Trecho de uma matéria recente sobre o inchaço da máquina pública brasileira.
Alguns acham normal abrir uma estatal ou um novo ministério, a um custo de vários milhões de reais adicionais.
Esses provavelmente não sabem quanto custa, de tempo, emprego de capitais, trabalhadores, ao setor privado, para produzir UM único milhão de reais. Eles acham que dinheiro nasce nas árvores.
Paulo Roberto de Almeida
(...)
O mostrengo administrativo existente em Brasília, caro e ineficiente, tem agora 24 ministérios, além de dez secretarias da Presidência e 5 órgãos, cujos ocupantes têm status de ministro.
Essa elite “chapa branca”, ao que tudo indica, é recorde mundial. Nos Estados Unidos, país com 315 milhões de habitantes e PIB de US$ 15,5 trilhões, são apenas 15 os ministros. Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel toca a quarta maior economia do planeta com 17 auxiliares diretos. No Brasil, é muito provável que a presidente da República cruze com algum dos seus ministros e sequer lembre o seu nome. Muitos devem encontrá-la nas solenidades e em despachos semestrais, o que aconteceu com a ex-ministra Marina Silva na gestão de Lula. A maioria da população dificilmente será capaz de dizer os nomes de meia dúzia dessas autoridades, o que, aliás, não faz muita diferença.
Com o inchaço da máquina administrativa, o número de servidores públicos federais ativos chegou a 1.130.460 em 2012, com aumento de 136.673 funcionários em relação a 1997. No mesmo período, os cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) cresceram de 17.607 para 22.417 comissionados. Como o que é ruim em Brasília costuma ser reproduzido no resto do País, a União, os estados e os municípios possuem aproximadamente 9,4 milhões de servidores públicos, conforme estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2011. Cerca de 4,9 milhões estão nas prefeituras e 3,5 milhões nos estados. As despesas com pessoal nas três esferas de governo representam 14% do Produto Interno Bruto (PIB). Neste ano, só no Orçamento da União estão previstos R$ 226 bilhões para “pessoal e encargos sociais”, valor quatro vezes maior do que o destinado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
(...)
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Secessão à vista no Reino (Des)Unido?
Interessante essa secessão da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte da Grã-Bretanha, um reino desunido. A Irlanda foi conquista...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Um ÚNICO diplomata disputa as eleições em 2026: o embaixador Aldemo Garcia Prezados colegas da ADB, Gostaria de compartilhar com todos vocês...
-
Mais uma reunião do BRICS para falar muito, e não tocar nas questões mais importantes da atualidade Paulo Roberto de Almeida O BRICS é um F...
-
Erico Veríssimo, falecido há muitos anos, acaba de adentrar o STF. Se fosse vivo, teria material para mais um romance do absurdo: Distopia d...
-
China and the Rule of Law Leonidas Zelmanovitz 2026, Law & Liberty Liberty Fund , September 8, 2026 https://www.academia.edu/175255097/...
-
Olhando o panorama por cima: da democracia å mediocracia Os militares já não contam quase nada, ou totalmente nada, na política, o que é u...
-
ADL : No blog Diplomatizzando , há - até o momento - a publicação de sete textos (numerados de 1 a 7) sobre "Autobiografia de um f...
-
Greetings Paulo Roberto Almeida, A new Announcement has been posted in H-LatAm. TOC: Special Issue Publication -- Gender, Slavery, and Fre...
-
Sem alarmismo Marcelo Guterman set 10, 2026 O economista Felipe Salto reclama do “alarmismo” de certos analistas econômicos, que estaria...
Um comentário:
-Caro Professor, em meus tempos juvenis, lá pela década de setenta, uma das brincadeiras prediletas era soletrar de memória o nome de ministros, jogadores, cantores, entre outros... curiosamente nos dias atuais, tal brincadeira "não vingaria", tanto pela quantidade quanto pela alternância... Campos... Paulinelli... Simonsen... Ueki...
Postar um comentário