terça-feira, 20 de setembro de 2011

O petroleo, sempre estrategico - Daniel Yergin

Eu já havia lido, muitos anos atrás, o livro The Prize, e feito resenhas mais ou menos extensas. Agora surge o seguimento dessa história relevante, que transcrevo mais abaixo, depois de remeter ao primeiro livro.



09 Jan 2011
Na verdade, Yergin acrescentou apenas um "Epílogo: A Nova Era do Petróleo" (p. 887-900), trazendo os dados até 2008 (quando o barril do petróleo andava a 147 dólares, ea gasolina custa 4 dólares o galão, nos postos americanos). ...

Paulo Roberto de Almeida 



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Tudo sobre petróleo e o mundo à sua volta

Por Ed Crooks | Do "Financial Times"
Reuters“The Quest” traz “a mais clara e convincente avaliação das razões que tornaram a invasão do Iraque uma necessidade estratégica difícil, mas necessária”
“The Quest - Energy, Security
 and the Remaking of
 the Modern World”
Daniel Yergin. Allen Lane. 816 págs., £ 30
"The Prize", de Daniel Yergin, publicado pela primeira vez em 1991, é uma obra- prima, um dos poucos livros que, pode-se afirmar, é leitura essencial para quem queira entender a política internacional.
É um épico, vencedor do Prêmio Pulitzer, sobre a indústria do petróleo, desde o primeiro poço aberto na Pensilvânia, em 1859, até a invasão do Kuwait por Saddam Hussein, em 1990 --, uma história inspiradora em sua abrangência e eletrizante em seu ritmo narrativo. Mais do que simplesmente uma crônica industrial, funciona como uma história oculta do século XX, revelando a frequência com que o petróleo - sua presença ou sua falta - constituiu-se em fator decisivo nos assuntos internacionais.
Mesmo assim, nas duas décadas desde a publicação de "The Prize", uma série de eventos transformou o mundo da energia: o colapso da União Soviética, a ascensão da China, os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e as invasões do Afeganistão e do Iraque, e a emergência das mudanças climáticas como questão política. Vale comemorar o fato de Yergin ter retornado com sua visão de perspectiva em um cenário bastante diferente. "The Quest" não atinge exatamente o mesmo nível de seu antecessor, mas, ainda assim, trata-se de outra obra que exige leitura.
Este segundo livro de Daniel Yergin dá continuidade à sua obra clássica, de 1991, uma espécie de história oculta do século XX
O novo livro cobre um período de tempo mais curto, mas um campo mais amplo. Começa exatamente onde "The Prize" termina, com as forças iraquianas no Kuwait e a desintegração da União Soviética prestes a se tornar visível. As primeiras 341 páginas dão sequência à história do petróleo e do gás até o presente, com referências à reunião de junho de 2011 da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) e os levantes da Primavera Árabe.
Daí em diante, a abordagem muda. Yergin volta a fita, recuando para o passado várias vezes para contar histórias sobre outros aspectos do setor de energia: a geração de eletricidade, a discussão sobre mudanças climáticas, a energia renovável e a história acidentada do carro elétrico. O efeito faz "The Quest" parecer quatro ou cinco livros em um, sem a propulsão da narrativa linear de "The Prize". Se o livro anterior era novelístico, "The Quest" é mais parecido com um guia ou livro de instrução para iniciantes.
É impossível pensar em uma introdução melhor a questões essenciais da energia no século XXI. Na prosa lúcida e fácil de Yergin, as 800 páginas fluem livremente. Há alguns esboços intensos de personagens, como Marion King Hubbert, o brilhante e entusiasmado criador da teoria do "peak oil" (pico do petróleo): a ideia de que o mundo está na taxa máxima de produção de petróleo de todos os tempos, ou perto dela.
Há também muitas observações admiravelmente reveladoras, além de relatos curtos, como o que envolve John Prescott, então vice-primeiro-ministro britânico e principal negociador europeu na conferência sobre o clima de Kyoto, em 1997, sendo reprimido por seu colega americano para que aceitasse o "cap-and-trade" como único instrumento global de controle dos gases que produzem o efeito estufa. "Cap-and-trade" é o sistema que limita as emissões desses gases e prevê a comercialização de licenças para essas emissões.
Yergin tem certeza de que os combustíveis fósseis terão papel central no sistema de energia ainda por várias décadas
É fascinante descobrir que os primeiros Fords T podiam rodar com etanol e que Thomas Edison apresentou em 1910 uma bateria que prometia movimentar um carro por 95 quilômetros com uma única carga - desempenho que parece admirável, se comparado aos 55 quilômetros oferecidos pelo Chevy Volt (que também possui um gerador de apoio movido a gasolina) nos "show rooms" de hoje.
Acima de tudo, o valor de "The Quest" está na clareza e imparcialidade do pensamento de Yergin. Sobre a invasão do Iraque em 2003, liderada pelos Estados Unidos, ele faz em duas páginas a mais clara e mais convincente avaliação que já vi - certamente mais plausível que qualquer coisa oferecida pelos apologistas da guerra na época - sobre por que ela foi uma necessidade estratégica difícil, mas inevitável. E então, com igual precisão econômica, Yergin exibe a arrogância e a falta de planejamento que condenaram o Iraque à tragédia que se seguiu.
Sobre as mudanças climáticas, Yergin reconhece corretamente a complexidade da ciência, ao mesmo tempo em que deixa o leitor sem dúvidas quanto ao peso das opiniões científicas.
Yergin tem um ponto de vista: admira e apoia a indústria do petróleo e do gás. (Ele também é consultor atuante no setor, com a Cambridge Energy Research Associates, sua muito bem-sucedida consultoria, que hoje faz parte do grupo IHS.) Suas análises frequentemente ecoam o que se pode chamar de opinião esclarecida sobre a indústria do petróleo: ele não acredita na teoria do pico do petróleo e tem certeza de que os combustíveis fósseis terão um papel central em nosso sistema de energia por décadas.
Ele é um eutusiasta do potencial do gás de xisto, produzido a partir de rochas que antes não tinham potencial econômico, por meio da controvertida prática do "fracking" - injeção de água, areia e produtos químicos em rochas enterradas a profundidades de 1,5 quilômetro, para fraturá-las e liberar o gás --, embora reconheça que deverá haver "muita discussão" sobre a segurança e a regulamentação do setor. Recentemente, Yergin participou de um grupo consultivo do governo americano que recomendou a continuidade de aplicação do "fracking", embora com padrões de segurança mais rígidos a serem adotados pelo setor.
Embora suas posições sobre essas questões possam ser contestadas, e sem dúvida serão, é difícil refutar seus julgamentos. Yergin tem sido criticado por ser excessivamente duro com Hugo Chávez, o demagógico e cada vez mais autocrata presidente da Venezuela. No entanto, da perspectiva de um especialista em petróleo, ver os danos que as políticas de Chávez estão provocando à outrora dinâmica indústria petroleira do país deve ser particularmente difícil evitar ficar furioso e entristecido com o governo venezuelano.
Enquanto o livro era impresso, o mundo da energia inevitavelmente se mostrava instável. As consequências das revoltas árabes ainda estão se revelando, a reação contra as regulamentações ambientais e outras nos Estados Unidos está ganhando força, e o compromisso da China de produzir energia "limpa", como a eólica e a solar, e carros elétricos, pode continuar no campo das possibilidades. Yergin termina sua análise de vários tópicos com uma observação honesta, mas frustrante, de que "é muito cedo" para saber como isso vai se desenrolar. Datado já ao chegar às livrarias, "The Quest" é, ainda assim, o guia definitivo para se saber como chegaremos lá.
"The Prize" adquiriu uma condição mística entre aqueles que trabalham no setor de energia e os que o acompanham. Novos jornalistas que estão se iniciando no assunto recebem cópias do livro de colegas mais experientes, como soldados de infantaria sendo presenteados com cópias da Bíblia antes de seguirem para a frente de batalha.
É difícil antever "The Quest" sendo prestigiado da mesma forma. De todo modo, certamente este novo livro de Yergin se mostrará tão valioso quanto o primeiro.


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The Quest: Energy, Security, and the Remaking of the Modern World

The Quest: Energy, Security, and the Remaking of the Modern WorldBy: Yergin, Daniel
Published By: Penguin Group US
Published Date: 20 September 2011
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In this gripping account of the quest for the energy that our world needs, Daniel Yergin continues the riveting story begun in his Pulitzer Prize-winning book, The Prize. A master storyteller as well as a leading energy expert, Yergin shows us how energy is an engine of global political and economic change. It is a story that spans the energies on which our civilization has been built and the new energies that are competing to replace them. From the jammed streets of Beijing to the shores of the Caspian Sea, from the conflicts in the Mideast to Capitol Hill and Silicon Valley, Yergin takes us into the decisions that are shaping our future.
The drama of oil-the struggle for access, the battle for control, the insecurity of supply, the consequences of use, its impact on the global economy, and the geopolitics that dominate it-continues to profoundly affect our world.. Yergin tells the inside stories of the oil market and the surge in oil prices, the race to control the resources of the former Soviet empire, and the massive mergers that transformed the landscape of world oil. He tackles the toughest questions: Will we run out of oil? Are China and the United States destined to come into conflict over oil? How will a turbulent Middle East affect the future of oil supply?
Yergin also reveals the surprising and sometimes tumultuous history of nuclear and coal, electricity, and the "shale gale" of natural gas, and how each fits into the larger marketplace. He brings climate change into unique perspective by offering an unprecedented history of how the field of climate study went from the concern of a handful of nineteenth- century scientists preoccupied with a new Ice Age into one of the most significant issues of our times.
He leads us through the rebirth of renewable energies and explores the distinctive stories of wind, solar, and biofuels. He offers a perspective on the return of the electric car, which some are betting will be necessary for a growing global economy.
The Quest presents an extraordinary range of characters and dramatic stories that illustrate the principles that will shape a robust and flexible energy security system for the decades to come. Energy is humbling in its scope, but our future requires that we deeply understand this global quest that is truly reshaping our world.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ministro das Comunicacoes contra a concorrencia e pelo monopolio...

O Brasil é um país bizarro, eu diria mesmo anormal.
Só mesmo aqui se consegue encontrar gente que se posiciona deliberadamente contra a concorrência, pelo  monopólio, pela concentração de poderes, enfim, pelo desserviço ao público, que paga por serviços vagabundos, caros e demorados. Como os dos Correios, por sinal.
Em outra vertente, esta crônica irônica-jornalística de conhecido jornalista não deixa de ser gozada, aliás parecida com o Brasil, que como eu sempre digo, não é um país normal.
Decididamente, o Brasil é um país bizarro...
Paulo Roberto de Almeida


ATENÇÃO, CONTE COM O PCO PARA SALVAR O CAPITALISMO! OS CAPITALISTAS FORAM TODOS ESTATIZADOS!

Reinaldo Azevedo, 19/09/2011

Atenção! O pensamento do ministro Paulo Bernardo é uma luz na escuridão!
Confesso que nunca tinha visto a coisa por este ângulo, mas sempre é tempo de receber uma iluminação. E o iluminista, no caso, é o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. Leiam este trecho de um texto do Estadão Online:
A greve dos funcionários dos Correios já preocupa o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, devido à possibilidade de avanço das empresas concorrentes sobre os serviços de que a estatal não detém o monopólio, como entrega de encomendas e mala direta. “A concorrência está querendo tomar espaço”, disse Bernardo à Agência Estado. O ministro se referiu à veiculação de comerciais no fim de semana pelas concorrentes, o que ele classificou de “oportunismo legítimo” diante da greve. “A gente tem que se preocupar com a concorrência, que está querendo solapar (os Correios)”, ressaltou.
Voltei
Entendi. O radicalismo da extrema esquerda colabora com o capitalismo! Se não me engano, os Correios são infiltrados, em São Paulo ao menos, pelo PCO, o Partido da Causa Operária. A idéia que Marx fazia de “operário” não deve remeter a um entregador de cartas, mas vá lá… Os socialistas têm de ir aonde o povo está. O problema é que o povo costuma fugir deles, hehe.
Mas eu fui aqui tomado de assalto por uma idéia. Os capitalistas perversos deveriam financiar a extrema esquerda para ela promover paralisações nas estatais e, assim, garantir o avanço do capital privado.
É isto! Só mesmo o PCO para incentivar a iniciativa privada no Brasil! Boa parte do que se chamava antigamente “burguesia” está mamando nas tetas do governo, em busca de subsídios, empréstimos a juros camaradas e leis protecionistas!
Viva o PCO! Abaixo a burguesia estato-petista!!!

AInda o tal de debate sobre a desindustrializacao do Brasil


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A desindustrialização no Brasil

Por Luiz Carlos Mendonça de Barros
Volto ao tema da desindustrialização que estaria ocorrendo no Brasil e que aparece com frequência na imprensa brasileira. Entende-se esse fenômeno como a redução estrutural da participação da indústria no PIB em função do crescimento das importações. O real forte seria o grande culpado segundo as lideranças empresariais e alguns membros do governo.
Em um primeiro momento o governo tentou enfraquecer o real via compras maciças de dólares no mercado de câmbio e a introdução de um IOF na entrada de recursos financeiros de curto prazo. Mais recentemente, atravessou uma fronteira perigosa - e que tinha sido evitada até agora - ao passar a cobrar o IOF nas operações de derivativos cambiais. Apesar de todas essas intervenções nossa moeda continua como uma das mais valorizadas no mundo emergente, o que tem provocado ranger de dentes em Brasília.
Na última quinta feira o governo resolveu ampliar sua intervenção e decretou um brutal aumento do imposto de importações de automóveis - mascarado por um novo IPI seletivo - na primeira medida direta para reduzir as pressões dos produtos importados. O primeiro alvo nesta nova escalada foi o setor automobilístico que sofre uma concorrência vigorosa de produtos importados. Certamente a influência política dos sindicatos dos metalúrgicos, principalmente do ABC, está por trás dessa escolha. Afinal eles conseguiram generosos aumentos na última rodada de dissídios coletivos e as empresas precisam de espaço para absorver, via preços, esse aumento de custo.
Sem um entendimento correto das causas de um problema nunca chegaremos a sua solução
Outros setores da indústria de transformação a partir de agora vão demandar tratamento semelhante e corremos o risco - principalmente o cidadão consumidor - de uma rodada importante de fechamento via impostos de nossa economia, revertendo a tendência dos anos Lula.
O leitor do Valor sabe que não concordo com a análise simplista de que os problemas que enfrentamos hoje são criados, majoritariamente, pelas importações. Como escrevi em coluna recente neste jornal as causas são mais profundas e complexas e estão associadas às questões micro econômicas internas, como sistema tributário, regras salariais e custos de logística. Mas a medida do aumento diferenciado do IPI mostra que o governo resolveu agir de acordo com suas convicções e caminhar firme na direção da restrição direta às importações. E elas se aproximam muito da política do regime militar, quando Delfim Netto era ministro todo poderoso do governo. Aliás, fala-se muito hoje de sua volta ao centro das decisões econômicas no governo Dilma.
Vou me valer de dois ensinamentos que trago dos meus tempos de estudante de engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para continuar minhas reflexões sobre este tema. O primeiro deles, que aprendi com um professor de Física ainda no começo de meus estudos, diz que contra fatos concretos não há argumentos. Por isso, se entendemos a desindustrialização apenas como a redução da participação da atividade industrial no PIB brasileiro e, se olharmos para o passado longínquo do regime militar como período de referência, estamos diante de um fato inquestionável e assustador.
Nos estertores do regime militar a indústria chegou a representar, em termos nominais, 48% do PIB. Com o colapso do modelo da ditadura e a aceleração da inflação a partir da década dos oitenta do século passado a indústria chegou a 28% do PIB às vésperas do Plano Real. Com a estabilização da economia nos anos FHC tivemos uma pequena recuperação da indústria, que alcançou a marca de 30% do PIB na passagem do governo ao presidente Lula. Hoje essa relação voltou a cair e chegou a 26% do PIB no início do governo Dilma. Não por outra razão temos ainda saudosistas do período militar, quando as restrições draconianas às importações fizeram com que a indústria brasileira chegasse a representar quase metade do PIB. Esse número só foi atingido pela União Soviética na segunda metade do século passado, o que não me parece uma boa referência tanto econômica como política.
Mas a que custo foi conseguido esse resultado no Brasil? Quantos anos de sacrifício foram necessários para purgar os projetos industriais sem viabilidade que formaram a base desta estrutura industrial artificial? Vamos impor ao consumidor brasileiro novamente os custos de um sistema micro econômico ineficiente e impossível de ser mantido no mundo de hoje?
Por ter vivido intensamente esse período de ajustes - inclusive como diretor do Banco Central - é que me assustam esses movimentos recentes do governo. E trago aqui o segundo ensinamento dos meus anos de politécnico: "sem um entendimento correto das causas de um problema nunca chegaremos a sua solução".
E, no caso da perda de musculatura de nossa indústria, a forma como o governo e parte importante da liderança empresarial pretende enfrentar suas causas é um exemplo dessa armadilha. Restringir as importações pela imposição de novas barreiras tarifárias é não tratar das causas corretas além de interromper um caminho de integração de nossas cadeias produtivas que nos levam a uma economia mais eficiente.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas.

"Protecao do mercado interno"!?; depois nao adianta reclamar do protecionismo dos outros...

Se é verdade que a presidente vai fazer a "defesa da proteção ao mercado interno contra a guerra cambial" (sic), depois não adianta cobrar abertura dos demais países, ou reclamar que eles são protecionistas.
Quando é que os políticos -- ainda mais se eles são, supostamente, economistas -- vão aprender que protecionismo comercial só deixa a todos mais pobres e não é solução para nada?


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Dilma vai à ONU e agenda externa sai do segundo plano

Por Sergio Leo e Fernando Exman | De Brasília
Alan Marques/Folhapress/Alan Marques/FolhapressDilma Rousseff: contra políticas recessivas e em defesa da proteção ao mercado interno contra a guerra cambial
A política externa, posta em segundo plano entre as preocupações de Dilma Rousseff nos últimos meses, ganha papel de destaque a partir da próxima semana, quando a presidente viaja para abrir a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com agenda considerada "simbólica" no Palácio do Planalto.
Dilma, que já planejava ir à Bulgária e à Bélgica, incluiu a Turquia no roteiro, para uma agenda bilateral e comercial que deve ganhar forte componente político, com o agravamento da crise diplomática entre aquele país e Israel.
As turbulências no Oriente Médio devem exigir pronunciamentos de Dilma, já que se discutirá na ONU a reivindicação palestina de constituição de um Estado - tema tabu para Israel, indesejável para os EUA e simpático a alguns governos europeus. Primeira mulher a inaugurar a Assembleia Geral, Dilma ainda não decidiu o formato final de seu discurso. Segundo auxiliares, ele certamente destacará comentários sobre as causas e as responsabilidades pela crise global, com propostas para combatê-la.
Dilma deve manter, na ONU, o mesmo discurso contra políticas recessivas e de proteção do mercado doméstico contra a guerra cambial e importações com preços desleais. Deverá defender a inclusão social como forma de reduzir os impactos da crise sobre a economia. Na política externa brasileira, a presidente reafirmará o discurso de que a segurança, a paz e a estabilidade decorrem do desenvolvimento econômico e social.
Na avaliação do governo, o Brasil, por seu histórico, pode contribuir nos debates sobre o assunto. Ainda não se decidiu, no Planalto, se Dilma falará sobre os conflitos nos países árabes ou sobre a criação do Estado Palestino, que ganhou manifestação de apoio do Brasil no governo Lula.
No fim de semana, ao encontrar autoridades da Turquia, em uma viagem que prepara a ida de Dilma ao país, provavelmente no dia 8 de outubro, o ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, antecipou o tom escolhido pelo Planalto para lidar com as crises na região. Patriota condenou o "excesso de poder militar" no mundo e defendeu saídas diplomáticas negociadas para as crises com os países na região. "A guerra no Iraque e no Afeganistão mostrou os limites do poder militar. País algum solitariamente pode estabelecer a direção do mundo", disse.
A visita de Patriota também antecipou o clima de tensão que Dilma deverá encontrar na Turquia. O país expulsou o embaixador e diplomatas israelenses após Israel ter se recusado a pedir perdão pelos ataques, com mortes, a embarcações de bandeira turca que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A crise diplomática levou a boatos de que Israel se preparava para dar apoio aos rebeldes curdos, na fronteira turca com o Iraque. Os rumores foram desmentidos pelo governo israelense, de onde saíram, porém, declarações hostis à Turquia.
As tensões na região devem fazer parte da conversa que Dilma terá com o presidente dos EUA, Barack Obama, durante a viagem a Nova York. Ela terá encontros também com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o mexicano, Felipe Calderón, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o secretário-geral da ONU, Ban-Ki-Moon.
Dilma terá encontros à margem da Assembleia Geral da ONU, nos quais pretende sinalizar preocupações e prioridades de seu governo. Ela participará, por exemplo, de uma reunião sobre o combate a doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer. Dilma enfrentou um linfoma em 2009.
Ex-integrante da guerrilha contra a ditadura militar, Dilma também irá a um seminário sobre a participação das mulheres na política. E participará de eventos sobre mudanças climáticas, transparência na administração pública e segurança nuclear, além de um encontro do World Leaders Forum, na Universidade de Columbia.
Entre os outros tópicos que devem entrar no discurso na Assembleia Geral, estão o desenvolvimento sustentável e a reforma do modelo de governança global, de modo que os países emergentes tenham maior voz no processo decisório do sistema internacional. Um dos objetivos do Brasil é obter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Dilma, em outubro, participará ainda da reunião de cúpula Mercosul-União Europeia, em Bruxelas, como demonstração do interesse em reforçar os laços com os países europeus. Com a Turquia, os ministros preparam uma agenda também de forte conteúdo econômico, que inclui cooperação em vigilância sanitária, energias renováveis e defesa (o Brasil quer vender aviões Supertucano para as Forças Aéreas turcas).
A agenda externa de Dilma inclui, também, viagem a Durban, na África do Sul, para o encontro de chefes de Estado do Ibas, o grupo de Índia, Brasil e África do Sul. As revoltas na Líbia e Síria serão tema obrigatório do encontro.

A piada (macabra) da semana: a China e a Terceira Guerra Mundial


THE PERFECT QUESTION
The commanding officer at the Russian military academy (the equivalent of a 4-star general in the U.S.) gave a lecture on Potential Problems and Military Strategy. At the end of the lecture, he asked if there were any questions.

An officer stood up and asked, "Will there be a third world war? And, will Russia take part in it?"
The general answered both questions in the affirmative.

Another officer asked, "Who will be the enemy?"
The general replied, "All indications point to China ."

Everyone in the audience was shocked.

A third officer remarked, "General, we are a nation of only 150 million, compared to the 1.5 billion Chinese. Can we win at all, or even survive?"
The general answered, "Just think about this for a moment: In modern warfare, it is not the quantity of soldiers that matters, but the quality of an army's capabilities. For example, in the Middle East we have had a few wars recently where 5 million Jews fought against 150 million Arabs, and Israel was always victorious."

After a small pause, yet another officer - from the back of the auditorium asked,
"Do we have enough Jews?"

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 Não é a primeira vez que os companheiros tentam controlar, manietar, "orientar" o Itamaraaty, por meio de um Conselho Nacional de...