sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Minhas notas ao governo Lula nos seus primeiros três anos - Paulo Roberto de Almeida

 Minhas notas ao governo Lula nos seus primeiros três anos:

Na Saúde: 10 (está estupenda, mas pode melhorar)

No social: 8 (a parte mais relevante de seu governo)

No econômico: 6 (a questão fiscal permanece sua grande fragilidade)

No político: 5 (pela conivência com a roubalheira dos mandriões)

Na política externa: 4 (talvez até menos, pelo seu apoio objetivo ao criminoso Putin) 


Vou explicitar cada uma das notas…

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 26/12/2025

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Consequências de uma invasão americana da Venezuela (AI Gemini)

 Dê uma resposta crítica e detalhada para o seguinte cenário hipotético: Se os EUA resolverem invadir a Venezuela com forças militares de grande escala ou escala progressiva, culminando possivelmente em uma onda considerável de refugiados venezuelanos para países vizinhos, quais seriam as consequências para os demais países da América do Sul, principalmente o Brasil?


Uma intervenção militar dos EUA na Venezuela em 2025, seja em grande escala ou progressiva, teria repercussões críticas e desestabilizadoras para a América do Sul, com impactos diretos e profundos no Brasil.

1. Crise Humanitária e Migratória em Escala sem Precedentes
Uma guerra na Venezuela transformaria o país em uma "ferida aberta" na região, podendo gerar milhões de novos refugiados.
Impacto no Brasil: O estado de Roraima, porta de entrada via Pacaraima, enfrentaria um colapso nos serviços públicos. Especialistas preveem que o Brasil se tornaria o destino principal de uma nova onda migratória, exigindo um esforço logístico e financeiro massivo do governo federal para acolhimento e interiorização.
Tensões Sociais: O aumento súbito de imigrantes em situação de vulnerabilidade pode exacerbar problemas de xenofobia e sobrecarga no sistema de saúde e segurança nas regiões de fronteira.

2. Desestabilização Geopolítica e Segurança Regional
A intervenção é vista por diplomatas brasileiros como um "precedente perigoso" que viola a soberania nacional e a estabilidade hemisférica.
"Iraque" na Fronteira: Analistas alertam que uma invasão por terra poderia criar um cenário de insurgência prolongada e vácuo de poder, transformando a Venezuela em um conflito de longo prazo (estilo Iraque ou Afeganistão) diretamente na fronteira brasileira.
Narcotráfico e Crime Organizado: O enfraquecimento das instituições venezuelanas durante um conflito poderia fortalecer grupos criminosos transnacionais e o narcoterrorismo, aumentando o fluxo de armas e drogas para os países vizinhos, especialmente Colômbia e Brasil.

3. Consequências Econômicas para o Brasil
Mercado de Energia: A interrupção total da produção de petróleo venezuelano (já sob bloqueio severo em dezembro de 2025) causaria volatilidade nos preços globais de energia, afetando os custos de transporte e a inflação interna no Brasil.
Risco País e Investimentos: A instabilidade generalizada na América do Sul aumentaria a percepção de risco para investidores estrangeiros em toda a região, podendo levar à fuga de capital e desvalorização do Real.

4. Isolamento Diplomático e Divisões Regionais
O cenário forçaria os países sul-americanos a tomarem posições polarizadas:
Brasil: O governo Lula tem mantido uma postura de cautela e crítica a intervenções armadas, defendendo soluções diplomáticas para evitar uma "catástrofe humanitária". Uma invasão dos EUA colocaria o Brasil em uma posição difícil entre manter a neutralidade e lidar com a pressão de Washington.
Fragmentação da Unidade Regional: Países com governos mais alinhados aos EUA, como a Argentina de Milei, podem sofrer pressões internas para apoiar a ação, enquanto outros países (como Colômbia e Brasil) veriam a intervenção como uma ameaça à paz regional, fragmentando blocos como o Mercosul.

* Em suma, uma invasão militar resultaria em um longo período de reconstrução e instabilidade que a América do Sul não possui capacidade financeira ou política para absorver sozinha, sobrecarregando as estruturas socioeconômicas brasileiras por décadas.

Fonte (Gemini, a IA do Google)

Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco credenciado como pós-graduação pelo MEC

NOTA À IMPRENSA Nº 611

Credenciamento do Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco como pós-graduação – Nota Conjunta MRE/MEC 

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Educação têm a satisfação de comunicar a publicação, na data de hoje, de Portaria do Conselho Nacional de Educação (CNE) que confirma o Instituto Rio Branco (IRBr) como Escola de Governo e credencia o Curso de Formação de Diplomatas (CFD) como pós-graduação “lato sensu”.

O “status” de Escola de Governo reconhece e reforça o papel do Instituto Rio Branco como a academia diplomática do Estado brasileiro e como centro de treinamento e aperfeiçoamento de diplomatas, além de espaço de reflexão sobre política externa e temas correlatos. O IRBr integra o Sistema de Escolas de Governo da União (SEGU), além da Rede Nacional de Escolas de Governo (RNEG) – instância composta por mais de 200 instituições públicas de ensino, nas esferas federal, estadual e municipal.

O Curso de Formação de Diplomatas (CFD) tem por finalidade a formação dos Terceiros-Secretários nomeados para o cargo inicial da carreira de Diplomata, após aprovação no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). O credenciamento do CFD como “Curso de Especialização em Diplomacia”, em nível de pós-graduação “lato sensu”, reafirma a proposta pedagógica do Instituto Rio Branco de dotar os novos diplomatas de arcabouços teórico e prático para o exercício das atribuições do cargo.

O Instituto Rio Branco é a terceira mais antiga academia diplomática no mundo, tendo sido fundado em 18 de abril de 1945, ano de celebração do centenário de nascimento do patrono da diplomacia brasileira, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. Há 80 anos, o IRBr desempenha papel central na formação dos quadros de diplomatas do Estado brasileiro.

Trajetórias dramáticas ou exitosas na vida de certas nações - Paulo Roberto de Almeida

Trajetórias dramáticas ou exitosas na vida de certas nações

Algumas conseguem, à custa de muito trabalho, competência educacional, tolerância com a alteridade, ausência de preconceitos mesquinhos, construir um estado razoável, ou até confortável, de bem-estar social, e um regime político satisfatoriamente democrático, de modo a oferecer um bom padrão de vida a seus habitantes e imigrantes. Enfrentam desafios, até guerras, mas resistem até superar adversidades impostas de fora, ou por vezes até surgidas no próprio seio da nação, e finalmente conseguem estabelecer um modus vivendi razoável, até aceitável no plano civilizatório. 

Outras, infelizmente, dominadas por elites opressivas e opressoras, são levadas a enfrentar sofrimentos indizíveis, que impõem um alto custo humano e material a seu próprio povo ou a populações de culturas diversas, mas dominadas e submetidas a uma ditadura, senão a um totalitarismo dos mais horrendos. Passam por periodos fugazes de liberdade, mas voltam, por causa de suas oligarquias autoritárias, a regimes de força, de arbítrio e de opressão, interna e por vezes externas. Alguma submissão eventual a tiranos demenciais pode causar mortandades extensas e intensas, com incomensurável destruição de vidas e patrimônio, para  o seu próprio povo ou naqueles sobre os quais estendeu seu domínio brutal. 

Olhando a história da humanidade nos últimos dois ou três séculos, é possivel distinguir entre aqueles povos e culturas que marcharam na direção das economias de bem-estar, de mercados livre e de regimes liberais e democráticos, e aquelas sociedades infelizes, que só produziram pobreza e opressão, e que também as impuseram a outros povos e culturas, pela força destruidora de oligarquias autocráticas ou pela dominação eventual, temporária ou recorrente, de tiranos carismáticos o suficiente para arrancar apoio entre os ignorantes e miseráveis criados por alguma crise institucional mais séria. Não é dificil apontar um ou outro desses povos infelizes, que ainda não conseguiram criar, manter e fazer prosperar regimes de economia de mercados livres e sistemas políticos abertos e democráticos: esses causam tragédias a si próprios e as impõem a outros povos e nações. 

Não vou nomear as prósperas e bem sucedidas democracias de mercado, pois elas são reconhecíveis, apesar de serem em número limitado ainda hoje. A maior parte da humanidade ainda é formada de nações pobres, desiguais, por vezes ditatoriais, e pode-se prever uma longa trajetória em direção a um futuro razoável. 

Algumas poucas, grandes oligarquias, atravessaram sofrimentos extensos e indizíveis produzidos desde dentro, e os impuseram a outros povos e nações também. Não é dificil de reconhecer exemplos nesse infeliz percurso também. São poucos, mas existem. Nenhum povo ou nação está imune a retrocessos ou até a avanços exitosos.

Numa próxima oportunidade, vou me referir a casos concretos, inclusive à experiência do Brasil, ainda não integrado totalmente à primeira categoria de países satisfatoriamente exitosos, mas tampouco fracassados totalmente. Estamos no meio do caminho: podemos avançar, estagnar ou até recuar no caminho do bem-estar e da democracia de mercado. Tudo depende da clarividência de seus líderes e da energia do seu povo.

Falarei disso mais adiante.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 25/12/2025


Ukraine’s Zelensky offers peace concessions – and puts the ball in Putin’s court - Victoria Butenko, Nathan Hodge (CNN World)

Ukraine’s Zelensky offers peace concessions – and puts the ball in Putin’s court 

Victoria Butenko and Nathan Hodge (CNN World)

CNN Wordl, Dec 24, 2024

https://edition.cnn.com/2025/12/24/europe/ukraine-zelensky-peace-concessions-intl?cid=ios_app

Ukrainian President Volodymyr Zelensky signaled new willingness to make concessions on several key negotiating points that have threatened to stall a nascent peace process with Moscow, effectively putting the ball in Russia’s court.

In an unusually candid and wide-ranging meeting with reporters Tuesday, Zelensky gave new details about a 20-point plan that he described as “a foundational document on ending the war, a political document between us, America, Europe, and the Russians.” The Ukrainian president also discussed specifics of security guarantees between Ukraine, the United States and European countries that would form a crucial part of any peace deal with Russia.

Zelensky said he expected to receive a response from Moscow Wednesday after the US side engages with the Kremlin.

The draft 20-point agreement represents a slimmed-down version of an original 28-point plan the US previously discussed with the Russian side. In his remarks, Zelensky outlined what the Ukrainian side says would be an acceptable compromise for withdrawing its troops from portions of the Donetsk region of eastern Ukraine that are currently not held by Russian forces.

That area includes the “fortress belt” of fortified Ukrainian cities such as Kramatorsk and Sloviansk in Donetsk region that currently stand in the way of any potential Russian advance deeper into the heart of Ukraine. Russian President Vladimir Putin has said Ukraine must effectively cede all of Donetsk for a peace plan to work.

Detailing his country’s position, the Ukrainian president said Russia would have to engage in a withdrawal of its forces equivalent to ground ceded by Ukrainian troops, effectively establishing a demilitarized zone around some of the present front lines.

“If we establish a free economic zone here, and it envisages a virtually demilitarized zone, – meaning heavy forces are removed from this area – and the distance, for example, is 40 kilometers (it could be five, 10, or 40 kilometers) – then if these two cities, Kramatorsk and Sloviansk, are our free economic zone, the Russians would have to pull back their troops accordingly by five, 10, or 40 kilometers,” Zelensky said.

Key points of draft plan

Among the other key points of the draft plan outlined by Zelensky, including proposed revisions by Kyiv:

• An affirmation of Ukraine’s sovereignty and a non-aggression agreement between Russia and Ukraine;

• Security guarantees provided to Ukraine by the United States, NATO, and European states that Zelensky said would “mirror Article 5” – NATO’s cornerstone principle of mutual self-defense. The plan would call for a military response and reinstatement of sanctions on Moscow if Russia invades Ukraine, but the guarantees would be rescinded if Ukraine launches an attack on Russia or opens fire on Russian territory without provocation;

• A development package to support Ukraine’s postwar economic recovery, including establishment of a Ukraine Development Fund to invest in technology, data centers, and artificial intelligence as well as investment in Ukraine’s natural gas sector by US companies. Zelensky estimated the overall economic losses caused by the war to be $800 billion;

• A compromise proposal for the operation of the Zaporizhzhia nuclear power plant, currently held by Russia. Zelensky said Ukraine proposes the plant would be operated by a joint enterprise between the US and Ukraine, with 50% of the electricity output going to Ukraine and the remainder allocated by the US;

• The withdrawal of Russian troops from the Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Sumy, and Kharkiv regions of Ukraine;

• A legally binding agreement, with implementation monitored and guaranteed by a Peace Council chaired by US President Donald Trump; and

• A full ceasefire taking effect immediately once all parties agree to the deal.

Control of territory is the most complex point of any deal, along with the potential sequencing of events. Zelensky also spoke at length about a potential nationwide referendum in Ukraine that would formalize the end of the war.

“People could then choose: does this ending suit us, or does it not?” he said. “That would be the referendum. A referendum requires at least 60 days. And we need a real ceasefire for 60 days; otherwise, we cannot hold it. In other words, the referendum would not be legitimate.

People living in territories controlled by Russia, Zelensky said, cannot be expected to cast a fair vote.

“But in the territory we control, where a legal and fair referendum can actually be conducted, the voting and preparation process – just as, by the way, with the potential elections our partners talk about – must take place under secure conditions,” he said. “Without security, legitimacy is in question as well. We explain all of this to our partners.”

Ukraine has been under pressure to hold elections as soon as possible after an agreement is signed. Putin has long maintained that the government in Kyiv is not legitimate and that Ukraine must hold elections for a peace deal to work. Zelensky’s presidential term expired in 2024, but elections cannot be held under martial law that was imposed after Russia’s full-scale invasion of Ukraine. Those wartime measures have been upheld by the Ukrainian parliament.

The Trump administration’s peace effort – led by US special envoy Steve Witkoff and US President Donald Trump’s son-in-law Jared Kushner – has been slowly inching forward in recent weeks. Over the weekend, a Ukrainian delegation led by Ukrainian National Security Secretary Rustem Umerov and Kremlin envoy Kirill Dmitriev met separately with their American counterparts in talks that Witkoff described as “constructive and productive.”

Speaking to reporters Wednesday on a conference call, Kremlin spokesman Dmitry Peskov said Dmitriev gave Putin “a detailed briefing on the results of his trip to Miami. Based on this information, Moscow will formulate its next steps and continue contacts in the very near future through existing channels.”

Peskov declined to discuss specifics, saying Moscow considered it “counterproductive” to discuss negotiations in the press.

 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Diplomacy in the construction of Brazil 1750–2023 Rubens Ricupero Funag

 Diplomacy in the construction of Brazil 1750–2023

Rubens Ricupero
Brasilia: Funag, 2025

Descrição:
O livro “Diplomacy in the Construction of Brazil (1750-2023)”, versão em inglês do livro referência do Embaixador Rubens Ricupero, “A diplomacia na construção do Brasil”, é dedicado à história das relações internacionais do Brasil com o mundo e apresenta análise completa e atualizada sobre a inserção internacional do país.
O autor examina a evolução das relações externas do Brasil desde 1750 até a contemporaneidade, oferecendo uma visão aprofundada dos processos históricos, políticos e diplomáticos que definiram a trajetória do país no cenário internacional. Um recurso indispensável para estudiosos das ciências sociais e leitura essencial para pesquisadores, estudantes e profissionais de relações internacionais, bem como para todos os interessados na história do Brasil.
Detalhes
Autor: Rubens Ricupero
Editora FUNAG - Fundação Alexandre de Gusmão
Assunto: 1. Política externa brasileira - Humanismo | 2. Diplomacia – Brasil | 3. Direitos humanos | 4. Política humanista | 5. Multilateralismo
Ano: 2025
Edição: 1ª edição
Nº páginas: 807
Idioma: Inglês
ISBN: 978-65-5209-047-8

Acordo Mercosul e União Europeia - Rubens Barbosa (Estadao)

 Opinião:

Acordo Mercosul e União Europeia

Se a assinatura não ocorrer em janeiro, a paciência estratégica do Mercosul deveria terminar e o grupo deveria informar que as negociações ficam oficialmente encerradas
Rubens Barbosa
Estadão, 23/12/2025

Depois de 26 anos de negociações, o Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia (UE) com o objetivo de ampliar a cooperação entre os dois mercados regionais em três vertentes (política, cooperação e comércio) estava com a assinatura prevista para sábado passado, dia 20. Pela divisão entre os países da UE que exigiram mais medidas protecionistas contra a exportação de produtos agrícolas, o Mercosul aceitou que a assinatura seja adiada para janeiro.

Embora a Comissão Europeia estivesse disposta a aprovar o acordo, a França se opôs fortemente à conclusão dos entendimentos e à assinatura do acordo neste momento. Para impedir a votação pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu, a França conseguiu apoio da Polônia, da Hungria e, na última hora, da Itália (talvez motivada pelo pedido de caducidade do contrato da Enel com o governo brasileiro).
O acordo de livre comércio – parte desse acordo mais amplo – pretende consolidar uma parceria política e econômica e criar oportunidades para o crescimento sustentável nos dois lados, respeitando setores econômicos sensíveis, o meio ambiente e preservando os interesses dos consumidores.
O acordo é composto por capítulos e anexos, relativos a acesso tarifário ao mercado de bens (compromissos de desgravação tarifária); regras de origem; medidas sanitárias e fitossanitárias; barreiras técnicas ao comércio (anexo automotivo); defesa comercial; salvaguardas bilaterais; defesa da concorrência; facilitação de comércio e cooperação aduaneira (protocolo de assistência mútua e cláusula antifraude); serviços e estabelecimento (compromissos em matéria de acesso); compras governamentais (compromissos em matéria de acesso); propriedade intelectual (indicações geográficas); integração regional; diálogos; empresas estatais; subsídios; pequenas e médias empresas; comércio e desenvolvimento sustentável; anexo de vinhos e destilados; transparência; temas institucionais, legais e horizontais; e solução de controvérsias. De forma unilateral, a UE decidiu a inclusão de salvaguarda unilateral impedindo a exportação de produtos do Mercosul que descumprirem medidas de proteção do meio ambiente, mudança do clima (observância do Acordo de Paris) e preservação da Floresta Amazônica.
Não resta dúvida sobre a importância do acordo com a UE, terceiro parceiro comercial do grupo e o primeiro em investimentos. As informações divulgadas até aqui dão uma ideia geral do arcabouço e das principais diretivas do acordo de livre comércio entre as duas regiões, mas não permitem ainda uma análise objetiva sobre o resultado das negociações porque não foram divulgadas nem as listas de produtos e seu cronograma de redução das tarifas ao longo de dez anos nem os detalhes relevantes da negociação.
O acordo de livre comércio terminaria um longo período de mais de 25 anos de isolamento do Mercosul e do Brasil nas negociações de acordos comerciais. Enquanto o Mercosul assinou cinco acordos (Egito, Israel, Autoridade Palestina, Singapura e EFTA), segundo a Organização Mundial do Comércio, foram assinados mais de 250 acordos comerciais no mundo. Nos últimos anos, como reflexo das grandes transformações globais e da tensão entre EUA e China, a motivação dos países para a assinatura do acordo foi mais geopolítica do que comercial, pois oferece uma alternativa a essa polarização com um mercado de mais de 750 milhões de consumidores.
Do ângulo do Brasil, o acordo coloca grandes desafios para as empresas industriais. Para aproveitar as preferências tarifárias recebidas e manter a participação no mercado interno, os produtos industriais deverão melhorar significativamente sua competitividade e passar a receber um tratamento isonômico em relação ao produzido em outros países. Sem que isso ocorra, será difícil competir no mercado europeu.
No contexto do Mercosul, o momento também é desafiante pelas ações isoladas da Argentina, ao pedir flexibilização e assinar um acordo de comércio e investimento com os EUA; e do Uruguai, ao abrir negociações com a parceria transpacífica.
Além da evidente manobra protecionista, liderada pela França, não se pode descartar a influência de considerações geopolíticas, visto que a decisão de não levar adiante o acordo só foi possível graças ao apoio de países da direita europeia, como a Polônia e a Hungria, e ao toque final da Itália, cuja presidente é muito próxima de Donald Trump.
Do lado do Brasil, o governo do PT se expôs duplamente ao anunciar antecipadamente a assinatura do acordo no dia 20 e ao dizer que não aceitaria o adiamento. Essas declarações voluntaristas forçaram um recuo e, agora, não deixaram alternativa senão aceitar a incerta postergação para manter uma posição comum no Mercosul.
Depois de os países do Mercosul terem aceitado a imposição unilateral de salvaguardas protecionistas e o adiamento para 12 de janeiro, por carta formal dos europeus, se a assinatura não ocorrer nessa data, a paciência estratégica dos países do Mercosul deveria terminar e o grupo deveria informar que as negociações ficam oficialmente encerradas. O Mercosul deveria dar prioridade à Ásia e juntar-se ao Uruguai na busca de um acordo com a ex-Trans Pacific Partnership, integrada por 11 países asiáticos, inclusive o Japão.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004)

https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/acordo-mercosul-e-uniao-europeia/

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...