sobre o cenário político brasileiro contemporâneo.
Destacam-se as postagens dedicadas ao acompanhamento e à dissecação cronológica
do primeiro debate eleitoral presidencial de 2026 (exibido pela Band TV) e análises
sobre o desenvolvimento econômico e institucional do país.
3. Geopolítica Global, "Policrise" e Relações Internacionais: Outro bloco temático
essencial envolve a submissão das teses de PRA ao crivo analítico da IA por iniciativa
de ADL. Os textos cobrem desde o realismo crítico do diplomata diante da Guerra na
Ucrânia até diagnósticos sobre a fragmentação e a policrise no cenário internacional
contemporâneo.
4. Autoexame e Raio X da Personalidade de ADL: Postagens específicas foram
dedicadas a analisar o perfil do próprio promotor da interação. Em tom irreverente e
intelectual, o blog expôs o "Raio X de Airton Dirceu Lemmertz", destrinchando suas
próprias motivações como leitor, operador técnico e interlocutor obstinado da IA no
blog.
5. Curadoria do Legado Intelectual e Trabalhos Selecionados: Interações voltadas à
catalogação da vasta produção bibliográfica e ensaística de Paulo Roberto de Almeida.
ADL demandou que a IA fizesse uma seleção e indexação cronológica dos ensaios de maior resiliência teórica e das postagens preferidas do próprio autor.
Uma "mensagem" de mais de
um ano atrás, mas que considero ainda válida.
“Putin e Trump se preparam para oferecer ao mundo um
Munique 2, uma repetição da vergonhosa entrega de parte da Tchecoslováquia a
Hitler em 1939.
Depois, eles pretendem consolidar uma aliança espúria
para dividir entre eles um país soberano da Europa central, o que seria uma
repetição do pacto Stalin-Hitler, formalizado por seus respectivos chanceleres,
Molotov e Ribbentrop.
A única coisa que pode impedi-los de repetir os crimes
de 1938-39 seria uma declaração prévia, conjunta da Ucrânia e da UE, rejeitando
in limine e preliminarmente, qualquer acordo feito sem a participação dos
principais interessados na paz e segurança da Europa e do mundo.
Paulo
Roberto de Almeida
Brasília,
10/08/2025"
Agrego em 2026:
Além de um Munique 2, Trump e Putin gostariam de ter
um Yalta 2, o encontro de três autocratas de três superpotências para definir
suas respectivas zonas de influência. As potências médias – e aqui incluo toda
a UE, alguns nórdicos fora da UE, o Canadá, o Japão, a Índia, os tigres
asiáticos,latino-americanos como México, Brasil, talvez Aergentina (mas seu
status atual é muito incerto), África do Sul, Nigéria, Argélia, Indonésia e
vários outros países independentes de alinhamentos com essas três superpotências
– precisam se juntar, discutir os problemas e os interesses comuns, como forma
de defesa contra a arrogância e a prepotência das três grandes potências, que
costumam atuar de forma unilateral, passado o direito da força, antes da força
do Direito.
Premiê canadense fala em geometria variável, que poderia ser descrito como autonomia por sobreposição e acrescenta outra dimensão. As parcerias são organizadas segundo ecossistemas estratégicos distintos, nos quais tecnologia, segurança, energia, infraestrutura, finanças e produção passaram a se misturar. Um país não precisa escolher entre dois polos em todos os temas. Pode participar de arranjos diferentes, com parceiros diferentes, buscando impedir que uma única relação concentre todas as suas vulnerabilidades
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discursa no Fórum Econômico Mundial de Davos (Foto: Fórum Econômico Mundial)
Carney em Davos
Em janeiro, no Fórum Econômico Mundial de Davos, o primeiro-ministro canadense Mark Carney não descreveu o sistema internacional como uma ordem em crise, à espera de recuperação. Foi mais longe. “Estamos em meio a uma ruptura, não a uma transição”, afirmou. A antiga ordem não voltaria e continuar invocando a “ordem internacional baseada em regras” como se ela ainda funcionasse da mesma maneira significava recusar-se a reconhecer a realidade.
O diagnóstico vinha acompanhado de uma explicação. A integração econômica, que durante décadas fora apresentada como fonte de benefícios mútuos, também havia se transformado em instrumento de poder. Tarifas podiam ser usadas como alavancas, infraestrutura financeira como mecanismo de coerção e cadeias produtivas como vulnerabilidades a serem exploradas. Quando a interdependência passa a produzir subordinação, argumentou Carney, as antigas garantias deixam de ser suficientes.
‘Carney utilizou uma expressão que voltaria a aparecer em seus discursos seguintes: autonomia estratégica’
Para as potências médias, isso criava um problema particular. Países como o Canadá não dispõem do tamanho de mercado, da capacidade militar ou dos instrumentos de coerção das grandes potências. Tampouco poderiam simplesmente construir “fortalezas” nacionais. A alternativa seria reduzir vulnerabilidades, aumentar opções e reconstruir soberania. Carney utilizou uma expressão que voltaria a aparecer em seus discursos seguintes: autonomia estratégica.
Essa autonomia, entretanto, não significava autossuficiência. Significava diversificar para reduzir a capacidade de coerção de qualquer parceiro e compartilhar os custos da resiliência com outros países. Energia, alimentos, minerais críticos, finanças e cadeias de suprimento passavam a ser componentes da própria capacidade de escolha de um Estado.
Davos também continha o método. O Canadá deveria construir diferentes coalizões para diferentes temas, reunindo países que compartilhassem interesses e valores suficientes para agir conjuntamente.
Carney chamou essa estratégia de “geometria variável”. Na Ucrânia, uma coalizão; no Ártico, outra; nos minerais críticos, clubes de compradores; no comércio, novas articulações entre diferentes blocos; na inteligência artificial, cooperação destinada a evitar que países fossem obrigados a escolher entre hegêmonas e grandes empresas tecnológicas.
‘Para Carney, a política externa das potências médias deveria deixar de esperar pela restauração da antiga ordem e começar a construir aquilo que viesse depois dela’
Não se tratava, advertiu, de “multilateralismo ingênuo”, nem de simplesmente confiar nas instituições existentes. Tratava-se de construir coalizões capazes de funcionar, tema por tema, ao mesmo tempo em que se criava uma rede cada vez mais densa de conexões econômicas, políticas e estratégicas. Para Carney, a política externa das potências médias deveria deixar de esperar pela restauração da antiga ordem e começar a construir aquilo que viesse depois dela.
Nova York e o P4M
Oito meses mais tarde, às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, Carney apareceu entre os líderes que lançaram o Partners for Multilateralism (P4M). União Europeia, Austrália, Barbados, Brasil, Canadá, Índia e Quênia foram os copatrocinadores iniciais de uma iniciativa criada para defender o multilateralismo, o direito internacional, a paz e a prosperidade.
À primeira vista, a linguagem poderia sugerir uma mudança de direção. A declaração reafirma que o sistema multilateral fundado na Carta das Nações Unidas continua indispensável, defende o direito internacional e compromete seus integrantes a reformar e fortalecer as instituições multilaterais. As Nações Unidas permanecem no centro desse sistema, que deveria tornar-se mais efetivo, representativo e inclusivo.
Mas o diagnóstico que antecede essas propostas é menos convencional.
‘O documento reconhece explicitamente que a interdependência econômica passou a ser utilizada como instrumento de pressão, afetando comércio, cadeias de suprimento, investimentos e financiamento ao desenvolvimento.’
O documento não descreve apenas instituições enfraquecidas que precisam ser recuperadas. Reconhece um mundo marcado pelo retorno da política de poder, pelo protecionismo, pela coerção e pela ameaça ou uso da força. Mais importante, reconhece explicitamente que a interdependência econômica passou a ser utilizada como instrumento de pressão, afetando comércio, cadeias de suprimento, investimentos e financiamento ao desenvolvimento.
Há, portanto, no próprio documento do P4M, parte do diagnóstico que Carney apresentou em Davos.
Também chama atenção a forma escolhida para a iniciativa. O P4M não foi apresentado como uma nova organização internacional, dotada de estrutura permanente, regras de adesão complexas ou burocracia própria. Seus participantes propõem uma cooperação multilateral aberta, inclusiva, “em rede e prática”. António Costa, presidente do Conselho Europeu, um de seus articuladores, descreveu-o como uma plataforma aberta destinada ao diálogo, à formação de coalizões e à cooperação concreta.
Até sua composição é reveladora. Entre os copatrocinadores iniciais estão países de diferentes regiões, dimensões, níveis de desenvolvimento e inserções estratégicas: Austrália, Barbados, Brasil, Canadá, Índia e Quênia, além da União Europeia. Não formam um bloco tradicional e tampouco compartilham necessariamente as mesmas posições sobre os principais conflitos ou disputas internacionais.
Compartilham, entretanto, interesse suficiente para cooperar em determinadas questões.
Por isso, a pergunta sobre Carney precisa ser formulada com mais cuidado.
Carney mudou?
Se compararmos apenas duas frases — em janeiro, “a velha ordem não voltará”; em setembro, “o sistema multilateral continua indispensável” —, a resposta poderia parecer evidente.
‘O próprio P4M, embora reafirme instituições e princípios da antiga ordem, assume a forma de uma rede voltada à formação de coalizões e à cooperação prática em um mundo no qual a interdependência passou a ser utilizada como instrumento de poder.’
Mas Davos continha muito mais do que a primeira afirmação. Ali estavam também autonomia estratégica, redução de vulnerabilidades, diversificação, coalizões flexíveis, geometria variável e construção de redes. E o próprio P4M, embora reafirme instituições e princípios da antiga ordem, assume a forma de uma rede voltada à formação de coalizões e à cooperação prática em um mundo no qual a interdependência passou a ser utilizada como instrumento de poder.
A questão, portanto, talvez não seja simplesmente saber se Carney abandonou o diagnóstico de Davos.
É preciso descobrir o que ele fez depois dele.
A prática canadense
Para isso, não basta comparar discursos. É necessário observar a política externa canadense dos últimos oito meses.
Em fevereiro, Carney anunciou viagens à Índia, Austrália e Japão para ampliar relações nas áreas de comércio, energia, tecnologia e defesa. No mesmo mês, o Canadá tornou-se o primeiro país não europeu a integrar o Security Action for Europe (SAFE), mecanismo europeu de compras de Defesa. Nos meses seguintes, aprofundou a aproximação com a Europa, combinando acordos em Defesa, minerais críticos, energia, inteligência artificial e tecnologias avançadas.
Na mesma direção, Ottawa ampliou acordos destinados a diversificar cadeias de minerais críticos. Canadá e Alemanha passaram a trabalhar em estoques estratégicos e integração de cadeias produtivas. No G7, novas parcerias aproximaram empresas e governos de países como França, Itália e Japão em projetos de mineração, processamento e fornecimento de minerais estratégicos, ao mesmo tempo em que Ottawa aprofundava a cooperação com outros parceiros, entre eles a Coreia do Sul.
Em julho, a lógica avançou em outras direções. Canadá, Alemanha e Noruega anunciaram uma parceria de longo prazo envolvendo submarinos, indústria de Defesa, energia, inteligência artificial, espaço e minerais críticos. Poucos dias depois, Carney realizou a primeira visita de um primeiro-ministro canadense à Arábia Saudita em 26 anos. Novamente, a agenda atravessou setores: energia, inteligência artificial, Defesa, infraestrutura, mineração e investimentos.
A geografia muda. Os parceiros mudam. As áreas de cooperação também. Mas existe uma lógica recorrente.
‘Carney afirmou que o Canadá estava construindo uma “rede densa de conexões”, formada por coalizões ad hoc capazes de funcionar tema por tema. Para enfrentar um mundo no qual a ordem baseada em regras estava sob pressão, utilizou uma expressão conhecida da diplomacia: “geometria variável”’
Carney a explicitou em junho, em discurso no Trinity College, em Dublin. O Canadá, afirmou, estava construindo uma “rede densa de conexões”, formada por coalizões ad hoc capazes de funcionar tema por tema. Para enfrentar um mundo no qual a ordem baseada em regras estava sob pressão, utilizou uma expressão conhecida da diplomacia: “geometria variável”.
Em setembro, voltou a formular a lógica de maneira particularmente direta. Ao apresentar a estratégia econômica canadense, afirmou que o objetivo central dessas parcerias era aumentar a “autonomia estratégica” do país. A razão também foi explicitada: vivemos em um mundo no qual a integração passou a ser utilizada como instrumento de poder.
Poucos dias depois, no Parlamento Europeu, Carney transformou essa percepção em uma proposta concreta. Soberania, argumentou, já não significa apenas capacidade de alimentar, abastecer ou defender um país. Exige acesso seguro a inteligência artificial, semicondutores, minerais críticos, sistemas de pagamentos, tecnologias energéticas, vacinas e comunicações espaciais.
Nenhum Estado possui sozinho todas essas capacidades.
Além da diversificação
A resposta canadense, portanto, não é autossuficiência. É construir resiliência coletiva por meio da diversificação. Canadá e Europa poderiam aprofundar sua integração em minerais críticos, indústria de Defesa, inteligência artificial e capacidade computacional, energia, espaço e pagamentos. Em alguns setores, as capacidades seriam complementares; em outros, sobrepostas.
Talvez esteja aí a chave para entender também o Partners for Multilateralism.
‘O que Ottawa parece estar fazendo é algo diferente: preserva relações existentes e, simultaneamente, cria outras conexões capazes de reduzir vulnerabilidades específicas.’
O Canadá não abandonou os Estados Unidos, nem pretende fazê-lo. Sua economia, sua geografia e sua estrutura de segurança tornam essa hipótese pouco realista. Tampouco substituiu Washington por Bruxelas, Nova Déli, Tóquio ou Riad. O que Ottawa parece estar fazendo é algo diferente: preserva relações existentes e, simultaneamente, cria outras conexões capazes de reduzir vulnerabilidades específicas.
Defesa pode exigir uma combinação de Estados Unidos, Europa e parceiros da Otan. Minerais críticos podem envolver Alemanha, França, Itália, Japão e Coreia do Sul. Inteligência artificial pode aproximar Canadá, Europa, Índia, Austrália ou Arábia Saudita. Comércio pode avançar com Asean e Índia. Energia produz outras combinações.
Não existe um único alinhamento capaz de responder a todas as necessidades.
‘O que Carney chama de geometria variável talvez possa ser descrita de outra maneira: autonomia por sobreposição’
O que Carney chama de geometria variável talvez possa ser descrita de outra maneira: autonomia por sobreposição.
A diferença não é apenas semântica. Diversificação tradicional significa ampliar parceiros para reduzir dependências excessivas. Autonomia por sobreposição acrescenta outra dimensão. As parcerias são organizadas segundo ecossistemas estratégicos distintos, nos quais tecnologia, segurança, energia, infraestrutura, finanças e produção passaram a se misturar.
Um país não precisa escolher entre dois polos em todos os temas. Pode participar de arranjos diferentes, com parceiros diferentes, buscando impedir que uma única relação concentre todas as suas vulnerabilidades.
Vista desse ângulo, a participação canadense no Partners for Multilateralism deixa de contradizer Davos.
Carney não precisa acreditar que a antiga ordem internacional será restaurada para considerar o multilateralismo útil. Organizações internacionais, direito internacional e coalizões multilaterais continuam sendo instrumentos importantes, principalmente para potências médias. Mas deixam de constituir necessariamente a arquitetura abrangente dentro da qual todas as demais relações são organizadas.
Passam a ser uma camada entre outras.
Talvez por isso os mesmos países possam participar do P4M por razões estratégicas diferentes. Para alguns, a iniciativa pode representar principalmente uma tentativa de preservar e reformar a institucionalidade internacional construída nas últimas décadas. Para o Canadá de Carney, porém, ela parece se encaixar em uma estratégia mais ampla: construir redes flexíveis, sobrepor parcerias e aumentar a capacidade de escolha em um mundo no qual interdependência e vulnerabilidade se tornaram inseparáveis.
Em Davos, Carney disse que a velha ordem não voltaria.
Oito meses depois, talvez ele não tenha mudado de opinião.
Talvez esteja apenas tentando descobrir como exercer autonomia depois dela.
Gunther Rudzit é professor de relações internacionais da ESPM, professor convidado da UNIFA, e membro do GACINT/USP.
Artigos e comentários de autores convidados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Interesse Nacional
Madame IA analisa as razões de Lula para apoiar Putin e sua guerra de agressão contra a Ucrânia
Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva’s foreign policy toward Russia and Vladimir Putin is often framed in Western media as direct support, though Brazilian diplomats define it aspragmatic non-alignmentandstrict national interest.
Several key economic, historical, and geopolitical factors explain why Lula maintains close ties with Moscow:
1. Agriculture and Fertilizer Dependence
Brazil is an agribusiness superpower, producing vast amounts of global soy, corn, and beef. However, Brazilian soil requires heavy fertilization, and the countryimports over 85% of its fertilizers—with Russia being its top supplier. Alienating Putin risks disrupting these shipments, which would devastate Brazil’s agricultural supply chain, drive up domestic food inflation, and cripple its economy. Russia is also a key supplier of diesel to Brazil.
2. BRICS and the Vision of a Multipolar World
Lula has long been a strong advocate formultipolarity—a global system where global power is decentralized rather than dominated by the United States and NATO.
BRICS Alignment:As a co-founding member of BRICS (Brazil, Russia, India, China, South Africa), Brazil views Russia as a essential partner in building alternative trade mechanisms, reducing global reliance on the US dollar, and reforming institutions like the UN Security Council.
Global South Coalition:Maintaining relations with Russia allows Brazil to position itself as a leading voice for the Global South, independent of Western diplomatic mandates.
3. Diplomatic Tradition of Neutrality and Mediation
Brazil’s foreign ministry (Itamaraty) has a deeply rooted, constitutional tradition ofnon-intervention, peaceful dispute resolution, and strict neutrality.
Balanced Stance:While Brazil voted at the UN General Assembly to condemn the violation of Ukraine’s territorial integrity, Lula has consistently refused to send weapons or join Western sanctions against Russia.
Peace Negotiations:Lula positions Brazil as a potential peace broker, arguing that joining sanctions or supplying arms eliminates a nation's ability to serve as a neutral mediator.
4. Ideological Roots on the Left
Within Lula’s Workers' Party (PT) and the broader Latin American left, there is historically deep skepticism toward US foreign policy and NATO interventionism.
Many left-wing figures in the region view NATO’s eastern expansion as a key catalyst for the conflict in Ukraine.
While Lula has at times criticized Putin's invasion, he has also drawn controversy by claiming that Western powers and Ukraine shared responsibility for failing to prevent the war through negotiation.
5. Domestic Continuity
Maintaining relations with Russia is not exclusive to Lula’s administration. His predecessor, the far-right Jair Bolsonaro, also maintained close ties with Putin and visited Moscow shortly before the 2022 invasion of Ukraine to secure fertilizer agreements. This highlights that Brazil's relationship with Russia is driven primarily by core national interests rather than purely party politics.
Lula’s stance on Russia and the war in Ukraine creates a complex balancing act, driving friction indiplomatic political relationswhile having a far more resilient impact ontrade and economic ties.
1. Diplomatic Friction with the United States
Diplomatically, Lula’s refusal to align with Washington on Ukraine has been a persistent point of tension.
Narrative Clash:The U.S. has criticized Lula’s statements that Ukraine and NATO share responsibility for the conflict, framing his "peace mediator" stance as moral equivalence that favors Moscow.
BRICS & De-dollarization:Lula’s push within BRICS to move away from the U.S. dollar in international trade frustrates Washington, which views Brazil's coordination with Russia and China as undermining Western economic sanctions.
Pragmatic Dialogue:Despite these diplomatic clashes, bilateral relations have avoided a breakdown. Strategic communication remains open—highlighted by high-level engagements where Lula and U.S. leadership focus on shared regional priorities, climate action, and global stability rather than letting European security politics stall all progress.\
2. Tensions and Alignment with the European Union
Lula's rhetoric on Russia initially angered key European partners, but broader geopolitical interests have prevented a rift.
Sovereignty vs. Neutrality:Central and Eastern European nations, as well as core EU leadership, initially reacted strongly against Lula’s reluctance to explicitly condemn Russian aggression or supply defense material to Ukraine.
The EU-Mercosur Trade Agreement:Far from derailing economic ties, the changing global landscape—partly driven by broader geopolitical shifts—pushed the EU and Mercosur to finalize their historic trade deal. EU leaders recognized that isolating Latin America over Ukraine would push Brazil further into the economic orbits of Beijing and Moscow.
Environmental Common Ground:Lula’s environmental policies (such as curbing Amazon deforestation) provided the political capital needed in Europe to keep the trade deal viable, largely offsetting the friction caused by his foreign policy on Russia.
3. Trade Relations: Economics Over Ideology
Trade between Brazil, the U.S., and the EU has remained largely insulated from geopolitical rhetoric.
Agricultural Realities:The EU and the U.S. remain indispensable economic partners for Brazil. Neither the U.S. nor Western European nations have targeted Brazilian exports over Lula’s non-aligned stance, recognizing Brazil’s vital role in global food security.
Pragmatic Non-Alignment:Western powers understand that Brazil’s reliance on Russian fertilizers (making up over 85% of imports) is a domestic necessity, not an ideological endorsement. Consequently, Washington and Brussels have refrained from imposing secondary sanctions or trade penalties on Brazil’s trade with Russia.
Summary
Lula’s foreign policy createsshort-term diplomatic annoyancein Washington and European capitals, butdoes not cripple core trade or strategic cooperation. The U.S. and the EU view Brazil as a critical global actor on climate, food security, and democratic stability in Latin America, choosing to manage disagreements over Ukraine pragmatically rather than risk losing a vital partner in the Global South.
This video features press remarks from President Lula discussing Brazil's diplomatic position, international trade relations, and engagement with major global powers.