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segunda-feira, 5 de março de 2012

Revisionismo diplomatico: em curso, a qual velocidade, mesmo?

A julgar pela matéria abaixo, parece que nos anos Lula a diplomacia brasileira viveu uma fase de "desaproximação" com os EUA -- ou afastamento, se vocês desejarem algo mais tangível -- e de apoio aos violadores dos direitos humanos, vocês sabem, esses ditadores anacrônicos, esses déspotas pouco esclarecidos, esses caudilhos histriônicos e outros candidatos ao lado ridículo da história.
Bem, não sou em quem está dizendo. Eu apenas deduzo do que leio...
Paulo Roberto de Almeida

Política externa: reaproximação com os EUA e direitos humanos

DESTAQUES EM BRASIL

RIO - Especialistas na política externa têm uma visão diferente do atual momento brasileiro. Acham que mudanças significativas na política externa brasileira já aconteceram no ano passado. Citam o evidente processo de reaproximação com os Estados Unidos e um foco maior na defesa dos direitos humanos como marcas nítidas das diferenças de atuação no cenário externo dos governos Dilma e Lula.- O caso do Irã é emblemático - observa o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Temas dominantes no segundo mandato de Lula, a busca de um papel mais ativo no Oriente Médio e a tentativa de liderar um acordo internacional sobre a questão nuclear iraniana foram abandonadas pelo Itamaraty do ministro Patriota.
Tudo isso foi equacionado de forma sensata na administração de Dilma Rousseff. O governo atual procurou mostrar que o Irã tem graves problemas em direitos humanos e deixou de falar do país como parceiro estratégico - diz Ricupero, lembrando que a nova postura levou à exclusão de Brasília numa recente viagem à América Latina do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Welber Barral, consultor e ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula, também destacou a mudança de postura do Brasil nas votações sobre a Síria.
- O governo Dilma já não mais vota contra ou se abstém em relação a países acusados de abusos contra os direitos humanos - disse Barral.
Já ao analisar a relação entre Brasil e Estados Unidos, o ex-ministro Ricupero ressalta que o governo se posicionou com jeito e habilidade para não brigar com sua clientela - o PT e a esquerda. Mas o que houve, de fato, foi a reaproximação com os Estados Unidos e o afastamento de países problemáticos.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília Virgílio Arraes, os próximos movimentos do governo Dilma deverão se pautar pela busca de novos mercados de forma pragmática. No campo político, a área externa estará especialmente atenta às eleições presidenciais americanas, no segundo semestre deste ano.
- O Brasil deve continuar a diversificar a pauta comercial, porque os europeus estão em crise, e o mundo árabe, de certa forma, vive um momento de instabilidade que não é positivo - analisa Arraes. - Mas o país deve se voltar para si mesmo e melhorar sua imagem, pois em 2014 e 2016 estaremos expostos aos olhos do mundo, com a Copa e as Olimpíadas. A melhor propaganda não é na política externa, e sim na política interna.
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