Apenas um pequeno trecho de uma mensagem recebida de um dos nossos academicos a propósito da situação atual da universidade brasileira e das políticas supostamente propostas e apoiadas pelos candidatos das duas coalizões em luta pela presidência atualmente.
Destaque-se apenas o maniqueísmo artificial, o divisionismo reducionista, o simplismo analítico e a má-fé dos argumentos que defendem uma posição e atacam a outra. Nunca antes neste país, a ignorância dominou tanto e tão amplamente as consciências daqueles que hipoteticamente deveriam ser melhores do que a média. Nuca antes neste país, a mediocridade avançou tanto e tão rapidamente, a galope, praticamente, para tornar a universidade pública ainda mais distante da realidade do que ela já era.
Enfim, não tenho nenhuma ilusão de que a média dos leitores deste blog concorde comigo, mas não vou deixar, por causa disso, de expressar o que penso a respeito de uma situação que considero lamentável, um perfeito retrato de nosso subdesenvolvimento mental, uma receita acabada para prolongar o surrealismo acadêmico e a irrelevância universitária para resolver os problemas do Brasil.
Isso ocorre no chamado "andar de cima", para usar as palavras de um famoso jornalista, que na verdade só tem palavras, muita forma, muito estilo, para pouco conteúdo, para nenhuma realidade.
No "andar de baixo", infelizmente, grassa o mais elementar e idiota repasto bovino das pedagogas freireanas, o mais acabado conjunto de sandices pedagógicas que nos foi dado completar. Esse pessoal não é ao menos criativo: fica repetindo o que disse um alucionado no início dos anos 1960, sem ter conseguido, até agora, formular nada de minimamente inteligente.
A miséria pedagógica e a tragédia educacional vão continuar por muito tempo no Brasil.
Deixo vocês com esse trecho magnifico da nossa idiossincrasia acadêmica.
Paulo Roberto de Almeida
Recebido de um correspondente, em debate sobre a universidade e as eleições:
Se Gramsci dizia que devemos transcender as demandas corporativas, isso não significa que elas não possuem relevância, mas sim que elas devem ser articuladas em um projeto maior de hegemonia. A questão é: quais demandas atender e como?
Ao meu ver, o governo FHC, em vista de sua opção por uma inserção subordinada no sistema internacional, e de desmontar o Estado desenvolvimentista, optou, na área da educação superior por dar total apoio ao ensino privado e esmagar o conjunto do sistema federal.
Há relatórios do MEC deste período que expressamente afirmam que as universidades federais são apenas fontes de custo. Já o governo Lula, embora não tenha contrariado frontalmente os interesses do ensino privado, conseguiu re-equipar e fortalecer as universidades federais, o que se insere em seu programa desenvolvimentistas, mesmo com todas as suas ambigüidades.
Chega, isso já dá uma ideia do conjunto.
Não tenho nenhuma ilusão, ou esperança de que a situação reverta, ou melhore, any time soon. Temos isso, e teremos isso, pelo futuro indefinido...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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Um comentário:
Paulo,
acredito que seria uma boa medida que escrevesses ou indicasses algum texto que se coadune com tua opinião no tangente aos investimentos dos últimos governos em educação superior. De minha parte, vejo como uma medida de cooptação dos segmentos ligados à educação superior certos investimentos do Governo Federal. E penso que o objetivo foi alcançado com bom êxito: muito se fala, nas universidades públicas, sobre os tempos cardosistas de vacas magras e lulistas de vacas gordas. Todavia, o contexto em que se inseriram os referidos governos e suas margens de ação ou concepções sobre a educação pública superior pouco são explorados.
Abraços!
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